Jovem Investigadora em Eletroquímica recebeu prémio da SPE 2014

diana1cA investigadora do REQUIMTE/LAQV, Diana Fernandes, venceu o prémio de Jovem Investigadora em Eletroquímica do ano com o seu pós-doutoramento no Departamento de Química e Bioquímica da FCUP.

Diana Fernandes nasceu em Barcelos, a 12 de Fevereiro de 1980, onde viveu até concluir o 12º ano. Terminado o ensino secundário ingressou na licenciatura  em Química da Universidade de Évora. Em 2006, através de uma bolsa de investigação, muda-se para a Universidade de Aveiro  e um ano depois inicia o seu doutoramento. Após 4 anos de doutoramento candidatou-se a uma bolsa de pós doutoramento para aUniversidade do Porto, onde está desde Abril de 2011. diana1a

Com que idade sentiste o apelo pela ciência?

Não posso dizer que tenha sentido um apelo pela ciência numa idade específica. Foi uma coisa que foi acontecendo aos poucos. O facto de ter escolhido química foi devido a uma professora de explicações de química que tive no 12º ano. Até então nem sequer gostava muito da disciplina pois tive uma péssima professora do 10 ao 12º ano. Depois durante o curso existiram vários professores que me foram despertando o interesse pela ciência, que ficou ainda mais forte no estágio curricular do curso que envolvia um ano de trabalho laboratorial. Mais tarde, em Aveiro, a Doutora Helena Carapuça incentivou-me a fazer um doutoramento o que contribuiu em grande parte para hoje estar na ciência.

- Ser investigadora era um sonho ou foi obra do tempo e do percurso?

Tal como disse anteriormente foi mais obra do tempo e do percurso até porque nunca me tinha passado pela cabeça ser investigadora. Depois de terminar o curso fui trabalhar para uma empresa mas como o trabalho era um pouco repetitivo e nada desafiante decidi tentar a investigação. Fui para Aveiro para uma bolsa de investigação e aí o interesse pela ciência cresceu.

- Em que consiste o projecto que estás a desenvolver no àmbito do pós-doutoramento no Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) ?

O projecto visa contribuir para as soluções para os actuais desafios globais de fornecimento de energia devido a graves problemas da mudança climática e da procura de novas fontes de energia renováveis. Neste contexto, o meu trabalho consiste no desenvolvimento de uma nova geração de híbridos eletrocatalisadores à base de materiais de carbono e polioxometalatos para aplicações relacionadas com a energia que incluem reacções electroquímicas relevantes como a decomposição da água nos seus constituintes O2 e H2, a redução do oxigénio para células de combustível e a reacção de redução do CO2 como uma estratégia para a redução electroquímica do efeito de estufa. Outra vertente é a aplicação destes materiais na construção de sensores para remoção de poluentes emergentes.

- Que aplicações práticas poderá ter o mesmo?

Podem existir várias. Por exemplo, o trabalho mais relacionado como os sensores poderá vir a contribuir para o desenvolvimento de uma nova geração de sistemas de tratamento de águas para consumo e residuais mais eficientes energeticamente e de menor custo. A outra parte do trabalho mais relacionada com a energia poderá vir a permitir a construção de um dispositivo para conversão eficiente de energia sem o recurso a metais nobres, baixando assim o seu custo.

- Que significado tem para ti este prémio? Pode aportar mais visibilidade e financiamento?

O prémio é importante não só porque é um reconhecimento do trabalho que desenvolvo mas também porque pode ser uma ajuda preciosa na progressão da carreira de investigação. Como é do conhecimento público, a ciência tem cada vez menos dinheiro e como consequência cada vez mais se vêem óptimos profissionais no desemprego por isso este prémio pode ter um peso significante quando concorrer a um lugar de investigador da FCT. É igualmente importante pois pode contribuir para aprovação de financiamento de projectos relacionados com o meu trabalho.

- Como encaras a investigação em Portugal? E o teu futuro?

A investigação científica já teve dias melhores pois a crise que se vive neste momento no nosso país também se estendeu à comunidade científica. Têm sido feitos cortes enormes no apoio às universidades e aos centros de investigação. São cada vez menos os projectos aprovados e além disso são atribuídas cada vez menos bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, já para não falar nas posições como investigador. Hoje em dia é complicado fazer uma carreira científica em Portugal. Esquecendo a parte má a verdade é que aqueles que continuam a trabalhar na ciência desenvolvem trabalhos cada vez mais interessantes e importantes para a nossa sociedade. Além disso, o que se faz em Portugal em nada fica atrás do que está a ser feito fora do nosso país.

- Para além da paixão pela investigação, quais são os seus outros interesses?

Existem vários. Gosto de dedicar o pouco tempo livre que tenho ao convívio com as pessoas que me são mais próximas. Gosto também de fotografia, música, de praticar desporto, de ler e de estar envolvida em campanhas de ajuda animal.

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Lino da Costa Pereira ou o Professor mais novo da Katholieke Universiteit Leuven

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Lino da Costa Pereira nasceu em Barcelos há 29 anos, quando ainda não sonhava (ou já, a confirmar na entrevista em baixo) que viria a ser o Professor mais novo da Universidade Católica de Leuven (Katholieke Universiteit Leuven), na Bélgica.

Formado na FCUP (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) e mais tarde desenvolvendo trabalho no grupo IFIMUP (Instituto de Física de Materiais da Universidade do Porto), Lino terminou o seu doutoramento já em Leuven. Pelo caminho, acumulou uma extraordinária colecção de prémios nas mais reputadas conferências na sua área científica: semicondutores magnéticos. Fomos conversar com o Lino para conhecer melhor o seu percurso e perceber qual a sua visão do ensino e da investigação portuguesa e belga. Pena que não tenhamos espaço para mais perguntas porque estamos certos que mais respostas interessantes viriam.

E o plano é ficar pela Bélgica. A não ser que nos próximos anos se torne ainda mais difícil encontrar um bom expresso, e um dia de sol se torne ainda mais raro.


Lino, olhando para o passado recente, como vês o teu percurso ? Professor Universitário foi sempre um objectivo?

- Tem piada que em miúdo dizia que queria ser professor universitário, acho que porque gostava da escola, de aprender. Mais tarde, fui descobrindo a ciência, a física, e eventualmente a física da matéria condensada. É claro que pelo caminho experimentei outras coisas e considerei outras carreiras, em especial nos últimos anos, já que as chances de ganhar uma posição permanente são diminutas. Mas sim, sempre foi um objetivo. E atingi-lo devo-o muito a quem me apoiou pelo caminho, em particular a minha família e aqueles que mais que meus professores, foram meus mentores.

 

Como é ser o “mais novo” Professor de sempre na história da Universidade Católica de Leuven?

-  Bom, isso não é um dado oficial, foi algo que alguém conjeturou em minha defesa para a atribuição de um prémio científico. Tive de facto o privilégio de ganhar esta posição mais cedo do que é comum, graças a muita dedicação mas também à convergência de muitos outros fatores: muita sorte portanto. Foi também uma aposta do Conselho Scientífico da KU Leuven, que estou determinado a corresponder. Vê-se finalmente esta tendência a atribuir posições permanentes a investigadores mais jovens. O normal é ainda que um investigador tenha que passar por uma série de pós-doutoramentos, muitas vezes em vários países diferentes. Tem-se justificado isto com a importância da mobilidade, que é um argumento válido, mas muitas vezes levado ao exagero. Para se fixar mais talento em ciência, é preciso que haja melhores perspetivas de progressão de carreira. Isto é também, na minha opinião, uma das grandes barreiras à mulher cientista. Esta incerteza geográfica é uma dificuldade para quem tem família, em particular para a mulher. O argumento é discutível, mas o facto é inegável. A solução não passa necessariamente por criar mais posições de professor em universidades. Na França, por exemplo, o estatuto de investigador científico como posição permanente é tão comum como o de professor universitário. Em Portugal também existe, mas não o suficiente, pelo menos em áreas como Física. E na verdade, isto é um problema que afeta também a Bélgica.

 

Licenciaste-te e mais tarde realizaste parcialmente o doutoramento na FCUP (no grupo IFIMUP-IN), como achas que a tua formação influenciou o teu percurso?

- A minha licenciatura na FCUP, e em particular a projeto de final de curso no IFIMUP, foram determinantes, como é natural. Foi no IFIMUP que descobri que o meu lugar era em física da matéria condensada e física experimental. E devo-o muito ao Prof. João Pedro Araújo, um desses meus mentores de que falei antes. Foi ele quem me introduziu ao trabalho que instituições portugueses desenvolvem no ISOLDE, no CERN, em particular por intermédio do Dr. Ulrich Wahl e do Dr. Guilherme Correia do Instituto Tecnológico e Nuclear, entretanto parte do Técnico, em Lisboa. Eles são exemplo da ciência de alto nível que se faz em Portugal apesar do parco financiamento e instabilidade. Na verdade, ter conseguido esta posição em Leuven deve-se em grande parte a ter sido orientado por estas três pessoas, no seio de uma colaboração internacional e infraestrutura que criaram e mantêm através de muito esforço e dedicação. Isto sem esquecer as duas outras personalidades da ciência em Portugal que os precederam: o Prof. José Carvalho Soares em Lisboa e o Prof. João Bessa e Sousa no Porto, se bem que meu conterrâneo, de Barcelos.

 

Comparando os dois sistemas de ensino superior, o português e o belga, quais as principais diferenças (positivas e negativas) que destacas?

- Essa é uma pergunta muito difícil. Em todo o lado vive-se em clima de reforma constante, fica difícil comparar. O que te posso dizer é que no essencial são semelhantes, e que em Portugal formam-se profissionais do mais alto nível. Não sei se é mérito do sistema educativo, ou da tradição de rigor em algumas instituições de ensino, ou simplesmente do esforço de alguns professores, pais e alunos. Mas é um facto.

 

Relativamente aos dois sistemas científicos, como os comparas ao nível do trabalho prático, organização, o sistema de financiamento, entre outros aspectos?

- São semelhantes. E em ambos os países há quem faça ciência ao melhor nível. A grande diferença é o financiamento disponível. O parco financiamento em Portugal é simplesmente asfixiante. Ironicamente isto leva a que o sistema esteja sob uma pressão tal, que acaba muitas vez por levar à má gestão de um orçamento já diminuto. E a área da física tem sofrido muito particularmente nos últimos anos. Houve um série de medidas simplesmente destruidoras do tecido científico português em física. Tenho a maior admiração por quem consegue construir uma carreira científica de sucesso em Portugal. É claro que em grande parte isto se reduz a um problema económico, o qual não posso dizer saber como resolver. Mas há outras áreas onde o caminho de progresso é óbvio. Por exemplo, os sistemas de administração e burocracia portugueses são em geral demasiado pesados. Talvez tenha sido um mecanismo de proteção que foi crescendo em reação ao favorecimento e ao desleixe. Mas a verdade é que este peso nos atrasa. E dou-te um exemplo muito concreto: quando tentamos assinar acordos bilaterais entre duas universidades, uma portuguesa e uma estrangeira. Em Leuven negoceio os detalhes do acordo com um funcionário administrativo a quem foram dadas diretivas muito claras e uma margem razoável para tomar decisões além dessas diretivas. Em Portugal negoceio com juristas que se vêm obrigados a mergulhar num mar de regulamentação a cada iteração da redação do acordo. Resultado: a demora do lado português atrasa imenso ou mesmo inviabiliza o processo. Não há espaço para isto numa sociedade competitiva.

 

Pessoalmente, como é conciliar as duas tarefas, a de Professor e a de Investigador e líder de grupo ?

- Estão naturalmente ligadas. As cadeiras que dou e darei para já, a nível de mestrado e doutoramento, são muito relacionadas com a investigação que faço. Estão tão ligadas que o gabinete que ocupava antes deste período na ANU partilhava-o com alguns dos alunos que orientava; e a sala de aula, onde lecionei a minha primeira cadeira no semestre passado, era simplesmente do outro lado do corredor. Há quem investigue sem ensinar e quem ensine sem investigar, mas eu pessoalmente gosto de poder combinar as duas atividades. De qualquer das formas, a minha posição é uma “research professorship” o que significa que nos primeiros 10 anos tenho menos obrigações didáticas, podendo dedicar-me mais a desenvolver um grupo e uma linha de investigação independente. É claro que há dias muito longos e muitas semanas de sete dias, mas ninguém segue uma carreira científica para ter um emprego das 9-às-5. É como dizem: quando fazes o que gostas, não trabalhas um dia da tua vida.

 

Actualmente, quais são os temas de investigação a que mais te tens dedicado? Como vês a evolução da investigação científica na área dos novos materiais e quais os principais desafios que esta atravessa?

- O meu foco de momento são fenómenos que emergem de eletrões relativistas em sólidos, o que em termos de materiais envolve por exemplo isoladores topológicos e o famoso grafeno. É provavelmente o tema mais quente de momento em física da matéria condensada, pelo riqueza que representa em termos de física fundamental, assim como o potencial de aplicação em novos paradigmas de eletrónica. E isto liga à outra questão que pões: os desafios. Acho que estavas a falar de desafios científicos e técnicos. Mas deixa-me dizer qualquer coisa sobre o grande desafio que este tipo de ciência defronta hoje. Estamos a falar de ciência essencialmente fundamental. O potencial para aplicação existe, mas a física destes fenómenos é demasiado jovem para se pensar realisticamente em aplicações. O problema de que falo é que a opinião pública e as políticas governamentais por todo mundo têm evoluído numa direção que cria cada vez mais dificuldades à investigação fundamental. Há esta filosofia de utilitarismo da ciência. Sim, todos temos uma responsabilidade para com os desafios com que a humanidade se defronta, mas ciência não se pode reger unicamente com base nisso. Tem que haver, como sempre houve na história humana, espaço para a pura curiosidade científica: explicar o inexplicável. E sim, pelo caminho, vamos fazendo descobertas que encontram aplicação em novas tecnologias, melhorando a nossa qualidade de vida. Mas isso é apenas uma dimensão da atividade científica. A inexistência de uma perspetiva de aplicação, não pode ser um obstáculo a ciência que é por definição fundamental.
Quais as expectativas para o futuro ?

- Continuar a fazer a ciência e a contribuir para a formação de profissionais de alto nível, não só cientistas. Isto é talvez uma dimensão menos conhecida, ou menos compreendida, da investigação científica em universidades. Mestrados e doutoramentos em ciências exatas preparam muitas das mentes e líderes que determinam o nosso futuro, nos sectores público e privado.

E o plano é ficar pela Bélgica. A não ser que nos próximos anos se torne ainda mais difícil encontrar um bom expresso, e um dia de sol se torne ainda mais raro. Mas com o aquecimento global e a moda dos baristas, acho que estou para ficar.

 

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O projecto Transformers vai-se transformar e deixar que mais jovens se transformem consigo

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O Projecto Transformers está a organizar o evento IGNITE TRANSFORMERS que promete deixar ainda mais colorida a primeira noite da Primavera. Vai se realizar já neste sábado, dia 21 de Março de 2015, entre as 18:30 e 22:00 no Museu da Electricidade, em Belém, e requer presença obrigatória a todos aqueles que querem transformar a sua comunidade.

O projecto nasceu em 2010 por um grupo de amigos que, a partir do break-dance, descobriu que podia integrar jovens em situações desfavorecidas e ajudá-los a encontrar um caminho mais positivo na sua vida. O projecto já conseguiu mobilizar mais de 160 mentores, os chamados transformers, das diversas formas de arte, desportos e demais actividades para orientarem mais de 1600 jovens em bairros sociais, escolas problemáticas, centro de acolhimento e de detenção.

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Esta associação acredita que estes jovens muitas vezes marginalizados não são indiferentes ao que os rodeia e simplesmente ainda não encontraram a sua própria maneira de fazer a diferença. Desta forma são dadas ferramentas para que estes possam intervir na sua comunidade e contribuir eles próprios para os desafios sociais emergentes que assistimos.

No Transformers “o lugar de todos é o lugar de cada um” e por isso cada transformer contribui com aquilo que mais gosta de fazer: teatro, fotografia, pintura, boxe, bateria, surf ou grafitti. Todos os talentos são bem-vindos desde que se faça com paixão e tenha vontade de a contagiar aos jovens.

No evento IGNITE TRANSFORMERS vão estar presentes 16 transformers com o objectivo de partilhar os seus testemunhos e histórias de vida. Espera-se ainda muitas surpresas, onde se incluem espectáculos dinamizados por jovens inseridos nos programas.

Serão também apresentadas as linhas gerais do novo modelo de actuação e o evento servirá ainda de angariação de fundos para financiar a transição do projecto para o novo modelo.

(cada bilhete individual online é 5 euros e no próprio dia é 8 euros)

 

 

 

 

 

 

 

 

https://vimeo.com/34234351

 

 

 

 

 

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Projecto ITER: A Fusão nuclear a dar energia às empresas Portuguesas

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Como se pode ler no site oficial, o ITER (http://www.iter.org/proj/itermission), é uma experiência de larga-escala (parece modesto e por isso acrescentamos o adjectivo gigante) com o objectivo de demonstrar a possibilidade de gerar energia através do processo de fusão nuclear. O seu objectivo prático é: produzir até 10 vezes mais energia do que aquela que necessita para funcionar.

- A fissão nuclear, tecnologia usada nos reactors nucleares actualmente, é a divisão de um único átomo em dois (ou mais) átomos, mais pequenos, enquanto que a fusão, tecnologia que irá ser testada no ITER, é exactamente a junção de dois átomos mais pequenos num átomo maior -

O ITER quer simular o ambiente no interior do Sol, com temperaturas extremamente altas, de tal forma que os electrões são separados do núcleo dos átomos e começam a formar um meio chamado de plasma. Este é o meio ideal para elementos leves se fundirem e, no processo, gerarem energia.

Começou a ser construído na região da Provence-Alpes-Côte d’Azur, no sul de França, em 2010 e estima-se que esteja terminado em 2019, quando começarão os primeiros testes.

 Uma das maiores experiências científicas, conta com o apoio das grandes nações (e conjuntos) do Mundo: União Europeia, a China, India, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos da América.

Para conhecermos mais sobre este projecto e em particular sobre o impacto que tem e ainda pode vir a ter na economia portuguesa, entrevistamos o Dr. Bruno Gonçalves, Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear e Industrial Liaison Officer para o ITER.

 

- É o coordenador do contacto para apoio às empresas que queiram participar no projecto ITER, Já existem contactos celebrados com empresas portuguesas?

Desde que iniciei a actividade que tenho tentado informar regularmente as empresas das oportunidades que existem no ITER. Algumas empresas já tiveram contratos para actividades de Engenharia no âmbito do ITER  (Active Space Technologies, Fibersensing). Recentemente a ASilva Matos concluiu com sucesso um contrato para o fornecimento de tanques de Hélio para o dispositivo japonês JT60-SA também inserido no âmbito da colaboração internacional para o ITER e o ISQ celebrou há cerca de um mês um contrato de consultoria na área da qualidade.

- Como tem sido feita a divulgação deste projecto a nível nacional?

Actualmente a divulgação tem sido feita directamente junto das empresas com as quais tenho contacto (enquanto Industrial Liaison Officer para o ITER) e que demonstraram interesse no projecto e também para associações empresariais através dos emails que se encontram nas nossas bases de dados

- Como tomamos conhecimento, a construção do complexo Tokamak começou em 2013  – existem empresas portuguesas envolvidas na construção do complexo?

Que eu tenha conhecimento não existem empresas portuguesas envolvidas na construção. Creio que o facto do ITER estar a ser construído em França e ser uma instalação nuclear constitui um forte entrave à entrada das empresas nacionais na construção do complexo

- Quais considera serem as principais oportunidades para as empresas portuguesas neste projecto?

As principais oportunidades são sobretudo ao nível da engenharia nas áreas de  consultoria e serviços . Mas o sucesso da ASilva Matos demonstrou também que existem outras áreas (por exemplo, metalo-mecânica) onde Portugal pode ser competitivo

- Relativamente a equipas de investigação científica, tem conhecimento de algum grupo português envolvido? Em que área?

O Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN), a unidade de investigação que dirijo,  tem também tido um sucesso considerável na obtenção de contratos. Temos três contratos para I&D na área de diagnósticos (no valor de 11M€), desenvolvemos um protótipo de um sistema de controlo rápido, colaboramos com Indra num contrato de consultoria de Engenharia na área de instrumentação e tivemos alguns projecto na área de manipulação remota. Nestes contratos temos envolvido outras Unidades de Investigação nacionais (por exemplo, INOV e IT)

- Este é um projecto que promete revolucionar a forma como obtemos energia, Quais são as suas expectativas?

O ITER tem como objectivo provar a viabilidade científica e técnica da produção de energia eléctrica com base em processos de fusão nuclear. O projecto visa demonstrar um factor de amplificação de energia de 10 (produzir 10 vezes mais energia que a consumida para iniciar a reacção). É um passo essencial para que possamos avançar para o protótipo de um reactor comercial com capacidade para produzir e injectar electricidade na rede. As minhas expectativas são que o projecto seja um sucesso e o passo necessário para resolver os problemas energéticos da humanidade.

As vantagens da fusão nuclear (não produz CO2, combustível é abundante, segurança, custo, resíduos reduzidos) são inquestionáveis. Como em qualquer projecto de investigação existem riscos e dificuldades mas é um investimento que se pode transformar num inquestionável benefício para humanidade.

 

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Águas de Portugal vence prémio internacional de inovação

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A AdP desenvolveu um projeto designado por Redes Neuronais Artificiais, baseado em modelos inspirados no funcionamento do cérebro humano, que procura aumentar a produção de energia em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Este projeto mereceu um prémio de inovação em Istambul na área da água e energia.

Os WEX Global Awards são atribuídos anualmente no âmbito da conferência internacional Water and Energy Exchange (WEX) Global. A edição de 2015 decorreu de 23 a 25 de fevereiro em Istambul, na Turquia, com o tema “Water, Energy, and the Zero Waste Society”, e Portugal trouxe um prémio para casa.

Tecnicamente falando, este projeto, denominado Neural AD (Neural Networks + Anaerobic Digestion), visa a otimização da produção de energia a partir de biogás resultante do processo de Digestão Anaeróbica das lamas produzidas nas ETAR, na medida em que permite melhor predizer o comportamento do processo em diferentes condições operacionais.

O Neural AD foi concebido pela Águas de Portugal mas também contou com a contribuição de quatro instituições de ensino portuguesas: o Instituto Superior de Engenharia do Porto, que se juntou logo em 2013 ao projeto, e em 2014 juntou-se o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Minho. Claro que também contou com o apoio da AdP Serviços e de empresas do Grupo com operação de sistemas de saneamento, como a Simtejo e a Sanest.

Neste momento, o projeto encontra-se em fase experimental em seis ETAR do Grupo AdP, e prevê-se a extensão do projeto a mais sistemas de cogeração de biogás de lamas de ETAR do Grupo.

Afonso Lobato de Faria, presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal, destaca não só o reconhecimento internacional que este prémio alberga, “especialmente gratificante porque competimos com os grandes players internacionais” mas também o sucesso da parceria entre empresas do Grupo e o meio académico.

O Grupo Águas de Portugal integra um conjunto de empresas nacionais que operam e exploram infraestruturas de abastecimento de água, de saneamento de águas residuais e de tratamento e valorização de resíduos que servem cerca de 80% da população do território continental, nomeadamente 179 Estações de Tratamento de Água (ETA), 967 Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e uma extensão de redes de abastecimento e de saneamento de cerca de 20 mil quilómetros, entre outras.

 

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Engage SKA – Consórcio português no primeiro telescópio transcontinental

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    O SKA é o “Square Kilometre Array (SKA)” (Matriz de um quilómetro quadrado) é o projecto internacional para a construção do maior telescópio dedicado às ondas rádio. Constituído por uma matriz de detectores que cobrem uma área de um quilómetro quadrado, a escala do SKA representa um “salto de gigante” no desenvolvimento estrutural e científico actual.

O SKA usará centenas de milhares de telescópios-rádio, em três configurações diferentes. Esta matriz de telescópios permitirá monitorizar o céu com um detalhe que até aqui era impossível (50 vezes superior ao do telescópio Hubble) e de forma muito mais rápida (milhares de vezes mais rápida, pode ler-se no site).

Na verdade são dois os SKAs que irão ser construídos: um em África (no deserto Karoo na África do Sul) e um na Austrália (região de Murchison). O primeiro ficará responsável pela recepção das frequências altas e médias (dos 3MHz até aos 20GHz), enquanto o segundo ficará responsável pelas frequências mais baixas (abaixo dos MHz) e por albergar a maioria da instrumentação de análise de dados.

Este projecto pretende ajudar a encontrar respostas sobre as principais questões da astronomia moderna: Como evoluem as galáxias ? O que é a matéria e a energia escura? Qual a origem e como se deu a evolução do magnetismo cósmico? Entre outras.

De acordo com o projecto, os trabalhos nos terrenos já começaram, assim como a verificação e testes dos dispositivos, estando prevista uma primeira matriz de sistemas protótipo para o próximo ano, 2016. Finalmente, a construção da versão-final das matrizes de telescópios começará em 2018 e deverá estender-se até 2023, embora em 2020 já se esperam os primeiros resultados científicos.

Este projecto resultará de um esforço mundial no qual estão directamente envolvidas 100 organizações de 20 países diferentes. Não é para menos dada a tarefa colossal de transferência, armazenamento e análise dos dados recebidos, que irá ultrapassar a quantidade total de dados que são transferidos actualmente na internet.

 

- Os dados recolhidos pelo SKA num único dia precisariam de dois milhões de anos, aproximadamente, para serem reproduzidos por um iPod.-

 

Apesar de Portugal ainda não ser um dos onze países membros da SKA Organisation, quer ajudar de forma significativa no desenvolvimento dos telescópios rádio. A EngageSKA é o nome do consórcio português composto por cinco instituições ligadas ao mundo académico (Instituto de Telecomunicações, as universidades de Aveiro, do Porto e de Évora e o Instituto Politécnico de Beja) e por sete empresas (Martifer Solar, Critical Software, Active Space Technologies, LC Technologies, Portugal Telecom, Coriant e a Visabeira), coordenado por Domingos Barbosa, do Instituto de Telecomunicações em Aveiro. Os objectivos fundamentais do EngageSKA estão relacionados com o desenvolvimento estrutural, sobretudo no desenvolvimento das infra-estruturas necessárias e dos protótipos baseados nos “Aperture Arrays” que irão ser instalados em Moura. A investigação da radioastronomia fundamental também faz parte do objectivo deste consórcio, através da criação e teste de desenvolvimento de modelos usando computadores de alta performance, entre outros objectivos.

 

Este, é sem dúvida, um projecto a seguir. Uma ambição a nível mundial que nos permitirá abrir a janela dos sentidos para o Universo (ainda) escondido.

 

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fnte: UA e  http://unitedkingdom.skatelescope.org/ska-project/

Universidade de Cambridge: Aluna da Marinha Grande teve a melhor nota do mundo

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Maria Miguel Cardoso Carlos estudou, até ao 12ºano, no CLIC – Colégio Luso-Internacional do Centro, na Marinha Grande e frequenta actualmente o primeiro ano de Medicina da Faculdade de Lisboa. Jogar futebol é a sua maior paixão e quando tem tempo, gosta de passear, fazer bolos e ver filmes e séries.
A jovem de 18 anos foi distinguida pelo departamento de exames internacionais da Universidade de Cambridge com o prémio “Cambridge Top in the World”. Maria Carlos obteve a média final de 93 pontos, anota mais alta entre os alunos de mais de 9.000 escolas em cerca de 160 países.

A Excelência Portugal quis conhecer esta aluna de excelência e aqui fica a pequena entrevista.

MC2 uma das minhas motivações para entrar em Medicina foi o facto de poder ir em missões de voluntariado para os países que precisam mais da nossa ajuda, países onde não há acesso a serviços de saúde, países onde uma simples consulta pode fazer uma enorme diferença.

 

 

 

P:  Que significado teve para ti esta distinção?
R: Esta distinção teve um significado enorme para mim, foi tanto uma motivação para futuros trabalhos bem como foi o reconhecimento de anos de esforço. Não é todos os dias que se é distinguido por ser a melhor do mundo, mas para o fazerem a mim é um orgulho gigante, principalmente numa área que eu sempre me interessei.

P: Tens hábitos de estudo especiais?
R: Nada de especial, a única condição que necessito é silêncio absoluto para me conseguir concentrar e post-its para escrever aquilo que sei que me vou esquecer. Bem como tento sempre enquadrar o estudo com o futebol visto que sempre fez e sempre fará um papel axial na minha vida.

P: Pensaste em estudar no Reino Unido?
R: Sim, já pensei imensas vezes nisso mas nunca foi possível devido a questões financeiras e porque a minha família está em portugal, penso que seria dificil deixá-la.

P: O que te levou a optar pela Medicina?
Sempre tive uma paixão pela saúde e penso que este curso é uma das melhores maneiras para ajudar aqueles que precisam. No entanto, não penso em ficar a minha vida toda num hospital pois uma das minhas motivações para entrar em Medicina foi o facto de poder ir em missões de voluntariado para os países que precisam mais da nossa ajuda, países onde não há acesso a serviços de saúde, países onde uma simples consulta pode fazer uma enorme diferença.

 

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Prémio Terre de Femmes da Fundação Yves Rocher – Milene Matos é a representante portuguesa na final mundial de Paris

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Milene Matos, bióloga da Universidade de Aveiro (UA) é a vencedora nacional do prémio Terre de Femmes. Instituído pela Fundação Yves Rocher, o galardão atribuído a 3 de março pretende homenagear o trabalho das mulheres que, por todo o mundo, contribuem para salvaguardar o mundo vegetal e para melhorar o meio ambiente, agindo simultaneamente para o bem-estar da sociedade. Responsável pelo projeto “Biodiversidade para Todos”, Milene Matos tem usado o património natural, histórico e cultural da Mata Nacional do Buçaco para erguer um serviço educativo com funções pedagógicas, mas também sociais e de promoção e proteção da biodiversidade local.

A Excelência Portugal convidou Milene Matos a contar a sua história na primeira pessoa.

É crucial colocar a gestão de valores naturais e ambientais não só nas agendas de trabalhos, mas na filosofia diária de cada um.

Filha de emigrantes, nasci no Luxemburgo em 1982. Ali, naquele país cosmopolita e multicultural cresci e aprendi, naturalmente, cinco línguas. Hoje reconheço o quão importante foi este aspecto para o meu futuro. Quando tinha dez anos os meus pais regressaram para Portugal, para uma aldeia do interior, no concelho de Tondela. Foi um choque enorme, pois Portugal no início dos anos 90 estava muito longe do que é hoje, e certamente a anos-luz do que era a Europa central. Mas lá me adaptei, com maior facilidade a partir do 2º ano. Desengane-se quem pensa que pelo facto de os meus pais terem sido emigrantes, que tivemos uma vida folgada. Na verdade cresci, junto com os meus irmãos, sempre com muitas dificuldades, aliadas a alguma disfuncionalidade familiar, o que também se veio a revelar fundamental para o que aí viria. As melhores ‘coisas’ de viver no interior eram a simplicidade e capacidade de ‘desenrasque’ das pessoas, privadas de muitas condições hoje tidas como normais; e o permanente contacto com a natureza. O que estava errado com o ambiente já nessa época mexia comigo.

Segui o percurso escolar normal, tendo concluído o secundário com uma boa classificação, sendo que era quase ‘obrigada’ a seguir para medicina. Mas essa não era a minha vocação. Coloquei medicina em terceira opção, apenas para dizer que sim senhor, coloquei na candidatura. Entrei na primeira opção, em Biologia, Universidade de Aveiro – e hoje vejo o quão acertada foi esta decisão. Com um percurso atribulado em termos pessoais e financeiros, lá concluí a licenciatura, do meio em diante já trabalhando em serviços de biologia para conseguir sustentar os estudos.

O meu projeto de fim de curso resultou num livro publicado pela Universidade, sobre as aves do campus universitário, em que fiz o trabalho de campo, pesquisa, escrevi, consegui fotografar algumas aves e ilustrei outras. Devido a este trabalho, os meus orientadores propuseram-me um estágio na Mata Nacional do Buçaco, cuja fauna era desconhecida. Aceitei com grande entusiasmo, uma floresta inteira por descobrir… A primeira visita foi um momento definitivamente marcante. A cada curva do caminho, a cada ramo retorcido, a cada rocha coberta de quarenta diferentes musgos sentia um fascínio a crescer. Este fascínio é partilhado por todos os que visitam e vivem regularmente o Buçaco. Esse fascínio, em mim, cresceu sob a forma de amor duradouro e não mais dali me afastei. Nesse ano não me limitei às aves. Iniciei o estudo de toda a fauna de vertebrados, e continuei por ali o meu doutoramento, tendo recusado uma bolsa para um doutoramento financiado na Amazónia. Achei que o Portugal, e aquela Mata em particular, precisavam de mais ajuda, pelo seu desconhecimento, e pela enorme importância biocultural que em si encerram. E assim foi. O doutoramento significou cerca de seis anos intensivos, com cerca de zero dias de descanso, a trabalhar noite e dia, para estudar desde as vespertinas aves aos noctívagos morcegos e javalis. Um caminho longo, solitário e doloroso, mas que veio provar cientifica e indubitavelmente o valor da Mata do Buçaco e da agricultura de subsistência para o ambiente e sociedade. Ligando estas duas áreas, criava-se o embrião do que viria a ser o meu pós-doutoramento, actualmente em curso: ligar a ciência à sociedade, utilizando para isso o magnífico laboratório vivo que é a Mata Nacional do Buçaco. Este tesouro tem ali reunidas todas as condições naturais, históricas, patrimoniais e sociais para edificar um serviço de educação para a sustentabilidade de excelência. Escasseiam os meios, mas é nisso que se trabalha todos os dias. E é nisso que se baseia este Prémio Terre de FEMMES. Mais do que ciência, educação, história, religião… A Mata tem a capacidade de mudar vidas. O Projecto ‘Biodiversidade para Todos’ é a definição de inclusão, reunindo todas as pessoas dos mais diversos estratos etários ou sociais, em torno dos valores naturais. Sem biodiversidade não vivemos, e a biodiversidade precisa da nossa ajuda. Pelo caminho, constroem-se oportunidades para as pessoas. Mudam-se vidas.

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O Prémio e a divulgação com ele conseguida, bem como o meu trabalho, não se esgotam na Mata do Buçaco. Esta é o veículo, mas os projectos futuros passam por replicar às devidas escalas a filosofia adjacente ao projecto noutras áreas, com o apoio da Universidade de Aveiro, tão voltada para a sociedade.
A importância deste prémio é fundamental, não só pelo imediato apoio financeiro, quer permitirá suprir algumas lacunas e necessidades urgentes, mas também pela projeção do trabalho feito. É do meu entender que este prémio sensibilizará a opinião pública para o trabalho que tantos colegas têm feito por Portugal, pela natureza e pelo ambiente, de uma forma em geral. É importante que se entenda que todos nós ‘somos natureza’.
É crucial colocar a gestão de valores naturais e ambientais não só nas agendas de trabalhos, mas na filosofia diária de cada um.

E estamos num País privilegiado para o fazer, sendo Portugal um ’hotspot’ de biodiversidade a nível global. Haja vontade, comprometimento, e apoio. E este apoio por vezes revela-se de formas nem sempre totalmente esperadas. Por exemplo, neste momento há um apoio muito simples, mas muito importante, que os Portugueses podem dar aos trabalhos em conservação da natureza em Portugal, em particular no do Buçaco. Tendo o projecto ‘Biodiversidade para Todos’ vencido o Prémio Nacional Terre de Femmes, atribuído pela Fundação Yves Rocher, tornou-se automaticamente candidato ao Prémio Internacional. Cada pessoa pode votar no projeto Português, selecionando o meu nome em www.terredefemmes.org, uma vez por dia e com cada conta de email, facebook e twitter, até dia 20 de março. No dia 2 de abril, em Paris, decorrerá a cerimónia Terre de Femmes internacional, onde será atribuído o prémio votado pelo público, e ainda um prémio eleito pelo júri. Pela importância de trazer este tipo de prémio tão conceituado para Portugal, apelo ao voto de todos.

Quando participo em eventos internacionais, percepciono que os estrangeiros têm uma visão de que somos um povo muito trabalhador e dedicado, muito na vanguarda das tecnologias, mas por vezes pouco eficaz. No caso particular da conservação da natureza, perguntam-se como é que com tão poucos meios conseguimos ir fazendo tanto trabalho de qualidade. Com melhores meios seremos ainda mais eficazes. E por tudo isto, para honrar o trabalho de todos e chamar a atenção para a qualidade do que por cá se faz, apelo a todos para votarem no projecto português a concurso. Um voto por dia, por todos nós.

texto: Milene Matos
fotos: DR

Entrevista – Marcelo Barbosa, investigador do grupo IFIMUP-IN da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

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Marcelo Barbosa, investigador do grupo IFIMUP-IN da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, ganhou no final do ano passado um prémio atribuído ao melhor poster com trabalho de investigação realizado e apresentado por um jovem investigador na conferência comemorativa dos 50 anos do laboratório de feixes de iões radioactivos ISOLDE-CERN  em Genebra, Suíça.

 

1) Podes contar-nos um pouco da tua história recente. Estás actualmente a realizar o doutoramento, qual é o teu tema?

O meu doutoramento é focado no estudo da estrutura electrónica, estabilidade e posição de átomos dopantes em nano-estruturas e filmes finos de semicondutores de grande largura de banda, como por exemplo Ga2O3, ZnO, GaN e AlN. Para este estudo utilizamos técnicas hiperfinas com núcleos sonda radioactivos.

Estes são materiais de grande interesse a nível tecnológico, nomeadamente para aplicações em nano- e microelectrónica, nano-fotónica e nano-sensores.

 

2) Em que materiais as técnicas hiperfinas são mais úteis e que informação é possível retirar sobre os materiais estudados por esta técnica?

Técnicas hiperfinas são todos os dias utilizadas nos hospitais quando se faz, por exemplo, um exame de ressonância magnética nuclear. A informação que se obtém é muito local, à escala do átomo sonda que vê o que se passa na sua vizinhança imediata. Nós utilizamos átomos radiaoctivos para ter acesso a sondas de muitos elementos diferentes, com propriedades diferentes e assim colectar uma informação mais completa do comportamento de certos elementos nos materiais.

Nas nossas medidas experimentais, é introduzida uma pequeníssima quantidade de átomos de um elemento radioactivo no material em estudo, os quais vão funcionar como sondas “hiperfinas”. A radiação que esses átomos libertam durante o seu decaimento permite-nos obter informação sobre o ambiente em seu redor à escala dos nanómetros, ou seja, permite-nos estudar propriedades do material onde se encontram a uma escala mais pequena do que qualquer microscópio permitiria. Desta forma, podemos por exemplo localizar impurezas e defeitos ao nível atómico, observar mudanças de fase nos materiais, controlar o crescimento de nano-estruturas, ou até mesmo fazer medidas in-vivo, como no estudo das propriedades bioquímicas de proteínas.

São técnicas com uma aplicabilidade bastante abrangente, tendo já sido utilizadas por exemplo no estudo de materiais semicondutores, magnéticos, multiferróicos, em grafeno, nanopartículas e em compostos biológicos como proteínas e DNA.

 

3) Em que medida o teu trabalho contribuiu para o desenvolvimento da técnica hiperfina?

A técnica hiperfina com a qual tenho estado a trabalhar baseia-se na medição da distribuição de carga eléctrica à volta das sondas (átomos) radioactivas que são inseridas nos materiais em estudo. É através da distribuição de carga que conseguimos por exemplo dizer qual a posição atómica das sondas, quem são os átomos vizinhos, quais as impurezas ou defeitos existentes, etc. Nestas circunstâncias, a distribuição de carga é constante ao longo da medida.

O meu trabalho tem sido o desenvolvimento de ferramentas que permitem o uso desta técnica em situações em que a distribuição de carga varia ao longo da medida, permitindo-nos, por exemplo, observar a recuperação electrónica depois de “arrancarmos” um electrão à nossa sonda. Essa recuperação é feita por electrões cedidos pelo material onde se encontra a sonda, ou seja, este tipo de medidas dá-nos informação sobre a facilidade com que os electrões se movem ou não no material, onde eles se vão fixar, mesmo que temporariamente,  e qual a sua concentração.   

 

4) Especificamente, podes desenvolver um pouco sobre o trabalho que apresentaste no CERN?

No trabalho que apresentei no CERN foi usada uma técnica hiperfina em amostras de Ga2O3 após implantação de iões radioactivos de cádmio e índio, com o objectivo de se determinar a localização de sondas de cádmio e as propriedades electrónicas à volta desses átomos de cádmio nesse material.

Ga2O3 pertence aos denominados óxidos condutores transparentes e é um material bastante promissor para aplicações em fotónica. No entanto, a dopagem do tipo-p (excesso de cargas positivas) necessária para a utilização deste material a nível tecnológico ainda não foi conseguida, sendo que o cádmio é um dos candidatos mais promissores para este tipo de dopagem.

 

5) Parte do teu trabalho experimental é realizado no ISOLDE, no CERN. O que achas que melhor distingue este centro de excelência? Em que medida julgas que contribuiu para a tua educação científica?

O ISOLDE-CERN é reconhecido como o laboratório líder a nível mundial na produção de isótopos radioactivos exóticos. Neste momento, o ISOLDE produz mais de 1000 isótopos e isómeros de 75 elementos químicos, os quais podem ser usados sob a forma de feixe de iões altamente puros. Tendo em conta que o uso de técnicas hiperfinas depende do acesso a isótopos radioactivos, é imediato perceber a enorme vantagem que é poder usufruir de uma infraestrutura como o ISOLDE. Para além disso, o ISOLDE faz parte do CERN, uma das melhores instituições de investigação científica a nível mundial, onde trabalham alguns dos melhores cientistas da actualidade. Poder trabalhar numa instituição desta dimensão e importância é uma oportunidade única pois tem-se acesso a condições laboratoriais únicas, associado ao facto de se trabalhar em colaboração com os maiores especialistas na minha área de investigação. O conhecimento e experiência que tenho vindo a adquirir no CERN em termos de física nuclear e física dos materiais dificilmente conseguiria em algum outro lugar.  

 

6) Grande parte do trabalho realizado no CERN pode ser considerado de Física fundamental, como a descoberta do bosão de Higgs há dois anos. Como classificas a importância deste tipo de estudo e como achas que se enquadra no contexto actual?

A descoberta do bosão de Higgs foi um dos momentos mais marcantes dos últimos anos para a comunidade científica, mas para as pessoas fora da ciência nem sempre é fácil compreenderem os elevados gastos que experiências deste calibre têm quando não parecem ter aplicações práticas no dia-a-dia, mas todo o desenvolvimento tecnológico necessário para as realizar tem grande impacto a um nível mais geral. A World Wide Web e o HTML, as duas bases daquilo que para nós é a internet hoje em dia, foram desenvolvidas no CERN para facilitar a partilha de resultados experimentais entre cientistas. Um dos primeiros touchscreens a ser construído (e provavelmente o primeiro a ser usado em termos práticos) também foi criado no CERN, para a sala de controlo de um dos aceleradores de partículas. Foram tudo invenções com objectivos científicos e que hoje são usados por quase toda a gente.

 

7) Neste contexto, como posicionas a importância da tua própria investigação.

A minha investigação é feita num ramo mais aplicado da Física aos materiais. Usamos técnicas únicas – que produzem informação – a um nível muito científico e fundamental, ou seja, apesar dos meus resultados poderem vir a ser importantes em aplicações tecnológicas futuras, o meu interesse é na explicação física dos fenómenos que observamos e não em como os podemos usar em termos práticos. Todavia – quase todos os materiais que estudamos se tornaram interessantes por terem potenciais aplicações e problemas por resolver e compreender – é essa a nossa tarefa!

 

8) Voltando ao contexto nacional, como caracterizas o estado da ciência nacional e em que medida achas que o CERN contribuiu para a ciência nacional.

Toda a gente está a sentir a crise que se vive neste momento no nosso país, e a comunidade científica não é excepção. Têm sido feitos cortes enormes no apoio às universidades e institutos de investigação, já para não falar na dificuldade cada vez maior em se conseguirem bolsas de doutoramento ou posições como investigador. Hoje em dia é quase ilusório pensar-se em fazer uma carreira científica em Portugal  tal é a dificuldade em se obterem bolsas de doutoramento e pós-doutoramento ou, pior ainda, conseguir-se um contrato como investigador. Além disso, quem consegue essas bolsas ou contratos tem os orçamentos muito apertados, o que complica a realização de experiências de qualquer tipo. Mesmo assim continua-se a fazer ciência de topo no nosso país, temos cientistas muito bons cá. No CERN existem imensos portugueses a trabalhar, mas existem ainda mais que como eu vão lá fazer experiências por curtos períodos de tempo e voltam, trabalhando em nome de institutos portugueses, por isso eu diria que o CERN tem sido um bom impulsionador da ciência nacional.

 

9) E no futuro, o que gostarias de fazer depois de terminado o doutoramento?

Eu gostaria de continuar a fazer carreira como investigador, por isso depois de terminado o doutoramento tudo aponta para que concorra a um pós-doutoramento, que é o caminho mais natural para quem quer continuar a fazer investigação.

 

foto: DR

GALP CREATE tem 25 mil euros para estudantes de artes, design e marketing

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Os estudantes do Ensino Superior em áreas como o Design, Artes Plásticas ou Marketing, podem submeter as suas ideias ao Galp Create. Esta competição tem três concursos distintos e prémios monetários num valor global de 25 mil euros.

A participação pode ser a título individual ou em equipa de 2 elementos, compostas por estudantes universitários, preferencialmente com formação em áreas como Design, Artes Plásticas, Publicidade, Marketing, Cinema, Audiovisuais, e pequenas-micro empresas ligadas a estas áreas.

A competição conta com o apoio da Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing, da Associação Nacional de Designers e da Staples.

 

As candidaturas estão abertas até ao dia 28 de fevereiro.

mais informação em: http://galpcreate.galpenergia.com/