Ritinha Vieira – a campeã em entrevista

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Rit(inh)a Vieira integra o leque de desportistas revelação/campeões, em 2014, a par de Teresa Almeida (Campeã mundial de bodyboard também já aqui entrevistada), Ivo Oliveira (Ciclismo em pista), Vasco Ribeiro (Surf), Bruno Pica da Conceição (Equitação) e outros.

Ritinha Vieira sagrou-se campeã da Taça do Mundo de Todo-o-Terreno FIM de Senhoras em Setembro de 2014. A jovem piloto portuguesa, de 20 anos, terminou a Baja de Idanha-a-Nova, prova a contar para o Mundial e Europeu de Motos, no segundo lugar da categoria feminina, o que lhe permitiu o título mundial, o primeiro da carreira. Venceu igualmente a categoria Júnior

Ritinha foi também a primeira portuguesa a vencer uma prova do Campeonato do Mundo com uma moto de produção nacional, uma AJP PR5 250.

A Excelência Portugal quis conhecer melhor a campeã e aqui fica a entrevista.

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- Com que idade despertaste para motociclismo?Desde que tenho a capacidade de reter memórias, lembro-me de com 4 anos andar num sidecar que o meu pai construiu para andar com o meu irmão de mota.
 

- Tiveste influência familiar?

Sem duvida, é um estilo de vida que adoptamos desde muito cedo. O meu irmão actualmente é campeão Nacional de Trial Absoluto, o que acaba por dizer muita coisa sobre a nossa família. Os nossos domingos (dia de prova) foram quase sempre passados no monte, com as motas atrás, além dos treinos claro.
Os meus pais sempre foram a base de tudo isto, acompanham cada passo e cada prova minha e do meu irmão ao longo destes anos todos.

- Quando foi a tua estreia em competição?

A minha estreia foi m Trial em 2003, tinha 8 aninhos, conduzia uma GasGas50 que era quase maior que eu e tinha o meu pai a correr à minha frente para não me enganar no caminho.

- Suspendeste os estudos em Design de Moda para te concentrares a 100% no motociclismo. Era impossível conciliar?

Não considero impossível, mas sabia que não estava dedicada a nenhuma das coisas a 100% e que a oportunidade no mundo motociclista era agora, não depois de acabar o curso (que não estava a gostar muito). Claro que faço tenções de tirar a minha licenciatura mas mais direccionada para o desporto uma vez que o meu objectivo futuro é estar de alguma forma ligada a este mundo ainda que não seja directamente pela competição.

- Como mulher sentes maiores dificuldades em te afirmar e em obter apoios?

Em afirmar-me, por vezes sim, a classe de Senhoras muitas vezes é descartada, em alguns casos/modalidades é considerada troféu e não campeonato nacional e por vezes esquecem-se que, como os homens, também somos capazes de passar certos obstáculos e acabam por tornar tudo demasiado fácil e desinteressante. Em apoios, penso que não somos muito afectadas uma vez que estamos em vantagem pois damos mais nas vistas quanto mais não seja pela proporção que há de homens relativamente ao de mulheres.

 
- Trial ou enduro?

Enduro! Estou a descobrir esta modalidade e ainda me sinto um pouco verde. É apenas o meu 2º ano a sério no enduro e estou a adorar, tenho aprendido muito e tenho notado uma grande evolução (que já não notava muito no trial).
 
- Aos 20 anos já tens um currículo de titulos invejável. Que significado teve seres Campeã do Mundo de Bajas (classe Senhora e Junior)?
 
Foi indescritível, nem eu estava à espera deste resultado. Foi algo pelo qual lutei muito e desafiei-me a mim mesma (pois nunca tinha feito nenhuma prova nesta modalidade a nível nacional). Sinto que foi muito importante para dar um salto na minha carreira, consegui algum mediatismo o que ajudou muito às condições que consegui reunir para esta época. Devo-o ao meu grande amigo Diogo Graça Moura que me proporcionou as condições todas e a motivação para alcançar o título, foi sobretudo um orgulho poder dar à AJP (marca de motas portuguesa) o primeiro título mundial.
 
- Quais as tuas expectativas para 2015?
 
Acima de tudo evoluir e crescer como piloto. A Raposeira proporcionou-me a mim e ao meu irmão as condições que eu jamais achava ser possível, tenho tudo ao meu alcance, agora só me resta trabalhar. Estou em adaptação à nova mota (Honda CRF 250), estou a gostar muito embora eu saiba que ainda tenho muito aprender, sei que consigo ser mais rápida, será apenas uma questão de tempo e treino.
Vou participar em algumas provas internacionais e o objectivo será sempre fazer o meu melhor.
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fotos: DR