Marlene Ferraz em entrevista

marleneferraz1aMarlene Ferraz, de 1979, tem os pés pousados em terras a norte. Com o ofício da psicologia, tem vindo a dedicar-se à escrita como um exercício de decomposição da experiência e alinhamento da desordem. Com um amor particular pelo conto, tem publicado Na Terra dos Homens (prémio Miguel Torga 2008), O Amargo das Laranjas (prémio Florêncio Terra 2008) e O Tempo do Senhor Blum e outros contos (prémio Afonso Duarte 2012). A Vida Inútil de José Homem (prémio Agustina Bessa-Luís 2012) revelou-se o primeiro romance e As Falsas Memórias de Manoel Luz a esperada continuidade.

O que te levou a escrever esta história sobre um homem dos livros?

Por todo o encanto da coisa que é um livro (e o processo delicado de fabrico): uma quantidade mínima de gramas para um universo inteiro que se estende por cada página. E depois todo o movimento revolucionário dos livros, a censura em tempos ditatoriais, a publicação clandestina e anónima, os empréstimos em segredo. A escrita (e a leitura) obriga a suspender o corrimento da vida, a entrar num mundo paralelo e a pensar sobre novos posicionamentos e formatos de existência. Com uma aparência tão inofensiva, o livro pode muito. Salvar. Apontar. Incomodar. Arruinar. O livro só é coisa nenhuma se estiver fechado.

Tens ganho, ao longo do tempo, alguns prémios. Estas conquistas são o alento necessário para continuar a escrever?

Temos um palmo de caminhos prováveis diante das mesmas circunstâncias: por ser uma rapariga muito enfiada no seu mundo privado (numa terra mais a norte) e sem outras cabeças para afinar ideias sobre o verbo escrever, os prémios acabaram por ser os conversadores em falta e os incentivadores da continuidade. Mas o estímulo principal é a afeição pela escrita (e pela leitura): no meu caso, pela possibilidade de levantar os pés da realidade e, num tempo de viagem e reflexão, entrar por territórios íntimos, amplos e inventivos. Espantar-me. Transformar-me. Perder-me.

Como concilias a psicologia, a escrita, os bichos e o artesanato?

Com uma quantidade certa de loucura (risos). Ter muitos ofícios que nos entusiasmam obriga a usar o tempo com mais precisão: um minuto pode bem servir para alinhavar um cenário para um novo capítulo, escrever um texto para incentivar a adoção responsável de um animal do abrigo ou coser um botão no corpo de um bicho de pano (projeto doutrolugar). Acredito que a cabeça apenas suporta este entrelaçamento de exercícios por todos me levarem a mundos alternativos, num exercício criativo e humano. Poder ajudar o outro (e este outro pode estender-se aos homens, animais e coisas) é um verbo principal no meu projeto de vida: não tenho a mais abreviada dúvida de que é nesta relação com o outro, num intercâmbio afetivo, que encontramos os possíveis milagres.

Escrever poesia é uma necessidade de fazer uma pausa na prosa?

Escrever (leia-se tentar escrever) poesia é um ato breve de contemplação, um impulso emotivo, uma apreciação violenta. É muito raro falar dos poemas que vou acumulando em gavetas (agora, digitais), como se um procedimento mais íntimo, uma descarga afetiva entre paredes, um grito dentro do corpo.

marleneferraz1bJá te aconteceu confundir ficção com realidade, personagens dos livros com pessoas? Se sim, de que forma é que isso te equilibra?

Pode parecer um estado de maior estranheza mas tanto carrego personagens na cabeça como vejo nas pessoas da rua prováveis novas personagens. É uma preciosidade quando acontece: uma criatura humana que me encanta tanto a ponto de ter vontade de escrever (leia-se inventar) sobre ela. Encontro muito um senhor homem, (provavelmente) empregado numa agência funerária e que poderia ser o nosso poeta: quando nos cruzamos na rua estreita, nunca poderá ele suspeitar que a mulher do outro lado está (inevitavelmente) a soletrar baixinho “o meu secreto Fernando Pessoa”. E poderia (quase) jurar que o José Homem, uma das figuras principais do livro publicado em 2013, vive do outro lado da minha rua. Assim, o mundo até fica mais suportável.

Quem nasceu primeiro: a escritora ou a leitora? Que autores tens como referência?

Levantei-me menina numa casa apenas com uma mão de livros mas a vontade por ler estava (inexplicavelmente) instalada em mim: com o tempo, descobri a verdadeira casa dos livros (leia-se biblioteca municipal) e um infinito universo literário se ampliou diante de mim. Até hoje. Ainda celebro a ida à (nova) biblioteca da cidade para eleger, com uma dose recomendável de acaso, as futuras leituras. Os escreventes vão aparecendo, como as nuvens. Os nossos, claro. E os nórdicos, os africanos, os americanos. Gosto de acreditar que chegam no tempo certo. José Saramago. Gonçalo M. Tavares. António Lobo Antunes. Manuel António Pina. Herberto Helder. Herta Muller. Iréne Némirovsky. Franz Kafka. Allan Poe. Dostoiévski. Tolstói. Tchékhov. Gogol. Mia Couto. Vargas Llosa. Não é uma lista de referência, mais um roteiro de descoberta. Espero ter mais uns braços de tempo para ampliar o número de encontros. Imagino que sem um corpo leitor não haveria mãos escreventes.

Qual a tua visão da leitura em Portugal?

Acredito que se leia muito mais do que na minha meninice. Não me lembro de ter recebido um livro, muito menos de ir a uma feira livreira ou poder visitar uma livraria a um palmo de casa. A biblioteca municipal ficava na cidade e tornou-se apenas uma realidade quando me emancipei pelos transportes públicos. Nenhum outro amigo se ajuntava nesta viagem para trazer livros nas duas mãos: era sempre uma celebração solitária. Hoje, temos um bafo criativo incrível no livro infantil. E uma carga de novidades literárias a cada estação. Provavelmente, nunca se publicou tanto. Os números parecem avisar menos livros vendidos e menos leitores mas nunca me terei cruzado com tantas cabeças que gostam de se embrenhar na matéria dos livros como agora.

A angústia do escritor e da sua próxima obra é real? Ou julgas que é uma criação feita para alimentar um certo mito que rodeia quem escreve?

Para a minha pessoa, a maior angústia será a do tempo finito (e exageradamente ocupado). Podemos falar da vida (por sermos criaturas temporárias) mas também do mais simples dia (que avança pelas curtas vinte e quatro horas mesmo quando precisarias de duplicar a duração). Para mim, o verbo escrever precisa de silêncio (leia-se reflexão) e, com as tarefas multiplicadas da vida mais comum, nem sempre podemos criar esse intervalo de suspensão. Temos responsabilidades primeiras: regar as plantas do átrio, apreciar as primeiras chuvas ou abraçar a criatura vulnerável. Apesar da principalidade da escrita na minha vida, obrigo-me sempre a dar prioridade ao elo que tenho com os outros.

O que dizes aos leitores quando te perguntam que parte(s) do que escreves és tu?

A mais minúscula cena escrita tem tudo de mim. Na revisão dos textos (primeira, segunda, terceira, décima), acabo por perceber que o mais privado está por trás de cada personagem ou até acontecimento da narrativa. Somos depósitos de memórias: como poderia eu (nós) criar criaturas e mundos alternativos? A matéria bruta é tudo o que tenho cá dentro: as feridas, os desapontamentos, os espantos, as raivas, as alegrias, mas também os livros, os filmes, as notícias, os documentários e um sopro de fantasia.

Fotos: DR

Meyash – As meias irreverentes made in Portugal

mesh2bE se pudesse comprar umas meias coloridas e com isso poder ajudar quem mais precisa? Conheça as Meyash, um novo conceito de moda, com o selo de qualidade português.

Hoje entrevistámos os seus fundadores – José Massada, Marcos Fonseca e Manuel Guedes de Oliveira. Separados no mundo, unidos na mesma empresa.

Meyash é uma marca 100% portuguesa, que produz em Portugal, para todo o mundo. Como nasce a ideia e como a puseram em prática?

A nossa ideia inicial surgiu de várias premissas, que acreditamos ser verdade: a maioria das pessoas tem dificuldade em substituir meias antigas e, consequentemente, acabam por encher a gaveta com demasiadas meias velhas; as meias com padrões e cores vivas têm vindo a ganhar proeminência, principalmente agora que se usam calças mais curtas ou com a bainha dobrada, e têm vindo a substituir a gravata e outros acessórios como aquele detalhe que ajuda a vincar a personalidade de quem as usa; as meias de qualidade são caras e há relativamente pouca variedade; toda a gente gosta de usar meias novas, mas ninguém gosta de sair de casa para as comprar.

Nesse sentido, nós decidimos criar um serviço de conveniência, onde os nossos clientes passam a ter uma espécie de stylist, que todos os meses seleciona e envia um par de meias de grande qualidade e design, a preço acessível, diretamente para a caixa do correio.

As meias funcionam muito bem com um modelo de subscrição, porque são leves o suficiente para o custo de envio – que nós oferecemos gratuitamente. Não tem impacto no preço final, porque é um produto que as pessoas acabam por precisar de ir renovando com uma certa cadência, e porque cabem perfeitamente na caixa do correio (o que é uma enorme vantagem em Portugal e em vários países europeus, onde ao contrário dos EUA por exemplo, os apartamentos não costumam ter porteiro).

“No more boring black socks”, um dos vossos lemas. De que forma é que se propõem a mudar o estilo dos vossos subscritores?

Temos dois objetivos grandes para a Meyash. Primeiro, queremos contribuir para mudar a forma como as pessoas pensam sobre as meias. Acreditamos que já lá vai o tempo em que os sapatos, as meias e o cinto tinham que combinar e que a gravata era o único acessório que permitia renovar o visual corporativo. O mundo mudou, a moda também, e cada vez que escolhemos um estilo de roupa para sair de casa, estamos de certa forma a expressar a nossa personalidade. Nós acreditamos que as nossas meias não são apenas muito confortáveis, mas dão um toque de descontração que ajuda a vincar essa atitude.

Sabemos que a roupa que vestimos também afeta o nosso processo cognitivo – é interessante ver como apenas uma peça de roupa tão pequena pode ser uma boa maneira para quebrar o gelo e desbloquear conversas, para destacar um look mais básico, ou cortar a formalidade, numa ocasião especial. Se alguém está a pensar em mudar o visual, as nossas meias podem ser um primeiro passo para que se possa sentir mais confiante e irreverente.

O que torna as vossas meias tão (ou mais) especiais?

A Meyash é um serviço de subscrição de meias, com uma vertente social. Tal como um jornal ou uma revista, nós damos a possibilidade aos nossos clientes de receberem, todos os meses e por correio, um par de meias coloridas (encomenda selecionada pela nossa equipa de especialistas), renovando, assim, “a gaveta de meias pretas”, com alternativas de qualidade e padrões contemporâneos. Por cada par de meias vendido, nós doamos um par de meias, de qualidade semelhante, a uma instituição social.

Poderíamos passar horas a falar da qualidade do algodão (que com um pequeno toque de poliamida e elastano não perde a forma e confere resistência e um conforto absolutos), mas acreditamos que o nosso modelo propõe uma nova abordagem que é, essencialmente, uma combinação dessas três coisas que falávamos antes: o modelo de negócio é um pouco diferente dado que não vendemos um produto, mas sim um serviço (em que desenhamos, selecionamos e enviamos meias diretamente para casa dos nossos clientes que não se têm que preocupar com mais nada), o nosso preço é competitivo e, por último, temos a questão de responsabilidade social, que, pelo que sabemos, mais nenhuma outra marca a atuar em Portugal segue. Ou seja, combinamos a eficiência e conveniência de um modelo de subscrição aliada a um conceito de moda e de responsabilidade social, o que pensamos ser único em Portugal.

Funcionam como um serviço, apesar de enviarem meias para casa. Querem explicar como tudo acontece?

Como dissemos anteriormente, quando estávamos a pensar montar a empresa decidimos consultar a opinião de vários amigos e descobrimos que, embora a grande maioria deles gostasse muito da moda de usar meias mais divertidas, simplesmente não tinham paciência para sair de casa comprar meias – a grande maioria normalmente ia apenas a uma loja de desporto / feira / loja, uma vez por ano, comprar uma dúzia de tradicionais meias pretas.

Nesse sentido, decidimos criar não apenas um produto, mas sim um serviço de subscrição.  Nós tratamos de tudo: desde o desenho, selecção e escolha da peça (até nos certificarmos que ela é entregue diretamente na caixa do correio de casa dos nossos clientes, que não se têm que preocupar com mais nada). E, claro, por cada par de meias vendido, nós doamos um par de meias de qualidade semelhante a uma instituição social.

O feedback tem sido fantástico, não só em termos da qualidade ou design (e até a embalagem), mas também sobre o próprio modelo de subscrição: temos tido vários clientes a dizer que, cada vez que recebem a nossa encomenda, se sentem como se tivessem a receber um presente de aniversário (só que todos os meses!).

mesh2aAlém de ser um modelo de subscrição, Meyash compromete-se a enviar um outro par para a Associação de Albergues nocturnos do Porto. Como identificaram esta necessidade e como tem corrido a parceria?

Um dos momentos mais marcantes no nosso processo de criação da empresa deu-se quando descobrimos que a roupa interior – e meias em particular – são o produto em maior carência nos centros de acolhimento. Depois de lermos sobre isso nos EUA, decidimos conversar com várias associações em Portugal que confirmaram isso mesmo. A razão é simples: é raro pensarmos em doar roupa interior usada, normalmente quando doamos fazemos as doações em valor, em comida, calças, camisolas, calçado ou casacos. Por isso, na linha de marcas que admiramos – como o Tom’s Shoes ou a Warby Parker -, decidimos também seguir o modelo de buy one give one: por cada par que o cliente compre, nós oferecemos um par grátis à nossa parceira – Associação dos Albergues Nocturnos do Porto (AANP), a quem prometemos entregar, no final de cada semestre, o equivalente aos pares que vendemos.

Pode parecer um pequeno gesto, mas acreditamos que, se conseguirmos contribuir um pouco que seja para aumentar o conforto e melhorar a qualidade de vida destas pessoas com menos sorte, certamente lhes daremos menos uma coisa com que se preocupar.

Estando todos os sócios separados por vários quilómetros (Porto, Nova Iorque e Londres), como resolvem as questões de trabalho? Existem dificuldades nesse contacto não ser mais presencial?

Sim, sem dúvida que é desafiante, mas possivelmente também mais enriquecedor. Hoje em dia, com as redes sociais e várias apps para comunicação e gestão de projetos, torna-se mais fácil manter o contacto em tempo real. Dito isso, a distância geográfica e de horários, exige de nós não apenas disponibilidade, mas também uma disciplina, foco e rigor grandes.

Felizmente, devido à amizade e conhecimento mútuo que já trazíamos de há vários anos, temos conseguido garantir esta coordenação sem grandes problemas, também pelos contributos diferentes que damos ao negócio, que se completam entre si.

O futuro trará certamente desafios. Começaram pelas meias de homem, mas passa-vos pela cabeça alargar o conceito para crianças e mulheres?

Sim – sem querer estragar a surpresa temos várias novidades na pipeline: estamos a estudar umas colaborações com artistas plásticos fora da área de moda, estamos em contato com boutiques de roupa (tanto em Portugal e no estrangeiro), estamos a estudar a possibilidade de criar um modelo de meias desenhadas especificamente para crianças e para mulheres, e, por fim, continuamos a trabalhar na nossa plataforma, para aprimorar o que sabemos sobre cada cliente, com o objectivo de conseguir enviar produtos quase customizados para cada um deles.

*Visite as Meyash em http://www.meyash.co e em https://www.facebook.com/wearemeyash/

Turismo solidário: Entrevista a Rita Marques, co-fundadora da ImpacTrip

impactrip1A ImpacTrip (agência de viagens de Turismo Solidário) proporciona experiências turísticas alternativas para REdescobrir Portugal e criar um impacto social e ambiental positivo. A Excelência Portugal quis conhecer este conceito turístico inovador e entrevistou Rita Marques, co-fundadora da ImpacTrip.

Já doámos milhares de refeições, gerámos muitas centenas de horas de voluntariado corporativo envolvendo milhares de colaboradores e apoiando ainda maior número de beneficiários – Rita Marques, co-fundadora da ImpacTrip

Quando tu e o Diogo se sentaram e decidiram fundar a ImpacTrip, qual era o objectivo? Ainda hoje é o mesmo ou tem evoluído?

A ideia surgiu enquanto viajava sozinha pela Ásia e percebi que havia mais pessoas como eu, que queriam conhecer profundamente os locais por onde passavam e deixar uma marca positiva fazendo voluntariado. Depois de pesquisar percebi que já existiam alguns programas deste género com bastante sucesso e que faziam realmente a diferença nessas comunidades, mas em Portugal não. Foi aí que pensei: “Em Portugal existem, obviamente, necessidades sociais e nós somos um país maravilhoso para se viajar.” A ideia estava formada. Durante este processo conheci o Diogo que, com experiência no sector do turismo, percebeu que era uma ideia com futuro. Foi através do Linkedin que entrámos em contacto e marcámos um almoço para discutir ideias sobre a possibilidade de trabalharmos aquele conceito. Apertámos a mão ali mesmo e hoje em dia esse aperto de mão traduziu-se numa grande amizade e muito crescimento profissional. Hoje o objectivo mantem-se, dar a conhecer o nosso país de uma maneira diferente, permitindo aos nossos turistas viajarem como locais e ainda darem um pouco de si a quem mais precisa.

A empresa tem evoluído muito ao longo do tempo e no ano passado criámos mesmo um novo departamento que se dedica exclusivamente à responsabilidade social das empresas. Em parceria com a nossa rede de parceiros sociais procuramos soluções que envolvam os trabalhadores na própria solução efetiva dos problemas e necessidades destas organizações que no dia-a-dia fazem um trabalho incrível. Neste novo departamento, a Impacteam, temos tido um sucesso enorme pois já trabalhámos com grandes empresas como é o caso da Lilly, Banco de Portugal, Partners, PHC, entre outras. Já doámos milhares de refeições, gerámos muitas centenas de horas de voluntariado corporativo envolvendo milhares de colaboradores e apoiando ainda maior número de beneficiários.

Queres explicar um pouco às pessoas aquilo que acreditas ser a missão da empresa que criaste?

Ao contrário do que muitos pensarão, para se fazer Turismo Solidário não é necessário ir para países de terceiro mundo ou terras perdidas no meio do mato. A Europa e as grandes cidades, por exemplo, também têm necessidades sociais e ambientais que precisam de ser colmatadas. E foi dessa visão que nasceu a IMPACTRIP, um conceito totalmente pioneiro e inovador em Portugal e que se revela como uma forma incrível e autêntica de conhecer este magnífico país.

O Turismo Solidário é uma forma de turismo alternativo que junta dois conceitos muito interessantes (e improváveis): Turismo e Voluntariado.

Este turismo diferente contribui para o combate às desigualdades sociais e permite ao viajante dedicar parte do tempo da sua viagem ao desenvolvimento da região visitada, de modo a ter uma maior envolvência com as comunidades locais absorvendo melhor a cultura e deixando a sua marca positiva.

Quem é que nunca acabou uma viagem com a sensação que podia ter visitado mais, que teria sido engraçado conhecer os locais mais a fundo, as ruas mais escondidas, os costumes mais enraizados? Quem é que nunca terminou uma viagem com a sensação de que podia ter feito algo diferente?

Estas viagens solidárias vêm responder a esse espaço vazio que fica quando viajamos. Poder passear, conhecer os locais pela voz de um local, fazer refeições em fornos comunitários, apanhar azeitonas, preservar o lobo ibérico que está em vias de extinção, são atividades que fazem parte de um turismo diferente, que nos transporta para tempos e histórias antigas e nos dá a conhecer a verdadeira essência de cada região. E no final, estas viagens têm um impacto muito positivo, em termos sociais, ambientais e até pessoais.

O voluntariado destes programas é sempre adaptado às competências dos voluntários para maximizar o contributo para a organização que os recebe. As tarefas são muito diversificadas dependendo das organizações e podem ir desde cozinhar refeições para sem-abrigo, ensinar crianças de bairros sociais a tocar guitarra, limpar o lixo marinho do fundo do mar, resgatar animais abandonados da rua ou mesmo construir uma casa para uma família carenciada. Estes são só alguns exemplos de muitos programas que podem ser organizados sob o conceito de turismo solidário.

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- Fala-nos um pouco daquilo que é possível fazer convosco.

Como somos todos diferentes e temos gostos distintos, procuramos sempre ter programas que se adaptem a todos os “gostos e feitios”.

Os programas de praia e natureza são sempre os mais procurados até porque fogem um bocadinho dos locais e itinerários ditos habituais.

Temos 4 programas principais – Natureza, Praia, Mergulho e Cidade – que depois se subdividem por vários locais em Portugal (incluindo ilhas) e durações (desde 1 dia até 2 semanas). Podem ver todos os destinos onde trabalhamos no nosso website.

Igualmente importantes são as 6 áreas de impacto com quem os viajantes-voluntários se podem envolver:

– Combate à fome a desperdício alimentar

– Educação infantil

– Ambiente

– Combate à pobreza

– Proteção animal

– Apoio a pessoas com deficiência

Em termos de destino, Valada do Ribatejo, por ser um destino completamente desconhecido até para os Portugueses e por ter uma Natureza ainda muito virgem, e a experiência da Arrábida, pela beleza Natural, são os mais procurados.

O número não está fechado, estamos sempre a lançar novos programas que tenham um impacto social significativo numa das 6 áreas de impacto.

Acreditas que o turismo solidário em Portugal tem muito para crescer?

Sem dúvida que sim! O Turismo está em constante mudança e evolução. Os turistas são muito exigentes e estão sempre à procura de inovação e de atividades que os desafiem e tornem a experiência “fora de casa” numa experiência única. Em Portugal, o turismo solidário está a ganhar o seu lugar e nós, enquanto ImpacTrip, ficamos muito satisfeitos no papel ativo que estamos a ter para essa evolução. Temos a certeza que neste momento somos a referência do Turismo Solidário em Portugal e o nosso objectivo é aumentar esse reconhecimento e levar a ImpacTrip ainda mais para fora de portas.

A grande maioria dos nossos clientes são estrangeiros, mas gostávamos muito de aumentar o número de Portugueses a experimentar este tipo de turismo.

- Que tipo de pessoas procuram fazer voluntariado no nosso país?

O nosso público varia consoante o programa, mas são maioritariamente jovens, pessoas que costumam fazer algum tipo de voluntariado, que são ativas e participam em grupos de desporto ou artes.

Os mercados-alvo internacionais são essencialmente os Países do norte da Europa, os Estados Unidos e Canadá e a Austrália.

Algum (ou alguns) episódio(s) que tenham chamado a tua atenção, algo que verdadeiramente marcou toda esta tua aventura?

Tantos… Desde casais formados nos nossos programas de voluntariado internacional de longa duração, até viajantes grávidas, pessoas que vêm curar depressões fazendo voluntariado (e resulta!), famílias inteiras que trazem as suas crianças ou filhos de emigrantes que se mudam para Portugal depois dos nossos programas. As nossas histórias davam para uma longa conversa

Deixo a história que escrevemos sobre uma família com uma criança de 6 anos que viajou connosco: http://www.e-konomista.pt/artigo/voluntariado-para-criancas/

Que desafios esperas encontrar pela frente? Ainda há um longo caminho a fazer em termos sociais e ambientais em Portugal?

Dado que o Turismo Solidário ainda continua a ser um conceito desconhecido no nosso País, o nosso objetivo é claramente dar a conhecer esta nova forma de viajar e convidar cada um e todos os Portugueses a Redescobrir o seu País.

O terceiro sector em Portugal está cheio de ideias e cada vez mais jovens dedicam o seu tempo e energia e renovar a forma como estas trabalham. Há um longo caminho para melhorar o sector mas mesmo sendo devagar estamos a seguir no caminho certo. E a ImpacTrip quer fazer parte e contribuir para esse caminho de progresso social e ambiental!

Fotos: DR

“A confissão do navegador” : Duarte Nuno Braga em entrevista

capa_confissao_NavagadorDuarte Nuno Braga nasceu em 1975 e é natural de Lisboa. O prémio literário que recebeu aos 14 anos incentivou-o a continuar a escrever. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, fez carreira na área das tecnologias. É autor do blogue duartenunobraga.com, onde se entrega à escrita, ao contacto com outros autores e sobretudo à partilha com os leitores. Dedica-se à formação em escrita criativa. A Confissão do Navegador é o seu primeiro romance histórico.

De que forma chegas a esta personagem histórica, Duarte Pacheco Pereira, e a incluis no teu livro?

Comecei por descobrir “A Confissão do Navegador” através da meditação. Alguns episódios narrados apareciam-me, muitas vezes, em sonhos, como se estivesse a ser chamado para desvendar segredos antigos. Comecei a investigar a vida de diversos navegadores quinhentistas até que conheci a história escondida de Duarte Pacheco Pereira. E, nesse preciso momento, não tive mais dúvidas de que era ele o capitão desta história incrível.

Duarte Pacheco Pereira poderá ser mais um herói ignorado na nossa história?

Não tenho quaisquer dúvidas disso. Duarte Pacheco Pereira terá estado duas vezes no Brasil, antes de 1500. A sua fé, aliada aos seus conhecimentos de cosmografia, foram determinantes. Portugal precisava de conseguir um caminho marítimo para a Índia, tão seguro quanto possível. As aguadas em África eram muito inseguras, devido à hostilidade dos nativos e D. João II necessitava de alternativas. É muito provável que a descoberta do Brasil tenha ocorrido em 1493. No ano seguinte, o próprio Duarte Pacheco Pereira assinava o Tratado de Tordesilhas, que estendia a linha divisória da bula papal em 270 léguas a oeste de Cabo Verde, incluindo assim aquele novo território. No mesmo tratado ficaria salvaguardado um período de carência que concederia a Castela quaisquer terras descobertas. Revelar o descobrimento do Brasil naquela altura seria algo impensável. No seu tempo, Duarte Pacheco Pereira foi um grande visionário e os seus feitos foram notáveis, mas a nossa história não lhe deu o lugar de destaque merecido.

Escrever um romance histórico implica um trabalho e um estudo extenso. O que fizeste para dar corpo ao teu romance?

Este romance demorou cerca de dois anos a completar. Foram muitas horas de biblioteca, a consultar compêndios antigos e o próprio regimento escrito por Duarte Pacheco Pereira. Tive o máximo de cuidado possível nos pormenores. Se num determinado episódio descrevi uma tempestade, é porque existem registos, nesse dia, dessa intempérie. Toda a parte ficcionada foi feita de uma forma não contraditória com os registos históricos existentes. Isto é, o rei pode não ter dado um anel a Duarte Pacheco Pereira, como é descrito no primeiro capítulo. Mas não existe um documento a dizer que não deu. Os factos históricos, por outro lado, são narrados com o maior rigor possível.

Também tive alguma sorte. No desenrolar do romance, o herói tem um amor proibido com Antónia, com quem viria a casar mais tarde. Faltava-me saber se, efectivamente, poderia ser um amor proibido. Fiquei incrédulo ao descobrir que existem indícios de que a família de Antónia terá estado exilada em Castela, por conspiração contra o rei. A nossa história é tão rica que a escrita de um romance acaba por se simplificar. (risos!)

Ganhaste um prémio quando eras mais novo. Ficar tantos anos desligado da escrita fez-te duvidar das tuas capacidades?

Não posso dizer que alguma vez tenha duvidado das minhas capacidades enquanto autor. Desde muito novo que gostava de escrever. Lembro-me de inventar notícias em pequenos bilhetes e lê-los para a família. Durante a adolescência, concorri com um conto a um prémio literário e fiquei em primeiro lugar. Recordo-me de que investi todo o prémio num rádio-transmissor. Gostei tanto daquilo que ganhei um entusiasmo pelas telecomunicações, até hoje.

A verdade é que o universo tem a incrível capacidade de nos devolver oportunidades atrás de oportunidades. E, desta vez, agarrei-a! Creio que o meu problema foi gostar sempre de fazer muitas coisas diferentes. (risos!)

De que forma a tua busca interior – fizeste cursos de meditação, aprendeste astrologia, música, palavras e poesia, viste artes ancestrais, fizeste massagem Thai – te ajudou na tua vida?

Sempre gostei da mudança e de me questionar. A minha busca interior não termina aqui. Creio que acabou de começar. Na minha perspectiva pessoal, este livro é muito mais do que uma obra sobre os descobrimentos. É um guia de auto conhecimento. Creio que muitos leitores encontrarão nele também algumas respostas. Costumo dizer que a coragem e impulsividade, quando coabitam, podem ser explosivas. A minha busca interior ajuda-me a apaziguar essa efervescência. Por outro lado, a vida é para ser vivida, certo? Só temos de encontrar um equilíbrio.

Estavas à espera de tantas solicitações após a publicação de «Duarte Pacheco Pereira – O Navegador que descobriu o Brasil»?

Confesso que não tinha consciencializado quaisquer perspectivas nesse sentido. Nem altas, nem baixas. Vivi com muito amor e dedicação todos os diferentes momentos deste livro. A pesquisa, a escrita, a revisão, a publicação e agora a divulgação. Costumo dizer que a felicidade não se encontra no horizonte, ela mora no caminho da vida. E só poderemos realmente vivenciá-la se colocarmos as expectativas de lado.

Contudo, e sem falsa modéstia, não escondo a minha satisfação por ver as atenções postas em torno desta obra, quer por parte da comunicação social, quer por parte dos leitores.

Queres falar-nos de influências? Que escritores e livros te marcam?

A maior influência é a minha própria vida e a forma como encaro as situações com que deparo. Não há escritor que não tenha um pouco de si nos seus livros. No plano da escrita espiritual, tenho de referir Paulo Coelho, que considero um mestre. No contexto do enredo e das descrições, O Equador de Miguel Sousa Tavares é um néctar. E, se isso fosse possível, gostava de tirar o curso da linguagem própria de Mia Couto.

O que queres dizer ao teu público-leitor e a quem ainda não te descobriu?

«A Confissão do Navegador» é um empolgante romance histórico que nos leva a vivenciar as emoções das viagens marítimas dos descobrimentos e da conquista das Índias. Numa época envolta em segredos, conspirações e amores proibidos, o capitão português, pejado de fé e perseverança, enfrentou a fúria dos oceanos, combateu exércitos poderosos e realizou descobertas de importância vital para o país. Porém, na rota das suas viagens, Duarte Pacheco Pereira descobriu muito mais do que poderia sequer imaginar.

Além de sugerir a leitura do meu livro, gostava de incentivar os leitores a darem uma oportunidade aos novos autores portugueses. Felizmente, existem cada vez mais pessoas a escrever – e bem!

Aproveitem as redes sociais para conhecer os autores, que estão ávidos de receber os vossos comentários e partilharem experiências. Procurem Afonso Reis Cabral, Manuel Monteiro, Célia Loureiro, Sara Rodi, Nuno Nepomuceno.

Leiam autores portugueses, ajudem a cultura portuguesa!

A Confissão do Navegador
A Confissão do Navegador
Duarte Nuno Braga

P.V.P.: 15.90
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Data de Edição: 2016
Nº de Páginas: 256
Editora: Editorial Presença

Corre o ano de 1493. D. João II convida o navegador Duarte Pacheco Pereira a conhecer Cristóvão Colombo. Joga-se o destino de Portugal e do próprio Duarte Pacheco Pereira, incumbido de uma missão secreta que o leva aos confins do Atlântico. Neste empolgante romance histórico desvenda-se a figura pouco conhecida do navegador descrito por Camões como o «Aquiles lusitano». Do perigo dos mares ao calor da Índia e da batalha, somos levados para uma época envolta em segredos, conspirações e relações proibidas. A ambição de um reino muda a vida de um homem dividido numa busca espiritual entre a lealdade e o amor.

Super Aid – o spray que estanca hemorragias

hemorregiaO Super Aid é um spray ou uma pomada que servirá para estancar hemorragias de forma simples e rápida. O projecto de Coimbra foi uma das ideias apoiadas pelo programa de aceleração Ineo Start – que decorreu até o passado 11 de Março.

A ideia surgiu de resultados promissores feitos na UC, sendo que o produto tem sido pensado para entrar nas unidades de emergência e para os praticantes de desportos radicais.

O programa de aceleração Ineo Start resulta de uma parceria entre a empresa junior jeKnowledge da Faculdade de Ciências, o Instituto Pedro Nunes e a Universidade de Coimbra. Desde 2010 já envolveu mais de 1000 pessoas, 200 delas empreendedores e 85 projectos, registando uma taxa de sobrevivência de 75%.

Neste programa foram apresentadas outras ideias, como a de uma plataforma de prevenção da depressão pós-parto (numa equipa de psicólogos e informáticos) e de uma start-up de compra e vendas de manuais escolares online.

Muitas destas ideias são trabalhos desenvolvidos em investigação. Está a ser desenvolvido um “rato sensorizado” que será capaz de monitorizar as capacidades cognitivas como o stress ou a perda de memória dos trabalhadores seniores.

Fontes: Público; netcentro; Revista Port
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O peixe-lua dos Açores que deu a volta ao mundo

peixe-lua[1]Miguel Pereira está a correr mundo. Tudo isto porque levou uma GoPro para o fundo do mar, em vez da sua câmara fotográfica habitual, que avariou.

Sorte nesse dia, pois conseguiu filmar um gigante peixe-lua no fundo do mar, durante 15 minutos. O vídeo tem dado a volta ao mundo, pela sua beleza e espectáculo natural. Tudo isto foi filmado nos Açores.

Quanto ao peixe, não pareceu muito incomodado, continuando a fazer a sua vida, normalmente.

O peixe-lua é o maior peixe ósseo do mundo, podendo crescer até aos 6 metros e pesar novecentos quilos. Alimenta-se de zooplâncton e pequenos peixes. Vive nas zonas temperadas e quentes dos Oceanos Atlântico e Pacífico.

Fontes Dinheiro Vivo
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Fine&Candy : Hala Salem Achilas, a Libanesa que ilustra a marca portuense

São cadernos, blocos e agendas carregadas de símbolos. A ilustradora Hala Salem Achilas colabora com a marca portuguesa Fine&Candy, pintando flamingos, cupcakes ou palmeiras.

Hala Achilas avança ao Público que “é uma colecção feliz, com mistura de cores e símbolos californianos típicos mas também sofisticados. Como a Fine&Candy é uma marca de artigos de papelaria de luxo, foi possível deixar a imaginação voar com cores. Ainda assim, o estilo e a produção artesanal dão aos cadernos uma outra dimensão”.

Hala Achilas descobriu a marca portuguesa há dois anos e gostou muito dos seus produtos e estética.

O trabalho da ilustradora é conhecido em todo o mundo, tendo colaborado com casa de moda internacionais, com revistas como a Harper’s Bazaar, Vogue, Elle Decor ou a Nylon.

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As cores, o universo divertido, as viagens, natureza, pedras semi-preciosas, amuletos ou olhos são algumas das suas imagens de marca.

Prossegue dizendo que há “cada vez mais e mais pessoas atraídas pelo papel”. “É uma relação diferente daquela que se tem com as centenas de aplicações que existem hoje em dia”, defende. Num pequeno caderno, é possível “escrevinhar notas e ideias, fazer listas” e “todos os utilizam de forma muito pessoal, alguns personalizam com autocolantes, com fitas para assinalar eventos importantes. O papel transmite um sentimento diferente e mais íntimo”, acrescenta.

A Fine&Candy nasceu em 2009, no Porto. Apresenta quatro colecções anuais, de acordo com as estações do ano, mas ao longo do ano apresenta colecções de edição limitada, como a Hala Achilas. Os seus cadernos são produzidos manualmente em fábricas e gráficas do norte do país e são permitidas personalizações.

Os cadernos e agendas Candy Coast estão à venda na loja Fine&Candy no Porto (Rua de Tanger, 1356) e nas lojas revendedoras da marca.

 

Fonte: Público (Lifestyle)
Fotos: DR

Quintal Holístico: as cabras cortam o mato

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Um projecto juntou dois amigos (Filipe Gandra, 26 anos, natural de Barcelos e Fábio Jácome, 29 anos, de Viana do Castelo) numa ideia simples e eficaz: combater os incêndios com a ajuda de cabras. Chama-se Quintal Holístico e foi desenvolvido pelos dois alunos da Escola Superior Agrária de Ponte de Lima.

“A ideia surgiu há mais de um ano devido ao gosto que tenho por caprinos e pela confusão que me fazia a quantidade de fogos florestais que acontecem todos anos. Achei que podia dar o meu contributo para reduzir esse flagelo”, diz Filipe Gandra à Lusa.

Para o início do projecto recorreram ao “crowdfunding”, como forma de garantirem seis mil euros que permitissem arrancar com a ideia. É já dentro de dois meses, em Vila Cova (Barcelos) que serão introduzidas as primeiras cabras corta-mato. O facto de os animais estarem progressivamente a desaparecer dos seus ecossistemas, explica o crescimento descontrolado de vegetação rasteira e mato. E isso, nos períodos mais secos, é uma matéria facilmente inflamável.

Como existe uma gestão pouco eficaz da floresta e dos terrenos em geral, o pastoreio de caprinos acaba por ser uma solução eficaz para o controlo do mato. A escolha desta espécie cumpre com os objectivos de preservação da floresta. A opção pelos caprinos é explicada pelos seus hábitos e por se ajustarem a zonas de forte declive; assim como pelas próprias necessidades de alimentação.

O Quintal Holístico pretende vir a utilizar outros animais no futuro, como ovelhas, cavalos e vacas. Isto porque “cada espécie tem uma função dentro do sistema agroflorestal. O nosso papel é gerir a função desses animais para que eles nunca cheguem a destruir o coberto florestal”, diz Filipe.

O projecto destes dois amigos chamou a atenção de associações ambientalistas como a Quercus, a Green Savers, a Agrobio e a Associação dos Agricultores do Porto. Irá ser necessário adquirir cercas eléctricas e entre 100 a 150 cabras para começar. E a ideia, que já despertou interesse de vários proprietários, é chegar a outras zonas do país.

Fonte: P3/Público
Foto: DR

 

“Running – muito mais do que correr” – entrevista a José Soares

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O exercício físico nunca esteve tanto na moda e a corrida, por ser uma actividade simples e acessível a todos, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Uns mais habituados à prática desportiva, outros que nunca tinham praticado exercício antes.

Acabei recentemente a leitura de “Running – muito mais do que correr”, um livro de José Soares publicado este ano pela Porto Editora. Tenho aplicado vários dos seus princípios e conselhos na minha prática desportiva, pelo que sugiro vivamente a sua leitura. Lê-se facilmente, a linguagem é simples e clara.

Este livro é um manual completo para quem quer começar a correr, mas também para quem corre regularmente e quer melhorar o seu rendimento, alimentar-se como um atleta ou mesmo evitar lesões.

Ao abordar questões como motivação, alimentação, suplementos, planos de treino para diferentes distâncias e prevenção de lesões, revela-se um guia essencial porque running é muito mais do que correr.

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- Quando a Porto Editora lhe lançou este desafio de escrever Running – muito mais do que correr, o que sentiu?

Um enorme desafio porque não sou um expert em running. Sou professor de fisiologia, que gosta de corrida, que percebe a relação entre o exercício e a saúde. Nada mais do que isso. Neste sentido, decidi usar a corruda como um meio e não como um fim. Por isso o livro é “Running: muito mais do que correr”… Ou seja, aborda outros aspectos que vão muito para além da corrida propriamente dita. Nutrição, prevenção de lesões, exames médicos indispensáveis, limitações, etc.

- Correr é gratuito e praticado ao ar livre. Sente que essas são vantagens para quem quer começar um desporto?

Penso que sim. Essa é a grande razão. Depois também o facto de ser de prática muito fácil e sem equipamento especial torna a corrida muito apetecível.

- Running será uma questão de moda passageira? Ou veio para ficar?

Penso que está na moda, mas presumo que vai ficar. As pessoas perceberam que mais risco do que correr é não correr. É não se mexer. Com as nossas vidas cada vez mais stressantes e sedentárias, a corrida passa a ser um excelente plano B de fácil execução…

- Foi uma surpresa agradável os destaques dos media? E o livro estar no top das principais livrarias?

Sim. Fiquei surpreendido pelo impacto que teve. Penso que existem algumas razões. O facto de estar escrito com uma linguagem muito simples, de usar muitos exemplos práticos e de usar o modelo da pergunta resposta, torna a sua leitura muito fácil. Por outro lado, reúne no mesmo livro diferentes tópicos que, normalmente, aparecem distribuídos por obras diferentes. Ou seja, reúne informação de fácil leitura e aplicação no dia-a-dia de quem corre.

- Há muitos aspectos que o livro explora além do acto simples de correr. É importante uma pessoa pesar todas as questões que o livro levanta, não é?

Claro que sim. Por exemplo, o primeiro capítulo aborda a questão dos exames médicos prévios. Mas sempre relevando o facto de que maior risco do que correr, é não correr. É estar parado! Dei uma importância muito particular também à questão da prevenção de lesões algo que preocupa muito quem corre, especialmente os que o fazem de uma forma mais intensa.

- Comecei a correr ainda antes do livro ser lançado e a sua leitura ajudou-me. Que conselho me daria, tendo em conta que passei alguns anos sem praticar nada, tive asma e estava com excesso de peso?

Um conselho baseado num ditado: “ A dose faz o veneno”. Pouco é muito pouco, muito é exagero…

 

Fotos: DR

 

 

 

Quinta do Crasto à conquista do Mundo

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A Quinta do Crasto, em pleno vale do Douro, atrai cada vez mais visitantes. No ano passado foram três mil, sobretudo brasileiros, portugueses e escandinavos. O único problema: não conseguir satisfazer a procura de dormidas. Mas existem outros programas.

O visitante pode escolher provas de vinhos, almoços ou jantares. Um passeio de barco no rio Douro (parceria com a Pipadouro), uma visita à loja, onde podem comprar vinho do Douro, do Porto e ainda azeite.

O enoturismo tem crescido no nosso país e a Quinta do Crasto viu as visitas e provas aumentarem 55%. Como tal, Tomás Roquette revela que há projectos de intervenção junto à piscina (desenhada por Souto Moura), uma cobertura na zona de refeições e obras na cozinha, para que seja mais funcional. Acrescenta ainda – “Prefiro não receber muito mais gente para garantir que as que recebo, recebo bem”.

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São os vinhos e o azeite os grandes impulsionadores da quinta. Com uma representação em mais de 40 mercados, os vinhos atingiram 6,6 milhões de euros em 2014, tendo crescido 14,4% relativamente ao ano anterior. As exportações representam já 60%, destacando-se o Brasil, Canadá, EUA, Reino Unido, Suíça ou Angola como principais destinos. Também entre portas o crescimento foi de 24%, sinal de evolução da marca.

Chave deste sucesso em Portugal, revela Roquette, é a “estabilidade e confiança” que a marca dá ao consumidor. A política do melhor preço durante o ano todo, sem descontos de quantidade, também ajuda a explicar que, em anos de crise, o consumidor aposta nos valores seguros.

A qualidade é também fundamental. Foram investidos 15 milhões de euros nos últimos 10 anos, distribuídas pela vinha, adegas e instalações produtivas. O objectivo é claro: acompanhar e controlar rigorosamente a matéria-prima. Dos 250 hectares de vinhas, saem 1,2 milhões de garrafas (das quintas do Crasto, da Cabreira e de Querindelo) e ainda são arrendadas mais 30 hectares de vinha.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, colaboram com a Quinta do Crasto para identificarem geneticamente as vinhas mais velhas, algumas com mais de 100 anos. Com isto fica garantida a identidade das vinhas.

Só assim se explica que a Quinta do Crasto seja a empresa portuguesa com mais vinhos classificados acima de 90 pontos pela Wine Spectator, ou pelo crítico Robert Parker. Motivos não faltam para celebrar.

Vai uma visita?

Fonte: Dinheiro Vivo
Fotos:
DR