Se lhe perguntassem qual a relação entre Estremoz, uma pequena cidade situada no Alentejo, e a Austrália, um país no outro lado do globo, provavelmente não saberia responder. No entanto, a Excelência Portugal anda atenta, e por isso apresentamos-lhe a resposta.
Phil Hawkes é um jornalista que escreve para o “The Australian”. Não sabemos como é que ele foi lá parar, mas ao visitar Estremoz voltou de lá com uma história para contar. História essa que muitos portugueses conhecem, mas não necessariamente todos.
Segundo o artigo de Phil, esta cidade, que tem direito ao seu castelo e palácio, aquilo que tem de melhor é o mercado que ganha vida todos os Sábados.
“Quão diferente poderá ser este mercado, comparando com todos os outros?” Esta é a questão central, e a única maneira de responder é através da descrição detalhada daquilo a que o jornalista viu e vivenciou. Ainda que admita que não é fácil explicar, Phil Hawkes voluntaria-se a fazê-lo.
Começa por descrever a imensidão dos produtos biológicos trazidos pelos genuínos agricultores (“acompanhados pelas suas mulheres robustas e os seus filhos de olhar selvagem”), notando a ausência de grossistas.
“É a época dos frutos de baga e o sítio parece um motim de morangos, amoras, framboesas e mirtilos, e sabe lá deus que outras espécies. (…) Uma coisa têm todas em comum: são todas doces e deliciosas.”
E a narrativa acerca da abundância de alimentos prossegue.
“Além das variedades de produtos mais comuns, onde as batatas, as verduras, os pimentos, os alhos e as beringelas reinam, estão também presentes os animais. Galinhas, patos, pavoneiam-se e vibram com a azáfama; os coelhos e os porquinhos-da-índia (como animais domésticos, espero); e finalmente as gaiolas de pássaros de toda a espécie, criam um festim de cor e barulho, mas estes não são destinados para ir para a panela.”
Passando para outro tipo de bancas, Phil fala, mais uma vez, da grande variedade de enchidos que os vendedores trazem para mostrar e vender. Parece encantado com a ideia de que os próprios tenham, nas suas quintas, os fumeiros. Talvez pela proximidade que colocam os consumidores ao processo de produção, dando o encanto da comida caseira, ali à disposição daqueles que estiverem interessados.
E a partir daqui entramos na zona perigosa para aqueles que andam de olho no peso e na figura. O jornalista australiano passa pelos pães caseiros, robustos e rústicos, que acompanham deliciosamente os queijos de ovelha e de cabra. E, como orgulho de qualquer português, estão também presentes os pastéis de nata, que se juntam aos travesseiros e aos brioches de amêndoa. Os frutos silvestres voltam a marcar presença agora fundidos com todo o tipo de pastelaria.
Phil teve igualmente a oportunidade de visitar a feira de antiguidades, e tomou a decisão de também lhe fazer referência. “Quando o regateio começa, temos a sensação de que estamos a nadar um pouco fora de pé quanto às nossas técnicas de negociação”, conta. Mas ainda assim resume a experiência como pura diversão.
Normalmente tentaria explicar porque é que Portugal impressiona. Pois isso acontece todos os dias, a toda a gente. Mas Phil Hawkes já o compreendeu, e por isso concluo com as suas palavras.
“Diferente? Bem, não está muito longe dos mercados que vemos na Austrália, à excepção das pessoas. É a vida que estas emanam: Não é uma excursão do fim-de-semana para os visitantes, mas sim uma reunião das pessoas da cidade e conterrâneos, gerações que se juntam e se unem pelo amor comum que têm ao seu país. E isso é Portugal.”
Fonte: The Australian
Foto: Moitas