Native Scientist é uma organização dedicada à integração das comunidades jovens emigrantes portuguesas

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Native Scientist (NS) é uma organização sem fins lucrativos que nasceu no Reino Unido e espalha-se agora por outros países da Europa.

O projecto consiste na proximidade entre cientistas e alunos portugueses nas escolas do Reino Unido onde, em conjunto, partilham experiências e conhecimentos.

As fundadoras da organização, Joana Moscoso e Tatiana Correia, apresentam a missão do projeto em três pilares:

  • aproximar pessoas altamente qualificadas de crianças bilingue
  • encorajar a aprendizagem e o aperfeiçoamento da língua portuguesa
  • despertar a atenção dos mais jovens para a importância da ciência e melhorar a sua performance escolar.

 

Um milhão de alunos no Reino Unido aprendem inglês nas escolas e comunicam através de outra língua em casa. Apesar de conhecidas as vantagens da aprendizagem de duas línguas, há um desafio que se impõe à integração social destes alunos na comunidade escolar. O reconhecimento deste problema e a necessidade de facilitar a integração destes alunos são a filosofia da NS.

 

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Tatiana Correia (à esquerda na foto) doutorou-se na Universidade de Cranfield e é actualmente gestora tecnológica para a Nanotecnologia e Metrologia, na agência de inovação do Reino Unido, The Knowledge Transfer Network. Joana Moscoso (à direita) é investigadora no Imperial College London na área da Microbiologia Molecular e juntas abraçaram este projecto.

Joana conta à Excelência Portugal que a ideia

surgiu quando eu e a Tatiana, juntamente com mais 7 colegas investigadores portugueses no Reino Unido, organizávamos o LUSO 2012, que é o encontro anual da PARSUK (Portuguese Association of Researchers and Students in the United Kingdom). A Tatiana, investigadora na área da física, tinha algum contacto com as crianças da comunidade de emigrantes portugueses em Londres e eu costumava voluntariar-me em escolas inglesas para falar sobre microbiologia, a área em que faço investigação. Juntas, apercebemo-nos que as crianças portuguesas a viver cá fora podiam beneficiar do contacto com cientistas. 

A Tatiana conta-nos a experiência positiva de uma primeira iniciativa, ainda fora do âmbito da NS, em que “9 cientistas portugueses falaram e demonstraram algumas atividades relacionadas com o seu trabalho a 25 crianças lusodescentes. A recetividade ao projeto por parte dos alunos, cientistas e professores foi excelente e por isso decidimos repetir”.

 A Native Scientist surge então em 2013, após as duas Joana e Tatiana terem vencido um prémio de empreendedorismo social, do Imperial College e UnLtd, para desenvolver o projeto.

Ambas as fundadoras fazem questão de referir o papel fundamental dos voluntários na organização que exige de todos “muita disciplina”. Relembram ainda a especial importância de “7 colaboradoras, também voluntárias, que nos ajudam a coordenar a marcação das sessões, a ida às escolas e o conteúdo nos social media.

 A Joana acrescenta ainda que

o coração da NS são de facto os cientistas, que disponibilizam parte do seu tempo para irem às escolas partilhar a sua experiência e assim, inspirar as crianças portuguesas cá fora, não só a aprenderem ciência, mas também, a usarem a língua portuguesa e manter viva a conexão com Portugal.

Confessa ainda que uma razão para a disponibilidade de tantos voluntários é que “ao contrário de outras oportunidades de voluntariado que existem, a NS proporciona uma experiência que é educativa e que apela ao elo de ligação cultural.”

O projeto inspirou não só cientistas portugueses mas também cientistas de outras nacionalidades: “ houve uma reação inesperada a este projeto por parte de outras comunidades no Reino Unido, como por exemplo a espanhola, francesa e alemã. Encaramos esta reação como uma oportunidade para aumentar o impacto da NS na integração e desenvolvimento social das comunidades emigrantes no Reino Unido.

As fundadoras desenvolvem agora planos para a expandir o projeto nas comunidades portuguesas doutros países.

Queremos crescer. O nosso plano é crescer nas comunidades portuguesas lá fora e replicar o projeto noutros países. Este ano fomos para França. Para o ano queremos começar na Alemanha. Para além disso, queremos também crescer no Reino Unido, dando especial atenção às comunidades minoritárias.

 

A NS pode ser seguida no Facebook e Twitter

 

NOS Alive’15 financia bolsas de investigação na área do Cancro e da Biodiversidade

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O NOS Alive’15 volta a associar a Ciência à Música. No âmbito da parceria estabelecida com o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), a Everything is New vai financiar mais duas bolsas de investigação científica, nas áreas da Genética do Cancro e Biodiversidade. Este ano, as bolsas NOS Alive-IGC’15 alargam pela primeira vez o seu raio de atuação à área de investigação do Cancro. Uma vez mais, os festivaleiros podem conhecer mais informações sobre estas bolsas no espaço do IGC no NOS Alive.

 

No primeiro dia do festival, 9 de julho, inicia-se o período de candidaturas às bolsas NOS Alive–IGC’15 que se prolonga até 11 de setembro. Jovens recém-licenciados têm a oportunidade de, durante um ano, integrarem uma equipa de investigação no IGC e desenvolverem um dos dois projetos de investigação a concurso.

O primeiro, na área da Genética do Cancro, foca-se um gene que regula o esqueleto da célula e procura investigar o papel que diferentes alterações nesse gene podem desempenhar na progressão do cancro da mama. Este projeto será desenvolvido no IGC em colaboração com um laboratório no Reino Unido.

O segundo projeto, na área da Biodiversidade, Genética de Populações e da Conservação de Espécies, tem como objetivo compreender como é que a fragmentação das florestas e perda de habitat afecta a estrutura social e diversidade genética de várias espécies de lémures e pequenos vertebrados de Madagáscar. O bolseiro que integrar este projeto poderá realizar trabalho de campo em Madagáscar ou trabalho computacional em França.

Quem quiser saber mais sobre estes projetos e a investigação que se faz no Instituto Gulbenkian de Ciência pode passar pelo espaço do IGC no NOS Alive’15 e participar em atividades científicas. Estas incluem um Quiz da Biodiversidade e um Game of Tumours, além do já conhecido speed-dating com cientistas. Os bolseiros NOS Alive das edições anteriores também estarão presentes para falar sobre a investigação que têm estado a desenvolver. Os festivaleiros podem ainda ver como se pode transformar um telemóvel num microscópio e experimentar comida molecular preparada pelo Cooking Lab.

As bolsas NOS Alive-IGC, tiveram início em 2008 e foram já atribuídas a 10 jovens. Os bolseiros das edições anteriores continuam a desenvolver projetos de investigação científica, quer em centros de investigação Portugueses (incluindo o IGC) quer no estrangeiro. Os primeiros bolseiros, João Alves e Alexandre Leitão, já concluíram o seu doutoramento e encontram-se atualmente a fazer um pós-doutoramento em Vigo, Espanha, e em Cambridge, Reino Unido, respetivamente.

O projeto de responsabilidade social que a Everything is New tem com o Instituto Gulbenkian de Ciência promove uma maior aproximação e interação entre os centros de investigação e a sociedade Portuguesa, estabelecendo formas alternativas de financiamentos para a investigação científica em Portugal que permitam a recém-licenciados iniciarem uma carreira em investigação científica.

 

Legenda: O bolseiro Gonçalo Matos a realizar trabalho laboratorial no Instituto Gulbenkian de Ciência. Créditos: Catarina Júlio, IGC.

Informação suplementar: Período de candidatura para as Bolsas de Investigação NOS Alive – Instituto Gulbenkian de Ciência: entre 9 de Julho a 11 de Setembro de 2014.

Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) é um dos principais institutos de investigação biomédica em Portugal. Foi fundado pela Fundação Calouste Gulbenkian com o objetivo de desenvolver investigação biomédica e ensino pós-graduado no país. O IGC funciona como instituição de acolhimento a grupos de investigação, liderados por cientistas nacionais e internacionais, possibilitando que esses desenvolvam os seus projetos autonomamente, usufruindo de instalações e serviços de excelência. Desde 1993 que o IGC desenvolve um programa intensivo de ensino pós-graduado e desde há alguns anos que tem apostado na comunicação de ciência e promoção da cultura científica em Portugal.

NOS Alive’15 tem data marcada para 9, 10 e 11 de julho, no Passeio Marítimo de Algés.

Site Oficiais

www.igc.gulbenkian.pt

http://nosalive.com/pt/

www.everythingisnew.pt

Vídeo Bolsas NOS Alive/IGC:

Contactos: Ana Mena | Comunicação de Ciência | Instituto Gulbenkian de Ciência | Tel. 21 440 7959 | anamena@igc.gulbenkian.pt

Joana Leite de Castro – Uma cidadã do Mundo e para o Mundo na primeira pessoa

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O meu nome é Joana, tenho 24 anos e sou eternamente do Porto, onde nasci e vivi até aos 21 anos. Sou a mais velha de 5 irmãos e tenho a sorte de ter uma família espectacular (grande e barulhenta) que me apoia em tudo! Estudei Gestão na Universidade Católica do Porto e foi no terceiro ano do curso que descobri a minha verdadeira paixão de viajar, conhecer novas pessoas e culturas e viver experiências incríveis. Fiz Erasmus durante um semestre em Istambul, na Turquia (melhor cidade do mudo cá entre nós!)jlc6

Por ter estudado Gestão, candidatei-me a várias grandes empresas de Marketing e grande consumo como Nestlé, Unilever, Danone, Procter and Gamble, evitando sempre as consultoras. Tinha tido uma experiência durante o curso com a Deloitte e percebi desde cedo que o ritmo de trabalho e a competitividade da área não se enquadravam comigo.

Acabei o curso e comecei a procurar trabalho fora, porque queria mesmo uma experiência internacional. Candidatei-me ao Projecto INOV Contacto, mas foi o ano em que congelaram o projecto de seleção devido à falta de fundos. Por ter estudado Gestão, candidatei-me a várias grandes empresas de Marketing e grande consumo como Nestlé, Unilever, Danone, Procter and Gamble, evitando sempre as consultoras. Tinha tido uma experiência durante o curso com a Deloitte e percebi desde cedo que o ritmo de trabalho e a competitividade da área não se enquadravam comigo. Não obtive resposta de nenhuma das candidaturas, e comecei um processo de entrevista para a Rocket Internet (startups).

Entretanto também tive uma entrevista na McKinsey, porque já estava a ficar um bocado ansiosa, andava a procurar de trabalho há mais de 5 meses, quando em Janeiro de 2012 recebi uma proposta para  a posição de Global Associate Brand Manager no Departamento de Marketing da Abbott Nutrition International – parte dos laboratórios Abbott: uma empresa farmacêutica sediada em Chicago, nos Estados Unidos. Nunca tinha ouvido falar da empresa, não conhecia os produtos e Nutrição não era bem a minha área, mas assim com um toque de sorte e umas entrevistas fora de série numa viagem a Chicago, consegui o trabalho!

Em poucos meses, a minha vida deu uma enorme volta! Como o processo de visto de trabalho nos Estados Unidos é muito complicado, durante o primeiro ano e meio estive baseada em Madrid, mas ia a Chicago onde estava o meu chefe e equipa, uma vez em cada dois meses. Como trabalhava no departamento internacional, tinha reuniões e congressos um bocado por todo o mundo. Uma sortuda, viajei para o Brasil, México, Istanbul, Londres, Itália, Índia, Vietnam, Malásia, Filipinas, Taiwan e várias cidades dos Estados Unidos. Claro que viajar em trabalho é diferente de viajar por prazer, mas apesar de tudo consegui aproveitar para conhecer pessoas espectaculares em todos estes sítios e guardo memórias incríveis!

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Não me identifiquei com alguns aspectos do estilo de vida, como o materialismo ou, a meu ver, a excessiva competitividade.

Ao fim do tal ano e meio, mudei me oficialmente para Chicago e vivi durante um ano o “American Dream”!  Confesso que era algo que sempre quis e que houve muita coisa que adorei, mas descobri também que não era para mim. Não me identifiquei com alguns aspectos do estilo de vida, como o materialismo ou, a meu ver, a excessiva competitividade. Podia escrever imenso sobre a minha experiência, talvez numa outra altura, mas tenho só de realçar também aspectos positivos como a liberdade e a tolerância intercultural, a independência das pessoas, principalmente dos jovens e a filosofia de “If you work hard, you can get what you want”.

Ao fim desse ano (com um Inverno horrível pelo meio) e passados no total 2 anos e meio super intensos, a trabalhar a mil, e com a empresa a sofrer grandes reestruturações, percebi que não estava feliz no trabalho e sentia me um bocado desiludida com o mundo corporativo. Alem disso sempre tive uma vontade grande de ajudar os outros (já fazia voluntariado em Portugal) e gostava de ir para África e para zonas mais subdesenvolvidas onde a pobreza é extrema e as crianças muitas vezes não têm acesso à educação.

Achei que seria uma boa altura para o fazer. Despedi-me em Novembro do ano passado e em Janeiro parti para o Quénia. Estive 3 meses em Nairobi, mais propriamente em Kibera a ajudar a Diana Vasconcelos (minha grande amiga que, apesar de Nortenha como eu, só conheci em Chicago) com a construção da escola pelo Projecto Há ir e voltar. Foi uma aventura, a primeira vez que estive em Africa e tive contacto com uma realidade tão diferente da nossa. Além disso apanhei uma fase complicada da construção, com alguns problemas de corrupção e com algumas pessoas a aproveitarem-se da nossa boa vontade, mas sempre inspirada pelos sorrisos daquela crianças!

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Eu e a Diana fizemos uma óptima equipa, foi bom poder estar lá e trazer algumas energias recarregadas e ajudar na fase final da inauguração da escola. Também estive envolvida na parte da gestão e organização da escola e na angariação de fundos. Foi uma oportunidade espectacular, porque estava mesmo no terreno quase todo os dias e envolvida num projecto informal (o que implica ter sempre muito que fazer!:)) Confesso que me custou imenso vir embora, mas sei que está tudo em boas mãos e a Diana é uma força da natureza!
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Entretanto vim para a Tanzânia, mais concretamente para Monduli, uma vila a cerca de uma hora de Arusha. Uma mudança completa de ambiente, passei de uma favela urbana (trânsito, confusão, muito barulho, muita vida) para o meio da natureza, do silêncio, muito verde, uma terra de Masais, onde só há um mini-mercado e não muito mais.

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Estou agora como professora voluntária numa escola local com 210 crianças desde a infantil até ao sexto ano. Veio também uma amiga minha de Portugal – a Francisca – que já tinha vindo aqui de férias e conhecido a escola e me tinha desafiado como segunda paragem. Damos aulas de Matemática, Inglês, Vocational Skills (uma disciplina que envolve desenho, artes plásticas, agricultura, dança e teatro) e Informática (quando a electricidade permite).
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Apesar da escola não estar habituada a ter muitos voluntários internacionais, fomos muito bem recebidas e as crianças adoram aprender connosco e são muito queridas. Está a ser um máximo!!! Principalmente por puder estar tão perto delas, por poder tentar explicar-lhes de uma forma diferente, trazer uma outra perspectiva na forma de aprender e estudar.

Não posso negar que claro que é muito reconfortante, que aprendo imenso com eles também e que este modo de vida simples de “hakuna matata” (não há problemas, tudo bem, tudo tranquilo) me está a deixar maravilhada e que me põe a pensar como tantas coisas do “nosso mundo” são tão superficiais e sem importância…

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Quanto ao futuro, conto ficar aqui até Agosto, e depois partir para o Sudoeste Asiático. A minha ideia é conseguir conciliar viajar com voluntariado e ir à África, Ásia e América Latina. Não tenho grandes planos de países ou bilhetes comprados, mas está a ser e vai continuar a ser um ano em grande!

Quanto à minha pessoa:
Sou uma optimista por natureza, sempre energia positiva, super prática e uma faladora nata. Adoro dançar e correr (fiz a minha primeira maratona em Chicago no ano passado:), ler e ver filmes. Tenho uma bucket list com imensas coisas que quero fazer (e algumas já feitas), mas o meu maior sonho é ser feliz e fazer os outros felizes:)

As minhas filosofias/quotes:
“Happy people don’t have the best of everything, they make the best of everything”
“Say yes and figure it out afterwards”
“Everything will be alright in the end, if it’s not alright, it’s not yet the end”

 

Nota:
Depois de conhecer a extraordinária história de vida (tão jovem e já tão rica) da Joana, não resisti a desafiá-la para a contar na primeira pessoa. Estou certo que será uma fonte de inspiração para muitos.

Obrigado Joana, por, mesmo longe e sem grandes meios, teres aceite o repto.

Miguel Marote Henriques

 

Fotos: DR

Mãe Carmo: o sonho moçambicano

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Versatilidade é uma das palavras que melhor define Carmo Jardim. Directora de Relações Governamentais e Institucionais da Volskswagen Autoeuropa, divide o seu tempo entre o trabalho de todos os dias e um dos seus projetos de vida, a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique. Sem filhos, é mãe de vários jovens moçambicanos por quem move mundos e fundos no sentido de lhes proporcionar melhores condições de vida e de educação. O projeto conta também com a colaboração de alguns padrinhos, que se juntam a Carmo Jardim nesta vontade de fazer a diferença na vida dos outros. ‘Mãe Carmo’, como é conhecida entre a comunidade que apoia, move-se por sorrisos e diz que criar a organização foi o concretizar de um sonho. Com orgulho no que já conquistou, mas consciente de que ainda há um longo caminho a percorrer, Carmo Jardim partilha histórias, sucessos e projectos para aquele que é um dos grandes projectos da sua vida, a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique.
Quando e como surgiu esta paixão por Moçambique?
Moçambique está no meu coração desde que eu me conheço como gente. Não nasci lá, só por acaso… Mas foi lá que eu passei a minha infância e a minha adolescência, foi lá que cresci e me fiz mulher.
O que é que estas pessoas têm de especial?
Quando se cresce numa terra como Moçambique, ao lado daquele povo tão sacrificado e encantador, é impossível não ficar amarrado para sempre! São pessoas que atravessam os momentos mais dramáticos e as situações mais difíceis com uma enorme coragem e confiança num futuro melhor. Infelizmente parece que esses tempos melhores ainda tardam a chegar. E é por essa razão que tudo o que possamos fazer para as ajudar é sempre pouco.
Como é que surgiu a ideia de criar a ONG SIM?
Desde que regressei a Moçambique pela primeira vez depois da independência, em 1995, que pude observar as condições de extrema carência em que viviam muitas comunidades. Fui sobretudo muito sensibilizada pela marginalização chocante das comunidades de pescadores do arquipélago do Bazaruto, que eu visitara muitas vezes na minha juventude. Fui ajudando como pude, com os meus modestos recursos pessoais e o contributo de alguns amigos, e a um dado momento falando com amigos moçambicanos pensámos que uma ONG teria outras oportunidades de captação de apoios. Assim nasceu a ONG SIM, Solidariedade Internacional a Moçambique.
Que projecto é este?
É o projecto de uma vida, da minha vida. Venho de uma família de muitos irmãos, tenho muitos sobrinhos que amo como filhos e a um certo passo da minha vida decidi não ter filhos e dedicar as minhas energias a ajudar causas, ajudar aquelas pessoas, que eu mal conhecia, mas cujos sacrifícios me doíam tanto. Os recursos são escassos, mas tentamos com imaginação e perseverança ir superando os obstáculos.
Quais são as áreas/regiões de intervenção?
Por agora, e para optimizar os recursos disponíveis na solução de problemas imediatos, concentrámos o nosso trabalho na Zona Norte da Ilha do Bazaruto e no Inhassoro, província de Inhambane, nas areas da educação, da saúde e do ambiente.
De que forma apoia as crianças?
Desde o início que constatámos que o grande obstáculo à promoção social daquelas comunidades era a educação. Com condições muito precárias na escola local, Sitone, da zona norte da Ilha do Bazaruto e sem recursos financeiros para prosseguir estudos no continente, a esmagadora maioria das crianças ou não ia ás aulas ou ficava pelos primeiros anos de escolaridade. Decidimos portanto ajudar a criar condições para tornar a escola mais atractiva. Distribuímos material escolar, roupas, equipamentos desportivos e financiámos obras nas instalações. Argumento decisivo para levar as crianças a gostar da escola foi a distribuição de uma lanche diário, que temos conseguido manter de há alguns anos para cá.
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Que histórias de sucesso nos pode contar?
Nesta matéria, o grande sucesso é fazer chegar jovens à universidade. E temos já dois casos que terminam a universidade este ano, no curso de Direito da Universidade Católica da Beira, o Pedro Maluane, na Universidade da Beira, termina o curso de gestão e finanças a Lucinda Cumbe e no 2º ano de Gestão Agrária na Universidade de Vilankulo o Arnaldo Chibale. Mas para nós, cada criança que avança um ano e dá mais um passo na sua promoção pessoal, é um caso de sucesso também!
De que forma podem outras pessoas apoiar as crianças da ONG SIM?
A forma mais directa, para quem pretenda fazer um contributo pontual, é fazer donativos numa das nossas contas em Portugal ou Moçambique. Também temos o programa de apadrinhamento das crianças, que basicamente consiste em bolsas para estudarem no ensino secundário no Inhassoro, e ainda para o programa do lanche escolar. Nestes dois casos os contributos são regulares e mensais.
Trabalha na Volkswagen Autoeuropa e tem vários compromissos profissionais. Como é que encaixa a ONG SIM no seu dia-a-dia?
Da forma mais natural do mundo: quando há um momento livre, dedico-o à SIM. Quando não há, e é mesmo preciso… invento-o!
O que é que a apaixona neste projecto?
Saber que há um número imenso de pessoas a precisar da nossa ajuda e que tudo o que eu possa fazer faz alguma diferença na vida de algumas dessas pessoas. Não podemos resolver todos os problemas e as desigualdades do mundo, mas podemos fazer a nossa parte. E se cada um fizer a sua parte, podem crer que o mundo vai melhorar e estas pessoas vão ter uma vida um pouco menos dura, pelo menos.
Numa frase, “A ONG SIM é…”
Um sonho feito realidade… E um caminho ainda longo para fazer…
Que planos tem para o futuro? Onde quer chegar com esta organização?
Neste tipo de actividade não há linha de chegada. Só há ponto de partida. No futuro é continuar o que estamos a fazer, tentar juntar mais apoios para poder contribuir para a promoção social de um maior número de crianças e adolescentes, não esquecendo o apoio que também queremos dar aos mais velhos. Há sempre mais e mais a fazer… Espero que a ONG SIM se consolide como um agente activo de cooperação para o desenvolvimento e que durante muitos e muitos anos possa continuar, com mais gente e mais recursos, a obra que vem sendo realizada.
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Para mais informações sobre a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique, pode consultar www.ongsim.org ou visitar a página de Facebook da organização.
Fotos: DR

Just a Change – Uma pequena grande mudança

LogoEm Portugal existem 150.000 famílias identificadas como vítimas de Pobreza Habitacional. Vivem em casas que não lhes concedem a dignidade a que todos os seres humanos têm direito.  Face a esta realidade cada vez mais próxima, sete jovens decidiram  por “as mãos na massa”.  Obra a obra, o “Just a Change” vai transformando as casas mais necessitadas e o mundo de quem as habita.

No princípio de 2010, dois amigos experimentaram ir tocar guitarra para a Baixa de Lisboa e conseguiram angariar algum dinheiro. “E agora, o que é que fazemos?” Foi através de algumas tentativas e erros que se chegou ao conceito actual: remodelar casas degradas de famílias e instituições. Assim, em  Fevereiro do mesmo ano foi fundado o projeto “Just a Change” e , sete meses mais tarde, oficialmente constituído como Associação Sem Fins Lucrativos.

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A origem do nome está relacionada com as duas vertentes marcantes do projecto. “Just a Change”, que significa “Apenas uma Mudança”, está associado à solução que se propõem a aplicar:  a remodelação de habitações desapropriadas para uma vida digna. Estas podem ser de famílias ou idosos portugueses bem como de instituições de solidariedade social. Pretende-se trazer “Apenas uma Mudança” que se revela significativa na qualidade de vida dos beneficiários. A outra denominação advém da expressão “Apenas uns trocos”. Foi através da primeira experiência de angariação de fundos que nasceu a ideia. Através do dinheiro doado pelas pessoas que passavam na rua surgiu a necessidade de o aplicar em algo que pudessem fazer realmente a diferença.

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“Casa sã, mente sã”
O “Just a Change” defende que é no direito a uma habitação digna que se encontra uma das necessidades mais profundas e imensuráveis  do ser humano: a necessidade de ser valorizado, respeitado e incentivado.  Devolver a dignidade habitacional a uma família pode ter impacto na sua vida ao nível social,  educacional, da saúde e  bem estar.  A reconstrução das casas assenta na esperança que se possa criar nos seus habitantes uma vontade de mudança e um sentimento de esperança e determinação nas suas vidas.
Durante toda a execução  o “Just a Change” tenta criar uma relação com os seus beneficiários,  atribuindo à obra uma dimensão humana e de convívio. Deixa de ser apenas um trabalho de construção civil para um trabalho de construção de relações. Desta forma, acrescenta-se valor e sentimento ao processo. Aos voluntários cabe o papel de contagiar a sua alegria aos habitantes e a toda a comunidade vizinha com o seu espírito jovem e animado
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Para acompanhar o crescimento desta associação, o grupo inicial de sete jovens que originou o projecto foi alargado para vinte e seis pessoas. Recentemente, António Bello, um dos fundadores , foi nomeado director executivo e está dedicado a tempo inteiro a este projecto. Estando associada a diversas instituições que conhecem em primeira mão a realidade das famílias, esta associação consegue actuar de forma mais eficaz e onde é realmente necessária .
Guiados pela visão de “Um mundo onde todos têm uma casa digna de se viver”, a missão do “Just a Change” passa também por mobilizar os jovens universitários como voluntários. Se estes forem sensibilizados a olhar para a dificuldades dos outros e para uma realidade social diferente da que vivem, constrói-se uma sociedade mais solidária e atenta às suas necessidades. Desde a sua génese, mais 800 voluntários tiveram a oportunidade de participar nesta experiência transformadora, adquirindo capacidades como o trabalho em equipa e gestão de tempo.
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Ser voluntária no Just A Change trouxe-me uma visão completamente diferente do Bairro da Serafina. Há muita vida e cultura por detrás de alguns muros destruídos pelo tempo.
Muito mais do que ajudar a construir casas para os que mais precisam naquele bairro, sinto que lhes devolvemos um pouco da sua história e a reconstruir o espaço a que chamam de lar.
Mafalda Cortinhal, voluntária do “Just a Change”

O balanço tem sido muito positivo com 28 casas particulares e 7 instituições já remodeladas. Estima-se ainda que 400 pessoas carenciadas tenham beneficiado directamente da acção do “Just a Change”.  O projecto têm trabalhado para  alcançar a auto-sustentabilidade do seu modelo operacional e financeiro, de forma a chegar ao maior número de casas possíveis.  Entretanto, foi reconhecido em 2011 com o prémio Do Something  na categoria de Melhor Projeto Nacional relacionado com as Artes e em 2013 com a menção honrosa do Prémio Voluntariado Jovem Montepio. Reconhecimentos que vieram comprovar o trabalho desta associação que pretende, com apenas uma mudança, mudar Portugal e o Mundo.

fotos: DR

Campeã de dança, manequim e voluntária – Margarida Dias em entrevista

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Margarida Dias tem 22 anos, nasceu em Braga, onde sempre residiu e ai concluiu a Licenciatura em Serviço Social na  Universidade Católica Portuguesa – Faculdade de Ciências Sociais. Na dança tem-se destacado a nível nacional, tendo alcançando já um palmarés muito interessante. Paralelamente, a moda tem-lhe “piscado o olho” e tem desfilado com alguma frequência.

Ligada à Pastoral Universitária descobriu o voluntariado em Cabo Verde, o que se tornou numa paixão. Localmente, coordena o voluntariado da Pastoral Universitária no Projecto Homem e faz voluntariado num lar de idosos.

A Excelência Portugal quis saber mais e entrevistou a Margarida.

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Este ano de competição foi super positivo. Alcancei todos os títulos nacionais tanto em Latinas como em Clássicas
- Com que idade descobriste a dança?  Foi a tua primeira modalidade?
Descobri a dança já relativamente tarde, com 16 anos por intermédio de uma amiga que me convidou a  experimentar uma aula de dança de salão. Não foi a minha primeira modalidade. Antes fui federada em Taekwondo mas , mais tarde deixei de praticar e assim que experimentei a dança de salão tive vontade de continuar.
 
Como conseguiste conjugar a alta-competição com a licenciatura?
Durante a licenciatura não foi muito difícil de conciliar porque os treinos eram ao fim da tarde e os campeonatos aos fins de semana. Na altura entrei na tuna e isso já não deu para conciliar porque coincidiam os horários, mas com a licenciatura nunca houve problema.
- Como decorreu este na Dança? Que títulos alcançaste ?
Este ano de competição foi super positivo. Alcancei todos os títulos nacionais tanto em Latinas como em Clássicas, nomeadamente o título de Campeã Nacional, o de campeã Nacional das 10 Danças, o de campeã do Ranking Nacional e o de campeã da Taça de Portugal nos dois estilos no meu escalão – Adultos Intermédios.
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O voluntariado muda qualquer pessoa, enriquece qualquer pessoa. Haverá sensação melhor do que vermos alguém feliz por algo que fizemos ou dissemos? Por vezes não é preciso muito! Sempre que entro no Lar de idosos onde faço voluntariado fico contente.
- Em que período da tua vida descobriste o voluntariado?  
Faço voluntariado desde que me lembro. Na Secundária, iniciei um projecto com atletas de desporto adaptado – Boccia de forma a conseguir alguns apoios e de eu própria apoiar a equipa em torneios. Fiz também voluntariado numa cantina social e visitas domiciliares a idosos para lhes fazer companhia. Mais tarde Comecei a fazer voluntariado num lar de idosos. Fiz ainda, já no final da Faculdade voluntariado em Cabo Verde.
 
- Através de que Instituição praticaste voluntariado e em que cenários/países?
Conheci a Pastoral Universitária na Universidade. A Pastoral Universitária apoia estudantes universitários e promove actividades por eles e para eles. Foi assim que tive a oportunidade de ir a Cabo Verde como voluntária nesta que foi a melhor experiência que tive, apesar de que tudo o que seja feito com amor pelos outros tenha um valor inestimável.

 
- Cabo Verde tornou-se uma paixão?  O que te cativou?
Desde o início da Faculdade que comecei a conhecer a cultura cabo-verdiana. O que mais me cativou e que tive oportunidade de comprovar no próprio país foi a simplicidade e o acolhimento.  Somos sempre bem recebidos. De uma forma tão simples e tão natural que não sei se em Portugal acolhemos da mesma maneira…
 
- Em que ilhas estiveste e que projectos desenvolveste?Estivemos na ilha de Santiago e na Ilha do Maio. Acho que mais do que desenvolver projectos, estivemos lá para ensinar e aprender. Provavelmente aprendemos mais do que ensinamos. Foi muito enriquecedor conviver com as comunidades, perceber a forma como gostavam da nossa companhia.

-  O que mudou em ti depois do voluntariado?
O voluntariado muda qualquer pessoa, enriquece qualquer pessoa. Haverá sensação melhor do que vermos alguém feliz por algo que fizemos ou dissemos? Por vezes não é preciso muito! Sempre que entro no Lar de idosos onde faço voluntariado fico contente. Apesar de custar ver algumas coisas, ficam tão contentes por um simples carinho ou um olá que já vale a pena! O voluntariado torna as pessoas menos egoístas, penso eu. Pensar no outro e conseguirmos colocar-nos no seu lugar é óptimo para nós próprios e para pensarmos em como gostamos de ser tratados também.
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A moda é outra parte da minha vida. Faz-me sentir bem comigo mesma e gostar mais de mim – não que eu não goste!
- A moda também tem estado presente na tua vida. Que papel representa e que importância lhe atribuis?
 A moda é outra parte da minha vida. Faz-me sentir bem comigo mesma e gostar mais de mim – não que eu não goste! Apesar de tudo, sempre que desfilamos ganhamos mais confiança, sentimo-nos bem, pelo menos é isso que sinto. Apesar de também a ter descoberto relativamente tarde, tem-me feito sentir muito bem.
 
- Quais as tuas expectativas a nível profissional?
A nível profissional, não poderia ter escolhido um curso diferente. Ser Assistente Social era o que queria e quem me conhece sabe que é a profissão que mais me realiza. Apesar de ser uma área bastante complicada, é muito gratificante. Não descarto a possibilidade de trabalhar no estrangeiro mas penso que em Portugal é uma profissão necessária e espero que o futuro seja risonho.
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fotos: DR e Nobodymodels

O BET 24 Horas está de volta já no dia 11 Abril

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O BET 24 Horas está de volta já no dia 11 Abril
Com um total de prémios de sete mil euros, o BET 24 vê a sua terceira edição a acontecer, em duas fases distintas: a 11 de Abril e 9 de Maio.

Depois de nas edições anteriores ter oferecido uma viagem a Silicon Valley, este ano os vencedores têm ainda a oportunidade de visitar as tech-hubs de Dublin e Londres.

A 1ª fase irá decorrer na Universidade Católica Portuguesa e será composta por quatro desafios. Durante as quatro semanas que separam a 1ª da 2ª fase da competição, serão realizados workshops, eventos de networking com investidores e encontros com mentores. Os participantes terão ainda o apoio da equipa do BET para desenvolverem as suas ideias de negócio.

A 2ª fase e fase final do evento será na Fundação Gulbenkian, onde decorrerão as quatro finais dos desafios num formato ao estilo “Shark Tank”. Neste dia, decorrerá também uma feira de start-ups portuguesas de sucesso e estarão presentes jurados e oradores de referência nacional e internacional.

As inscrições são gratuitas e a competição conta com 11 workshops e oportunidades de networking, com candidaturas abertas até a 8 de Abril , e realizadas através do website www.bet24horas.pt.

O projecto Transformers vai-se transformar e deixar que mais jovens se transformem consigo

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O Projecto Transformers está a organizar o evento IGNITE TRANSFORMERS que promete deixar ainda mais colorida a primeira noite da Primavera. Vai se realizar já neste sábado, dia 21 de Março de 2015, entre as 18:30 e 22:00 no Museu da Electricidade, em Belém, e requer presença obrigatória a todos aqueles que querem transformar a sua comunidade.

O projecto nasceu em 2010 por um grupo de amigos que, a partir do break-dance, descobriu que podia integrar jovens em situações desfavorecidas e ajudá-los a encontrar um caminho mais positivo na sua vida. O projecto já conseguiu mobilizar mais de 160 mentores, os chamados transformers, das diversas formas de arte, desportos e demais actividades para orientarem mais de 1600 jovens em bairros sociais, escolas problemáticas, centro de acolhimento e de detenção.

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Esta associação acredita que estes jovens muitas vezes marginalizados não são indiferentes ao que os rodeia e simplesmente ainda não encontraram a sua própria maneira de fazer a diferença. Desta forma são dadas ferramentas para que estes possam intervir na sua comunidade e contribuir eles próprios para os desafios sociais emergentes que assistimos.

No Transformers “o lugar de todos é o lugar de cada um” e por isso cada transformer contribui com aquilo que mais gosta de fazer: teatro, fotografia, pintura, boxe, bateria, surf ou grafitti. Todos os talentos são bem-vindos desde que se faça com paixão e tenha vontade de a contagiar aos jovens.

No evento IGNITE TRANSFORMERS vão estar presentes 16 transformers com o objectivo de partilhar os seus testemunhos e histórias de vida. Espera-se ainda muitas surpresas, onde se incluem espectáculos dinamizados por jovens inseridos nos programas.

Serão também apresentadas as linhas gerais do novo modelo de actuação e o evento servirá ainda de angariação de fundos para financiar a transição do projecto para o novo modelo.

(cada bilhete individual online é 5 euros e no próprio dia é 8 euros)

 

 

 

 

 

 

 

 

https://vimeo.com/34234351

 

 

 

 

 

fotos: DR

Liza Martins – Uma portuguesa a viajar pelo Mundo

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Liza Martins viaja pelo Mundo. Quando a “encontramos” estava em Bogotá na Colômbia. Agora está na Ilha Holbox, no México. Mas dentro de 4 dias estará… Em Tóquio.
Nesta viagem já percorreu o sul do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala e México (só zona sul, mar caraíbas). Dia 23 viaja para Tóquio, Japão. Na Ásia vai visitar Filipinas, Myanmar, Indonésia …. e vai ainda tentar pisar a Austrália e Nova Zelândia. O término será na Índia.
O que não fizer nesta viagem fará na próxima que já está programada.
A Excelência Portugal “esbarrou” com a viajante e quis perceber o que a motivou,  o que a inspira e o que “respira”.

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Quando se perde uma mãe tão cedo toma-se consciência de que a vida não é um bem garantido, é curta, e assume-se uma herança: a obrigação de sermos felizes por nós e por ela. Pelo menos comigo assim foi!

Quem é Liza Martins?

Nasceu na Venezuela a 12 Maio 1973 e aos 2 anos regressa a Portugal devido a problemas de saúde da mãe. Aos 4 anos perde a mãe e vive uma infância com pai austero e madrasta, com carências de todo o tipo.
Aos 16 anos sai de casa, quando a irmã completa 18. Para trás ficam 16 anos menos bons mas uma vida inteira pela frente para ser feliz.
“Quando se perde uma mãe tão cedo toma-se consciência de que a vida não é um bem garantido, é curta, e assume-se uma herança: a obrigação de sermos felizes por nós e por ela. Pelo menos comigo assim foi!”.
Duas preocupações desde então: sustentar-se e continuar a estudar.

O Percurso profissional

Aos 18 anos muda-se para o Porto e obtém a Licenciatura em Relações Públicas na Universidade Fernando Pessoa. Termina com média de 14 valores. Chegou a ter 3 empregos, acordava às 6h, estudava até tarde, a meio do 1o ano, teve um esgotamento.
No segundo ano da Faculdade ingressa no maior Banco Privado Português, o BCP, onde esteve 20 anos e fez uma carreira brilhante, assim considera. Começou no telemarketing, foi gestora, gerente de vários balcões e responsável regional de negócio do Algarve e Baixo Alentejo. Nos últimos 8 anos foi Gestora da Marca Millennium na Direcção de Comunicação do Banco. Fez tudo o que sonhou dentro do banco. Até mais. Recebeu um prémio de Excelência. Foi proposta a 2.
Entretanto, nunca parou de estudar. Procurava matérias diferentes do que fazia no Banco: Teatro, Protocolo, Fitness, Formação de formadores, Massagens, Línguas e um Mestrado em Marketing.

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Posso ser tudo o que eu quiser. Só é preciso trabalhar.


E porque não mudar de vida?!

Em 2012, o Banco atravessa o pior momento de sempre. A operação na Grécia provoca um buraco financeiro crescente e a acção chega a valer apenas 0,8€. O Estado Português intervém na banca portuguesa em geral, impondo uma condição ao Millennium bcp: o Banco tem que emagrecer o seu quadro de pessoal que é demasiado pesado. Até ao fim do ano teria que despedir 600 pessoas. Um ano depois mais 1.200.

Em Novembro o Banco selecciona 700 pessoas. 300 recusam, na sua maioria directores. É criado então um processo de voluntários: “quem quiser sair agora com estas condições (óptima indemnização, crédito habitação e seguros vitaliciamente com taxa de bancários, direito a subsídio desemprego…), voluntarie-se.”

Depois de duas noites à frente de folhas de excel, a pensar em todos os cenários e no que podia fazer depois….decidiu candidatar-se a sair. Não a queriam deixar sair: “o Banco não tem que pagar a pessoas imprescindíveis como tu e com a tua competência, para saírem do Banco.”

Foi até ao Presidente do Banco para conseguir sair. Já não conseguia olhar para trás. Sabia exactamente o que iria fazer dali em diante. No dia 12-12-12 assina o seu contrato de rescisão voluntária com o Banco.

A viagem

No dia 9 Outubro de 2014 começa a viagem no Brasil.
Percorre o Sul do Brasil, atravessa o país até ao Pantanal e começa a subir, sempre por terra, pela Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala e México. Dia 23 apanha um voo para Tóquio. Pretende visitar os países da Ásia que ainda não conhece e pelos quais sente atracção. Depois vai tentar Austrália, Nova Zelândia e  Índia.
Este é o plano mas está tudo em aberto. Neste momento, o seu único desejo, é continuar a viajar. Consegue imaginar-se a fazer isto por largos anos. Sente-se em total sintonia com o Universo.
Sustenta-se com o dinheiro que juntou nos dois últimos anos. Até agora, em quase 6 meses de viagem, gastou 5.000€ incluindo os voos e todo o tipo de despesas. Mas cada dia aprende novas formas de poupar. No Brasil gastou 36€ por dia. Na Colômbia 17€. Não anda de táxi, não usa lavandarias, não frequenta restaurantes e não lancha em pastelarias. Compra fruta, bebe água da torneira, procura as companhias de transportes mais baratas, faz os percursos a pé sempre que possível e fica sempre em quartos partilhados. Compras só o estritamente necessário para viver.

Enfim…milhares de formas para viver com pouco…muito pouco e não precisar de mais do que isso.

Porque viaja a Liza?

Viaja por Curiosidade. Viajo porque precisa de saber como é aquele lugar, como se vive ali, como são os seus habitantes, como se vestem e se comportam. E não lhe basta ler um artigo, ver fotos ou uma reportagem na televisão. Tem que ir eu ver como é, sentir o pulsar do lugar, os cheiros, os sabores, os ruídos, o toque das pessoas.
Viajar para si é ter os 5 sentidos bem despertos e não deixar escapar nada.
Não usa phones. Gosta de ouvir tudo, a música tradicional que passa nos transportes públicos, os gritos estridentes das crianças, as discussões dos adultos, as gargalhadas dos adolescentes.
Gosta de comer nos mercados, as comidas tradicionais, sentar-se com os locais à mesa, comer da mesma travessa e com as mãos, sem preconceitos. E eles apreciam. Gosta de agarrar a mão de alguém que a tratou bem e sentir a pele calejada ou delicada. E abraça todos aqueles com quem privou mais de 1h. Gosta do cheiro da fruta, das comidas de rua, do pão, dos perfumes, da chuva e do cheiro característico da cidade.

Viaja porque se sente afortunada e livre.

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Como começou este bichinho?

Começou a viajar aos 26 anos, depois de terminar a universidade e ganhar alguma estabilidade financeira. Primeiro lugar: Cuba. Era diferente. Tinha que ir ver.
A partir daí passou a viajar 2 a 3 vezes por ano. Todos os dias de férias eram para viajar. E a sua vida girava em torno disso. Sempre poupou em tudo para viajar.
Quando alguns amigos começaram a viajar por longos períodos e sozinhos sentiu que esse era o seu caminho. Um dia decidiu ir à Argentina sozinha. 3 semanas, de Iguaçu à Patagónia. Nessa viagem percebeu que tinha sido feita para viajar sozinha. E sonhava com o dia em que podia viajar por tempo indeterminado, como os viajantes com quem se cruzava nas suas viagens.
Mal surgiu a oportunidade de sair do Banco a única certeza que tinha era a de ia dar a volta ao mundo, por tempo indeterminado.

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A sensação de desapego é fantástica. A Liberdade é total.

Como está a correr a experiência?

Muito melhor do que alguma vez imaginou. Está mais feliz, leve e completa do que nunca! A sensação de desapego é fantástica. A Liberdade é total. A bagagem de 9 kg é mais do que suficiente, os quartos e banhos partilhados são perfeitos, os autocarros velhos são típicos e o escasso orçamento leva-a onde quer … não precisa de mais.

Nunca lhe deu tanto prazer cozinhar, lavar a roupa, gerir tempo, dinheiro e a passagem pelos países. Não se canso de terminais de autocarros, de fazer e desfazer mochila, de pesquisar hostels e atracções nos novos lugares, de estar sempre a mudar.

Todos os dias, mesmo todos, são ricos e especiais.

Se pudesse, passava o resto dos seus dias a viajar. Não por não estar a trabalhar (adora trabalhar) mas por estar todos os dias a ver coisas novas.
O Mundo é imenso e surpreendente. Não faz sentido não conhecê-lo o mais que possa. Vê por si, pelos que não podem ver, pelos que gostariam de ter visto. É a sua missão, e está a cumpri-la muito FELIZ.

 

fotos e texto: Liza Martins
edição: Miguel Marote Henriques

Entrevista – Do Barreiro para a maior favela do mundo

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Aos 26 anos, Marta Baeta é  uma miúda sonhadora que quer tornar o Mundo num lugar melhor. Vive entre o Barreiro e a Kibera, uma favela do Quénia. É viciada em sol e em praia, em viagens e em sair com os amigos. Adora comer e dançar. Agora até já gosta da sensação de ser emigrante. 
Esteve 3 anos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa a estudar Química mas no 3º ano desistiu, não era aquilo que queria fazer e mudou para a Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa para estudar Relações Públicas e Comunicação Empresarial, foi ai que se licenciou, depois de 3 anos como Vice-Presidente da Associação de Estudantes da ESCS, de vários estágios e de mil actividades extra-curriculares.

Já foram garantidos 160 anos escolares e 60 mil refeições.

P: Como chegaste até ao voluntariado?

Fiz sempre voluntariado. Em criança fui escuteira. A minha avó foi toda a vida voluntária na Cruz Vermelha Portuguesa e eu acompanhei-a sempre. Na escola participei sempre na confecção dos cabazes de Natal para as famílias mais necessitadas e ainda hoje quando estou em Portugal no Natal (o que é raro) tento sempre passar essa noite com crianças de instituições. Os meus pais sempre me educaram a ajudar o próximo e desde pequena que sempre participámos em várias campanhas de angariação de fundos e de bens materiais e sempre que via alguém na rua a passar dificuldades acabava por levar um cobertor, alguma comida e o que fosse necessário.Fiz voluntariado com animais abandonados, com sem abrigo, com crianças com deficiência, dei explicações em bairros problemáticos de Lisboa e fiz várias formações de voluntariado internacional.Sempre recolhi em minha casa animais de rua e no Brasil quando fiz intercâmbio universitário fui família de acolhimento temporária de 8 cães. Digamos que o voluntariado foi sempre uma constante na minha vida.

P: Através de que instituições praticaste voluntariado?

Através da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita, da Comunidade Vida e Paz, do Banco Voluntariado de Lisboa, da CASA – Centro de Apoio ao Sem abrigo, na Casa de Saúde Mental do Telhar, do GASNova.

P: Quantas experiências tiveste e e que países

Três. Em Portugal, Brasil e Quénia.

P: O que sentiste ao chegar ao primeiro local de missão?

Que não era real e que era impossível (sobre)viver-se ali, naquelas condições. O cheiro era nauseabundo, havia lixo e lama por todo o lado. Muitas pessoas a andar rápido e de um lado para o outro. Ruelas e mais ruelas, as casas pareciam todas iguais e o caminho para chegar à escola era enorme. Sentia muito medo ao início, as coisas em Kibera há uns anos atrás também eram mais perigosas. E eu era uma miúda quando fui a primeira vez para lá. Havia muitas crianças e animais também pelas ruas, no meio do lixo a vasculharem, à procura de comida e de brinquedos e de coisas com que se entreterem. Havia música por todo o lado e com o passar do tempo entendi que aquela gente apesar de não ter nada e de viver no pior lugar do mundo era feliz. Hoje em dia já nada me faz grande confusão, já acho tudo normal e acho que Kibera é um bom local para se viver.

P: O que mudou em ti depois do voluntariado?

Fiquei muito mais madura, ao longo destes anos sinto que cresci imenso. Fiquei muito mais tolerante e com uma maior capacidade para aceitar tudo. Também há coisas más…eu nunca fui muito pontual, agora ainda sou menos. Quando se marca algum encontro / reunião no Quénia tens sempre de referir que não é Quenian Time, porque se não a coisa pode atrasar-se várias horas. E eu herdei isso deles, fiquei ainda pior. Agora poucas coisas do nosso mundo me deixam mesmo preocupada e me afligem.

P: Como nasceu o From Kibera with love?

Depois da minha experiência enquanto voluntária, quando regressei a Portugal entendi que as pessoas que já tinham ajudado as crianças queriam continuar a ajudá-las e estavam realmente empenhadas e decididas a mudar as suas vidas. Entretanto foram aparecendo cada vez mais pessoas interessadas em ajudar e em contribuir para o que eu estava a criar e a começar. As pessoas perguntavam quando iria voltar ao Quénia, sendo que nessa altura isso era algo que ainda não passava pela minha cabeça. Achava que não iria voltar tão cedo. As pessoas questionavam sobre a educação dos miúdos no ano seguinte e como seria se eles ficassem doentes etc. Ao mesmo tempo a ajuda que foi chegando era cada vez maior e eu comecei a perceber que podia fazer algo mais e podia realmente continuar o que tinha começado sem me aperceber. A partir daí foi uma bola de neve, foi chegando cada vez mais ajuda, cada vez mais pessoas ficavam a conhecer o projecto e era cada vez mais fácil fazer mais coisas por estas crianças e de forma a tornar a vida delas melhor.

P: O que já foi feito e o que falta fazer?

Já foram garantidos 160 anos escolares e 60 mil refeições. Mas o mais importante é a mudança na vida destas crianças. Quando as conheci elas estudavam em escolas sem qualquer condição, sem material escolar, sem uma refeição por dia. Agora algumas delas estão numa das melhores escolas de Nairobi com resultados excelentes.Estas crianças neste momento estudam em escolas onde o ensino é oficial, onde os professores são muito exigentes, onde se aprende e se fala em inglês. Onde têm acesso a água potável e filtrada, onde fazem uma alimentação rica e variada. Têm actividades extra curriculares (ballet, natação, aulas de computador, grupo de dança e equipa de futebol). Já tiveram experiências e dias maravilhosos (piscina, parque infantil, insufláveis, pinturas faciais, cinema). Finalmente sabem o que é uma festa de anos, até agora nunca ninguém tinha celebrado o seu aniversário. Fiz obras e coloquei luz natural na escola onde comecei por ser voluntária, deixou de chover dentro da escola e as condições de esgoto foram melhoradas.

Estão 4 jovens no ensino secundário e pelo menos 2 deles irão para a universidade. Melhoramentos nas casas das famílias apoiadas pelo projecto através da aquisição de camas, mesas, fogão a carvão, caixas de lata onde guardam os pertences, colchões, redes mosquiteiras. Apoio médico gratuito , desde consulta a medicação a exames e a curativos.  Criados 5 postos de trabalho e melhoria de 3 outros negócios dos pais.

Falta sempre muito, falta melhorar as condições em que estas famílias vivem, falta proporcionar mais experiências únicas a estas crianças para que elas tenham noção do mundo que existe à parte de kibera para que queiram fazer parte dele um dia mais tarde. Falta trabalhar mais no planeamento familiar.

P: Que apoios tens?

Só apoios de pessoas em particular, de grupos de amigos que se juntam e de grupos de colegas de trabalho que decidem enquanto ‘empresa’ ajudar. Não há financiamentos nem patrocínios. Mas os portugueses realmente são extraordinários e extremamente solidários. Só assim foi possível chegar onde cheguei.

Há algumas escolas que se associaram ao projecto e que são parceiros fantásticos, o Colégio Minerva por exemplo realiza ao longo do ano diversas actividades de angariação de fundos e tenta que realmente toda a comunidade escolar se envolva com o projecto.

P: Como é que os interessados podem apoiar o projecto?

Podem visitar o nosso facebook e ficar a conhecer um pouco mais da história destas crianças e das suas famílias. Podem dar a conhecer o projecto a mais pessoas. Podem apadrinhar uma criança garantindo assim a continuação do acesso à educação da mesma. Podem realizar um actividade de angariação de fundos para o projecto (concerto, caminhada, festa, espectáculo, aula de zumba, de yoga). Podem efectuar um donativo pontual ou como resposta aos apelos que vou fazendo no facebook. Podem adquirir o artesanato que temos para venda no facebook e que vamos vendendo em feiras e mercados, todo feito pelos pais das crianças e por membros da comunidade de Kibera.

 
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P: Vieste a Portugal para promover o projecto. Que feedback e apoios obtiveste?

Sempre que venho a Portugal tento dar a conhecer o From Kibera With Love a mais pessoas e angariar mais fundos. Só assim é possível dar continuidade ao trabalho já feito. Desta vez está a correr realmente muito bem, estou a conseguir chegar a cada vez mais pessoas, temos já 2 núcleos de voluntários a funcionarem de forma independente, para além do que já existe no Barreiro / Lisboa, agora temos no Porto e nos Açores, no Pico. Durante estas 2 semanas que já passaram realizaram-se dezenas de actividades de angariação de fundos e de divulgação do projecto , todas elas com enorme sucesso e adesão. Os objectivos semanais a que me propus têm sido todos atingidos e estou a conseguir criar novas parcerias, com escolas, marcas já existentes e a angariar novos doadores e padrinhos.

P: Do que mais sentes falta no Quénia?

Da minha família, dos meus amigos e dos meus animais, como é óbvio.Da boa comida portuguesa, das nossas praias, da liberdade de andar sozinha na rua sem que ninguém me aborde e sem estar sempre alerta para os perigos. De vestir o que quero sem que me incomodem na rua, de sair à noite de casa sem pensar será que vai correr tudo bem.Do conforto do meu lar, de puder abrir uma torneira e beber água, de ter uma casa de banho normal, de tomar banho sem ser num alguidar com um jarro de água. Sinto falta da civilização, dos bons modos e bons hábitos que nós temos. Das ruas limpas, dos meios de transporte que funcionam, de me sentar numa esplanada ao sol.

P: Estão outros portugueses lá como a Diana Vasconcelos, como se relacionam?

Só recentemente comecei a relacionar-me com os portugueses que também vivem em Nairobi ou que visitam frequentemente Nairobi em trabalho, são para além de bons amigos, um escape para os problemas e para o stress que vivo em Kibera. Há um grande espírito de entre ajuda entre os portugueses e eles de alguma forma protegem-me e têm um carinho especial por mim, por ser a mais nova do grupo, pelo que faço, pelas condições em que vivo e pela vida que escolhi para mim no Quénia.  Recebi a Diana muito bem quando ela chegou a Nairobi, posso dizer que fui uma boa anfitriã, dei-lhe todas as dicas que pude e todos os conselhos. Entretanto cada uma tem a sua vida. Vejo-a muito pouco mas quando nos vemos é uma festa.

P: O que te faz voltar ao Quénia? As crianças?

São as crianças sem dúvida, desde o primeiro dia que tudo o que faço e tudo aquilo a que me sujeito é por elas. E se optei por dedicar todo o meu tempo e energia a estas crianças é porque elas são simplesmente maravilhosas e não têm culpa do lugar em que nasceram.Mesmo quando fui ameaçada de morte e regressei ao Quénia uns meses depois, apesar de ir cheia de medo e com o coração apertado, havia algo que me movia e que não me permitia desistir, eram elas, eram os sorrisos delas e a força delas para continuarem a sobreviver neste mundo.

P: Tens outros projectos em mente ?

Sim mas por enquanto são segredo!  Mas passam por continuar em Kibera e também prestar ajuda em outros países, nomeadamente em Portugal.

fotos: DR