Chamo-me Madalena Vidigal e nasci em Lisboa num ano de bons Porto Vintage, 1985. Sou licenciada em Gestão Hoteleira, pois sempre adorei turismo e viagens, e o vinho foi uma descoberta mais recente que mudou totalmente o rumo da minha vida!
O meu avô trabalhou no Instituto da Vinha e do Vinho (na altura, Junta do Vinho) e o meu pai é um grande apreciador de vinho, mas o vinho nunca me tinha entusiasmado. Ironicamente, foi preciso ir passar uma temporada a Moçambique, para provar pela primeira vez um vinho sul africano e achar que afinal valia a pena dar uma oportunidade a este néctar!
A partir desse momento, fazer workshops, frequentar feiras de vinho e passar horas em garrafeiras tornaram-se o meu passatempo favorito!
Uma vez que estava na área de turismo e o vinho ganhava maior importância na minha vida, decidi mais tarde fazer uma Pós-graduação em Enoturismo. Com este curso, descobri que o vinho move gente de todo o mundo e por todo o mundo, aproxima as pessoas à natureza e proporciona-lhes experiências inesquecíveis.
Até que surgiu na família a ideia de plantar uma vinha e essa ideia concretizou-se em Évora: sem história ou herança vitivinícola, a vinha nasceu do zero! Nessa altura, despedir-me do emprego e trocar o fato e os saltos altos de Assistente do Direcção de F&B num hotel de cinco estrelas em Cascais, por galochas e tesoura de poda numa vinha em Évora, foi uma decisão muito fácil!
Os 3 hectares de vinha foram plantados em 2013 e desde aí que me tenho dedicado a cuidá-la, vê-la crescer e desenvolver-se de ano para ano, com a ajuda de técnicos e agricultores da região. O entusiasmo e a vontade de saber mais, fizeram-me “voltar à escola”, mais concretamente à Universidade de Évora onde estou a estudar Viticultura.
Costumo dizer que os meus dias agora são passados “entre vinhas”, entre a minha e muitas outras. Sou uma viajante do vinho, uma enoturista imparável que adora descobrir as diferentes regiões por este mundo fora.
Além de percorrer o país dos Vinhos Verdes ao Algarve e ilhas, também já me aventurei pelas vinhas de Napa Valley, Bordéus, Chile e Rioja e criei o meu próprio blog – Entre Vinhas. Assim partilho as minhas experiências como enoturista para mostrar que o vinho é acessível a qualquer um e, acima de tudo, é uma excelente desculpa para sair de casa e passar uns dias no sossego do campo!

Quanto ao meu vinho, ainda é cedo para ser dado a conhecer. A vinha precisa de mais uns anos para nos dar as uvas que queremos para produzir um néctar de excelência. Até lá vou acompanhando as minhas plantas nas suas diferentes fases, com toda a calma e paciência, porque a natureza não se apressa e um bom vinho, precisa de tempo para se revelar!
Em relação ao futuro, sou muito optimista! Perguntam-me muitas vezes se não tenho medo das modas e de que o vinho, que agora preenche redes sociais, salas de eventos e até mesmo bares e discotecas, um dia perca o encanto e seja ultrapassado pelos gins e cocktails. Penso que não, uma bebida com uma tradição de mais de 2000 anos em Portugal não vai passar de moda, e a prova sou eu e tantos outros jovens produtores de vinho que acreditam no seu valor e dão continuidade a este nosso património vitícola.
É verdade que o vinho português ainda não tem o lugar de destaque nos mercados estrangeiros como se desejava, mas devemos pensar que a produção de vinho de qualidade (à excepção do vinho do Porto) é algo relativamente recente no nosso país. O reconhecimento e distinção demoram a conquistar e ainda há muito trabalho a fazer.
Também não acho que seja uma questão de quantidades e que por isso não somos um mercado competitivo em relação a grandes países produtores. Apenas temos que encontrar lugar nos mercados que dão valor a produtos exclusivos, a vinhos com história produzidos em família, a uma enorme variedade de castas e sabores e centenas de anos de experiência. Tudo leva o seu tempo e as mentalidades (fora e dentro de Portugal) ainda estão a mudar. Por isso acredito mesmo que Portugal está no bom caminho!
Fotos: DR
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