DESIGN CENTRE NINI ANDRADE SILVA abre portas no Funchal

5_Nini Andrade Silva_Photograph Credits by Nick Bayntun

O DESIGN CENTRE NINI ANDRADE SILVA abre portas no dia 22 de Outubro, no Funchal, no emblemático edifício do Molhe – Fortaleza Nossa Senhora da Conceição, que foi em tempos a casa de Gonçalves Zarco, antigo navegador português e colonizador do Arquipélago da Madeira.

O Design Centre Nini Andrade Silva é um lugar de encontro e partilha, dotado de serviços e valências espaciais únicas, tais como uma área de exposição permanente, loja, cafetaria e um restaurante com assinatura do Chef Miguel Laffan, premiado com uma estrela Michellin.

3_View from the restaurant_Photograph Credits by Nick Bayntun

A exposição permanente existente, que é parte da coleção privada da prestigiada designer internacional Nini Andrade Silva, está na origem da criação do Design Centre, projeto cujo discurso expositivo permite explicar, de uma forma inaudita, a história e cultura da madeira e a sua forte ligação à história do mar.

Nini Andrade Silva desenvolveu, ao longo da sua vida, uma carreira profissional de elevado reconhecimento internacional que transportou o nome da Ilha da Madeira e de Portugal aos quatro cantos do mundo. Com uma forte ligação às suas origens e às memórias de uma cultura singular – a da ilha que a viu crescer  – a vida e obra da artista sofreu, desde sempre, uma forte influência relacionada com os símbolos e  tradições representativos deste povo e território.

Esta influência que, na maior parte da sua obra se pode traduzir em inspiração, surge bem patente em obras e/ou peças concebidas por Nini Andrade Silva, como por exemplo a Coleção Garouta do Calhau – constituída por sub-coleções que versam a pintura, mobiliário, cerâmica, joalharia, etc. – totalmente inspirada nos calhaus ou seixos rolados característicos das praias da Ilha da Madeira, cujo processo criativo representa, na sua essência, uma homenagem sentida às crianças mais desfavorecidas da Ilha da Madeira que antigamente eram apelidadas de Garotos do Calhau.

2_Detail_Photograph Credits by Nick Bayntun

Garotos do Calhau é a designação pela qual eram conhecidos os jovens que antigamente percorriam as praias de calhaus rolados da Ilha da Madeira, mergulhando nas águas quentes de um mar profundo que era também a sua casa exibindo aos turistas a arte da Mergulhança – termo pelo qual se caracterizava a actividade lúdica de muitos jovens na baía do Funchal, que mergulhando junto aos navios ancorados apanhavam as moedas que os turistas lançavam ao mar. Estes rapazes seriam verdadeiros acrobatas, nadando por entre os barcos dos bomboteiros para vender produtos típicos da Madeira. A atividade da Mergulhança foi alvo de legislação específica no início da década de 50. Muitas vezes de origem humilde, estes jovens ganhavam uma quantia razoável em dinheiro em troco de acrobacias, numa actividade peculiar e que exigia particular destreza.

Com o objetivo de tornar a designação – Garotos do Calhau – um símbolo de arte, cultura, beleza e generosidade, surgirá em espaço de destaque, mais precisamente na zona onde se localizava a sala de visitas da Casa de Gonçalves Zarco, uma proeminente exposição de fotografias pertencentes ao Museu  Vicentes, dedicada à história dos Garotos do Calhau e à tradição da Mergulhança.

Atuante e dinâmico, o Design Centre Nini Andrade Silva, pretende assumir-se como um espaço de cultura, experiência, emoção e partilha, aberto  a todo o público de terça a sábado das 10:00 às 22:00 (Sextas e Sábados, encerra às 24:00).

 

Fonte: Design Centre Nini Andrade Silva
Fotos: Nick Bayntun

 

 

UC e IBA desenvolvem novo processo de produção de isótopo para o diagnóstico de cancro

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O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC) e a Ion Beam Applications SA (IBA), empresa multinacional líder mundial no fabrico de ciclotrões, acabam de submeter conjuntamente o pedido de patente internacional para um novo processo de produção de Gálio-68, um isótopo fundamental no diagnóstico do cancro.

A invenção é da autoria dos investigadores do ICNAS, Antero Abrunhosa, Francisco Alves e Vítor Alves, que ao longo dos últimos dois anos desenvolveram um processo inovador de produção de isótopos para marcação de moléculas utilizadas em Tomografia de Emissão de Positrões (PET), essenciais para o diagnóstico e estadiamento de doenças oncológicas.

O método formulado pelos investigadores de Coimbra tem impacto significativo na realização de exames de PET para o diagnóstico de cancro uma vez que  “garante maior rendimento e tem um custo 10 vezes inferior ao atual, tornando assim o exame acessível a um maior número de doentes e promovendo o uso generalizado deste tipo de exame para o diagnóstico de tumores. Esta redução de custos terá também, sem dúvida, um impacto positivo no Sistema Nacional de Saúde, considerando que o atual método disponível no mercado é complexo e dispendioso”, reforçam Antero Abrunhosa, Francisco Alves e Vítor Alves. Os investigadores assinalam também a importância da transferência de tecnologia da Universidade para as empresas, com benefícios sociais e económicos, dado que “a IBA vai comercializar em todo o mundo as soluções criadas a partir desta patente. A solução desenvolvida no ICNAS terá uma escala global.”

No âmbito desta parceria, a IBA e a Universidade de Coimbra estabeleceram um protocolo de cooperação, assumindo a empresa o financiamento para continuar a pesquisa de soluções inovadoras para o diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas. O acordo vai ser assinado na próxima quinta-feira, dia 22 de outubro, pelo Reitor da UC, João Gabriel Silva, pelo Diretor do ICNAS, Miguel Castelo Branco e pelo Vice-Presidente da IBA, Bruno Scutnaire.

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) é uma unidade de investigação da UC dedicada à investigação básica e clínica na área da Imagem Médica e à produção de radiofármacos utilizados no diagnóstico PET em oncologia, cardiologia e doenças neurodegenerativas.

 

Fonte: Universidade de Coimbra
Foto: DR

 

 

 

Quintal Holístico: as cabras cortam o mato

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Um projecto juntou dois amigos (Filipe Gandra, 26 anos, natural de Barcelos e Fábio Jácome, 29 anos, de Viana do Castelo) numa ideia simples e eficaz: combater os incêndios com a ajuda de cabras. Chama-se Quintal Holístico e foi desenvolvido pelos dois alunos da Escola Superior Agrária de Ponte de Lima.

“A ideia surgiu há mais de um ano devido ao gosto que tenho por caprinos e pela confusão que me fazia a quantidade de fogos florestais que acontecem todos anos. Achei que podia dar o meu contributo para reduzir esse flagelo”, diz Filipe Gandra à Lusa.

Para o início do projecto recorreram ao “crowdfunding”, como forma de garantirem seis mil euros que permitissem arrancar com a ideia. É já dentro de dois meses, em Vila Cova (Barcelos) que serão introduzidas as primeiras cabras corta-mato. O facto de os animais estarem progressivamente a desaparecer dos seus ecossistemas, explica o crescimento descontrolado de vegetação rasteira e mato. E isso, nos períodos mais secos, é uma matéria facilmente inflamável.

Como existe uma gestão pouco eficaz da floresta e dos terrenos em geral, o pastoreio de caprinos acaba por ser uma solução eficaz para o controlo do mato. A escolha desta espécie cumpre com os objectivos de preservação da floresta. A opção pelos caprinos é explicada pelos seus hábitos e por se ajustarem a zonas de forte declive; assim como pelas próprias necessidades de alimentação.

O Quintal Holístico pretende vir a utilizar outros animais no futuro, como ovelhas, cavalos e vacas. Isto porque “cada espécie tem uma função dentro do sistema agroflorestal. O nosso papel é gerir a função desses animais para que eles nunca cheguem a destruir o coberto florestal”, diz Filipe.

O projecto destes dois amigos chamou a atenção de associações ambientalistas como a Quercus, a Green Savers, a Agrobio e a Associação dos Agricultores do Porto. Irá ser necessário adquirir cercas eléctricas e entre 100 a 150 cabras para começar. E a ideia, que já despertou interesse de vários proprietários, é chegar a outras zonas do país.

Fonte: P3/Público
Foto: DR

 

Helder Maiato, o bioquímico-coleccionador de prémios, colheu mais um

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Helder Maiato, Investigador principal do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, é uma das estrelas mais brilhantes da Investigação Portuguesa e o seu trabalho voltou a ser reconhecido há poucos dias: venceu o prémio “Louis-Jeantet Young Investigator Career Award”. 

O prémio, atribuído pela Fundação com o mesmo nome, tem o intuito de encorajar os melhores talentos jovens na Investigação Biomédica. A Fundação atribui mais de quatro milhões de francos suíços (~ 3.7 milhões de Euros) anualmente para promover a Investigação biomédica. Em particular este prémio resultou de uma parceria com o Conselho Europeu de Investigação (ERC – http://erc.europa.eu/) , que desde 2011 premeia os jovens Investigadores que estejam envolvidos em projectos “ERC Starting Grant” e que pretende distinguir e apoiar os melhores Investigadores com um prémio monetário de cem mil francos suíços mais dez mil francos suíços, destinados especificamente para uso pessoal do vencedor.

Helder Maiato, licenciado em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e fez parte do Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina, o que o levou até à Universidade de Edimburgo para estudar a divisão celular e, finalmente veio a doutorar-se em Ciências Biomédicas pelo Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS). Mais tarde, cruzou o Atlântico onde realizou trabalho de pós-doutoramento em microcirurgia celular no Wadsworth Center, New York State Department of Health. Ao longo deste tempo o seu trabalho foi diversas vezes reconhecido pela atribuição de vários prémios nacionais e internacionais, como o Prémio da Sociedade Portuguesa de Genética Humana em 2004 e o prémio “Estímulo à Investigação” da Fundação Calouste Gulbenkian.

O investigador regressou a Portugal, em 2005, onde integrou o IBMC e lidera uma equipa de investigadores na área da divisão celular e aneuploidia. Líder de uma grande equipa, tem publicado nos melhores jornais científicos como: Science, Nature Cell Biology, Proceedings of the National Academy of Sciences. Em 2010, Helder Maiato conseguiu ganhar provavelmente a mais competitiva bolsa de Investigação Europeia, a ERC Starting Grant, uma bolsa atribuída pelo Conselho Europeu para a Investigação para financiar os melhores projetos e ideias de investigação europeia. No entanto, este Investigador coleccionador de prémios, conta ainda com o Prémio da Sociedade Portuguesa de Genética Humana, o prémio “Estímulo à Investigação” da Fundação Calouste Gulbenkian, o prémio Crioestaminal, e muito recentemente o FLAD Life Science 2015, entre outros reconhecimentos.

Foto: DR

De Portugal para o Mundo. Do Mundo para Marte.

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De Portugal para Marte. Esta é a frase que de uma forma bastante resumida pode descrever Nuno Silva. Aos 36 anos, o jovem engenheiro aeroespacial, que já trabalhou em países como França e Reino Unido, integra a equipa que prepara a expedição a Marte.

Já dura há sete anos o sonho de descobrir vida em Marte. O trabalho começou em 2008 e tem como objetivo enviar para Marte um robô europeu com o intuito de procurar sinais de vida neste planeta.

O jovem português, que se licenciou no Instituto Superior Técnico, começou por assumir a coordenação de uma equipa que desenvolveu a navegação autónoma do robô, tendo abandonado esse cargo e assumido funções de gestão dentro da Airbus.

Nuno Silva explica o que o fascina no mundo aeroespacial e todos os detalhes desta missão que pode mudar a forma como vemos o mundo.

Será que Marte está realmente morto? A resposta está para breve. Mas até lá, Nuno Silva esclarece alguns detalhes. Mais um projecto à escala mundial que conta com uma assinatura portuguesa.

 

Como é que começou esta paixão pelo universo aeroespacial?

A paixão sempre existiu e foi alimentada pelo cinema. Filmes e séries como Star Wars ou Star Trek alimentaram a paixão mas diria que já havia algo. No entanto penso que muitas pessoas terão motivações semelhantes. O que fez a diferença foi curiosamente a minha professora de Biologia no 12° ano. Perguntou o que queríamos seguir e eu já altura hesitava entre medicina, engenharia ou física (e provavelmente acabaria numa mistura de todos), mas sobretudo porque “sabia” que espaço era irrealista. Acabei por partilhar um bocado esse sentimento e foi ela quem me falou de engenharia aeroespacial no IST. E isso foi claramente o maior catalizador.
Durante o curso em Portugal e em França, a exposição à área apenas aumentou o meu interesse. O facto de acabar por estagiar na área foi o início de algo verdadeiramente real e concreto.

O que é que o fascinava (e fascina) nesta área?

O que me fascina é o desconhecido, a exploração, os desafios técnicos e o conhecimento que esta exploração traz.

Em Portugal esta é uma área pouco explorada? Como é ser português numa área em que as principais apostas e desenvolvimentos são internacionais?

Não é tanto que a área é pouco explorada mas mais que na realidade há pouco para explorar. É uma área política: não se investe em exploração espacial pelo lucro mas pelo conhecimento e tecnologia. A forma como funciona na prática é a consequência do “retorno justo” da agência espacial europeia: cada país membro recebe de volta um volume de trabalho proporcional ao investimento que o país faz na agência. Como o estado português contribui pouco, recebe pouco. Sendo uma área em que é preciso muito investimento para alcançar resultados de maior importância, os nossos resultados são pouco visíveis por natureza.

Nesta área como noutras temos de deixar de pensar em países, o estado de espírito é outro. Nesta área falamos de Europa, EUA, Rússia (sobretudo antiga URSS). Portanto é uma área europeia e só perdemos quando pensamos nas nossas fronteiras. O nível de investimento é tal que precisamos de todos. Sinto portanto bastando orgulho como Europeu que sou do que a Europa consegue alcançar com meios inferiores aos dos EUA por exemplo. Sinto-me portanto bastante integrado e ser Português é quase sempre um detalhe.
Há de facto algumas complicações porque esta área por vezes está ligada à defesa nacional de países mas essa é uma área em que a UE ainda não evolui suficientemente. Neste caso pode ser de facto complicado.

Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima. (..) A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação.

Quais as principais dificuldades e os principais desafios que encontrou para entrar nesta área?

Várias… Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima.
A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação. Por exemplo, com cadeiras e projectos da indústria.
A realidade desta indústria… Muito politizada, durações muito longas, montagens industriais ridículas, etc

Marte é agora um objectivo. Como começou todo este projecto da criação de um robot?

A verdade é não estive envolvido no início. O projecto “final” é enviar seres humanos a Marte (como se foi à Lua). Para alcançar esse objectivo tem de se conhecer melhor o planeta, as condições na superfície, as zonas seguras e de interesse científico, desenvolver as tecnologias necessárias para ir a Marte em segurança, aterrar e regressar. Estamos na fase inicial desse objectivo.
Enquanto não for seguro para seres humanismo enviam-se máquinas inteligentes (satélites e robôs).
ExoMars corresponde portanto à primeira fase da ida do Homem a Marte. Começou em meados da década de 2000 criado pela agência espacial europeia (ESA).
Porquê ir a Marte? Para perceber melhor a origem do universo e da vida.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte.

Em que consiste esta expedição a Marte? (datas previstas, duração, meios envolvidos…)

O programa ExoMars é composto por duas missões: uma em 2016 e outra em 2018 (só se pode ir a Marte de 26 em 26 meses devido alinhamento relativo de Marte com a Terra). Inicialmente era apenas uma missão mas por várias razões que não vou detalhar foi preciso dividir em duas diferentes.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte. É também essencial porque também inclui o satélite que ficará à volta de Marte para garantir as comunicações do Roger em 2018 com a Terra (o Rover fala para o satélite e o satélite para a Terra, e vice-versa). Este satélite também inclui um instrumento para detectar metano na superfície: este gás é geralmente associado à vida porque uma das origens mais provável para o metano é como o resultado do metabolismo de seres vivos. Esta informação ajudará a decidir o local para aterrar e fazer a missão em 2018.

A missão de 2018 é a “joia da coroa”: um rover altamente autónomo e com instrumentos para detetar sinais de vida no passado ou no presente. Contém uma máquina de furar que conseguirá recolher amostras a 2m de profundidade e portanto ver o passado de Marte! O Rover é de facto um carro de 6 rodas mas bastante inteligente: na Terra os operadores apenas lhe dizem para onde querem que ela vá (coordenadas do destino) e o Rover encontra um caminho rápido e seguro até lá seguindo-o com grande precisão.

A missão na superfície é suposta furar pelo menos seis meses (por causa das estações em Marte no inverno não há energia que chegue e há demasiadas tempestades de areia para operar). No entanto é preciso lembrar que missões anteriores eram supostas durar 3meses e passados mais de 10 anos ainda operam na superfície (rover Opportunity da NASA). “Apenas” é preciso que o Rover “acorde” quando o inverno acabar mas isso é difícil de garantir.

A viagem para Marte para ambas as missões durará cerca de 9 meses. A de 2016 será lançada em Março se tudo correr bem e a de 2018 será lançada em Maio desse ano. O Rover deverá estar a explorar a superfície de Marte desde Janeiro de 2019.

Ambas as missões são lançadas por um foguetão Russo (Proton) dado que este é agora um programa conjunto entre as agências espaciais Europeias e Russas.
O centro de controlo para o Rover (ROCC: Rover Operations Control Centre) será em Turim em Itália e o centro de controlo para todos os outros elementos da missão será no ESOC (centro de controlo da ESA) perto de Frankfurt na Alemanha.

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes.

Como é coordenar uma equipa de mais de 20 pessoas para um projecto tão ambicioso?

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes. O projecto ExoMars em si, só na Airbus DS no Reino Unido tem cerca de 150 elementos!
Tenho portanto de coordenar cerca de 25 pessoas em vários projectos. É preciso uma estrutura com delegação de responsabilidades mas com boa comunicação nos dois sentidos. Faço a ponte entre as várias equipas e projectos para que todos beneficiem das experiências dos outros. É importante dar prioridades e preparar o futuro, por isso é uma “batalha” constante entre fazer o que é necessário nos projectos actuais mas investir tempo e recursos em tecnologia que nos permita fazer as missões do futuro.

Quais as diferenças desta expedição, relativamente às realizadas pela NASA?

Há diferenças técnicas (engenharia pura) e científicas. Os rovers da NASA desempenham sobretudo missões de geologia enquanto o nosso europeu (ExoMars) é uma missão também biológica, ie, equipada para detectar vida actual ou sinais de vida do passado. Os instrumentos de ExoMars são portanto o ideal quando se procura vida enquanto as missões de geologia estão mais focalizadas em perceber a formação dos planetas e do universo (e indiretamente da origem da vida). Um instrumento chave é a sofisticada máquina de furar que permite recolher amostras até 2m de profundidade e “viajar ao passado”.
Falando de engenharia, o nosso Rover é muito mais autónomo que os precedentes. Desde coisas simples como poder virar as seis rodas (andar de lado tipo caranguejo) ou mudar de direção ao mesmo tempo que se anda para a frente (os da NASA têm que parar para virar as rodas), a capacidade para calcular uma trajetória segura e eficaz assim como ser capaz de a seguir com grande precisão é muito maior que os predecessores da NASA. Apesar de ser uma diferença em engenharia, isto permite ao rover ir à locais até agora fora do alcance dos cientistas.

Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.

Quais são as expectativas (em termos de resultados) para esta expedição a Marte?

As expectativas são de sucesso! Muito, mas mesmo muito, pode correr mal numa aventura destas até à superfície de outro planeta. Neste domínio a Europa ainda não está ao nível dos EUA e esta missão servirá a passar à frente.
Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.
Há outro tipo de sucesso… A sensibilização das pessoas para esta indústria e um melhor apoio.

Estará Marte realmente morto?

Talvez… Mas ninguém tem a certeza! E sobretudo ainda menos se sabe acerca do passado passado. Talvez esteja morto agora mas não tenha estado no passado. Responder a esta pergunta avançará a compreensão da origem da vida. Não porque a vida tenha vindo de Marte para a Terra como dizem algumas teorias mais exóticas, mas porque permitiria compreender e/ou comprovar os processos que dão origem à vida.
Mas é para responder a essa e a outras questões importantes que se enviará o ExoMars rover!

 

Foto: DR

Nasceu a colmeia inteligente

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Já está disponível em pré-venda a colmeia inteligente e o seu sistema de monitorização desenvolvidos pela Apis Technology

Com apenas 25 anos, o apicultor e engenheiro electrónico formado na Universidade de Aveiro (UA), Miguel Bento, quis combater a morte prematura das abelhas e criou a colmeia inteligente.
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Esta colmeia além de reduzir a morte prematura das abelhas, permite também que os apicultores façam uma gestão em tempo real e à distância das suas colónias. Sendo termicamente eficiente, faz com que nos meses mais frios, se diminua a morte das abelhas, promovendo o aumento da produção.

O jovem engenheiro apicultor (na foto) juntou-se a Joel Oliveira e André Oliveira, dois outros antigos alunos da UA das áreas de gestão e design de produto, e criou a Apis Technology.

 

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Como funciona este sistema de monitorização?

Possui um sistema de controlo e sensores (humidade, temperatura na câmara de criação, temperatura no exterior da colmeia, peso, fluxo de abelhas a entrar e a sair e GPS) colocados no seu interior, conectados a um sistema central que armazena os dados das colmeias, enviando-os para uma plataforma a que os apicultores terão acesso de forma rápida e em tempo real.

A Apis Technology dispõe de uma campanha de pré-venda na plataforma de crowdfunding Indiegogo onde qualquer um pode comprar o sistema ou apenas contribuir monetariamente.

Este projecto foi apoiado pela Incubadora de Empresas da UA.

 

Fonte: UA
Fotos: DR

 

Bradley Sugars em entrevista

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O responsável pelo ActionCoach esteve em Portugal para participar na entrega dos prémios “Business Excellence Forum & Awards”. Bradley J.Sugars realizou uma palestra sobre mecanismos para melhorar a produtividade e o lucro das empresas. Nos últimos anos vendeu milhares de livros nesta matéria. O último chama-se “Buying Customers”. A Excelência Portugal teve a oportunidade de trocar algumas palavras com o empresário.

 

1- Como analisa o empreendedorismo em Portugal?

Os portugueses são empreendedores desde a Idade Média por terem descoberto grande parte do mundo. Nos dias de hoje, devem acreditar no vosso potencial porque muitas empresas sobreviveram à crise. Por estas razões a economia vai recuperar. Os meus colegas do ActionCoach Portugal dizem que há sinais de melhoria, nomeadamente no sector do turismo.

2- Os empresários portugueses são ambiciosos?

A maioria dos empresários não pretende sair da zona geográfica. Por exemplo, como Portugal tem 11 milhões de habitantes devem apostar no Brasil, já que o dobro das pessoas fala a mesma língua. A economia global obriga os empresários a terem que apanhar o avião com destino às oportunidades de negócio.

3-Que investimento pretende fazer em Portugal?

Neste momento estou focado no crescimento do ActionCoach em Portugal. Por causa do projecto traduzi os meus livros para português, além de vir ao vosso país duas vezes por ano. O ActionCoach tem um papel fundamental na economia portuguesa nos próximos anos, já que, premiamos os esforços dos jovens empresários, mas também dos mais experientes. Neste momento, o meu foco incide mais nos negócios na Austrália, Estados Unidos e Inglaterra.

4- Os empresários conseguem alcançar a satisfação total?

A experiência adquirida ao longo dos últimos 20 anos leva-me a concluir que, no mundo dos negócios, há um ciclo que tem de ser respeitado. Os donos das empresas têm um sentimento emocional com os negócios, comparável com o que sentem em relação à família. Nos negócios temos de ser mais racionais para realizar alterações, mesmo que prejudiquem as famílias. Ou seja, é preciso dar um passo atrás para enfrentar os desafios com mais segurança.

Foto: André Areias

A empresa portuguesa |create|it| é uma das duas finalistas nos prémios europeus SharePoint

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A empresa portuguesa |create|it| foi nomeada finalista para os prémios europeus da SharePoint na categoria “Most Innovative Cloud Solution” apenas com outra candidatura concorrente. Os dois finalistas foram seleccionados por especialistas de diferentes marcas da comunidade SharePoint e a votação final foi aberta a todos, tendo acabado no passado dia 30 de Setembro. Os vencedores serão anunciados na Conferência Europeia Sharepoint que tem lugar em Estocolmo e se realizará de 9 a 12 de Novembro.

Mas o que são os prémios SharePoint ? O SharePoint é um software dedicado a facilitar e optimizar o trabalho de equipa num ambiente empresarial, aliando opções de organização e gestão empresarial com opções ao estilo de rede social, como a partilha e a facilidade de contactar outros membros da mesma rede. Uma importante característica é o facto de ser programável, facilitando a criação de novos interfaces a qualquer programador e/ou web designer. De modo a trocarem experiências e ajudarem-se uns aos outros, os utilizadores deste software juntaram-se em comunidades nacionais um pouco por toda a Europa (a comunidade portuguesa chama-se “The Portuguese SharePoint Community (SPUGPT)” com o site http://www.sharepointpt.org/ – actualmente em construção). De modo semelhante criou-se a comunidade europeia, baseada na Irlanda cujos objectivos são os de organização da Conferência anual e a produção de conteúdos que possam ajudar a comunidade de usuários.

A |create|it| foi criada em 2001 por um conjunto de pessoas com experiência profissional comprovada e know-how em áreas como Desenvolvimento Web, Integração de Sistemas, Gestão de Projetos e Usabilidade, tal como se pode ler no seu site:

Hoje em dia faz uso das mais recentes tecnologias da Microsoft, projeta e desenvolve projetos em áreas como Portais e Colaboração, Desenvolvimento Web e Integração de Sistemas. A sua carteira de clientes encontra-se em vários ramos de actividade como: as Telecomunicações, o Sector Financeiro, a Indústria, Distribuição, o Sector do Turismo e o Sector Público.  Foi precisamente com um trabalho feito para o Sector do Turismo, em particular para o Grupo Pestana, que se apresentaram neste concurso e que já lhes valeu um lugar no pódio desta competição. Para este projecto quiseram responder ao repto lançado pelo Grupo Pestana de “criar o melhor e mais inovador site de uma cadeia de hotéis”, onde usaram o software SharePoint e a plataforma Azure, ambos da Microsoft. O resultado pode ser apreciado aqui: http://www.pestana.com/pt.

Foto: DR

Equipa da Universidade de Coimbra recebe financiamento internacional para estudar doença que envelhece crianças

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Duas instituições americanas vão financiar uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), liderada por Cláudia Cavadas, para estudar a progeria, doença rara incurável em que as crianças envelhecem muito rapidamente e não chegam à vida adulta.

O grupo vai investigar o potencial do Neuropeptídeo Y (NPY), uma molécula que estimula uma espécie de “reciclagem” de partes envelhecidas das células, denominada de autofagia. Apoiada em estudos realizados anteriormente em ratinhos de laboratório, a equipa do CNC considera que esta molécula poderá ser um regulador de envelhecimento, contrariando assim os efeitos desta doença, denominada Síndrome de progeria de Hutchinson-Gilford.

A responsável pelo projeto, Cláudia Cavadas, afirma que “este financiamento vai permitir continuar a nossa investigação nesta doença fatal e, no futuro, poderá auxiliar na descoberta de uma estratégia terapêutica que contrarie o envelhecimento acelerado destas crianças e, quem sabe, atrasar o envelhecimento natural de todos nós.

A Fundação The Progeria Research Foundation (PRF) e a organização Carly Cares vão financiar durante dois anos a investigação do CNC. “A fundação tem financiado projetos em todo o mundo que resultaram em descobertas importantes sobre a progeria. A parceria estabelecida permitirá o surgimento de investigação inovadora nesta doença rara”, nota Audrey Gordon, Diretora Executiva da PRF.

Por seu lado, Heather Kudzia, Presidente da Carly Cares – instituição com o nome da sua filha de cinco anos de idade, diagnosticada com progeria (menina da fotografia apresentada neste artigo) -, explica que a sua organização “angaria verbas para financiar investigação que aumente a vida dos doentes e que tenha um impacto positivo nas famílias. A organização não poderia estar mais orgulhosa de apoiar este estudo.”

A progeria é uma doença genética rara, caracterizada por um envelhecimento acelerado. A mortalidade destas crianças é provocada por problemas cardíacos resultantes da arteriosclerose (espessamento e endurecimento das paredes das artérias), associada tipicamente à velhice, podendo ocorrer logo aos 10 anos de idade em crianças com progeria.

As capacidades mentais destas crianças permanecem intactas, apesar de apresentarem um corpo envelhecido, caracterizado, por exemplo, por rugas, perda de cabelo, problemas nas articulações e perda de massa muscular.

Fonte: UC
Foto: DR

6ª Edição dos Food and Nutrition Awards

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Os Food & Nutrition Awards premeiam projetos portugueses no sector agroalimentar. Estes prémios distinguem iniciativas e empresas portuguesas em quatro categorias diferentes: Iniciativa e Mobilização, Investigação e Desenvolvimento, Produto Inovação e Serviço de Inovação. A 6ªedição teve como vencedores os projetos Movimento Zero Desperdício, Nutricap, Arroz Integral Pato Real Minuto e Movelife. 

No total foram 10 os produtos, projetos, serviços e iniciativas distinguidos pelos Prémios da Alimentação Portugueses, que se destacaram pela inovação e empreendedorismo no setor agroalimentar. A cerimónia de entrega dos galardões Food & Nutrition Awards 2015 teve lugar a 10 de Setembro e contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa e do Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agrolimentar, Nuno Vieira e Brito.  Organizado pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN) e pela GCI, o Food & Nutrition Awards consiste numa plataforma multi-stakeholder e num agente mobilizador para a inovação no sector agroalimentar, agregado às áreas da Educação e da Saúde, sendo um motor para o empreendedorismo, valorização da produção nacional e promoção de estilos de vida e hábitos alimentares saudáveis. O  Food & Nutrition Awards tem como objectivos: (1) reconhecer a inovação na industria agroalimentar como motor de crescimento económico, (2) reforçar a relevância das ciências da nutrição e alimentação e o seu impacto na saúde, (3) promover, premiar e reconhecer projetos inovadores e  (4) dar visibilidade a produtos e serviços que se caracterizem pelo mérito e excelência no seu segmento.

O Movimento Zero Desperdício foi o vencedor na categoria de Iniciativa e Mobilização e foi criado em 2012, pela Associação para a Recuperação do Desperdício (DARIACORDAR), com o intuito de promover a recuperação de excedentes alimentares na forma de comida confeccionada e não servida. Com esta criação, pretendeu-se “acordar” as pessoas e as instituições para a realidade do desperdício alimentar e os impactos económicos, sociais e ambientais que lhe estão associados. Ao mesmo tempo, pretendemos despertar ações comunitárias de boa vizinhança e de solidariedade. Através do esclarecimento da interpretação da Lei sobre higiene e segurança alimentar e procedimentos associados, foi possível criar as condições para atingir o objectivo final – que as refeições de um dia não vão parar ao lixo mas sim à mesa de quem precisa.

Na categoria de Investigação e Desenvolvimento o vencedor foi o projeto Nutricap, desenvolvido pela Universidade do Minho. O Nutricap é um hidrogel à micro- e nano escala resultante da interação de duas proteínas do soro do leite. Este hidrogel, constituído por cadeias poliméricas, hidrofílicas e tridimensionais, para além das suas propriedades funcionais inerentes às proteínas utilizadas permite, ainda, a incorporação de compostos lipofílicos e hidrofílicos, funcionando como um veiculo para uma libertação controlada e localizada. Estas partículas são passíveis de ser incorporadas em diferentes tipos de alimentos. O Nutricap permite também utilizar compostos bioativos hidrofóbicos em meios aquosos assim como mascarar alguns dos sabores que alguns deles apresentam. Além destas vantagens, será possível uma incorporação mais “controlada” de compostos bioativos, levando a que sejam necessárias menores quantidades de compostos bioativos nos alimentos.

O arroz integral Pato Real Minuto, desenvolvido pela Ernesto Morgado S.A., foi o vencedor na categoria de Produto Inovação. A gama Pato Real Minuto lançou uma nova receita ainda mais conveniente e nutritiva: arroz integral pronto em apenas 1 minuto. Saudável e pronto a saborear, este produto é uma fonte de minerais, vitaminas e fitonutrientes. O arroz integral Pato Real Minuto, pré-cozido e esterilizado, apresenta 2 grandes vantagens face ao arroz integral cru disponível no mercado: primeiro, a elevada conveniência pois já está pronto-a-comer e o seu período de validade de 1 ano.

Na categoria de Serviço Inovação, o vencedor foi o projeto Movelife, desenvolvido pela Movelife Lda. A Movelife é um software web de avaliação nutricional direccionado para o setor da panificação, hotelaria, restauração e similares. A solução permite efectuar a avaliação nutricional de uma receita e dar acesso aos seus valores nutricionais, informar da presença dos 14 alergénios nos alimentos ou os produtos, se a receita é apta para determinadas doenças e a sua adequação às necessidades nutricionais diárias. A Movelife é o único programa tecnológico exclusivamente adaptado ao setor autónomo, onde não são necessários técnicos alimentares ou empresas.

 

 

Fonte: sicnoticias.sapo.pt e foodandnutritionawards.pt
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