Vinho da Madeira para brindar acordo com Irão

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O acordo alcançado com o Irão esta semana foi celebrado pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o secretário da Energia, o luso-descendente Ernest Moniz, com uma garrafa de vinho da Madeira.

Segundo o jornal “The Washington Post” citado pelo Jornal i, a garrafa foi uma oferta do embaixador dos Estados Unidos em Portugal, Robert Sherman, a Ernest Moniz.

A jornalista Emily Heil, citada pelo referido jornal, refere ainda que “antes de Moniz regressar a Viena, o embaixador dos EUA em Portugal, Robert Sherman, deu-lhe uma garrafa especial de Madeira, numa alusão aos signatários da Declaração da Independência. Ele deu-lhe instruções para apenas a abrir depois de Kerry fechar o acordo com os iranianos”.

O vinho da Madeira tem tido um papel importante nos momentos históricos mais significativos dos EUA. Em 1776, os signatários da Declaração de Independência dos EUA, conhecidos como ‘Founding Fathers’ (pais fundadores), celebraram a ocasião com vinho da Madeira e o primeiro presidente norte-americano, George Washington, também o bebeu na sua tomada de posse em 1789.

Foto: Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, I.P.
Fonte:  Jornal i

Investigadores da U.Porto levaram “Caravana do Coração” ao Brasil

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Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto e do Instituto de Telecomunicações (IT) viajou recentemente até ao Brasil para participar na edição 2015 da “Caravana do Coração”, uma iniciativa de telemedicina que, durante 13 dias (29 de junho a 11 de julho), percorreu 13 cidades do estado de Paraíba, num total de mais de 2300 quilómetros, para realizar rastreios ao coração a cerca de 1000 crianças e mulheres grávidas de zonas mais desfavorecidas.

De acordo com o Notícias UP, a equipa foi liderada por Pedro Brandão, docente do Departamento de Ciência de Computadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e contou ainda com a participação de Ana Castro, investigadora de pós-doutoramento, e Pedro Gomes, estudante de doutoramento do MAP-i – Programa Doutoral em Informática das Universidades do Minho, Aveiro e Porto.  Estes três elementos foram integrar uma equipa multidisciplinar composta por 40 profissionais e tiveram como missão identificar patologias cardíacas junto das populações alvo, recorrendo para isso a quiosques de saúde e estetoscópios inteligentes.

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A equipa portuguesa com o brasileiro Artur Lucas (ilustrador da Célula C).

Do ponto de vista humano, penso que todos voltamos com uma perspectiva de vida diferente

Ana Castro falou com a Excelência Portugal e considerou que “foram duas semanas de trabalho muito gratificantes. Do ponto de vista profissional evoluímos bastante, pois tivemos a oportunidade de avaliar as necessidades deste tipo de iniciativas, e de que modo as ferramentas por nós desenvolvidas podem trazer uma mais-valia na colheita de dados, armazenamento, e apoio à decisão clínica. Do ponto de vista humano,  penso que todos voltamos com uma perspectiva de vida diferente”.

A”Caravana do Coração 2015″ integra a Rede de Telemedicina de Cardiologia Pediátrica Pernambuco-Paraíba e é liderada pela fundação “Círculo do Coração”, uma entidade criada em 1994 por membros do Real Hospital Português, com o objetivo de diagnosticar e viabilizar o tratamento de crianças necessitadas, portadoras de doença cardíaca.

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Fonte: http://noticias.up.pt
Fotos: DR

B.Kimo – Os Kimonos de Joana Sousa

 

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Joana Sousa , natural de Oeiras e com 24 anos de idade, é a criadora e rosto da B.Kimo, uma marca de Kimonos. Mas enganem-se os que a possam associar imediatamente às artes marciais, estes Kimonos são peças de vestuário/moda.

A Excelência Portugal falou com a sua criadora e ficou a conhecer melhor este projecto.

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Sinto enorme felicidade de poder ter tornado possível um projecto que sempre esteve dentro de mim, mesmo que eu não soubesse.

Quando começaste a sentir o apelo da moda ?

Desde miúda que ia das compras directa à costureira, para alterar determinado pormenor das peças que ia comprando, olhando para trás percebo que o bichinho da moda e da costura sempre fez parte do meu ser, mas estava longe de saber que ele estava a crescer e que no futuro só me sentiria plenamente feliz deixando-o eclodir.

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fui fazendo tops, calções, tudo o que me vinha à cabeça que eu quisesse vestir fazia-o eu em vez de ir comprar, até porque muitas vezes não havia o que eu tinha idealizado nas lojas

O teu percurso académico não apontava neste sentido. Como se deu a inversão ?

Tirei uma licenciatura em Sociologia no ISCTE e posteriormente uma pós graduação em Comunicação, também no ISCTE, no entanto sentia-me perdida e sem saber bem o que quereria fazer com esta formação. Como sempre fui muito senhora do meu nariz fui fazendo trabalhos para não ter que pedir dinheiro aos meus pais, até ter ido parar a uma loja de patchwork, que uma tia minha abriu, onde trabalhava a minha irmã. Conviver com elas e com os tecidos diariamente despertou em mim o tal bichinho (da moda/costura) adormecido até então. Comecei por fazer coisas pequenas (bolsinhas e bolsinhas – quem me conhece sabe que tenho bolsinhas para tudo) até começar a costurar melhor. Daí em diante, fui fazendo tops, calções, tudo o que me vinha à cabeça que eu quisesse vestir fazia-o eu em vez de ir comprar, até porque muitas vezes não havia o que eu tinha idealizado nas lojas (ainda hoje é assim – raramente vou às compras aos centros comerciais – vou às lojas de tecidos).

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Como surge então a B.Kimo?

Conforme ia fazendo as peças, ia fotografando e pondo no Facebook e no Instagram e à medida que ia postando as fotografias comecei a receber pedidos de amigas para fazer peças iguais para elas, a peça que teve mais pedidos foi um Kimono, depois de algumas encomendas pensei, porque não criar uma marca? E foi neste momento que nasceu a B.Kimo.

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Porquê B-Kimo?

B, do verbo To Be, e Kimo, diminutivo de Kimono – que ao contrário do que muita gente pensa, quando digo que faço Kimonos, não existem apenas Kimonos para Artes Marciais. Os meus Kimonos são uma peça fundamental no guarda-roupa de qualquer mulher porque dão para todas as ocasiões, fazem a toilette e eu gosto muito de ver as mulheres a arranjarem-se cada vez mais e melhor. Claro que fico muito mais babada se o Kimono fizer parte de alguma das minhas colecções, sinto-me útil!

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Já conto com três colecções e todas elas correram/correm bem (a última ainda está disponível na página de Facebook da B.Kimo).

Quantas colecções já desenhaste? Quem colaborou no projecto?

Já conto com três colecções e todas elas correram/correm bem (a última ainda está disponível na página de Facebook da B.Kimo). Sempre idealizei as peças e as fiz, era eu, os tecidos, o tapete de corte e o cortador e a máquina de costura, mas nem tudo dá para fazer sozinha por isso contei desde a primeira colecção com o meu grupo de amigas a servir de modelos para as minhas peças, com o meu primo para fotografá-las e na última colecção, com a minha irmã para pentear as modelos enquanto eu coordenava, maquilhava e fotografava também. Só tenho a agradecer por tudo isto estar a correr tão bem.

Que outros projectos tem a Joana Sousa em mente?

Para complementar a minha formação inicial e poder continuar com este ou outros projectos que eventualmente surjam vou inscrever-me este ano no curso de Design de Moda da Faculdade de Arquitectura.

Fotos: Francisco Silva

Porto Santo revela o seu “segredo” em campanha de promoção

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A Câmara Municipal de Porto Santo lançou uma campanha, para lançar a ilha como uma marca de referência no setor do Turismo sob o mote “Porto Santo – O segredo mais bem guardado”.

A campanha pretende revelar ao público e potenciais visitantes os segredos mais bem guardados de Porto Santo. O Município refere no seu comunicado que “a praia paradisíaca, os nove quilómetros de areia com propriedades terapêuticas e a talassoterapia, a gastronomia, desportos marinhos, recursos naturais, Cultura, animação nocturna, segurança e a natural hospitalidade dos habitantes são algumas das características do Porto Santo, que se destaca ainda pela apresentação de produtos, serviços e profissionais de excelência”, acrescentando que o tema musical do vídeo de divulgação, inspirado na ilha, foi criado pelo guitarrista e compositor João Gil e pela cantora Celina da Piedade.

A campanha é lançada este verão e durará até ao final de 2015, procurando elevar a ilha a um destino turístico de eleição, tanto a nível nacional como internacional.

Para o edil, Filipe Menezes de Oliveira,  “com uma população que não ultrapassa os cinco mil habitantes, Porto Santo é a mais pequena ilha habitada do Arquipélago da Madeira. A ilha consegue viver de forma equilibrada nos meses de Verão, mas ressente-se no Inverno”. Assim, “impulsionar o turismo – especialmente durante os meses de Inverno -, promover e posicionar a marca ‘Porto Santo’ nos principais mercados de fluxo turístico, criar riqueza para a população através da oferta de serviços e preservar a cultura e o património da ilha são os principais objectivos deste projecto”.

 

https://youtu.be/44zqehHXNpI
Fonte: Câmara Municipal de Porto Santo
Foto: DR

Prémio internacional atribuído a investigadora da UA transformado em Prémio “UA – BIO Somos Todos”

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“Achei que, tratando-se um dos prémios internacionais Terre de Femmes que me foram atribuídos de um prémio do público, faria sentido fazer reverter esse prémio novamente para o público através de oportunidades educativas”, explica Milene Matos, investigadora do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA). Assim, através de uma parceria entre a UA e o projeto “BIO Somos Todos”, projeto de promoção dos valores naturais e da sustentabilidade coordenado por Milene Matos, o dinheiro do prémio garantirá a atribuição de uma bolsa que corresponde ao pagamento de propinas de um curso mestrado da UA, durante dois anos.

O Prémio “UA – BIO Somos Todos” visa contribuir para a promoção e o desenvolvimento da investigação científica no âmbito da sustentabilidade nas suas três componentes: ambiental, económica e social. Em concreto, distingue uma proposta de trabalho de investigação ao nível de mestrado, na área da sustentabilidade, que se evidencie “pelo seu caráter inovador, utilidade pública, benefícios ambientais e potencial de replicabilidade”.

Apesar de, para já, a bolsa apenas cobrir o valor de dois anos de propinas, Milene Matos espera poder vir a encontrar um mecenas que garanta a continuidade da iniciativa em anos posteriores.

O júri será presidido pelo Reitor, Manuel António Assunção, e integra Milene Matos e Carlos Fonseca, professor do Departamento de Biologia da UA.

As candidaturas estão abertas a propostas em qualquer área científica, de 15 de julho a 16 de agosto, e devem ser apresentadas em formulário próprio acessível através da página www.ua.pt/premios. Os interessados poderão obter mais informações sobre o prémio pelo e-mail biosomostodos@ua.pt .

 

Artigos relacionados:

“Biodiversidade para todos”, de Milene Matos, venceu o Prémio Internacional Terre de Femmes 2015 e o prémio atribuído pelo público

Prémio Terre de Femmes da Fundação Yves Rocher – Milene Matos é a representante portuguesa na final mundial de Paris

 

Fonte: http://uaonline.ua.pt
Foto: DR

Ricardo Diniz – Ricardo-terra e Ricardo-mar (entrevista)

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Foi de facto uma entrevista, fui preparada para uma, mas no fundo o que tive foi uma conversa com o Ricardo, em que ele se deu a conhecer de uma forma tão sincera e brutal e em condições tão tranquilas que o título deveria ser “Em conversa com o Ricardo”. Depois de uma viagem de bicicleta e cacilheiro, chegou ao Terreiro do Paço, um dos seus sítios preferidos em Lisboa, mas nem fomos para nenhuma esplanada, caminhámos mais um pouco e escolhemos uma sombra no renovado Cais das Naus – por esta altura já ele me tinha pedido para esquecer formalidades e tratá-lo por tu – coisa que eu só consegui no final, já estava programada para a terceira pessoa. Decidi retratar esta conversa da forma mais fiel possível, tive de encurtá-la infelizmente, mas espero que quem quer que a leia consiga ter uma imagem minimamente aproximada da pessoa que é o Ricardo, não só do seu percurso e dos mil e um projetos em que está envolvido, mas da sua essência. 10305421_10152768681667506_2101443487589819909_n

Olá Ricardo, em primeiro lugar queria-lhe agradecer a sua disponibilidade para esta entrevista, pois calculo que o Ricardo-terra seja uma pessoa bastante ocupada, no meio de todos os projetos dos quais faz parte e na preparação e busca de patrocínios e apoios para as viagens do Ricardo-mar. Encontrei esta dualidade sua característica numa entrevista passada e achei-a curiosa, ainda vamos falar sobre isso melhor.

Mas agora, vamos começar talvez por falar sobre o seu percurso inicial até à decisão de se tornar um velejador solitário sempre com o intuito de “comunicar portugalidade”. O Ricardo aos 8 anos foi viver para Inglaterra, foram as saudades que o levaram a reconhecer tanto valor em Portugal?

Então antes de mais, e já que estamos a gravar, muito obrigada pelo convite, e parabéns pelo trabalho de casa, surpreendeste-me, porque essa coisa do Ricardo-mar e do Ricardo-terra, não faço ideia onde é que a encontraste mas são palavras minhas e é verdade, é mesmo assim.

Fui para Inglaterra com 5 anos, no entanto aos 8 foi o momento em que decidi o que fazer da vida. Portanto, crescer fora de Portugal, a primeira escola ser fora de Portugal, a primeira língua que eu aprendo a sério não ser a minha, mas sendo português e tendo cá a minha família, gerou em mim uma eterna saudade que ainda hoje com 38 anos não se vai embora. É uma eterna saudade, eu estou em Lisboa e sinto-me turista em Lisboa, vinha agora no cacilheiro a tirar fotografias feito turista e um casal atrás de mim comentou “epá, os turistas adoram a nossa terra, já viste?” não sabia ele que eu não sou turista coisa nenhuma, sou português e estou cá e é aqui que eu moro, é aqui que eu passo a maior parte do tempo, mas já mudei de casa 20 vezes, já vivi em não sei quantos países, e isso dá-me aquela vontade imensa de continuar a falar do meu país e divulgar as coisas boas que temos…

Passemos ao relato de uma grande adversidade pela qual o Ricardo passou, quando bateu num contentor, tendo destruído o veleiro que demorara 4 anos a montar, e tendo ficado a nadar em alto mar durante 24 horas…como lidou com a situação?

O barco representava muito coisa. A minha primeira carta para conseguir patrocinadores foi em outubro de 96, o barco demorou um ano a construir mas eu demorei cinco anos a chegar àquele momento em que parti de Lisboa à vela, sozinho, rumo ao Brasil, que era esse o projeto que estava a tentar concretizar. 24 de novembro de 2001, foi quando saí do Tejo. Tinha batalhado muito, tinha passado por muitas dificuldades, tinha abdicado de tudo para concretizar os meus projetos, enquanto que na universidade ia tudo para os copos, e os meus amigos só queriam miúdas e cerveja, eu não tinha tempo nem para uma coisa nem para outra, estava focado nos meus projetos, tão focado que o curso era aquela coisa que me interrompia o dia de trabalho, por isso desisti do curso – foi das primeiras grandes decisões da minha vida.

Quando bati no contentor, perdi isso tudo, senti eu que tinha perdido esses cinco anos de trabalho, que tinha desonrado o investimento dos patrocinadores e o investimento da equipa que construiu o barco. Fiquei muito triste, muito em baixo, não consegui compreender a injustiça…e o que aconteceu em terra foi muito pior do que o que me aconteceu em mar. Estive no mar 26 horas à deriva, a ver o barco destruído, a meter água, já não navegava, e isso foi muito muito duro para mim, mas chegar a terra e não ter barco e não saber o que dizer aos patrocinadores e sentir que algumas pessoas não entendiam o esforço e gozavam e criticavam…custou-me a ultrapassar.

Hoje em dia já conta com quantas milhas navegadas? (Equivalente a…?)

Cerca de 100 000 milhas, é o equivalente a 3 voltas ao mundo. No meio disso já fui daqui a Inglaterra e voltei talvez 30 vezes, já fiz 5 travessias do Atlântico, fiz muitas viagens entre Caraíbas e os EUA…uma série de viagens.

Como é a rotina numa grande viagem? O que é que tem de ir fazendo ao longo do percurso, como entretém os pensamentos, como dorme…? (Terei lido bem quando disse que não dorme mais do que 15 minutos seguidos?)

Leste bem, não dá para dormir mais do que isso. Quanto mais perto de terra estiver, quanto mais rápido o barco estiver, menos eu posso dormir. Tem a ver com as colisões, com os outros navios e embarcações, barcos de pesca, redes, atividades junto à costa…O barco é um instrumento extremamente exigente, imagina uma Marta Pereira da Costa, que é uma jovem portuguesa que toca guitarra portuguesa, ou um António Chainho, mais conhecido e experiente, a tocarem uma guitarra desafinada, não conseguem aguentar aquilo nem dez segundos. Param, afinam, e voltam a tocar. Eu sou igual no barco, sou muito exigente, o barco tem de estar feliz, tem de estar afinado, as velas têm de estar a sentir bem o vento para que o barco vá a navegar da forma mais eficiente possível. Tu a dormires dez minutos muda um bocadinho a intensidade do vento, ou o ângulo do vento, ou aparece um navio, tu não podes permitir que uma destas três coisas aconteça sem a tua intervenção imediata. Quando o barco está bem eu estou bem e tento sempre estar focado no bem-estar geral a bordo, seja meu seja o da gatinha.

(risos) Como é que se chama a gatinha que o acompanha?

A que fez a última viagem comigo chama-se Vitória, e a anterior a essa foi a Soneca Maria (risos). Gosto sempre de levar um animal comigo para o mar. No total durmo cerca de 4 horas em cada 24, todos os dias durante o tempo que for preciso para chegar ao outro lado. É mais fácil do que possas pensar, imagina que vais num comboio, sei que já não andas de transportes públicos desde que tens a carta (risos), mas imagina que vais no comboio, dormes um bocadinho, não acordas quinze minutos depois fresquinha que nem uma alface? Até parece que dormiste uma noite inteira enquanto passaste pelas brasas! Eu faço isto muitas vezes, estou sempre a acordar cheio de energia fresca. Portanto aguento, não tenho outro remédio senão aguentar.

A rotina a bordo, passa muito por navegar, ver a meteorologia, afinar as velas, comunicar com outros navios, atualizar o site e redes sociais, dar entrevistas em direto e por satélite, ou responder a e-mails, gosto muito de ler – leio três livros por semana no mar, não consigo nem isso por ano em terra -, escrevo, canto, adoro música – tenho um leitor de cassetes, do tempo em que nasceste (risos). É tão bom ter vinte anos…e aquela sensação de “depois quando for mais velho vou tratar disso…” esquece, começa já a tratar disso, começa já a bombar, o relógio está sempre a contar, e o tempo passa muito rápido, ataca, ataca já, controla já, agarra já o touro pelos cornos…

(dissertação sobre a palermice que são as touradas, “com todo o respeito pela tradição e pelas famílias”)

E o tempo também passa rápido no mar?

Não, não, nada! No mar, que caraças pá, como eu durmo tão pouco, os dias duram o triplo!

Em terra, quantas vezes é que tu não ouves, “olha, queres ir beber um copo ao pôr-do-sol?”, então e o pôr da lua? “epá, hoje vi o nascer do sol”, então e o nascer da lua?

Eu no mar vejo o sol a pôr e a lua a nascer no horizonte, grande e vermelhona muitas vezes, parece um sol a nascer, depois é que vai ficando mais branquinha quando sobe. Vejo a lua a passar, vejo todas as horas a passar, lentamente. O tempo deixa de ser relevante, passas a usufruir porque tens tempo para parar….

(passa um vendedor ambulante com água fresca para vender, e o Ricardo pergunta-me se quero água, eu digo que não, e ele devolve ao senhor: “se fosse um magnum amêndoas ainda ia!”)

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 preciso da transição do Ricardo-terra que se tem de reencontrar com o Ricardo-mar

Voltemos à dualidade, acha que consegue assim à pressão elaborar uma comparação entre o Ricardo-mar e o Ricardo-terra? A diferença principal não se deverá ao ritmo cada vez mais alucinante que a vida (em terra) leva em contraste com a calma e isolamento sentidos no mar? Já falámos um bocado sobre isto, com os dias que demoram o triplo…

É uma boa pergunta e faz sentido. Deixa-me explicar uma coisa, eu quando vou para o mar, o compromisso necessário, a entrega, os níveis de fé, são os mesmos de há 500 anos atrás, logo o respeito, a humildade e a fé também são os mesmos. E quem me diz que não acredita em nada…eu já vi pessoas com a mania de que não acreditam em nada e quando chegam ao mar até sabem o Pai-Nosso de cor e salteado, no mar rapidamente percebem que estamos aqui todos por alguma razão, e que isto tudo foi criado por alguém e que estamos todos conectados.

Portanto eu quando estou em terra, eu não consigo no meu estado normal, rodeado de ar condicionado, esplanadas, água fresquinha, um gelado no congelador se for preciso, eu não consigo ir para o mar com esta mania de que está tudo bem, de que faço assim (estalar de dedos) e muda a estação de rádio e faço assim (novamente estalar de dedos) e aqueço ou arrefeço o ambiente em que eu estou. No mar, estás disposta ao que o mar te dá, ao que a natureza te dá, está frio, tens frio, está calor, tens calor, tens medo…eu tenho medo sempre, tenho mais ou tenho menos, mas tenho sempre medo, e tenho de saber controlar esse medo. Se tu me pusesses num helicóptero neste momento no meio do mar, sofria muito, eu preciso da adaptação, preciso da transição do Ricardo-terra que se tem de reencontrar com o Ricardo-mar, porque o Ricardo-mar nunca deixa de lá estar. O que eu sinto é que há um gajo no mar neste preciso momento que percebe muito daquilo, e que está muito feliz lá, e eu aqui, eu quero é estar sossegado, na minha pequena quinta, com os meus gatos – tenho dez – com os meus filhos, com a minha família…não tenho televisão há anos, tenho uma telefonia muito antiga, um rádio com mais de cinquenta anos em madeira, acordo ligo logo aquilo de manhã, vou cuidar da minha horta, dos meus legumes…eu quero é estar sossegado. Trabalho a partir de casa, faço reuniões em hotéis e esplanadas, já larguei a loucura de ter uma empresa em Lisboa e de ter um escritório, há cinco anos atrás simplifiquei. Aprendi isso com o mar, há essa ligação, sim.

Mas há claramente um gajo no mar que tem uma capacidade de luta e de superação de coisas muito difíceis que eu não faço ideia como é que ele consegue, e essa pessoa é o Ricardo-mar. Eu em terra, às vezes, principalmente à noite, quando me vou deitar, na minha cama que está quentinha, que não mexe, que não está encharcada de água salgada, e não me estou a sentir nem com medo nem enjoado, nem preocupado, e penso “aquele gajo que anda lá no mar, como é que ele faz aquilo?”. E há um momento doloroso mas essencial que é o momento em que o Ricardo-terra se despede da família, amigos, patrocinadores e imprensa, meto-me naquele barco, ainda como Ricardo-terra, largo as amarras, os barcos que me acompanham na despedida começam a voltar para trás, um a um, há um momento em que é só um, e esse um tem alguma timidez em voltar para trás porque sente algum sentimento de culpa de “bem, quando eu me virar, sou o último ser humano que ele vai ver, e será que eu sou a última pessoa que ele vai ver?”, eu sei que há esse diálogo sem ninguém dizer nada, e o barco voltou para trás, estou sozinho, e passado algumas horas estou 100% sozinho e já não vejo terra, e continuo a ser o Ricardo-terra, desesperadamente à procura do Ricardo-mar, que hoje felizmente encaixa nas primeiras 24 horas, mas chegou a demorar 10 dias, no início, quando eu ainda não percebia muito do assunto, chorava baba e ranho, enjoava que nem uma pescada… desde as idas e vindas de Inglaterra em miúdo, quando lá vivia, com o meu pai lá e a minha mãe cá que eu tenho um big deal brutal com as despedidas, e transportei isso para a minha idade adulta, para as despedidas de quando vou para o mar. Resolvi isso com uma psicóloga de desporto chamada Ana Ramirez, que é uma máquina e uma pessoa muito importante na minha vida.

Pode agora falar um pouco sobre os projetos paralelos às suas viagens? Temos o “Made in Portugal” e uma empresa de consultoria de imagem, a “Delfinus”, correto? Para além disso, o Ricardo é Co-Fundador e Presidente do Portugal Ocean Race e ainda Embaixador Europeu para os Oceanos, nomeado pela Comissão Europeia.

Como te disse há pouco comecei a trabalhar muito cedo, por gosto, por identificar oportunidades e não por necessidade. Felizmente nunca me faltou nada, embora tenhamos simplificado muito em certas fases. Dou-te um exemplo concreto, passava férias em Vilamoura, e enquanto os meus amigos queriam praia e gelados na marina e discotecas, eu não tinha muita pachorra para isso, via que os carros do aldeamento estavam sujos por causa da poeira, e com a mangueira que se usava para a rega dos jardins, com o Sonasol lá de casa e com a esfregona ia lavar os carros. Eu cheguei ao ponto de ter tantos carros para lavar no aldeamento, que comecei a contratar os filhos dos donos dos carros para lavarem os carros aos próprios pais mas era eu que lhes pagava com o dinheiro que os pais me davam a mim. Isto parece parvo mas os putos ficavam todos felizes. E eu fazia isto com 15/16 anos, sempre quis rentabilizar o tempo e ser útil.

O conceito do Made In Portugal nasceu, promover produtos feitos em Portugal, e com o objetivo de construir barcos em Portugal e dinamizar a indústria náutica e os estaleiros. Isso evoluiu, hoje em dia tenho uma empresa que se chama Papillon, que faz a gestão e a manutenção de barcos, nomeadamente super-iates.

Eu sem querer criei uma agência de comunicação, e believe it or not, tive essa empresa 14 anos. Os meus projetos enquanto navegador solitário no fundo funcionaram como uma incubadora para jovens talentos, fotógrafos, programadores, designers…todos eles estavam a servir os meus projetos, fazíamos sites e logótipos para os meus projetos, até que eu percebi que para aquele modelo de negócio fazia sentido termos mais clientes: se éramos tão bons com os meus projetos, então podíamos ter outras coisas, e começámos a fazer sites e logótipos para os nossos patrocinadores, e crescemos, até ter clientes em várias partes do planeta. Foi um projeto muito giro, muito inesperado, que justificou ter um escritório no Saldanha, mas que mais tarde vendi.

Faço palestras, tenho o meu livro, faço workshops de formação e essencialmente continuo a trabalhar para ajudar pessoas e empresas a atingir objetivos. Sou empreendedor, navegador solitário, autor, coach. Enquanto coach, tive também de simplificar, há dois, três anos cheguei a trabalhar com mais de 400 pessoas a nível mundial, neste momento tenho cerca de 100 pessoas em tratamento on-going, sendo que o contacto regular quase diário é quase com 30. Eu não tenho formação enquanto coach, sou um “accidental life coach” como costumo dizer.

Em relação à Política do Mar, temos das maiores Zonas Económicas Exclusivas da Europa, concorda que Portugal está finalmente a tirar partido da sua localização e geografia estratégicas e se está a voltar novamente para o mar? Que medidas aconselha para acelerar este processo de reconciliação com o Mar?

Eu acho… que já posso morrer tranquilo. Ou seja, se eu agora cair para o lado, já morro em paz, porque este sentimento de missão que eu tenho que me leva a ir para o mar, tem sido precisamente para que Portugal esteja como já está. Em 98 tivemos um kick off com a Expo, a coisa abrandou um bocadinho, mas de repente começa a surgir uma nova geração, que inspira os mais velhos, que exige aos mais velhos, e nos mais velhos surgem pessoas como o Tiago Pitta e Cunha, advisor do Governo, entre muitas outras pessoas que já conseguem trabalhar em equipa para que isto tudo comece a funcionar, e começo a ver exemplos em vários níveis, nomeadamente a capa da última Exame é dedicada ao mar, a negócios do mar, e quem está de facto a puxar pelo mar. Há muito trabalho a fazer, os estaleiros de Portugal não são conhecidos no mundo como deveriam ser, a pesca em Portugal ainda não está como deveria voltar a estar e melhor, mas estamos no bom caminho. O surf é cool, é um negócio, é patrocinável por grandes marcas multinacionais. Está tudo a aquecer, estamos no bom caminho, e acho que todos temos feito por isso, eu contribuí com pequenas gotas no oceano. Quando circunnaveguei a ZEE de Portugal – foi a expedição Mare Nostrum – foi a realização de um sonho, demorei 8 anos a concretizá-lo, mas demorei 8 anos porque eu tinha os norugueses a quererem-me patrocinar, tinha os belgas também, os ingleses, os japoneses, e eu disse não, não, não, este projeto tem de ser português, com empresas portuguesas e de preferência com um barco meu e português. Esperei mas quando arranquei do Tejo arranquei com um barco meu, português, que deu trabalho a 312 pessoas e demorou 100 dias a remodelar, tive 24 dias sozinho no mar, sempre o mais fiel possível em cima da linha da ZEE e concretizámos um projeto que nunca tinha sido feito, nunca ninguém à vela circunnavegou ZEE nenhuma, muito menos a portuguesa, e foi para mostrar que Portugal é mar, e tu hoje vês em todas as escolas do país um mapa lindíssimo a dizer que Portugal também é mar, e que mostra aos miúdos que Portugal não é um retângulo vertical, mas é um retângulo vertical mais ilhas mais uma mancha imensa que é mar que pertence a Portugal e que tem de ser trabalhado e que vai ser um dos grandes contribuidores para o PIB português. Deixa-me com imenso orgulho ver que estamos todos a puxar pelo mesmo e que isto vai lá, estamos no muito bom caminho, felizmente, finalmente.

Por fim, para quando uma volta ao mundo? Sei que está nos seus planos.

Olha volta ao mundo foi um desejo que eu tive com oito anos, e a vontade e o desejo que eu tive de a fazer foi algo tão grande que ainda hoje o sonho comanda a vida. Tudo o que atingi e as decisões que tomei na minha vida foram por causa da volta ao mundo, que curiosamente ainda não fiz. Hoje em dia não tenho essa pressa, não tenho essa imensa vontade que faz o meu mundo andar para a frente. Mas uma coisa te posso dizer, se um dia fizer a volta ao mundo, será muito ligada às comunidades portuguesas, muito ligada a algo que tenha a ver com a promoção das nossas empresas e da nossa cultura, terá a ver com Portugal no mundo e unir quem fala português, reforçando que Portugal tem uma diáspora fabulosa, temos 5.5 milhões de portugueses  a viver fora de Portugal, e temos muito a fazer com isso, temos de reforçar os laços com Angola, Moçambique, Guiné, S. Tomé, Brasil, Macau, Goa… Eu hoje em dia não vou por pressas nem calendários, vou por feelings, e amanhã de manhã se acordar com o feeling que é agora que eu tenho de fazer a volta ao mundo, amanhã de manhã começo a trabalhar nessa expedição para fazer a volta ao mundo, e não vai ser nem num ano nem dois, vai ser em pelo menos quatro. Mas as minhas prioridades neste momento são outras, tenho filhos, tenho outros projetos que quero atingir em terra. Quando tiver de fazer, se tiver de fazer, será.

Agora tiramos uma selfie?

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Fotos: DR

Tunipex – Empresa Portuguesa reativa industria extinta e torna-se num exemplo de sucesso

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A Tunipex nasceu nos anos 90 no concelho de Olhão, quando Carlos Sousa Reis viu a oportunidade de investir numa indústria que se encontrava extinta há mais de 20 anos. Tradicionalmente, a pesca de atum rabilho no Algarve era fonte de subsistência de grande parte da região. Contudo com o tempo e com a escassez da quantidade de peixe, esta tendeu a desparecer. Sendo uma atividade que exigia um elevado número de trabalhadores, e tendo em conta que a utilização do atum era exclusivamente para a indústria da conserva, a sua rentabilidade tornou-se muito reduzida, o que contribuiu ainda mais para o seu desaparecimento.

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Carlos Sousa Reis e sócios tiveram a visão de no momento certo, investirem e reactivarem a indústria. A sua aposta veio a comprovar-se em moldes diferentes, tanto com a modernização da técnica de pesca utilizada, como com o reposicionamento perante o mercado. Estes foram factores determinantes para o sucesso do projecto.

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O atum rabilho é uma espécie carateristica do Oceano Atlântico, contudo este desova no Mar Mediterrânico. A costa algarvia é então uma região com condições únicas na exploração desta espécie, visto que no seu ciclo de vida normal, esta tenha necessariamente de passar por aqui. A Tunipex em parceria com uma empresa japonesa (a Hokomo) juntaram forças e iniciaram um projecto inovador que combina a excelência de um produto com a necessidade que o mercado apresenta. A sua actividade direcciona-se para a exportação, nomeadamente para o Japão e alguns países europeus, como também para a venda a restaurantes de comida japonesa em Portugal. Na exploração nestes meios, é fundamental que exista um processo muito rigoroso após a pesca pois este pode depreciar ou valorizar o pescado em duas ou três vezes o valor estimado.

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A armação de pesca é o método de pesca utilizado que permite capturar os atuns e mantê-los em liberdade restrita, até o momento ideal para os capturar. A modernização feita que combinou a tecnologia de ponta japonesa com o conhecimento da técnica portuguesa veio introduzir uma redução significativa no número de trabalhadores e uma maior eficiência da própria actividade. Sendo este um método considerado passivo onde cerca de 70% do pescado não é capturado, está associado à atividade um programa internacional de marcação de atum. Parceiro do IPMA (Instituto Português do Mar e Atmosfera) este projecto tem como principal objectivo estudar e alargar o conhecimento sobre a espécie do atum rabilho.

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A Tunipex como usa uma técnica em que não é possível ter controlo total sobre aquilo que é pescado, aproveitou para alargar a sua área de actividade ao comércio local de peixe de consumo normal, como ao comércio de animais vivos para aquários e oceanários por todo o mundo.

Hoje em dia na praia do Barril conseguimos ver a herança deixada por uma atividade que marcou gerações e gerações. As âncoras que outrora seguravam a armação, estão agora em terra viradas para o mar indicando o corredor de atum que é a costa algarvia portuguesa.
Fontes:
Programa Bombordo, RTP
www.tunipex.eu

Fotos: DR

Native Scientist é uma organização dedicada à integração das comunidades jovens emigrantes portuguesas

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Native Scientist (NS) é uma organização sem fins lucrativos que nasceu no Reino Unido e espalha-se agora por outros países da Europa.

O projecto consiste na proximidade entre cientistas e alunos portugueses nas escolas do Reino Unido onde, em conjunto, partilham experiências e conhecimentos.

As fundadoras da organização, Joana Moscoso e Tatiana Correia, apresentam a missão do projeto em três pilares:

  • aproximar pessoas altamente qualificadas de crianças bilingue
  • encorajar a aprendizagem e o aperfeiçoamento da língua portuguesa
  • despertar a atenção dos mais jovens para a importância da ciência e melhorar a sua performance escolar.

 

Um milhão de alunos no Reino Unido aprendem inglês nas escolas e comunicam através de outra língua em casa. Apesar de conhecidas as vantagens da aprendizagem de duas línguas, há um desafio que se impõe à integração social destes alunos na comunidade escolar. O reconhecimento deste problema e a necessidade de facilitar a integração destes alunos são a filosofia da NS.

 

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Tatiana Correia (à esquerda na foto) doutorou-se na Universidade de Cranfield e é actualmente gestora tecnológica para a Nanotecnologia e Metrologia, na agência de inovação do Reino Unido, The Knowledge Transfer Network. Joana Moscoso (à direita) é investigadora no Imperial College London na área da Microbiologia Molecular e juntas abraçaram este projecto.

Joana conta à Excelência Portugal que a ideia

surgiu quando eu e a Tatiana, juntamente com mais 7 colegas investigadores portugueses no Reino Unido, organizávamos o LUSO 2012, que é o encontro anual da PARSUK (Portuguese Association of Researchers and Students in the United Kingdom). A Tatiana, investigadora na área da física, tinha algum contacto com as crianças da comunidade de emigrantes portugueses em Londres e eu costumava voluntariar-me em escolas inglesas para falar sobre microbiologia, a área em que faço investigação. Juntas, apercebemo-nos que as crianças portuguesas a viver cá fora podiam beneficiar do contacto com cientistas. 

A Tatiana conta-nos a experiência positiva de uma primeira iniciativa, ainda fora do âmbito da NS, em que “9 cientistas portugueses falaram e demonstraram algumas atividades relacionadas com o seu trabalho a 25 crianças lusodescentes. A recetividade ao projeto por parte dos alunos, cientistas e professores foi excelente e por isso decidimos repetir”.

 A Native Scientist surge então em 2013, após as duas Joana e Tatiana terem vencido um prémio de empreendedorismo social, do Imperial College e UnLtd, para desenvolver o projeto.

Ambas as fundadoras fazem questão de referir o papel fundamental dos voluntários na organização que exige de todos “muita disciplina”. Relembram ainda a especial importância de “7 colaboradoras, também voluntárias, que nos ajudam a coordenar a marcação das sessões, a ida às escolas e o conteúdo nos social media.

 A Joana acrescenta ainda que

o coração da NS são de facto os cientistas, que disponibilizam parte do seu tempo para irem às escolas partilhar a sua experiência e assim, inspirar as crianças portuguesas cá fora, não só a aprenderem ciência, mas também, a usarem a língua portuguesa e manter viva a conexão com Portugal.

Confessa ainda que uma razão para a disponibilidade de tantos voluntários é que “ao contrário de outras oportunidades de voluntariado que existem, a NS proporciona uma experiência que é educativa e que apela ao elo de ligação cultural.”

O projeto inspirou não só cientistas portugueses mas também cientistas de outras nacionalidades: “ houve uma reação inesperada a este projeto por parte de outras comunidades no Reino Unido, como por exemplo a espanhola, francesa e alemã. Encaramos esta reação como uma oportunidade para aumentar o impacto da NS na integração e desenvolvimento social das comunidades emigrantes no Reino Unido.

As fundadoras desenvolvem agora planos para a expandir o projeto nas comunidades portuguesas doutros países.

Queremos crescer. O nosso plano é crescer nas comunidades portuguesas lá fora e replicar o projeto noutros países. Este ano fomos para França. Para o ano queremos começar na Alemanha. Para além disso, queremos também crescer no Reino Unido, dando especial atenção às comunidades minoritárias.

 

A NS pode ser seguida no Facebook e Twitter

 

Desafios Porto com videoclip de Miguel Araújo

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O músico Miguel Araújo está a ajudar a Câmara do Porto e quatro parceiros a desafiar a cidade. A ideia, lançada pela autarquia está explicada no site www.desafiosporto.pt e qualquer portuense pode participar, desafiando os empreendedores a encontrar soluções que serão financiadas pelas empresas que se juntaram ao desafio.

Entre os suportes de comunicação criados, está um videoclip que ilustra a música que João Salcedo concebeu e Miguel Araújo protagoniza e que foi oferecida ao projeto que conta já com centenas de contribuições de pessoas que desafiam a cidade a encontrar soluções para pequenos ou grandes problemas.

Segundo Filipe Araújo, vereador da Inovação da Câmara do Porto, a ideia é “melhorar o futuro do Porto, lançando desafios que podem ser ultrapassados de forma inovadora”, lembrando que “todos os dias vivemos desafios, no caminho para o emprego, no acesso a serviços da cidade e certamente já todos nos lembramos de problemas que gostaríamos de ver resolvidos”.

A Câmara do Porto, que conta conta neste programa com a parceria da NOS, da EDP, do CEIIA e da E&Y, permite que qualquer pessoa participe no Desafios Porto que, para o vereador “é também o estímulo que muitos dos empreendedores da nossa cidade necessitam para encontrarem as soluções e a impulsionar o ecossistema de empreendedorismo de inovação, criando emprego e desenvolvimento económico”.

Os desafios podem ser colocados à Câmara Municipal até dia 1 de agosto, no site do projeto, que serão processados e apresentados até ao dia 1 de Setembro. As soluções serão depois concebidas até 2 de novembro e apresentadas a 23 desse mesmo mês, publicamente. O desenvolvimento tecnológico das soluções, que serão colocadas em prática na cidade, acontecerá até 18 de abril de 2016.

A mecânica do programa está explicada em www.desafiosporto.pt.

Fonte: Câmara Municipal do Porto

Miss Can – “packs” recheados com Portugal

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A Miss Can foi uma das 10 finalistas do concurso, Prémio Nacional das Indústrias Criativas 2015 e traz consigo a inovação num “pack” que alia cultura e tradição.  

A ideia nasceu da vontade de recuperar um tradição familiar. O negócio das  conservas que vinha desde 1911 com a criação de duas fábricas, foi “recuperado”  por três sócios da família Soares Ribeiro que criaram um conjunto de conservas  originais, feitas de através de um método artesanal e com uma qualidade  superior.

O projecto existe desde 2013 e conta com vários “packs” de conservas todos eles com diferentes personalidades e muito portugueses, cada “pack” é composto por três latas de conserva– sardinha, cavala e atum – que são misturadas com várias iguarias portuguesas, sendo o tempero que lhes concede a personalidade diferente.  Existem para todos os gostos ‐ num total de cinco ‐ para os mais aventureiros o Miss Can Hot com azeite picante e para os mais tradicionais o Miss Can Patriot que mistura os sabores das conservas com o tradicional bacalhau com alho ou grão de bico. Cada “pack”  conta ainda com curiosidades históricas, receitas para cada lata que ajuda o consumidor a degustar as conservas de forma bem típica e a história da indústria.

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As Miss Can podem ser encontradas em várias lojas pelos país e pelo Mundo e, também num ponto de venda original, um triciclo Piaggio APE com 21 anos, o próximo passo da “sereia Miss Can” será um petiscaria bem no centro da cidade de Lisboa.

 

Fotos: DR