My Story Hotel Rossio promete transformar qualquer turista que visite Lisboa num viajante, mesmo nas viagens mais curtas.

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O My Story Hotel Rossio é o Hotel mais recente da capital portuguesa e promete transformar qualquer turista que visite Lisboa num viajante, mesmo nas viagens mais curtas.

Num dos edifícios da Praça Dom Pedro IV, mundialmente conhecida como Rossio, inaugurou este mês mais um hotel da cadeia My Story Hotels que conta também com um bar e restaurante.

Depois do sucesso do My Story Hotel Ouro que, apesar do seu recente um ano de vida, é considerado um dos 20 melhores hoteis de Lisboa e está classificado na 9ª posição do site booking.com, a abertura de um novo espaço era o passo natural desta cadeia de hotéis que prima por  excelentes localizações, um conforto inigualável e um preço altamente competitivo.

Orientado segunda a perspectiva que a melhor forma de conhecer um local é a proximidade e a integração no mesmo, o My Story Hotel Rossio destina-se maioritariamente a turistas internacionais que escolhem Lisboa para  uma City Break e que procuram todas as características de um hotel de 3 e 4 estrelas e experienciar o acolhimento genuíno tão característico da cidade de Lisboa.

Por isso será de esperar ser surpreendido por pequenos detalhes, um enquadramento que permite sentir a história do lugar e um atendimento personalizado. Tudo para que os hóspede, para além de bem recebidos, se possam sentir  verdadeiramente acolhidos pelo destino que visitam, a começar pelo hotel que escolhem ficar.

Com uma decoração original e simples em que Lisboa dita o tema, o hotel apresenta 46 quartos onde o elemento principal é a vista sobre a praça que lhe dá o nome. Através da sua fachada e elementos arquitectónicos , é impossível não sentir a história do edifício e da própria cidade, que se foi transformando pelas histórias de cada um que nela viveu.

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Sem dúvida um hotel com as janelas voltadas para Lisboa e que convida cada viajante não só a descobrir a sua História mas também a criar as suas próprias.
fotos: DR

NOOCITY – “Uma horta em qualquer lugar”

FotoEquipe

A Noocity é uma empresa dedicada ao desenvolvimento de soluções práticas e eficientes para a agricultura urbana.  O objectivo desta startup portuense é incentivar a práctica de hábitos e rotinas mais ecológicos e saudáveis, tornando o dia a dia dos cidadãos urbanos modernos mais fácil e agradável.

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a Noocity para mim, tem sido sobretudo um desafio, um projecto em que acredito bastante, por se tratar, em certa medida, de um novo tipo de indústria, mais sustentável. Tem sido um prazer e é um orgulho fazer parte deste projecto inteiramente desenvolvido em Portugal.

– Leonor Babo (Responsável pela área de comunicação)

A ideia surgiu na primavera de 2013 quando os amigos José Ruivo, Pedro Monteiro e Samuel Rodrigues resolveram montar uma horta num pátio de um prédio no centro da cidade do Porto.  Por não encontrarem produtos adequados para agricultura urbana decidiram cultivar os seus próprios alimentos, juntaram esforços e experiências em arquitectura e permacultura e resolveram construir os seus equipamentos.

No verão do mesmo ano já partilhavam legumes e ervas aromáticas que cresciam aos montes numa série de caixas e sistemas onde antes só havia cimento. Os protótipos foram evoluindo e os três perceberam que poderiam transformá-los em produtos, a ideia amadureceu, tomou forma e em Setembro do mesmo ano nasce oficialmente a Noocity Ecologia Urbana.

O nome Noocity surge da mistura entre o prefixo NOO que representa a consciência colectiva e a palavra CITY que faz referencia ao universo urbano. A empresa quer ajudar a trazer a produção de alimentos para dentro de casa, desenvolvendo equipamentos eficientes e acessíveis que permitem que as pessoas produzam comida nas cidades de forma simples e ecológica.

O objectivo da Noocity é contribuir para uma sociedade cada vez mais consciente e autónoma, fornecendo as ferramentas necessárias para agir reorganizando a paisagem urbana, a relação com a alimentação e a vida em comunidade.

Os produtos da Noocity funcionam com base num sistema de subirrigação, que reduz o consumo de água (menos 80% do que os sistemas convencionais) e se adequa às necessidades da espécie plantada. Esta técnica facilita o trabalho a utilizadores menos familiarizados com a actividade hortícola. A própria montagem dos produtos é simples e não requer ferramentas extra. Os materiais utilizados possuem, ainda, um certificado de não-toxicidade. A Growbed vem em três dimensões (S, M e L) e permite múltiplas configurações mediante o espaço a ocupar. A Growpocket foi pensada para o cultivo vertical, pelo que é colocada sobretudo em superfícies como paredes e muros.

Para financiar a primeira produção em grande escala, a Noocity iniciou, em finais de Fevereiro,, a sua primeira campanha de crowdfunding.  A fasquia inicial de 30 mil euros (num mês) foi ultrapassada em menos de uma semana. O objectivo está, agora,fixado nos  70 mi euros, o que pode vir a permitir a integração um sistema de compostagem na Growbed. Cada donativo, dependendo do seu valor, corresponde a uma recompensa dentro da gama Noocity.

http://youtu.be/dUX1aGdADb4

Depois de Espanha e Italia, a Noocity chegou agora a São Paulo. Numa das cidades mais densas e pulsantes da América Latina, existe agora uma novidade verde. Num dos seus bairros mais “descolados”, a Vila Madalena, e bem perto do já conhecido “Beco do Batman”, há um novo oásis da sustentabilidade, o Ecobeco. O Ecobeco é, para aempresa, a plataforma ideal, um espaço de convívio e aprendizagem, com atelier, oficina e horta comunitária, a casa que faltava à Noocity para se dedicar de corpo e alma ao mercado brasileiro.

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fotos: DR
http://www.noocity.com

A app da rede social Surfstoke ganha prémio europeu

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A Surfstoke é uma rede social para surfistas e amantes de ondas que promove a interacção entre praticantes, criando a solução perfeita entre surf reports fidedignos e a competição saudável.

A aplicação móvel portuguesa Surfstoke está entre as  vencedoras da competição EU Mobile Challenge, que decorreu em Barcelona, adquirindo o estatuto de melhores apps europeias. O prémio foi entregue numa cerimónia durante a maior feira de mobilidade do mundo, o Mobile World Congress.

De forma simples e intuitiva, os utilizadores da app fazem check-in mal chegam à praia, criando um surf report que integra a informação do estado do mar (fornecida pelo Instituto Hidrográfico e automaticamente carregada na app) e a sua opinião – sustentada num comentário, rating e uma fotografia. De seguida, os utilizadores têm a opção de partilhar o seu report com todos os membros da app ou apenas com 1 ou 2 amigos, salvaguardando os chamados secret spots.

Estes check-ins permitem saber rapidamente onde estão os seus amigos a surfar e quais são os spots que estão com melhores condições no momento, poupando tempo e reduzindo incerteza numa ida à praia em vão.

De forma a despertar uma vontade acrescida de surfar e superar os amigos, os utilizadores ganham pontos por cada check-in que façam, entrando directamente para o ranking Surfstoke. Os utilizadores com mais pontos têm ainda acesso a ofertas nas lojas parceiras do projecto como a Paez, ORG ou Bana, dinamizando também estes negócios. Assim, quanto mais os utilizadores surfarem e ajudarem a comunidade, mais recompensas ganharão.

A Surfstoke é gratuita e está disponível para iOS e Android, tendo sido criada por quatro empreendedores: Joana Matos, Francisco Brito, João Rodrigues e Nuno Ferro que, com o selo MIT-Portugal, pretendem melhorar a forma como os wave riders comunicam entre si.

www.getsurfstoke.com

 

fotos: DR

Najha – juntando o melhor de Portugal: cortiça e bom gosto

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Najha é uma marca de acessórios e calçado 100% portuguesa e eco-friendly. Porque nunca é de menos exaltar as marcas que apostam no que  Portugal tem de melhor, reforçando assim uma imagem de excelência em certas áreas, e no que toca à cortiça a liderança de Portugal é inquestionável.

Criada em 2009 por Daniela Sá, os produtos Najha vão desde bolsas, a chapéus, a calçado e cintos. Os materiais que os compõem resumem-se basicamente à cortiça,  que pode adquirir qualquer feitio e cor, e ao algodão, 100% orgânico, materiais que provêm de metedologias de produção com baixo impacto no meio ambiente.  Posteriormente, cada peça é manuseada manualmente, conferindo um toque único e pessoal a qualquer artigo.

Daniela Sá, que já foi nomeada em 2012 para “Designer of the Year – Accessories” pela revista de moda inglesa Drapers, apresenta assim ao mundo um conceito de Moda Sustentável muito característico e sempre com um design elegante.

Para além deste ambicioso objetivo – uma menor footprint no que toca ao ambiente -, a marca também tem como pilar a responsabilidade social, e o facto de por cada Najha vendida, contribuirem com uma percentagem para uma ONG, a “Viver100fronteiras”, comprova este compromisso.

No que diz respeito à internacionalização da marca, a Najha já está presente em Espanha, Itália, França, Canadá, México, China e Hong Kong. Segundo Daniela Sá,“Pela identidade única da Najha, o processo de internacionalização aconteceu de forma natural, havendo o apelo e interesse do exterior em comercializar os artigos Najha, reconhecendo-a como uma marca distinta e de alta qualidade de bolsas e acessórios em cortiça, com um conceito único no Mundo”.

E como não poderia deixar de ser, sinto a necessidade de envolver a economia portuguesa nesta questão. Não se trata apenas de uma “abertura de novas consciências no mundo da moda”, trata-se também de uma utilização de recursos inteligentíssima, que por certo só está a resultar devido ao extremo bom gosto da criadora, claro está. Assim, peço que tomem atenção aos seguintes dados que retirei da APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça, pois, como já referi, é inquestionável a liderança portuguesa no que toca à cortiça, e é sempre positivo termos uma noção destas estatísticas que elevam Portugal.

// Portugal tem uma área de 730 mil hectares de montado de sobro, é responsável por mais de 50% da produção mundial de cortiça.

// As exportações portuguesas de cortiça atingiram, em 2012, 846 milhões de Euros e 189 milhares de toneladas.

// A nível nacional, o valor das exportações portuguesas de cortiça representam 2% das exportações de bens portuguesas e mais 30% do conjunto das exportações portuguesas de produtos florestais.

// Como é óbvio… o sector rolheiro representa cerca de 70% do valor das exportações da indústria da cortiça. Estes produtos de moda apesar do potencial e da propaganda nacional, representam uma pequeníssima percentagem desta indústria corticeira.

 

Como nota final, fica aqui um agradecimento a estas marcas portuguesas que apostam nos nossos recursos naturais de uma forma inovadora e um desejo de que este empreendedorismo nacional continue a crescer.

 

fotos: DR

Prémio Terre de Femmes da Fundação Yves Rocher – Milene Matos é a representante portuguesa na final mundial de Paris

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Milene Matos, bióloga da Universidade de Aveiro (UA) é a vencedora nacional do prémio Terre de Femmes. Instituído pela Fundação Yves Rocher, o galardão atribuído a 3 de março pretende homenagear o trabalho das mulheres que, por todo o mundo, contribuem para salvaguardar o mundo vegetal e para melhorar o meio ambiente, agindo simultaneamente para o bem-estar da sociedade. Responsável pelo projeto “Biodiversidade para Todos”, Milene Matos tem usado o património natural, histórico e cultural da Mata Nacional do Buçaco para erguer um serviço educativo com funções pedagógicas, mas também sociais e de promoção e proteção da biodiversidade local.

A Excelência Portugal convidou Milene Matos a contar a sua história na primeira pessoa.

É crucial colocar a gestão de valores naturais e ambientais não só nas agendas de trabalhos, mas na filosofia diária de cada um.

Filha de emigrantes, nasci no Luxemburgo em 1982. Ali, naquele país cosmopolita e multicultural cresci e aprendi, naturalmente, cinco línguas. Hoje reconheço o quão importante foi este aspecto para o meu futuro. Quando tinha dez anos os meus pais regressaram para Portugal, para uma aldeia do interior, no concelho de Tondela. Foi um choque enorme, pois Portugal no início dos anos 90 estava muito longe do que é hoje, e certamente a anos-luz do que era a Europa central. Mas lá me adaptei, com maior facilidade a partir do 2º ano. Desengane-se quem pensa que pelo facto de os meus pais terem sido emigrantes, que tivemos uma vida folgada. Na verdade cresci, junto com os meus irmãos, sempre com muitas dificuldades, aliadas a alguma disfuncionalidade familiar, o que também se veio a revelar fundamental para o que aí viria. As melhores ‘coisas’ de viver no interior eram a simplicidade e capacidade de ‘desenrasque’ das pessoas, privadas de muitas condições hoje tidas como normais; e o permanente contacto com a natureza. O que estava errado com o ambiente já nessa época mexia comigo.

Segui o percurso escolar normal, tendo concluído o secundário com uma boa classificação, sendo que era quase ‘obrigada’ a seguir para medicina. Mas essa não era a minha vocação. Coloquei medicina em terceira opção, apenas para dizer que sim senhor, coloquei na candidatura. Entrei na primeira opção, em Biologia, Universidade de Aveiro – e hoje vejo o quão acertada foi esta decisão. Com um percurso atribulado em termos pessoais e financeiros, lá concluí a licenciatura, do meio em diante já trabalhando em serviços de biologia para conseguir sustentar os estudos.

O meu projeto de fim de curso resultou num livro publicado pela Universidade, sobre as aves do campus universitário, em que fiz o trabalho de campo, pesquisa, escrevi, consegui fotografar algumas aves e ilustrei outras. Devido a este trabalho, os meus orientadores propuseram-me um estágio na Mata Nacional do Buçaco, cuja fauna era desconhecida. Aceitei com grande entusiasmo, uma floresta inteira por descobrir… A primeira visita foi um momento definitivamente marcante. A cada curva do caminho, a cada ramo retorcido, a cada rocha coberta de quarenta diferentes musgos sentia um fascínio a crescer. Este fascínio é partilhado por todos os que visitam e vivem regularmente o Buçaco. Esse fascínio, em mim, cresceu sob a forma de amor duradouro e não mais dali me afastei. Nesse ano não me limitei às aves. Iniciei o estudo de toda a fauna de vertebrados, e continuei por ali o meu doutoramento, tendo recusado uma bolsa para um doutoramento financiado na Amazónia. Achei que o Portugal, e aquela Mata em particular, precisavam de mais ajuda, pelo seu desconhecimento, e pela enorme importância biocultural que em si encerram. E assim foi. O doutoramento significou cerca de seis anos intensivos, com cerca de zero dias de descanso, a trabalhar noite e dia, para estudar desde as vespertinas aves aos noctívagos morcegos e javalis. Um caminho longo, solitário e doloroso, mas que veio provar cientifica e indubitavelmente o valor da Mata do Buçaco e da agricultura de subsistência para o ambiente e sociedade. Ligando estas duas áreas, criava-se o embrião do que viria a ser o meu pós-doutoramento, actualmente em curso: ligar a ciência à sociedade, utilizando para isso o magnífico laboratório vivo que é a Mata Nacional do Buçaco. Este tesouro tem ali reunidas todas as condições naturais, históricas, patrimoniais e sociais para edificar um serviço de educação para a sustentabilidade de excelência. Escasseiam os meios, mas é nisso que se trabalha todos os dias. E é nisso que se baseia este Prémio Terre de FEMMES. Mais do que ciência, educação, história, religião… A Mata tem a capacidade de mudar vidas. O Projecto ‘Biodiversidade para Todos’ é a definição de inclusão, reunindo todas as pessoas dos mais diversos estratos etários ou sociais, em torno dos valores naturais. Sem biodiversidade não vivemos, e a biodiversidade precisa da nossa ajuda. Pelo caminho, constroem-se oportunidades para as pessoas. Mudam-se vidas.

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O Prémio e a divulgação com ele conseguida, bem como o meu trabalho, não se esgotam na Mata do Buçaco. Esta é o veículo, mas os projectos futuros passam por replicar às devidas escalas a filosofia adjacente ao projecto noutras áreas, com o apoio da Universidade de Aveiro, tão voltada para a sociedade.
A importância deste prémio é fundamental, não só pelo imediato apoio financeiro, quer permitirá suprir algumas lacunas e necessidades urgentes, mas também pela projeção do trabalho feito. É do meu entender que este prémio sensibilizará a opinião pública para o trabalho que tantos colegas têm feito por Portugal, pela natureza e pelo ambiente, de uma forma em geral. É importante que se entenda que todos nós ‘somos natureza’.
É crucial colocar a gestão de valores naturais e ambientais não só nas agendas de trabalhos, mas na filosofia diária de cada um.

E estamos num País privilegiado para o fazer, sendo Portugal um ’hotspot’ de biodiversidade a nível global. Haja vontade, comprometimento, e apoio. E este apoio por vezes revela-se de formas nem sempre totalmente esperadas. Por exemplo, neste momento há um apoio muito simples, mas muito importante, que os Portugueses podem dar aos trabalhos em conservação da natureza em Portugal, em particular no do Buçaco. Tendo o projecto ‘Biodiversidade para Todos’ vencido o Prémio Nacional Terre de Femmes, atribuído pela Fundação Yves Rocher, tornou-se automaticamente candidato ao Prémio Internacional. Cada pessoa pode votar no projeto Português, selecionando o meu nome em www.terredefemmes.org, uma vez por dia e com cada conta de email, facebook e twitter, até dia 20 de março. No dia 2 de abril, em Paris, decorrerá a cerimónia Terre de Femmes internacional, onde será atribuído o prémio votado pelo público, e ainda um prémio eleito pelo júri. Pela importância de trazer este tipo de prémio tão conceituado para Portugal, apelo ao voto de todos.

Quando participo em eventos internacionais, percepciono que os estrangeiros têm uma visão de que somos um povo muito trabalhador e dedicado, muito na vanguarda das tecnologias, mas por vezes pouco eficaz. No caso particular da conservação da natureza, perguntam-se como é que com tão poucos meios conseguimos ir fazendo tanto trabalho de qualidade. Com melhores meios seremos ainda mais eficazes. E por tudo isto, para honrar o trabalho de todos e chamar a atenção para a qualidade do que por cá se faz, apelo a todos para votarem no projecto português a concurso. Um voto por dia, por todos nós.

texto: Milene Matos
fotos: DR

Farfetch é uma “billion dollar company”

A Farfetch anunciou o financiamento de 76 milhões de euros (85 milhões de dólares) na quinta ronda de investimento liderada pela DST Global. Este novo investimento avalia a empresa luso-britânica em 894 milhões de euros (mil milhões de dólares).

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José Neves (fundador da Farfetch) foto: Robert Astley Sparke

O fundo será usado especificamente  na expansão internacional com novos sites de idiomas locais, incluindo alemão, coreano e espanhol (para Espanha e América Latina); abrir novos escritórios em mercados globais estratégicos; também aproximar-se dos novos mercados Japão e Austrália devido à procura/potrncial nestas praças. O investimento também irá acelerar o crescimento dos serviços omni-channel da empresa e ofertas aos clientes, incluindo entrega em um dia útil em vários mercados globais, além do contínuo crescimento dos programas VIP e de fidelidade para consumidores da Farfetch em 180 países.

José Neves, fundador e CEO da Farfetch, comentou: “Tivemos uma jornada incrível até agora e é óptimo adicionar a DST Global para o nosso já fantástico grupo de investidores para a próxima fase de crescimento da Farfetch. O desafio agora é continuar a inovar e focar na criação de uma marca global duradoura”.

A Farfetch é uma forma revolucionária de comprar moda. O site pioneiro reúne mais de 300 das melhores boutiques de designers independentes do mundo, desde Paris, Nova York e Milão até Bucareste, Kuwait e Tóquio. As boutiques parceiras Farfetch ocupam um total de 1 milhão de metros quadrados de espaço de venda a retalho em 30 países. Permitem que os clientes Farfetch, através de 180 países em todo o mundo, possam fazer compras de uma gama incomparável de marcas e peças únicas.

As lojas parceiras foram cuidadosamente selecionadas pela sua abordagem única, com visão de futuro, atitude e diversidade, e incluem boutiques de renome como Browns em Londres, L’Eclaireur em Paris, H. Lorenzo em LA, Fivestory em Nova York e Smets no Luxemburgo.

Fundada em 2008 pelo empresário português José Neves, a Farfetch oferece a estas boutiques físicas a oportunidade de competir com os principais players do reatalho online. E, para os amantes da moda, oferece a oportunidade de comprar pelo mundo.  A Farfetch é uma empresa luso-britânica, mas a tecnologia da Farfetch é 100% portuguesa, desenvolvida em Leça da Palmeira.

Em entrevista com Francisco Spínola

FS

Personalidade do ano, na 19ª edição da Gala do Desporto da Confederação do Desporto de Portugal, no passado novembro, Francisco Spínola é  administrador da Ocean Events Portugal e um dos grandes responsáveis pela inclusão de Portugal no mapa da elite do surf mundial, com a realização em Peniche de uma das etapas do circuito mundial da ASP, o Rip Curl Pro Portugal.
Costumo dizer que não somos o maior país de surf do mundo, mas somos talvez o mais consistente país de surf do mundo, há sempre um canto que dá ondas!
intro

A minha primeira entrevista presencial … saí de casa com uma hora de antecedência, mas o meu sentido de orientação fenomenal traiu-me e acabou por acontecer o seguinte: entrevistado a ir buscar entrevistadora. Já com um ligeiro atraso, numa sala de reuniões na sede da sua empresa, a NIU-Brand Activation, num tom super relaxado e informal, tive uma conversa espectacular com o principal responsável pela presença dos maiores eventos de surf em Portugal. Mesmo quem não tem interesse pelo desporto, deve ter noção de que o surf tem feito com que Portugal esteja nas bocas do mundo e que a sua contribuição para a economia portuguesa está a ser cada vez maior. Pelo trabalho desenvolvido e  pela oportunidade de o entrevistar, obrigada Francisco!

 

O Francisco está por detrás da organização dos mais importantes eventos ligados ao surf cá em Portugal. Antes de passarmos a questões mais complexas relacionadas com o futuro desta organização, diga-me, porquê o surf?

O surf porquê? Bem, nós fazemos muitos eventos, não só de surf, mas o surf foi um…para já porque eu sou surfista, e comecei a trabalhar há uns anos numa empresa de surf que é a Rip Curl, que hoje em dia é um dos nossos principais patrocinadores. Mas foi através da Rip Curl que trouxemos o maior evento de surf que existe no mundo aqui para Portugal, o WCT, e depois a partir daí conseguimos estabelecer uma ligação com a ASP, que é a FIFA do surf, Achámos que Portugal tinha todo o potencial para trazer essa prova, a chamada fórmula 1 do surf, para cá. Num primeiro momento identifiquei esta oportunidade por ser surfista, mas Portugal tem de facto todas as condições para se fazerem eventos desta dimensão, condições naturais! Porque por melhores condições que haja na Alemanha ou noutros países, estes nunca vão poder ter o tipo de eventos que nós podemos ter cá, temos vantagens comparativas mas também competitivas sustentáveis: estas ondas são um recurso natural que mais ninguém tem.

Como começou esta carreira empreendedora? Pode-me contar por alto o seu percurso até chegar hoje a Administrador da Ocean Events Portugal ?

Eu tirei o curso de comunicação empresarial e fiz vários estágios profissionais em várias empresas, como a Nestlé, depois fui fazer uma pós-graduação, um MBA, na Austrália, em Sidney, sempre com ligação ao surf. Depois, voltei para Portugal, quando cheguei estive alguns anos a fazer alguns eventos e comecei a trabalhar com a Rip Curl Europa. Entretanto trouxemos este evento muito grande da Rip Curl e passado dois anos ficámos a gerir o marketing da marca em Portugal. Mas criámos uma empresa, a Ocean Events, que representa neste momento todos os eventos internacionais de surf que se realizam em Portugal, representa agora a World Surf League. Entretanto, temos uma parceria estratégica com a NIU – Brand Activation, um dos sócios desta empresa é meu sócio também, o Nuno Santana (nós já tínhamos projectos em conjunto), o que nos permitiu abrir por um lado uma área de eventos mais ligada ao entretenimento e por outro lado uma parceria estratégica, porque a NIU faz tudo o que é produção, isto é, nós aqui fazemos o evento de A a Z.

É verdade que uma grande maioria dos nomes ligados à organização destes eventos são eles próprios surfistas? (amadores ou não) Sente que isto leva a uma maior entrega e motivação num objetivo comum? E em poucas palavras, qual é este objectivo comum?

Sim, sim, muitos, é um mix, eu diria 50-50. Na minha empresa, na Ocean Events, cerca de 80% são surfistas. Claro, leva a uma maior entrega e motivação num objectivo comum sim, e este é entregarmo-nos àquilo a que nos propomos, que é um evento de qualidade internacional, que por um lado promova Portugal enquanto destino  de surf, por outro lado promova o desporto, o surf em si, enquanto estilo de vida saudável, e que por outro lado ainda permita às marcas que compõem o evento se posicionarem.

Como tem ajudado a vender a imagem de Portugal como destino de excelência para o surf? “Há sempre ondas em algum lado”? Creio que utilizou esta expressão no passado.

Sim, costumo dizer que nós não somos o maior país de surf do mundo, mas somos talvez o mais consistente país de surf do mundo, há sempre um canto que dá ondas. Há até um claim  do Turismo Portugal que nós ajudamos a contruir que é o “You wil find waves in every corner”, porque como a costa é muito recortada, temos muitas ondas diferentes o que permite que os surfistas venham cá e experimentem várias ondas, não estejam constantemente a surfar a mesma onda. Desde a onda da Nazaré, aos super tubos, às ondas de rife da Ericeira, ondas mais urbanas em Cascais, umas mais fáceis na Costa da Caparica…e por aí fora, no Norte, no Sul…a verdade é que Portugal, em 700km de costa tem ondas em todo o lado!

Agora estava aqui a pensar no caso das ilhas. Sei que nos Açores há um prime, e na Madeira?

Nos Açores temos um prime sim, na Madeira ainda não há nada, mas estamos a pensar, num futuro próximo, trazer também um evento para a Madeira.

O surf é manifestamente um elemento da política do mar. Como é que pensa que o surf vai contribuir para a estratégia nacional do mar?

O surf é provavelmente um dos case studies no que diz respeito às políticas económicas relacionadas com o mar. Por exemplo, temos um evento em Peniche que já lá está desde 2009 e já são notórios os efeitos económicos e socioeconómicos que o surf trouxe para aquela região. Neste momento há toda uma economia que vive à volta do surf, practicamente o ano todo. Ainda por cima o surf tem uma característica muito boa que é a contra-sazonalidade. Normalmente estes destinos só estão cheios entre Julho e Agosto, que é a pior altura para o surf, portanto o surf ajuda a trazer pessoas fora dessa época, na chamada época baixa. Portanto o corte de sazonalidade é muito interessante do ponto de vista económico e por outro lado vemos investimentos em novos hotéis e na remodelação de outros só para atingir as expectativas dos visitantes surfistas. No fundo a lógica aqui é tentar vender o surf como os Alpes vendem a neve, em que as pessoas quando pensam em neve pensam em ir aos Alpes. Nós queremos que os europeus (numa primeira fase) quando pensarem em surf pensem em vir a Portugal, e essa é a estratégia.

Podemos afirmar, sem dúvida alguma, que Portugal é o maior país de surf da Europa? Não tanto em termos de atletas, se bem que pelo que sei estamos bem lançados nesse aspecto, mas mais em termos de eventos.

De atletas somos também claramente dos melhores, neste momento temos um campeão do mundo de júniores, temos o Tiago Pires que foi muitas vezes do top 44, … Em eventos somos claramente o país mais forte de surf da Europa, e em ondas somos CLARAMENTE o país mais forte de surf da Europa, e isso os franceses e os espanhóis já o admitiram publicamente. Portanto, agora com este investimento que tem sido feito quer em eventos quer na promoção, o Turismo Portugal delineou como objectivo chave a promoção do surf português e acho que estamos a conseguir. Estamos com um posicionamento gigante, ainda há pouco tempo saiu uma reportagem numa revista norte americana para milhões e milhões de pessoas de 8 páginas só a a falar de Portugal. Portanto, Portugal está com um posicionamento enorme para ser o maior país de surf da Europa…

Já é…

Sim, já é o maior país de surf da Europa e está a fortalecer cada vez mais essa posição.

Então as aspirações extra-Europa, quais são? Acha que algum dia vamos estar ao nível da Austrália ou do Havai?

Sim, nós a pouco e pouco vamos chegar lá. Mas nós temos de ser realistas e procurar atingir objectivos reais, se não não atingimos nada. Para além do mercado europeu, estamos a procurar atingir o mercado da costa leste dos E.U.A., pois é mais fácil para quem está aí vir surfar a Portugal do que ir surfar à Califórnia que fica na outra ponta dos E.U.A. e onde as distâncias dos aeroportos às ondas são maiores. Outro alvo é o Brasil, há muitos surfistas brasileiros, e estão no nosso top 5 de visitantes. Vamos longe, mas obviamente que isto não se atinge em um ou dois anos, a Austrália, o Havai, estão há 100 anos a investir no surf. Temos um longo caminho, mas estamos no bom caminho.

Em relação ao impacto do surf na economia portuguesa, fiquei espantada com o número que foi apontado para as receitas geradas pelo surf há um ano: 400 milhões. Donde vêm estes milhões? É uma estimativa? Englobam já o impacto indirecto no turismo?

Sim, isso são dados directos e indirectos, Nós olhamos para a nossa parte dos eventos, e no que toca aos eventos, estes são um pólo de desenvolvimento muito grande para a região e eu prefiro nunca falar só de estudos. Eu sou uma pessoa que vive sempre na economia real, nunca lido muito com os mercados financeiros, isso para mim é tudo uma coisa muito artificial, eu gosto de ver as coisas a serem feitas e a senti-las,entendes? E os números são aquilo que nós queremos que eles sejam, portanto os estudos são muitas vezes aquilo que nós queremos que eles digam. Agora a verdade é, vão a Peniche, vão à Ericeira, vão às zonas de excelência de surf e vejam quanto o surf tem marcado aquelas zonas, falem com pessoas que nada têm a ver com o surf e vão ver o que elas dizem: dizem que o surf mudou aquela zona.

Só no ano passado a World Tour foi vista ao longo do ano por 200 e tal milhões de pessoas, portanto nós aqui estamos a falar de uma média por evento de 4 milhões de espectadores (só na internet) e portanto é um número já muito animador no que toca à promoção do destino de Portugal, porque não estamos a falar de ténis ou de um jogo de futebol que se pode fazer num estádio construído em qualquer lado do mundo, aqui não, tem de haver o factor natural, e ondas como os supertubos da Nazaré, ou ondas como as da Ericeira e Cascais não existem em mais lado nenhum assim, há algumas mas contam-se pelos dedos de duas mãos – só existem 10 provas destas no mundo inteiro.

Eu não vou então insistir nesta parte dos números, mas por exemplo as vendas de produtos ligados ao surf, como as mochilas e casacos da Ericeira por exemplo, estão incluídas nesse estudo?

Claro, só na indústria estamos a falar para aí de 120 milhões. Mas os eventos têm um impacto directo e indirecto de 30/40 milhões. Nós no estudo do WCT de há três anos falávamos de 12 milhões de retorno para a economia local durante 10 dias, portanto multiplicar isto ao longo do ano dá esses números, o número…não acho que seja um número por aí além, é um número bom mas não acho que seja estapafúrdio, aliás se formos a ver, o turismo representa cerca de 10% do PIB português. Sendo o surf  uma parte pequena, ainda que pequena é muito interessante lá está por causa da questão das sazonalidades, não vale a pena estar a criar mais mercado no Algarve em agosto, temos taxas de ocupação de practicamente 100%, esta é uma forma de estarmos a criar novos mercados para épocas baixas. É a grande questão…como o golfe! O golfe também é bom em outubro, que é uma época baixa. Eu acho que o surf e o golfe são bons exemplos disso, de como determinadas actividades podem potenciar o turismo directamente.

Então se falassemos de uma cadeia de valor ligada ao surf, tínhamos os eventos, a indústria, o turismo, os impactos locais…?

Sim, sim, basicamente estamos a falar de eventos, indústria, indústria ligada directamente, o turismo e obviamente depois todos os praticantes e consumidores têm outro impacto ainda, os surfistas são pessoas que se mexem muito, que têm uma mobilidade muito grande, vão para Sagres passar o fim-de-semana, vão para a Ericeira surfar, para o Porto…e esta mobilidade também entra nessas contas.

Então, já falámos bastante sobre os pontos fortes desta cadeia de valor, consegue-me identificar algumas fragilidades dessa cadeia de valor?

Há sempre ainda a questão de ser um nicho de mercado, não é? E se pensarmos no muito longo prazo e se formos pessimistas sempre podemos falar das questões ambientais, do nível de subida do mar…Mas de facto, fragilidades são poucas, a meu ver.

De que tecnologias o surf é beneficiário? Quais são os graus de inovação que estão ao alcance das empresas portuguesas? (novos desenhos aerodinámicos para as pranchas, novos materiais de produção, etc.)

Muitos materiais já são produzidos em Portugal, aliás quase tudo o que é necessário já é cá produzido. Em termos de inovação, posso dar um exemplo que superou as preocupações de alguns, que era o desperdício dos fatos de surf de borracha que não tinham outro uso quando já estavam desgastados, simplesmente iam para o lixo, agora o que se tem feito é reciclar esses fatos para produzir, por exemplo, solas de sapatos.

Pode-me falar um pouco sobre o ecosistema ligado ao surf? Eu explico: organizações, financiamentos, patrocínios, pessoas, dependências, o que alimenta o surf e o que o surf por sua vez alimenta… Em suma, as suas componentes.

Os eventos de surf são de facto muito dependentes dos patrocínios sim, é essa a grande fonte de financiamento, e duvido que esta situação se altere nos próximos anos, porque o surf não é suposto ser um desporto que se pague para ver. Principais patrocinadores são de três tipos: as Câmaras Municipais, o Turismo Portugal e sobretudo marcas privadas.

Um tema relevante para a Europa e Portugal: o envelhecimento activo e saudável da população. O que é que o surf pode ter a ver com isso? Têm focado a atenção num público alvo jovem, vão tentar alargar o foco?

Claramente que o surf forma um estilo de vida saudável, sim. É acordar cedo, porque as melhores ondas por regra são de manhã, é estar ao ar livre, é nadar, é tudo… Não é propriamente um público jovem já, nos eventos vê-se de tudo. E o que tem acontecido cada vez mais é os pais que vão deixar os meninos nas aulas de surf acabam por aproveitar o tempo de espera para experimentar e acabam por ficar praticantes.

Em termos estatísticos, homens-mulheres quais os rácios? Claramente começou por ser um desporto masculino, ou não? Sente uma cada vez maior adesão feminina?

Sim, começou sim, mas a adesão feminina está a ser gigante, os rácios estão cada vez mais aproximados. Aliás, o crescimento é maior nas mulheres do que nos homens.

Tenho aqui uma pergunta que foi pedida por um amigo meu surfista. Vimos agora o Tiago Pires deixar a elite do surf mundial e muito se tem falado de possíveis sucessores. Mas a verdade é que os nosso atletas não têm as oportunidades que têm os australianos ou americanos.

Falo a dois níveis: 1- Centros de treino e de alto rendimento. Na Austrália temos o famoso HPC, em Portugal, e nos últimos tempos, têm-se vindo a tentar desenvolver centros do género, como o de Peniche por exemplo. No entanto são locais que não estão acessiveis a todos os surfistas, portanto na sua opinião o que é que ainda pode ser feito neste sentido?

Como já referi, temos de nos relembrar que o surf está instalado na Austrália e nesses países há mais de 100 anos, não é verdade que estejam acessíveis a todos os surfistas, isso nunca vai acontecer, mas no que toca a Portugal, estes centros estão a ser desenvolvidos e havemos de lá chegar.

2 – O outro aspecto é a nível de patrocínios. Temos o Vasco e o Kikas com apoio suficiente para correr o circuito mundial de qualificação. Talvez o Tomás Fernandes e o José Ferreira, mas não temos mais ninguém. Surfistas como o Miguel Blanco, João Kopke, Filipe Jervis não têm o apoio que necesitam para conseguir competir com os melhores. Para onde vai tanto dinheiro pelo surf gerado? O que acha que pode ser feito no sentido de fazer chegar este “boom” económico que o surf tem gerado aos surfistas que tanto dele precisam? O que é que justifica o desinteresse das marcas em apoiar os atletas?

Eu sou da opinião de que devia haver mais apoio financeiro aos surfistas, mas a realidade é aquela em que vivemos. Já não funcionamos a nível nacional, se alguém quer sobressair, tem de sobressair a nível global. É uma realidade dura, mas os surfistas têm de atingir resultados sozinhos, não podem ficar à espera que os patrocínios caiam do céu, têm de se chegar à frente e de ser os melhores! Mas mais uma vez, friso, sou da opinião de que as marcas devem estar mais atentas a um maior número de surfistas.

Por fim, gostava de voltar a focar a atenção no facto de o Francisco ser um empreendedor de sucesso bastante jovem (33, 34 anos certo?). Tem algum conselho para nós jovens?

34 anos, sim. Posso referir aqui algumas coisas sim:

Em primeiro lugar, há que ser CONSISTENTE, sem consistência não se vai a lado nenhum. Depois temos a EDUCAÇÃO, claro que há muitos empreendedores de sucesso que não tiraram um curso universitário ou profissional, mas acredito que a educação é o caminho certo, pelo menos eu senti a necessidade de me educar, aquele MBA na Austrália foi uma necessidade que senti.

ACREDITAR, nunca mas nunca parar de acreditar e com isso vem a PERSISTÊNCIA mas também a capacidade de saber ESPERAR, não vem tudo de uma vez só.

QUESTIONAR SEMPRE, nunca fazer uma coisa de uma certa forma só porque sempre foi assim feita, e ao longo do processo questionarmo-nos sempre “porque estou a fazer isto?”.

Por fim, IR PORTA-A-PORTA! Agarrar num low-cost e ir lá. Nós conseguimos estas licenças todas porque eu há não sei quantos anos atrás meti-me num avião e fui lá falar directamente com eles. Fui dizer-lhes que as ondas eram boas, que Portugal tinha altas ondas, toda a gente acha que toda a gente sabe que Portugal tinha altas ondas e que o surf era conhecido, mas não era.

A cada dez nãos, levas um sim, portanto é nunca perder a MOTIVAÇÃO, sempre que levas um não, é alegrares-te porque estás mais próximo de levar um sim, segundo este rácio, se levas um não já só faltam nove para o sim, levas outro já só faltam 8…É este o meu conselho, que eu não acredito muito em sorte, acredito em educação, consistência, trabalho e vá… numa pinguinha de sorte.

 

fotos: DR

 

Maria Modista – uma escola de costura contemporânea

MMx2Num andar, em Lisboa, reside a Maria Modista, uma costureira alegre, simpática e cheia de vivacidade. Com a linha pronta na agulha, reúne todos os conhecimentos para ensinar as técnicas mais actuais e ajudar a tornar as ideias das suas alunas em peças únicas e perfeitas para cada estilo pessoal.
Eu pensava que esta ideia não ia chegar a muitas pessoas, não tinha noção que tanta gente tinha o gosto, tal como eu, de aprender a costurar.

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A Excelência Portugal quis saber mais sobre este projecto e foi conhecer pessoalmente a Maria Modista, uma escola de costura original desenvolvida por Filipa Bibe.

Deparámos com um negócio de sucesso que veio despertar a arte do “Corte e Costura”, há demasiado tempo guardada na sabedoria das nossas avós, e deixar qualquer pessoa com a vontade de aprender.

 

Como é que nasceu a Maria Modista?
A Maria Modista nasceu depois de eu estar à procura de sítios onde pudesse aprender melhor a costurar. Eu já sabia trabalhar com a máquina e algumas técnicas básicas mas queria desenvolver mais para poder criar peças para mim e dentro do meu estilo.

Mas tudo o que encontrava era muito tradicional e antiquado! Existiam opções lá fora mas era tudo muito caro. Depois desta procura frustrada, surgiu a ideia de criar um espaço  onde se pudesse aprender a costurar peças mais contemporâneas e com técnicas mais actuais.
 
 
Então a Filipa não tinha formação particular na área?
Embora já tivesse o contacto com a costura, não é a minha área de formação! Antes da Maria Modista tinha um escritório de Contabilidade e trabalhava nesta área. No entanto,  já estava desmotivada e como a costura era para mim um prazer, pensei que talvez fosse uma boa ideia e que mais pessoas estivessem à procura de uma escola com estas características.
 
 
Como foi tornar esta ideia em realidade?
Na altura falei com a minha sócia da Contabilidade, a Patrícia Pinta, que decidiu abraçar também o projecto. Começámos por estar numa sala do nosso escritório e quando o projecto começou a crescer tivemos a necessidade de maior espaço e viemos para este andar. Agora, para além deste espaço em Lisboa, temos já três espaços em Oeiras, Torres Vedras e no Porto.
 
 
Quando começou a ganhar consciência que era um projecto de sucesso?
A partir do sexto mês comecei a perceber que o projecto ia mesmo crescer. Neste momento, a Maria Modista é o meu trabalho a tempo inteiro!
 
 
De que forma foi feito o financiamento?
Ao contrário da nossa empresa de Contabilidade, o financiamento foi todo conseguido através de um empréstimo bancário. Como o investimento não era grande, não sentimos grande obstáculos.

Começar um negócio não é fácil e inúmeras dificuldades aparecerem no caminho. No caso da Maria Modista, qual foi o maior desafio?
Professoras, arranjar professoras! Isto porque queríamos uma técnica mais moderna e fugir um bocado ao conceito da costureira muito antiga. Entretanto vimos que existiam outras formações e o perfeito é conseguir conciliar as duas. Isto porque a costureira mais antiga tem uma experiência de uma vida, o que é fantástico,  e as mais novas tem outras técnicas. Quando misturamos os dois conhecimentos conseguimos ir ao encontro das necessidades e conceito da Maria Modista.
 
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Neste momento o projecto conta já com três anos. Como tem sido a aceitação?
Eu pensava que esta ideia não ia chegar a muitas pessoas, não tinha noção que tanta gente tinha o gosto, tal como eu, de aprender a costurar. De fazer roupa para si, para os filhos ou mesmo para começar um próprio negócio. Tem tido um balanço muito positivo!
 
Sente que de alguma forma o clima de crise possa ajudar no sucesso dos negócios Do it yourself ?
Sem dúvida!
Se por um lado as pessoas percebem que aqui podem criar peças para o seu próprio guarda roupa,  por outro algumas alunas criam os seus próprios negócios através do que aprendem aqui. A Maria Modista acaba por incentivar o empreendedorismo neste sentido, dando asas a que se explore outras capacidades.
 
 
Qual o perfil da aluna da Maria Modista?
A maior parte das alunas tem idade entre os 18 e os 45. Temos também algumas avós, mais dinâmicas, que fazem muito roupa para os netos. Homens são poucos, mas vão aparecendo!
 
E quando começaram, vinham já com alguma experiência?
A maior parte vêm sem experiência nenhuma, começam do zero. Depois algumas alunas têm já alguma experiência e vêm aperfeiçoar as suas técnicas e criar peças para si.
 
Os cursos são o produto principal da Maria Modista. Como funcionam?
Os cursos funcionam em três horários: de manhã, tarde ou pós-laboral.  Pode-se escolher um dos horários entre uma a cinco vezes por semana e depois fica-se inserida numa turma. Aqui as professoras estão focadas nas necessidades das alunas, tendo uma atenção muito especializada. Algumas alunas chegam já com fotografias do que querem fazer ou uma peça que está estragada e querem fazer algo parecido. ´cada aluna pode estar a fazer uma peça diferente das outras.
Ao início começasse por fazer peças mais simples e depois vai-se desenvolvendo na autonomia e na complexidade. Apenas é necessário trazer os tecidos pois temos no espaço todo o material de costura necessário.
 
Os workshops são um produto diferente certo?
Sim, são mais direccionados para quem não pode ter as aulas durante a semana. Funcionam ao fim-de-semana e têm sempre um tema que pode ser iniciação, roupa de bebé ou biquínis. Existem muitos temas disponíveis e a calendarização pode ser vista no nosso site.
 
Cada vez aparecem no mercado opções no que toca a aprender conhecimentos tradicionais que de certa forma ganham agora outra vida. De que forma é que a Maria Modista se destaca na sua concorrência?
Como fomos as primeiras criamos logo maior impacto.
Para além disso, apostamos muito na imagem. Muito muito muito! Estamos muito presentes nas redes sociais e sinto que tem sido uma aposta ganha. Faz toda a diferença! A Maria Modista foi lançada numa altura que se tornou moda as negócios nas redes sociais o que acabou por nos ajudar na divulgação.
 
Sente que de alguma forma o clima de crise possa ajudar no sucesso dos negócios Do it yourself ?
Sem dúvida!
Se por um lado as pessoas percebem que aqui podem criar peças para o seu próprio guarda roupa, por outro algumas alunas criam os seus próprios negócios através do que aprendem aqui. A Maria Modista acaba por incentivar o empreendedorismo neste sentido, dando asas a que se explore outras capacidades. Existem algumas marcas que foram criadas por alunas desempregadas que, tal como eu, viram na costura uma forma de trabalhar numa área que gostam.
 
A Maria Modista já criou o seu próprio livro para que cada vez mais pessoas possam descobrir o mundo da costura. Como é que foi idealizado?
O livro tem os projectos que são mais pedidos nas aulas pelas nossas alunas.
Não é necessário grande experiência, apenas conhecer a dinâmica da máquina.
Lançámos o livro em Novembro e da última vez que contactei a editora foram vendidos 1500 unidades, embora sejam um número sem considerar o último mês.
Está acessível nas várias livrarias e grandes superfícies e custa 22 euros.
 
Os projectos para o futuro, quais são?
O nosso projecto futuro é conseguir alargar a marcar através de Franchising. Temos já uma escola recentemente aberta em Torres Vedras e estamos a trabalhar em novos pedidos. A ideia seria manter a marca Maria Modista mas expandir para outras locais.
 
Se pudesse, que conselhos daria a quem esteja a começar agora o seu próprio negócio?
Não ter medo de correr de correr riscos! Pensar bem naquilo que se gosta de paixão, porque já é meio caminho andado para as coisas correrem bem.
Esta ideia era uma coisa que queria mesmo e adorava concretizar, a contabilidade já não foi tanto assim. A Maria Modista foi feita de coração e realmente quando é assim resulta sempre!
fotos:DR

Projecto de alunos de arquitectura da Lusíada (Lisboa) premiado na “24H Competition”

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“Home Mirage” é o nome do projecto apresentado por um grupo de alunos do 5.º ano do mestrado integrado em Arquitectura da Universidade Lusíada de Lisboa, que ficou classificado em segundo lugar no concurso internacional “24H Competition“, organizado pela plataforma Ideasforward que se dedica à organização de concursos internacionais de ideias.

A competição, realizada com o objectivo de dar a jovens criativos de todo o mundo a oportunidade de expressar os seus pontos de vista sobre o futuro das sociedades, através de propostas inovadoras e visionárias, lançou, na sua segunda edição, o desafio de criar lugares de refúgio para os sem-abrigo. As 24 horas estipuladas para a criação de um projecto foi o tempo limite definido, de forma a estimular a criatividade dos participantes, nas áreas de arquitectura e design, potenciando o compromisso, a perseverança, a inspiração e a dedicação ao trabalho.

ulus.alunosOs alunos Inês Nogueira Afonso, Gonçalo Laires Pinheiro Sieiro dos Santos, João Caetano Manso, José Maria Guedes Pereira Moniz e Renato Miguel Vicente Franco desenvolveram uma proposta para a construção de abrigos para pessoas que vivem na rua que, segundo o grupo, consistia numa “[…] estrutura que se desmonta e arruma dentro de um volume vertical, 90 cm x 90 cm, e quando essa estrutura está recolhida no interior do volume, este funciona como equipamento público que pode ser utilizado para publicidade, hotspot de Internet, painel fotovoltaico e acumulador de energia, contentor e depósito de doações de bens alimentares e roupas para pessoas desfavorecidas”.

O projecto apresentado por este grupo de alunos conquistou um prestigiado lugar nesta competição que se caracteriza por procurar ideias progressistas que reflictam sobre temas emergentes, com base na concepção ecológica, arquitectura sustentável, novos materiais, conceitos e tecnologias, entre outras temáticas importantes para o desenvolvimento das sociedades.

[memória descritiva do projecto]

fonte: U.Lusíada
fotos: DR

Estudante da FLUP distinguida com o Prémio Cidadania Ativa da Universidade do Porto

_foto_Ana_Catarina[1]

Ana Catarina Rodrigues Correia, estudante do Mestrado em Sociologia na Faculdade de Letras da UPorto, acaba de ganhar o Prémio de Cidadania Ativa da UPorto 2015. O Prémio Cidadania Ativa da U.Porto visa distinguir os estudantes que se diferenciem positivamente no campo da cidadania. Ana Catarina foi distinguida na categoria Humanitária ou Solidária pelos esforços continuados que tem vindo a desenvolver, ao longo do seu percurso académico e na sua vida em geral, na defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiências e na disseminação dos princípios estruturantes do paradigma da Vida Independente como forma de concretização da cidadania em contexto de deficiência. Ana Catarina é ela própria uma mulher e cidadã com paralisia cerebral que vive os seus dias com sucesso e sempre empenhada em disseminar os seus ideais universalmente partilháveis para o exercício de uma cidadania sem barreiras.

A sua integração na vida académica não tem sido fácil, mas Ana tem conseguido transformar as dificuldades em experiências de aprendizagem pessoal, num percurso que tem ajudado a própria Universidade a aprender como se pode tornar uma Instituição de Ensino Superior mais inclusiva. O caminho que Ana tem vindo a trilhar abre novas perspetivas para todos os estudantes portadores de deficiências e incapacidades que encontram na Universidade do Porto um espaço não só de aprendizagem, mas também de participação e concretização de uma cidadania plena.

A estudante será galardoada com um diploma comprovativo da atribuição do prémio, a menção do mesmo no seu suplemento ao diploma e um prémio pecuniário no valor de mil euros. A entrega do prémio decorrerá no “Dia da Universidade do Porto”.

 

fonte: UP
foto:DR