Conexão Lusófona em entrevista

conexao1Não é todos os dias que numa entrevista a quatro membros de uma associação se encontram representados três continentes de uma vez só. A Viviane e a Bruna são brasileiras, o Pedro é português e a Laura é luso-angolana. Nascida oficialmente como uma Associação Juvenil sem fins lucrativos em Julho de 2009, a Conexão Lusófona tem hoje uma equipa constituída por cidadãos de todos os países pertencentes à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O único país não representado na equipa é a Guiné Equatorial que foi aceite como membro da CPLP em 2014.

A Excelência Portugal quis descobrir mais acerca da Lusofonia e do papel da Conexão Lusófona no Mundo.

O que é a Lusofonia?
Pedro Filipe: A Lusofonia é um sentimento de pertença a uma comunidade que está unida pela mesma língua. É mais que isto: é cultural, é sociológico. É um sentimento de afinidade porque sentimos uma proximidade muito maior com alguém que fala a nossa língua e que partilha um passado comum. Necessariamente por partilhar esse passado comum partilha também uma visão do presente e do futuro.

Veja este vídeo da Conexão Lusófona com o título “O que é Lusofonia?”:
https://www.youtube.com/watch?v=Yc1Vd1NLLlU

E pensa que existe este mesmo sentimento em comunidades falantes de outra língua como é o caso da francofonia ou a anglofonia?
Pedro Filipe: Eu acredito que também exista, acho que todos nós acabamos por envolver-nos mais com comunidades e pessoas que têm algo em comum connosco, como a língua ou outros factores identitários. Creio que cada uma das comunidades a vive de forma diferente. Nós temos uma maneira muito própria de viver a Lusofonia.

A ideia surgiu como e porquê? Sentiram a necessidade de algo que ligasse as pessoas da comunidade lusófona?
Laura Vidal: Sim, a ideia surgiu como um grupo de amigos na altura em que eu andava na faculdade em Lisboa. Espontaneamente foi surgindo um grupo de pessoas que se juntavam para convívios, debates, saídas à noite. No fundo eramos jovens estudantes universitários de todos esses países (CPLP). Depois essa experiência acabou por se repetir, no meu caso particular quando fui estudar para o Brasil em que acabei por ter as mesmas vivências com outras pessoas que estavam no Rio de Janeiro a estudar e que eram também lusófonos. Obviamente que, com esta grande mistura cultural e um à vontade que havia entre nós, a tendência era que as conversas fossem muito a partilha das realidades culturais e os pontos de contacto entre os diversos países ali presentes. À medida que esses laços se foram criando e esses diálogos se foram estabelecendo houve uma consciência generalizada de que nós eramos uma geração que tínhamos um papel importante nesta aproximação. Percebemos que não havia nada de concreto a ser feito em torno da juventude e das novas gerações lusófonas. Depois de percebermos isso achámos que podíamos passar para a prática e assim criar esta associação. Quisemos transpor aquilo que inicialmente eram reuniões informais para algo mais concreto, com projetos concretos e uma linha de ação concreta.

Qual é a principal missão da Conexão Lusófona?
Viviane Carrico: Espalhar a Lusofonia pelo mundo! A missão da Conexão Lusófona é conectar todos os jovens e pessoas que tenham este sentimento de pertença que vai muito além daquilo que são os países que fazem parte da CPLP. Normalmente as pessoas, quando pensam em Lusofonia automaticamente pensam nos países da CPLP mas na verdade a Lusofonia são todas as regiões, mesmo em comunidades francófonas ou anglófonas, com pessoas que já estiveram ou estudaram em países lusófonos ou que têm algum interesse pela nossa cultura e que querem, de certa forma, entrar no meio deste caldo e participar nas nossas atividades. A Conexão Lusófonas tem várias áreas de destaque que podem ser vistas no nosso portal (www.conexaolusofona.org), o nosso meio de comunicação dentro e fora de Portugal. Temos várias áreas de intervenção como a Cultura (realizamos vários eventos ao longo do ano como o Festival da Conexão), a Educação, Política, está tudo interligado. Basicamente, a nossa missão é dar a conhecer este espírito lusófono e ser um meio, uma plataforma, para que as pessoas se encontrem, partilhem e façam acontecer.

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Os portugueses vivem a Lusofonia sem saber?
Laura Vidal: Sim. Uma das muitas missões que temos é precisamente essa. Com os nossos projetos procuramos trazer este espírito lusófono e desenvolver esse sentimento de pertença. Há pessoas que já o vivem e que, de alguma forma, estão conscientes dessa sua múltipla pertença a este espaço que já veem como um todo. Há pessoas que já tiveram contactos e experiências de vida que as remeteram para determinado país, ou gostam de um determinado estilo de música e nunca tinham parado para pensar que aquilo até tem um nome ou tem uma ideia utópica por trás. Principalmente com os nossos eventos, apercebemo-nos muito disso, que vem alguém que já conhece e que já se sente parte e lusófono mas também vêm pessoas curiosas ou que gostam de um determinado artista no festival e depois têm uma experiência e uma vivência em que numa situação prática percebem o que é isso da Lusofonia. O que eu acho que em Portugal particularmente acontece é que esse sentimento e sentido de pertença já se começa a viver. Penso que Lisboa é uma cidade onde isso se sente cada vez mais e Lisboa tem assumido esse lado identitário de mistura lusófona mas acredito que não haja essa consciência plena pelo país fora. Existem alguns pontos de contacto mas nem sempre há essa tomada de consciência e é por isso que nós aqui estamos.

A equipa da Conexão Lusófona tem quantas pessoas e de que origens?
Laura Vidal: Contabilizar-nos é sempre um problema. Há diferentes níveis de participação e envolvimento na Conexão Lusófona. Que participam e já seguiram eventos da Conexão Lusófona já estamos nos milhares: a seguir através do portal, interagir no Facebook, participar nos debates, no festival. Pessoas que trabalhem no núcleo duro da Associação, diária ou mensalmente já vamos próximos das 100 pessoas incluindo todos os países. Como isto começou de uma forma muito espontânea, estamos agora a tentar institucionalizar e formalizar mais um conjunto de procedimentos que são normais das associações mas sempre com muita atenção para que isto não ponha em causa esta naturalidade e dinâmica muito características da Conexão Lusófona.

Portugal, a nível político e social, está a dar atenção ao tema da Lusofonia?
Pedro Filipe: Sim, acho que Portugal nunca deu tanta importância ao tema da Lusofonia como hoje. É um tema que tem estado na agenda do dia. Tivemos duas eleições legislativas e presidenciais onde ambos os candidatos vencedores manifestaram intenções de alargar o âmbito da Lusofonia. Quer Marcelo Rebelo de Sousa, numa conferência organizada por nós, quer António Costa manifestaram-se favoravelmente à ideia de criar um espaço lusófono um pouco como o espaço Schengen com livre circulação, não de bens, mas pelo menos de pessoas que já seria um grande avanço. Manifestaram-se a favor de projetos como um Erasmus Lusófono, comparando como a União Europeia, e isso é um grande avanço. Se isso vai acontecer ou se vai acontecer à velocidade como esperaríamos e gostávamos não sei mas estas declarações e manifestações de vontade são importantes. Agora é necessário que se traduzam em atos concretos e em pressão política e diplomática mas, de facto, Portugal tem estado muito recetivo a esta ideia de uma nova Lusofonia.

Laura Vidal: Uma plataforma como a Conexão Lusófona, indiretamente, tem contribuído para que a agenda da Lusofonia tenha esse capital e para que seja uma prioridade na agenda política. Em muitas das nossas iniciativas, como conferências e debates, elaboramos as nossas recomendações que fazemos chegar a quem decide, não só em Portugal mas também noutros estados da CPLP. Estamos agora a começar a colher os frutos desse lado menos visível da ação da Conexão Lusófona e desse trabalho de advocacia. Quando começámos a Lusofonia era ainda muito desconhecida, até o nome fazia confusão às pessoas tendo mesmo havido alguma discussão em torno da palavra mas hoje já passámos para outra fase.

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Pensam que nos restantes países da CPLP, as pessoas conheçam a Lusofonia?
Viviane Carrico: As pessoas vivem mais do que conhecem o termo. A essência do Brasil, por exemplo, é como uma colcha de retalhos por isso para nós (brasileiros) já é inconsciente viver uma multiculturalidade e uma panóplia de origens e culturas. Na verdade esta mistura já é a identidade do Brasil.

Bruna Roboldi: No Brasil, falta é uma consciência daquilo que se passa noutros países que compõem esta mistura. Falta um pouco de interesse e de perceber que tudo o que se passa nos outros lugares é um bom exemplo e um espelho do que se passa no Brasil. Nos outros países, pelo menos naqueles em que já estive (Cabo Verde e Moçambique), a Lusofonia também é muito vivida especialmente a nível cultural como a música e o teatro. As pessoas sentem aquele sentimento de pertença como um afeto intrínseco que flui. As pessoas acabam por participar muito na cultura uns dos outros. Penso que em Moçambique fui a mais concertos angolanos do que se teria ido se estivesse mesmo em Luanda.

Que atividades organizam nos restantes países lusófonos que não Portugal?
Laura Vidal: A Conexão Lusófona não tem uma agenda por país, ou seja, somos uma rede que sempre trabalhou como um todo evitando ao máximo que haja uma agenda da Conexão Lusófona por país. O nosso plano de atividades é conjunto com atividades que podem acontecer em diversos pontos do globo. Assim, as atividades que acontecem nos outros países são muito semelhantes àquelas que acontecem em Portugal quando são viáveis e quando conseguimos recursos. Por exemplo, o Festival da Conexão ainda não aconteceu fora de Portugal apenas porque ainda não conseguimos os apoios e recursos necessários mas o nosso ciclo de debates já teve lugar em várias cidades do Brasil, Moçambique e França.

Relativamente à recente incorporação da Guiné Equatorial…
Laura Vidal: Embora às vezes haja a expectativa de algumas franjas da sociedade de que a Conexão Lusófona tome determinada posição pública e oficial sobre determinadas matérias, o que é certo é que a Conexão Lusófona é composta por pessoas que têm pensamentos diferentes em relação a esses temas. Por isso, no caso da Guiné Equatorial, ou mesmo do novo acordo autográfico, nunca anunciámos estar contra ou a favor. De facto, o que tentamos fazer através do canal de comunicação (o portal) é ser um facilitador do debate e da reflexão dentro do espaço lusófono permitindo assim que se partilhem as várias opiniões e ideias existentes. Todos nós na Conexão Lusófona somos livres de pensamento e temos total liberdade para nos expressarmos em nome individual se somos a favor ou contra. Quando sentimos que há um determinado assunto que é concordante dentro da organização, a Conexão Lusófona toma opiniões mais vincadas. Um exemplo disto é a questão da livre circulação.

Fotos: Conexão Lusófona

Portuguesa cria uma escola no meio do Deserto do Namibe

IMG_1164[1]O que fazem as crianças que vivem no deserto a 180 km da escola mais próxima? Foi esta a realidade que uma psicóloga portuguesa, Andreia Hesemans, encontrou quando se mudou da capital da Namíbia (Windhoek) para Sossusvlei, no Deserto do Namibe. Neste cenário árido mas deslumbrante, são vários os complexos turísticos que se instalaram entre as dunas. Andreia reparou que, dada a inexistência de transportes públicos na região, os filhos dos trabalhadores destes hotéis simplesmente não iam à escola.

Quando foi mãe, há seis anos, a psicóloga apercebeu-se do impacto que a ausência de uma escola tinha nestas crianças. Resolveu, então, criar uma. Foi a partir do negócio Namib Sky Ballon Safaris (www.namibsky.com) do sogro de Andreia que surgiu o fundo comunitário Namib Sky que financia, em conjunto com donativos provenientes de todo o Mundo, a nova pré-escola Little Bugs (www.little-bugs.org). Esta tem hoje 25 alunos entre os 2 e os 5 anos e é dirigida aos trabalhadores dos hotéis desta região. Foi doada à Little Bugs uma carrinha para transportar as crianças, diariamente, entre a casa e a escola. Cada aluno tem um custo anual de 2200€ mas os pais apenas fazem uma pequena contribuição para o transporte.

O programa escolar inclui aulas de artes, música, desporto e culinária. No entanto, os alunos na Little Bugs ganham muito mais do que seria de esperar de uma escola.

Em geral, na Namíbia, a alimentação não é equilibrada: 29% das crianças (http://www.unicef.org/sowc2011/pdfs/SOWC-2011-Statistical-tables_12082010.pdf) com menos de 5 anos sofre de um atraso, por vezes irreversível, no desenvolvimento tanto físico como cognitivo devido à falta de ingestão de nutrientes. Este atraso resulta, por exemplo, num mau desempenho escolar pelo que melhorar a sua alimentação é crucial. A Little Bugs tem um papel fundamental neste processo. Os alunos recebem gratuitamente pequeno-almoço, lanche da manhã e almoço o que melhora, sem dúvida, a qualidade de vida de uma criança assim como o seu futuro.

Para além disso, a escola fornece água potável aos seus alunos. A água limpa é um bem muito preciso num ambiente desértico e num país onde, nas zonas rurais, de acordo com a Unicef, 15% da população ainda não tem acesso a água potável estando em constante risco de contrair vários tipos de doenças.

Segundo Andreia, antes de virem para a escola, estas crianças não falavam inglês, apesar de ser a língua oficial na Namíbia. Agora, todos dominam esta língua que é a terceira mais falado no Mundo aumentando, desta forma, as suas oportunidades no futuro.

Estes 25 alunos são agora crianças mais felizes e saudáveis! A Little Bugs acredita no que B.B. King uma vez disse: “The beautiful thing about learning is that no-one can take it away from you”. O que aprenderam nesta pré-escola vai ficar com eles para sempre. Andreia criou um projeto que conseguiu, assim, garantir a estas crianças, que vivem num lugar inóspito do planeta, um início de vida igual ao de qualquer criança que viva na cidade. O próximo passo é angariar fundos para que a escola continue a crescer de modo a acolherem as crianças que, neste momento, se encontram em lista de espera. Um dia, pretendem que a escola inclua também o ensino primário.

Veja aqui (www.little-bugs.org/the-movie) um pequeno filme sobre a Little Bugs, um projeto brilhante de uma portuguesa no deserto.


Foto:
DR

Doctor Gummy – Guloseimas saudáveis

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A portuguesa Doctor Gummy preocupa-se com a saúde humana e quer ajudar na resolução da preocupante obesidade infantil. Esta empresa social  procura desenvolver soluções mais saudáveis do que aquelas que são disponibilizadas pelo mercado e fabrica guloseimas naturais e saudáveis.

Sugar Tax: esta é a mais recente campanha do famoso chef britânico Jamie Oliver que propôs ao seu Governo a imposição de um novo imposto específico para bebidas/alimentos com muito açúcar como os refrigerantes. Desta forma, os preços destes produtos subiriam levando a uma redução da sua compra e consumo. A ideia é, portanto, desencaminhar a população britânica do seu atual rumo em direção a doenças como a obesidade e diabetes devido a um consumo excessivo de açúcar.

No entanto, esta ideia foi recentemente rejeitada pelo Primeiro-ministro britânico que, segundo alguns, foi pressionado por lobbys da indústria alimentar para não aceitar a proposta. Mas porque é tão importante para a indústria alimentar manter o açúcar tão presente nas nossas vidas?

Já foi mostrado por muitos que o açúcar é viciante. Isto significa que alguns produtos são mais vendidos quando têm mais açúcar. Tirar ou reduzir o açúcar de determinados alimentos ou bebidas pode representar para algumas empresas perda de muito dinheiro. Assim, estas lucram à custa da saúde e bem-estar de muitos. Ao que isto já chegou.

Outro grande problema está relacionado com medicamentos para crianças aos quais é frequentemente adicionado açúcar (até 90%) para os tornar mais apetecíveis, já que por vezes é difícil convencer uma criança a tomar um medicamento cujo sabor não lhe agrada. O resultado da ingestão deste tipo de medicamentos é que, para resolver um problema de saúde, criamos outros como cáries, obesidade e diabetes infantil.

Tudo começou quando Nuno Santos, engenheiro químico, se deparou pela primeira vez com este problema enquanto trabalhou como voluntário com crianças às quais eram administrados medicamentos com grandes quantidades de açúcar, na Associação das Escolas Jesus, Maria, José no Porto. Decidiu então explorar novas ideias para tornar os medicamentos mais aliciantes para crianças sem a adição de açúcar. “Nenhuma criança gosta de medicamentos, mas todas gostam de guloseimas” diz o investigador ao P3 do Público. Depois de meia-dúzia de anos de experiências com folhas, cascas e raízes em diferentes laboratórios e universidades europeias, em 2014, o engenheiro químico Nuno Santos criou algo que “engana o cérebro e leva-o a acreditar que é doce” e pode finalmente concretizar esta ideia. Registou duas patentes nacionais e uma internacional.

Assim surgiu a Doctor Gummy que pretende ajudar na resolução desta epidemia de obesidade infantil. Esta empresa social portuguesa fabrica gomas, chupa-chupas, rebuçados, pastilhas e chocolates 100% naturais e saudáveis e com 0% de açúcar, adoçante, glúten, lactose, corantes, aromatizantes e conservantes artificiais.

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A empresa aposta simultaneamente em dois mercados: indústria alimentar, como guloseima saudável vendida em cadeias de supermercados, e na indústria farmacêutica sendo um medicamento um dos componentes das guloseimas.

A Doctor Gummy terá guloseimas para todos os gostos. Relativamente à gelatina usada no fabrico das suas gomas, por exemplo, haverão três formulações: gomas com gelatina de porco, gomas com gelatina de vaca (halal) e gomas com gelatina vegetal (para vegetarianos).

Outra grande vantagem é a ausência de corantes artificiais que são os principais responsáveis pela intolerância de muitas crianças à gelatina. A Doctor Gummy dá cor às suas guloseimas usando legumes e vegetais como a abóbora, a cenoura e os espinafres. Enquanto que a maioria das marcas tradicionais usam entre 1 e 3% de fruta, esta empresa portuguesa usa 20%.

Estes são apenas alguns dos factos que convenceram os investidores a apostarem nesta ideia. O projeto recebeu um investimento direto no valor de 25.000€. Entretanto, já recebeu vários prémios, como o 2º lugar no prémio do jovem empreendedor da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). Mais recentemente, arrecadou o primeiro prémio do concurso Creative Business Cup na área de Inovação na Saúde, em Copenhaga. Já se está também a discutir a possibilidade de apresentar a ideia em Sillicon Valley.

A Doctor Gummy ainda nem lançou o produto e já recebeu encomendas imensas como a de um distribuidor francês: 42 milhões de euros para vendar pela Europa. Estas guloseimas serão distribuídas em 132 países incluindo, claro, Portugal. A nível nacional poderá encontra-las em várias cadeias de supermercados a partir deste Natal.

Como se não bastasse, a Doctor Gummy é uma empresa social. Isto significa que os lucros serão reinvestidos no negócio ou entregues a organizações sociais de forma a promover valores sociais em cinco áreas: Saúde, Educação, Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade, tornando a DoctorGummy a primeira empresa certificada “Vitamina S”.

Por fim, Nuno Santos anunciou que pretende publicar em breve um livro que incentive o empreendedorismo social partilhando casos nacionais e conselhos práticos que aprendeu com a sua mais recente aventura.

Fontes:

http://www.bbc.com/news/health-34576006

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3283760/Cameron-says-no-sugar-tax-PM-not-read-report-suggests-levy-tackle-obesity-crisis-critics-accuse-influenced-food-giants.html

http://p3.publico.pt/vicios/gula/18942/estas-gomas-saudaveis-sao-portuguesas-e-premiadas

http://www.creativebusinesscup.com/article/world-champ-creative-entrepreneurs-2015


Fotos: DR

Gente bonita come “fruta feia”

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Quem nunca ouviu a mãe, o pai ou a avó repetir vezes sem conta “É para comer tudo o que tens no prato, não se deita comida fora.”? A realidade é que, antes de chegar à nossa mesa, cerca de metade da comida produzida no mundo vai parar ao lixo.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), as 1.3 mil milhões de toneladas que são anualmente desperdiçadas seriam suficientes para alimentar todas as pessoas que passam fome no mundo.

O mesmo acontece a cerca de 30% da fruta produzida em Portugal. Embora saborosa e de qualidade, os agricultores não conseguem vender às mercearias e supermercados 30% da fruta que produzem por esta não ter o aspeto perfeito a que os consumidores estão habituados. Isto significa que 3 em cada 10 maçãs, 30 em cada 100 peras e 300 em cada 1,000 laranjas colhidas vão diretamente para o lixo.

Para além do desperdício alimentar que isto representa, esta situação tem um impacto ambiental considerável: gastam-se em vão água, energia e terreno para produzir alimentos que acabam no lixo. De seguida, a decomposição destes alimentos não consumidos emite gases associados ao efeito de estufa e aquecimento global, como o metano e o dióxido de carbono.

O desperdício alimentar leva também a um aumento dos preços dos produtos que chegam aos supermercados de forma a cobrir os custos de produção dos alimentos não aproveitados. Estudos demonstram que quando o dinheiro é escasso, surge uma tendência para poupar em fruta e legumes optando por alimentos mais baratos mas também menos saudáveis. Por isso, no contexto atual em que muitas famílias portuguesas enfrentam dificuldades financeiras, é particularmente importante acabar com este tipo de desperdício.

A solução para este problema é bastante simples: parar de deitar comida fora só porque é “feia”. Para ajudar a acabar com o desperdício alimentar no nosso país surgiu em 2013 a inovadora Cooperativa Fruta Feia. Foi o 2º prémio do concurso FAZ – Ideias de Origem Portuguesa promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian em conjunto com a COTEC em Junho de 2013, que impulsionou o arranque da cooperativa de consumo Fruta Feia CRL em Novembro de 2013.

Este projeto pretende “reduzir as toneladas de alimentos de qualidade que são devolvidos à terra todos os anos pelos agricultores e com isso evitar também o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção, como a água, as terras cultiváveis, a energia e o tempo de trabalho”.

Como? A Cooperativa Fruta Feia compra diretamente aos agricultores a fruta e legumes que estes não conseguem escoar para o mercado devido à aparência. Com estes produtos enchem cestas que depois vendem aos consumidores associados. A recolha das cestas pelos consumidores é feita uma vez por semana num dos três locais de entrega (dois em Lisboa e um na Parede). Neste momento a Cooperativa Fruta Feia é composta por uma rede de 34 agricultores e 800 consumidores associados. Pretendem levar a Fruta Feia até ao Porto já em 2016, mas ambicionam um dia abranger todo o país.

O impacto deste projeto não passou despercebido. Ao fim de apenas 6 meses de existência já era notícia no The New York Times. Foi considerada a Ideia do Ano pela Time Out, e recebeu vários prémios entre os quais se destaca o Prémio de Inovação do Crédito Agrícola.

O valor da Fruta Feia já se mede às toneladas: poupam-se semanalmente em Portugal 4 toneladas de fruta e legumes de excelente qualidade que, de outra forma, iriam parar ao lixo.

Caso se queira juntar a esta ideia, basta inscrever-se na página da Fruta Feia, pagar uma quota anual de 5 euros e comprar um cabaz semanalmente. Para além de poupar, compra fresco e local.

Foto: DR