Teresa Almeida distinguida como Atleta do Ano pelos prémios CNID

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O CNID (Associação de Jornalistas de Desporto) entregou, hoje, os prémios com que distinguiu jornalistas, atletas, treinadores e equipas que se destacaram ao longo da época.  A cerimónia realizou-se na Tribuna de Honra do Estádio Nacional, em Oeiras.

A Campeã Mundial de Bodyboard, Teresa Almeida, foi galardoada na categoria “Atletas do ano”.

A atleta do Clube de Desportos Alternativos da Nazaré já foi entrevistada pela Excelência Portugal, em Janeiro, aquando da conquista do campeonato do mundo.

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Lista completa dos galardoados com os Prémios 2015. Atletas, entidades e jornalistas desportivos integram esta lista:

Prémio Prestigio Fernando Soromenho – Nelson Évora (SL Benfica)

Prémios Carreira – Naide Gomes e Simão Sabrosa

Prémio Alves dos Santos (TV) –  Sousa Martins TVI

Prémio Artur Agostinho (Rádio) – Gonçalo Ventura ANTENA 1

Prémio José Neves de Sousa (Imprensa Escrita) – Rui Miguel Tovar JORNAL I

Prémio Nuno Ferrari (Fotografia) – Pedro Ferreira RECORD

Prémio Vitor Santos (revelação Imprensa Escrita) – Lídia Paralta Gomes RECORD

Prémio on-line – A BOLA

Prémio Dedicação – Joaquim Campos, antigo árbitro internacional


Atletas do Ano

Ivo Oliveira – Ciclismo (Bike Clube de Portugal I Liberty Seguros / Carglass)

Marcos Freitas – Ténis de Mesa (AS Pontoise Cergy TT)

Miguel Oliveira – Motociclismo (KTM)

Teresa Almeida – Bodyboard (Clube de Desportos Alternativos da Nazaré)

 

Equipa do Ano – Hóquei em Patins sénior do Sporting Clube de Portugal

Equipa do ano “Especial” – José Mourinho, Silvino Louro e Rui Faria (Chelsea FC)

Treinador português no estrangeiro – José Mourinho (Chelsea FC)

Atleta português no estrangeiro – Cristiano Ronaldo (Real Madrid)

Atleta português no estrangeiro – Ricardinho (Inter Movistar)


Federações do Ano

Federação Portuguesa de Canoagem

Federação Portuguesa de Ténis de Mesa

 

Fonte: CNID
Foto: DR

Stand Up Paddle Board – Isa Sebastião bate recorde mundial

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No passado domingo, Isa Sebastião, actual campeã nacional de Stand Up Paddle Board (SUP) em Maratona e Sprint, bateu, em Alcácer do Sal, o recorde do mundo da maior distância percorrida num rio sem paragens a remar em pé numa prancha. Isa Sebastião fez, em 24 horas, 170 quilómetros no Rio Sado. 

Para entrar no livro dos recordes do Guiness,  a atleta tinha-se proposto a completar 130km. Superado o objectivo em 40 km, cabe agora ao Guiness a homologação do feito.

A Excelência Portugal quis saber mais sobre esta modalidade e entrevistou a atleta.
ISA4Isa Sebastião tem 41 anos e 1.80m. A lisboeta  (Alcântara)  iniciou a sua  carreira desportiva passou pelo basquetebol, o CIF foi o seu clube de formação e jogou no União de Santarém e Nacional da Madeira. Foi várias vezes campeã nacional e representou a selecção de Portugal até ao final da carreira (96 internacionalizações).

Deixou de jogar basquetebol aos 26 anos porque o desejo de fazer desporto de exploração da natureza era cada vez maior. Gosta de praticar qualquer desporto que a coloque em contacto com a natureza e lhe proporcione aventura e desafio e principalmente se forem no meio aquático- Actualmente além de SUP pratica kitesurf regularmente.

Começou a praticar  SUP quando teve conhecimento, pela internet, em 2009. Organizou alguns eventos como a Oeiras SUP Race e a primeira etapa de ondas e race no Ocean Spirit.

Em 2012 começou a competir em Race sempre com homens, em 2014, já com algumas mulheres a fazerem o circuito, sagrou-se campeã nacional de Race e Sprint (no entanto as mulheres continuam a ser “muuuuito” poucas). Em 2013, entrou numa prova do circuito mundial ficando em 7º lugar.

Na sua opoinião, Portugal tem das melhores condições da Europa e talvez mundo para a práctica do SUP. A modalidade têm várias vertentes e em todas o nosso pais é fabuloso:

– Excelentes ondas como já é sabido para o SUP Waves;

– Costa com nortada excelente para Downwinds (descer ao vento), dito pelo presidente da IOSUP, Fernando Labad, como Portugal para o downwind só o Hawai;

– Óptimas lagoas, albufeiras e rios para passeios e travessias.

Esta actividade têm sido a de maior crescimento nos últimos tempos e pensa que Portugal não vai ser excepção, A facilidade de aprendizagem, boas sensações e versatilidade são a receita para o sucesso e literalmente é uma actividade dos 8 aos 80 e adequa-se a diferentes tipos de procura de sensações: calma, adrenalina, lazer, desporto, família, etc.

Isa pessoalmente adora remar durante muito tempo mas também adora apanhar ondas.

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A nível competitivo ainda somos praticamente inexistentes. Pela Europa existem provas com mais de 100 participantes e em Portugal ainda contamos com 20 ou 30.  Para Isa Sebastião, “ainda existe a mentalidade de que se não é para ganhar então não vou. “
No que concerne a apoios, estes são idênticos aos de todos os desportos amadores e recentes, ou seja praticamente nulos. Para se conseguirem apoios tem de haver mediatismo, e esta é uma modalidade que ainda não tem qualquer tempo nos meios de comunicação social.
Fotos: DR

O surf português está imparável! Vice-campeões mundiais

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Dia 7 de junho escreveu-se mais uma página na história do surf português: a seleção nacional sagrou-se vice-campeã mundial no ISA World Surfing Games. Nicolau Von Rupp foi o atleta português que chegou mais longe na competição, tendo obtido a medalha de prata na prova principal.

O World Surfing Games, Campeonato Mundial organizado pela Federação Internacional de Surf, decorreu na semana passada, entre 31 de maio e 7 de junho, na Nicarágua. É um evento no qual os atletas competem individualmente pelo título e coletivamente pela distinção da sua Seleção. Em competição estiveram 27 seleções de todo o mundo e 132 atletas, masculinos e femininos.

No pódio, encontramos a Costa Rica como campeã mundial, seguida de Portugal e em terceiro lugar os Estados Unidos. Dado que o objetivo apontado inicialmente para a nossa seleção seria o top 5 por equipas, esta medalha de prata foi uma superação de aspirações.

Nas redes sociais a Federação Portuguesa de Surf escreveu “Estiveram todos brilhantes. Este homem foi ENORME”. Este elogio dirige-se a Nicolau Von Rupp, o surfista da Praia Grande, que foi o único português que conseguiu manter-se do início ao fim na prova principal, tendo demonstrado uma consistência no seu desempenho absolutamente fantástica.

Também a jovem surfista de Cascais, Teresa Bonvalot, se distinguiu nesta competição, alcançando o 9º lugar e confirmando o seu potencial. Vasco Ribeiro e Miguel Blanco posicionaram-se ambos em 13º lugar, enquanto José Ferreira e Camilla Kemp ficaram em 25º lugar.

Quem está também de parabéns é David Raimundo, Selecionador Nacional de Surf, que acampanhou os atletas nesta prova.

João Aranha, Presidente da Federação Portuguesa de Surf, nota que “conseguimos cumprir os nossos objetivos e somos vice-campeões do mundo em Surf! Trata-se de um retorno muito positivo para o investimento na nossa Seleção e espero que esta distinção, que reforça a posição de Portugal como potência mundial de Surf, abra portas a fundos para competirmos em mais provas internacionais, dando a oportunidade aos atletas de outras modalidades de trazerem mais troféus para Portugal.”

Sem dúvida um resultado histórico para a modalidade do surf em Portugal.

 

Foto: DR

Madeira (futebol) – do 8 ao 80

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Passados 20 anos, o Clube de futebol União da Madeira volta à I Divisão. Foi neste Domingo que chegou o momento pelo que os azuis e amarelos mais ansiavam. Do 8 ao 80, já que foi exactamente com 80 pontos que o clube madeirense subiu, juntamente com Tondela, com 81 pontos, ao verdadeiro campeonato do desporto rei nacional.

Kisley, Ruben Andrade e Soares foram os nomes realçados  pelos 3 golos marcados em Marvila, na casa do clube Oriental. Segundo a opinião de vários adeptos unionistas, Soares, o jogador nº 3, além de pontuar no marcador ainda se destacou como o melhor jogador em campo.

O clube vai ser recebido à 01.30, na Câmara Municipal do Funchal, que abrirá as suas portas para o efeito; seguir-se-á uma fotografia junto à estátua do “Melhor do Mundo” e, por fim, a merecida celebração da ascensão no Café do Teatro.

O Clube Futebol União junta-se, assim, ao Marítimo e ao Nacional, perfazendo 3 equipas da pérola do atlântico, desde 1991, na I Liga do Futebol Português.

 

foto: DR

 

Manuel Ramos (Nelo) em entrevista

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Manuel Ramos, mais conhecido como Nelo, tal como os seus caiaques, foi o construtor mais medalhado nos jogos Olímpicos de Londres e é, também, considerado como o melhor construtor de caiaques do mundo.
A Excelência Portugal quis conhecer o homem e a empresa. Aqui fica a entrevista

 

Qual é a sua história com a canoagem?

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Eu fui atleta. Nasci em Angola e vim para Portugal em finais de 1975. Mais tarde, em Vila do Conde, fui para uma escola de canoagem – na altura em que ninguém conhecia a canoagem – mas na verdade fiz um bocado de uma auto-aprendizagem. Como nem havia canoagem organizada cá em Portugal comecei a competir em Espanha em ’76, até ser cá fundada a Federação Nacional de Canoagem e eu ser o primeiro campeão nacional (aí umas cinco vezes). Cheguei até a fazer um mundial e algumas provas internacionais de velocidade, que cá em Portugal não tínhamos.

A dada altura comecei a utilizar caiaques feitos por mim – comecei a trabalhar muito cedo: montei a empresa aí aos 17 ou 18 anos -, em poliéster e fibra de vidro. No início dos anos ’80 servi durante um tempo o crescimento da canoagem em Portugal já que pelo menos havia produção nacional a custos adequados ao bolso dos Portugueses.  A marca cresceu, mas como era uma modalidade curta na altura, sazonal e também porque o mercado nacional era um mercado exigente tentei fazer a minha aposta internacional. Passei por cima de Espanha para não estragar o mercado a um gestor com quem mantinha uma relação ou não baixar demasiado o preço, mas teria sido um mercado muito mais fácil já que a canoagem espanhola já tinha uma grande expressão, com provas com mais de cem anos, e havia proximidade.

A minha atitude foi aquela que acho se deve ter para se ser bom em tudo: dar passos grandes, necessariamente difíceis.  Fui para a Grã-Bretanha, onde comecei com um paleontólogo escocês que utilizava o caiaque para os seus trabalhos de investigação no Sena, Nilo, etc., e depois tentei conquistar o mercado de alta competição. Tive essa vontade: da mesma forma que competi, queria ser o melhor se estivesse nesta área. Para ser o melhor da minha zona não valeria a pena (risos). (…) Portugal é um país limitado, sem passado na canoagem, e era complicado para um gestor português impor-se num mercado em que outros países tinham expressão… mas foi essa dificuldade que me obrigou e à minha equipa a fazer um trabalho redobrado e de qualidade. Acabou por dar em chegarmos aos melhores do mundo. Foi difícil no início mas quando chegámos ao topo vínhamos com background, conhecimento, estrutura, know-how que os outros não tinham.

E como adquiriram esse conhecimento? Foi sempre por auto-aprendizagem?

Sim, sim. A grande vantagem da nossa marca é não andarmos atrás de ninguém. Naturalmente que no início tirámos ideias de outros, mas neste momento andamos à frente. Neste momento há 4, 5 fabricantes que fazem a diferença e depois há construtores que copiam os melhores barcos e os metem no mercado a um preço mais baixo.

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Que foi o que vocês se recusaram a fazer.

Naturalmente que no início copiei.  Mesmo nos primeiros Jogos Olímpicos em que ganhámos medalhas, em Atlanta, os barcos não foram desenhados por mim. Eu tinha tentado uma primeira abordagem de dois modelos que correram no Campeonato do Mundo de Maratona de Juniores – e até ganharam medalhas – mas que nos foram desautorizados no Campeonato do Mundo de Seniores porque a federação internacional entendeu que a parte de cima do barco beneficiava do vento traseiro. Acabei por ter de ganhar um pouco de arcaboiço. A seguir, nos Jogos de Sidney, já são modelos desenhados por nós que acabam por obrigar a federação internacional a mudar as regras. Fizemos 5 medalhas com barcos legais que ofereciam bastantes benefícios e obrigam à alteração da regulamentação.

E nos Jogos seguintes tornam-se fornecedores oficiais.

Somos fornecedores oficiais 4 anos depois, em Atenas – foi uma guerra tremenda com os outros fornecedores e até com a federação (…). Antes já éramos líderes em velocidade e maratona, mas com o resultado de 2004 (fomos o fabricante que mais medalhas conseguiu nuns Jogos) e tornámo-nos nos mais importantes. Depois, em Pequim, voltamos a ser fornecedores oficiais e conquistamos um número absurdo de medalhas (20 em 86). Voltamos a sê-lo em Londres e até em slalom, algo em que ninguém acreditaria porque andávamos há pouco tempo nisso (…). E tem sido esse, mais ou menos, o nosso trajecto.

Quais são as características que tornam os vossos barcos tão apreciados?  

Neste momento ganhamos praticamente tudo em caiaque, e no resto andamos taco-a-taco com outro fornecedor. Houve até uma série de finais em Londres em que só competiram barcos nossos. (…) O que nos diferencia é o conhecimento, o know-how, o serviço… uma série de circunstâncias. Fomos os primeiros a produzir barcos para todas as categorias de atletas. A nossa primeira encomenda foi para a seleção japonesa porque ninguém produzia barcos para atletas de 50kg. Haviam barcos para homens com mais de 75kg e para mulheres com menos de 75kg. Agora fazemos barcos para atletas de 50kg a 110kg, obviamente adaptados às suas características. Também fazemos um trabalho único de telemetria e um ajuste dos barcos aos atletas, razão pela qual cá temos vários centros de treino. A ideia inicial nem era essa, mas as seleções acharam a qualidade dos nossos centros tão elevada que optaram por vir para cá treinar e não só fazer ajustes. Continuamos a acompanhar as equipas que treinam noutros centros, mas só aqui vendemos 22 000 noites, o que dá para adquirir conhecimento, para recolher imensos dados de telemetria em tempo real, para fazer ajustes, para ajudar os treinadores e os atletas… É um trabalho que desenvolvemos ao longo do ano nas fases de preparação e competições (…) e que funciona como uma bola de neve. Hoje temos informação de todos os atletas que por cá passaram nos últimos 10 anos – atletas de topo- e que nas diversas competições têm acompanhamento nosso (…). Garantimos que podem estar perfeitamente descansados porque não lhes vai faltar nada. Com tudo isto garantimos que a nossa diferença para os outros é muito grande.

Falemos da modalidade em Portugal. O nosso país tem uma grande disponibilidade de recursos naturais e a fama dos desportos náuticos está a aumentar, em parte devido ao vosso contributo. Nesse cenário, prevê uma ascensão ainda maior dos atletas portugueses nos quadros internacionais?

Sim, sem dúvida. Neste momento, é provável que o desporto que mais sucesso tem seja a canoagem: nos últimos Jogos Olímpicos ganhamos uma medalha, no Campeonato da Europa do último fim-de-semana estivemos em 9 finais e arrancámos duas medalhas (…). A maior comitiva portuguesa dos próximos Jogos será a da canoagem, com certeza absoluta.

Muito graças ao vosso contributo.

Uma coisa é certa: estamos na canoagem há muitos anos, a nível internacional. Sabemos muito bem a realidade da Austrália, Japão, Alemanha, etc. e sabemos qual é o denominador comum do sucesso, que passa por massificação e objectividade. Os dirigentes portugueses absorvem um pouco do nosso conhecimento – em vez de andarem a fazer experiências têm alguma “ajuda” nossa, naturalmente. E depois, claro, ter uma empresa de renome internacional ajuda os atletas a acreditar que é possível.

Para terminarmos: quais são os projectos futuros da Nelo?

O nosso grande objectivo, obviamente, é continuarmos os melhores. Temos o nosso main business, em que somos mesmo bons, e queremos manter-nos a um grande nível, sempre inovadores, de modo a que nenhuma marca se chegue a nós. Aqui temos sempre projectos, ainda agora concluímos um no Rio de Janeiro e temos outros, pensados e solidificados, que não nos interessa largar. Depois temos projcetos em outras áreas, muitos em lume brando por levarem tempo a cimentar e por podermos não ter ainda capacidade produtiva. Estamos envolvidos no softski, no slalom e noutros em que estamos a negociar. Além do empenho na massificação da canoagem, queremos adquirir outras marcas para acrescentar valor de mercado e podermos entrar como os melhores e não como um produto de segunda escolha. Queremos ser sempre os melhores. Estamos a criar estruturas compostas pelas pessoas ligadas ao desporto. Paralelamente à formação dos colaboradores podemos adquirir estruturas já existentes. Estamos a negociar. Projectos não nos faltam, mas só avançamos com garantias de que tudo vai funcionar.

 

fotos: DR

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Cascais é uma das cinco finalistas a Capital Europeia da Juventude 2018

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Selecionada de entre 20 candidaturas de toda a Europa, Cascais é a única representante portuguesa na corrida a Capital Europeia da Juventude 2018 e ocupa agora um dos cinco lugares da lista de finalistas, a par de Kecskemét (Hungria), Manchester (Reino Unido), Novi Sad (Sérvia) e Perugia (Itália).
Com um recorde de candidaturas, o processo de seleção da cidade ou vila que irá receber o título de Capital Europeia da Juventude 2018 continua agora numa fase mais competitiva em que as cinco finalistas têm de entregar, até 28 de junho, os seus programas e eventos relacionados com a juventude em áreas tão diversas como a cultura, política, intervenção social, entre outras.
Para Catarina Marques Vieira, vereadora da Juventude na Câmara Municipal de Cascais, a corrida à organização Capital Europeia da Juventude 2018 é “para ganhar. Concorreram 20 cidades de toda a Europa, incluindo capitais de grandes países. Restam cinco. Isto prova a qualidade das políticas de juventude da Câmara de Cascais, já reconhecidas ao nível europeu. É também um sinal da força, energia e dinâmica da juventude de Cascais”.
Catarina Marques Vieira apelou ainda ao “entusiasmo e mobilização dos jovens portugueses”, sublinhando que, “de hoje em diante, a candidatura de Cascais é do país”.
Ao longo desta terceira ronda da competição, as cidades e vilas finalistas vão receber algumas recomendações do júri de modo a focarem melhor a sua candidatura final, que deverá ser submetida até final de outubro.
O nome da cidade ou vila eleita Capital Europeia da Juventude 2018 será revelado em novembro de 2015, no âmbito do Conselho do Fórum Europeu da Juventude (European Youth Forum’s Council of Members), a decorrer em Ganja, no Azerbaijão, Capital Europeia da Juventude em 2016.
Este ano, é a vez de Cluj, na Roménia, organizar a iniciativa, sendo que Ganja, no Azerbaijão, e Varna, na Bulgária, vão receber o evento em 2016 e 2017, respetivamente.
Sobre a Capital Europeia da Juventude | Título atribuído pelo Fórum Europeu da Juventude a um município europeu por um período de um ano ao longo do qual esse município tem a oportunidade de apresentar os seus projetos para a juventude nas áreas cultural, social, política, económica e planeamento estratégico. O seu objetivo é encorajar os municípios a expandir e fomentar a participação dos jovens em projetos e levar a juventude a ter um papel ativo na sociedade. O júri integra representantes de diversas instituições europeias, Comunicação Social, setor privado, organizações juvenis e universidades entre outros parceiros, como o Parlamento Europeu, Conselho do Congresso Europeu de Autoridades Locais e regionais, IDEA, Euractiv, Microsoft, Conselho Europeu de Regiões e Municípios da União Europeia, Assembleia da regiões Europeias, do Conselho Consultivo para a Juventude do Conselho da Europa, Universidade de Cagliari (Itália) e Fórum Europeu da Juventude.
fonte: CMC
fotos: DR

O projecto Transformers vai-se transformar e deixar que mais jovens se transformem consigo

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O Projecto Transformers está a organizar o evento IGNITE TRANSFORMERS que promete deixar ainda mais colorida a primeira noite da Primavera. Vai se realizar já neste sábado, dia 21 de Março de 2015, entre as 18:30 e 22:00 no Museu da Electricidade, em Belém, e requer presença obrigatória a todos aqueles que querem transformar a sua comunidade.

O projecto nasceu em 2010 por um grupo de amigos que, a partir do break-dance, descobriu que podia integrar jovens em situações desfavorecidas e ajudá-los a encontrar um caminho mais positivo na sua vida. O projecto já conseguiu mobilizar mais de 160 mentores, os chamados transformers, das diversas formas de arte, desportos e demais actividades para orientarem mais de 1600 jovens em bairros sociais, escolas problemáticas, centro de acolhimento e de detenção.

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Esta associação acredita que estes jovens muitas vezes marginalizados não são indiferentes ao que os rodeia e simplesmente ainda não encontraram a sua própria maneira de fazer a diferença. Desta forma são dadas ferramentas para que estes possam intervir na sua comunidade e contribuir eles próprios para os desafios sociais emergentes que assistimos.

No Transformers “o lugar de todos é o lugar de cada um” e por isso cada transformer contribui com aquilo que mais gosta de fazer: teatro, fotografia, pintura, boxe, bateria, surf ou grafitti. Todos os talentos são bem-vindos desde que se faça com paixão e tenha vontade de a contagiar aos jovens.

No evento IGNITE TRANSFORMERS vão estar presentes 16 transformers com o objectivo de partilhar os seus testemunhos e histórias de vida. Espera-se ainda muitas surpresas, onde se incluem espectáculos dinamizados por jovens inseridos nos programas.

Serão também apresentadas as linhas gerais do novo modelo de actuação e o evento servirá ainda de angariação de fundos para financiar a transição do projecto para o novo modelo.

(cada bilhete individual online é 5 euros e no próprio dia é 8 euros)

 

 

 

 

 

 

 

 

https://vimeo.com/34234351

 

 

 

 

 

fotos: DR

Ritinha Vieira – a campeã em entrevista

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Rit(inh)a Vieira integra o leque de desportistas revelação/campeões, em 2014, a par de Teresa Almeida (Campeã mundial de bodyboard também já aqui entrevistada), Ivo Oliveira (Ciclismo em pista), Vasco Ribeiro (Surf), Bruno Pica da Conceição (Equitação) e outros.

Ritinha Vieira sagrou-se campeã da Taça do Mundo de Todo-o-Terreno FIM de Senhoras em Setembro de 2014. A jovem piloto portuguesa, de 20 anos, terminou a Baja de Idanha-a-Nova, prova a contar para o Mundial e Europeu de Motos, no segundo lugar da categoria feminina, o que lhe permitiu o título mundial, o primeiro da carreira. Venceu igualmente a categoria Júnior

Ritinha foi também a primeira portuguesa a vencer uma prova do Campeonato do Mundo com uma moto de produção nacional, uma AJP PR5 250.

A Excelência Portugal quis conhecer melhor a campeã e aqui fica a entrevista.

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- Com que idade despertaste para motociclismo?Desde que tenho a capacidade de reter memórias, lembro-me de com 4 anos andar num sidecar que o meu pai construiu para andar com o meu irmão de mota.
 

- Tiveste influência familiar?

Sem duvida, é um estilo de vida que adoptamos desde muito cedo. O meu irmão actualmente é campeão Nacional de Trial Absoluto, o que acaba por dizer muita coisa sobre a nossa família. Os nossos domingos (dia de prova) foram quase sempre passados no monte, com as motas atrás, além dos treinos claro.
Os meus pais sempre foram a base de tudo isto, acompanham cada passo e cada prova minha e do meu irmão ao longo destes anos todos.

- Quando foi a tua estreia em competição?

A minha estreia foi m Trial em 2003, tinha 8 aninhos, conduzia uma GasGas50 que era quase maior que eu e tinha o meu pai a correr à minha frente para não me enganar no caminho.

- Suspendeste os estudos em Design de Moda para te concentrares a 100% no motociclismo. Era impossível conciliar?

Não considero impossível, mas sabia que não estava dedicada a nenhuma das coisas a 100% e que a oportunidade no mundo motociclista era agora, não depois de acabar o curso (que não estava a gostar muito). Claro que faço tenções de tirar a minha licenciatura mas mais direccionada para o desporto uma vez que o meu objectivo futuro é estar de alguma forma ligada a este mundo ainda que não seja directamente pela competição.

- Como mulher sentes maiores dificuldades em te afirmar e em obter apoios?

Em afirmar-me, por vezes sim, a classe de Senhoras muitas vezes é descartada, em alguns casos/modalidades é considerada troféu e não campeonato nacional e por vezes esquecem-se que, como os homens, também somos capazes de passar certos obstáculos e acabam por tornar tudo demasiado fácil e desinteressante. Em apoios, penso que não somos muito afectadas uma vez que estamos em vantagem pois damos mais nas vistas quanto mais não seja pela proporção que há de homens relativamente ao de mulheres.

 
- Trial ou enduro?

Enduro! Estou a descobrir esta modalidade e ainda me sinto um pouco verde. É apenas o meu 2º ano a sério no enduro e estou a adorar, tenho aprendido muito e tenho notado uma grande evolução (que já não notava muito no trial).
 
- Aos 20 anos já tens um currículo de titulos invejável. Que significado teve seres Campeã do Mundo de Bajas (classe Senhora e Junior)?
 
Foi indescritível, nem eu estava à espera deste resultado. Foi algo pelo qual lutei muito e desafiei-me a mim mesma (pois nunca tinha feito nenhuma prova nesta modalidade a nível nacional). Sinto que foi muito importante para dar um salto na minha carreira, consegui algum mediatismo o que ajudou muito às condições que consegui reunir para esta época. Devo-o ao meu grande amigo Diogo Graça Moura que me proporcionou as condições todas e a motivação para alcançar o título, foi sobretudo um orgulho poder dar à AJP (marca de motas portuguesa) o primeiro título mundial.
 
- Quais as tuas expectativas para 2015?
 
Acima de tudo evoluir e crescer como piloto. A Raposeira proporcionou-me a mim e ao meu irmão as condições que eu jamais achava ser possível, tenho tudo ao meu alcance, agora só me resta trabalhar. Estou em adaptação à nova mota (Honda CRF 250), estou a gostar muito embora eu saiba que ainda tenho muito aprender, sei que consigo ser mais rápida, será apenas uma questão de tempo e treino.
Vou participar em algumas provas internacionais e o objectivo será sempre fazer o meu melhor.
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A app da rede social Surfstoke ganha prémio europeu

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A Surfstoke é uma rede social para surfistas e amantes de ondas que promove a interacção entre praticantes, criando a solução perfeita entre surf reports fidedignos e a competição saudável.

A aplicação móvel portuguesa Surfstoke está entre as  vencedoras da competição EU Mobile Challenge, que decorreu em Barcelona, adquirindo o estatuto de melhores apps europeias. O prémio foi entregue numa cerimónia durante a maior feira de mobilidade do mundo, o Mobile World Congress.

De forma simples e intuitiva, os utilizadores da app fazem check-in mal chegam à praia, criando um surf report que integra a informação do estado do mar (fornecida pelo Instituto Hidrográfico e automaticamente carregada na app) e a sua opinião – sustentada num comentário, rating e uma fotografia. De seguida, os utilizadores têm a opção de partilhar o seu report com todos os membros da app ou apenas com 1 ou 2 amigos, salvaguardando os chamados secret spots.

Estes check-ins permitem saber rapidamente onde estão os seus amigos a surfar e quais são os spots que estão com melhores condições no momento, poupando tempo e reduzindo incerteza numa ida à praia em vão.

De forma a despertar uma vontade acrescida de surfar e superar os amigos, os utilizadores ganham pontos por cada check-in que façam, entrando directamente para o ranking Surfstoke. Os utilizadores com mais pontos têm ainda acesso a ofertas nas lojas parceiras do projecto como a Paez, ORG ou Bana, dinamizando também estes negócios. Assim, quanto mais os utilizadores surfarem e ajudarem a comunidade, mais recompensas ganharão.

A Surfstoke é gratuita e está disponível para iOS e Android, tendo sido criada por quatro empreendedores: Joana Matos, Francisco Brito, João Rodrigues e Nuno Ferro que, com o selo MIT-Portugal, pretendem melhorar a forma como os wave riders comunicam entre si.

www.getsurfstoke.com

 

fotos: DR

Em entrevista com Francisco Spínola

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Personalidade do ano, na 19ª edição da Gala do Desporto da Confederação do Desporto de Portugal, no passado novembro, Francisco Spínola é  administrador da Ocean Events Portugal e um dos grandes responsáveis pela inclusão de Portugal no mapa da elite do surf mundial, com a realização em Peniche de uma das etapas do circuito mundial da ASP, o Rip Curl Pro Portugal.
Costumo dizer que não somos o maior país de surf do mundo, mas somos talvez o mais consistente país de surf do mundo, há sempre um canto que dá ondas!
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A minha primeira entrevista presencial … saí de casa com uma hora de antecedência, mas o meu sentido de orientação fenomenal traiu-me e acabou por acontecer o seguinte: entrevistado a ir buscar entrevistadora. Já com um ligeiro atraso, numa sala de reuniões na sede da sua empresa, a NIU-Brand Activation, num tom super relaxado e informal, tive uma conversa espectacular com o principal responsável pela presença dos maiores eventos de surf em Portugal. Mesmo quem não tem interesse pelo desporto, deve ter noção de que o surf tem feito com que Portugal esteja nas bocas do mundo e que a sua contribuição para a economia portuguesa está a ser cada vez maior. Pelo trabalho desenvolvido e  pela oportunidade de o entrevistar, obrigada Francisco!

 

O Francisco está por detrás da organização dos mais importantes eventos ligados ao surf cá em Portugal. Antes de passarmos a questões mais complexas relacionadas com o futuro desta organização, diga-me, porquê o surf?

O surf porquê? Bem, nós fazemos muitos eventos, não só de surf, mas o surf foi um…para já porque eu sou surfista, e comecei a trabalhar há uns anos numa empresa de surf que é a Rip Curl, que hoje em dia é um dos nossos principais patrocinadores. Mas foi através da Rip Curl que trouxemos o maior evento de surf que existe no mundo aqui para Portugal, o WCT, e depois a partir daí conseguimos estabelecer uma ligação com a ASP, que é a FIFA do surf, Achámos que Portugal tinha todo o potencial para trazer essa prova, a chamada fórmula 1 do surf, para cá. Num primeiro momento identifiquei esta oportunidade por ser surfista, mas Portugal tem de facto todas as condições para se fazerem eventos desta dimensão, condições naturais! Porque por melhores condições que haja na Alemanha ou noutros países, estes nunca vão poder ter o tipo de eventos que nós podemos ter cá, temos vantagens comparativas mas também competitivas sustentáveis: estas ondas são um recurso natural que mais ninguém tem.

Como começou esta carreira empreendedora? Pode-me contar por alto o seu percurso até chegar hoje a Administrador da Ocean Events Portugal ?

Eu tirei o curso de comunicação empresarial e fiz vários estágios profissionais em várias empresas, como a Nestlé, depois fui fazer uma pós-graduação, um MBA, na Austrália, em Sidney, sempre com ligação ao surf. Depois, voltei para Portugal, quando cheguei estive alguns anos a fazer alguns eventos e comecei a trabalhar com a Rip Curl Europa. Entretanto trouxemos este evento muito grande da Rip Curl e passado dois anos ficámos a gerir o marketing da marca em Portugal. Mas criámos uma empresa, a Ocean Events, que representa neste momento todos os eventos internacionais de surf que se realizam em Portugal, representa agora a World Surf League. Entretanto, temos uma parceria estratégica com a NIU – Brand Activation, um dos sócios desta empresa é meu sócio também, o Nuno Santana (nós já tínhamos projectos em conjunto), o que nos permitiu abrir por um lado uma área de eventos mais ligada ao entretenimento e por outro lado uma parceria estratégica, porque a NIU faz tudo o que é produção, isto é, nós aqui fazemos o evento de A a Z.

É verdade que uma grande maioria dos nomes ligados à organização destes eventos são eles próprios surfistas? (amadores ou não) Sente que isto leva a uma maior entrega e motivação num objetivo comum? E em poucas palavras, qual é este objectivo comum?

Sim, sim, muitos, é um mix, eu diria 50-50. Na minha empresa, na Ocean Events, cerca de 80% são surfistas. Claro, leva a uma maior entrega e motivação num objectivo comum sim, e este é entregarmo-nos àquilo a que nos propomos, que é um evento de qualidade internacional, que por um lado promova Portugal enquanto destino  de surf, por outro lado promova o desporto, o surf em si, enquanto estilo de vida saudável, e que por outro lado ainda permita às marcas que compõem o evento se posicionarem.

Como tem ajudado a vender a imagem de Portugal como destino de excelência para o surf? “Há sempre ondas em algum lado”? Creio que utilizou esta expressão no passado.

Sim, costumo dizer que nós não somos o maior país de surf do mundo, mas somos talvez o mais consistente país de surf do mundo, há sempre um canto que dá ondas. Há até um claim  do Turismo Portugal que nós ajudamos a contruir que é o “You wil find waves in every corner”, porque como a costa é muito recortada, temos muitas ondas diferentes o que permite que os surfistas venham cá e experimentem várias ondas, não estejam constantemente a surfar a mesma onda. Desde a onda da Nazaré, aos super tubos, às ondas de rife da Ericeira, ondas mais urbanas em Cascais, umas mais fáceis na Costa da Caparica…e por aí fora, no Norte, no Sul…a verdade é que Portugal, em 700km de costa tem ondas em todo o lado!

Agora estava aqui a pensar no caso das ilhas. Sei que nos Açores há um prime, e na Madeira?

Nos Açores temos um prime sim, na Madeira ainda não há nada, mas estamos a pensar, num futuro próximo, trazer também um evento para a Madeira.

O surf é manifestamente um elemento da política do mar. Como é que pensa que o surf vai contribuir para a estratégia nacional do mar?

O surf é provavelmente um dos case studies no que diz respeito às políticas económicas relacionadas com o mar. Por exemplo, temos um evento em Peniche que já lá está desde 2009 e já são notórios os efeitos económicos e socioeconómicos que o surf trouxe para aquela região. Neste momento há toda uma economia que vive à volta do surf, practicamente o ano todo. Ainda por cima o surf tem uma característica muito boa que é a contra-sazonalidade. Normalmente estes destinos só estão cheios entre Julho e Agosto, que é a pior altura para o surf, portanto o surf ajuda a trazer pessoas fora dessa época, na chamada época baixa. Portanto o corte de sazonalidade é muito interessante do ponto de vista económico e por outro lado vemos investimentos em novos hotéis e na remodelação de outros só para atingir as expectativas dos visitantes surfistas. No fundo a lógica aqui é tentar vender o surf como os Alpes vendem a neve, em que as pessoas quando pensam em neve pensam em ir aos Alpes. Nós queremos que os europeus (numa primeira fase) quando pensarem em surf pensem em vir a Portugal, e essa é a estratégia.

Podemos afirmar, sem dúvida alguma, que Portugal é o maior país de surf da Europa? Não tanto em termos de atletas, se bem que pelo que sei estamos bem lançados nesse aspecto, mas mais em termos de eventos.

De atletas somos também claramente dos melhores, neste momento temos um campeão do mundo de júniores, temos o Tiago Pires que foi muitas vezes do top 44, … Em eventos somos claramente o país mais forte de surf da Europa, e em ondas somos CLARAMENTE o país mais forte de surf da Europa, e isso os franceses e os espanhóis já o admitiram publicamente. Portanto, agora com este investimento que tem sido feito quer em eventos quer na promoção, o Turismo Portugal delineou como objectivo chave a promoção do surf português e acho que estamos a conseguir. Estamos com um posicionamento gigante, ainda há pouco tempo saiu uma reportagem numa revista norte americana para milhões e milhões de pessoas de 8 páginas só a a falar de Portugal. Portanto, Portugal está com um posicionamento enorme para ser o maior país de surf da Europa…

Já é…

Sim, já é o maior país de surf da Europa e está a fortalecer cada vez mais essa posição.

Então as aspirações extra-Europa, quais são? Acha que algum dia vamos estar ao nível da Austrália ou do Havai?

Sim, nós a pouco e pouco vamos chegar lá. Mas nós temos de ser realistas e procurar atingir objectivos reais, se não não atingimos nada. Para além do mercado europeu, estamos a procurar atingir o mercado da costa leste dos E.U.A., pois é mais fácil para quem está aí vir surfar a Portugal do que ir surfar à Califórnia que fica na outra ponta dos E.U.A. e onde as distâncias dos aeroportos às ondas são maiores. Outro alvo é o Brasil, há muitos surfistas brasileiros, e estão no nosso top 5 de visitantes. Vamos longe, mas obviamente que isto não se atinge em um ou dois anos, a Austrália, o Havai, estão há 100 anos a investir no surf. Temos um longo caminho, mas estamos no bom caminho.

Em relação ao impacto do surf na economia portuguesa, fiquei espantada com o número que foi apontado para as receitas geradas pelo surf há um ano: 400 milhões. Donde vêm estes milhões? É uma estimativa? Englobam já o impacto indirecto no turismo?

Sim, isso são dados directos e indirectos, Nós olhamos para a nossa parte dos eventos, e no que toca aos eventos, estes são um pólo de desenvolvimento muito grande para a região e eu prefiro nunca falar só de estudos. Eu sou uma pessoa que vive sempre na economia real, nunca lido muito com os mercados financeiros, isso para mim é tudo uma coisa muito artificial, eu gosto de ver as coisas a serem feitas e a senti-las,entendes? E os números são aquilo que nós queremos que eles sejam, portanto os estudos são muitas vezes aquilo que nós queremos que eles digam. Agora a verdade é, vão a Peniche, vão à Ericeira, vão às zonas de excelência de surf e vejam quanto o surf tem marcado aquelas zonas, falem com pessoas que nada têm a ver com o surf e vão ver o que elas dizem: dizem que o surf mudou aquela zona.

Só no ano passado a World Tour foi vista ao longo do ano por 200 e tal milhões de pessoas, portanto nós aqui estamos a falar de uma média por evento de 4 milhões de espectadores (só na internet) e portanto é um número já muito animador no que toca à promoção do destino de Portugal, porque não estamos a falar de ténis ou de um jogo de futebol que se pode fazer num estádio construído em qualquer lado do mundo, aqui não, tem de haver o factor natural, e ondas como os supertubos da Nazaré, ou ondas como as da Ericeira e Cascais não existem em mais lado nenhum assim, há algumas mas contam-se pelos dedos de duas mãos – só existem 10 provas destas no mundo inteiro.

Eu não vou então insistir nesta parte dos números, mas por exemplo as vendas de produtos ligados ao surf, como as mochilas e casacos da Ericeira por exemplo, estão incluídas nesse estudo?

Claro, só na indústria estamos a falar para aí de 120 milhões. Mas os eventos têm um impacto directo e indirecto de 30/40 milhões. Nós no estudo do WCT de há três anos falávamos de 12 milhões de retorno para a economia local durante 10 dias, portanto multiplicar isto ao longo do ano dá esses números, o número…não acho que seja um número por aí além, é um número bom mas não acho que seja estapafúrdio, aliás se formos a ver, o turismo representa cerca de 10% do PIB português. Sendo o surf  uma parte pequena, ainda que pequena é muito interessante lá está por causa da questão das sazonalidades, não vale a pena estar a criar mais mercado no Algarve em agosto, temos taxas de ocupação de practicamente 100%, esta é uma forma de estarmos a criar novos mercados para épocas baixas. É a grande questão…como o golfe! O golfe também é bom em outubro, que é uma época baixa. Eu acho que o surf e o golfe são bons exemplos disso, de como determinadas actividades podem potenciar o turismo directamente.

Então se falassemos de uma cadeia de valor ligada ao surf, tínhamos os eventos, a indústria, o turismo, os impactos locais…?

Sim, sim, basicamente estamos a falar de eventos, indústria, indústria ligada directamente, o turismo e obviamente depois todos os praticantes e consumidores têm outro impacto ainda, os surfistas são pessoas que se mexem muito, que têm uma mobilidade muito grande, vão para Sagres passar o fim-de-semana, vão para a Ericeira surfar, para o Porto…e esta mobilidade também entra nessas contas.

Então, já falámos bastante sobre os pontos fortes desta cadeia de valor, consegue-me identificar algumas fragilidades dessa cadeia de valor?

Há sempre ainda a questão de ser um nicho de mercado, não é? E se pensarmos no muito longo prazo e se formos pessimistas sempre podemos falar das questões ambientais, do nível de subida do mar…Mas de facto, fragilidades são poucas, a meu ver.

De que tecnologias o surf é beneficiário? Quais são os graus de inovação que estão ao alcance das empresas portuguesas? (novos desenhos aerodinámicos para as pranchas, novos materiais de produção, etc.)

Muitos materiais já são produzidos em Portugal, aliás quase tudo o que é necessário já é cá produzido. Em termos de inovação, posso dar um exemplo que superou as preocupações de alguns, que era o desperdício dos fatos de surf de borracha que não tinham outro uso quando já estavam desgastados, simplesmente iam para o lixo, agora o que se tem feito é reciclar esses fatos para produzir, por exemplo, solas de sapatos.

Pode-me falar um pouco sobre o ecosistema ligado ao surf? Eu explico: organizações, financiamentos, patrocínios, pessoas, dependências, o que alimenta o surf e o que o surf por sua vez alimenta… Em suma, as suas componentes.

Os eventos de surf são de facto muito dependentes dos patrocínios sim, é essa a grande fonte de financiamento, e duvido que esta situação se altere nos próximos anos, porque o surf não é suposto ser um desporto que se pague para ver. Principais patrocinadores são de três tipos: as Câmaras Municipais, o Turismo Portugal e sobretudo marcas privadas.

Um tema relevante para a Europa e Portugal: o envelhecimento activo e saudável da população. O que é que o surf pode ter a ver com isso? Têm focado a atenção num público alvo jovem, vão tentar alargar o foco?

Claramente que o surf forma um estilo de vida saudável, sim. É acordar cedo, porque as melhores ondas por regra são de manhã, é estar ao ar livre, é nadar, é tudo… Não é propriamente um público jovem já, nos eventos vê-se de tudo. E o que tem acontecido cada vez mais é os pais que vão deixar os meninos nas aulas de surf acabam por aproveitar o tempo de espera para experimentar e acabam por ficar praticantes.

Em termos estatísticos, homens-mulheres quais os rácios? Claramente começou por ser um desporto masculino, ou não? Sente uma cada vez maior adesão feminina?

Sim, começou sim, mas a adesão feminina está a ser gigante, os rácios estão cada vez mais aproximados. Aliás, o crescimento é maior nas mulheres do que nos homens.

Tenho aqui uma pergunta que foi pedida por um amigo meu surfista. Vimos agora o Tiago Pires deixar a elite do surf mundial e muito se tem falado de possíveis sucessores. Mas a verdade é que os nosso atletas não têm as oportunidades que têm os australianos ou americanos.

Falo a dois níveis: 1- Centros de treino e de alto rendimento. Na Austrália temos o famoso HPC, em Portugal, e nos últimos tempos, têm-se vindo a tentar desenvolver centros do género, como o de Peniche por exemplo. No entanto são locais que não estão acessiveis a todos os surfistas, portanto na sua opinião o que é que ainda pode ser feito neste sentido?

Como já referi, temos de nos relembrar que o surf está instalado na Austrália e nesses países há mais de 100 anos, não é verdade que estejam acessíveis a todos os surfistas, isso nunca vai acontecer, mas no que toca a Portugal, estes centros estão a ser desenvolvidos e havemos de lá chegar.

2 – O outro aspecto é a nível de patrocínios. Temos o Vasco e o Kikas com apoio suficiente para correr o circuito mundial de qualificação. Talvez o Tomás Fernandes e o José Ferreira, mas não temos mais ninguém. Surfistas como o Miguel Blanco, João Kopke, Filipe Jervis não têm o apoio que necesitam para conseguir competir com os melhores. Para onde vai tanto dinheiro pelo surf gerado? O que acha que pode ser feito no sentido de fazer chegar este “boom” económico que o surf tem gerado aos surfistas que tanto dele precisam? O que é que justifica o desinteresse das marcas em apoiar os atletas?

Eu sou da opinião de que devia haver mais apoio financeiro aos surfistas, mas a realidade é aquela em que vivemos. Já não funcionamos a nível nacional, se alguém quer sobressair, tem de sobressair a nível global. É uma realidade dura, mas os surfistas têm de atingir resultados sozinhos, não podem ficar à espera que os patrocínios caiam do céu, têm de se chegar à frente e de ser os melhores! Mas mais uma vez, friso, sou da opinião de que as marcas devem estar mais atentas a um maior número de surfistas.

Por fim, gostava de voltar a focar a atenção no facto de o Francisco ser um empreendedor de sucesso bastante jovem (33, 34 anos certo?). Tem algum conselho para nós jovens?

34 anos, sim. Posso referir aqui algumas coisas sim:

Em primeiro lugar, há que ser CONSISTENTE, sem consistência não se vai a lado nenhum. Depois temos a EDUCAÇÃO, claro que há muitos empreendedores de sucesso que não tiraram um curso universitário ou profissional, mas acredito que a educação é o caminho certo, pelo menos eu senti a necessidade de me educar, aquele MBA na Austrália foi uma necessidade que senti.

ACREDITAR, nunca mas nunca parar de acreditar e com isso vem a PERSISTÊNCIA mas também a capacidade de saber ESPERAR, não vem tudo de uma vez só.

QUESTIONAR SEMPRE, nunca fazer uma coisa de uma certa forma só porque sempre foi assim feita, e ao longo do processo questionarmo-nos sempre “porque estou a fazer isto?”.

Por fim, IR PORTA-A-PORTA! Agarrar num low-cost e ir lá. Nós conseguimos estas licenças todas porque eu há não sei quantos anos atrás meti-me num avião e fui lá falar directamente com eles. Fui dizer-lhes que as ondas eram boas, que Portugal tinha altas ondas, toda a gente acha que toda a gente sabe que Portugal tinha altas ondas e que o surf era conhecido, mas não era.

A cada dez nãos, levas um sim, portanto é nunca perder a MOTIVAÇÃO, sempre que levas um não, é alegrares-te porque estás mais próximo de levar um sim, segundo este rácio, se levas um não já só faltam nove para o sim, levas outro já só faltam 8…É este o meu conselho, que eu não acredito muito em sorte, acredito em educação, consistência, trabalho e vá… numa pinguinha de sorte.

 

fotos: DR