Inês Caleiro (Guava) – Empreendedorismo além-fronteiras com assinatura portuguesa

Ines caleiro

Apaixonada desde sempre pela moda, Inês Caleiro conta com um percurso feito no estrangeiro, tendo chegado mesmo a estagiar na conceituada Jimmy Choo. Entre Portugal e a Noruega, é atualmente CEO e diretora criativa da GUAVA. A jovem designer portuguesa partilhou o seu percurso e os desafios deste projeto. Um exemplo de empreendedorismo nacional que conquistou mercados além fronteiras.

 

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

1 – Como foi o seu percurso académico? 

Estudei Design Gráfico no Iade e desde sempre a areá da Moda me fascinou. Decidi logo que terminei o curso de Design Gráfico seguir para Londres e tirei uma Pós Graduação na London College of Fashion em Fashion design & Accessories. Neste curso, o meu projecto foi votado o melhor e com esse mérito recebi o prémio de melhor aluna do curso e consequentemente fui convidada para estagiar na conceituada Jimmy Choo.

 

2 – Participou no programa InovContacto. Como foi esta experiência? 

A experiência do Inov Contacto foi extremamente gratificante. Experenciei não só a realidade do sonho americano, como a oportunidade de trabalhar numa das empresas de Design de Produto de luxo com forte impacto naquele mercado. A possibilidade de construir e desenvolver a marca nos EUA teve um enorme valor para o meu percurso. Conhecer a realidade de desenvolver e promover uma marca de perto é extremamente enriquecedor.

 

3 – Que portas é que esta experiência lhe abriu?

Esta experiência trouxe-me acima de tudo o desejo e a vontade de começar algo. De desenvolver uma marca e desafiar-me a mim mesma. Além obviamente de ter conhecido e criado um network de pessoas que permitiram que o meu projecto começasse a ganhar forma.

 

4 – Entretanto surgiu a GUAVA. O que é a GUAVA?

A Guava é uma marca de design de sapatos, inteiramente inspirada em arquitectura e formas geométricas. É uma marca produzida em Portugal feita com enorme dedicação pelas mãos dos nossos artesãos portugueses.

 

5 – O que é que estes sapatos têm de diferente dos que já existem no mercado?

O cunho dos nossos sapatos está nos saltos altos geométricos. A nossa imagem de marca é essencialmente a arquitectura desenhada em cada salto. Todos os saltos são feitos por nós e exclusivos da Guava.

 

6 – Em que mercados se encontra a GUAVA ? Que mercados querem alcançar?

Neste momento estamos representados essencialmente na Europa, Rússia e Arabia Saudita. Estamos a estabelecer contactos com o mercado asiático e procuramos também apostar no mercado dos EUA.

 

7 - Recentemente a GUAVA fez uma parceria com a Baguera, para a criação de uma clutch. Como surgiu e em que consistiu esta parceria?

Foi super interessante o contacto entre a Guava e a Baguera. Eu e a Branca conhecemo-nos há algum tempo, quando a Guava ainda estava nos seus primeiros meses de existência. Sempre admirei o trabalho da Branca e a vontade de colaborarmos um dia. A ideia surgiu numa conversa de what’s app onde ambas revelamos o interesse em fazermos uma colaboração e rapidamente as ideias começaram a borbulhar.

 

8 – Quais os resultados alcançados?

O impacto na impressa tem sido bom. Temos estado a ter visibilidade e procura.

 

9 – Está entre Portugal e a Noruega (Oslo), numa marca que se começa a espalhar pelo mundo. Como sente que é visto Portugal e o que é feito no nosso país? Portugal está na moda?

Creio que os portugueses têm algum receio da imagem que passamos para fora, esses receios não deveriam existir. Em todas as culturas e países existem características boas e outras menos boas. Portugal tem sabido aos poucos “mostrar-se” e isso devido a esta nova “geração” de empreendedores e “conquistadores”. Em geral do que vejo por onde passo, está a acontecer esta vaga de “entrepreneurs”, e em Portugal estamos cada vez mais bem representados, é essa geração que está a saber passar a imagem que todos nós jovens queremos que Portugal tenha lá fora. Graças a isso os comentários que ouço são positivos e de reconhecimento por o que temos em Portugal.

 

10 – Como é ser-se um empreendedor português, no contexto mundial? É uma vantagem ou levanta algumas limitações?

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

11 – Entre Portugal e Oslo, que projetos tem para o futuro ? Quais as próximas apostas da GUAVA?

O objectivo passa por continuar a espalhar o encanto da Guava pelo mundo.

 

foto: DR