Lino da Costa Pereira ou o Professor mais novo da Katholieke Universiteit Leuven

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Lino da Costa Pereira nasceu em Barcelos há 29 anos, quando ainda não sonhava (ou já, a confirmar na entrevista em baixo) que viria a ser o Professor mais novo da Universidade Católica de Leuven (Katholieke Universiteit Leuven), na Bélgica.

Formado na FCUP (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) e mais tarde desenvolvendo trabalho no grupo IFIMUP (Instituto de Física de Materiais da Universidade do Porto), Lino terminou o seu doutoramento já em Leuven. Pelo caminho, acumulou uma extraordinária colecção de prémios nas mais reputadas conferências na sua área científica: semicondutores magnéticos. Fomos conversar com o Lino para conhecer melhor o seu percurso e perceber qual a sua visão do ensino e da investigação portuguesa e belga. Pena que não tenhamos espaço para mais perguntas porque estamos certos que mais respostas interessantes viriam.

E o plano é ficar pela Bélgica. A não ser que nos próximos anos se torne ainda mais difícil encontrar um bom expresso, e um dia de sol se torne ainda mais raro.


Lino, olhando para o passado recente, como vês o teu percurso ? Professor Universitário foi sempre um objectivo?

- Tem piada que em miúdo dizia que queria ser professor universitário, acho que porque gostava da escola, de aprender. Mais tarde, fui descobrindo a ciência, a física, e eventualmente a física da matéria condensada. É claro que pelo caminho experimentei outras coisas e considerei outras carreiras, em especial nos últimos anos, já que as chances de ganhar uma posição permanente são diminutas. Mas sim, sempre foi um objetivo. E atingi-lo devo-o muito a quem me apoiou pelo caminho, em particular a minha família e aqueles que mais que meus professores, foram meus mentores.

 

Como é ser o “mais novo” Professor de sempre na história da Universidade Católica de Leuven?

-  Bom, isso não é um dado oficial, foi algo que alguém conjeturou em minha defesa para a atribuição de um prémio científico. Tive de facto o privilégio de ganhar esta posição mais cedo do que é comum, graças a muita dedicação mas também à convergência de muitos outros fatores: muita sorte portanto. Foi também uma aposta do Conselho Scientífico da KU Leuven, que estou determinado a corresponder. Vê-se finalmente esta tendência a atribuir posições permanentes a investigadores mais jovens. O normal é ainda que um investigador tenha que passar por uma série de pós-doutoramentos, muitas vezes em vários países diferentes. Tem-se justificado isto com a importância da mobilidade, que é um argumento válido, mas muitas vezes levado ao exagero. Para se fixar mais talento em ciência, é preciso que haja melhores perspetivas de progressão de carreira. Isto é também, na minha opinião, uma das grandes barreiras à mulher cientista. Esta incerteza geográfica é uma dificuldade para quem tem família, em particular para a mulher. O argumento é discutível, mas o facto é inegável. A solução não passa necessariamente por criar mais posições de professor em universidades. Na França, por exemplo, o estatuto de investigador científico como posição permanente é tão comum como o de professor universitário. Em Portugal também existe, mas não o suficiente, pelo menos em áreas como Física. E na verdade, isto é um problema que afeta também a Bélgica.

 

Licenciaste-te e mais tarde realizaste parcialmente o doutoramento na FCUP (no grupo IFIMUP-IN), como achas que a tua formação influenciou o teu percurso?

- A minha licenciatura na FCUP, e em particular a projeto de final de curso no IFIMUP, foram determinantes, como é natural. Foi no IFIMUP que descobri que o meu lugar era em física da matéria condensada e física experimental. E devo-o muito ao Prof. João Pedro Araújo, um desses meus mentores de que falei antes. Foi ele quem me introduziu ao trabalho que instituições portugueses desenvolvem no ISOLDE, no CERN, em particular por intermédio do Dr. Ulrich Wahl e do Dr. Guilherme Correia do Instituto Tecnológico e Nuclear, entretanto parte do Técnico, em Lisboa. Eles são exemplo da ciência de alto nível que se faz em Portugal apesar do parco financiamento e instabilidade. Na verdade, ter conseguido esta posição em Leuven deve-se em grande parte a ter sido orientado por estas três pessoas, no seio de uma colaboração internacional e infraestrutura que criaram e mantêm através de muito esforço e dedicação. Isto sem esquecer as duas outras personalidades da ciência em Portugal que os precederam: o Prof. José Carvalho Soares em Lisboa e o Prof. João Bessa e Sousa no Porto, se bem que meu conterrâneo, de Barcelos.

 

Comparando os dois sistemas de ensino superior, o português e o belga, quais as principais diferenças (positivas e negativas) que destacas?

- Essa é uma pergunta muito difícil. Em todo o lado vive-se em clima de reforma constante, fica difícil comparar. O que te posso dizer é que no essencial são semelhantes, e que em Portugal formam-se profissionais do mais alto nível. Não sei se é mérito do sistema educativo, ou da tradição de rigor em algumas instituições de ensino, ou simplesmente do esforço de alguns professores, pais e alunos. Mas é um facto.

 

Relativamente aos dois sistemas científicos, como os comparas ao nível do trabalho prático, organização, o sistema de financiamento, entre outros aspectos?

- São semelhantes. E em ambos os países há quem faça ciência ao melhor nível. A grande diferença é o financiamento disponível. O parco financiamento em Portugal é simplesmente asfixiante. Ironicamente isto leva a que o sistema esteja sob uma pressão tal, que acaba muitas vez por levar à má gestão de um orçamento já diminuto. E a área da física tem sofrido muito particularmente nos últimos anos. Houve um série de medidas simplesmente destruidoras do tecido científico português em física. Tenho a maior admiração por quem consegue construir uma carreira científica de sucesso em Portugal. É claro que em grande parte isto se reduz a um problema económico, o qual não posso dizer saber como resolver. Mas há outras áreas onde o caminho de progresso é óbvio. Por exemplo, os sistemas de administração e burocracia portugueses são em geral demasiado pesados. Talvez tenha sido um mecanismo de proteção que foi crescendo em reação ao favorecimento e ao desleixe. Mas a verdade é que este peso nos atrasa. E dou-te um exemplo muito concreto: quando tentamos assinar acordos bilaterais entre duas universidades, uma portuguesa e uma estrangeira. Em Leuven negoceio os detalhes do acordo com um funcionário administrativo a quem foram dadas diretivas muito claras e uma margem razoável para tomar decisões além dessas diretivas. Em Portugal negoceio com juristas que se vêm obrigados a mergulhar num mar de regulamentação a cada iteração da redação do acordo. Resultado: a demora do lado português atrasa imenso ou mesmo inviabiliza o processo. Não há espaço para isto numa sociedade competitiva.

 

Pessoalmente, como é conciliar as duas tarefas, a de Professor e a de Investigador e líder de grupo ?

- Estão naturalmente ligadas. As cadeiras que dou e darei para já, a nível de mestrado e doutoramento, são muito relacionadas com a investigação que faço. Estão tão ligadas que o gabinete que ocupava antes deste período na ANU partilhava-o com alguns dos alunos que orientava; e a sala de aula, onde lecionei a minha primeira cadeira no semestre passado, era simplesmente do outro lado do corredor. Há quem investigue sem ensinar e quem ensine sem investigar, mas eu pessoalmente gosto de poder combinar as duas atividades. De qualquer das formas, a minha posição é uma “research professorship” o que significa que nos primeiros 10 anos tenho menos obrigações didáticas, podendo dedicar-me mais a desenvolver um grupo e uma linha de investigação independente. É claro que há dias muito longos e muitas semanas de sete dias, mas ninguém segue uma carreira científica para ter um emprego das 9-às-5. É como dizem: quando fazes o que gostas, não trabalhas um dia da tua vida.

 

Actualmente, quais são os temas de investigação a que mais te tens dedicado? Como vês a evolução da investigação científica na área dos novos materiais e quais os principais desafios que esta atravessa?

- O meu foco de momento são fenómenos que emergem de eletrões relativistas em sólidos, o que em termos de materiais envolve por exemplo isoladores topológicos e o famoso grafeno. É provavelmente o tema mais quente de momento em física da matéria condensada, pelo riqueza que representa em termos de física fundamental, assim como o potencial de aplicação em novos paradigmas de eletrónica. E isto liga à outra questão que pões: os desafios. Acho que estavas a falar de desafios científicos e técnicos. Mas deixa-me dizer qualquer coisa sobre o grande desafio que este tipo de ciência defronta hoje. Estamos a falar de ciência essencialmente fundamental. O potencial para aplicação existe, mas a física destes fenómenos é demasiado jovem para se pensar realisticamente em aplicações. O problema de que falo é que a opinião pública e as políticas governamentais por todo mundo têm evoluído numa direção que cria cada vez mais dificuldades à investigação fundamental. Há esta filosofia de utilitarismo da ciência. Sim, todos temos uma responsabilidade para com os desafios com que a humanidade se defronta, mas ciência não se pode reger unicamente com base nisso. Tem que haver, como sempre houve na história humana, espaço para a pura curiosidade científica: explicar o inexplicável. E sim, pelo caminho, vamos fazendo descobertas que encontram aplicação em novas tecnologias, melhorando a nossa qualidade de vida. Mas isso é apenas uma dimensão da atividade científica. A inexistência de uma perspetiva de aplicação, não pode ser um obstáculo a ciência que é por definição fundamental.
Quais as expectativas para o futuro ?

- Continuar a fazer a ciência e a contribuir para a formação de profissionais de alto nível, não só cientistas. Isto é talvez uma dimensão menos conhecida, ou menos compreendida, da investigação científica em universidades. Mestrados e doutoramentos em ciências exatas preparam muitas das mentes e líderes que determinam o nosso futuro, nos sectores público e privado.

E o plano é ficar pela Bélgica. A não ser que nos próximos anos se torne ainda mais difícil encontrar um bom expresso, e um dia de sol se torne ainda mais raro. Mas com o aquecimento global e a moda dos baristas, acho que estou para ficar.

 

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Prémio Van Lawrence em Pedagogia Vocal ganho pela 1ª vez por uma Portuguesa

Soprano Filipa Lã, distinguida com o prémio Van Lawrence nos EUA
http://voicefoundation.org/filipa-la-awarded-van-lawrence-fellowship/

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Desde 1991 que a Associação Nacional Americana de Professores de Canto (“National Association of Teachers of Singing”, NATS) e a Fundação Americana da Voz (“The Voice Foundation”), atribuem em conjunto este prémio que distingue docentes de canto pela sua excelência no ensino do canto e o seu contributo para a pedagogia vocal através da qualidade da sua investigação.

De realçar que é a primeira vez que o prémio é atribuído a um docente e investigador fora do universo norte-americano. A covilhanense Filipa Lã, Professora Auxiliar Convidada da Universidade de Aveiro, docente de canto nesta instituição e investigadora do Instituto de Etnomusicologia, Música e Dança (INET-MD), recebe este prémio, atribuído unanimemente pelos membros do júri, a 31 de Maio de 2015 em Filadélfia.

Para além do reconhecimento internacional, o prémio consta dum valor pecuniário de $2000, com o propósito de contribuir para o desenvolvimento da sua investigação no âmbito do impacto da utilização de “feedback” visual em tempo real durante a realização de exercícios de semi-oclusão do trato vocal.

Mais concretamente, Filipa Lã pretende investigar se o recurso a uma “flow-ball” na prática de diferentes tipos de exercícios vocais técnicos (nomeadamente isotónicos e isométricos) proporcionará autonomia na aquisição de hábitos de fonação sistemáticos de fonação do tipo fluida. Por outras palavras, pretende-se investigar se o recurso a esta ferramenta de ensino proporcionará a repetição de gestos fonatórios que envolvem menor esforço laríngeo (menor força de colisão das pregas vocais) mas originando uma maior estimulação acústica das frequências de ressonância do trato, traduzindo-se num resultado acústico otimizado durante a performance vocal.

 

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Soraya Gadit ( Inocrowd) em Entrevista

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A Inocrowd corresponde a uma Startup com vista a estabelecer uma relação direta entre o mundo académico ou de alguém que tenha uma solução – Solver – e o mundo empresarial – Seeker. Procurando diminuir o GAP / distanciamento existente entre ambos.
Soraya Gadit é uma das fundadoras da Inocrowd, que surgiu a 20 de janeiro de 2011. Soraya é formada em Ciências Farmacêuticas na FFUL (Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa) e tem um MBA em Finanças e Gestão da AESE acabando, neste projeto, por ser a CEO da InoCrowd. Os outros dois fundadores são Mário Lavado licenciado  em Engenharia Física e Materiais e João Moita licenciado em Tecnologias de Informação.

Uma mulher à frente duma empresa tem de ser 300% (trezentos por cento) melhor que um homem para demonstrar que realmente é eficaz.

De que modo três pessoas de áreas tão dispares acabam por enveredar num negócio deste tamanho em Portugal? Quais os elementos de união entre os fundadores?

Embora sejamos de facto de áreas muito diferentes, encontrámo-nos  num MBA em Finanças e Gestão na  AESE. De grosso modo no decorrer do MBA tivemos de fazer uma cadeira, Naves (Novas Aventuras Empresariais) que culminou no desenvolvimento da Inocrowd.

De onde surgiu a ideia geral de atuação da Inocrowd?

A InoCrowd surge da observação da existência de um “gap” entre as Universidades (Mundo Académico) e o Mundo Empresarial e da constatação de que o WEB 2.0 poderia ligar estes dois mundos. Assim criámos uma plataforma Web 2.0 a  www.inocrowd.com de forma a facilitar esta ligação.

Uma das frases marcantes das suas apresentações da Inocrowd foi, a meu ver, “Queremos por Portugal a inovar melhor”. Neste mesmo sentido poderia falar um pouco mais das forças que vos motivaram a avançar com a Inocrowd, num ano em que os efeitos da crise eram bastante difíceis em Portugal.

Exatamente por estarmos em crise é que a criação da InoCrowd fez tanto sentido. A única forma de sairmos da crise é inovarmos e para isso é necessário criarmos um ecossistema e ambiente favorável a isso, aproximando as universidades, onde está grande parte do conhecimento, a empresas.

Inocrowd em 2011 tinha em vista expansão da mesma para o estrangeiro numa ótica de Crowdsourcing (plataforma tecnológica que permite o trabalhador exercer a sua função em qualquer espaço geográfico). Este objetivo verificou-se possível?

De facto era e é, do nosso interesse, projetar a Inocrowd além-fronteiras, como também já tivemos oportunidade de o fazer. Fizemos, por exemplo, uma parceria com o Chile, no entanto, o que a experiência permitiu constatar é que evidentemente a questão de proximidade cultural é fulcral no que toca à implementação do Crowdsourcing.

Neste mesmo sentido, que países lhe parecem mais favoráveis à realização da extensão desta plataforma?

Neste momento estamos à procura de sócios nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), essencialmente, atendendo que existe uma maior proximidade em termos culturais, sendo também o fator linguístico determinante no sucesso desta relação.

De que modo caracteriza a evolução entre 2011-215 (parceiros; taxa de sucesso; etc.)?

Neste momento temos uma taxa de sucesso de 95% (noventa e cinco por cento), conseguimos arranjar soluções num período entre as quatro e seis semanas. Esta evolução também é acompanhada por um aumento de número de Solvers (pessoas que têm uma solução). Conseguimos alcançar já perto de 350.000.000,00 pessoas em todo o mundo.

Quais as grandes vitórias alcançadas pela Inocrowd no mesmo período?

Sem dúvida que conseguirmos soluções inovadoras, por exemplo, para empresas como a Autoeuropa do Grupo Volkswagen, foi uma das grandes vitórias da InoCrowd. A InoCrowd conseguiu no espaço de seis semanas encontrar uma solução que permite a não destruição de seis carros por ano. Isto vai levar a uma redução de milhares de euros por ano no grupo todo da Volksawagen.

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Para finalizar e seguindo uma linha bastante oposta, resta-me fazer referência à recente data celebrada, o dia da mulher, sendo que se constatou que atualmente existe ainda uma baixíssima representatividade feminina em cargos de decisão/ liderança. Queria questionar-lhe se, na sua vida laboral, já se sentiu prejudicada e/ ou beneficiada por questões de género. Se sim, qual o conselho que dá às mulheres no sentido de como lidar com a situação, numa última questão e mensagem.

Sim, já infelizmente. Vivemos ainda num mundo de homens quando se fala em negócios. Uma mulher à frente duma empresa tem de ser 300% (trezentos por cento) melhor que um homem para demonstrar que realmente é eficaz. Portanto o conselho que dou é trabalhar, trabalhar e trabalhar! Só assim Eles se convencem que o Mundo dos negócios não é só para os homens. Não existe mais nada a fazer e a dizer… Só com trabalho produtivo e eficaz se consegue demonstrar que, nós mulheres, não somos diferentes dos homens, em determinadas coisas até somos melhores.

 

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Projecto ITER: A Fusão nuclear a dar energia às empresas Portuguesas

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Como se pode ler no site oficial, o ITER (http://www.iter.org/proj/itermission), é uma experiência de larga-escala (parece modesto e por isso acrescentamos o adjectivo gigante) com o objectivo de demonstrar a possibilidade de gerar energia através do processo de fusão nuclear. O seu objectivo prático é: produzir até 10 vezes mais energia do que aquela que necessita para funcionar.

- A fissão nuclear, tecnologia usada nos reactors nucleares actualmente, é a divisão de um único átomo em dois (ou mais) átomos, mais pequenos, enquanto que a fusão, tecnologia que irá ser testada no ITER, é exactamente a junção de dois átomos mais pequenos num átomo maior -

O ITER quer simular o ambiente no interior do Sol, com temperaturas extremamente altas, de tal forma que os electrões são separados do núcleo dos átomos e começam a formar um meio chamado de plasma. Este é o meio ideal para elementos leves se fundirem e, no processo, gerarem energia.

Começou a ser construído na região da Provence-Alpes-Côte d’Azur, no sul de França, em 2010 e estima-se que esteja terminado em 2019, quando começarão os primeiros testes.

 Uma das maiores experiências científicas, conta com o apoio das grandes nações (e conjuntos) do Mundo: União Europeia, a China, India, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos da América.

Para conhecermos mais sobre este projecto e em particular sobre o impacto que tem e ainda pode vir a ter na economia portuguesa, entrevistamos o Dr. Bruno Gonçalves, Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear e Industrial Liaison Officer para o ITER.

 

- É o coordenador do contacto para apoio às empresas que queiram participar no projecto ITER, Já existem contactos celebrados com empresas portuguesas?

Desde que iniciei a actividade que tenho tentado informar regularmente as empresas das oportunidades que existem no ITER. Algumas empresas já tiveram contratos para actividades de Engenharia no âmbito do ITER  (Active Space Technologies, Fibersensing). Recentemente a ASilva Matos concluiu com sucesso um contrato para o fornecimento de tanques de Hélio para o dispositivo japonês JT60-SA também inserido no âmbito da colaboração internacional para o ITER e o ISQ celebrou há cerca de um mês um contrato de consultoria na área da qualidade.

- Como tem sido feita a divulgação deste projecto a nível nacional?

Actualmente a divulgação tem sido feita directamente junto das empresas com as quais tenho contacto (enquanto Industrial Liaison Officer para o ITER) e que demonstraram interesse no projecto e também para associações empresariais através dos emails que se encontram nas nossas bases de dados

- Como tomamos conhecimento, a construção do complexo Tokamak começou em 2013  – existem empresas portuguesas envolvidas na construção do complexo?

Que eu tenha conhecimento não existem empresas portuguesas envolvidas na construção. Creio que o facto do ITER estar a ser construído em França e ser uma instalação nuclear constitui um forte entrave à entrada das empresas nacionais na construção do complexo

- Quais considera serem as principais oportunidades para as empresas portuguesas neste projecto?

As principais oportunidades são sobretudo ao nível da engenharia nas áreas de  consultoria e serviços . Mas o sucesso da ASilva Matos demonstrou também que existem outras áreas (por exemplo, metalo-mecânica) onde Portugal pode ser competitivo

- Relativamente a equipas de investigação científica, tem conhecimento de algum grupo português envolvido? Em que área?

O Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN), a unidade de investigação que dirijo,  tem também tido um sucesso considerável na obtenção de contratos. Temos três contratos para I&D na área de diagnósticos (no valor de 11M€), desenvolvemos um protótipo de um sistema de controlo rápido, colaboramos com Indra num contrato de consultoria de Engenharia na área de instrumentação e tivemos alguns projecto na área de manipulação remota. Nestes contratos temos envolvido outras Unidades de Investigação nacionais (por exemplo, INOV e IT)

- Este é um projecto que promete revolucionar a forma como obtemos energia, Quais são as suas expectativas?

O ITER tem como objectivo provar a viabilidade científica e técnica da produção de energia eléctrica com base em processos de fusão nuclear. O projecto visa demonstrar um factor de amplificação de energia de 10 (produzir 10 vezes mais energia que a consumida para iniciar a reacção). É um passo essencial para que possamos avançar para o protótipo de um reactor comercial com capacidade para produzir e injectar electricidade na rede. As minhas expectativas são que o projecto seja um sucesso e o passo necessário para resolver os problemas energéticos da humanidade.

As vantagens da fusão nuclear (não produz CO2, combustível é abundante, segurança, custo, resíduos reduzidos) são inquestionáveis. Como em qualquer projecto de investigação existem riscos e dificuldades mas é um investimento que se pode transformar num inquestionável benefício para humanidade.

 

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Águas de Portugal vence prémio internacional de inovação

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A AdP desenvolveu um projeto designado por Redes Neuronais Artificiais, baseado em modelos inspirados no funcionamento do cérebro humano, que procura aumentar a produção de energia em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Este projeto mereceu um prémio de inovação em Istambul na área da água e energia.

Os WEX Global Awards são atribuídos anualmente no âmbito da conferência internacional Water and Energy Exchange (WEX) Global. A edição de 2015 decorreu de 23 a 25 de fevereiro em Istambul, na Turquia, com o tema “Water, Energy, and the Zero Waste Society”, e Portugal trouxe um prémio para casa.

Tecnicamente falando, este projeto, denominado Neural AD (Neural Networks + Anaerobic Digestion), visa a otimização da produção de energia a partir de biogás resultante do processo de Digestão Anaeróbica das lamas produzidas nas ETAR, na medida em que permite melhor predizer o comportamento do processo em diferentes condições operacionais.

O Neural AD foi concebido pela Águas de Portugal mas também contou com a contribuição de quatro instituições de ensino portuguesas: o Instituto Superior de Engenharia do Porto, que se juntou logo em 2013 ao projeto, e em 2014 juntou-se o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Minho. Claro que também contou com o apoio da AdP Serviços e de empresas do Grupo com operação de sistemas de saneamento, como a Simtejo e a Sanest.

Neste momento, o projeto encontra-se em fase experimental em seis ETAR do Grupo AdP, e prevê-se a extensão do projeto a mais sistemas de cogeração de biogás de lamas de ETAR do Grupo.

Afonso Lobato de Faria, presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal, destaca não só o reconhecimento internacional que este prémio alberga, “especialmente gratificante porque competimos com os grandes players internacionais” mas também o sucesso da parceria entre empresas do Grupo e o meio académico.

O Grupo Águas de Portugal integra um conjunto de empresas nacionais que operam e exploram infraestruturas de abastecimento de água, de saneamento de águas residuais e de tratamento e valorização de resíduos que servem cerca de 80% da população do território continental, nomeadamente 179 Estações de Tratamento de Água (ETA), 967 Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e uma extensão de redes de abastecimento e de saneamento de cerca de 20 mil quilómetros, entre outras.

 

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Engage SKA – Consórcio português no primeiro telescópio transcontinental

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    O SKA é o “Square Kilometre Array (SKA)” (Matriz de um quilómetro quadrado) é o projecto internacional para a construção do maior telescópio dedicado às ondas rádio. Constituído por uma matriz de detectores que cobrem uma área de um quilómetro quadrado, a escala do SKA representa um “salto de gigante” no desenvolvimento estrutural e científico actual.

O SKA usará centenas de milhares de telescópios-rádio, em três configurações diferentes. Esta matriz de telescópios permitirá monitorizar o céu com um detalhe que até aqui era impossível (50 vezes superior ao do telescópio Hubble) e de forma muito mais rápida (milhares de vezes mais rápida, pode ler-se no site).

Na verdade são dois os SKAs que irão ser construídos: um em África (no deserto Karoo na África do Sul) e um na Austrália (região de Murchison). O primeiro ficará responsável pela recepção das frequências altas e médias (dos 3MHz até aos 20GHz), enquanto o segundo ficará responsável pelas frequências mais baixas (abaixo dos MHz) e por albergar a maioria da instrumentação de análise de dados.

Este projecto pretende ajudar a encontrar respostas sobre as principais questões da astronomia moderna: Como evoluem as galáxias ? O que é a matéria e a energia escura? Qual a origem e como se deu a evolução do magnetismo cósmico? Entre outras.

De acordo com o projecto, os trabalhos nos terrenos já começaram, assim como a verificação e testes dos dispositivos, estando prevista uma primeira matriz de sistemas protótipo para o próximo ano, 2016. Finalmente, a construção da versão-final das matrizes de telescópios começará em 2018 e deverá estender-se até 2023, embora em 2020 já se esperam os primeiros resultados científicos.

Este projecto resultará de um esforço mundial no qual estão directamente envolvidas 100 organizações de 20 países diferentes. Não é para menos dada a tarefa colossal de transferência, armazenamento e análise dos dados recebidos, que irá ultrapassar a quantidade total de dados que são transferidos actualmente na internet.

 

- Os dados recolhidos pelo SKA num único dia precisariam de dois milhões de anos, aproximadamente, para serem reproduzidos por um iPod.-

 

Apesar de Portugal ainda não ser um dos onze países membros da SKA Organisation, quer ajudar de forma significativa no desenvolvimento dos telescópios rádio. A EngageSKA é o nome do consórcio português composto por cinco instituições ligadas ao mundo académico (Instituto de Telecomunicações, as universidades de Aveiro, do Porto e de Évora e o Instituto Politécnico de Beja) e por sete empresas (Martifer Solar, Critical Software, Active Space Technologies, LC Technologies, Portugal Telecom, Coriant e a Visabeira), coordenado por Domingos Barbosa, do Instituto de Telecomunicações em Aveiro. Os objectivos fundamentais do EngageSKA estão relacionados com o desenvolvimento estrutural, sobretudo no desenvolvimento das infra-estruturas necessárias e dos protótipos baseados nos “Aperture Arrays” que irão ser instalados em Moura. A investigação da radioastronomia fundamental também faz parte do objectivo deste consórcio, através da criação e teste de desenvolvimento de modelos usando computadores de alta performance, entre outros objectivos.

 

Este, é sem dúvida, um projecto a seguir. Uma ambição a nível mundial que nos permitirá abrir a janela dos sentidos para o Universo (ainda) escondido.

 

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fnte: UA e  http://unitedkingdom.skatelescope.org/ska-project/

NOOCITY – “Uma horta em qualquer lugar”

FotoEquipe

A Noocity é uma empresa dedicada ao desenvolvimento de soluções práticas e eficientes para a agricultura urbana.  O objectivo desta startup portuense é incentivar a práctica de hábitos e rotinas mais ecológicos e saudáveis, tornando o dia a dia dos cidadãos urbanos modernos mais fácil e agradável.

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a Noocity para mim, tem sido sobretudo um desafio, um projecto em que acredito bastante, por se tratar, em certa medida, de um novo tipo de indústria, mais sustentável. Tem sido um prazer e é um orgulho fazer parte deste projecto inteiramente desenvolvido em Portugal.

– Leonor Babo (Responsável pela área de comunicação)

A ideia surgiu na primavera de 2013 quando os amigos José Ruivo, Pedro Monteiro e Samuel Rodrigues resolveram montar uma horta num pátio de um prédio no centro da cidade do Porto.  Por não encontrarem produtos adequados para agricultura urbana decidiram cultivar os seus próprios alimentos, juntaram esforços e experiências em arquitectura e permacultura e resolveram construir os seus equipamentos.

No verão do mesmo ano já partilhavam legumes e ervas aromáticas que cresciam aos montes numa série de caixas e sistemas onde antes só havia cimento. Os protótipos foram evoluindo e os três perceberam que poderiam transformá-los em produtos, a ideia amadureceu, tomou forma e em Setembro do mesmo ano nasce oficialmente a Noocity Ecologia Urbana.

O nome Noocity surge da mistura entre o prefixo NOO que representa a consciência colectiva e a palavra CITY que faz referencia ao universo urbano. A empresa quer ajudar a trazer a produção de alimentos para dentro de casa, desenvolvendo equipamentos eficientes e acessíveis que permitem que as pessoas produzam comida nas cidades de forma simples e ecológica.

O objectivo da Noocity é contribuir para uma sociedade cada vez mais consciente e autónoma, fornecendo as ferramentas necessárias para agir reorganizando a paisagem urbana, a relação com a alimentação e a vida em comunidade.

Os produtos da Noocity funcionam com base num sistema de subirrigação, que reduz o consumo de água (menos 80% do que os sistemas convencionais) e se adequa às necessidades da espécie plantada. Esta técnica facilita o trabalho a utilizadores menos familiarizados com a actividade hortícola. A própria montagem dos produtos é simples e não requer ferramentas extra. Os materiais utilizados possuem, ainda, um certificado de não-toxicidade. A Growbed vem em três dimensões (S, M e L) e permite múltiplas configurações mediante o espaço a ocupar. A Growpocket foi pensada para o cultivo vertical, pelo que é colocada sobretudo em superfícies como paredes e muros.

Para financiar a primeira produção em grande escala, a Noocity iniciou, em finais de Fevereiro,, a sua primeira campanha de crowdfunding.  A fasquia inicial de 30 mil euros (num mês) foi ultrapassada em menos de uma semana. O objectivo está, agora,fixado nos  70 mi euros, o que pode vir a permitir a integração um sistema de compostagem na Growbed. Cada donativo, dependendo do seu valor, corresponde a uma recompensa dentro da gama Noocity.

http://youtu.be/dUX1aGdADb4

Depois de Espanha e Italia, a Noocity chegou agora a São Paulo. Numa das cidades mais densas e pulsantes da América Latina, existe agora uma novidade verde. Num dos seus bairros mais “descolados”, a Vila Madalena, e bem perto do já conhecido “Beco do Batman”, há um novo oásis da sustentabilidade, o Ecobeco. O Ecobeco é, para aempresa, a plataforma ideal, um espaço de convívio e aprendizagem, com atelier, oficina e horta comunitária, a casa que faltava à Noocity para se dedicar de corpo e alma ao mercado brasileiro.

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fotos: DR
http://www.noocity.com

Parque de Serralves entre os 250 jardins mais notáveis do mundo

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A editora Phaidon lançou recentemente o livro The Gardener’s Garden, uma selecção de 250 jardins entre os mais notáveis de todo o mundo. O Parque de Serralves faz parte desta exclusiva lista, elaborada por um painel de especialistas internacionais.
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O The Gardener’s Garden, uma publicação com mais de 1200 ilustrações em cerca de 500 páginas, é uma fonte de inspiração para todos os que se interessam ou praticam o design de jardins.

O Parque de Serralves tem 18 hectares e é composto por uma grande diversidade de magníficos espaços harmoniosamente interligados: jardins formais, matas e uma quinta tradicional. Projectado pelo arquitecto Jacques Gréber para o Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral, em 1932, e cujo valor para a arte de jardins e desenho da paisagem havia já sido reconhecido em dezembro de 2012 ao ser classificado como Monumento Nacional, vê nesta publicação um reforço a nível internacional do seu prestígio e singularidade enquanto jardim histórico na transição entre o clássico e o moderno.

 
Uma visita ao Parque, em qualquer um dos seus circuitos com diferentes percursos e durações, é uma oportunidade privilegiada para estar em contacto com a natureza e apreciar a grande diversidade de um património arbóreo e arbustivo composto por sensivelmente 200 espécies e variedade de plantas autóctones e exóticas ornamentais. Além disso, os jardins e o parque são também cenário museográfico: numa visita ao parque poderá conhecer as esculturas – expostas em permanência – que são obras da Colecção da Fundação de Serralves.
 
 
fonte: Serralves
fotos: DR

A app da rede social Surfstoke ganha prémio europeu

surfstoke
A Surfstoke é uma rede social para surfistas e amantes de ondas que promove a interacção entre praticantes, criando a solução perfeita entre surf reports fidedignos e a competição saudável.

A aplicação móvel portuguesa Surfstoke está entre as  vencedoras da competição EU Mobile Challenge, que decorreu em Barcelona, adquirindo o estatuto de melhores apps europeias. O prémio foi entregue numa cerimónia durante a maior feira de mobilidade do mundo, o Mobile World Congress.

De forma simples e intuitiva, os utilizadores da app fazem check-in mal chegam à praia, criando um surf report que integra a informação do estado do mar (fornecida pelo Instituto Hidrográfico e automaticamente carregada na app) e a sua opinião – sustentada num comentário, rating e uma fotografia. De seguida, os utilizadores têm a opção de partilhar o seu report com todos os membros da app ou apenas com 1 ou 2 amigos, salvaguardando os chamados secret spots.

Estes check-ins permitem saber rapidamente onde estão os seus amigos a surfar e quais são os spots que estão com melhores condições no momento, poupando tempo e reduzindo incerteza numa ida à praia em vão.

De forma a despertar uma vontade acrescida de surfar e superar os amigos, os utilizadores ganham pontos por cada check-in que façam, entrando directamente para o ranking Surfstoke. Os utilizadores com mais pontos têm ainda acesso a ofertas nas lojas parceiras do projecto como a Paez, ORG ou Bana, dinamizando também estes negócios. Assim, quanto mais os utilizadores surfarem e ajudarem a comunidade, mais recompensas ganharão.

A Surfstoke é gratuita e está disponível para iOS e Android, tendo sido criada por quatro empreendedores: Joana Matos, Francisco Brito, João Rodrigues e Nuno Ferro que, com o selo MIT-Portugal, pretendem melhorar a forma como os wave riders comunicam entre si.

www.getsurfstoke.com

 

fotos: DR

Najha – juntando o melhor de Portugal: cortiça e bom gosto

nahja

Najha é uma marca de acessórios e calçado 100% portuguesa e eco-friendly. Porque nunca é de menos exaltar as marcas que apostam no que  Portugal tem de melhor, reforçando assim uma imagem de excelência em certas áreas, e no que toca à cortiça a liderança de Portugal é inquestionável.

Criada em 2009 por Daniela Sá, os produtos Najha vão desde bolsas, a chapéus, a calçado e cintos. Os materiais que os compõem resumem-se basicamente à cortiça,  que pode adquirir qualquer feitio e cor, e ao algodão, 100% orgânico, materiais que provêm de metedologias de produção com baixo impacto no meio ambiente.  Posteriormente, cada peça é manuseada manualmente, conferindo um toque único e pessoal a qualquer artigo.

Daniela Sá, que já foi nomeada em 2012 para “Designer of the Year – Accessories” pela revista de moda inglesa Drapers, apresenta assim ao mundo um conceito de Moda Sustentável muito característico e sempre com um design elegante.

Para além deste ambicioso objetivo – uma menor footprint no que toca ao ambiente -, a marca também tem como pilar a responsabilidade social, e o facto de por cada Najha vendida, contribuirem com uma percentagem para uma ONG, a “Viver100fronteiras”, comprova este compromisso.

No que diz respeito à internacionalização da marca, a Najha já está presente em Espanha, Itália, França, Canadá, México, China e Hong Kong. Segundo Daniela Sá,“Pela identidade única da Najha, o processo de internacionalização aconteceu de forma natural, havendo o apelo e interesse do exterior em comercializar os artigos Najha, reconhecendo-a como uma marca distinta e de alta qualidade de bolsas e acessórios em cortiça, com um conceito único no Mundo”.

E como não poderia deixar de ser, sinto a necessidade de envolver a economia portuguesa nesta questão. Não se trata apenas de uma “abertura de novas consciências no mundo da moda”, trata-se também de uma utilização de recursos inteligentíssima, que por certo só está a resultar devido ao extremo bom gosto da criadora, claro está. Assim, peço que tomem atenção aos seguintes dados que retirei da APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça, pois, como já referi, é inquestionável a liderança portuguesa no que toca à cortiça, e é sempre positivo termos uma noção destas estatísticas que elevam Portugal.

// Portugal tem uma área de 730 mil hectares de montado de sobro, é responsável por mais de 50% da produção mundial de cortiça.

// As exportações portuguesas de cortiça atingiram, em 2012, 846 milhões de Euros e 189 milhares de toneladas.

// A nível nacional, o valor das exportações portuguesas de cortiça representam 2% das exportações de bens portuguesas e mais 30% do conjunto das exportações portuguesas de produtos florestais.

// Como é óbvio… o sector rolheiro representa cerca de 70% do valor das exportações da indústria da cortiça. Estes produtos de moda apesar do potencial e da propaganda nacional, representam uma pequeníssima percentagem desta indústria corticeira.

 

Como nota final, fica aqui um agradecimento a estas marcas portuguesas que apostam nos nossos recursos naturais de uma forma inovadora e um desejo de que este empreendedorismo nacional continue a crescer.

 

fotos: DR