Nicolau Breyner: O adeus triste ao Sr. Contente

nicolauAtor, realizador, e autor da primeira novela portuguesa. Pai de duas filhas, casou três vezes. Fez de homem, de mulher, de bom e de vilão. Fez rir e fez chorar. Mas mais do que nunca fez chorar todos aqueles que sem aviso lhe disseram adeus.

Meus Senhores… A missão do actor é simplesmente emocionar as pessoas. Levá-las ao riso ou às lágrimas. Fazer com que nos odeiem ou nos amem. Enfim….é fazê-las sonhar. Quando isso acontece, a vossa missão está cumprida.

As curiosidades sobre Nicolau Breyner começam exactamente no nome do actor. E se lhe dissermos que Nicolau não era o primeiro nome, nem Breyner o último apelido? João Nicolau de Melo Breyner Lopes, nome completo do ator, nasceu a 30 de julho de 1940, em Serpa. Passou a sua infância no Alentejo, mudando-se mais tarde para Lisboa, uma mudança que exigiu habituação – “Era um animal de campo, estava habituado a levantar-me às seis da manhã e ir para o campo com o meu avô”.

Já na capital, começou a estudar canto na Juventude Musical Portuguesa.  Concluiu o ensino secundário no liceu Camões, ingressando mais tarde na Faculdade de Direito de Lisboa, com o sonho de se tornar diplomata. De diplomata a ator foi apenas um passo. Nicolau desistiu do curso e mudou-se para o Conservatório Nacional, onde se inscreveu no curso de canto, e mais tarde, no de teatro.

Na verdade, Nicolau poderia ter sido cantor de ópera, sendo-lhe reconhecidos grandes dotes vocais. Mas o ator rapidamente percebeu que não conseguiria aceitar as regras e o rigor da profissão “As leis da ópera são de alta competição: não beber, não fumar, não apanhar sol, ter cuidado com a alimentação, não namorar muitas meninas. Foi quando disse: ‘Nem pensem nisso.’ Eu queria viver!”.

Os primeiros passos como ator foram dados ainda enquanto aluno do Conservatório. Foi através de um convite de um professor, Francisco Carlos Lopes Ribeiro, que integrou o elenco da peça Leonor Teles. Com um papel que alguns poderiam considerar de pouco destaque, Nicolau não passou despercebido aos olhos dos principais produtores de teatro. Do pequeno papel passou a cabeça de cartaz nos teatros de revista do Parque Mayer, onde contracenou com figuras nacionais da comédia portuguesa, como Raul Solnado.

Casou-se pela primeira vez aos 25 anos, relação que terminou ainda durante a lua-de-mel. Sobre este casamento breve, Nicolau esclareceu a curiosidade “Porque é que quis casar? Fiz muita coisa na vida que ainda estou para perceber porquê”.

Apesar de não se ter tornado cantor de profissão, o canto esteve sempre presente na vida de Nicolau, sobretudo no teatro de revista. Mas o talento do ator foi mais além. Em 1968 concorreu ao Festival da Canção, interpretando “Pouco Mais”, da auditoria de César de Oliveira (letra) e de João Vasconcelos (música). Perdeu a vitória para Carlos Mendes, mas conquistou o 4º lugar na competição.

A nível profissional, os palcos não foram a sua única conquista. Antes do 25 de Abril dedicou-se ao teatro radiofónico na Emissora Nacional, assim como ao cinema, participando em vários filmes. Mas foi apenas após a revolução, que Nicolau se tornou num fenómeno de popularidade, como lançamento do seu primeiro programa de televisão, ‘Nicolau no País das Maravilhas’. O programa contava com pequenas peças de humor em que era feita uma crítica da situação económica e política do país.

E se falarmos do Sr. Feliz e do Sr.Contente? Foi com esta rábula que Nicolau Breyner dava a conhecer ao público português aquele que se viria a tornar num dos grandes humoristas nacionais, Herman José. Juntos, falavam da situação do país, cantando o famoso “Diga à gente, diga à gente, como vai este país”.  O sketch, que se tornou viral, proporcionou ao ator algumas aventuras –‘ Num espetáculo no Porto, no Palácio de Cristal, eu e o Herman tivemos de sair por uma janela e entrar no carro da policia, tal era a loucura. Com esse sketch nasço como ator de televisão’, contou à Noticias Magazine em 2014.

O percurso no humor continuou, com o programa Eu Show Nico, em 1980. No entanto, não tardava a que Nicolau começasse a dar cartas no mundo das telenovelas. Escreveu a primeira novela portuguesa, Vila Faia, em conjunto com Francisco Nicholson e Thilo Krassman. Mas o contributo de Nicolau não ficava apenas atrás das câmaras. O ator português integrou o elenco da novela transmitida em 1982 pela RTP1,com o papel de João Godunha.

Nos anos seguintes dividiu-se entre a televisão e os palcos, acabando por fundar a sua própria produtora de televisão, a NBP. Nicolau Breyner dedicou-se sobretudo à televisão, com várias séries entre as quais o Euronico e o Reformado e Mal Pago. Mas como homem dos sete ofícios que demonstrou ser ao longo dos anos, rapidamente saltou para os ecrãs de cinema. Integrou o elenco de filmes como Jaime, Inferno e Os Imortais.

Com um vasto trabalho transversal aos vários formatos, Nicolau foi distinguido em 2005 com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito, pelo então Presidente da Republica, Jorge Sampaio.

Um homem camaleónico, que de ator rapidamente se transformava em produtor, realizador e argumentista. Ao longo da sua carreira, participou em mais de 50 filmes, recebendo 3 Globos de Ouro, entre diversos prémios com que foi sendo distinguido.

Em 2010, em entrevista ao Publico, Nicolau  falou daquela que pode ser a formula para o sucesso, indicando as proporções matemáticas para o atingir –  “Quando dizem que a nossa profissão é 30 por cento de talento e 70 por cento de trabalho, é ao contrário. Doa a quem doer. E provo. São 75 por cento de talento e 25 por cento de trabalho. Os 75 foram-me dados por Deus, não tenho por que ser orgulhoso. É-se orgulhoso do que fazemos, do que produzimos”.

Recentemente realizou filmes como a Teia de Gelo e os Sete Pecados Rurais e integrou a nova versão da novela Jardins Proibidos, fazendo igualmente parte do elenco de Virados do Avesso.

Quando se chega à minha idade tem-se saudade inclusive das coisas más. Não é só das boas. Porque, no fundo, temos saudades de nós próprios.

Em entrevista ao jornal Publico, Nicolau confessou que não se sentia a envelhecer, mas que o cancro que lhe fora diagnosticado lhe tinha dado “a certeza de que isto ia acabar mais cedo ou mais tarde” reconhecendo que “O fim está mais próximo do que estava há dez anos”.

Ao longo dos anos marcou o panorama do teatro, do cinema e da ficção nacional. Fez sorrir, gargalhar, fez pensar e fez chorar. Deixou saudades nos intervalos em que estava longe do olhar dos portugueses. Agora deixa saudades do adeus inesperado.

Sobre como gostaria de ser lembrado, Nicolau dizia “Ser lembrado já é bom”. E os portugueses vão lembrá-lo para sempre.

Fontes: Público; Notícias Magazine
Foto: Página FB

Primeiro o canto, depois os chocalhos. Tudo arte nacional com reconhecimento mundial.

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A arte de fabricar chocalhos em Portugal foi considerada Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, pelo risco de deixar de existir.

É em terras alentejanas que o fabrico de chocalhos em Portugal tem maior destaque e expressão. Mas agora assumiu uma dimensão mundial ao ser classificado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.  A distinção foi aprovada, dia 1 de dezembro, pelo Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial reunido na Namíbia.

A conquista desta distinção facilitará a preservação e protecção desta arte secular, apostando em medidas de salvaguarda e promoção da mesma.

A arte de fabricar chocalhos foi em tempo a grande actividade de muitos portugueses. Com o passar do tempo, a tradição perdeu-se e poucos são aqueles que ainda se dedicam a esta arte nacional. O perigo de desaparecimento desta arte foi uma das razões que levou a UNESCO a aprovar a candidatura portuguesa, em maio do ano passado.

O responsável pela candidatura, Paulo Lima, explicou ao Observador que dos 13 mestres chocalheiros existentes no país, maioritariamente no Alentejo, “nove têm mais de 70 anos e os outros têm entre 30 e 40 anos, mas nenhum tem aprendiz”. Esta candidatura foi organizada pelo Turismo do Alentejo, em parceria com a Câmara de Viana do Alentejo e Junta de Freguesia de Alcáçovas.

Quanto aos chocalhos, Paulo Lima explica tratarem-se de “uma espécie de GPS do gado que permite saber onde estão os animais”, acrescentando que se trata de algo que corresponde à identidade dos campos e do mundo rural português.

Nos Açores, António Ferreira da Costa, de 80 anos, é o último chocalheiro do arquipélago. Perante a classificação atribuída pela UNESCO, o resistente chocalheiro disse à agência Lusa que sentia um misto de “alegria e tristeza”. Considerou que “É uma alegria, porque é reconhecido, e torna-se triste, porque isto vai desaparecer no futuro, é certo”.

António Ferreira da Costa reside em Posto Santo, concelho de Angra de Heroísmo, na ilha Terceira e alberga, na sua casa, um “museu” com cerca de 700 chocalhos. A produzir chocalhos desde 1956, António Ferreira da Costa tem ensinado a arte a um dos netos.

A candidatura foi congratulada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que relembrou que este foi o primeiro elemento inscrito por Portugal na Lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO que Necessita de Salvaguarda Urgente.

Recorde-se que já no ano passado Portugal tinha sido distinguido, com a classificação do Canto Alentejano como Património Cultural Imaterial da UNESCO.

 

Fontes: Observador e CM
Foto: Freguesia de Alcáçovas

De Portugal para o Mundo. Do Mundo para Marte.

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De Portugal para Marte. Esta é a frase que de uma forma bastante resumida pode descrever Nuno Silva. Aos 36 anos, o jovem engenheiro aeroespacial, que já trabalhou em países como França e Reino Unido, integra a equipa que prepara a expedição a Marte.

Já dura há sete anos o sonho de descobrir vida em Marte. O trabalho começou em 2008 e tem como objetivo enviar para Marte um robô europeu com o intuito de procurar sinais de vida neste planeta.

O jovem português, que se licenciou no Instituto Superior Técnico, começou por assumir a coordenação de uma equipa que desenvolveu a navegação autónoma do robô, tendo abandonado esse cargo e assumido funções de gestão dentro da Airbus.

Nuno Silva explica o que o fascina no mundo aeroespacial e todos os detalhes desta missão que pode mudar a forma como vemos o mundo.

Será que Marte está realmente morto? A resposta está para breve. Mas até lá, Nuno Silva esclarece alguns detalhes. Mais um projecto à escala mundial que conta com uma assinatura portuguesa.

 

Como é que começou esta paixão pelo universo aeroespacial?

A paixão sempre existiu e foi alimentada pelo cinema. Filmes e séries como Star Wars ou Star Trek alimentaram a paixão mas diria que já havia algo. No entanto penso que muitas pessoas terão motivações semelhantes. O que fez a diferença foi curiosamente a minha professora de Biologia no 12° ano. Perguntou o que queríamos seguir e eu já altura hesitava entre medicina, engenharia ou física (e provavelmente acabaria numa mistura de todos), mas sobretudo porque “sabia” que espaço era irrealista. Acabei por partilhar um bocado esse sentimento e foi ela quem me falou de engenharia aeroespacial no IST. E isso foi claramente o maior catalizador.
Durante o curso em Portugal e em França, a exposição à área apenas aumentou o meu interesse. O facto de acabar por estagiar na área foi o início de algo verdadeiramente real e concreto.

O que é que o fascinava (e fascina) nesta área?

O que me fascina é o desconhecido, a exploração, os desafios técnicos e o conhecimento que esta exploração traz.

Em Portugal esta é uma área pouco explorada? Como é ser português numa área em que as principais apostas e desenvolvimentos são internacionais?

Não é tanto que a área é pouco explorada mas mais que na realidade há pouco para explorar. É uma área política: não se investe em exploração espacial pelo lucro mas pelo conhecimento e tecnologia. A forma como funciona na prática é a consequência do “retorno justo” da agência espacial europeia: cada país membro recebe de volta um volume de trabalho proporcional ao investimento que o país faz na agência. Como o estado português contribui pouco, recebe pouco. Sendo uma área em que é preciso muito investimento para alcançar resultados de maior importância, os nossos resultados são pouco visíveis por natureza.

Nesta área como noutras temos de deixar de pensar em países, o estado de espírito é outro. Nesta área falamos de Europa, EUA, Rússia (sobretudo antiga URSS). Portanto é uma área europeia e só perdemos quando pensamos nas nossas fronteiras. O nível de investimento é tal que precisamos de todos. Sinto portanto bastando orgulho como Europeu que sou do que a Europa consegue alcançar com meios inferiores aos dos EUA por exemplo. Sinto-me portanto bastante integrado e ser Português é quase sempre um detalhe.
Há de facto algumas complicações porque esta área por vezes está ligada à defesa nacional de países mas essa é uma área em que a UE ainda não evolui suficientemente. Neste caso pode ser de facto complicado.

Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima. (..) A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação.

Quais as principais dificuldades e os principais desafios que encontrou para entrar nesta área?

Várias… Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima.
A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação. Por exemplo, com cadeiras e projectos da indústria.
A realidade desta indústria… Muito politizada, durações muito longas, montagens industriais ridículas, etc

Marte é agora um objectivo. Como começou todo este projecto da criação de um robot?

A verdade é não estive envolvido no início. O projecto “final” é enviar seres humanos a Marte (como se foi à Lua). Para alcançar esse objectivo tem de se conhecer melhor o planeta, as condições na superfície, as zonas seguras e de interesse científico, desenvolver as tecnologias necessárias para ir a Marte em segurança, aterrar e regressar. Estamos na fase inicial desse objectivo.
Enquanto não for seguro para seres humanismo enviam-se máquinas inteligentes (satélites e robôs).
ExoMars corresponde portanto à primeira fase da ida do Homem a Marte. Começou em meados da década de 2000 criado pela agência espacial europeia (ESA).
Porquê ir a Marte? Para perceber melhor a origem do universo e da vida.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte.

Em que consiste esta expedição a Marte? (datas previstas, duração, meios envolvidos…)

O programa ExoMars é composto por duas missões: uma em 2016 e outra em 2018 (só se pode ir a Marte de 26 em 26 meses devido alinhamento relativo de Marte com a Terra). Inicialmente era apenas uma missão mas por várias razões que não vou detalhar foi preciso dividir em duas diferentes.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte. É também essencial porque também inclui o satélite que ficará à volta de Marte para garantir as comunicações do Roger em 2018 com a Terra (o Rover fala para o satélite e o satélite para a Terra, e vice-versa). Este satélite também inclui um instrumento para detectar metano na superfície: este gás é geralmente associado à vida porque uma das origens mais provável para o metano é como o resultado do metabolismo de seres vivos. Esta informação ajudará a decidir o local para aterrar e fazer a missão em 2018.

A missão de 2018 é a “joia da coroa”: um rover altamente autónomo e com instrumentos para detetar sinais de vida no passado ou no presente. Contém uma máquina de furar que conseguirá recolher amostras a 2m de profundidade e portanto ver o passado de Marte! O Rover é de facto um carro de 6 rodas mas bastante inteligente: na Terra os operadores apenas lhe dizem para onde querem que ela vá (coordenadas do destino) e o Rover encontra um caminho rápido e seguro até lá seguindo-o com grande precisão.

A missão na superfície é suposta furar pelo menos seis meses (por causa das estações em Marte no inverno não há energia que chegue e há demasiadas tempestades de areia para operar). No entanto é preciso lembrar que missões anteriores eram supostas durar 3meses e passados mais de 10 anos ainda operam na superfície (rover Opportunity da NASA). “Apenas” é preciso que o Rover “acorde” quando o inverno acabar mas isso é difícil de garantir.

A viagem para Marte para ambas as missões durará cerca de 9 meses. A de 2016 será lançada em Março se tudo correr bem e a de 2018 será lançada em Maio desse ano. O Rover deverá estar a explorar a superfície de Marte desde Janeiro de 2019.

Ambas as missões são lançadas por um foguetão Russo (Proton) dado que este é agora um programa conjunto entre as agências espaciais Europeias e Russas.
O centro de controlo para o Rover (ROCC: Rover Operations Control Centre) será em Turim em Itália e o centro de controlo para todos os outros elementos da missão será no ESOC (centro de controlo da ESA) perto de Frankfurt na Alemanha.

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes.

Como é coordenar uma equipa de mais de 20 pessoas para um projecto tão ambicioso?

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes. O projecto ExoMars em si, só na Airbus DS no Reino Unido tem cerca de 150 elementos!
Tenho portanto de coordenar cerca de 25 pessoas em vários projectos. É preciso uma estrutura com delegação de responsabilidades mas com boa comunicação nos dois sentidos. Faço a ponte entre as várias equipas e projectos para que todos beneficiem das experiências dos outros. É importante dar prioridades e preparar o futuro, por isso é uma “batalha” constante entre fazer o que é necessário nos projectos actuais mas investir tempo e recursos em tecnologia que nos permita fazer as missões do futuro.

Quais as diferenças desta expedição, relativamente às realizadas pela NASA?

Há diferenças técnicas (engenharia pura) e científicas. Os rovers da NASA desempenham sobretudo missões de geologia enquanto o nosso europeu (ExoMars) é uma missão também biológica, ie, equipada para detectar vida actual ou sinais de vida do passado. Os instrumentos de ExoMars são portanto o ideal quando se procura vida enquanto as missões de geologia estão mais focalizadas em perceber a formação dos planetas e do universo (e indiretamente da origem da vida). Um instrumento chave é a sofisticada máquina de furar que permite recolher amostras até 2m de profundidade e “viajar ao passado”.
Falando de engenharia, o nosso Rover é muito mais autónomo que os precedentes. Desde coisas simples como poder virar as seis rodas (andar de lado tipo caranguejo) ou mudar de direção ao mesmo tempo que se anda para a frente (os da NASA têm que parar para virar as rodas), a capacidade para calcular uma trajetória segura e eficaz assim como ser capaz de a seguir com grande precisão é muito maior que os predecessores da NASA. Apesar de ser uma diferença em engenharia, isto permite ao rover ir à locais até agora fora do alcance dos cientistas.

Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.

Quais são as expectativas (em termos de resultados) para esta expedição a Marte?

As expectativas são de sucesso! Muito, mas mesmo muito, pode correr mal numa aventura destas até à superfície de outro planeta. Neste domínio a Europa ainda não está ao nível dos EUA e esta missão servirá a passar à frente.
Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.
Há outro tipo de sucesso… A sensibilização das pessoas para esta indústria e um melhor apoio.

Estará Marte realmente morto?

Talvez… Mas ninguém tem a certeza! E sobretudo ainda menos se sabe acerca do passado passado. Talvez esteja morto agora mas não tenha estado no passado. Responder a esta pergunta avançará a compreensão da origem da vida. Não porque a vida tenha vindo de Marte para a Terra como dizem algumas teorias mais exóticas, mas porque permitiria compreender e/ou comprovar os processos que dão origem à vida.
Mas é para responder a essa e a outras questões importantes que se enviará o ExoMars rover!

 

Foto: DR

UP Awards- agora já pode votar no empreendedorismo

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Pela primeira vez os prémios UP vão estar nas suas mãos, ou melhor, no seu voto. A votação para escolher os empreendedores está agora aberta ao público.

Conhece algum projecto que gera valor? E pessoas que se destacam pela rede de contactos, o conhecido “networking”? Então esta pode ser a oportunidade de os premiar, começando por nomeá-los para os prémios UP, organizados pela Portugal Startups.

Os UP Awards são uma iniciativa do PortugalStartups.com que pretende celebrar o sucesso e reforçar a visibilidade do empreendedorismo nacional envolvendo o país de Norte a Sul e funcionando como elemento agregador de todas as entidades em Portugal in comunicado de imprensa

A fase de nomeações começou no início do mês e terminou no dia 27. No dia 5 de outubro serão anunciadas as shortlists e aberta a votação para os vencedores em dez áreas distintas, entre as quais estão categorias como a “Incubadora do ano”, “Acelerador do ano”, “Startup B2C do Ano”, “Startup B2B do Ano”, “Fundador do Ano”, “Universidade Mais Empreendedora” e “Jornalista de Startups do Ano”.

O concurso trata-se de uma iniciativa da Portugal Startups, numa parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, a SAGE e a Microsoft, e pretende reconhecer aquilo que de melhor é feito no universo do empreendedorismo em Portugal, destacando não só organizações, mas também pessoas de relevância neste domínio.

Após a selecção dos nomeados feita pelo público, vão ser anunciados os finalistas (dia 5 de outubro) que estarão sujeitos a votação até dia 26 de Outubro. No dia seguinte a fecharem as votações serão anunciados os finalistas das diversas categorias. Os vencedores apenas serão divulgados um mês mais tarde, numa gala comemorativa destes prémios.

Fonte: Portugal Startups
Foto: DR

Um português entre os 100 mais influentes da tecnologia financeira mundial

Feedzai_Sebastiao_FEU2014_stage[1]É português, chama-se Nuno Sebastião e é CEO da Feedzai. Mas a estes dados pessoais e profissionais, acrescenta-se agora o facto de estar entre os 100 líderes mais influentes do mundo em tecnologia financeira. A nomeação foi feita pela Hot Topics, plataforma online de partilha de histórias do mundo tecnológico .

O português figura ao lado de nomes de importantes empreendedores de empresas como a Apple, Mastercard ou Microsoft. No processo de selecção, segundo revela o comunicado da empresa, estiveram presentes três critérios fundamentais: lançaram uma start-up ou negócio inovadores que abriram um precedente para a restante indústria,utilizam a tecnologia em benefício do sistema financeiro e são uma força motriz na sua evolução.

Fundada há quatro anos em Coimbra, a startup Feedzai liderada por Nuno, desenvolve processos que articulam inteligência artificial e machine learning no processo de análise de dados. No fundo, a empresa pretende desenvolver padrões de comportamento do consumidor nas compras que realizam, procurando assim minimizar os riscos, tanto online como offline.

Portugal foi apenas o ponto de partida para a empresa, que em pouco tempo se expandiu para os Estados Unidos, onde conta com uma vasta carteira de clientes, entre os quais a Vodafone, a Deloitte e a Ericsson.

Fontes: Feedzai e Dinheiro Vivo
Foto: finovate

 

Maria BodyLine – empreendedorismo jovem madeirense na moda

Maria3De um modo geral as mulheres sonham com sapatos, malas, acessórios. Mas por vezes encontrar o que sonhamos não é possível fora do mundo dos sonhos. Maria Furtado Cunha prova que é possível tornar os sonhos realidade. Com raízes na Madeira, veio para Lisboa estudar Arquitectura na Universidade Lusíada. Criativa e com o sentido estético apurado, passou dos projectos de edifícios, com régua e esquadro, para o design de bodies diferentes e arrojados.Aos 25 anos, a Maria criou a marca Maria BodyLine.
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Maria sonhava com bodiess, mas não encontrava aquele que considerava ser o perfeito nas lojas. Provavelmente a comum das mulheres teria encontrado uma alternativa à sua peça de roupa de sonho. Mas a Maria fez diferente. Com a determinação que a caracteriza, decidiu ser autora do projecto que procurava.
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Há um ano mergulhou num novo mundo, de tecidos e modelos, e criou o seu primeiro body, a que chamou My Maria. Com a peça de sonho concluída, começaram a surgir novas ideias, novos modelos, todas elas cada vez mais originais e irreverentes.
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A Maria apresentou esta semana a primeira colecção da marca, num desfile que procurou transformar num momento de emoções, mais do que numa mera passagem de modelos.O desfile foi preparado ao pormenor, com a perfeição e rigor que a autora do projecto coloca naquilo que faz. Nos bastidores predominava a animação, com glamour, em que se ouviam gargalhadas entre a maquilhagem e o som do secador. Os cabelos estavam assegurados pela Maria Meneses, enquanto que a maquilhagem foi feita pela The Pink Lemonade, Marta Alves e pela Inês Aguiar, que fizeram com que existisse harmonia perfeita entre a luz do olhar e a sensualidade dos bodies com que as modelos iam desfilar na passerelle da discoteca Urban Beach.
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 Os minutos passavam, o nervosismo aumentava, e o grande momento estava a chegar. A Maria estava prestes a ver o seu sonho concretizado. Perto da meia noite, o desfile começou. Com um toque de Victoria Secret, os anjos da Maria BodyLine começaram a desfilar, ao som de uma música da Beyoncé, na voz da cantora Tessy Hill.
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O desfile não foi tradicional. Quem desfilava, divertia-se, dançava, transmitindo a alegria, sem nunca esquecer a sensualidade e elegância. Mas as surpresas preparadas pela Maria pareciam não terminar. O último momento do desfile teve como protagonista o cantor Agir, que cantou a sua música ‘Ela parte-me o pescoço’, ao som da qual as modelos desfilaram pela última vez. Mas o desfile foi apenas mote e resultado de todo um projecto empreendedor a que a Maria se propôs. O desafio de concretizar um sonho, com a excelência que a caracteriza, marcando a diferença e afirmando-se como uma empreendedora capaz de aliar à inovação à qualidade. Este foi apenas arranque deste projecto que promete não parar de surpreender.
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Para as mais festivaleiras, para as mais divertidas e para as mais sensuais, a Maria BodyLine vai continuar a dar que falar com aqueles que se acredita serem os bodys do momento.Maria1

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O evento foi apresentado por Constança Lameiras que também foi responsável por este artigo.

As fotos são de Frederica Ferreira, Zaphi, João Mendonça e Marta Alves (The Pink Lemonade).

Agradecimentos: K – Urbam Beach, Agir, Tessy Hill, Marta Alves e Inês Aguiar.

Maria Body Line no Facebook

 

 

 

 

Mãe Carmo: o sonho moçambicano

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Versatilidade é uma das palavras que melhor define Carmo Jardim. Directora de Relações Governamentais e Institucionais da Volskswagen Autoeuropa, divide o seu tempo entre o trabalho de todos os dias e um dos seus projetos de vida, a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique. Sem filhos, é mãe de vários jovens moçambicanos por quem move mundos e fundos no sentido de lhes proporcionar melhores condições de vida e de educação. O projeto conta também com a colaboração de alguns padrinhos, que se juntam a Carmo Jardim nesta vontade de fazer a diferença na vida dos outros. ‘Mãe Carmo’, como é conhecida entre a comunidade que apoia, move-se por sorrisos e diz que criar a organização foi o concretizar de um sonho. Com orgulho no que já conquistou, mas consciente de que ainda há um longo caminho a percorrer, Carmo Jardim partilha histórias, sucessos e projectos para aquele que é um dos grandes projectos da sua vida, a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique.
Quando e como surgiu esta paixão por Moçambique?
Moçambique está no meu coração desde que eu me conheço como gente. Não nasci lá, só por acaso… Mas foi lá que eu passei a minha infância e a minha adolescência, foi lá que cresci e me fiz mulher.
O que é que estas pessoas têm de especial?
Quando se cresce numa terra como Moçambique, ao lado daquele povo tão sacrificado e encantador, é impossível não ficar amarrado para sempre! São pessoas que atravessam os momentos mais dramáticos e as situações mais difíceis com uma enorme coragem e confiança num futuro melhor. Infelizmente parece que esses tempos melhores ainda tardam a chegar. E é por essa razão que tudo o que possamos fazer para as ajudar é sempre pouco.
Como é que surgiu a ideia de criar a ONG SIM?
Desde que regressei a Moçambique pela primeira vez depois da independência, em 1995, que pude observar as condições de extrema carência em que viviam muitas comunidades. Fui sobretudo muito sensibilizada pela marginalização chocante das comunidades de pescadores do arquipélago do Bazaruto, que eu visitara muitas vezes na minha juventude. Fui ajudando como pude, com os meus modestos recursos pessoais e o contributo de alguns amigos, e a um dado momento falando com amigos moçambicanos pensámos que uma ONG teria outras oportunidades de captação de apoios. Assim nasceu a ONG SIM, Solidariedade Internacional a Moçambique.
Que projecto é este?
É o projecto de uma vida, da minha vida. Venho de uma família de muitos irmãos, tenho muitos sobrinhos que amo como filhos e a um certo passo da minha vida decidi não ter filhos e dedicar as minhas energias a ajudar causas, ajudar aquelas pessoas, que eu mal conhecia, mas cujos sacrifícios me doíam tanto. Os recursos são escassos, mas tentamos com imaginação e perseverança ir superando os obstáculos.
Quais são as áreas/regiões de intervenção?
Por agora, e para optimizar os recursos disponíveis na solução de problemas imediatos, concentrámos o nosso trabalho na Zona Norte da Ilha do Bazaruto e no Inhassoro, província de Inhambane, nas areas da educação, da saúde e do ambiente.
De que forma apoia as crianças?
Desde o início que constatámos que o grande obstáculo à promoção social daquelas comunidades era a educação. Com condições muito precárias na escola local, Sitone, da zona norte da Ilha do Bazaruto e sem recursos financeiros para prosseguir estudos no continente, a esmagadora maioria das crianças ou não ia ás aulas ou ficava pelos primeiros anos de escolaridade. Decidimos portanto ajudar a criar condições para tornar a escola mais atractiva. Distribuímos material escolar, roupas, equipamentos desportivos e financiámos obras nas instalações. Argumento decisivo para levar as crianças a gostar da escola foi a distribuição de uma lanche diário, que temos conseguido manter de há alguns anos para cá.
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Que histórias de sucesso nos pode contar?
Nesta matéria, o grande sucesso é fazer chegar jovens à universidade. E temos já dois casos que terminam a universidade este ano, no curso de Direito da Universidade Católica da Beira, o Pedro Maluane, na Universidade da Beira, termina o curso de gestão e finanças a Lucinda Cumbe e no 2º ano de Gestão Agrária na Universidade de Vilankulo o Arnaldo Chibale. Mas para nós, cada criança que avança um ano e dá mais um passo na sua promoção pessoal, é um caso de sucesso também!
De que forma podem outras pessoas apoiar as crianças da ONG SIM?
A forma mais directa, para quem pretenda fazer um contributo pontual, é fazer donativos numa das nossas contas em Portugal ou Moçambique. Também temos o programa de apadrinhamento das crianças, que basicamente consiste em bolsas para estudarem no ensino secundário no Inhassoro, e ainda para o programa do lanche escolar. Nestes dois casos os contributos são regulares e mensais.
Trabalha na Volkswagen Autoeuropa e tem vários compromissos profissionais. Como é que encaixa a ONG SIM no seu dia-a-dia?
Da forma mais natural do mundo: quando há um momento livre, dedico-o à SIM. Quando não há, e é mesmo preciso… invento-o!
O que é que a apaixona neste projecto?
Saber que há um número imenso de pessoas a precisar da nossa ajuda e que tudo o que eu possa fazer faz alguma diferença na vida de algumas dessas pessoas. Não podemos resolver todos os problemas e as desigualdades do mundo, mas podemos fazer a nossa parte. E se cada um fizer a sua parte, podem crer que o mundo vai melhorar e estas pessoas vão ter uma vida um pouco menos dura, pelo menos.
Numa frase, “A ONG SIM é…”
Um sonho feito realidade… E um caminho ainda longo para fazer…
Que planos tem para o futuro? Onde quer chegar com esta organização?
Neste tipo de actividade não há linha de chegada. Só há ponto de partida. No futuro é continuar o que estamos a fazer, tentar juntar mais apoios para poder contribuir para a promoção social de um maior número de crianças e adolescentes, não esquecendo o apoio que também queremos dar aos mais velhos. Há sempre mais e mais a fazer… Espero que a ONG SIM se consolide como um agente activo de cooperação para o desenvolvimento e que durante muitos e muitos anos possa continuar, com mais gente e mais recursos, a obra que vem sendo realizada.
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Para mais informações sobre a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique, pode consultar www.ongsim.org ou visitar a página de Facebook da organização.
Fotos: DR

Inês Caleiro (Guava) – Empreendedorismo além-fronteiras com assinatura portuguesa

Ines caleiro

Apaixonada desde sempre pela moda, Inês Caleiro conta com um percurso feito no estrangeiro, tendo chegado mesmo a estagiar na conceituada Jimmy Choo. Entre Portugal e a Noruega, é atualmente CEO e diretora criativa da GUAVA. A jovem designer portuguesa partilhou o seu percurso e os desafios deste projeto. Um exemplo de empreendedorismo nacional que conquistou mercados além fronteiras.

 

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

1 – Como foi o seu percurso académico? 

Estudei Design Gráfico no Iade e desde sempre a areá da Moda me fascinou. Decidi logo que terminei o curso de Design Gráfico seguir para Londres e tirei uma Pós Graduação na London College of Fashion em Fashion design & Accessories. Neste curso, o meu projecto foi votado o melhor e com esse mérito recebi o prémio de melhor aluna do curso e consequentemente fui convidada para estagiar na conceituada Jimmy Choo.

 

2 – Participou no programa InovContacto. Como foi esta experiência? 

A experiência do Inov Contacto foi extremamente gratificante. Experenciei não só a realidade do sonho americano, como a oportunidade de trabalhar numa das empresas de Design de Produto de luxo com forte impacto naquele mercado. A possibilidade de construir e desenvolver a marca nos EUA teve um enorme valor para o meu percurso. Conhecer a realidade de desenvolver e promover uma marca de perto é extremamente enriquecedor.

 

3 – Que portas é que esta experiência lhe abriu?

Esta experiência trouxe-me acima de tudo o desejo e a vontade de começar algo. De desenvolver uma marca e desafiar-me a mim mesma. Além obviamente de ter conhecido e criado um network de pessoas que permitiram que o meu projecto começasse a ganhar forma.

 

4 – Entretanto surgiu a GUAVA. O que é a GUAVA?

A Guava é uma marca de design de sapatos, inteiramente inspirada em arquitectura e formas geométricas. É uma marca produzida em Portugal feita com enorme dedicação pelas mãos dos nossos artesãos portugueses.

 

5 – O que é que estes sapatos têm de diferente dos que já existem no mercado?

O cunho dos nossos sapatos está nos saltos altos geométricos. A nossa imagem de marca é essencialmente a arquitectura desenhada em cada salto. Todos os saltos são feitos por nós e exclusivos da Guava.

 

6 – Em que mercados se encontra a GUAVA ? Que mercados querem alcançar?

Neste momento estamos representados essencialmente na Europa, Rússia e Arabia Saudita. Estamos a estabelecer contactos com o mercado asiático e procuramos também apostar no mercado dos EUA.

 

7 - Recentemente a GUAVA fez uma parceria com a Baguera, para a criação de uma clutch. Como surgiu e em que consistiu esta parceria?

Foi super interessante o contacto entre a Guava e a Baguera. Eu e a Branca conhecemo-nos há algum tempo, quando a Guava ainda estava nos seus primeiros meses de existência. Sempre admirei o trabalho da Branca e a vontade de colaborarmos um dia. A ideia surgiu numa conversa de what’s app onde ambas revelamos o interesse em fazermos uma colaboração e rapidamente as ideias começaram a borbulhar.

 

8 – Quais os resultados alcançados?

O impacto na impressa tem sido bom. Temos estado a ter visibilidade e procura.

 

9 – Está entre Portugal e a Noruega (Oslo), numa marca que se começa a espalhar pelo mundo. Como sente que é visto Portugal e o que é feito no nosso país? Portugal está na moda?

Creio que os portugueses têm algum receio da imagem que passamos para fora, esses receios não deveriam existir. Em todas as culturas e países existem características boas e outras menos boas. Portugal tem sabido aos poucos “mostrar-se” e isso devido a esta nova “geração” de empreendedores e “conquistadores”. Em geral do que vejo por onde passo, está a acontecer esta vaga de “entrepreneurs”, e em Portugal estamos cada vez mais bem representados, é essa geração que está a saber passar a imagem que todos nós jovens queremos que Portugal tenha lá fora. Graças a isso os comentários que ouço são positivos e de reconhecimento por o que temos em Portugal.

 

10 – Como é ser-se um empreendedor português, no contexto mundial? É uma vantagem ou levanta algumas limitações?

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

11 – Entre Portugal e Oslo, que projetos tem para o futuro ? Quais as próximas apostas da GUAVA?

O objectivo passa por continuar a espalhar o encanto da Guava pelo mundo.

 

foto: DR