Prémio Nacional Indústrias Criativas – Abertas as inscrições para a entrega de prémios

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Estão abertas as inscrições para o Super Bock Laboratório Criativo! Dia 15 de julho, em Lisboa, conta com uma conferência internacional sobre “media arts”, promovida pelo Canal180; intervenções artísticas e cultura urbana por Penique productions, Júlio Dolbeth Illustration, WASTED RITA, Akacorleone e We Came From Space; música com Márcia ao vivo e DJ Set a cargo de Sininho; e, claro, a entrega do Prémio Nacional Indústrias Criativas 2015.

Este ano o Super Bock Super Rock começa na véspera! O Laboratório é de entrada é livre, mas de inscrição obrigatória no site .

 

:: O PRÉMIO

O Prémio Nacional Indústrias Criativas – Super Bock/Serralves é uma iniciativa pioneira em Portugal, promovida pela Unicer, através da marca Super Bock, e a

A 7.ª edição do Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves arrancou a 2 de fevereiro e até 15 de março os interessados puderam-se inscrever desde que a sua ideia de negócio se integrasse numa das quatro categorias do concurso – Arquitetura e Artes Visuais, Música e Artes do Espetáculo, Conteúdos e Novos Media e Turismo e Património.

Procuram-se empreendedores com ideias de negócio sustentadas – produtos ou serviços – que se diferenciem pela criatividade e inovação mas, sobretudo, que apresentem potencial económico e sejam geradoras de emprego.

O vencedor irá ainda receber um prémio de 25 mil euros e representar Portugal no Creative Business Cup (Copenhaga, Dinamarca), uma competição anual para empreendedores oriundos de mais de 50 países que visa distinguir a melhor ideia de negócio no setor das Indústrias Criativas a nível mundial.

À semelhança dos anos anteriores, o vencedor será revelado durante o Super Bock Laboratório Criativo, fórum anual organizado pela Unicer para celebrar e debater o estado do empreendedorismo criativo em Portugal.

Em seis edições, o Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves, que conta com a parceria e apoio da Fundação da Juventude, já avaliou mais de 1500 projetos e apoiou mais de 60 que geraram mais de 200 postos de trabalho.

 

:: OS FINALISTAS

São dez os candidatos selecionados para a fase final da 7.ª edição do Prémio Nacional Indústrias Criativas. O grande vencedor, a anunciar em julho, receberá 25.000€ e representará Portugal na Creative Business Cup.Integram o grupo finalista projetos de natureza diversa, sendo que todos revelam inovação, talento e potencial de mercado. Eis, então, os concorrentes apurados, representando as quatro categorias a concurso:

CATEGORIA “ARQUITETURA E ARTES VISUAIS”

Cross Hands Architecture
Duas jovens cruzam arquitetura, design e consciência social. São quatro as mãos que apostam na “arquitetura contemporânea humanitária”, criando um atelier empenhado em apresentar soluções de habitação eficazes e urgentes em cenários de pobreza extrema, de guerra ou catástrofes naturais. Cross Hands, refira-se, venceu o concurso Designing Emergency Shelters com um projeto de abrigos para refugiados na Síria.

EcoBook
É um caderno sem papel para escrever e apagar vezes sem conta. É uma solução que a natureza agradece. O EcoBook adapta o conceito de quadro branco (comum nas salas de aula) ao formato de caderno ecológico. Disponível nos modelos A4, A5, A4 pautado e A6, é um produto de longa duração, dado que as suas folhas podem ser reutilizadas sem perderem o bom estado de utilização e a legibilidade. www.ecobook.pt

Sistema Gomos
Já ouvimos falar em arquitetura modular, mas não aos gomos: o facto é que um a um se fazem edifícios de diferentes dimensões. Este é um sistema flexível e evolutivo de construção (pode começar-se com um T2 e ampliar-se para T3 ou T4) baseado em peças standard de betão armado (os gomos). Cada módulo sai da fábrica completamente pronto e a instalação é fácil. Mais? É uma solução ecologicamente sustentável.

Stallo
A ideia é de três jovens italianos, alunos na ESAD de Caldas da Rainha, e põe o design ao serviço da sustentabilidade, estimulando um comportamento positivo e o consumo responsável. Como? Pelo reaproveitamento e a transformação de garrafas de vidro em copos originais e diferenciadores que, por seu turno, e através de um pedestal de cerâmica vidrada, se transformam em cálices. http://www.ositalianosdesign.com/Chi_siamo.html

STILL Urban Design
Que bem se está cá fora… Dedicado ao desenho urbano climático, este estúdio cria projetos de espaço urbano aberto (público, coletivo ou privado) que estabelecem a mediação desejável entre Homem, Clima e Ambiente, proporcionando conforto térmico no exterior. Deste modo, surgem soluções que permitem usufruir do local intervencionado ao longo do ano. Reabilitação urbana, (re)qualificação do espaço público, cuidado ambiental e bem-estar, tudo se conjuga.  www.stillurbandesign.com

CATEGORIA “CONTEÚDOS E NOVOS MEDIA”

Here Come the Robots
Os robôs aí estão para interagir com vários públicos e participar nas mais diversas situações: no modo de contar uma história infantil, numa visita ao museu, na música e nas artes performativas, como ferramenta pedagógica, em ativações de marca. Este é o domínio deste projeto e da plataforma Monster Development Kit, que disponibiliza sistemas de controlo genérico de robótica, visão por computador, payback, áudio e acesso a internet. Vai dar jeito…

Rewind Cities
E se o passado se tornar presente; se histórias, factos e lugares de outrora se reconstituírem diante dos nossos olhos? Se acontecer não é magia, mas sim tecnologia. As aplicações móveis Rewind Cities promovem experiências inovadoras 2D e 3D em realidade aumentada, com o utilizador a embarcar em viagens ao passado do local que está a visitar. Com este projeto ganha novas dimensões, por exemplo, a visita a um museu. www.rewindcities.com

CATEGORIA “MÚSICA E ARTES DO ESPETÁCULO”

Arumis
Cheira a cinema. Já submetido a criação de patente, Arumis é um produto original que pretende melhorar a experiência do espetador ao chamar à indústria audiovisual um novo sentido: o olfato. O projeto adapta-se às salas de espetáculos existentes, não exigindo estruturas complexas, e tem horizontes definidos: primeiro o mercado de entretenimento (cinema, parques temáticos, teatros), depois a casa de cada um de nós.

Spranger
Tudo o que se pede, às vezes, é eficácia e simplicidade. É isso que Spranger quer dar ao apresentar um novo tipo de auscultadores com sensor de pressão incorporado. De forma imediata, este sensor deteta se o dispositivo está mesmo nos ouvidos. Assim, o auscultador entra em modo pause sempre que é retirado do ouvido e retoma o modo play do conteúdo assistido mal volta a ser colocado no ouvido. Simples.

CATEGORIA “TURISMO E PATRIMÓNIO”

Miss Can
Vamos abrir o apetite… Os ingredientes são tradição, cultura e gastronomia portuguesas, servidos em pack original. Miss Can utiliza um método artesanal (peixe cozido a vapor) para valorizar a nossa indústria conserveira. A marca tem cinco packs cheios de personalidade, cada com três latas, e temperos/receitas que reclamam identidade lusa. O petisco vem acompanhado com os benefícios da conserva e sugestões gastronómicas. www.miss-can.com

A seleção dos candidatos coube a um júri de doze elementos, em representação das entidades promotoras do Prémio, Unicer e Fundação de Serralves, e parceiros associados (ADDICT, Agência de Inovação, ANJE, BPI, ESAD, Fundação da Juventude, IAPMEI, Brand New Box, Universidade do Porto e Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa Porto). Como já é habitual, o processo de apuramento não foi fácil, atendendo à qualidade superior de um número bastante significativo das candidaturas validadas nesta sétima edição.

Fonte: Prémio Nacional Indústrias Criativas
Fotos: DR

Fábrica de Startups lança novo programa de aceleração: DISCOVERIES

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O Discoveries é um programa de aceleração, de quatro semanas, organizado pela Fábrica de Startups, com o apoio do Turismo de Portugal. Nesta primeira edição, são  convidadas startups de tecnologia com negócios na indústria do turismo. O foco é tanto em empresas Portuguesas como Europeias, nas fases de ideia, protótipo ou lançamento. As empresas são convidadas a virem para Lisboa testar e validar os seus modelos de negócio através de metodologia sistematizada e comprovada. As Startups terão também acesso a uma rede internacional de mentores, investidores e fundadores que já passaram por programas da Fábrica de Startups.
A Fábrica de Startups está baseada em Lisboa e tem como missão ajudar as pessoas a tornarem-se empreendedores de sucesso. Fazem isso através da realização de programas de Aceleração, da Incubação de startups e da formação de empreendedores através de uma Academia de eventos aberta ao ecossistema em Portugal.
As Startups finalistas do programa Discoveries terão completado uma extensiva validação no mercado e sairão com um modelo de negócio testado, pronto a ser lançado e apresentado a potenciais investidores.
O programa vai decorrer em Lisboa, durante os meses de Agosto e Setembro, e terá a capacidade para 15 das melhores startups portuguesas e europeias na área do turismo. Este programa de 4 semanas é totalmente gratuito sem que nenhuma parte da equidade seja retirada às equipas participantes. Para as startups aceites no programa, 500€ serão concedidos às equipas portuguesas (não baseadas em Lisboa) e 1000€ às equipas europeias.
Neste  link  está toda a informação para o programa.
Para os empreendedores que ainda não têm a ideia certa, ou que ainda não têm a equipa completa para entrar no programa, está a ser organizaado um workshop de ideação. Nesta sessão o Turismo de Portugal e a NOS vão trazer responsáveis da indústria do Turismo para apresentar os desafios e oportunidades sentidas nesta área, que poderão ser o mote para novas ideias de negócio. Este evento é também uma excelente oportunidade de networking, em especial para aqueles que gostariam de se candidatar ao programa Discoveries mas ainda não têm uma ideia ou equipa para tal.

Fonte: Fábrica de Startups
Fotos:DR

Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência que mostram que a estrutura social é importante para manter a diversidade genética das espécies

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Muitas espécies de animais, incluindo humanos, vivem e reproduzem-se em grupos de complexa organização social. Contudo, o impacto desta estrutura social na diversidade genética dos animais tem gerado desacordo entre cientistas. Num novo estudo publicado na última edição da revista científica PNAS*, Bárbara Parreira e Lounès Chikhi, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC; Portugal), mostram que a estrutura social é importante para manter a diversidade genética das espécies. Os investigadores apresentam um novo modelo matemático que pode ser usado por geneticistas populacionais e ecólogos de forma a preverem de que maneira os grupos sociais influenciam a diversidade genética e evolução das espécies e, em última instância, ajudar na sua conservação.

Tal como em famílias, onde indivíduos de diferente sexo, idade ou dominância vivem juntos, diversos grupos de insetos, aves e mamíferos estão organizados em grupos com uma estrutura social bem definida. Fazer parte de um grupo pode ser extremamente benéfico para obter alimento, defesa contra predadores ou lidar com mudanças ambientais. Mas também pode trazer desvantagens, como por exemplo um acrescido risco de doença ou infeção por parasitas. Como os grupos sociais consistem em agregações relativamente pequenas, os geneticistas consideram que há um risco acrescido de perderem diversidade e acumularem altos níveis de consanguinidade. Porém, estes pressupostos nem sempre são consistentes com as observações realizadas por ecólogos, que encontram grupos sociais com bastante diversidade na natureza. Afinal, qual o papel das ?famílias? na diversidade genética?

O trabalho realizado por Bárbara Parreira e Lounès Chikhi reconcilia estas duas áreas de estudo. A equipa de investigação desenvolveu um modelo com parâmetros bem definidos que inclui informação sobre a estrutura social. Usando dados genéticos e ecológicos, os investigadores simularam populações de animais com diferentes estratégias de reprodução. Os seus resultados mostram que a organização social é muito eficiente na manutenção da diversidade dos indivíduos dentro destes grupos. Os investigadores acreditam que este modelo reflete melhor as complexidades das espécies sociais ? em comparação com outros modelos propostos por geneticistas que não têm em conta a organização social das populações ? permitindo a biólogos de campo testar teorias acerca das espécies sociais.

Lounès Chikhi, que é também investigador no CNRS, em França, diz: “Os geneticistas populacionais tendem a usar modelos simples para representar a complexidade de espécies reais. Para algumas questões esta é provavelmente a melhor solução, porque precisamos de modelos simples e gerais com poucos parâmetros. No entanto, quando queremos perceber o que acontece na natureza precisamos de modelos que reflitam mais corretamente o mundo real. O trabalho desenvolvido pela Bárbara é importante, na medida em que fornece uma nova ferramenta de simulação que muitos ecólogos e biólogos de conservação de espécies poderão usar.”
Bárbara Parreira, estudante de doutoramento do laboratório de Lounès Chikhi, acrescenta: “Com este modelo matemático mostramos que os grupos sociais, embora sejam formados por pequenos grupos de indivíduos aparentados, são extremamente eficazes a manter a diversidade. Na verdade, é dentro destes grupos que a diversidade genética de uma população inteira é fundamentalmente preservada. Manter estes grupos sociais é provavelmente um dos fatores mais importantes na conservação de espécies.”

 

Este trabalho de investigação foi realizado no Instituto Gulbenkian de Ciência. O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal), LabEx TULIP (França) e LIA BEEG-B (CNRS, França).

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* Parreira B, Chikhi L (2015) On some genetic consequences of social structure, mating systems, dispersal, and sampling. PNAS Article #14-14463. doi: 10.1073/pnas.1414463112.

 

 

Discoveringmadeira.com – o portal que se propõe oferecer as melhores ofertas do arquipélago

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Discoveringmadeira.com é um Portal lançado e gerido por uma equipa de madeirenses que conhece os segredos da ilha da Madeira e que se propõe oferecer as melhores ofertas ao nível de acomodação e atividades de animação turística neste arquipélago.

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De acordo com a CEO, Rita Galvão, o portal é  em simultâneo um destino onde é possível reservar hotéis e outro tipo de acomodação na Madeira bem como todas as atividades de turismo activo que a Madeira oferece e que são muitas. A seleção de todos nossos parceiros desde hotéis/outro tipo de acomodação até empresas de animação turística é muito rigorosa pois conhecem bem os  parceiros e as suas ofertas.

Mas para além disto são também um portal de destino, não querem apenas “vender” mas também pretendem explicar a Madeira na sua dimensão turística.  A responsável frisa que “somos um destino muito versátil cada vez mais orientado para o turismo ativo.

Num mundo das vendas online cada vez mais competitivo e com o crescimento previsto neste segmento para os sectores de viagens e lazer, a discoveringmadeira.com propõe-se apresentar e vender o destino tal como ele é: deslumbrante pela sua beleza natural, acolhedor pelo prazer de bem receber, sofisticado e urbano pela diversidade de oferta ao nível de hotelaria, restauração, cultura e património e extremamente apetecível do ponto de vista da gastronomia e também pela qualidade dos seus Vinhos, nomeadamente do Vinho Madeira.

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Acreditamos que a Madeira pela sua diversidade mas também pela proximidade de tantas atrações torna-se um destino extremamente cómodo e versátil que se adequa a vários perfis de visitantes, sendo que a discoveringmadeira.com pretende focar em alguns segmentos, nomeadamente: Férias em família, Madeira Romântica, Aventura em Natureza e Madeira Spas.

 

Fotos: DR

Grande descoberta científica portuguesa: Galáxia CR7

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Uma equipa internacional de astrónomos liderada por David Sobral descobriu esta semana aquela que é a galáxia mais luminosa alguma vez encontrada no Universo primordial, e encontrou ainda, pela primeira vez, fortes indícios da existência da primeira geração de estrelas.

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David Sobral, líder da equipa de investigadores responsável pela descoberta

A  recém-descoberta galáxia foi batizada com a sigla CR7,  uma abreviatura para Cosmos (zona do céu onde a galáxia foi detetada) Redlight 7 (desvio para o vermelho). Quanto maior o desvio para o vermelho de uma galáxia, mais distante e mais para trás no tempo ela está. A CR7 encontra-se a cerca de 13 mil milhões de anos luz da Terra e é três vezes mais brilhante do que o antigo recorde, a Himiko, e só no campo da luz visível, chega a ser um trilião de vezes mais luminosa do que o Sol. O nome é também uma alusão à ‘estrela’ do futebol português, Cristiano Ronaldo.

David Sobral (IA e FCUL) comenta: “Decidimos seguir um caminho totalmente diferente do resto do Mundo, e fizemos um mapeamento de grandes áreas do céu. Sabíamos que o risco de procurar onde ninguém procura era facilmente compensado por descobertas inesperadas, algo importantíssimo em Ciência. Foi fantástico quando descobrimos a galáxia CR7, a mais luminosa alguma vez encontrada no Universo primitivo.”

A equipa descobriu então várias galáxias, a mais surpreendente sem dúvida a CR7, mas novas observações acabaram inesperadamente por levar a indícios de algo ainda maior.

“Ao juntarmos as diferentes peças do puzzle percebemos que tínhamos encontrado algo muito mais profundo e que estávamos a ver, pela primeira vez, um Santo Graal da astronomia – as primeiras estrelas. Foram essas estrelas que permitiram a nossa existência. Depois de inúmeras observações e imenso trabalho, com um método diferente e planeado por nós, é fabuloso obter estes resultados tão importantes”, afirma David Sobral.

Há muito que os astrónomos previram a existência de uma primeira geração de estrelas formadas a partir do material primordial do Big Bang, mas até esta semana essas previsões eram meramente teóricas. Estas primeiras estrelas, denominadas População III, criaram os primeiros elementos necessários para formar estrelas como o Sol e para que possamos existir, e pela primeira vez, “podemos começar a estudá-las no Universo real”.

Impressão artística da CR7

Impressão artística da CR7

Sérgio Santos (IA e FCUL), coautor da descoberta comenta: “Foi fantástico poder participar numa descoberta com esta relevância durante o meu projeto de investigação ainda como estudante de licenciatura! É um privilégio poder trabalhar com uma equipa de tão grande qualidade e quero destacar o nível da investigação científica que se faz hoje em dia em Portugal, capaz de rivalizar com qualquer outro país.”

A equipa é formada por David Sobral (IA, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Observatório de Leiden), Jorryt Matthee (Observatório de Leiden), Sérgio Santos (IA, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) e investigadores das Universidades da Califórnia, Genebra e Leiden.

O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) é a maior unidade de investigação na área das Ciências do Espaço em Portugal, englobando a maioria da produção científica nacional na área. Foi avaliado como “Excelente” na última avaliação que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) encomendou à European Science Foundation.

Os resultados serão apresentados no artigo Evidence for PopIII-like stellar populations in the most luminous Lyman-αemitters at the epoch of re-ionisation: spectroscopic confirmation (Sobral et al. 2015), na conceituada revista Astrophysical Journal.

 

Fotos:DR

 

Entrevista a João Azevedo – Ciência, engenharia aplicada e evolução da energia solar

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Fomos conversar com João Azevedo, aluno de doutoramento da Faculdade de Ciências da U. Porto (FCUP) em simultâneo com a Faculdade de Engenharia também da U. Porto (FEUP). Conversámos sobre o último trabalho publicado no reputado jornal “Energy & Environmental Science”, sobre como é trabalhar entre a ciência fundamental e a engenharia aplicada e sobre a evolução da energia solar.

 

Olá João, podes contar-nos um pouco da tua história recente. Estás atualmente a realizar o doutoramento, qual é o teu tema?

O meu doutoramento é focado no armazenamento de energia solar na forma de combustíveis eletroquímicos. Neste tópico, eu tenho vindo a trabalhar em duas abordagens diferentes: por um lado o desenvolvimento de materiais nanoestruturados que consigam converter energia solar em energia química (na forma de hidrogénio gasoso) de forma eficaz e estável, como por exemplo óxido de ferro e óxido de cobre; por outro tenho vindo a procurar novos combustíveis eletroquímicos que consigam armazenar energia solar na forma líquida por forma a contornar um grande obstáculo do hidrogénio, que é o seu armazenamento.   

No teu último trabalho publicado no jornal “Energy & Environmental Science”, tu e a tua equipa investigaram sobre a importância de um material óxido para a conversão a energia solar em energia química. Podes explicar-nos brevemente como ocorre esta conversão de energias? E qual a importância no contexto do armazenamento da energia solar?

Atualmente existe uma grande procura de novas formas eficientes e limpas de armazenar energia solar, dado esta fonte renovável apesar de muito abundante ser intermitente, ou seja, não existe nos períodos da noite e é mais escassa em dias encobertos. Assim sendo, o seu armazenamento pode facilmente torná-la na fonte predominante de energia. Hoje existem várias formas de armazenar energia solar mas uma das mais atrativas é na forma de combustíveis eletroquímicos.

Basicamente, utilizo um semicondutor (material óxido) que absorve luz solar e a converte em electrões. Estes electrões por sua vez estão envolvidos em reações químicas (de redução/oxidação) quando o semicondutor está em contacto com um determinado líquido que contém iões (eletrólito) fazendo com que esses iões adquiram ou percam alguns electrões. Assim é possível transferir energia solar para o electrólito que não é nada mais que um combustível eletroquímico. Finalmente, quando precisamos da energia de volta podemos simplesmente inverter a reação e reavemos a energia química armazenada na forma de eletricidade. Esta abordagem é hoje muito investigada para a produção de hidrogénio a partir de água pois esta quando sofre reações de redução/oxidação separa-se em hidrogénio e oxigénio, processo chamado de hidrólise. Este processo tem já demonstrado excelentes resultados e é hoje muito promissora.

Imagino que este trabalho tenha resultado de um longo processo – quanto tempo aproximadamente estimas que tenha demorado? E quantas pessoas estiveram envolvidas?

Este trabalho resultou de um esforço conjunto de três grupos de investigação e foi realizado durante o meu estágio na EPFL, no laboratório LPI, na Suíça. O trabalho experimental foi realizado ao longo de cerca de 5 meses e tem depois um trabalho de escrita que não te sei precisar quanto tempo demorou. Deste trabalho resultou um artigo com 9 autores, distribuídos pelas três instituições (LPI, IFIMUP-IN e LEPABE).

O que mais gostavas de destacar deste trabalho?

O material que estudei neste trabalho é um dos mais conhecidos na área de produção de hidrogénio solar – Cu2O. O Cu2O produz correntes elevadas em comparação com outros óxidos mas tem uma grande desvantagem – é instável e deteriora-se ao final de poucas horas. Durante a minha estadia na Suíça, realizamos um outro trabalho que resultou num tempo de estabilidade de cerca de 8 horas e foi alcançado pela proteção deste material com camadas mais estáveis. Neste trabalho, demonstrei que utilizando um simples tratamento térmico conseguimos aumentar essa estabilidade para mais de 55 horas. Embora ainda seja pouco para fazer um dispositivo comercial, permitiu ver que é possível aumentar muito a estabilidade e apontou-nos numa direção para futuras melhorias. Neste momento já conseguimos dobrar a estabilidade deste material e estamos em fase de submeter um novo trabalho com os esses resultados.

Encontras-te a fazer o doutoramento “a meias” entre a FCUP (no grupo IFIMUP-IN) e na FEUP (no grupo LEPABE). Como descreverias a tua experiência? Sentes que são dois mundos diferentes? Como caracterizas cada um?

Este muito satisfeito com esta experiência. Ambos os grupos têm excelente qualidade e estou certo que não teria alcançado tanto se não tivesse beneficiado do conhecimento de ambos os grupos. No IFIMUP-IN existe um profundo conhecimento de fabrico e caracterização de materiais nanoestruturados. Este grupo tem um passado muito forte em dispositivos magnéticos e tem agora dado os seus primeiros passos, mas firmes, na área de produção de energia. Foi neste grupo, sob a orientação do Prof. João Araújo e da Doutora Célia Sousa, que consegui adquirir as ferramentas necessárias para preparar todos os materiais que utilizei ao longo do meu doutoramento. No LEPABE existe um grupo de excelência na área de produção de energia solar e este grupo tem tido grande destaque internacional pela produção de células solares utilizando tecnologias inovadoras que permitem obter resultados muito melhores que qualquer concorrência. Foi aqui que, sob a orientação do Prof. Adélio Mendes, aprendi todos os fundamentos de células fotoeletroquímicas que são a base do meu trabalho e é onde transformo os meus materiais em dispositivos.  

Depois do projeto European Research Council (ERC) ganho em 2012 pelo grupo do Professor Adélio Mendes, seguiu-se a venda da patente (partilhada com a EFACEC) das novas células solares de perovskites por 5 milhões já este ano. A somar a estas, têm-nos chegado mais boas notícias. Estes são tempos excitantes para a energia solar em Portugal?

Sem dúvida. O nosso país tem muito potencial para a produção de energia solar e são as novas tecnologias desenvolvidas por grupos de investigação que vão conseguir que Portugal rentabilize este recurso. Embora a situação atual do país não proporcione grandes incentivos à investigação, penso que o trabalho que está a ser feito a nível nacional é impressionante, o que só revela o mérito dos investigadores portugueses.

A energia solar tem tido um crescimento impressionante. Do relatório publicado pela BBC Energy (r)evolution, estima-se que a energia solar seja a fonte energética dominante em 2050 e que o seu preço baixe para metade nesta próxima década. Como imaginas o futuro da energia solar? Quais julgas que serão as próximas grandes revoluções nesta área?

Não tenho grandes dúvidas que no futuro teremos uma produção de energia solar muito mais abundante. Tenho presenciado em primeira mão grandes avanços na área de painéis fotovoltaicos no grupo do LEPABE e penso que num futuro breve vamos começar a ver estas tecnologias a servirem-nos diariamente. Penso que o que nos limita atualmente é o armazenamento da energia produzida. Uma patente recente baseada num conceito desenvolvido pelo Prof. Adélio Mendes sobre baterias solares, sobre a qual tenho vindo a dedicar parte do meu doutoramento, poderá fazer a diferença nesta área e dar o passo final para implementação de produção solar em grande escala.

E como comparas (a evolução solar) com a evolução das outras energias renováveis?

No futuro imaginas que chegaremos a um sistema misto com diferentes fontes e a micro-geração de energia, como recentemente sugeriu Elon Musk da Tesla?

Honestamente, não sei fundamentar a evolução de outras energias renováveis da mesma forma que o sei fazer para a energia solar. Penso que todas são necessárias mas a energia solar tem uma vantagem evidente em relação às restantes que é a produção local – enquanto que, por exemplo, a energia hídrica é maioritariamente produzida em barragens e não o conseguimos fazer no meio de uma cidade. No entanto concordo que o futuro passará por utilizar todos os recursos renováveis ao nosso dispor.

E o teu futuro, o que gostavas de fazer depois de terminar o doutoramento?

Tal como disseste, estes são tempos excitantes para a energia solar em Portugal. Por isso gostaria de dedicar mais algum tempo a investigação de novas tecnologias de produção e armazenamento de energia solar. No entanto, tenho noção que a investigação em Portugal está a atravessar uma fase difícil e conseguir fundos para o fazer é atualmente uma tarefa árdua.

 

Fotos: DR

 

Spark Agency – Miguel Gonçalves em entrevista

MGoncalvesO Miguel Gonçalves é uma pessoa particularmente difícil de descrever. Não por falta de qualidades já reconhecidas, mas por parecer simplista lançar dois ou três elogios. Talvez desassossegador de mentes entorpecidas encaixe com o papel que tem feito nas inúmeras palestras realizadas ao longo dos últimos anos.

Mas Miguel é muito mais do que isso e a sua visão levou-o mais longe. A Spark Agency é uma empresa criada em conjunto com a Tânia Delalande especialista em talento. Um conceito original e inovador que veio revolucionar o mercado de trabalho. Foi no escritório da Spark que o conheci e tive a oportunidade de o entrevistar. Com amabilidade enorme e uma energia contagiante, conversámos sobre como surgiu a sua ideia, de como é ser empreendedor em português e, principalmente, do mercado de trabalho em Portugal.

Conversámos também sobre o Picth BootCamp, um acelerador de carreiras que já conta com 34 edições e mais de 1000 postos de trabalho. Aliado a uma equipa muito apaixonado, muito viva e focada, redescobrem novas formas de aproximar o talento jovem com as empresas portuguesas.

“ Falem da nossa Excelência. Falem dos nossos casos fantásticos no mundo todo” disse numa palestra do TedEx Youth Braga. Desta vez, foi a Excelência Portugal que falou com ele. E descobrimos que é mais um dos casos fantásticos que é preciso dar a conhecer.

sparkO Miguel e a Tânia são os rostos principais da Spark Agency. Que papel tem cada um na empresa?

O que diz na minha assinatura é comandante executivo e a Tânia é problem solver. O meu trabalho resume-se a imaginar uma parede branca e colocar um ponto preto na parede. “O caminho é este”. O trabalho da Tânia é encontrar a maneira mais cost efective e funcional de chegarmos ao ponto. Garante que a máquina funciona. O meu é mais sugerir, empurrar, fazer crescer ideias.

E foi com a junção destes dois talentos, diversos, que nasce a Spark. Uma empresa dinâmica, explosiva e diferenciadora. Muito jovem mas com a sua posição já muito marcada no panorama nacional.

A Spark tem só tem 3 anos. Em 2011 estávamos já a trabalhar mas era ainda um projeto, não uma empresa. Vamos a meio do quarto ano e a empresa tem vindo a mudar. Temos vindo a explorar novas oportunidades de negócio e por isso o nosso modelo de negócio também tem vindo a evoluir. Hoje temos uma área muito forte de recrutamento, search executive, mas trabalhamos principalmente em employer branding. sparky1aNeste contexto, como se posicionam os Pitch Bootcamp na missão da empresa?

Ajudamos as empresas a serem mais apelativas junto do talento alvo que pretendem magnetizar. Trabalhamos a cultura organizacional ajudando as equipas a desenvolver e ritualizar comportamentos. O Pitch Bootcamp acaba por ser um híbrido de missão com o sonho de mudar Portugal. Acaba por ser o produto que mais problemas viu resolvidos até hoje. Estamos a fazê-lo há dois anos, quase três, já esteve com 3000 mil “miúdos”, 2000 profissionais de 600 empresas, 34 edições. Já chegou a uma fase de apuramento muito sólida. Acaba por ser a coisa mais trabalhada, apurada, que mais investimento viu por parte da Spark.

O conceito do Pitch Bootcamp foi criado de raiz pela Spark Agency. O que traz de novo ao mercado de trabalho?

O que traz de novo? Traz muitas coisas novas, não apenas nos conteúdos mas também na fórmula. A forma per se é bastante disruptiva e o picth bootcamp aparece de uma experiência anterior que tínhamos tido que foi o “So you think you can pitch”. Muito parecido com o “So you think you can dance” ou outros programas do género. Em 2011 lançámos no mercado, correu incrivelmente bem! Estivemos com imensas empresas, 5 mil candidaturas, várias edições, centenas de postos de trabalho e percebemos que existia ali uma oportunidade de negócio muito interessante. O objetivo era redesenhar e reinterpretar a forma como jovens se apresentam nas empresas e como as empresas se apresentam aos jovens, dando origem ao Bootcamp como temos hoje. sparky2aUma das características deste evento é o facto de decorrerem sempre numa universidade. Uma estratégia que pretende aproximar estes dois agentes?

Acontece em faculdades por um ponto de vista simples: muitas empresas têm ainda a perceção que as academias estão muito longes do mercado. E algumas de facto estão enquanto que outras tem já departamentos muito especializados. Quando o Picth Bootcamp acontece neste contexto estamos especificamente a dizer a estes dois stakeholders que precisam de estar juntos! E considerando que em média, cada edição tem 120 empresas, estamos a dizer às empresas que a faculdade esta aberta e estamos a dizer à faculdade que as empresas estão disponíveis para os seus alunos.

Estão também a dizer que ambas funcionam melhor se estiverem juntas.

Funcionam muito melhor se tiverem juntas a vários níveis! Podem ajudar a comunidade académica a direcionar a sua pedagogia. Podem ajudar os alunos a perceber quais as reais necessidades do mercado. E podem ajudar as empresas a perceber quem são estes os jovens, que expectativas têm, que ambicionam, quais os seus objetivos, que canais utilizam até as empresas? Que talento é este que está a crescer todos os dias nas faculdades e que é tão diferente das gerações anteriores? O que lhes vai na alma?

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Os dois dias do Pitch Bootcamp estão amplamente preenchidos do início ao fim. Como estão organizados?

Ao longo dos dois dias os diferentes stakeholders são submetidos a muitas experiências diferentes. Temos um framework que tem vindo a ser desenvolvido e que tem quatro partes fundamenteis. Primeiro trabalhamos com os bootcampers no seu produto. Ou seja, que competências eles trazem ao mercado de trabalho. Perceber quem é que eu sou, o que é que eu já fiz, quais são as minhas principais experiências, que competências já desenvolvi até aqui. Depois passamos para o cliente. Em que tipo de indústrias quero trabalhar? Em que tipo de funções gostava desempenhar? Em que empresas posso desempenhar estas funções?

Mas depois terá de existir a ligação entre os dois, certo?

Claro, e daí passarmos para a proposta de valor. Depois de saber o que é que vendo e a quem vou vender, tenho de perceber que match existem entre as necessidades do cliente e aquilo que lhe apresento. Se houver match tenho uma proposta de valor forte, se não houver é mais fraca. Por fim, trabalhamos a comunicação. Como desenvolver o “eu” online, previsões curriculares, assinaturas de email, como recorrer a candidaturas específicas, candidaturas espontâneas, ….

No 2º dia temos o dia com as empresas e acontece o pitch propriamente dito. As empresas estão distribuídas em mesas com mais três pessoas e cada participante tem agora 3 minutos para fazer um pitch e oportunidade de fazer perguntas e questões.

O Pitch Bootcamp acaba por ser um acelerador da carreira. Em apenas dois dias faz-se um processo que sozinho demorar-se-ia muito mais tempo ou só se fazia muito mais tarde. Acha que é possível aos jovens ficarem referenciados no mercado?

Não, não é possível ficar logo referenciado mas abre muitas portas. Se és universitário ou acabaste o curso à pouco tempo e queres explorar oportunidades de negócio, não conheço nenhum sítio em Portugal mais interessante para o fazer do que o Picth Bootcamp. Porque de uma forma muito rápida, muito cost effective e muito intensa consegues chegar a muitas empresas. Acelera de facto a tua carreira e dá-te uma visão crítica sobre o mercado mas, sobretudo, ajuda-te a pensar no que se quer efetivamente na carreira. Porque se eu quero muito, tenho de estar disponível para investir. É extremamente importante trabalhar muito e bem, mas mais importante trabalhar bem do que muito.  E o bootcamp ajuda-te a perceber isto e mostra que é possível ter uma carreira excecional. Está nas tuas mãos construir essa carreira todos os dias. pitch2A quantidade das empresas presentes no último dia é um dos aspetos mais aliciantes do evento.

E não é apenas a quantidade das empresas mas a qualidade das pessoas que vêm apresentar as empresas! Pessoas muito fortes dessas empresas. Diretores de bancos, diretores executivos, de marketing, de R&D, CEO’s, … Pessoas a quem vendo talento vivo, fresco e forte consigam fazer um bypass ao recrutamento e dizer “Olhem, este miúdo é excecional, coloca em partline e vamos entrevistá-lo”. Ou seja, é a oportunidade de uma pessoa de 20 anos poder falar com pessoas que podem ser potenciais clientes mas que, ao mesmo tempo, podem passar bom feedback sobre as suas opções.

Torna-se possível falar diretamente e de uma forma muito natural com pessoas que muitos não imaginariam conseguir chegar. Acha que é fácil chegar a elas?

Às vezes o mercado tem a perceção que há uma escassez de forma ou de metodologia para entrar em contacto com os agentes de mercado. O que em rigor é mentira. A experiência diz-me que é mais fácil agora entrar em contacto com as empresas do que nunca foi. sparky3aMas esta facilidade advém também de uma mudança por parte das empresas, que têm vindo a alterar nomeadamente o conceito de recrutamento jovem.

A realidade tem mudado dramaticamente. As empresas vão à academia porque precisam de rejuvenescer as suas equipas e de obter ideias novas. Se me perguntares, talvez nos últimos 5 a 10 anos passámos do arquétipo do jovem das fotocópias para o jovem das ideias. São vistos como os talentos novos e que já estão a ser integrados nas empresas. A médio e longo prazo a serão os próximos gestores de primeira linha.

Esta preocupação crescente das empresas pela qualidade dos seus recursos humanos é uma evidência clara. Quer pela criação de programas de captação de alentos quer pelos alargados investimentos que são feitos nesta área. Esta evidência pode levar a um paradoxo, visto que o desemprego jovem tem apresentado resultados assustadores.

Como é que estas duas realidades coexistem?

Ninguém faz grandes investimentos para ter um rapaz das fotocópias. Tens dois mercados atualmente: o mercado das commodities e o mercado dos talentos. No primeiro são os jovens que têm de ir bater à porta das empresas e o grande critério das transações é o preço. No mercado das empresas são estas que vêm ter com os jovens. E isto muda tudo! É outro mercado, com outra configuração. É muito mais pequeno mas também muito mais vivo, onde são os jovens que escolhem onde querem trabalhar. sparky4aÉ muito fácil para os jovens, quando enfrentados com o mercado de trabalho, sentirem que não tem grande proposta de valor para as empresas. O que leva a que isto aconteça?

Uma coisa que acontece com imensa frequência na população universitária é assumirem que ausência de experiência é algo comprometedor. E assumem erradamente que o facto de não terem experiência legitima a utilidade que têm no mercado. Uma coisa que ajudamos no bootcamp é perceber que num recém-diplomado a empresa não espera experiência. Procura preditores de desempenho. O que é que esta pessoa já fez que me permite depreender que será um teamplayer, que fará fit na minha cultura ou numa equipa, que produz resultados…

E que é capaz de lidar com os desafios que vão aparecer. As softs skills ganham cada vez mais importância nas equipas de trabalho e daí serem um ponto importante nos processos de recrutamento. Em que é que o Picth Bootcamp ajuda neste aspecto?

Uma das coisas mágicas que acontece no bootcamp é ajudar a perceber que a moeda de mercado são as competências. E as tuas competências que foram desenvolvidas na academia, nos voluntariados, a fazer desporto, no núcleo de alunos, na Excelência Portugal. As competências que tu desenvolveste em tudo o que já fizeste.

As grandes transformações que ali acontecem ocorrem quando as pessoas se espantam “Uau, eu que achava que não tinha nada para trazer ao mercado, afinal de contas tenho imensas coisas válidas”. É um dos grandes efeitos pedagógicos destes eventos.

No início, muitas pessoas diziam que o conceito não ia resultar. Não foi fácil, mas a Spark mostrou é possível e criaram um produto novo num mercado que precisava de ser abalado. Que conselho dá a todos os portugueses que estão na primeira fase dos seus sonhos, das suas ideias?   

A malta pergunta muitas vezes se aquela ideia é boa ou má, se vai funcionar ou não. E eu respondo da mesma forma: só o mercado é que sabe se presta ou não presta. Só o mercado é que sabe se uma ideia de negócio se transforma num negócio. No início a reação foi lenta, mas o mercado reage sempre, sempre à qualidade e à persistência. Foi estarmos sistematicamente a tentar ser bons e não atirar a toalha ao chão demasiado cedo. Melhorar edição a edição até chegarmos a um ritmo de cruzeiro que cresce por referência.

 

Fotos: DR

 

Fundador da Farfetch vence Prémio Diáspora da COTEC

 

JN

José Neves, fundador e CEO da Farfetch, foi o vencedor da oitava edição do Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa, promovido pela COTEC, com o alto patrocínio do Presidente da República. Concorreram 201 emigrantes.

O prémio foi entregue, esta quinta-feira, 11 de Junho, pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Licenciado em Economia pela Universidade do Porto, José Neves reuniu, em 2008, os seus interesses por moda e tecnologia e lançou a Farfetch.com, uma plataforma online de comércio que agrega, promove e apoia, mais de 300 das melhores boutiques do mundo de moda multimarca, presentes em 180 países, e que não trabalham com vendas online.

O site pioneiro reúne boutiques de estilistas independentes de Paris, Nova Iorque, Milão, Bucareste, Helsínquia ou Ibiza, permitindo aos clientes comprar uma variedade incomparável de marcas e peças, oferecendo aos amantes da moda a oportunidade de satisfazer a paixão de comprar pelo mundo.

Ainda que tenha escritórios no Porto, a Farfetch.com está sedeada em Londres, onde o José Neves reside. A empresa emprega 636 pessoas em todo o mundo, sendo que mais de 300 trabalham em Portugal e 165 no Reino Unido.

O Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa tem como objectivo central o de premiar e divulgar publicamente cidadãos portugueses que se tenham distinguido pelo seu papel empreendedor, inovador e responsável no contexto das respectivas sociedades de acolhimento e que constituam exemplos de integração efectiva nas correspondentes economias e de estímulo à cooperação entre Portugal e os respectivos países de acolhimento.

São destinatários do Prémio cidadãos portugueses que, na data da candidatura, residam no estrangeiro há mais de cinco anos.

 

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Farfetch é uma “billion dollar company”

 

Fonte: COTEC
Fotos: DR/Créditos: Robert Astley Sparke

Elvira Fortunato defende que Portugal deve cativar os jovens qualificados

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A Prof. Doutora Elvira Fortunato, presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, defendeu hoje, em Lamego, que Portugal deve cativar os jovens altamente qualificados para não abandonarem o nosso País.

Para a investigadora, Portugal tem evoluído na qualificação e especialização dos nossos jovens, mas não tem sido capaz de os fixar. Em declarações à Agência LUSA, veiculados pelo Diário Digital, a presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas salientou que «Não podemos desperdiçar esta mais-valia e há que tirar retorno do grande investimento que foi feito, caso contrário outros farão isso por nós. Não podemos deixar que jovens altamente especializados abandonem Portugal».

 

Fontes: Diário Digital/Lusa
Fotos: DR

Seis estudantes portugueses premiados na competição Future Ideas

Seis estudantes portugueses foram premiados na competição internacional Future Ideas 2015  que distingue todos os anos “ as melhores ideias para o futuro”.

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O primeiro prémio  foi atribuído a Alexandra Santos e a Carla Teixeira, com teses apresentadas no Instituto Superior de Engenharia do Porto, na categoria do “Futuro do Design” e “Futuro da Tecnologia”, respetivamente. Pedro Ferreira, aluno da Universidade Nova de Lisboa, recebe também o primeiro prémio na categoria “Futuro da Saúde”.

No mesmo pódio que a Alexandra Santos, ficou Claúdia Pinheiro, da Universidade da Beira Interior. O terceiro lugar foi também atribuído a João Teixeira, aluno da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, na categoria “Futuro da Saúde”. Por último, Claúdia Martins de Melo, do Instituto Superior Técnico, ganha também o terceiro lugar na categoria “Futuro da Sustentabilidade”.

A competição Future Ideas atribui, anualmente, um total de 18 prémios individuais  e visa aproximar o mundo académico do empresarial. Um terço do lugares de 2015 foram atribuídos à excelência portuguesa.