“Tourism Train Experiences” promove Turismo Ferroviário e regiões com menor atração

train_experiences_vencedoresNo presente ano letivo, a Secretaria de Estado do Turismo, o Turismo de Portugal, I.P. e a Universidade Europeia organizaram a 2ª edição do projeto “Tourism Train Experiences”. Neste segundo ano, depois de uma incursão pelo corredor da linha da Beira Baixa, os projetos centram-se “nas áreas do Turismo militar, histórico, ferroviário, gastronómico, de natureza, lendas e tradições”. Tendo os alunos como mote a Beira Alta como região turística, e o tema: “Lendas e Tradições da Península Ibérica”, para desenvolver trabalhos.

O “Tourism Train Experiences” tem como objetivo “potenciar o Turismo ferroviário e as regiões portuguesas com menor crescimento turístico através de projetos de estudantes universitários que se destaquem pelo empreendedorismo e pela inovação”.

A Beira Alta, apesar dos recursos turísticos e únicos que apresenta, tem uma capacidade de atração relativamente reduzida. No ano 2015 o número de dormidas nestes concelhos situou-se nos 2.588 milhares que, no cômputo global do país, representa cerca de 9% do total de dormidas registadas.

Foram apresentados projetos sobre cada uma das regiões identificadas, nos quais participaram todas as equipas de trabalho constituídas para desenvolver estratégias de promoção e atração de novos públicos para cada uma das regiões.

Neste âmbito, foram realizadas paragens nas 7 estações situadas em locais com forte ligação a lendas e a tradições da Beira Alta. À chegada às estações, os viajantes deslocaram-se até um local com condições para apresentações, com pendor simbólico, onde apresentaram as suas ideias.

O Extraordinary fo(u)r taste e a escola EHT Douro-Lamego foram os grandes vencedores da 2ª edição do Tourism Train Experiencies. Este grupo é constituído pelos alunos André Sousa, Tiago Fonseca, Cristina Gonçalves, Ana Nunes, Bruno Correia e são todos alunos do curso de Gestão Hoteleira- Alojamento. A Excelência Portugal quis conhecer melhor o projeto e falou com o grupo vencedor.

Foi uma grande honra para nós ter participado num projeto desta dimensão, pois, esta experiência permitiu-nos crescer a nível pessoal e profissional sendo, certamente, uma mais-valia para o nosso futuro.

1) Em que consiste o projecto e qual a sua aplicação prática?

O projeto consistiu no aproveitamento de rota histórica e de património – rota de Cister- já existente e no desenvolvimento paralelo de uma rota gastronómica que aposta nos produtos locais como espumante, presunto, bola de lamego, etc.

A aplicação é relativamente “fácil” uma vez, que apenas exige a organização e realização de momentos/eventos gastronómicos nos locais históricos que integram a rota de Cister.

Acresce a este facto a possibilidade do acesso ferroviário se poder fazer usando duas linhas, a do Douro, a Norte e a da Beira Alta, a Sul.

2) Qual o feedback que tiveram relativamente ao mesmo?

O feedback foi bastante positivo quer dos parceiros locais que integram a rota de Cister quer do próprio setor da restauração local que facilmente aderiram à proposta de valor apresentada pelo projeto.

3) Quais as possibilidades reais de execução do mesmo?

Entendemos que dadas as caraterísticas operacionais do projeto e o seu pragmatismo a sua aplicabilidade sai reforçada e apta a ser operacionalizada num curto prazo de tempo.

4) Que significado teve o prémio?

Para além do reconhecimento interpares que significa um prémio como este, a motivação adicional para alunos participantes e não só conseguida é um fator de dinamização do ânimo da escola e da sua comunidade.

É mais um reforço e evidência da aplicação do lema da escola “Fazemos coisas simples, extraordinariamente bem!”.

Foto: DR

Equipa internacional desenvolve “Órgão-num-chip” vascular para melhor testar células e medicamentos

João Ribas WebUma equipa internacional de investigadores, na qual participa o português João Ribas, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), desenvolveu um novo dispositivo que replica a contração e distensão dos vasos sanguíneos que, além de acelerar a descoberta de doenças e medicamentos, permite reduzir a utilização de modelos animais em experiências.

O novo dispositivo, ou chip, concebido no âmbito de um estudo já publicado na revista científica Small, é feito de um material derivado do silicone utilizando várias técnicas de micro-fabricação. Quando as células estão neste ambiente dinâmico, as respostas são completamente diferentes das obtidas pelos dispositivos tradicionais porque as suas características assemelham-se às das células in vivo.

Apesar de um investimento enorme na pesquisa de novos fármacos na área cardiovascular, poucos são os que chegam ao mercado. A situação deve-se, em parte, à falta de modelos que reproduzam as condições do coração e vasos sanguíneos observadas no corpo humano, como o batimento cardíaco. Este estudo procurou desvendar que diferenças existem entre modelos que simulam as condições do corpo humano e modelos estáticos de cultura celular utilizados atualmente.

João Ribas, aluno do Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina do CNC, explica que «a solução criada resulta da combinação de várias técnicas de engenharia, biologia e medicina e poderá ser utilizada por centenas de laboratórios em todo o mundo, respondendo a várias linhas de investigação associadas a doença e envelhecimento vascular».

Este novo dispositivo demonstra a importância de replicar as condições do corpo humano de uma forma mais fiel. Com ele podemos agora replicar doenças vasculares e acelerar a descoberta de novos fármacos – João Ribas em declarações à Excelência Portugal

«Pensamos ainda que estas plataformas miniaturizadas representam uma solução acessível para testar condições de microgravidade no espaço e como estas afetam a saúde dos astronautas», realça o investigador.

No âmbito da investigação foi, também, utilizado um modelo celular de envelhecimento prematuro, com células provenientes de doentes. Os resultados obtidos mostram que o dispositivo permite estirar exageradamente estas células, obtendo-se vários marcadores de inflamação e doença vascular elevados.

Se as células «fossem manipuladas em culturas estáticas não se observariam estes marcadores. Contudo, sabe-se que esta inflamação acontece em doentes, sendo especialmente importante durante o processo de envelhecimento e necessitando de ser compreendida para que se possam descobrir fármacos adequados», esclarece João Ribas.

A investigação testou ainda alguns medicamentos que provam que o sistema funciona, podendo ser usado na descoberta e teste de novos fármacos para combater doenças e envelhecimento vascular.

Além do CNC, a pesquisa envolveu o Instituto de Investigação Interdisciplinar da UC, Brigham and Women’s Hospital – Harvard Medical School (EUA), Harvard-MIT Division of Health Sciences and Technology (EUA), e MIRA Institute for Biomedical Technology and Technical Medicine da Universidade de Twente (Holanda). O investigador João Ribas foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Defense and Threat Reduction Agency (EUA).

Fonte: UC
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Energia hídrica vai desempenhar papel fundamental no sistema elétrico português

redes eletricasA energia hídrica vai desempenhar um papel fundamental no sistema elétrico português. Porquê? Porque vai servir como facilitador para atenuar a variabilidade eólica através do armazenamento de energia.

Hoje em dia, durante certos períodos, há um diferencial entre a disponibilidade da produção e o consumo. Esta diferença existe devido ao consumo reduzido e à existência de produção eólica em determinados momentos, denominados períodos de vazio, que correspondem à madrugada. Nestas situações, com o intuito de maximizar a penetração de fontes renováveis no sistema elétrico, o armazenamento de energia faz-se com o recurso a centrais hídricas reversíveis. É esta a ideia fundamental que levou ao desenvolvimento de uma nova tecnologia de máquinas reversíveis (podem funcionar como turbina ou como bomba).

Posteriormente, em horários de maior consumo, consegue fazer-se um aproveitamento da água armazenada para produzir energia elétrica de origem renovável, sem emissões de gases de efeito estufa.

A utilização de centrais hídricas com bombagem não é um conceito novo. Contudo, a tecnologia das máquinas que estas centrais tradicionalmente utilizam não permite que operem a potência variável em modo de bomba, fator que é indispensável para acomodar volumes crescentes de produção eólica onde a variabilidade e incerteza são mais elevadas.

“Por exemplo, na eventualidade de a produção eólica começar a diminuir num determinado instante, seria interessante do ponto de vista técnico que as bombas conseguissem igualmente reduzir a potência consumida para compensar a redução da produção eólica”, explica Bernardo Silva, investigador do Centro de Sistemas de Energia do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC).

O projeto europeu Hyperbole de €4,3M, que terminou este mês de fevereiro, teve como objetivo estudar o comportamento de centrais hídricas e os seus componentes durante a operação em regime parcial de carga e com variabilidade. Fizeram parte deste consórcio dez entidades europeias, pertencentes a seis países europeus – Portugal, Suíça, França, Áustria, Alemanha e Espanha.

A equipa multidisciplinar, que  constituiu o projeto, avaliou os efeitos da operação em regime parcial de carga em centrais hídricas na perspetiva de escoamento de fluídos, mecânica e elétrica.

O INESC TEC esteve envolvido na identificação e desenvolvimento de modelos de simulação dinâmica que permitissem representar os principais comportamentos deste tipo de centrais na perspetiva de estudo da rede elétrica.  Os modelos identificados permitiram ainda a elaboração de um estudo com diferentes níveis de integração de centrais hídricas de velocidade variável no sistema elétrico português de modo a avaliar os eventuais benefícios que poderiam advir da flexibilidade adicional que tais centrais representam para a controlabilidade do sistema elétrico numa perspetiva de resposta dinâmica do sistema. Por fim, foi também efetuada a avaliação técnico-económica da participação de centrais hídricas reversíveis de velocidade variável no mercado de eletricidade e serviços de sistemas.

Os resultados do projeto demonstraram que esta nova tecnologia permite reduzir a incerteza da produção de base eólica e os algoritmos de otimização desenvolvidos pelo INESC TEC permitem um aumento do lucro da participação no mercado em 12% quando comparadas com as tecnologias tradicionais de centrais hídricas reversíveis.

 “Neste projeto desenvolvemos modelos simplificados que vão permitir a um operador do sistema elétrico efetuar estudos de integração desse tipo de tecnologias no sistema elétrico para os próximos anos”, explica Bernardo Silva, investigador do INESC TEC.

Fonte: INESCTEC
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Um comboio cheio de criatividade parte amanhã rumo à Beira Alta

train_20172Tourism Train Experiences 2017

Da teoria à prática uma proposta de valorização do interior

Numa sociedade onde os jovens vivem a vida ao minuto, gerindo tetra bytes de informação, impera ajustar o modelo de educação à sua realidade. Por todo o mundo novos modelos de desenvolvimento de educação e formação dos jovens são discutidos, proatividade, ação e dinamismo são as palavras de ordem. A Universidade Europeia decidiu abraçar este desafio propiciando aos seus estudantes uma formação ativa baseada no estudo de casos práticos em estreita colaboração com o setor.

O Tourism Train Experiences é isso mesmo, uma experiência educativa plena, onde quase duas centenas de estudantes de várias escolas/universidades em diferentes contextos regionais concorrem entre si. Em concurso estão as Escolas de turismo de Coimbra e de Douro Lamego, a Universidade de Coimbra, o Instituto Politécnico da Guarda e a Universidade Europeia. Escolas com um denominador comum – formar jovens capazes de marcar o desenvolvimento turístico do país e quiçá do mundo.

E se é para o fazer, alimentando um modelo de educação proactivo, que se empreste às regiões com menores níveis de desenvolvimento, o entusiasmo e a energia contagiante desta nova geração. Devolvendo às gentes beirãs a esperança, que parece esvanecida. No âmbito duma investigação desenvolvida por uma aluna de mestrado da Universidade Europeia revela bem, o desalento que estas gentes vivem “ ai menina, o turismo era bom para a gente trazia novas pessoas para aqui, mas já não acredito.”

O comboio que parte, já no dia 17 de fevereiro, leva a bordo quase duas centenas de estudantes, entidades e professores que querem e podem devolver a esperança num desenvolvimento turístico que tanto almejam, mas que receiam acreditar.

Carruagens carregadas de ideias inovadoras, criatividade e solidariedade movem este comboio que parte da estação de Santa Apolónia às 8.00 da manhã, com paragem no entroncamento, Coimbra, Mangualde, Vilar Formoso e Nelas. Paragens onde Turismo gastronómico, militar, ferroviário, de natureza e ferroviário são apontados como possíveis potenciadores do turismo nesta região.

A bordo do comboio e, com o objetivo de promover o turismo ferroviário, surgem propostas que transformam este meio de transporte num meio de alojamento temático, num espaço onde mostras de produtos regionais e feiras, com paragem obrigatória num museu onde a reabilitação do património arquitetónico é estratégico. Em movimento, ou parado são os Cantares e sabores gastronómicos que movem este comboio com paragem obrigatória no Entroncamento, no dia 17 de fevereiro onde as ideias dos alunos, da Universidade Europeia, da Escola de Turismo de Coimbra, da Universidade de Coimbra e do Instituto Politécnico da Guarda, serão apresentadas.

O turismo militar é abordado duma forma lúdica e recreativa, numa simbiose transfronteiriça que junta no circuito Almeida e Ciudad Rodrigo, atividades de team building e boot camp, recriações da historia da península ibérica no século XXI, ou reproduções das invasões francesas. Quatro projetos foram selecionados neste domínio, a escola de turismo de Coimbra e a Universidade europeia lideram esta temática, que será apresentada em Vilar Formoso no dia 18 de fevereiro.

Sendo este projeto liderado por estudantes, o Turismo Universitário era inevitável, centralizado na Universidade de Coimbra apresentam-se projetos que recuperam as inspirações da autora do Harry Potter, itinerários pela cidade ou festas académicas temáticas, sempre com três objetivos – promover a frequência de cursos universitários, internacionalizar a oferta académica e reter turistas em Coimbra. Esta triologia é abordada no dia 17 de fevereiro em Coimbra, por seis grupos constituídos por alunos de todas as universidades e escolas que integraram este projeto.

Turismo de natureza e gastronómico surgem numa simbiose perfeita entre atividades desportivas e os bons hábitos alimentares que a dieta beirã oferece. Ciclismo, reabilitação de ciclovias e viadutos abandonados, digital detox e atividades de outdoor são algumas das propostas que serão apresentadas em Mangualde e na Guarda, no dia 17 e 18 de fevereiro, pelos grupos selecionados da Universidade Europeia, da Universidade de Coimbra e da Escola de Turismo de Coimbra.

Conscientes da relevância desta iniciativa, e da relevância estratégica destas regiões para o turismo português, e com a pretensão de poder de contribuir para o desenvolvimento turístico destas terras – o Turismo de Portugal lançou um programa de valorização do interior que pretende potenciar o turismo na região. A Universidade Europeia candidata a este programa ideou e coordenou este projeto com o apoio do Turismo de Portugal, também ele a bordo deste comboio… que se propõe fazer brilhar as regiões onde as assimetrias são mais proeminentes e que promete não parar tão cedo…

Licenciada e Mestre em Gestão, Doutorada em Economia Aplicada e Agregada em Economia do Turismo pela Universidade do Algarve leciona e investiga neste domínio há mais de 25 anos, a nível internacional é reconhecida como uma das responsáveis pelo posicionamento e a afirmação de Portugal na investigação cientifica internacional. A Profª Antónia Correia é docente e Dean da Escola de Turismo, Desporto e Hospitalidade da Universidade Europeia.

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Universidade de Coimbra desenvolve técnica para prevenir o contrabando de materiais radioactivos

UC_CAREOs investigadores Fernando Amaro, Cristina Monteiro e Joaquim Santos, do LIbPhys (Laboratório para Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveram uma nova técnica para detecção de neutrões térmicos que pode ser muito útil para a prevenção do contrabando de materiais radioactivos.

Os resultados do estudo, que teve a colaboração de investigadores do Paul Scherrer Institute (PSI), na Suíça, foram publicados na revista internacional do grupo Nature, Scientific Reports.

Detetores de neutrões térmicos «são equipamentos cruciais para prevenir o contrabando de armas nucleares e materiais radioactivos, sendo por isso rotineiramente utilizados em inúmeras fronteiras espalhadas pelo planeta. Até muito recentemente, quase todos os sistemas usavam um isótopo extremamente raro do conhecido gás Hélio, o Hélio-3», explica Fernando Amaro, principal responsável pelo projecto de investigação.

A forma mais abundante do gás Hélio (o Hélio-4) «é utilizado em aplicações tão variadas como a refrigeração de supercondutores em equipamentos de diagnóstico médico ou o enchimento de balões. Contudo, as reservas de Hélio-3 são extremamente reduzidas. Com a elevada procura por este material, após os ataques do 11 de setembro, estas reduziram-se ainda mais, motivando vários programas de pesquisa por alternativas», realça o investigador do LIbPhys do Departamento de Física da FCTUC.

De entre as alternativas, as mais viáveis utilizam materiais sólidos em vez de um gás (como o Hélio-3) para a deteção dos neutrões térmicos. Devido à natureza dos neutrões, a sua detecção em meios sólidos tem algumas limitações, nomeadamente eficiência de deteção limitada e resposta pouco eficaz dos sistemas na identificação de um neutrão térmico.

No trabalho agora publicado, a equipa da FCTUC e do PSI apresenta uma nova tecnologia que substitui os átomos de Hélio-3 por nanopartículas de Boro (particularmente o isótopo Boro-10), um outro material capaz de detetar neutrões térmicos.

Contudo, como o Boro não existe na forma de gás e apresenta limitações quando aplicado na forma sólida, os investigadores produziram um “gás artificial”, dispersando nanopartículas de Boro num gás comum, criando uma “mistura gasosa” capaz de detectar neutrões térmicos.

A técnica apresenta vantagens relativamente às alternativas sólidas: “é uma ideia simples, mas inovadora e eficaz, com um grande potencial para revolucionar, no futuro, a detecção de neutrões”, conclui Fernando Amaro.

Texto e foto: UC

Medicamento português demonstrou ser eficaz no combate ao cancro

moleculaO ensaio clínico de prova de conceito do primeiro medicamento oncológico português acaba de revelar resultados muito promissores no tratamento do cancro avançado da cabeça e do pescoço. 

“Nesta fase, o medicamento investigacional provou ser seguro, bem tolerado pelos doentes e eficaz no tratamento do cancro avançado da cabeça e pescoço”, revela Lúcio Lara Santos, oncologista cirúrgico do IPO-Porto. “A terapêutica fotodinâmica com Redaporfin demonstrou uma redução significativa do tecido tumoral, na área irradiada. Nos doentes tratados com uma dose única de 0.75mg/kg, a dose eficaz, os efeitos secundários observados foram controlados com medidas terapêuticas simples e, assim, não foram relevantes ”, acrescenta o oncologista.

A Terapia Fotodinâmica é uma técnica extremamente promissora no tratamento do cancro. Consiste na administração de um composto sensível à luz (fotossensibilizador), seguida da sua fotoativação apenas no local onde se deseja verificar o seu efeito, isto é o tumor. A fotoativação é feita através de uma luz laser que tem um comprimento de onda que é específico para o composto. Após a sua ativação, onde se pretende que atue, as células do tumor são destruídas. Os efeitos adversos no restante organismo são mínimos, o que é uma enorme vantagem em relação a muitos outros tratamentos do cancro.

Os resultados permitem prever que esta terapêutica será muito útil no tratamento dos tumores da cabeça e pescoço, associados ou não a outros medicamentos anti-oncológicos, seja a quimioterapia ou os novos medicamentos como a imuno-oncologia, e ainda nos tumores resistentes às terapêuticas comuns.

O Redaporfin é desenvolvido pela Luzitin, uma empresa farmacêutica portuguesa focada na investigação e no desenvolvimento de compostos inovadores para a Terapia Fotodinâmica e Fotodiagnóstico do cancro e outras doenças, assim contribuindo para o bem-estar do ser humano. Fundada em 2010, a Luzitin surge de uma parceria entre a Universidade de Coimbra e a Bluepharma Indústria Farmacêutica.

O medicamento passou uma das fases mais arriscadas do seu desenvolvimento, a entrada no homem, e a regressão do tumor, verificada na sequência do tratamento, abre o leque de opções terapêuticas dos doentes que já estavam em fase de cuidados paliativos. Os resultados parecem ainda demonstrar que esta terapêutica pode vir a ser favorável no tratamento de outros tumores sólidos, o que representa um avanço enorme para o nosso país e uma nova esperança para milhares de doentes – Sérgio Simões, presidente da Luzitin

Os próximos passos do desenvolvimento da Redaporfin envolvem a realização de um ensaio clinico pivotal, em Colangiocarcinoma, um tipo raro de cancro, geralmente diagnosticado numa fase muito tardia da doença, com um prognóstico muito reservado e que tem vindo a aumentar em Portugal e no mundo.

Na sequência deste novo ensaio clinico, em 2021, poderá ser possível falar numa submissão de pedido de autorização de introdução ao mercado, à EMA (Agência Europeia de Medicamentos), e obter a respetiva aprovação do medicamento Redaporfin para a sua comercialização na Europa.

Fonte: Bluepharma
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Universidade de Coimbra participa em consórcio europeu que está a desenvolver nova geração de robôs para a indústria

robo_UCA partir do próximo mês de fevereiro, as empresas Thales Alenia Space, indústria aeroespacial de produção de satélites, e Renault, do sector automóvel, vão testar um protótipo do ColRobot, um robô de última geração que está a ser desenvolvido por um consórcio europeu do qual faz parte uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Com um orçamento global de mais de quatro milhões de euros, financiados pela União Europeia através do Programa Horizon 2020, o consórcio é liderado pela École Nationale Supérieure d’Arts et Métiers – ENSAM ParisTech, em França, e reúne 11 parceiros de universidades, centros tecnológicos e empresas.

Pretende-se que os humanos possam interagir com estes robôs colaborativos da mesma maneira como interagem uns com os outros, de uma forma intuitiva, por exemplo usando gestos. Assim, exploramos o melhor dos humanos e das máquinas, ou seja, as capacidades cognitivas e de coordenação dos humanos, e a capacidade das máquinas de produzir trabalho monótono e preciso – Pedro Neto, líder da equipa da Universidade de Coimbra

A equipa da Universidade de Coimbra (UC) é responsável pela interação homem-robô, promovendo a colaboração e partilha de tarefas entre humanos e robôs. Pedro Neto, investigador e líder da equipa, explica que o grande objectivo do ColRobot (Collaborative Robotics for Assembly and Kitting in Smart Manufacturing) passa pelo «desenvolvimento de robôs colaborativos que possam trabalhar lado-a-lado com os humanos.

Actualmente, sublinha Pedro Neto, «os robôs existentes nas nossas indústrias trabalham dentro de jaulas, sem interagirem com os humanos». Por isso, nota, «o ColRobot significa uma mudança de paradigma, em que os robôs colaboram com os seres humanos, tirando o melhor de cada parceiro».

«Prevê-se que os robôs colaborativos tragam vantagens competitivas muito importantes para a indústria Europeia, podendo ser operados por humanos sem conhecimentos técnicos, realizar tarefas ergonomicamente inconvenientes para os humanos, aumentar a flexibilidade produtiva e reduzir custos de produção», conclui o também docente do Departamento de Engenharia Mecânica da UC.

Fonte: UC
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Universidade de Coimbra e Active Space Technologies desenvolvem veículo autónomo para a indústria 4.0

ActiveONE_home-2A Active Space Technologies, em colaboração com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveu um inovador veículo de condução autónoma (AGV, Automated Guided Vehicle) por forma a revolucionar a fábrica do futuro.

O AGV foi desenvolvido pela empresa Active Space Technologies para apoiar a designada indústria 4.0, caracterizada por uma grande flexibilidade e ritmos de produção muito elevados.

Com a Active Space Technologies trabalha uma equipa de seis investigadores do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC, que está a desenvolver um sistema de posicionamento (algo semelhante a um GPS indoor) para o AGV, baseado numa tecnologia vanguardista. Este sistema será integrado no AGV num futuro próximo.

O novo veículo, que já está a ser utilizado pela Autoeuropa, foi apresentado na EMAF – Feira Internacional de Máquinas, Equipamentos e Serviços para a Indústria, que teve lugar no final de novembro, na Exponor, Feira Internacional no Porto.

Este AGV tem um nível de flexibilidade bastante elevado, adaptando-se às estruturas existentes nas fábricas actuais, o que permite ganhos significativos em todo o processo de produção – Luís Coelho, Responsável da Indústria da Active Space Technologies

Com uma arquitectura inovadora, este veículo sem condutor integra diversos componentes «que o orientam em percursos preestabelecidos, de forma autónoma e rápida, e tem uma capacidade de carga muito elevada, de 800 Kg», explica Luís Coelho.

O novo veículo foi desenvolvido no âmbito de um projeto de investigação financiado pelo Programa Comunitário Horizonte 2020 e já se encontra em fase de comercialização. No entanto, a equipa vai prosseguir com os estudos com o objetivo de tornar este veículo omnidirecional, dando mais flexibilidade ao produto.

Fonte: UC
Foto: DR

GraPE 2016: Graduados portugueses no estrangeiro vão “Pensar Portugal em Territórios do Futuro”

grape_GCOs graduados portugueses no estrangeiro reúnem-se anualmente em Portugal para pensar o nosso país. A época natalícia é a escolhida para a realização destes fóruns, dado que a maioria se encontra na sua terra natal . A Excelência Portugal marcou presença na edição de 2015 e faz aqui uma breve antevisão da edição deste ano.

O GraPE2016, 5º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro, tem como principal objectivo promover a interacção e discussão entre os graduados portugueses no estrangeiro e em Portugal. Este evento proporciona uma oportunidade única para o estabelecimento de novos contactos e fortalecimento dos existentes no seio desta comunidade, e surge como um fórum de discussão sobre i) a progressão das carreiras profissionais e académicas, dentro e fora de Portugal, ii) a comunidade portuguesa fora do país e iii) a sociedade portuguesa em geral.

A edição deste ano ‘GraPE2016 – Pensar Portugal em Territórios do Futuro’ surge na sequência dos colóquios anteriores, nomeadamente: ‘Percursos em Ciência: Diversidade contra a Adversidade’ (Lisboa, 2012), ‘Migrações Científicas: Ir e Voltar’ (Porto, 2013), “Portugueses sem Fronteiras: Criatividade e Inovacão” (Lisboa, 2014) e ‘RE: inventar portugal – Portugueses dentro e fora’(Guimarães, 2015).

As edições anteriores contaram com oradores ilustres em áreas como a ciência – António Coutinho, Carlos Fiolhais, Nuno Sousa e Miguel Seabra; a política – Nuno Crato, Maria da Graça Carvalho, Jorge Portugal e Manuel V. Heitor, artes e cultura – Joana Ricou e Gonçalo Cadilhe e o empreendedorismo – Rui Paiva, Luís Ferreira e Clara Gonçalves.

À semelhança dos anos anteriores, o GraPE pretende promover a reflexão e discussão sobre as perspectivas nacionais e internacionais disponíveis aos portugueses graduados, no panorama actual e antecipando o futuro do mercado de trabalho. Esta edição contará, entre outras, com intervenções especiais do Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Professor Doutor Manuel Heitor e do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Professor Doutor Augusto Santos Silva.

Este evento, de dinâmica internacional, é uma iniciativa única em Portugal, que reúne portugueses graduados distribuídos pelo mundo convidando-os a partilhar experiências profissionais e a trocar ideias que contribuam para que o nosso país cresça em novas oportunidades.

A organização está a cargo das seguintes associações: AGRAFr (Association des Diplômés Portugais en France) em França, a ASPPA (Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha) na Alemanha, a PAPS (Portuguese American Postgraduate Society) nos EUA e Canadá, e a PARSUK (Portuguese Association of Researchers and Students in the United Kingdom) no Reino Unido.

Fonte: GraPE
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Cientista da Universidade de Coimbra laureado com o prestigiado Prigogine Gold Medal

UC_CAREJoão Carlos Marques, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é o primeiro cientista português a ser laureado com o prestigiado prémio internacional Prigogine Gold Medal, atribuído pela Universidade de Siena e pelo Wessex Institute of Technology.

Criado em 2004 em honra da memória de Ilya Prigogine, químico russo naturalizado belga, Prémio Nobel da Química em 1977, devido ao seu trabalho em Termodinâmica que lançou as bases da moderna investigação em teoria dos sistemas ecológicos, o Prigogine Gold Medal é atribuído anualmente a cientistas internacionalmente reconhecidos como líderes na área da Ecologia de Sistemas que, na sua investigação, utilizem os princípios da Termodinâmica dos Processos Irreversíveis em desenvolvimentos teóricos.

Foi com surpresa que o Catedrático da FCTUC recebeu a notícia. João Carlos Marques confessa, «sem falsas modéstias, que não estava à espera. Julgo que o prémio me terá sido atribuído, sobretudo, pelo trabalho desenvolvido durante a segunda metade da década de 1990 e primeira metade da década de 2000, em que foquei muito a minha atenção sobre a compreensão do funcionamento dos sistemas ecológicos à luz dos conceitos da termodinâmica dos processos irreversíveis. Colaborei e desenvolvi então investigação em ecologia teórica com alguns dos anteriores laureados o que, devo dizer, exerceu profunda influência sobre o meu próprio pensamento científico».

O também investigador do MARE – Centro de Ciências do MAR e Ambiente da UC – espera que este reconhecimento internacional «possa dar mais visibilidade ao trabalho desenvolvido, por mim e, sobretudo, por todos os que nele se envolveram de forma profunda, nomeadamente muitos estudantes de doutoramento e de pós-doutoramento, jovens e muito inteligentes. Sem eles não teriam sido possíveis alguns dos avanços e resultados mais interessantes».

Por outro lado, sublinha, «espero também que possa dar impulso adicional e mais força anímica a novos projetos recentemente iniciados, como seja o do recentemente criado Laboratório MAREFOZ, a cujo planeamento e objetivos não são alheios muitos dos conceitos da teoria dos sistemas ecológicos».

Com formação de base em biologia marinha, João Carlos Marques foca a sua investigação em problemas relacionados com a avaliação e gestão da qualidade ambiental de ecossistemas aquáticos, «com ênfase em ecossistemas estuarinos e costeiros, envolvendo modelação ecológica e o desenvolvimento e aplicação de indicadores ecológicos. Em função do trabalho desenvolvido, fui convidado e aceitei recentemente assumir o cargo de Editor-in-Chief do Ecological Indicators Journal, uma revista internacional especializada sobre esta temática da Elsevier».

Fonte/Texto: UC
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