Inês Caleiro (Guava) – Empreendedorismo além-fronteiras com assinatura portuguesa

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Apaixonada desde sempre pela moda, Inês Caleiro conta com um percurso feito no estrangeiro, tendo chegado mesmo a estagiar na conceituada Jimmy Choo. Entre Portugal e a Noruega, é atualmente CEO e diretora criativa da GUAVA. A jovem designer portuguesa partilhou o seu percurso e os desafios deste projeto. Um exemplo de empreendedorismo nacional que conquistou mercados além fronteiras.

 

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

1 – Como foi o seu percurso académico? 

Estudei Design Gráfico no Iade e desde sempre a areá da Moda me fascinou. Decidi logo que terminei o curso de Design Gráfico seguir para Londres e tirei uma Pós Graduação na London College of Fashion em Fashion design & Accessories. Neste curso, o meu projecto foi votado o melhor e com esse mérito recebi o prémio de melhor aluna do curso e consequentemente fui convidada para estagiar na conceituada Jimmy Choo.

 

2 – Participou no programa InovContacto. Como foi esta experiência? 

A experiência do Inov Contacto foi extremamente gratificante. Experenciei não só a realidade do sonho americano, como a oportunidade de trabalhar numa das empresas de Design de Produto de luxo com forte impacto naquele mercado. A possibilidade de construir e desenvolver a marca nos EUA teve um enorme valor para o meu percurso. Conhecer a realidade de desenvolver e promover uma marca de perto é extremamente enriquecedor.

 

3 – Que portas é que esta experiência lhe abriu?

Esta experiência trouxe-me acima de tudo o desejo e a vontade de começar algo. De desenvolver uma marca e desafiar-me a mim mesma. Além obviamente de ter conhecido e criado um network de pessoas que permitiram que o meu projecto começasse a ganhar forma.

 

4 – Entretanto surgiu a GUAVA. O que é a GUAVA?

A Guava é uma marca de design de sapatos, inteiramente inspirada em arquitectura e formas geométricas. É uma marca produzida em Portugal feita com enorme dedicação pelas mãos dos nossos artesãos portugueses.

 

5 – O que é que estes sapatos têm de diferente dos que já existem no mercado?

O cunho dos nossos sapatos está nos saltos altos geométricos. A nossa imagem de marca é essencialmente a arquitectura desenhada em cada salto. Todos os saltos são feitos por nós e exclusivos da Guava.

 

6 – Em que mercados se encontra a GUAVA ? Que mercados querem alcançar?

Neste momento estamos representados essencialmente na Europa, Rússia e Arabia Saudita. Estamos a estabelecer contactos com o mercado asiático e procuramos também apostar no mercado dos EUA.

 

7 - Recentemente a GUAVA fez uma parceria com a Baguera, para a criação de uma clutch. Como surgiu e em que consistiu esta parceria?

Foi super interessante o contacto entre a Guava e a Baguera. Eu e a Branca conhecemo-nos há algum tempo, quando a Guava ainda estava nos seus primeiros meses de existência. Sempre admirei o trabalho da Branca e a vontade de colaborarmos um dia. A ideia surgiu numa conversa de what’s app onde ambas revelamos o interesse em fazermos uma colaboração e rapidamente as ideias começaram a borbulhar.

 

8 – Quais os resultados alcançados?

O impacto na impressa tem sido bom. Temos estado a ter visibilidade e procura.

 

9 – Está entre Portugal e a Noruega (Oslo), numa marca que se começa a espalhar pelo mundo. Como sente que é visto Portugal e o que é feito no nosso país? Portugal está na moda?

Creio que os portugueses têm algum receio da imagem que passamos para fora, esses receios não deveriam existir. Em todas as culturas e países existem características boas e outras menos boas. Portugal tem sabido aos poucos “mostrar-se” e isso devido a esta nova “geração” de empreendedores e “conquistadores”. Em geral do que vejo por onde passo, está a acontecer esta vaga de “entrepreneurs”, e em Portugal estamos cada vez mais bem representados, é essa geração que está a saber passar a imagem que todos nós jovens queremos que Portugal tenha lá fora. Graças a isso os comentários que ouço são positivos e de reconhecimento por o que temos em Portugal.

 

10 – Como é ser-se um empreendedor português, no contexto mundial? É uma vantagem ou levanta algumas limitações?

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

11 – Entre Portugal e Oslo, que projetos tem para o futuro ? Quais as próximas apostas da GUAVA?

O objectivo passa por continuar a espalhar o encanto da Guava pelo mundo.

 

foto: DR

D’Ornellas Boots – Joana e Gonçalo D’Ornellas em entrevista

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D’Ornellas Boots constitui uma marca portuguesa de botas, que surgiu em 2013 (dois mil e treze). Uma linha de calçado de dois irmãos, sendo os seus criadores e rostos Gonçalo D’Ornellas e Vasconcelos e Joana D’Ornellas. A excepcionalidade destas botas vai de encontro à sua qualidade e singularidade, qualidades provenientes do facto destas botas serem manufacturadas por artesãos portugueses e materiais também portugueses na sua totalidade.

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Quais as motivações que vos levaram à criação da marca das botas D’Ornellas?

A razão do surgimento das botas constitui em si uma história muito engraçada. A nossa família tem por si muita ligação à experiência rural, essencialmente em torno dos cavalos. Neste mesmo sentido o primeiro modelo D’Ornellas acabou por ser desenhado pelo Gonçalo, numa óptica de possuir umas botas versáteis que pudessem ser utilizadas tanto no campo como na cidade.

De uma necessidade particular acabou por se optar por iniciar o negócio. Permitindo ao consumir a obtenção de um par de botas que se adapta no diversos contextos, desde o clássico e elegante acompanhar de um fato, ao informal das calças de ganga.

Embora este modelo inicial tenha sido desenhado tendo em mente, enquanto público-alvo, o Homem, actualmente já produzimos quer modelos masculinos, quer femininos. Obviamente com linhas de design adaptados ao género, mas com o mesmo objectivo inicial. Podendo ainda caracterizá-las enquanto:

Produto 100% Português, feito à mão a partir do melhor couro por artesãos especializados, o conforto e design destas botas torna-as na opção ideal para utilizar em diversas situações do quotidiano.


Uma vez que acabaram por desenvolver modelos para Mulher, gostaria de saber se constituí  também  interesse em desenvolver uma gama para crianças?

Para criança nunca pensamos em fazer, uma vez, que fabricamos botas a partir do número 34 (trinta e quatro), para além de meios números. Como referido começamos com botas para Homem e agora já temos modelos para mulher, aos quais tivemos uma grande receptividade.

A D’Ornellas Boots tem actualmente três modelos disponíveis: o modelo clássico de atacadores as “D’Ornellas” e, mais recentemente concebidos, uma Bota de Elásticos laterais, as “Chelsea” e uns Sapatos (com nome a divulgar futuramente).

Num prazo, e aqui sim, constituí do nosso interesse abrir o espectro, será de desenvolver uma linha de Malas, Carteiras e alguns acessórios. Mantendo assim o mesmo público-alvo, mas indo de encontro à satisfação dos interesses e necessidades dos nossos clientes.
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Onde pode o cliente obter os vossos produtos?

O cliente pode adquirir as botas D’Ornellas e entrar em contacto directo connosco no nosso Showroom em Lisboa, onde se encontram todos modelos existentes em exposição.

A aquisição pode ainda ser realizada on-line ou ainda personalizada, sob a qual nós nos disponibilizamos a deslocar ao local onde o cliente se encontra, na zona de Lisboa.

[Todos os produtos encontram-se no site, podendo acompanhar os desenvolvimentos da marca nos seguintes links: www.dornellas.pt / www.facebook.com/dornellas.boots ou ainda entrar em contacto directo, através de: www.facebook.com/joana.dornellas]

 

Em termos de alcance a marca já ultrapassou as fronteiras portuguesas, alcançando Xangai, México, Nova Iorque, França e Inglaterra. Qual o passo que se segue em termos de metas face ao estrangeiro?

Para além dos países mencionados, felizmente, D’Ornellas Boots já alcançou mais países. Sendo que actualmente já foi possível vender os produtos, através da internet para Israel, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Bélgica, Suíça, Brasil.

Em termos de metas, e após a abertura de portas em Portugal, a ambição é seguir este mesmo exemplo e sucesso noutras capitais mundiais. Ou seja, procurar a abertura a horizontes ainda mais diversos e desafiantes.

Quais os obstáculos que, pessoalmente, sentiram ao procurar expandir a marca para o estrangeiro?

Quando se inicia um negócio existem sempre realidades que nos são imprevistas, não sei se lhes chamaria necessariamente obstáculos. Mas é evidente que os desafios são diversos, estamos cientes de que o crescimento deverá sempre ser controlado.

Procurando o máximo de realismo possível, sem dar passos maiores do que as próprias pernas. Até porque sendo as botas fabricadas à mão, a produção nunca poderá ser em massa, isto é, não conseguimos explodir em quantidades imensas. Ainda assim, estamos a ganhar estrutura para um novo voo para a Europa o que é por si muito positivo para a marca.

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De volta a Portugal, a marca já foi convidada a estar presente em inúmeros eventos. De entre essas experiências, qual foi a mais marcantes?

Todos os convites são bem-vindos e desde já agradecemos e muito a todos aqueles que até então nos tem convidado para os mais diversos eventos de norte a sul do país. Mas fazendo referência a um marco, o mais importante do ainda breve percurso das D’Ornellas Boots, foi o convite para participar na Moda Lisboa. Foi marcante pois permitiu-nos abrir um percurso no mundo da Moda, o que em termos de uma marca de calçado é fulcral e acima de tudo, benéfico.

Já se tocou nas metas em termos de passagem de fronteiras, resta perguntar quais os novos objectivos que pretendem alcançar com o negócio nos restantes domínios.

Ao criar a marca D’Ornellas Boots começámos a percorrer um caminho mais difícil do que esperávamos. Estamos a falar de uma marca muito recente e ainda embrionária.

A D’Ornellas Boots têm vindo a evoluir tanto nas peles adquiridas, nos mesmos fornecedores de grandes marcas mundiais, evoluímos também em termos da densidade da borracha, entre outros pormenores que marcam a diferença. Optamos essencialmente por defender e apostar na qualidade, no design e no conforto.

Os projectos têm que ser desenvolvidos com paixão para vingarem, é essa paixão que tentamos pôr em tudo em que nos envolvemos, por essa razão, podemos orgulhar em dizer que a marca tem crescido e o objectivo passa por continuar nessa linha nos vários pontos já falados.

Para terminar, fugindo um pouco à formalidade, gostaria de saber a opinião de ambos de “como é trabalhar em família”.

Trabalhar em família, por vezes, não é fácil e temos que ultrapassar algumas ou mesmo muitas contrariedades. No entanto trabalhamos sempre com a total confiança e cumplicidade que nos une e nos torna num só. Se os diferentes pontos de vista e feitios nos levam a algumas divergências, também são essas características que nos complementam, abordando os desafios nos diferentes pontos de vista.

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fotos: DR

Concurso da Incubadora Taguspark leva empreendedorismo ao Festival IN

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O concurso de ideias de negócio Duck Pond, aberto ao público, decorrerá durante o Festival IN- Inovação & Criatividade nos dias 23, 24 e 25 de Abril, respectivamente, quinta-feira, sexta-feira e sábado, com início previsto para as 18h00 na cidade Unisys – Investigação & Produtividade.

O Concurso é uma iniciativa da Incubadora Taguspark, conta com o patrocínio da Fundação AIP (organizadora do festival), e visa incentivar o empreendedorismo em Portugal.

Durante cada sessão serão apresentadas entre 5 e 6 ideias de negócio pré-seleccionadas pela organização do evento, e após cada pitch os candidatos terão que responder às questões colocadas por parte do júri composto maioritariamente por empreendedores de sucesso.

A melhor ideia de cada dia irá ainda receber um prémio no valor de valor de 500€.

As inscrições encontram-se agora abertas através do preenchimento de um formulário no site do Festival-IN, já disponível no seguinte link http://incubadora.taguspark.pt/duckpond.

BIP – O programa a dar gás às ideias da UP!

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O BIP – Business Ignition Programme é “um programa de iteração de modelos de negócio para tecnologias desenvolvidas no meio académico” como pode ler-se no site: http://bip.splashthat.com/. Trata-se de um curso destinado aos alunos/investigadores e comunidade académica da UP em geral com o objectivo de identificar oportunidades de mercado para potenciais produtos, ensinar e capacitar os participantes das ferramentas necessárias à comercialização de tecnologias e assim criar novas oportunidades de negócio de base tecnológica.

 

O programa que começou em 2011, tem a organização deste ano a cabo da UPIN – U.Porto Inovação, que é o gabinete de transferência de conhecimento da Universidade do Porto em parceria com a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários e a Startup Pirates que asseguraram a presença de pelo menos oito tutores e mentores com experiência no ensino e no mundo empresarial de base tecnológica. A ideia-base do programa é que se constituam equipas mistas (investigadores + mentores) que ao longo de 12 semanas, uma vez por semana, vão aprimorando o seu modelo de negócio de acordo usando as metodologias que lhes são ensinadas e que foram desenvolvidas por Alexander Osterwalder – Business Model Canvas – e por Steve Blank – Customer Development.

A edição de 2015, que começou no dia 12 de Janeiro, conta com dez equipas participantes e terminou dia 6 de Abril, com a sessão de encerramento que contou com a apresentação pública de cada um dos projectos: MateRHEials, Projecto BeAux, Future NanoCoatings, Supressor de Feedback Acústico, Startmeter, Smart Heat Switch, RICLA, Janela Solar, Avatar Pipeline e Airpark. Para além das equipas participantes, a sessão contou com a presença de alguns investidores (e representantes de grupos de investidores) que assim ficaram a conhecer potenciais projectos de investimento. A sessão ocorreu na ANJE, Porto – e contou com a participação do “tubarão” João Koehler da ANJE, Fátima Ramalho da U.Porto Inovação, e Inês Santos Silva da Startup Pirates. A sessão contou ainda com a presença de alguns investidores (e representantes de grupos de investidores) que assim ficaram a conhecer potenciais projectos de investimento. O resultado foi uma sessão animada, onde se destacou a qualidade e inovação destes projectos, que se encontram em diferentes estados evolutivos

 

Cá estaremos para lhes desejar sorte e acompanhar no futuro próximo!

 

Fotos: DR

O que é a Inventoo? Entrevista com Fernando Cortê-Real

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Fernando Cortê-Real, um inventor nato, percebeu um dia que a sua mulher tinha dificuldade em tirar a cadeirinha de bebé no carro. “Mas porque é que a cadeirinha não gira 90 graus?”. Depois de a ideia lhe ter surgido, partilhou-a com as grandes empresas do mercado e viu a sua invenção ser implementada uns anos depois. Coincidência ou não, esta experiência foi o primeiro passo para a criação de um novo conceito que permitiu a criação da Inventoo. Fomos descobrir mais sobre este recente projeto e sobre o seu fundador, que partilhou com a sua extrema simpatia e discurso motivador as ideias que pretendem revolucionar o mercado.

O que é a Inventoo?

A Inventoo é uma plataforma de inovação que tem com o objetivo juntar inventores e marcas. O pressuposto básico é que nem todos os inventores, só por serem inventores, têm de se assumir como empresários. Acho que é um conceito que está muito instalado e que na minha opinião é errado porque nem todos tem a vontade, a disponibilidade, os recursos, enfim… Muitas vezes nem o perfil para o ser.

No fundo, o inventor pode ser um bocado como um escritor. Escreve o seu livro mas depois não faz chegar o livro às bancas: não edita, não produz, não distribui.

O formato que quero trazer de novidade é este. O inventor pode inventar mas depois não tem de ser o empreendedor por natureza. Portanto, pode tentar vender a sua invenção a marcas que já existem. Por exemplo, alguém que tenha tirado o curso de química ou biologia e inventou um novo conceito de pasta de dentes e tenta vender à Colgate, Pepsodente, a qualquer outra marca.

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Ou seja, em vez de ir sozinho ter com as marcas, vai pelo intermédio da Inventoo.

Sim e porquê? Porque o tentar ir sozinho é muitas vezes aquela “Missão Impossível”. Quando se bate à porta das grandes empresas é sempre difícil de o fazer. A logística é complicada mas não só. Imagine uma empresa como a Coca-Cola. Seria impossível ver tudo aquilo que lhe bate à porta. Porque eles não fazem os castings como nos concursos de música e de dança!

Portanto o objetivo é tentar transformar isso numa relação “Business to Business” ou seja, o inventor vai à plataforma e promove a sua invenção. Ele não explica o que é, faz apenas uma pequena publicidade. Isto para depois as marcas que conhecem a plataforma irem pesquisar invenções que possam interessar a sua indústria e a sua empresa.

O Fernando conseguiu identificar um tipo de inventor que denominou de entreployeeneur. De onde vem este novo conceito?

O que eu identifiquei é que existia um novo agente. Não está agarrado exclusivamente ao conceito de entrepreneur que eu acho que é exagerado por generalizar a todos os inventores. Entreployeeneur vem da mistura das palavras entrepreneur e employee. Ou seja eu posso continuar com o meu trabalho, não desistir da minha carreira, não correr riscos e ao mesmo tempo tenho uma invenção e posso ter sucesso e conseguir vende-la a uma marca. Tentar ganhar com esta invenção, fazendo render um passatempo e transformá-lo em negócio não pondo em causa a vida do dia-a-dia.

E mantendo também a formação base de cada inventor

Um advogado pode inventar algo que possa ser a próxima Coca-Cola do deserto! E não teria de desistir da advocacia para ser empreendedor numa área de formação que não é a sua. Acho que é algo que está muito instalado e que deve realmente ser mudado.

Mas não será fácil mudar esta mentalidade

Vai ser difícil porque vai ser preciso que as pessoas percebem que é possível. Até porque hoje em dia, muito por causa da crise, o conceito de open innovation das empresas está muito recetivo. Não existe é muito neste conceito de push, da pessoa para o mercado.

O que acontece é um bocado ao contrário. As grandes empresas como Sony, Starbucks quando têm dificuldades de resolver problemas técnicos, põem em plataformas o desafio “Preciso de resolver esta situação”e as respostas surgem.

A Inventoo quer responder de maneira diferente à maneira como as empresas interagem com o mercado. Qual a alternativa?

Este conceito de pull é muito baseado em ter um problema e pedir ajuda ao Mundo para o resolver. É muito reativo. Aqui quero promover algo muito push, mais proactivo! Imaginemos que a Inês tem uma invenção, ainda está a acabar o curso e porquê desistir do seu percurso original? Pode ser inventora sem ser empreendedora.

Na Inventoo, qual o percurso de uma invenção? Desde uma ideia que nasce numa pessoa, que não tem de ter formação nem apetência natural para o mundo empresarial, até ser implementado por uma empresa.

A Inventoo quer criar a plataforma, gerar confiança às duas frentes que ali é o local certo tanto para os inventores e para as marcas. Vende o espaço para promoção da invenção e vende o contacto do inventor, que não está disponível para a marca. Depois tem alguns serviços add-on como disponibilizar layouts de contratos, dar algumas pistas, alguma prototipagem. Existem algumas guidelines dadas por pessoas experientes no mercado mas tudo muito básico.

De que forma a Inventoo se afasta do conceito das empresas incubadoras já tão implementado?

O que a Inventoo pretende fazer é ter um negócio de volume onde entram propostas de inovação e aparecem do outro lado mercado as marcas que pretendem adquirir novas invenções. Não fazemos serviço de consultoria pelo meio do processo como as incubadoras, onde ajudam a desenvolver o negócio e onde se cria uma costumização. Não ficamos com % de capital, nem cobramos success fees. Não acreditamos que seja um modelo para a internet e mesmo no mundo real tem-se visto que nem sempre resulta.

O contacto entre o inventor e a marca é sempre online?

Exatamente. A partir daí é entre o inventor e a empresa, nós não queremos envolver-nos no negócio! O que podemos é ser facilitadores e arranjar contactos de parceiros das áreas, sejam cá ou internacionais, para a ajudar a estabelecer desenvolver a ligação.

Podemos então afirmar que o core business é divulgação e permitir o contacto primordial entre estes dois agentes. Como é que a Inventoo transforma isto num negócio em si?

Existe alguma proatividade do lado da Inventoo que torna isto possível. Quando um inventor quer colocar a sua invenção uma das coisas que disponibilizamos é a criação de um enquadramento para conseguir promovê-la sem expor a própria ideia. Muitas das pessoas tem as suas invenções guardadas na gaveta pelo risco de serem roubadas. As empresas podem ter acesso às informações que estão na plataforma mas depois tem de pagar para ter o contacto com o inventor.

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Quando a empresa entre em contacto com o inventor, já sabe qual é o modelo da invenção?

Apenas saberá aquilo que for colocado pelo inventor. À partida terá apenas uma catalogação da invenção. Mas recomendamos sempre que os inventores ponham as suas target companies, outro serviço que disponibilizamos na plataforma.

Esta identificação permite à Inventoo ir “picar” essas empresas e centros de investigação a partir de uma relação “B2B” que gera muito mais confiança e profissionalismo. Afirmamos que somos uma plataforma de inovação e que se a for consultar verá que para a sua indústria, e se calhar até para a sua empresa, existe alguém a fazer uma proposta. Isso faz com que as empresas se sintam atraídas em vez de pensarem “Pronto, mais um a bater à porta”.

 

A Inventoo está direcionada para um mercado low cost?

O low cost nunca será o possível valor para o inventor quando a marca decide comprar invenção, isso dependerá sempre do que ela valer e do que se chegar a acordo. Low cost surge por não se precisar de toda uma infraestrutura para a implementar e pelos valores que nós praticamos para a promover e para fornecer o contacto.

 

Muitas vezes as empresas target são empresas já muito enraizadas no próprio mercado e tem uma estrutura de I&D muito desenvolvida.

Como é que a Inventoo se posiciona?

Esta realidade tem começado a ser alterada nos últimos seis anos. Há grandes empresas como a Toshiba ou a Sony no mundo inteiro que estão a fechar os seus centros de desenvolvimento. Se antigamente o eram, agora já nem sempre sãonão é sustentávelsustentáveis.

O paradigma tem mudado. E quando nós inventamos alguma coisa, muitas vezes vem para dar resposta a alguma necessidade que sentimos. Pretendemos ser uma ponte entre o que o mercado sugere e as empresas, fazendo parte da mudança que se tem desenvolvido.

O projeto já tem quatro meses. Como tem sido a aceitação por parte tanto das empresas como dos inventores?

Da parte das empresas ainda não chegámos a essa componente. Eu tinha definido três meses para iniciar a divulgação e depois dois meses para começar a angariação direta. A divulgação tem corrido muito bem e fomos inclusive entrevistados pela Marketeer. Esta revista interessou-se pelo nosso conceito que achou bastante agressivo e disruptivo em termos de inovação. Tem corrido melhor do que estava à espera!

De seguida, vamos começar a ter mais inputs na base de dados para irmos ter com as empresas. É ainda um bebé de quatro meses, vai agora começar a comer quase não come a papinha, mas queremos para comecar a crescer!

Está ainda numa fase embrionária portanto?

Sim, numa fase muito inicial. E se me perguntar quanto estou à espera de faturar não faço mesmo ideia. Não será o meu principal desafio no primeiro ano. O primeiro ano servirá para ver se existe aceitação. Não uma aceitação de mercado porque esta acho que é relativamente óbvia, mas se está no formato certo para as pessoas criativas se sentirem confortáveis para irem lá apostar as suas invenções.

Porque depois de os inventores apostarem, a outra parte é muito mais fácil. Aquilo que as pessoas acham que é mais difícil que é ir ter com as empresas, é na verdade mais fácil depois de existir uma base de dados volumosa.

Imagine-se no lugar de um criativo. Está sempre a ser pressionado para trazer os novos iPhones do mercado e não surge, porque o mercado não consegue aceitar tudo. E vê que existe uma plataforma com invenções que as pessoas sentiram necessidade de criar. O sucesso pode estar ali e é muito apetecível. Até pode não dar! Mas o custo de ir conhecer a invenção e a pessoa é muito mais barato do que tentar criá-la num centro de desenvolvimento com centenas de engenheiros. É muito mais económico.

Olhando para agora para os inventores quais as pessoas que têm aderido?

Eu inicialmente tinha feito um estudo de mercado muito baseado nos conhecimentos académicos, sem contratar ninguém profissional. Fiquei muito surpreendido com os dados que surgiram! Para já, 52% das pessoas dizem que já lhes surgiu uma invenção, acham que é propícia para lançar para o mercado mas nunca o fizeram. Por aquilo, por aqueloutro, porque surgiram imprevistos, porque ficou na gaveta. Há milhões de inovações que ficaram nas gavetas e não estão a ser aproveitadas. E isto é um desperdício, mas é a realidade.

Quando foi feito o inquérito, existia a evidência que os inventores contavam com mais homens do que mulheres. O que, quando foi feito, até podia fazer algum sentido. Curiosamente, se for ver agora o que está realmente a acontecer no momento, 55% dos utilizadores são mulheres. E eu acho isto muito interessante.

Porquê?

Para já começa a trazer uma realidade que já está escondida há muitos anos: as mulheres são muito mais criativas que os homens. E contra mim falo! Depois, são mais proactivas. Têm também um leque de situações de vida que passam que é muito maior e que é mais propício a invenções. Por exemplo, toda a indústria dos bebés e das crianças, as mulheres sentem mais isso e reparam mais nas necessidades. É uma realidade.

Eu tirei o curso à noite, em pós-laboral, e como tinha muito mais mulheres, fiquei com uma perspetiva muito diferente. Quando são boas, são muito melhores que os homens. Infelizmente são muito poucas que lá chegam pois dispersam-se principalmente com a família, embora tenham uma extraordinária capacidade de multitasking. Quando se dedicam completamente à carreira, aquilo é quase uma ultrapassagem pela direita! E foi muito bom ter este feedback feminino.

De que forma a Inventoo pode estar a combater o desemprego? Isto é, uma pessoa desempregada que tem uma invenção guardada na gaveta a vida inteira têm agora o tempo e a oportunidade de a por a render.

Muitas vezes, só têm o tempo. Muitas pessoas não têm capacidade de arranjar investimento, de ir ter com a empresa ou criar a sua. Está assim a perder um tempo exorbitante e não está a focar-se naquilo que criou.

Tem a capacidade de o executar? Terá a sorte de aquilo dar certo? Porque todos sabemos de casos excecionais de empreendedorismo mas são apenas um décimo. Os outros casos ninguém fala, os chamados casos falhados. Mas estes casos falhados podiam ter ido por outra via e alcançar o sucesso. Não quer dizer que a invenção ou o produto seja mau, só não tiveram a capacidade, sorte e timing certo para a concretizar.

Mas quem quiser ser empreendedor que o seja, a Inventoo não quer tirar oportunidade de o ser. O que queremos é dar a oportunidade aqueles que tem invenções mas não querem ser empreendedores para não correr risco, por não terem capacidade ou disponibilidade, querer manter a sua vida…

A Inventoo foi criada de raiz para ser internacional, para um mercado global, certo?

Certo. E com uma vantagem muito gira, nós portugueses somos idiotas por natureza, uns criativos de primeira! Não há sistema de multibanco como o português, que faz tudo. A Via Verde é raro existir noutros sítios do mundo e, quando existe, foi trazida de Portugal. Temos coisas fantásticas na área da inovação criada por portugueses. E por isso tem alguma piada ter sido criada aqui e tem um grande potencial só pelos próprios portugueses.

O site começou em inglês para podermos chegar desde o início ao mundo todo e estamos a começar a traduzir para mais três línguas. Vamos tentar divulgar a plataforma noutros países para que seja um negócio internacional.

A Inventoo, que acaba por ser um ninho de invenções, foi em si uma invenção do Fernando. Como é tudo nasceu?

Na faculdade ia tendo algumas invenções e pensava “Vou ser empreendedor de isto tudo!” Um problema das pessoas empreendedoras é que estão sempre a aparecer novas ideias e depois não sabemos em qual delas iremos investir. Vou fazer empresas para todas?

Vou é tentar vendê-las! E foi assim que começou a nascer o conceito. Depois da experiência de ter inventado uma nova cadeirinha de bebé sem nenhum retorno para mim, achei que isto se poderia passar com mais pessoas. Um bocadinho à semelhança da mão invisível do Adam Smith que afirma que nós criamos os negócios para responder às próprias necessidades. A Inventoo embora seja uma empresa positiva para os outros, é também boa para eu expor as minhas próprias invenções.

Para terminar, onde espera que a Inventoo esteja daqui a um ano?

No Parque das Nações, num espaço maior (risos)! Pelo menos ter dados para confirmar que existem registos de inventores que tenham sido vendidos a empresas. Muito mais do que isto depois não sei se consigo saber porque fica à vontade das duas partes. O meu grande objetivo agora é conseguir cativar os inventores e que existam empresas que vejam a Inventoo como uma fonte interessante para começarem a comprar. Porque depois quando as coisas funcionam, o sucesso vem associado.

 

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ZECA – o robot minhoto que está a ajudar as crianças autistas!

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O projecto da Universidade do Minho “Robótica – Autismo” , desenvolveu e apresentou o robot ZECA, sigla para “Zeno Engaging Children with Autism”. O projecto teve início em 2009 no Centro Algoritmi e no Departamento de Electrónica Industrial da Universidade do Minho, e é coordenada pela Professora Filomena Soares, juntamente com Cristina Santos, João Sena Esteves, Sandra Costa, Ana Paula Pereira (CiED – Uminho) e Fátima Moreira (APPAACDM – (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental).

Como pode ler-se no site dedicado ao projecto (http://robotica-autismo.com/), o principal objectivo deste é usar robots para melhorar vida social de crianças com perturbações do espectro do autismo. Em particular, pretende melhorar as capacidades de interacção, comunicação e reconhecimento de emoções num ambiente social por parte destas crianças.

Várias publicações científicas apontam para a (boa) influência dos robots na melhoria das capacidades sociais destas crianças, sendo que recentemente esta prática foi classificada como uma das 27 práticas de intervenção a usar no desenvolvimento destas crianças (http://www.robokindrobots.com/robots4autism-home/robots4autism-research/).

Como surge então este casamento entre robots e as crianças com perturbações do espectro do autismo?

Como responde a Dr. Pamella Rollins, do UT Dallas Callier Centre for Communication Disorders, “All kids with autism have problems with social interactions, but they are really really good at technology” (Todas as crianças com autismo têm problemas nas suas interações sociais, contudo são mesmo mesmo boas/interessadas em tecnologia) na sua entrevista à CNN (http://edition.cnn.com/videos/tech/2015/04/02/lead-pkg-foreman-robots-help-fight-autism.cnn) .

Os testes realizados com o ZECA, em cenário de jogo, mostraram que as crianças autistas portuguesas “…melhoraram os seus níveis de resposta, envolvimento e interesse na interacção. Exibiram mais comportamentos não-verbais e tiveram um desempenho significativamente melhor nas tarefas, quer na identificação e imitação das expressões faciais como na inferência dos estados afectivos de colegas”, como conta ao Jornal Público (http://www.publico.pt/sociedade/noticia/universidade-do-minho-cria-robo-que-ajuda-criancas–com-autismo-1691197)

Este projecto que já resultou em quatro teses de mestrado, pelo menos três artigos internacionais, e  dezenas de contribuições (poster/oral e convidadas) em conferências científicas nacionais e internacionais, foi recentemente distinguido no site de referência internacional Robokind (http://www.robokindrobots.com/robots4autism-home/robots4autism-research/) .

Esta é sem dúvida uma janela de esperança para este distúrbio neurológico que afecta uma em cada mil pessoas.

 

O BET 24 Horas está de volta já no dia 11 Abril

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O BET 24 Horas está de volta já no dia 11 Abril
Com um total de prémios de sete mil euros, o BET 24 vê a sua terceira edição a acontecer, em duas fases distintas: a 11 de Abril e 9 de Maio.

Depois de nas edições anteriores ter oferecido uma viagem a Silicon Valley, este ano os vencedores têm ainda a oportunidade de visitar as tech-hubs de Dublin e Londres.

A 1ª fase irá decorrer na Universidade Católica Portuguesa e será composta por quatro desafios. Durante as quatro semanas que separam a 1ª da 2ª fase da competição, serão realizados workshops, eventos de networking com investidores e encontros com mentores. Os participantes terão ainda o apoio da equipa do BET para desenvolverem as suas ideias de negócio.

A 2ª fase e fase final do evento será na Fundação Gulbenkian, onde decorrerão as quatro finais dos desafios num formato ao estilo “Shark Tank”. Neste dia, decorrerá também uma feira de start-ups portuguesas de sucesso e estarão presentes jurados e oradores de referência nacional e internacional.

As inscrições são gratuitas e a competição conta com 11 workshops e oportunidades de networking, com candidaturas abertas até a 8 de Abril , e realizadas através do website www.bet24horas.pt.

Investigadora portuguesa venceu o BiotechnologyYES, um prestigiado concurso britânico destinado a estudantes de ciências que queiram aventurar-se no mundo empresarial

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Joana Branco dos Santos venceu o BiotechnologyYES, um prestigiado concurso britânico destinado a estudantes de ciências que queiram aventurar-se no mundo empresarial. Joana Branco dos Santos e a sua equipa venceram a edição de 2014 e agora partem para o Texas, nos Estados Unidos, onde representarão a Grã-Bretanha.

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Quem é a Joana Branco dos Santos?

Joana Branco dos Santos nasceu nas Caldas da Rainha, no dia 8 de Novembro de 1987. Frequentou sempre as escolas da região e em 2007 rumou a norte, mais especificamente Vila Real, onde ingressou no ensino superior para se formar em Genética e Biotecnologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Seguiu-se um curto estágio de verão no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, com o intuito de ficar a conhecer um pouco mais do dia-a-dia em laboratório.  Depois surge a convicção que queria  trabalhar em neurodegeneração e resolve candidatar-se ao mestrado de Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Realizou o trabalho para a sua tese de mestrado no laboratório do Dr. Tiago Fleming Outeiro, no Institituto de Medicina Molecular, em Lisboa, e por lá resolveu continuar. Escreveram um projecto científico e concorram a uma bolsa individual de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.  Neste momento encontra-se a frequentar o Programa Doutoral do Centro Académico de Medicina de Lisboa, com especialização em Neurociências, e o seu trabalho é desenvolvido entre Portugal e Inglaterra (Leicester).

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- O gosto pela ciência já nasceu contigo?

O gosto pela ciência propriamente dita penso que não. Mas lembro-me que sempre fui muito curiosa, não em relação a tudo, mas em matéria de biologia e saúde. Queria sempre saber como tudo funcionava ao pormenor, perceber o porquê de o nosso corpo responder de uma determinada forma ao invés de outra perante um determinado estímulo externo, o que acontece no interior das nossas células quando damos essa reposta, o porquê de determinadas perturbações ou doenças poderem afectar de forma tão distinta diferentes populações e, portanto qual a implicação do nosso código genético perante essa perturbação ou doença, perceber de que forma podemos “mexer” na expressão do nosso código genético para atrasar, atenuar ou mesmo curar essas doenças. Já numa fase mais tardia, na recta final da minha licenciatura, comecei a desenvolver um enorme fascínio por aquele que considero o maior mistério que o Homem tem por desvendar, o seu próprio cérebro. E, daí ter percebido que o meu futuro académico passaria por estudar o cérebro humano e quais os mecanismos moleculares associados à morte de neurónios que acontece em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

- Achas que em Portugal terias condições para desenvolver o teu trabalho?  Como vês o sucesso de tantos portugueses que estão fora de portas?

Acredito que sim, aliás o meu trabalho de doutoramento passa também por Portugal. Comecei o meu doutoramento em Portugal e passado uns meses voei para Inglaterra e estabeleci-me na Universidade de Leicester, onde o nosso laboratório tinha já várias colaborações a decorrer. A minha vinda para Inglaterra já estava prevista à priori no meu projecto de doutoramento mas foi uma decisão totalmente minha, sabia que seria uma mais-valia a nível de crescimento pessoal e profissional. A ciência é universal, é importante  sair mesmo quando há condições para desenvolver o nosso projecto em “casa”, trabalhar em outros laboratórios, conhecer outras realidades e outras formas de fazer ciência, tudo isso é o que nos faz crescer não só como investigadores mas também como pessoas. Aliás se olharmos para o curriculum de todos os grandes cientistas e investigadores portugueses, hoje com os seus laboratórios sediados em Portugal, percebemos que a grande maioria fez parte da sua carreira lá fora e depois regressou. Faz-se muito boa ciência em Portugal e formamos excelentes investigadores, o problema passa pelo reduzido financiamento para manter essas pessoas em Portugal, as condições de trabalho são ainda muito precárias, pouco atractivas e com poucas perspectivas de crescimento. Portanto, quando não há dinheiro para continuar projectos, ou quando deixa de haver dinheiro para pagar salários, torna-se inevitável procurar oportunidades fora de portas, onde nos oferecem um maior reconhecimento monetário e mais garantias de crescimento e estabilização de carreira. Mas também há muitos que saem por opção, como no meu caso, porque procuram consolidação profissional ou apenas um novo desafio. Vejo com bastante naturalidade o sucesso dos jovens cientistas portugueses lá fora, porque vamos melhor preparados em comparação com outros estudantes de ciências de outros países e somos, regra geral, mais determinados e trabalhadores.

- Convives com outros investigadores portugueses no Reino Unido?

Temos uma grande comunidade científica portuguesa no Reino Unido. Estamos um pouco espalhados mas graças ao trabalho da Associação Portuguesa de Investigadores e Estudantes no Reino Unido (PARSUK), da qual sou membro, são organizados encontros anuais onde temos a oportunidade de conviver e discutir o estado da ciência portuguesa e outros temas da actualidade. Para além disso, há alguns estudantes de doutoramento e pós-doutorados na Universidade de Leicester com quem convivo diariamente. E curiosamente tenho também amigos e colegas na Universidade de Cambridge e em Londres.

- Pensas regressar?

Sim, quero regressar. A curto prazo tenho algumas experiências importantes para terminar em Lisboa, ainda no âmbito do meu doutoramento. Quando terminar o doutoramento gostaria de ficar em Portugal, mas claro que tudo dependerá das oportunidades profissionais que surgirem. Tenho consciência que o mercado de trabalho em Portugal é pouco competitivo nomeadamente na área de investigação e ciência e, nesse sentido o estrangeiro continua a ser uma opção bem real.

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- É no laboratório que passas grande parte do teu tempo. Em que consiste a tua investigação? 

O meu trabalho de doutoramento centra-se no estudo da doença de Huntington, uma doença neurodegenerativa hereditária, ou seja, com causa genética. É uma doença que se caracteriza por perda de coordenação motora, movimentos involuntários e, numa fase mais tardia, surgem complicações psíquicas e cognitivas que dão origem a alterações de personalidade, agressividade, depressão e demência. A nível histopatológico esta doença, tal como o Alzheimer e Parkinson, é caracterizada pela acumulação e agregação de proteínas “anormais” num grupo especifico de neurónios que acaba por levar à morte desses neurónios. O meu projecto de doutoramento consiste em estudar os mecanismos moleculares, nomeadamente modificações bioquímicas pós-traducionais que ocorrem após a formação das proteínas e, que levam à alteração e agregação dessas proteínas. Nesse sentido estamos a tentar identificar potenciais alvos terapêuticos que possam, numa fase posterior, ser utilizados pela industria farmacêutica para a produção de novos fármacos mais eficazes.

- Que aplicações práticas poderá ter o mesmo?

Tal como expliquei anteriormente o objectivo final do meu trabalho passa por abrir novas “linhas de investigação” através da identificação de potenciais alvos terapêuticos que deverão ser testados para o desenvolvimento de fármacos de última geração para o tratamento da doença de Huntington e outras doenças neurodegenerativas.

- Que significado tem para ti este prémio? 

Para além de todo o processo de aprendizagem, que apesar de bastante exigente se tornou extremamente compensador a todos os níveis, e das novas competências que adquiri numa área que não é de todo a “minha praia”, o prémio tem-nos proporcionado excelentes oportunidades para networking, tenho conhecido empreendedores com histórias de sucesso fantásticas, interagido com investidores reais e  pessoas ligadas às mais diversas áreas da indústria biotecnológica e do mundo empresarial. Mas mais importante que tudo isso, este concurso fez-me sair da minha zona de conforto e proporcionou-me o contacto com novas e diferentes realidades que me ajudaram a pensar um pouco “fora da caixa” e no que está para lá das portas de um laboratório.

- Defendes que a indústria portuguesa devia apostar mais nos jovens cientistas. Achas que a ligação meio académico/meio empresarial não funciona ?

Não de todo, nomeadamente em Portugal. Temos um número brutal de doutorados para as vagas disponíveis no sistema científico e académico nacional. E portanto, estamos a assistir a uma crescente necessidade de empregar e transferir investigadores do sistema científico, e em particular das universidades, para as empresas. No entanto, é necessária uma maior consciencialização para este problema e uma maior abertura das empresas portuguesas à inovação, mas também é necessário atrair mais jovens cientistas para a indústria e para o sector privado. Penso que uma das soluções passa precisamente pela criação, em Portugal, de concursos semelhantes ao “Biotechnology YES”. Este concurso é desenhado para investigadores em inicio de carreira e projectado para aumentar a consciencialização sobre a importância da comercialização de ideias biotecnológicas e biomédicas. A ideia é atrair mais jovens cientistas para a indústria de forma a aumentar a produtividade e a competitividade da economia. Além disso, neste género de competições é esperada uma interação pró-activa entre jovens investigadores e potenciais empregadores ou investidores o que permite também a consciencialização, por parte do empregador, do potencial e das vantagens que um jovem cientista pode trazer para a sua empresa. Por exemplo, no Reino Unido há cada vez mais empresas e instituições a financiarem e a tomarem parte destes concursos porque vão precisamente à procura de novos colaboradores com determinação e vontade de inovar.

- Como encaras o teu futuro?

Neste momento estou focada em terminar o meu doutoramento o melhor possível. Em relação ao futuro da minha carreira profissional tenho várias hipóteses em cima da mesa e alguns projectos que gostaria de ter a oportunidade de desenvolver ligados ao empreendedorismo científico.

- Para além da paixão pela investigação, quais são os seus outros interesses?

Sou uma apaixonada por naturopatia na cozinha e consequentemente tudo o que involva um estilo de vida saudável e equilibrado. Ir correr, fazer uma aula de body pump ou simplesmente dedicar algum tempo a planear e preparar as minhas refeições é das coisas que me dá mais prazer e me ajuda a aliviar os níveis de stress e ansiedade. Para além disso, e a um nível mais intelectual, interesso-me por política e gosto de escrever sobre diversos temas da actualidade. Estou aliás a ponderar criar um blog muito brevemente.

 

fotos: DR

“Biodiversidade para todos”, de Milene Matos, venceu o Prémio Internacional Terre de Femmes 2015 e o prémio atribuído pelo público

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“Biodiversidade para todos”, de Milene Matos, venceu o Prémio Internacional Terre de Femmes 2015 e o prémio atribuído pelo público

O prémio Terre de Femmes. Instituído pela Fundação Yves Rocher,  pretende homenagear o trabalho das mulheres que, por todo o mundo, contribuem para salvaguardar o mundo vegetal e para melhorar o meio ambiente, agindo simultaneamente para o bem-estar da sociedade. Com este prémio, a investigadora recebe 10 mil euros da Fundação Yves Rocher, o que lhe vai permitir incutir um novo ímpeto ao projecto.

Milene Matos, bióloga da Universidade de Aveiro (UA) confessou na sua página do Facebook que “uma coisa era ganhar o prémio do Público, para o qual tive todo o apoio da Universidade de Aveiro, FMB, amigos, colegas, comunicação social e mesmo perfeitos desconhecidos (…)  Outra era o Grande Prémio Internacional do Júri. Um júri entendido, de pessoas conceituadas que não conheciam nada mais de mim além do meu trabalho.”.

Responsável pelo projecto “Biodiversidade para Todos”, Milene Matos tem usado o património natural, histórico e cultural da Mata Nacional do Buçaco para erguer um serviço educativo com funções pedagógicas, mas também sociais e de promoção e protecção da biodiversidade local. Aquando da vitória na componente nacional da competição, a Excelência Portugal entrevistou a bióloga.

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Nunca nos meus sonhos mais rebuscados contava ganhar esse título, concorrendo com mulheres e projectos tão importantes, nobre e dignos. Estou como que entorpecida, foram muitos sentimentos… Sinto na verdade uma espécie de culpa por ter ‘varrido’ a competição, não havia mais canecos para trazer…

E como afirma Milene Matos, “Já se fala do Buçaco na TV Francesa…”

http://information.tv5monde.com/terriennes/milene-matos-biologiste-amoureuse-de-la-foret-nationale-de-bucaco-au-portugal-25962

 

fotos: DR

Primeiro Gin Tinto do mundo é português

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Começou esta semana a ser distribuído, no mercado nacional o Tinto Red Gin Premium, o primeiro gin tinto do mundo, produzido por uma empresa de Valença.

Com um custo, por garrafa, de 29.80 euros, as primeiras 5.000 garrafas já estão vendidas. O empresário, João Gueterres, já tem ingredientes em maceração para poder produzir mais cinco mil litros da bebida.

João Guterres tem 63 anos de idade e está ligado ao sector há cinco décadas. Cerca de 600 das primeiras 5.000 garrafas seguem para Angola, existindo vários contactos da Bélgica, da Holanda e também do Luxemburgo.

O Gin Tinto “made in Valença” tem 14 ingredientes, com destaque para o aneto, loureiro, nevêda, folha de Salgueiro, flor de sabugueiro, ervas de São Roberto, erva cidreira, Lúcia Lima, folha de eucalipto, o alecrim, alfazema, e o cítrico da casca da laranja verde, papoilas e amoras silvestres e perico, um fruto típico de Valença.

 

foto: DR
fonte: Rádio Geice