Drones mãos livres ou os Portugueses que controlam drones através das ondas do cérebro

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Foi no passado dia 20 que uma equipa de investigadores portugueses conseguiu controlar o voo de um drone nos céus de Lisboa directamente através das ondas cerebrais de um controlador. Claro que, todos os drones são controlados por ondas cerebrais, no entanto, o controlador em vez de comandar o drone através de um comando, fê-lo directamente a partir das ondas cerebrais – captadas por um conjunto de eléctrodos colocados directamente sobre a sua cabeça. “Esta é a primeira demonstração pública de um voo real, completamente inédito” contou Ricardo Mendes, coordenador do projecto por parte da empresa Tekever Brainflight.

Nuno Loureiro foi o “piloto” responsável por este voo inaugural. Nuno Loureiro é investigador da Fundação Champalimaud contou à euronews “Idealmente isto (o controlo) não deverá ser muito difícil. Com mais treino seremos capazes de fazer mais e o controlo deverá ficar mais intuitivo” (http://www.euronews.com/2015/04/20/portuguese-researchers-discover-the-secret-of-mind-control/#.VTtxf4vYr60.facebook)

Assim, este projecto, que já tinha impressionado com o seu voo simulado directamente controlado por ondas cerebrais há um ano atrás (http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/projecto-europeu-mostra-aviao-controlado-pelo-cerebro-humano-1637987), volta a impressionar e foi já destaque de várias publicações internacionais como a revista “How it works”, e os canais “Fox Business Network” e BBC. Esta tecnologia é baseada numa interface cérebro-máquina –  sistema composto por eléctrodos que são aplicados directamente numa touca que é colocada na cabeça do “piloto”. Através de software, também desenvolvido por esta equipa, os investigadores conseguem “ler” a mente do “piloto” e posteriormente codificar e emitir as ondas rádio que irão ser recebidas pelo drone.

“Em princípio, qualquer pessoa pode aprender a controlar o drone, mas claro que o controlo depende das capacidades de aprendizagem de cada pessoa” contou Rui Costa, da Fundação Champalimaud.

Estes progressos foram feitos no âmbito de um projecto europeu do qual fazem parte estas duas instituições portuguesas: a Fundação Champalimaud e a companhia Tekever (que recentemente foi notícia por ter adquirido uma parte  significativa do grupo Santos Lab, o principal produtor de sistemas aéreos não tripulados) e a Eagle Science e a Universidade de Munique – http://cordis.europa.eu/result/rcn/147263_en.html. Tal como se pode ler na apresentação deste projecto, as vantagens de tal projecto são: diminuir a carga física a que um piloto está sujeito e, desta forma, não excluir as pessoas com certas deficiências físicas deste trabalho. Ricardo Mendes, acrescentou ainda horizontes mais vastos para esta tecnologia, como a aplicação em cadeiras de rodas, ou mesmo para controlar os vários equipamentos domésticos em casa.

Que continuem os grandes voos!

 

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Just a Change – Uma pequena grande mudança

LogoEm Portugal existem 150.000 famílias identificadas como vítimas de Pobreza Habitacional. Vivem em casas que não lhes concedem a dignidade a que todos os seres humanos têm direito.  Face a esta realidade cada vez mais próxima, sete jovens decidiram  por “as mãos na massa”.  Obra a obra, o “Just a Change” vai transformando as casas mais necessitadas e o mundo de quem as habita.

No princípio de 2010, dois amigos experimentaram ir tocar guitarra para a Baixa de Lisboa e conseguiram angariar algum dinheiro. “E agora, o que é que fazemos?” Foi através de algumas tentativas e erros que se chegou ao conceito actual: remodelar casas degradas de famílias e instituições. Assim, em  Fevereiro do mesmo ano foi fundado o projeto “Just a Change” e , sete meses mais tarde, oficialmente constituído como Associação Sem Fins Lucrativos.

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A origem do nome está relacionada com as duas vertentes marcantes do projecto. “Just a Change”, que significa “Apenas uma Mudança”, está associado à solução que se propõem a aplicar:  a remodelação de habitações desapropriadas para uma vida digna. Estas podem ser de famílias ou idosos portugueses bem como de instituições de solidariedade social. Pretende-se trazer “Apenas uma Mudança” que se revela significativa na qualidade de vida dos beneficiários. A outra denominação advém da expressão “Apenas uns trocos”. Foi através da primeira experiência de angariação de fundos que nasceu a ideia. Através do dinheiro doado pelas pessoas que passavam na rua surgiu a necessidade de o aplicar em algo que pudessem fazer realmente a diferença.

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“Casa sã, mente sã”
O “Just a Change” defende que é no direito a uma habitação digna que se encontra uma das necessidades mais profundas e imensuráveis  do ser humano: a necessidade de ser valorizado, respeitado e incentivado.  Devolver a dignidade habitacional a uma família pode ter impacto na sua vida ao nível social,  educacional, da saúde e  bem estar.  A reconstrução das casas assenta na esperança que se possa criar nos seus habitantes uma vontade de mudança e um sentimento de esperança e determinação nas suas vidas.
Durante toda a execução  o “Just a Change” tenta criar uma relação com os seus beneficiários,  atribuindo à obra uma dimensão humana e de convívio. Deixa de ser apenas um trabalho de construção civil para um trabalho de construção de relações. Desta forma, acrescenta-se valor e sentimento ao processo. Aos voluntários cabe o papel de contagiar a sua alegria aos habitantes e a toda a comunidade vizinha com o seu espírito jovem e animado
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Para acompanhar o crescimento desta associação, o grupo inicial de sete jovens que originou o projecto foi alargado para vinte e seis pessoas. Recentemente, António Bello, um dos fundadores , foi nomeado director executivo e está dedicado a tempo inteiro a este projecto. Estando associada a diversas instituições que conhecem em primeira mão a realidade das famílias, esta associação consegue actuar de forma mais eficaz e onde é realmente necessária .
Guiados pela visão de “Um mundo onde todos têm uma casa digna de se viver”, a missão do “Just a Change” passa também por mobilizar os jovens universitários como voluntários. Se estes forem sensibilizados a olhar para a dificuldades dos outros e para uma realidade social diferente da que vivem, constrói-se uma sociedade mais solidária e atenta às suas necessidades. Desde a sua génese, mais 800 voluntários tiveram a oportunidade de participar nesta experiência transformadora, adquirindo capacidades como o trabalho em equipa e gestão de tempo.
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Ser voluntária no Just A Change trouxe-me uma visão completamente diferente do Bairro da Serafina. Há muita vida e cultura por detrás de alguns muros destruídos pelo tempo.
Muito mais do que ajudar a construir casas para os que mais precisam naquele bairro, sinto que lhes devolvemos um pouco da sua história e a reconstruir o espaço a que chamam de lar.
Mafalda Cortinhal, voluntária do “Just a Change”

O balanço tem sido muito positivo com 28 casas particulares e 7 instituições já remodeladas. Estima-se ainda que 400 pessoas carenciadas tenham beneficiado directamente da acção do “Just a Change”.  O projecto têm trabalhado para  alcançar a auto-sustentabilidade do seu modelo operacional e financeiro, de forma a chegar ao maior número de casas possíveis.  Entretanto, foi reconhecido em 2011 com o prémio Do Something  na categoria de Melhor Projeto Nacional relacionado com as Artes e em 2013 com a menção honrosa do Prémio Voluntariado Jovem Montepio. Reconhecimentos que vieram comprovar o trabalho desta associação que pretende, com apenas uma mudança, mudar Portugal e o Mundo.

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FMUP avalia os benefícios do gérmen de trigo e recruta participantes

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Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) vai dar início a um projeto inovador, intitulado The Effect of Wheat Germ on Gastrointestinal Discomfort, Blood Cholesterol and Postprandial Glycaemic Response (Efeito do gérmen de trigo no desconforto gastrointestinal, colesterol e glicemia), que pretende avaliar o efeito do consumo de pão de trigo enriquecido com gérmen de trigo na redução do desconforto gastrointestinal, colesterol e glicemia em indivíduos saudáveis.

Ao refinar o trigo, da qual resultam as farinhas brancas para a panificação, é eliminado o gérmen de trigo, ou seja, o embrião. No entanto, o gérmen de trigo é altamente concentrado em nutrientes, vitaminas, minerais e uma boa fonte de fibra e proteína. Por esse motivo, pretende-se avaliar se a adição de gérmen de trigo ao pão de trigo traz benefícios para a população saudável.

Os resultados deste estudo são de extrema importância para ajudar os profissionais de saúde a compreender eventuais efeitos metabólicos do consumo do gérmen de trigo. Consequentemente, estes contribuirão para um maior conhecimento da potencial importância biológica do gérmen de trigo na redução do risco de doença, e na otimização doestado de saúde, com potencial impacto no desenho de estratégias de saúde pública mais assertivas e eficazes.

Os investigadores da FMUP procuram incluir cerca de cinco dezenas de voluntários saudáveis entre os 18 e os 60 anos de idade, que queiram colaborar neste estudo clínico.

A colaboração no projeto não implica a toma de qualquer medicamento, apenas o consumo diário do pão em estudo, durante dois meses, com um mês de intervalo.
Os participantes serão avaliados por um profissional de saúde no início e durante o decorrer do estudo, devendo preencher um diário relativo ao desconforto gastrointestinal e efetuar análises de sangue e de fezes (todas as análises são da responsabilidade da equipa de investigação). Os sintomas e os valores analíticos apresentados pelos voluntários serão avaliados antes e depois do consumo do pão em estudo. Esses dados serão depois comparados e a eficácia da ingestão do pão contendo gérmen de trigo aferida.
Participar neste estudo é uma oportunidade rara de contribuir para o conhecimento do papel dos alimentos funcionais na redução do risco de doença. Estes resultados contribuirão para uma nutrição e uma medicina mais adequadamente baseadas na melhor evidência científica disponível.

O estudo deverá ter início no dia 4 de maio de 2015.

A intenção de participação neste estudo deverá chegar aos investigadores até dia 4 de maio de 2015.

Inscrições via Telefone: 225 513 622/936266179
Inscrições via Email: ccalhau@med.up.pt e andrerosario@med.up.pt

Go Youth Conference – um testemunho

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A Excelência Portugal esteve presente no maior evento nacional de empreendedorismo que se realizou no passado fim-de-semana na LX Factory, em Alcântara. Aqui segue o testemunho pessoal de uma das nossas correspondentes.

Sou uma estudante de gestão, assim quando me foi proposto  cobrir o evento nem pensei duas vezes, era a oportunidade perfeita de conciliar este hobby do jornalismo com o bichinho do empreendedorismo que tenho vindo a desenvolver. Já conhecia o evento bastante bem, no semestre passado foi-nos pedido para investigar um “caso de sucesso” da nossa faixa etária e eu cheguei a entrar em contacto com o Tiago Vidal, o fundador da Go Youth Conference. Se estiveres a ler isto, Tiago, não te sintas ofendido, mas na altura e neste fim-de-semana que passou, pareceste-me um rapaz perfeitamente “normal” de acordo com os padrões de hoje em dia (seja a definição destes o que quer que seja), o que torna o choque da absorção da dimensão e da qualidade da organização deste evento ainda maior. Sempre presente, sempre calmo, sem os “tiques” do homem “behind the show”. Foi com 17 anos que o Tiago arrancou com a GYC, é de louvar o cariz pioneiro ao ser capaz de recolher apoios e de fazer grandes gurus da gestão (e não só) acreditarem nele e virem a Portugal.

No final do evento, abordei o Tiago para receber feedback direto do fundador de tudo aquilo, passo a citá-lo: “Na minha opinião, superou as expectativas no geral. O foco foi melhorar a experiência do participante no evento e a produção do mesmo e penso que isso foi conseguido. A nível de conteúdo, as expectativas eram altas mas acho que foi diversificado e no final “worthwhile” para os participantes.” E ainda deixou um comentário sobre a importância do papel da Excelência e semelhantes na divulgação e como fonte de motivação: “Acho importante estes meios de forma a divulgar aquilo que se passa de interessante e diferente em Portugal para além dos mainstream media em que o conteúdo pouco varia.”

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O espaço era e estava decorado de forma espetacular, e as luzes! Não me canso de falar das luzes. Ajudaram a criar uma atmosfera tão envolvente, tão própria para a inspiração, para a sensação de que existem infinitas oportunidades ao virar da esquina! Fica desde já aqui um grande reconhecimento a todos os que estiveram envolvidos na produção e organização. O staff era super animado e prestável, e sem falar da comida e bebida servidas…

Quero muito possibilitar aos meus leitores uma visão global e pessoal do evento, mas não me posso esquecer de ser factícia e organizada. Factos, vamos aos factos, à sucessão dos acontecimentos.

 

Antes da abertura das portas, às onze horas de sábado dia 18 de abril de 2015, estava no armazém que recebeu a GYC, com o meu pass de imprensa. Tive a oportunidade de absorver o ambiente ainda vazio, o que me permitiu tirar umas fotografias bem espetaculares, a modéstia nem tem de estar à parte porque o mérito não foi de todo meu ou da câmara mas sim, frizando pela última vez, prometo, do ambiente que foi criado, ali, naquele armazém. Aproveito para aconselhar uma empresa de multimédia, que tratou do vídeo promocional do evento: The Flying Man. Falei pessoalmente com eles e eles são de facto excecionais, apostam na qualidade e sobressaiem por isso mesmo.

O primeiro orador tratou-se de Miguel Frasquilho, presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) que vendeu Portugal de uma maneira muito inteligente. Curioso, no dia anterior tinha assistido na minha universidade a uma conferência do embaixador do Canadá em Portugal, e confesso que as semelhanças sobre os tópicos abordados foram imensas. Gostaria de mencionar quatro factos mencionados: crescimento das exportações, localização estratégica e melhoria do ambiente empresarial – por exemplo, estamos no top 25 mundial no que toca à facilidade em criar uma nova empresa – e uma grande qualidade de vida. Terminar com uma ideia que foi muito martelada ao longo do ciclo de conferências: Portugal está a tornar-se cada vez mais atrativo e tem vindo a melhorar a sua competitividade.

A segunda pessoa a subir ao palco foi uma jovem mulher com imensa garra e estilo: Kathryn Minshew, do The Muse (https://www.themuse.com/). Esta conquistou-nos logo com a sua frontalidade ao admitir que é muito fácil estar ali a falar dos sucessos de cada um, mas no que toca aos falhanços…já não é assim tão fácil e entusiasmante. E assim Kathryn achou por bem partilhar grandes e pequenos erros que foi fazendo na criação da sua start-up. Tenho uma vontade gigante de partilhar cada uma das dicas que apontei em todas as conferências, mas assim a probabilidade de UMA pessoa chegar ao fim do artigo ia diminuir ainda mais. Assim deixo apenas uma frase provocadora e encorajadora à persistência da autoria desta empreendedora americana, no original: “Start-ups are an evolution from suck to suck less”.

De seguida foi a vez de um contador de histórias: Burt Helm, da revista Inc. Maganize. Foi absolutamente hilariante. Basicamente o desafio dele foi deixar-nos três dicas para saber contar uma boa história, vou tentar reproduzi-las:

– No início: começar com uma complicação, assim tem-los “fisgados” (hooked, no original).

– No meio: queremos manter a atenção, dica de causa-efeito do South Park, “therefore and but” – pode ser a história mais estúpida do mundo, mas nós caímos.

– No fim: se o fim não prestar, aqueles que perderam tempo a ler/ouvir até ao fim vão-se sentir traídos. Um bom climax, uma boa transformação, tem de acontecer!

Em quarto lugar, subiu ao palco Jeremy Johnson, da start-up Andela, que propõe um modelo de educação baseado nas capacidades de cada um, completamente diferente dos implementados até agora. Trata-se de um conceito complexo que vale a pena pesquisar. No dia a seguir tive a oportunidade de falar com o Jeremy pessoalmente, queria imenso fazer-lhe uma pergunta, e ele foi super acessível e prestável, e fez uma coisa que eu aprecio imenso: deu de facto a sua opinião, não teve medo de se esconder no politicamente correto. A premissa que o levou a criar a Andela foi a seguinte: “Talent is evenly distributed but opportunity is not”.

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O primeiro empreendedor português a pegar no microfone foi o Miguel Pina Martins, da marca de brinquedos didática, Science4You. Mas não seria o último.

Depois houve a oportunidade de assistir a uma conversa entre VC’s (Venture Capitalists) – investidores em start-ups: Alexandre Barbosa (Faber), Martin Mignot (Index), Ciaran O’Leary (Earlybird) e Hussein Kanji (Hoxton). Ciaran comentou que nunca se deve desperdiçar uma boa crise, e Portugal não deixou. O francês Martin Mignot mencinou dois grandes ativos da economia empreendedora portuguesa: as pessoas falam inglês (“mas falam mesmo!”) e o grande sentido de beleza e design que existe em todo o lado.

 

Durante o resto do dia, os oradores foram Morten Primdahl (Zendesk), João Oliveira Martins (Pathena), Pedro Queirós (Ericsson), Miguel Santo Amaro (Uniplaces) e Or Abel (YO). Queria só destacar aqui o Miguel Santo Amaro, dado que estou bastante familiarizada com o sucesso da Uniplaces, que é um grande exemplo de empreendedorismo a funcionar a todo o gás em Lisboa. Tive a oportunidade de visitar os escritórios da sede aqui na capital no outro dia e aquilo sim, aquilo é o sonho de qualquer jovem empreendedor. Noutro artigo escreverei mais sobre eles.

Chegámos a domingo, dia 19 de abril de 2015. A abertura foi feita com outra jovem mulher cheia de energia, Brittany Laughlin, da Union Square Ventures, que já esteve do lado de quem arrisca a pele (empreendedores) e agora está do lado de quem arrisca mas ao financiar e aconselhar. Apelou à ação: “The best way to get started is to get started”.

Seguiu-se uma conversa animada entre três portugueses: Jaime Jorge (Codacy), Filipa Neto (Chic By Choice) e Vasco Pedro (Unbabel). Muitos tópicos foram abordados, um deles foi o porquê da escolha de manter as empresas em Portugal. São várias as razões, mas sejam estas quais forem é um sinal positivo! O nosso fundador da Excelência, Miguel Marote Henriques, teve a oportunidade de trocar impressões com a Filipa sobre o mercado de produtos de luxo, o sucesso crescente da Farfetch, o modelo de negócio da Chic By Choice, os players e as novas tendências de negócio e a necessidade de uma rápida adaptação às mesmas. Uma possível entrevista particular à Filipa está à vista.

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Após esta reunião de portugueses bem sucedidos (sempre em inglês, claro está, já que se trata de um evento internacional que recebe imensos visitantes estrangeiros), veio a vez de Adam D’Augelli, da True Ventures, que nos pôs a todos depé a mexer os braços de um lado para o outro ao mesmo tempo. A originalidade assume muitas formas.

Posteriormente marcaram presença Matt O’Brimer, da General Assembly, Thom Cummings, da Soundcloud, e por fim, para encerrar um grande ciclo, Ray Chang, co-fundador do gigante de entretenimento – 9gag. Este último, num inglês perfeitamente compreensível mas com forte sotaque chinês, procurou dar uns conselhos úteis sem nunca esquecer o bom humor que a plataforma procura providenciar. Mais uma vez houve um apelo à ação: “Don’t be an idea person. Be a follow through person”. O principal, por mais estranho que pareça e que pareceu no início, foi “MAKE YOUR BED”. Fica a dica, interpretem-na e ponham-na em prática, queridos leitores resistentes!

 

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Ordem dos Psicólogos lança iniciativa destinada a estudantes de Psicologia

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A Academia OPP é uma iniciativa da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) destinada a todo os estudantes que se encontram a realizar a sua formação em Psicologia (1.º e 2.º ciclos ou mestrado integrado) em instituições de ensino superior portuguesas. A Academia OPP é o projecto que pretende aproximar o aluno do futuro da profissão de Psicólogo/a, dando-lhe oportunidades de pensar o seu percurso e de o aproximar da entidade que em Portugal regula a profissão.

O dia da “Academia OPP” será constituído por três sessões:

  • “Do curso à profissão: Uma Ordem próxima” – Uma sessão destinada aos estudantes do 1º ano, que apresenta a OPP e explica qual a sua utilidade e finalidade;
  • “Unidade da diversidade: Uma Ordem próxima” – Direccionada para os estudantes do 3º ano, esta sessão tem como objectivo aprofundar os temas relacionados com a profissão de Psicólogo;
  • “Cria o Teu Estágio: Uma Ordem próxima” – Esta sessão é reservada aos estudantes finalistas do mestrado de Psicologia e pretende explicar e apresentar o estágio profissional de acesso à OPP. Pretende-se que este seja um espaço dinâmico de debate e que sejam partilhadas estratégias de procura de estágios profissionais.

Ainda no âmbito da “Academia OPP”, será lançado o “Prémio Inovação na Intervenção Psicológica”, que pretende promover novas formas de realizar intervenções psicológicas em Portugal, criando oportunidades que estimulem a inovação e a criatividade na melhoria da Saúde Psicológica da população portuguesa.

Este programa terá uma periodicidade anual/bianual e destina-se a estudantes de Psicologia portugueses. É composto por duas actividades principais, cujo objectivo geral consiste em promover e premiar a inovação, o método, a criatividade e o rigor científico em projectos de Intervenção Psicológica. Os vencedores poderão vir a participar no Summer Camp da OPP (Julho de 2015) ou a beneficiar de uma experiência de estágio de curta duração numa organização internacional.

Para mais informações, clique aqui

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Eco³ – uma micro casa que vai inovar o alojamento do turismo de natureza

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Com inspiração nos elementos naturais, formato de cubo e recurso à cortiça, um novo projecto de arquitectura modular chamou a atenção no Startup Pitch Day do UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto. Trata-se do modulo habitacional Ecocubo (Eco3), da autoria do arquitecto António Fernandes, especialmente vocacionado para alojamento de turismo de Natureza.

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Com uma área útil entre os 7 e 14 metros quadrados, o módulo revestido a cortiça assume-se como uma opção de baixo custo, flexível e podendo funcionar de forma autónoma. O revestimento é uma das características marcantes do Ecocubo, sendo que a concretização material do projecto conta já com o apoio da corticeira Amorim.

Para António Fernandes, o Ecocubo permite “exprimir os valores da Portugalidade, da inovação tecnológica e sustentabilidade”. Apresentado como marca de identificação de construção ecológica, o projecto quer assumir-se como mais-valia no sector do turismo de Natureza. Com recurso a elementos pré-fabricados, o módulo habitacional está também vocacionado para vários tipos de usos.

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A concretização material conta com o conhecimento especializado de parceiros como a corticeira Amorim, a empresa de eficiência energética Edigreen, e o UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto. O Ecocubo frequentou durante 6 meses o Programa de Aceleração de Startups do UPTEC e reuniu as preferências do júri no evento final do Programa, o Startup Pitch Day, tendo recebido a menção honrosa na área das Indústrias criativas.

 

fonte: http://uptec.up.pt/noticia/eco3-micro-habitacao-que-vai-mudar-o-alojamento-do-turismo-de-natureza

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Metamorfose muda face do antigo prédio da Oliva no Porto

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Metamorfose é o nome da estrutura metálica que a dupla de arquitectos FAHR 021.3 projectou para a fachada do antigo edifício da Oliva, ao lado da Estação de São Bento. É a primeira de várias intervenções realizadas no âmbito do projecto Locomotiva, dinamizado pela Câmara Municipal do Porto, através da PortoLazer, e cofinanciado Programa ON.2 – O Novo Norte, com o objectivo de dinamizar a área envolvente à Estação.
A Metamorfose vai manter-se na ruína da Oliva até ao final do projecto Locomotiva, previsto para Junho de 2015. A Excelência Portugal entrevistou os arquitectos Filipa Frois Almeida e Hugo Reis do colectivo responsável pelo projecto.

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Metamorfose significa uma mudança na forma e na estrutura do corpo. A proposta da FAHR 021.3 é resultado de uma fusão entre a ruína e a escarpa acidentada de granito

Em primeiro lugar, gostaria de saber porque Metamorfose? Sendo uma reinterpretação da encosta e das ruínas, porquê a utilização do aço?

Metamorfose significa uma mudança na forma e na estrutura do corpo. A proposta da FAHR 021.3 é resultado de uma fusão entre a ruína e a escarpa acidentada de granito, transformando-se numa malha digital, uma interpretação do espaço. Metamorfose foi deste modo escolhido por ser o único que fazia sentido. O aço foi o material escolhido pois para além de já haver alguma utilização na cidade do Porto de materiais da mesma família – as pontes em ferro, o antigo Palácio de Cristal, a própria estrutura de contenção existente na ruína Oliva- é o material adequado para realizar uma estrutura com este porte e torção e que vivesse durante os meses previstos.
 

Em segundo lugar, sendo uma aluna de arquitectura, compreendo o poder do conceito, mas será tangível ao resto do público?

Para a FAHR o mais interessante é que as nossas peças tenham várias mensagens inerentes. Não nos interessa defender só um único ponto de vista, nem um conceito fechado apenas perceptível a um grupo de pessoas. Daí a estrutura ter vários paralelismos com a cidade do Porto desde a cor, ao material, ao aspecto acidentado, à relação entre a ruína e a escarpa. A intenção é surpreender, provocar as pessoas, e que pensamos estar a fazer esse efeito nas população invicta e seus turistas.
 
Em terceiro lugar, qual a posição do vosso atelier em relação à ruína onde está a intervenção? Tendo em conta que foi abandonada nos anos 60, porque decidiram ter uma instalação e não um possível início de proposta para deixar essa hipótese mais consciente?

O desafio realizado pela Porto Lazer era desenvolver uma instalação no espaço da ruína. A FAHR tem já portfolio na area artística com instalações com vários propósitos que servem vários programas, como estudante de arquitectura que és, sabes que existem programas, encomendas, perguntas para responder e inclusive responsabilidade social. Desta forma, responde-se ao que nos é pedido com o propósito que nos é colocado. A ideia da Porto Lazer motivada por nós é intervir em espaços devolutos por períodos curtos que ajudem a dinamizar o tecido urbano e a integrar vazios esquecidos, desde dos anos 60 que nada foi feito nem com muito nem com pouco, apesar de tudo a Metamorfose reintegra uma ruína na cidade, sem esquecer que esta não é uma ruína de valor patrimonial.

Seguidamente, sabendo que arquitectura é muito mais do que construção e a vossa preocupação com luz e cor foi muito importante para o projecto, porque razão a escolha do verde e não utilizar, por exemplo aço corroido realmente?

Aquilo que utilizamos ou não é uma questão de abordagem de autor, poderíamos usar aço corroído e poderíamos usar aço inoxidável…no entanto, a nossa intenção de fazer destacar uma forma de uma ruína que já tinha uma estrutura de aço OXIDADO e alvenaria passou por ser com uma cor forte que promovesse mais a forma e a própria materialidade da peça.

Por motivos de de conceito optamos de pintar a estrutura em aço de verde, uma referência aos programas de modelação que utilizamos, assumindo quase um caracter digital construído.

Por outro lado, que uma cor tão alegre, jovem e fresca iria estabelecer um diálogo disruptivo com a cidade e iria provocar os transeuntes.
 
Por fim, como consideram que a vossa instalação vai afectar as pessoas? E qual era a pretensão inicial?

Temos recebido imensas mensagens de pessoas que nos agradecem pela intervenção audaz e provocadora na ruína, o que é bom pois era essa a ideia inicial. A intenção era repensar um espaço esquecido no centro do Porto, integra-lo no cenário envolvente e devolver-lhe dignidade. Acho que temos tido um feedback super positivo tanto a nível nacional como a nível internacional.

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Jovem investigadora da U.Porto premiada pela AllTech

RitaAzeredo4Rita Azeredo nasceu a 6 de Janeiro de 1989 e transporta consigo carismáticos genes nortenhos aliados a uma paixão pelo azul, a cor que a une ao mar e ao futebol.

Aos 26 anos, Rita Azeredo é estudante do doutoramento em Biologia  da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), a desenvolver investigação no Centro Indisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR) (laboratório NUTRIMU), e antiga estudante do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

A investigadora do CIIMAR venceu o 1.º prémio AllTech Young Scientist Awards na categoria regional Europa/África/Rússia para estudantes graduados e está entre os 8 investigadores de todo o mundo que vão disputar o prémio final.

A Excelência Portugal quis saber mais. E o que encontrámos?
Uma investigadora que aparece de mota e que em nada se assemelha ao estereótipo do habitante de um laboratório. A partir daqui, estavam criadas todas as condições para uma entrevista ainda mais interessante.

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 Desde criança que me encanto com a Natureza, com a complexidade dos organismos e com os recursos que o Homem pode explorar
- Quando tomaste consciência que a ciência seria o teu caminho?
Acho que nunca considerei outra opção. Desde criança que me encanto com a Natureza, com a complexidade dos organismos e com os recursos que o Homem pode explorar. A vida que o mar esconde é imensa, distante e sempre atraiu a minha atenção de uma forma especial. A licenciatura em Ciências do Meio Aquático no ICBAS acabou por ser o impulso forte que me deu a certeza de querer continuar a estudar a vida marinha. Sendo a aquacultura uma actividade emergente que junta a biologia marinha e a indústria vi nela a oportunidade ideal para crescer profissionalmente.
 
- Como vês Portugal no teu campo de investigação?  Dada a nossa situação geográfica, a nossa Zona Económica Exclusiva e as pretensões de extensão da nossa plataforma continental, estamos a fazer o suficiente?
Não há dúvida que Portugal reúne condições únicas para a implementação e desenvolvimento de aquaculturas. Temos uma orla costeira enorme e água com excelente qualidade, com influência das águas do Mediterrâneo e do Atlãntico. A extensão da nossa ZEE não é de todo limitante para esta indústria. Os entraves são de outras naturezas. Infelizmente, dada a complexidade dos processos para o arranque de uma empresa que tanto caracterizam o nosso país e a grande competitividade com Países vizinhos tais como a Espanha, Grécia e Itália, o sucesso de uma aquacultura em Portugal dificilmente é garantido. Por outro lado, existem diversos grupos de investigação de Norte a Sul que se focam nesta temática e que colaboram directamente com as aquaculturas existentes dando o apoio e o feedback essenciais para a sustentabilidade dessas empresas. Assim, julgo que o que é necessário é simplificar processos de licenciamento, subsidiar e apoiar de diversas formas o desenvolvimento desta actividade que poderia contribuir significativamente para o crescimento económico do nosso Pais, à semelhança de outros tais como a Noruega ou a Escócia.
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Acho que fomos grandes nos padrões dos séculos XV a XVII mas podemos também ser maiores do que somos na actualidade se soubermos tirar partido da nossa situação assim como os nossos antepassados souberam fazer há umas centenas de anos
- Concordas que sempre que Portugal se virou para o mar prosperou e que o nosso futuro passa por ele?
Sem dúvida! Não há dúvidas de que a nossa situação geográfica nos lançou ao mar, nos fez chegar tão longe e nos fez crescer em dimensões imperiais. Acho que fomos grandes nos padrões dos séculos XV a XVII mas podemos também ser maiores do que somos na actualidade se soubermos tirar partido da nossa situação assim como os nossos antepassados souberam fazer há umas centenas de anos. No passado o mar representava caminho livre para as descobertas, agora temos de nos focar nos recursos que nele podemos explorar. Desde a energia das ondas ao fundo oceânico e as suas fontes geotérmicas, passando pela pesca. Podemos promover a nossa auto-sustentabilidade se soubermos explorar o que o mar tem para nos dar.
 
- Em que consiste a tua investigação/projecto? 
Trabalho em nutrição, e especialmente na manipulação das dietas em aqucultura de modo a modular a resposta imunitária dos peixes. Simplificando, depois de alimentar os peixes com dietas que contenham quantidades de um dado aminoácido superiores ao requerimento básico, avalia-se a sua resistência à doença e conclui-se se esse aminoácido contribuiu ou não para elevar as defesas imunitárias do animal. Eu trabalho especificamente com robalo e tenho estudado o efeito de três aminoácidos: arginina, meteonina e triptofano. Os resultados têm apontado para diferentes efeitos o que seria de esperar já que cada um deles actua por mecanismos distintos. A este tipo de dietas (suplementadas com um determinado ingrediente) chamamos dietas funcionais.
 
- Que aplicações práticas poderá ter o mesmo?
As dietas funcionais são usadas em aquacultura e têm como grande objectivo enaltecer, melhorar, estimular uma dada característica ou função no organismo dos peixes. No presente caso, as dietas suplementadas com aminoácidos poderão ser usadas como medida preventiva contra eventuais episódios de doença que, em contextos de cultivo extensivo, são muito comuns. Paralelamente à vacinação, a aplicação destas dietas permite assim evitar grandes perdas na produção e evitar ao mesmo tempo o uso de antibióticos ou outras substâncias químicas.
 
- Que significado teve para ti este prémio e o que poderá mudar na tua carreira? 
Além da grande surpresa que foi ver o meu trabalho classificado como o melhor a nível regional, claro que este prémio é muito recompensador, provando que a investigação que meu grupo e eu fazemos em conjunto é trabalho de muita qualidade e importância. Além disso prova que, apesar de sermos um país pequeno, cujos recursos em termos científicos infelizmente ainda estão aquém do ideal, somos capazes de fazer investigação de grande valor e que é reconhecido internacionalmente.
 
- Temos assistido a uma grande numero de cientistas portugueses residentes ou “emigrados” a conquistarem importantes prémios. O seu trabalho é aproveitado pelas empresas? Existe a tão proclamada ligação do meio académico ao meio empresarial?
Acho que, se o contacto indústria/meio académico ainda é escasso se deve ao facto de a própria indústria de aquacultura estar ainda pouco explorada no nosso País. Contudo considero que as actuais empresas ligadas à produção de peixe estão bastante disponíveis, estabelecendo diversas colaborações com as Universidades. Existem hoje-em-dia diversos programas de estágio e bolsas a decorrer nessas empresas que acabam por ser benéficas para ambas as partes.
 
- Como encaras o teu futuro?
Admito que com algumas preocupações. Tanto a indústria como a investigação em Portugal na minha área, são sectores um tanto ou quanto precários. Não ter um plano, um caminho definido a seguir às vezes assusta, mas faço por não pensar muito nisso. Foco-me no presente e nas oportunidades que vão surgindo e preparo-me o melhor possível para os cenários que vou encontrando. E quando trabalhamos e nos dedicamos, as oportunidades aparecem.
 
- Para além da paixão pela investigação, quais são os seus outros interesses?

Sempre que há sol e companhia, adoro sair de mota. Fazer passeios pelo País em duas rodas é das coisas que mais me dá prazer. Mas tiro imenso proveito de outros pequenos prazeres: estar com a minha enorme família, viajar com o meu namorado, ler muito e dedicar-me (quando há tempo para isso) a pequenos trabalhos manuais.
fotos: DR

Gestão de Stress – entrevista a Conceição Espada

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No ano de 2000 surge o primeiro modelo de intervenção de gestão de stress em Portugal – CE Gestão Stress – desenvolvido por Conceição Espada. Dando uns passos atrás no tempo, Conceição Espada possui um vasto currículo de formação e conhecimento empírico em torno do tema. Levando-a a escrever livros acerca do assunto, nomeadamente, o “Manual de Gestão de Stress para Empresas”, lançado em 2009 pela Editora Bnomics.
O segundo e último livro denomina-se por “Gerir o Stresse em Tempo de Crise – Não Deixe que a Crise Desgaste os Seus Recursos Mentais e Emocionais”, publicado em 2013 pela Editora Pergaminho. Um livro sob o qual a autora esclarece os diferentes fatores e sintomas stressantes, resultantes das diversas vicissitudes que uma pessoa encontra na vida. Dessas variantes dá-se o destaque à condição de crise económico-financeira que se tem sentido nos últimos anos e a forma, como esta, tem influenciado o dia-a-dia dos portugueses.

 

Após um breve conhecimento da sua actividade laboral surge uma curiosidade, que julgo seja geral, de saber a que níveis do stress desempenha a sua abordagem de intervenção?

A minha abordagem, face ao stress, abrange o stress a todos os níveis, sejam eles de foco laboral ou profissional, ao stress emocional, familiar e pessoal. Sendo que as minhas intervenções podem ser a nível de empresas, num âmbito mais profissional, ou mesmo particulares face ao stress pessoal mencionado.

Mesmo em termos de empresas posso acompanhar pessoas individuais, quando há casos de pessoas particulares que precisam de um acompanhamento maior ao nível do stress pessoal e da ligação, que no fundo tem a ver com a uma coordenação da vida pessoal e profissional. Tenho inclusive um modelo de teste, que aplico, de modo a apurar onde se encontram os desequilíbrios na vida da pessoa, no momento.

Depois tenho uma intervenção à parte das empresas em que trabalho numa clínica no sul de Espanha e outra cá em Portugal, onde dou consultas a nível individual às pessoas em termos de apoio emocional. Uma abordagem nas mais diversas matérias, desde doenças, a separações, entre outras variadíssimas coisas que acontecem na vida de uma pessoa e causam stress, a uns mais e outros menos, de formas diferentes.

 

É de notar que, na sua página (www.gestaostress.com), tem uma secção especialmente para mulheres, porquê?

Para mim a questão do stress feminino é extremamente importante e hoje em dia cada vez mais. Primeiro porque as respostas ao stress, por parte das mulheres, são diferentes do que as dos homens. Logo à partida por causa de uma questão fundamental, que é a questão hormonal. Nós temos ciclos que os homens não têm, para além do conhecido síndrome pré-menstrual.

Como temos um ciclo hormonal muito oscilante, quer ao longo da vida quer mensalmente, a forma como as mulheres respondem aos factores de stress varia consoante estão nos seus ciclos menstruais. Portanto uma adolescente quando começa a ser adolescente face às variadas alterações do corpo, entre outros, tem uma resposta diferente às questões do stress de quando já se encontra numa fase da adolescência estável. O mesmo se verifica na questão da maternidade, menopausa, entre outras, onde a perturbação hormonal é visível.

Eu costumo dizer que as causas do stress não são necessariamente coisas más, por vezes podem ser até ser das melhores coisas que nos acontecem na vida! Como por exemplo, ter um filho. Mas ninguém pode dizer que ter um filho não é um factor de stress, porque efectivamente o é.

Num segundo argumento, as mulheres actualmente têm uma grande quantidade de papéis que têm de desempenhar. Um dos papéis fundamentais é o de ser mãe, e pessoalmente continuo a achar que a mulher tem um papel fundamental na sociedade que é: educar! Se uma mulher estiver stressada a sua capacidade de dedicação é diminuta sem a mínima dúvida.

Sei que é forte dizer isto publicamente, mas digo-o e escrevo-o, que de facto, salvo raras excepções, a mãe tem um papel predominante na vida dos filhos. Sendo que a educação da sociedade está muito nas mãos das mulheres, tendo uma repercussão bastante nefasta caso a espiral de stress se “propague”.

Portanto é evidente que neste momento há uma necessidade de maior atenção, dedicação, carinho e sensibilização da sociedade para a questão do feminino neste sentido. Pelo que estarei presente num stand do Festival In, “Connect to Success” da Embaixada dos EUA de quinta-feira a domingo, no sentido de procurar este apelo e sensibilização.

 

Neste mesmo sentido, acha que a pessoa que tem stress tem algum perfil? Em termos de limite de idade, entre outros?

Não! Todo o ser humano tem stress, pois o stress leva à libertação de hormonas na corrente sanguínea. Regula hormonas como o cortisol e a sua libertação na circulação do sangue que, tal como a adrenalina, tem a ver com a própria capacidade do ser humano reagir às diferentes situações. É importante reconhecer que existe stress bom e stress mau, de modo a desmistificar esta questão, uma vez que em Portugal o stress é fortemente conotado enquanto algo negativo.

Eu comparo o stress ao colesterol; colesterol bom, colesterol mau; stress bom, stress mau. Por exemplo, o “stress bom” é aquele que nos dá a capacidade de nós agirmos e reagirmos. A própria capacidade do ser humano, em situação de perigo, reagir. Outro exemplo facilmente perceptível de se poder travar a fundo um carro em movimento, ou desviá-lo.

A questão é que a fronteira entre os dois tipos de stress é muito ténue. Por isso é que muitas vezes as pessoas começam a entrar numa parte do stress má e não se apercebem, começando involuntariamente a desenvolver sintomas físicos e comportamentais nesse sentido.

Reitero que o stress não separa sexos, raças nem idades! Como disse, dou consultas no sul de Espanha, nas quais tenho a possibilidade de lidar com pessoas das mais diversas culturas, pessoas de todos os países. Chego a dar consultas a russos, via tradução, por exemplo. Onde me vou dando conta que os factores de stress podem ser diferentes, no sentido de que em Portugal o stress pode estar maioritariamente relacionado com a crise económica. Sendo que noutros países, pode ser proveniente do contrário, onde as pessoas têm de gerir impérios. Mas todas elas têm fatores e sintomas de stress!

No que toca à idade há que afirmar que os factores de stress de hoje em dia são diferentes dos da minha época, ou mesmo da geração anterior. Nunca diria que numa reunião estaria o carteiro a entregar cartas – actualmente há e-mails, várias chamadas, e uma pessoa ter de responder a três mil coisas ao mesmo tempo! É evidente que os jovens hoje em dia têm stress mais cedo. Quão mais cedo as crianças têm acesso às tecnologias, pior o é, pois existe uma necessidade tremenda de ser tudo realizado no momento! A questão de esperar é algo pouco trabalhada nos dias que correm, falhando no contacto cara-a-cara, olhos nos olhos, entre outras.

 

Referiu sintomas físicos e comportamentais, nesse mesmo sentido, quais as principais consequências que podem advir do stress?

Tal como é dito pela própria Organização Mundial de Saúde: “O stress é o maior vírus do século XXI (vinte e um)”. Por poder proporcionar um abstencionismo grave nas empresas, organizações e vida das pessoas no geral.

Em termos de sintomas físicos, um que é bastante conhecido é a questão das insónias, a maior parte das pessoas ou dorme mal ou dorme pouco. Com uma agravante que, em Portugal, é um dos países da Europa onde se consomem mais tricíclicos/ antidepressivos. Ou seja, a pessoa começa a dormir mal e passado pouco tempo as pessoas começam a serem medicadas ou a automedicarem-se para dormir. Quando de facto a questão do sono e o ritmo são fundamentais na questão do equilíbrio do stress.

Outro sintoma grave que as pessoas não ligam, tem a ver com as questões digestivas ou da alimentação. Pode resultar em dois efeitos distintos, ou a falta de apetite ou o comer compulsivamente. A questão da obesidade, do excesso do peso e muitas vezes, não sempre, tem a ver com questões emocionais ligadas à questão do stress que se sente na vida das pessoas. Ou não têm tempo para comer e depois comem compulsivamente, ou comem coisas como fast-food. Outras pessoas simplesmente não comem, porque saltam refeições e perdem o apetite. Aparecem ainda mais sintomas como as questões cardíacas, tensão alta, coluna, entre outras.

Em termos emocionais verifica-se maior irritabilidade, falta de paciência, memória e foque. Existe o stress burned out, que é um caso de stress normalmente de origem profissional onde se verifica a falta de memória a uma larga escala, mas também efectivamente num estado de stress muito avançado. Por últimas em termos emocionais aparece ainda a menor apetência quer afectiva quer sexual, proporcionando uma menor qualidade nos relacionamentos. Por último basta ainda referir em termos de factores comportamentais, onde se verifica o aprofundamento dos vícios, como alcoolismo, tabagismo, entre outros.

Eu costumo dizer que para mim há duas questões que demonstram facilmente que a pessoa está sob stress. A primeira é quando esta diz que não tem stress, sendo a negação total do seu estado, quando à partida toda a gente tem stress como já foi dito. Em segundo lugar quando a pessoa diz ter tudo controlado, o que significa que a pessoa é fortemente vulnerável aos factores de stress, pois se algo não encaixa no “plano”…

É necessário ter em atenção que existem dois perfis muito fortes, o mais conhecido daquelas pessoas que estão sempre a correr de um lado para o outro e não param quietas. Mas um segundo perfil bastante oposto são aquelas pessoas aparentemente mais calmas, que no fundo, por vezes, pode ser pior no sentido de não exteriorizarem e procurarem um controlo interno muito grande.

 

Atendendo que, quem passa por muito stress, costuma ser associado a alguém muito ocupado, com um horário reduzido. Como é possível ter a atenção destas pessoas para as suas consultas?

Normalmente, quando uma pessoa decide ir a uma consulta de gestão de stress é porque já existe algo na sua vida que está a dar fortes sinais. Como por exemplo passar por uma situação familiar complicada, ou estar com um sintoma físico já grave, ou foi diagnosticado algo, ou porque de facto reconhece que necessita de parar um pouco e pensar na sua vida. Portanto frequentemente é porque já está a perder o controlo, ou na saúde física, relacionamentos, trabalho ou qualquer área da sua vida.

Em termos de empresas a razão já é diferente. Nestes três anos, por exemplo, tivemos uma fase em que notoriamente as empresas não aderiram por questões de cortes orçamentais e acharam que as pessoas eram menos importantes. Para mim as pessoas são sempre mais importantes e a longo prazo sem dúvida esta opção prejudica a produtividade da empresa. Neste momento sinto uma certa alteração nesse sentido, já está a virar novamente.

Quando nas empresas são feitas estas consultas, a nível de grupo ou individual, é porque a empresa as requisitou. Quando se trata das pessoas individuais o cenário difere, logo na primeira sessão eu dou uns passos para as pessoas fazerem no dia-a-dia. Estes passos acabam por ter benesses a curto prazo, sendo que normalmente resulta numa continuidade.

 

O facto de se sofrer stress e recorrer a consultas de apoio, nos dias que correm em Portugal, é vista a maus olhos pela maioria das pessoas, verificando-se uma conotação é negativa destas intervenções. Como se poderá alterar esta forma de encarar o acompanhamento?

Em Portugal as pessoas têm ainda uma dificuldade em assumir aquilo que se passa verdadeiramente. Há de facto a tendência de esconder ou omitir esta questão, transmitindo um controlo ilusório. Ainda há muito o “dentro de casa, fora de casa”, a imagem para o exterior. Enquanto a doença física se fala muito, acerca das doenças em Portugal no geral, quando se passa para uma questão mais de vulnerabilidade ou psicológica, parece que é alguma coisa negativa. Quando em Portugal algo que se nota facilmente a presença do stress é a agressividade visível no trânsito, por exemplo.

Quando no fundo é preciso desmistificar as questões, o stress existe, há factores de stress na vida das pessoas… E está provado cada vez mais que não se dar a devida importância aos factores emocionais das pessoas pode ter consequências gravíssimas. Como por exemplo, uma  tragédia muito recente, neste caso o Airbus A320 que se despenhou nos Alpes! Portanto eu acho que quanto mais cedo tivermos a percepção e aceitarmos as fragilidades não têm a ver com fraquezas, ser frágil não é ser fraco, as nossas fragilidades podem até ser a nossa maior força, se nós as trabalharmos.

 

Se pudesse numa pequena mensagem, convencer as pessoas da componente benéfica de contrariar o stress, que diria?

Eu não quero convencer as pessoas, elas têm de compreender por si, uma vez que as pessoas para serem ajudadas têm de o querer. Foi algo que aprendi ao longo da vida, com muitos anos de experiência de lidar com as pessoas… Não vale a pena ajudar alguém que não queira ser ajudado.

Acho que seria importante que as pessoas tivessem maior consciência delas próprias e como lhe digo, mais uma vez, das suas fragilidades. Conhecimento ainda das capacidades que possuem, para poderem ser mais produtivas, mais felizes e mais criativas, e deste modo poder criar à sua volta um mundo melhor. Ser mais feliz, porque no fundo uma das coisas que constato é que ao perguntar a qualquer pessoa o que ela quer, a resposta é muitas vezes: “quero ser feliz”. É evidente que depois o que é ser feliz para cada um diverge, mas na essência é o que as pessoas procuram.

Portanto para ser feliz é necessário ter um certo equilíbrio na nossa vida, física, saúde, mental, emocional, espiritual, entre outros. Num sentido de vida mais profundo, mais equilibrado e mais saudável! Nos andamos sempre todos a correr, cheios de stress e acabamos por não ter tempo para saber aquilo que é mais importante e o que é mais prioritário na nossa vida.

Hoje em dia as pessoas pensam que tudo é urgente e esquecem o prioritário. Para mim é urgente responder a e-mails, telefonemas, prazos, mas prioritário é a vida, o respirar, é o sol, é um pequeno minuto com alguém especial e que me faz sentir alegria, uma troca de palavras com o meu filho… Nesta correria que as pessoas andam, cheias de stress, as pessoas esqueceram-se do prioritário. Portanto a questão, friso, que lanço é: O que é que é urgente e o que é prioritário?

 

fotos: DR

InvestPorto criada para atrair investimento para a cidade do Porto

No passado dia 16 foi apresentada a InvestPorto, a entidade directamente do Presidente da Câmara do Porto cujo objectivo principal é atrair investimento para a cidade do Porto. O  Presidente da Câmara, Rui Moreira afirmou “a InvestPorto visa contribuir para a criação de um ambiente de negócios mais propício ao investimento, tendo também a responsabilidade de acompanhar o investidor durante todas as fases do processo de investimento” tentando capitalizar as “vantagens competitivas da cidade do Porto como destino favorável à atração de investimento direto, nacional e estrangeiro”, como pode ler-se no site da CMP (http://www.porto.pt/noticias/camara-quer-atrair-mais-investimento-para-a-cidade-com-a-criacao-da-investporto)

Liderada por Ana Teresa Lehmann, a InvestPorto conta já com 22 acordos assinados com diferentes entidades como, Portugal Foods, CEIIA – Centro de Excelência da Indústria Automóvel, Produtech – Pólo das Tecnologias de Produção, Pólo da Moda, Universidade do Porto, Instituto Politécnico do Porto, Universidade Católica, Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas, Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense, Instituto Politécnico do Porto, Associação Empresarial de Portugal, Agência nacional de Inovação e a Britsh Portuguese Chamber of Commerce.

No caso concreto da U.Porto, o seu papel será o de “promover a interação entre o sistema científico e tecnológico e o tecido empresarial, potenciando a transferência de conhecimento e tecnologia de suporte à criação de novas dinâmicas de negócio, com vista ao reforço da competitividade e atratividade da cidade do Porto, a nível internacional”. A Universidade compromete-se ainda a “estimular e apoiar o tecido empresarial local no desenvolvimento da inovação de uma forma sistemática e sustentada, designadamente através da sua rede de partilha de conhecimento focada na I&DT, e de outras atividades direcionadas para a valorização do conhecimento e a inovação empresarial”, como ficou registado no site da UP (http://noticias.up.pt/universidade-vai-ajudar-a-trazer-mais-investimento-para-o-porto/). Estão previstas as realizações de conferências, seminários, encontros temáticos, business forums e outras “iniciativas que promovam o estímulo ao desenvolvimento empresarial”, bem como a participação em” projetos que promovam a atração de atividades de elevado valor acrescentado para a economia local, intensivas em conhecimento e inovação e com forte interação com entidades do sistema científico e tecnológico”. Ana Lehman, acrescentou ainda que a agência já foi contactada por “um número significativo de investidores nacionais e internacionais”(…)”com necessidades para daqui a dois anos”.