Equipa internacional de cientistas utiliza método pioneiro para “desqueimar” ossos

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Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lideram uma equipa internacional que está a desenvolver um método, pioneiro a nível mundial, para resolver um dos grandes problemas dos cientistas forenses: a caracterização biológica rigorosa de vítimas desconhecidas com base nos seus restos mortais queimados, em situações complexas como acidentes de avião ou ataques terroristas.

Quando os ossos são queimados, “a sua estrutura e dimensão são alteradas, tornando difícil a tarefa de identificar sexo, idade e estatura”, explica David Gonçalves, do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde (CIAS), acrescentando que, “por exemplo, essas informações podem ser importantes para estabelecer a identificação positiva de uma vítima desconhecida.”

O especialista em ossos da UC sabe bem a dificuldade que estes casos levantam e, por isso, colocou o problema a Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho, da Unidade de I&D “Química-Física Molecular”, que utilizam luz e feixes de partículas de alta energia para estudar estruturas biológicas a nível molecular.

A esta equipa juntaram-se mais três investigadores, dois deles do Reino Unido, tendo avançado para um método que usa feixes de neutrões para avaliar as mudanças ocorridas quando os ossos são submetidos a processos de queima.

As designadas técnicas de espectroscopia vibracional fornecem informação impossível de obter por outras vias: “com recurso a lasers, feixes de neutrões e radiação de infravermelho, conseguimos avaliar a estrutura submicroscópica do osso, ou seja, ver como compostos seus constituintes estão organizados, permitindo saber, por exemplo, quanto tempo esteve exposto a temperaturas elevadas, que tipo de explosivo foi usado, etc.”, esclarecem Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho.

Na prática, os investigadores pretendem obter um factor de correção das dimensões alteradas por processos de queima, permitindo rapidamente encontrar as características e tamanho originais dos ossos”. É como “desqueimar” o esqueleto.

As primeiras experiências realizadas com o feixe de neutrões do Laboratório de Investigação ISIS – Harwell Campus (Science & Technology Facilities Council, Reino Unido) em amostras de ossos humanos indicam que o método é promissor.

As amostras utilizadas são provenientes de ossadas não reclamadas que foram doadas à Colecção de Esqueletos Identificados do Século XXI alojada no Laboratório de Antropologia Forense da Universidade de Coimbra.

Se tudo correr como previsto, dentro de três a quatro anos, cientistas forenses e bioarqueólogos terão ao seu dispor “uma ferramenta fiável, rápida e de baixo custo para avaliar as mudanças ocorridas nos ossos queimados. O problema dos métodos métricos que usamos actualmente para construir o perfil biológico é o seu grau de fiabilidade, que é baixo”, observa David Gonçalves.

Apesar de ainda ter muito trabalho pela frente, a equipa está confiante em obter um instrumento de correcção pioneiro que terá um forte impacto em múltiplos cenários, “quer em contexto arqueológico quer em contexto forense, nomeadamente em situações de crime, terrorismo e acidente, entre outros.

Fonte: UC
Foto: DR

 

Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência descobrem que o sistema imune afeta a evolução de bactérias do intestino

IGC-RodentFacility-14A nossa saúde depende fortemente da diversidade de bactérias que habitam o nosso intestino e da forma como o sistema imune tolera essa diversidade ou responde às bactérias patogénicas para prevenir doenças. Num estudo publicado esta semana na revista científicaNature Communications*, investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descobriram que quando o sistema imune do hospedeiro é comprometido, a composição de bactérias do intestino muda, e o ritmo e a previsibilidade do processo de adaptação dessas bactérias são afetados.

Este estudo sugere que o tratamento de patologias intestinais que resultam de um sistema imunitário deficiente, tais como a doença inflamatória intestinal, pode requerer terapias baseadas em medicina personalizada que tenham em conta a composição individual das bactérias intestinais.

Esta investigação, liderada por Isabel Gordo e Jocelyne Demengeot, é o primeiro trabalho experimental que confirma a hipótese de que o sistema imune influencia a evolução das bactérias do intestino. O intestino é um ambiente altamente complexo, tendo as bactérias aí residentes de se adaptar e evoluir para lidarem de forma eficiente com os diferentes estímulos, incluindo a dieta diversificada que ingerimos todos os dias. Isto origina cada vez mais diversidade de bactérias, que necessitam de ser controladas pelo nosso mecanismo de vigilância, o sistema imunitário, de modo a evitar doenças. Já se sabia que surgem patologias quando o sistema imunitário falha e há disrupção na comunidade de bactérias do intestino. Mas uma ligação direta ou indireta entre o sistema imunitário e a evolução de bactérias ainda não tinha sido provada.

A equipa de cientistas do IGC investigou como é que a Escherichia coli (E. coli), uma das primeiras bactérias a colonizar o intestinodepois do nascimento, evolui em ratos saudáveis e em ratos que não possuem linfócitos, os glóbulos brancos do sistema imune.Enquanto em animais saudáveis são observadas rápidas adaptações metabólicas à dieta, as mudanças são mais lentas em ratosimunologicamente comprometidos, onde o sistema imune não funciona corretamente. Os investigadores observaram ainda que o mesmo tipo de adaptações benéficas ocorria em todos os ratos saudáveis que foram estudados. No entanto, nos animais que não possuemlinfócitos, foram observadas grandes variações entre indivíduos, tornando difícil prever o curso de evolução das bactérias naqueles animais. João Batista, estudante de doutoramento e primeiro autor do estudo, explica: “Nós observámos que esta característica se deve amudanças na composição da comunidade de bactérias no intestino, que é mais semelhante em indivíduos com um sistema imune saudável e bastante mais diversificada em animais com um sistema imune comprometido. ”

“Foi possível desenvolver este trabalho de investigação porque no IGC há um espírito de cooperação que junta grupos de investigação de diferentes áreas de ação. Assim, integrámos os nossos conhecimentos sobre evolução e imunologia para estudar as complexas interações existentes entre o sistema imune dos vertebrados, composto por inúmeras células diferentes, e a microbiota intestinal, tambémcomposta por inúmeras bactérias diferentes. Aprendemos que o sistema imune funciona como um normalizador da composição de bactérias do intestino”, comenta Jocelyne Demengeot.

Isabel Gordo acrescenta: “O nosso trabalho mostra que é possível prever a evolução das bactérias comensais em organismos saudáveis, mas o mesmo não acontece em organismos com problemas no seu sistema imune. Assim, o uso de terapias generalistas para tratar pessoas que sofrem de patologias intestinais resultantes de um sistema imunitário deficiente, como é o caso da doença inflamatória do intestino, pode não ser a melhor abordagem. Em vez disso, devem ser consideradas terapias baseadas em medicina personalizada, que tenham em conta a composição de bactérias do intestino de cada pessoa.”

Recentemente, o trabalho desenvolvido por esta equipa que antecedeu este estudo foi distinguido com o Prémio PLOS Genetics Research Award 2015. Este estudo foi financiado pelo Conselho de Investigação Europeu e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

 

* Barroso-Batista, J., Demengeot, J., and Gordo, I. (2015) Adaptive immunity increases the pace and predictability of evolutionary change in commensal gut bacteria. Nature Communications. DOI: 10.1038/ncomms9945

Créditos da fotografia: Roberto Keller (IGC).

Soraya Gadit, CEO da InoCrowd, agraciada com Prémio Femina 2015

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Soraya Gadit, fundadora e CEO da InoCrowd foi agraciada por ter contribuído para o prestígio de Portugal e da Lusofonia nas áreas do Empreendedorismo e da Inovação. 

O Prémio Femina foi criado em 2010, para agraciar as Notáveis Mulheres Portuguesas. Na celebração do Quinto Aniversário da sua fundação procedeu ao alargamento do âmbito das suas destinatárias, que serão as Notáveis Mulheres Portuguesas e da Lusofonia – oriundas de Portugal, dos Países de Expressão Portuguesa, das Comunidades Portuguesas e Lusófonas, e Luso-descendentes, que se tenham distinguido com mérito ao nível profissional, cultural e humanitário no Mundo, pelo Conhecimento e pelo seu relacionamento com outras Culturas. Foram sete as mulheres agraciadas com esta distinção.

A edição comemorativa do seu Quinto Aniversário foi realizada com jantar e cerimónia de entrega do Prémio Femina 2015, no dia 28 de Novembro de 2015, no Salão Macau do Museu do Oriente, em Lisboa, onde as agraciadas receberam o prémio pelos membros da Comissão de Honra (João Micael, Amadeu Leitão Nunes, Delmar Maia Gonçalves e Pedro Ferreira de Carvalho).

Receber este prémio significa o reconhecimento do meu trabalho e também é o resultado do sucesso da InoCrowd e da minha equipe. 

A Inocrowd é  uma Startup que visa estabelecer uma relação directa entre o mundo académico ou de alguém que tenha uma solução – Solver – e o mundo empresarial – Seeker, procurando diminuir o GAP / distanciamento existente entre ambos.

Soraya Gadit é uma das fundadoras da InoCrowd, que surgiu a 20 de janeiro de 2011. Soraya é formada em Ciências Farmacêuticas pela FFUL (Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa) e tem um MBA em Finanças e Gestão pela AESE.

Em declarações à Excelência Portugal, a empreendedora salientou que “receber um prémio que personagens tão ilustres como por exemplo a Dra. Manuela Ramalho Eanes, Dra. Maria Barroso, Dra. Maria de Belém e Professora Elvira Fortunato já receberam é para mim um enorme orgulho. Inspira-me e dá-me força para continuar a trabalhar de forma a valorizar ainda mais o conhecimento e promover a inovação das nossas empresas e universidades”.

Agraciadas com o Prémio Femina 2015 e a Comissão de Honra

Lista completa das agraciadas:

Prémio Femina de Honra
Georgina de Mello
Directora-Geral da CPLP

Por méritos relevantes na Excelência Profissional
Albina Assis Africano

Por mérito nas Letras: Literatura – Investigação e ensino de Literaturas Lusófonas
Inocência Mata

Por mérito nas Letras: Literatura – Poesia e ficção
Ana Mafalda Leite

Por mérito nas Ciências: Investigação relevante
Fátima Cardoso

Por méritos relevantes na Excelência Profissional, e, que tenha contribuído para o prestígio de Portugal e da Lusofonia: Empreendedorismo e inovação
Soraya Gadit

Pela Divulgação da Cultura de Matriz Portuguesa no estrangeiro e na Lusofonia
Sónia Matias

Fonte: Matriz Portuguesa/Prémio Femina
Fotos: DR/João de Sousa

 

Doctor Gummy – Guloseimas saudáveis

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A portuguesa Doctor Gummy preocupa-se com a saúde humana e quer ajudar na resolução da preocupante obesidade infantil. Esta empresa social  procura desenvolver soluções mais saudáveis do que aquelas que são disponibilizadas pelo mercado e fabrica guloseimas naturais e saudáveis.

Sugar Tax: esta é a mais recente campanha do famoso chef britânico Jamie Oliver que propôs ao seu Governo a imposição de um novo imposto específico para bebidas/alimentos com muito açúcar como os refrigerantes. Desta forma, os preços destes produtos subiriam levando a uma redução da sua compra e consumo. A ideia é, portanto, desencaminhar a população britânica do seu atual rumo em direção a doenças como a obesidade e diabetes devido a um consumo excessivo de açúcar.

No entanto, esta ideia foi recentemente rejeitada pelo Primeiro-ministro britânico que, segundo alguns, foi pressionado por lobbys da indústria alimentar para não aceitar a proposta. Mas porque é tão importante para a indústria alimentar manter o açúcar tão presente nas nossas vidas?

Já foi mostrado por muitos que o açúcar é viciante. Isto significa que alguns produtos são mais vendidos quando têm mais açúcar. Tirar ou reduzir o açúcar de determinados alimentos ou bebidas pode representar para algumas empresas perda de muito dinheiro. Assim, estas lucram à custa da saúde e bem-estar de muitos. Ao que isto já chegou.

Outro grande problema está relacionado com medicamentos para crianças aos quais é frequentemente adicionado açúcar (até 90%) para os tornar mais apetecíveis, já que por vezes é difícil convencer uma criança a tomar um medicamento cujo sabor não lhe agrada. O resultado da ingestão deste tipo de medicamentos é que, para resolver um problema de saúde, criamos outros como cáries, obesidade e diabetes infantil.

Tudo começou quando Nuno Santos, engenheiro químico, se deparou pela primeira vez com este problema enquanto trabalhou como voluntário com crianças às quais eram administrados medicamentos com grandes quantidades de açúcar, na Associação das Escolas Jesus, Maria, José no Porto. Decidiu então explorar novas ideias para tornar os medicamentos mais aliciantes para crianças sem a adição de açúcar. “Nenhuma criança gosta de medicamentos, mas todas gostam de guloseimas” diz o investigador ao P3 do Público. Depois de meia-dúzia de anos de experiências com folhas, cascas e raízes em diferentes laboratórios e universidades europeias, em 2014, o engenheiro químico Nuno Santos criou algo que “engana o cérebro e leva-o a acreditar que é doce” e pode finalmente concretizar esta ideia. Registou duas patentes nacionais e uma internacional.

Assim surgiu a Doctor Gummy que pretende ajudar na resolução desta epidemia de obesidade infantil. Esta empresa social portuguesa fabrica gomas, chupa-chupas, rebuçados, pastilhas e chocolates 100% naturais e saudáveis e com 0% de açúcar, adoçante, glúten, lactose, corantes, aromatizantes e conservantes artificiais.

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A empresa aposta simultaneamente em dois mercados: indústria alimentar, como guloseima saudável vendida em cadeias de supermercados, e na indústria farmacêutica sendo um medicamento um dos componentes das guloseimas.

A Doctor Gummy terá guloseimas para todos os gostos. Relativamente à gelatina usada no fabrico das suas gomas, por exemplo, haverão três formulações: gomas com gelatina de porco, gomas com gelatina de vaca (halal) e gomas com gelatina vegetal (para vegetarianos).

Outra grande vantagem é a ausência de corantes artificiais que são os principais responsáveis pela intolerância de muitas crianças à gelatina. A Doctor Gummy dá cor às suas guloseimas usando legumes e vegetais como a abóbora, a cenoura e os espinafres. Enquanto que a maioria das marcas tradicionais usam entre 1 e 3% de fruta, esta empresa portuguesa usa 20%.

Estes são apenas alguns dos factos que convenceram os investidores a apostarem nesta ideia. O projeto recebeu um investimento direto no valor de 25.000€. Entretanto, já recebeu vários prémios, como o 2º lugar no prémio do jovem empreendedor da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). Mais recentemente, arrecadou o primeiro prémio do concurso Creative Business Cup na área de Inovação na Saúde, em Copenhaga. Já se está também a discutir a possibilidade de apresentar a ideia em Sillicon Valley.

A Doctor Gummy ainda nem lançou o produto e já recebeu encomendas imensas como a de um distribuidor francês: 42 milhões de euros para vendar pela Europa. Estas guloseimas serão distribuídas em 132 países incluindo, claro, Portugal. A nível nacional poderá encontra-las em várias cadeias de supermercados a partir deste Natal.

Como se não bastasse, a Doctor Gummy é uma empresa social. Isto significa que os lucros serão reinvestidos no negócio ou entregues a organizações sociais de forma a promover valores sociais em cinco áreas: Saúde, Educação, Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade, tornando a DoctorGummy a primeira empresa certificada “Vitamina S”.

Por fim, Nuno Santos anunciou que pretende publicar em breve um livro que incentive o empreendedorismo social partilhando casos nacionais e conselhos práticos que aprendeu com a sua mais recente aventura.

Fontes:

http://www.bbc.com/news/health-34576006

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3283760/Cameron-says-no-sugar-tax-PM-not-read-report-suggests-levy-tackle-obesity-crisis-critics-accuse-influenced-food-giants.html

http://p3.publico.pt/vicios/gula/18942/estas-gomas-saudaveis-sao-portuguesas-e-premiadas

http://www.creativebusinesscup.com/article/world-champ-creative-entrepreneurs-2015


Fotos: DR

Ana Ferraz vence Prémio Nação Inovadora

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O júri do Prémio Nação Inovadora escolheu a investigadora barcelense Ana Patrícia Ferraz como vencedora deste prémio promovido pela Audi e a SIC Notícias. O resultado foi divulgado esta segunda-feira. 

Após a primeira fase que contou com 25 candidatos, Ana Patrícia Ferraz chegou à final com Gonçalo Fortes, fundador e CEO da Prodsmart e Miguel Neiva, designer fundador da Color Add.

Fico muito satisfeita por terem reconhecido o meu trabalho. Foram oito anos de investigação, trabalho e dedicação para chegar a uma solução que poderá ajudar a salvar vidas – Ana Patrícia Ferraz

Inovar e construir algo diferente, que contribuísse para a qualidade de vida das pessoas. É o lema de Ana Patrícia Ferraz que a levou à conquista do campeonato nacional e mundial da Microsoft Imagine Cup, na Rússia, há dois anos (na categoria de cidadania). Sempre com com o foco firmemente colocado na área da saúde.

Foi durante a licenciatura em Informática para a Saúde do Instituto Politécnico do Cávado e  Ave (onde leccionou) que começou a desenvolver um protótipo de um sistema para a determinação de testes pré-transfusionais de sangue, que desempenham um papel essencial nas situações de emergência médica. O protótipo realiza em cerca de 5 minutos os testes ABO e Rh, permitindo que se administre sempre um tipo de sangue compatível quando se faz uma transfusão. Ana acredita vivamente que este sistema pode salvar vidas.

Atualmente encontra-se a concluir o doutoramento em Engenharia Electrónica e Computadores na Universidade do Minho, além de ser mestre em Bioinformática pela mesma Universidade. É autora e co-autora de 13 publicações internacionais em jornais e conferências da especialidade.

Fonte: Nação Inovadora
Foto: Licínio Almeida, da Audi, com Ana Patrícia Ferraz e Francisco Maria Balsemão, do grupo Impresa (DR)

BLC3: Incubadora de Oliveira do Hospital no Top 10 Europeu

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A BLC3, de Oliveira do Hospital, acaba de ser distinguida com o prémio Top University Business Incubator numa competição que envolveu 117 incubadoras europeias. Com o nono lugar, a BLC3 foi a única incubadora portuguesa a aceder ao top ten deste ranking.

O Top University Business Incubator é considerado o ranking de referência das melhores incubadoras de empresas ligadas ao meio universitário. O prémio de 2015 foi atribuído pela UBI Global e pela I3P – Incubadora de Empresas Inovadoras do Politécnico de Turim numa conferência internacional realizada a 26 e 27 de outubro em Turim, em Itália.

Associação BLC3 – Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro, BLC3, é uma associação sem fins lucrativos, localizada em Oliveira do Hospital, que desenvolve atividades de (1) investigação e intensificação tecnológica de excelência, (2) incubação de ideias e empresas e (3) apoio ao tecido económico. about1[1]

João Nunes, Engenheiro Mecânico, aos 28 anos teve a iniciativa de criar a BLC3 como medida de combate a desertificação e envelhecimento da população na região interior centro e em 2010 foi-lhe dada a possibilidade de avançar com o projeto. Esta é a primeira e única entidade em Portugal criada para o desenvolvimento e industrialização das Biorrefinarias (2ª e 3ª geração) e da Bioeconomia e “Smart Regions”. Atualmente com 33 anos, o João é o Presidente e CEO da entidade.

A BLC3 funciona em duas valências: Centro de Tecnologia e Inovação e Incubadora de Empresas. A primeira remete para a valorização dos recursos endógenos através da tecnologia, contando com 22 projetos de I&DT (exemplo de alguns apresentado à frente), correspondendo à criação de 25 postos de trabalho (jovens investigadores com mestrado e doutoramento). No espaço da Incubadora, a BLC3 conta com 18 empresas/projetos incubados que correspondem a 31 postos de trabalho. É importante relembrar que o principal problema da região interior do país, está na fixação de jovens, uma vez que cada vez menos existem ofertas adequadas aos seus níveis de formação. A BLC3 contudo está a contrariar essa tendência e pretende continuar a captar jovens para as regiões mais periféricas.

As linhas estratégicas da BLC3 pretendem promover o desenvolvimento da Bioeconomia e “Smart Regions”:

  • Desenvolver e ligar o conhecimento aos problemas e oportunidades dos territórios;
  • Fixar massa crítica e jovens;
  • Alavancar a atividade económica através dos seus recursos;
  • Melhorar a qualidade de vida das populações; e
  • Promover o uso sustentável do espaço territorial de forma SMART e eficiente.

A BLC3 dispõe de uma estrutura e rede de excelência internacional composta por 55 entidades de 9 países europeus e mais de 115 investigadores e cientistas de excelência. Destaca-se, como por exemplo, o Conselho Superior de Investigação Científica de Espanha (CSIC), Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital, Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (IBET), Instituto Superior de Ciência Sociais e Políticas, Instituto de Tecnologia Química e Tecnológica (ITQB), Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), Universidade de Coimbra, Universidade de Jaén, Universidade do Minho, Universidade do País Basco, National Research Council (CNR), entre muitas outras entidades tecnológicas e também empresarias.


Estrutura e Operacionalização

 

BLC3 | Centro Tecnológico e de Inovação

A BLC3 desenvolve as suas principais atividades (investigação e intensificação tecnológica) no seu Centro Tecnológico e de Inovação (CTI). O CTI é constituído por 4 pilares de desenvolvimento de atividades de I&DT+i: (1) Cidadania; (2) Energia e Território; (3) Ambiente e Qualidade de Vida; e (4) Agricultura e Tecnologias Alimentares, com um vetor de base Bioeconomia e “Smart Regions”.

BLC3 | Centro de Incubação de Ideias e Empresas

No Centro de Incubação de Ideias e Empresas (CIE) existe a aposta de industrializar os conceitos investigados e desenvolvidos e de fixar massa crítica resultante da atividade do Centro Tecnológico e de Inovação. O CIE é constituído também por uma Incubadora de Ideias e Empresas, Incubadora | BLC3, para o apoio e dinamização do surgimento, fixação e desenvolvimento de novas ideias e empresas na região.

A Incubadora|BLC3 está integrada na RIERC (Rede de Incubadoras de Empresas da Região Centro de Portugal), participa em redes nacionais de mentorismo de projetos de empreendedorismo e tem ligação a uma rede internacional de excelência ao nível da investigação e inovação criada pela BLC3.

BLC3 | Centro de Apoio a Projetos e Ideias Inovadores

O Centro de Apoio a Projetos e Ideias Inovadores (CAPI) apoia o desenvolvimento de projetos e ideias inovadores, dando suporte ao Centro Tecnológico e de Inovação e ao Centro de Incubação de Ideias e Empresas e articula a estrutura da BLC3 com as Áreas de Acolhimento Empresarial. É o principal elo de ligação entre a BLC3 e comunidade em geral. As principais atividades são a gestão de projetos, seleção e identificação de fontes de investimento e financiamento, promoção de fundos estruturais, de investimento e comunitários. Está integrado no CAPI o Departamento de Bioeconomia e de Apoio ao Tecido Económico e o Gabinete de Apoio à Propriedade Intelectual e Industrial (GABI).

BLC3 | Área de Acolhimento Empresarial

Fruto do forte caracter e missão de industrializar conhecimento e tecnologia, com foco para o mercado, a BLC3 apresenta como último pilar da plataforma, a ligação e articulação com as Área de Acolhimento Empresarial, para que seja possível promover aceleração e o “scale up” dos projetos do Centro Tecnológico e de Inovação e do Centro de Incubação de Ideias e Empresas. Por último, numa abordagem, de fora para dentro, apoia à dinamização de Área de Acolhimento Empresarial e promove a ligação e o contato entre BLC3/empresas, Empresas/Empresas e Regiões/Regiões.

Prémios:

  • 2013 – Prémio Excelência: Tecnologia e Inovação, atribuído pela Caixa de Crédito Agrícola de Oliveira do Hospital
  • 2014 – 2º lugar nacional nos Prémios Europeus de Promoção Empresarial (European Enterprise Promotion Awards – EEPA) na área de “Apoio ao desenvolvimento de mercados ecológicos e à eficiência de recursos”..
  • 2015 (Outubro): Top 10 University Business Incubator (Europe)
  • 2015 (Novembro) World Top 25 University Business Incubators

 

Projetos:

Centro Bio: Bioindústrias, Biorrefinarias e Bioprodutos (Infraestrutura Tecnológica)

O projeto “Centro BIO: Bioindustrias, Biorrefinarias e Bioprodutos” consiste na criação de uma nova infraestrutura tecnológica numa área emergente a nível internacional e pioneira em Portugal – as Bioindústrias, Biorrefinarias e Bioprodutos.

O projeto foi co-financiado pelo QREN, no âmbito do Programa Mais Centro e da União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, no valor de 3,019 milhões de euros.

BioREFINA-TER (biorrefinação do Território)

O BioREFINA-Ter é um projeto multidisciplinar de I&D que está desenhado para desenvolver, em rede, a adaptação de tecnologias avançadas para efetuar a conversão de resíduos de exploração florestal e agrícola, de solos sem aptidão agrícola, em biocombustíveis de 2ª geração substitutos do gasóleo e da gasolina.

Já conseguiu congregar uma rede internacional de conhecimento composta por 32 entidades de I&D de cinco países europeus. Conta atualmente com uma rede de I&DT de 32 entidades de 5 países europeus.

i-DUCA (Inovação Educacional para o Desenvolvimento Sustentável: infanto-juvenil)

Assim o projeto pretende fomentar/contribuir para o desenvolvimento sustentável nos seus principais domínios (Económico, Social e Ambiental) preconizando: 1) a promoção do valor próprio, através da promoção do bem-estar (físico e mental) e competências, assim como, a estimulação e o desenvolvimento pessoal dos alunos tendo em consideração os valores da região onde são naturais: 2) valorização económica dos recursos endógenos, através da qualificação de capital humano; 3) fomentar nos jovens um espirito empreendedor e inovador, através da promoção da criatividade e outros mecanismos; 4) o recurso às tecnologias de informação/ informática com o objetivo de monitorizar/acompanhar o desenvolvimento das competências supracitadas e auxiliar no desenvolvimento de ferramentas e métodos para avaliar as mesmas e estimular os alunos.

Wastewater-pro (aproveitamento e valorização de efluentes de queijarias)

Os efluentes das queijarias são uma problemática e dificuldade existente e que muito preocupa todos os agentes económicos, diretos e indiretos, das zonas afetadas. Por um lado, as dificuldades em tratar e minimizar os impactes ambientais destes efluentes, e por outro, a significativa importância desta atividade para a região e sector primário.

No seguimento de 2 anos de trabalho de investigação e estudo por parte de alguns colaboradores da BLC3 o projeto de aproveitamento e valorização dos efluentes das queijarias encontra-se em fase de patente, com potencial enorme para a região, quer ao nível da possibilidade de produção novos produtos, como da minimização muito significativa dos problemas ambientais originados por este tipo de efluentes, perspetivando-se uma melhoria na qualidade de vida das populações afetadas, dos recursos hídricos e dos solos.

Projeto Jovens Agricultores

Este projeto é o resultado do Clube de Jovens Agricultores criado no Centro Tecnológico e de Inovação. Até à data representa já um investimento de cerca de 1,7 milhões de euros e a plantação de aproximadamente 60 hectares de macieiras e pereiras de S. Bartolomeu. Representa a primeira estrutura profissional de jovens agricultores que se está a criar na região de Arganil, Oliveira do Hospital, Tábua e Seia.

Fruit ECO-Drying Line (linha de desidratação automática e ecoeficiente de fruta)

Numa altura em que o mundo revela uma grande apetência pelos frutos secos – altamente valorizados nos mercados internacionais –, o projeto da BLC3 visa inovar, com um novo “modus operandi”, e valorizar uma das maiores riquezas regionais da região: a pera de S. Bartolomeu, também conhecida por Pera Passa, que quase desapareceu por falta de investimento tecnológico. O projeto de I&DT, financiado pelos fundos comunitários e com um valor de investimento de 603.623,10 Euros prevê a criação de uma unidade piloto que descasca, desidrata, espalma e embala as peras, automatizando todo o circuito que vai desde a produção até à entrada na cadeia comercial, com o objetivo de tornar esta linha ecoeficiente, por forma a tornar o processo competitivo.

Valor Queijo (valorização do queijo Serra da Estrela)

O principal objetivo deste projeto de I&DT, com o apoio dos fundos estruturais QREN/MaisCentro e com um investimento total de 533.524,98 Euros, é a valorização de um queijo DOP, através do desenvolvimento de um projeto de investigação aplicada para a construção de um protótipo de fabrico de unidoses de queijo de pasta mole.

Com a finalidade de valorizar a cadeia de valor, tanto para os produtores de leite como para as queijarias, que fabricam aquela iguaria serrana de Denominação de Origem Protegida a partir de leite de ovelha da raça Bordaleira Serra da Estrela, o projeto terá as seguintes fases: a) Criação de um “kit” analítico que diferencie o queijo produzido com o leite da raça Bordaleira Serra da Estrela daquele que incorpora leite importado de Espanha ou de raças de outras regiões geográficas; b) Eliminação dos bolores, que dificultam a conservação do queijo após os 35 a 40 dias de cura; c) Fatiagem do produto em doses individuais para responder aos novos padrões de consumo, com embalamento no auge da qualidade, através de uma embalagem que mantenha a textura da fatia e permita a sua conservação, sem bolores.

Value MicotecTruf (cogumelos silvestres e truficultura)

Explorar o potencial económico dos valores e dos co-produtos dos ecossistemas florestais é o objetivo do projeto biotecnológico que a BLC3 está a desenvolver conjuntamente com o Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e a Voz da Natureza – uma empresa incubada na BLC3 com atividade na área da investigação científica e tecnológica para o desenvolvimento de produtos inovadores.

O projeto visa desenvolver, na região interior centro do país, a produção de cogumelos silvestres nativos e investigar as condições propícias para a produção de trufas – fungos do solo que formam cogumelos subterrâneos. Este projeto foi financiado pelos fundos comunitários e tem um investimento global de 465.554,18 Euros. A executar durante os próximos dois anos, o ValueMicotecTruf contribuirá não só para a fitossanidade dos ecossistemas, como permitirá diminuir o risco dos grandes incêndios.

UpTextil

O setor têxtil da região Beira Serra é um importante setor empregador e de atividade económica. Neste contexto, a BLC3 está a dinamizar um cluster têxtil para o a valorização do setor, para o desenvolvimento de novos produtos e ligação ao Sistema Científico e Tecnológico. Este cluster é composto por 9 empresas da região Centro

Esta união permite que haja um aumento de capacidade de gerar valor acrescentado nas linhas de produção atual, pela produção de produtos com maior valor acrescentado.

Projeto S-MOBIL (Mobilidade Elétrica)

O S-MOBIL é um projeto de mobilidade elétrica assente em S pilares: “Smart”, “Small”, “Self”, “Security” e “Sustainable”. Este projeto encontra-se em fase de desenvolvimento piloto e está a criar um novo modelo de negócio de mobilidade elétrica “low cost” e com capacidade de responder aos desafios inerentes aos sistemas de mobilidade elétrica.


Fotos:
DR

 

 

IKI MOBILE – a nova marca portuguesa de telemóveis

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A IKI Mobile é a nova marca portuguesa de telemóveis, tablets e acessórios, que está pronta para conquistar o mercado português, apresenta smartphones de última geração, com um sistema operativo Android, a preços competitivos. A vasta gama estará disponível a preços que variam ente os 14,90€ e os 229,90€.

A IKI Mobile foi apresentada oficialmente por Tito Cardoso, CEO, numa cerimónia realizada, no dia 18 de novembro, no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, em Lisboa onde foi revelado o showroom e a apresentação em primeira mão dos smartphones e smartwatchs da IKI, num grande evento de lançamento da autoria da PMP Produções. Foi neste dia, às 17h, que o site oficial ficou disponível com as gamas da marca e os respetivos preços.

No que se refere à sua gama IKI Mobile apresenta um vasto leque de modelos que possibilita ao consumidor optar pelo produto que melhor se adapta ao seu estilo de vida.

Quanto às especificações, a marca apostou na diversificação com processadores MTK Mediatek, do Dual Core ao Octa Core, Câmara com Resolução a variar até aos 13MP e outras características que combinadas oferecem ao cliente produtos direcionados, eficazes e fiáveis na utilização diária em ambiente profissional, lazer e pessoal. Com o slogan “IKI Mobile, o poder nas suas mãos” a empresa promete que todos os clientes poderão usufruir do poder das tecnologias mais avançadas que combinam com as melhores especificações, design e performance, sempre com um preço acessível e competitivo.

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No seu discurso, Tito Cardoso explica o porquê desta aposta “conhecidos por criar e concretizar ideias, decidimos conceber uma linha de smarphones e acessórios transversais a todas as idades, géneros e culturas, apostando sempre na elegância” e seguidamente, refere o conceito da marca e da criação do logotipo que simboliza a comunicação entre duas pessoas “a IKI Mobile ao proporcionar o recurso à melhor tecnologia e ao design mais arrojado, torna a comunicação de tal forma fluída, segura e confiante que os intervenientes, os dois “i” e o próprio ato (comportamento) de comunicar se fundem num só “k”. Assim se criou o logotipo IKI.”

Referente à expansão da marca o CEO afirma que “Portugal é símbolo de qualidade, temos tido provas disso em qualquer parte do mundo, pelo que criar uma marca com o símbolo nacional, não é apenas um orgulho enorme, é uma oportunidade. Dessa forma, a IKI Mobile, pretende que Portugal conquiste novamente o mundo. Tentaremos ter a mesma coragem, navegaremos os mesmos mares e, com orgulho, levaremos a marca de Portugal para os quatro cantos do mundo, através da tecnologia atual, os nossos telemóveis, os nossos acessórios, o nosso produto. Isto é a IKI Mobile.”

12238432_1489358641369981_4104718340833585570_oFotos: DR

Equipa da UC recebe financiamento internacional para identificar mecanismo responsável pelo surgimento da doença de Alzheimer

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A perda da memória na doença de Alzheimer resulta da deterioração da comunicação entre neurónios mas, até recentemente, não se sabia como ocorria esta deterioração. Foi agora descoberto que a degeneração e perda de memória dependem do ATP, que funciona como molécula energética no interior das células, mas é um sinal de perigo quando libertado pelas células.

A descoberta é de uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), fruto de sucessivos estudos realizados ao longo da última década, tendo identificado um mecanismo celular ativado pelo ATP. Este mecanismo está presente durante o desenvolvimento neuronal e é anormalmente reativado em modelos animais de doença de Alzheimer, podendo estar na origem da perda de sinapses, que consistem na forma de comunicação entre neurónios e são essenciais para o correto funcionamento neuronal.

A equipa de investigação, coordenada por Ricardo Rodrigues, acaba de ser distinguida com 100 mil dólares pela Alzheimer Association, uma organização voluntária norte-americana para a saúde, sediada em Chicago. A Alzheimer Association é líder mundial no apoio, tratamento e investigação em Alzheimer, quer no financiamento para a investigação para o combate a esta e outras formas de demência, quer no apoio aos doentes de Alzheimer.

O financiamento atribuído à equipa de Ricardo Rodrigues vai permitir avaliar se este novo mecanismo contribui para a perda sináptica e de memória na fase inicial da doença de Alzheimer. “O ATP ativa um recetor na membrana dos neurónios, desencadeando uma cascata de eventos intracelulares que favorece a perda estrutural das sinapses. O recetor para o ATP que identificámos como estando envolvido neste processo degenerativo induz modificações na atividade de proteínas envolvidas na manutenção do esqueleto celular, comprometendo a estabilidade das sinapses”, explica Ricardo Rodrigues. O investigador refere ainda que, “com a demonstração de que o mecanismo agora identificado contribui para a perda das sinapses estaremos mais perto de identificar um alvo terapêutico que impeça o aparecimento da doença de Alzheimer.”

Os investigadores acreditam que este mecanismo característico da fase de desenvolvimento neuronal é reativado em situações patológicas como uma tentativa frustrada de recuperar a normal função cerebral, mas que devido ao contexto inadequado torna-se prejudicial.

Com o financiamento da Alzheimer Associationvamos testar em modelos animais (ratinhos) se o bloqueio deste recetor previne a degeneração sináptica e a perda de memória associada. Em linguagem simples, encontrar uma estratégia terapêutica que evite o surgimento da doença de Alzheimer”, realça o coordenador da pesquisa.

Os investigadores do CNC acreditam ainda que se for determinada uma estratégia eficaz para a doença de Alzheimer, “também será para outras doenças neurodegenerativas, que deverão partilhar este mesmo mecanismo de degeneração e morte celular. No futuro, poderemos ter um único medicamento para tratar diversas patologias que afetam o sistema nervoso central.

Fonte: UC
Foto: DR

Entrevista – Patrícia Augusta apresentou a sua primeira colecção no Portugal Fashion

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A jovem arouquense Patrícia Augusta apresentou a sua primeira colecção na 37ª edição do Portugal Fashion, evento nacional de moda que teve lugar no Porto, no final do mês de outubro.

O Portugal Fashion inclui, desde 2010, o espaço Bloom – Jovens Criadores, com o propósito de dar palco às criações de jovens promessas do mundo da moda. Foi neste espaço que a jovem criadora deu a conhecer o seu trabalho.

A Excelência Portugal esteve à conversa com esta promissora designer que nos deu a conhecer a sua colecção, as suas fontes de inspiração e os seus projectos futuros.

Trend me too | Patricia Augusta | Portugal Fashion Bloom - Celebration SS16

- A tua primeira colecção foi apresentada no Portugal Fashion. Que importância teve esta estreia num certame de tão grande relevo?

Foi importante para mim porque foi a primeira oportunidade que tive para mostrar algo que produzi, para um público com uma dimensão maior. Foram muitas horas de trabalho ao longo do processo e no fim, acabou por ser recompensado todo o esforço e todo o trabalho. Isto é muito reconfortante depois de tanta entrega e dedicação. Quando falo em esforço refiro-me não ao sentido negativo da palavra. Nesta área é preciso seguirmos um fio condutor e temos sempre que nos tentar equilibrar, para que tudo faça sentido e no fim funcione tudo de maneira harmoniosa. Por isso é importante para nós fazermos esse esforço que nos mantém focados e a aprendermos constantemente, a ficarmos mais metódicos e práticos. É uma pressão positiva.

- Que feedback recolheste da apresentação?

No geral correu tudo como o planeado, ou seja, bem. Para mim é muito importante saber o que as pessoas pensam do meu trabalho. É uma aprendizagem e tento sempre evoluir com as minhas escolhas sendo elas incorretas ou corretas. Porque acho que temos sempre como evoluir e temos que nos esforçar para o fazer. Em suma, penso que as pessoas gostaram, mas mesmo assim e fazendo autocrítica ao meu trabalho, acho que podia ter ido mais longe.

- Esta colecção representa o teu trabalho final do curso de Design de Moda do Modatex Porto. O que te inspirou na concepção da mesma?

Abandonei, não na totalidade, as referências que fui formando ao longo do curso e foquei-me mais naquilo que eu quero fazer como designer. Foi um trabalho totalmente livre. Eu gosto de trabalhar com volumes e dar-lhes uma nova reinterpretação. Mesmo que use o mesmo molde, posso fazer o impossível com ele. Eu quero testar os meus limites e penso que chegou a altura de o fazer. Nesta coleção como queria explorar mais os volumes, as trilobites começaram por ser a minha inspiração central, sendo que depois no processo natural de pesquisa cheguei ao livro de ilustrações Kunstformen der natur, do biólogo alemão Ernst Haeckel, que acabou por dar o nome à coleção. Fazia todo o sentido que fosse assim. Fui fazendo a seleção das ilustrações que mais me identifiquei e a partir daí desenvolvi silhuetas e trabalhei sobre elas. Acabei também por trabalhar muito em busto, sendo que a coleção acabou por se desenvolver mais na vertente da experimentação. Claro que o livro de ilustrações é muito mais que as ilustrações, é tudo o que o envolve, os sentimentos que me transmite, aquilo que eu retiro dele, principalmente a ligação ao mar e às formas marinhas.

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- Que materiais escolheste para a confecção?

Os materiais assim como as cores remetem para o fundo do mar e tudo o que lá podemos encontrar. Acabei por contrabalançar entre os materiais mais rígidos, como a tela, um tule estruturado e uma organza changeant semitransparente, com plissado cristal. As cores andam entre o preto, branco com apontamentos de bordeaux e cinza.

- Depois do Portugal Fashion, onde vai ser agora apresentada a colecção?

Depois de esta ter sido apresentada no Portugal Fashion e na exposição Class of’15, nas Galerias Península, no Porto, vou apresentar a minha coleção numa exposição em Arouca. Trata-se da localidade de onde sou natural, fato que muito me orgulha pois vou ter a oportunidade de apresentar a minha coleção a todos os meus amigos, à minha família e a toda a gente do local onde passei grande parte da minha vida. Foi uma oportunidade que a Câmara Municipal me deu e que aproveito uma vez mais para agradecer. Vai ser inaugurada em dezembro e vai durar cerca de um mês. Convido todos a visitarem-na.

- Além da moda, tens outras fortes apetências pela arte. Queres revelar um pouco?

O meu curso é muito completo e dá-nos a oportunidade de explorarmos áreas ligadas a este mundo e que servem para sermos mais versáteis no mercado de trabalho. Foi no curso que comecei a gostar de explorar a vertente mais artística da fotografia, que é mais uma das áreas onde quase não há limites e que gostaria de explorar cada vez mais. Eu realmente acredito que não há limites neste mundo e quero, não provar, mas contribuir para a moda de alguma forma. Neste momento estou a estagiar na Azta Group, uma empresa de desenvolvimento de produto. Trata-se de uma realidade diferente, mas onde também posso e quero evoluir muito. Noutra vertente, quem sabe não posso utilizar a moda também para ajudar os outros, até porque o voluntariado é uma ideia que tenho sempre presente. Aliás nesse ponto acho fundamental para a nossa evolução, vermos uma realidade diferente e usarmos os nossos recursos para fazermos alguém feliz ou contribuir para a evolução da mesma. Porque o voluntariado é uma troca de experiências fantástica. Tenho neste momento um primo a fazer voluntariado e ele parece-me espontaneamente feliz, para mim é também motivo de orgulho e claro, também uma inspiração.

Por fim, claro que como consumidora de arte, sou muito sensível à literatura, em especial à poesia, à música e ao cinema

- Que outros projectos tens em curso? Já estás a trabalhar na próxima colecção?

Tenho em curso a execução de uma nova colecção, tenho pensado muito nela, mas ainda não tenho nada concreto. Sobre esse ponto não quero neste momento adiantar muito, apenas posso dizer que será uma surpresa, como sempre.

Fotos: 
Backstage: Trend Me Too
Desfile: Portugal Fashion

 

Seringa a laser: Startup da Universidade de Coimbra lança primeiro produto

2fe421bc-3780-43c8-964e-39cb85f2274c[1]No próximo sábado, dia 28 de novembro, a LaserLeap, uma das mais recentes Startups da Universidade de Coimbra (UC), vai lançar no mercado o seu primeiro produto. A cerimónia tem lugar na Quinta das Lágrimas, pelas 18h30m.

Fundada por um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a LaserLeap Technologies é uma Startup de base tecnológica incubada no Instituto Pedro Nunes (IPN), centrada no desenvolvimento de uma tecnologia, já patenteada, de administração transdérmica e de dispositivos médicos.

A solução LaserLeap (seringa a laser) que agora vai ser lançada no mercado permite a administração rápida e eficaz de fármacos através da pele sem utilização de seringas tradicionais.

Trata-se de uma tecnologia de baixo custo que «assegura a entrega eficiente de cosméticos e medicamentos através da pele, sem dor e sem irritação. Baseia-se na geração de ultrassons de alta frequência, utilizando um laser portátil e um pequeno dispositivo que converte eficientemente os pulsos de luz em ondas de pressão», explica Gonçalo Sá, um dos responsáveis da Startup.

Fonte: UC
Foto: DR