
O meu nome é Joana, tenho 24 anos e sou eternamente do Porto, onde nasci e vivi até aos 21 anos. Sou a mais velha de 5 irmãos e tenho a sorte de ter uma família espectacular (grande e barulhenta) que me apoia em tudo! Estudei Gestão na Universidade Católica do Porto e foi no terceiro ano do curso que descobri a minha verdadeira paixão de viajar, conhecer novas pessoas e culturas e viver experiências incríveis. Fiz Erasmus durante um semestre em Istambul, na Turquia (melhor cidade do mudo cá entre nós!)
Por ter estudado Gestão, candidatei-me a várias grandes empresas de Marketing e grande consumo como Nestlé, Unilever, Danone, Procter and Gamble, evitando sempre as consultoras. Tinha tido uma experiência durante o curso com a Deloitte e percebi desde cedo que o ritmo de trabalho e a competitividade da área não se enquadravam comigo.
Acabei o curso e comecei a procurar trabalho fora, porque queria mesmo uma experiência internacional. Candidatei-me ao Projecto INOV Contacto, mas foi o ano em que congelaram o projecto de seleção devido à falta de fundos. Por ter estudado Gestão, candidatei-me a várias grandes empresas de Marketing e grande consumo como Nestlé, Unilever, Danone, Procter and Gamble, evitando sempre as consultoras. Tinha tido uma experiência durante o curso com a Deloitte e percebi desde cedo que o ritmo de trabalho e a competitividade da área não se enquadravam comigo. Não obtive resposta de nenhuma das candidaturas, e comecei um processo de entrevista para a Rocket Internet (startups).
Entretanto também tive uma entrevista na McKinsey, porque já estava a ficar um bocado ansiosa, andava a procurar de trabalho há mais de 5 meses, quando em Janeiro de 2012 recebi uma proposta para a posição de Global Associate Brand Manager no Departamento de Marketing da Abbott Nutrition International – parte dos laboratórios Abbott: uma empresa farmacêutica sediada em Chicago, nos Estados Unidos. Nunca tinha ouvido falar da empresa, não conhecia os produtos e Nutrição não era bem a minha área, mas assim com um toque de sorte e umas entrevistas fora de série numa viagem a Chicago, consegui o trabalho!
Em poucos meses, a minha vida deu uma enorme volta! Como o processo de visto de trabalho nos Estados Unidos é muito complicado, durante o primeiro ano e meio estive baseada em Madrid, mas ia a Chicago onde estava o meu chefe e equipa, uma vez em cada dois meses. Como trabalhava no departamento internacional, tinha reuniões e congressos um bocado por todo o mundo. Uma sortuda, viajei para o Brasil, México, Istanbul, Londres, Itália, Índia, Vietnam, Malásia, Filipinas, Taiwan e várias cidades dos Estados Unidos. Claro que viajar em trabalho é diferente de viajar por prazer, mas apesar de tudo consegui aproveitar para conhecer pessoas espectaculares em todos estes sítios e guardo memórias incríveis!

Não me identifiquei com alguns aspectos do estilo de vida, como o materialismo ou, a meu ver, a excessiva competitividade.
Ao fim do tal ano e meio, mudei me oficialmente para Chicago e vivi durante um ano o “American Dream”! Confesso que era algo que sempre quis e que houve muita coisa que adorei, mas descobri também que não era para mim. Não me identifiquei com alguns aspectos do estilo de vida, como o materialismo ou, a meu ver, a excessiva competitividade. Podia escrever imenso sobre a minha experiência, talvez numa outra altura, mas tenho só de realçar também aspectos positivos como a liberdade e a tolerância intercultural, a independência das pessoas, principalmente dos jovens e a filosofia de “If you work hard, you can get what you want”.
Ao fim desse ano (com um Inverno horrível pelo meio) e passados no total 2 anos e meio super intensos, a trabalhar a mil, e com a empresa a sofrer grandes reestruturações, percebi que não estava feliz no trabalho e sentia me um bocado desiludida com o mundo corporativo. Alem disso sempre tive uma vontade grande de ajudar os outros (já fazia voluntariado em Portugal) e gostava de ir para África e para zonas mais subdesenvolvidas onde a pobreza é extrema e as crianças muitas vezes não têm acesso à educação.
Achei que seria uma boa altura para o fazer. Despedi-me em Novembro do ano passado e em Janeiro parti para o Quénia. Estive 3 meses em Nairobi, mais propriamente em Kibera a ajudar a Diana Vasconcelos (minha grande amiga que, apesar de Nortenha como eu, só conheci em Chicago) com a construção da escola pelo Projecto Há ir e voltar. Foi uma aventura, a primeira vez que estive em Africa e tive contacto com uma realidade tão diferente da nossa. Além disso apanhei uma fase complicada da construção, com alguns problemas de corrupção e com algumas pessoas a aproveitarem-se da nossa boa vontade, mas sempre inspirada pelos sorrisos daquela crianças!

Eu e a Diana fizemos uma óptima equipa, foi bom poder estar lá e trazer algumas energias recarregadas e ajudar na fase final da inauguração da escola. Também estive envolvida na parte da gestão e organização da escola e na angariação de fundos. Foi uma oportunidade espectacular, porque estava mesmo no terreno quase todo os dias e envolvida num projecto informal (o que implica ter sempre muito que fazer!:)) Confesso que me custou imenso vir embora, mas sei que está tudo em boas mãos e a Diana é uma força da natureza!

Entretanto vim para a Tanzânia, mais concretamente para Monduli, uma vila a cerca de uma hora de Arusha. Uma mudança completa de ambiente, passei de uma favela urbana (trânsito, confusão, muito barulho, muita vida) para o meio da natureza, do silêncio, muito verde, uma terra de Masais, onde só há um mini-mercado e não muito mais.

Estou agora como professora voluntária numa escola local com 210 crianças desde a infantil até ao sexto ano. Veio também uma amiga minha de Portugal – a Francisca – que já tinha vindo aqui de férias e conhecido a escola e me tinha desafiado como segunda paragem. Damos aulas de Matemática, Inglês, Vocational Skills (uma disciplina que envolve desenho, artes plásticas, agricultura, dança e teatro) e Informática (quando a electricidade permite).

Apesar da escola não estar habituada a ter muitos voluntários internacionais, fomos muito bem recebidas e as crianças adoram aprender connosco e são muito queridas. Está a ser um máximo!!! Principalmente por puder estar tão perto delas, por poder tentar explicar-lhes de uma forma diferente, trazer uma outra perspectiva na forma de aprender e estudar.
Não posso negar que claro que é muito reconfortante, que aprendo imenso com eles também e que este modo de vida simples de “hakuna matata” (não há problemas, tudo bem, tudo tranquilo) me está a deixar maravilhada e que me põe a pensar como tantas coisas do “nosso mundo” são tão superficiais e sem importância…

Quanto ao futuro, conto ficar aqui até Agosto, e depois partir para o Sudoeste Asiático. A minha ideia é conseguir conciliar viajar com voluntariado e ir à África, Ásia e América Latina. Não tenho grandes planos de países ou bilhetes comprados, mas está a ser e vai continuar a ser um ano em grande!
Quanto à minha pessoa:
Sou uma optimista por natureza, sempre energia positiva, super prática e uma faladora nata. Adoro dançar e correr (fiz a minha primeira maratona em Chicago no ano passado:), ler e ver filmes. Tenho uma bucket list com imensas coisas que quero fazer (e algumas já feitas), mas o meu maior sonho é ser feliz e fazer os outros felizes:)
As minhas filosofias/quotes:
“Happy people don’t have the best of everything, they make the best of everything”
“Say yes and figure it out afterwards”
“Everything will be alright in the end, if it’s not alright, it’s not yet the end”
Nota:
Depois de conhecer a extraordinária história de vida (tão jovem e já tão rica) da Joana, não resisti a desafiá-la para a contar na primeira pessoa. Estou certo que será uma fonte de inspiração para muitos.
Obrigado Joana, por, mesmo longe e sem grandes meios, teres aceite o repto.
Miguel Marote Henriques
Fotos: DR