Estudantes da FEUP vencem competição mundial de previsão de consumos de energia elétrica

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Três equipas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), compostas por finalistas do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrotécnica e Computadores (do ramo de Energia), conquistaram o 1.º, 2.º e 5.º lugares na “Fall 2015 In-class Short Term Load Forecasting Competition”, um concurso internacional de previsão de consumos de energia elétrica promovido pela Universidade de Charlotte (EUA).

Esta competição, realizada no âmbito do curso “Energy Analytics”, destinava-se à participação de qualquer entidade mundial, universidades, empresas ou investigadores com interesse em técnicas matemáticas e em modelos computacionais de previsão. Aos participantes foi pedido que conseguissem prever, para cada hora do dia seguinte, os consumos da região do Estado da Virgínia (EUA), durante cinco dias. O desafio seria atingir erros próximos dos conseguidos pelas previsões da PJM, o operador da rede de transporte do leste dos EUA que opera um dos maiores e mais competitivos mercados grossistas de eletricidade do mundo. Além de garantirem o 1.º e o 2.º lugares, duas das equipas da FEUP conseguiram bater as melhores previsões da PJM, tendo sido os únicos participantes a arriscar fazê-lo.

A participação dos estudantes da FEUP foi uma iniciativa extra-curricular que decorreu no âmbito da Unidade Curricular de TPRE – Técnicas de Previsão. Claúdio Monteiro, professor na FEUP e responsável por esta participação dos estudantes no concurso, acredita que estes bons resultados demonstram a “qualidade do trabalho realizado nas nossas universidades”. O professor reforça ainda que “o desempenho ultrapassou mesmo o melhor que a indústria do setor consegue neste momento, o que é impressionante tendo em conta que são ainda estudantes a terminar a licenciatura”, enfatizando ainda que a participação das universidades neste concurso costuma ser de elevada qualidade. Para Cláudio Monteiro, “estes resultados criam um sentimento de confiança muito valioso para os desafios destes futuros engenheiros”, desafiando empresas portuguesas como a REN e EDP a lançar concursos semelhantes a este, garantindo que “ficariam seguramente surpreendidos com os resultados”.

Fonte: UP
Foto: DR

 

Aquicultura – Madeira é uma referência (entrevista à Drª Natacha Nogueira)

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Portugal apresenta um consumo elevado de peixe per capita (aprox. 60kg/habitante/ano) e importa a maioria do pescado que consome. A UE também é deficitária nesta área e recorre à importação, em vários continentes, de mais de 70% do pescado consumido.

Tendo em conta a redução dos stocks naturais de peixe,a aquicultura afigura-se, cada vez mais, como uma solução e actividade económica de elevado potencial. O nosso país, na Costa Sul e na Ilha da Madeira, possui condições muito interessantes para a produção em aquicultura em mar aberto (offshore). 

Na Madeira, esta actividade é desenvolvida por duas empresas, a Aquailha e a Ilhapeixe. A produção atinge já as 650 toneladas e representa um volume de negócios superior a um milhão de euros. A principal espécie produzida é a dourada cujos destinos principais são o continente, Espanha e de uma forma residual para a Venezuela.

O desenvolvimento da actividade pode contar com apoios comunitários e prevê-se a duplicação da produção actual, em como a introdução de novas espécies.

O Governo Regional teve um papel importante no desenvolvimento desta actividade com a criação da primeira piscicultura piloto: o Centro de Maricultura da Calheta. Esta estrutura presta apoio técnico às empresas,através da investigação em novas espécies e na promoção da formação.

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A Excelência Portugal quis saber mais sobre o potencial desta actividade na Madeira e entrevistou a Drª Natacha Nogueira. Esta bióloga desenvolveu uma tese de mestrado nesta temática e possui vasta experiência desenvolvida no Centro de Maricultura da Calheta.
A Madeira pode tornar-se uma referência  produção de peixe em cativeiro, a par dos países nórdicos, como a Noruega, na criação de salmão ?

Equiparar a produção actual madeirense à produção dos países nórdicos seria presentemente pouco sensato. A balança consumo/produção aquicola é ainda muito deficitária, mesmo a nível nacional. Se assumirmos que os portugueses são os maiores consumidores de peixe na União Europeia, com uma média anual de 56 quilos de peixe per capita e que a produção aquícola atingiu em 2012, somente as 10.317 toneladas (dados do INE), compreende-se facilmente a fragilidade do sector a nível regional e nacional. Ainda assim, as 450 toneladas produzidas na Região Autónoma da Madeira (RAM), representam no cômputo geral uma percentagem significativa da produção nacional de dourada em águas marinhas (895 toneladas) (dados do Plano Estratégico para Aquicultura 2014-2020).

À semelhança do cenário nacional, o principal destino da produção regional é o mercado nacional. A entrada nos mercados internacionais é de difícil acesso para as pequenas-médias empresas (caso das actuais empresas estabelecidas), sem apoios governamentais e sem uma estratégia de mercado concreta, que poderia passar pela diferenciação do produto final. Apesar de tudo, a RAM oferece condições de excelência para a produção aquícola, que resulta da combinação de factores ambientais, institucionais e económicos. Uma temperatura média elevada das águas do mar e a sua baixa amplitude anual, quando comparadas com as da Europa continental são os factores ambientais determinantes para o mais rápido crescimento dos peixes e consequentemente um menor ciclo de produção. Por outro lado, o regime de baixa ondulação e a rara ocorrência de tempestades permitem a utilização de jaulas de cultura estandardizadas para mar aberto (inshore e offshore), com acesso fácil e regular às mesmas para efectuar trabalhos de alimentação e manutenção. Assim sendo, entende-se facilmente o facto da Região poder vir a destacar-se no plano nacional, pelas condições que oferece para a produção em zonas costeiras ou de mar aberto, de espécies como a dourada (a única produzida actualmente), ou mais recentemente espécies como o pargo, sargo e charuteiro.

Que papel tem o Centro de Maricultura da Calheta nesta actividade e como se relaciona com as empresas?

O Centro de Maricultura da Calheta (CMC) surge como uma referência de apoio aos produtores. Na sua estratégia de funcionamento o CMC colabora com as diferentes entidades envolvidas na produção aquicola através da divulgação da actividade, realçando a sua importância económica, bem como a sua promoção e integração junto dos consumidores. As linhas orientativas do CMC têm por base o apoio aos produtores na procura de diversificação de espécies de cultura com prioridade para espécies de alto valor de mercado e com possibilidade de acrescentar valor através da transformação pela indústria regional. Os trabalhos realizados visam não só o desenvolvimento das espécies em questão em cativeiro, como procuram averiguar e divulgar a qualidade das mesmas do ponto vista nutricional.

Nesse sentido, o CMC está estabelecido como uma das únicas (senão a única) maternidades de alevins de dourada em Portugal. Apesar de insuficiente para abastecer as necessidades actuais de produção local, o CMC continua a investir em projectos de investigação para o desenvolvimento de novas espécies. Projecto como o PARGOGEN e o +PEIXE (com fundos comunitários) foram exemplo da participação e papel fundamentais do Centro para o aparecimento de novas espécies, como é o caso do pargo. Mais recentemente, foi estabelecido um acordo entre a ARDITI- Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação Tecnológica e Inovação, que tem como base a criação de um projecto para valorização do ouriço-do-mar, com o apoio do Observatório Oceânico da Madeira da Direcção Regional de Pescas e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto.

a escolha da(s) espécie(s) a produzir terá que seguir uma selecção criteriosa e, preferencialmente, baseada em conhecimentos científicos, bem como no potencial de utilização comercial da(s) mesma(s)

Quais os critérios para introdução de novas espécies?
Uma ressalva para o facto de o aparecimento de novas espécies no mercado não ser um processo rápido, se entendermos que para poder fechar um ciclo de produção integral, há primeiro que investigar: criação de ovos embrionados através de uma unidade de reprodução; engorda de alevins (peixe que sai do ovo e que se alimenta de zooplâncton); engorda de juvenis e finalmente dos reprodutores. Como cada espécie se desenvolve num meio com características específicas (de iluminação, quantidade e qualidade correcta de alimentos, temperatura, salubridade da água, quantidade de oxigénio dissolvido na água, etc.), a escolha da(s) espécie(s) a produzir terá que seguir uma selecção criteriosa e, preferencialmente, baseada em conhecimentos científicos, bem como no potencial de utilização comercial da(s) mesma(s). Contudo, a engorda de espécies como o charuteiro (divulgado recentemente por uma das empresas locais), é parte constituinte do processo de aquicultura que permite simultaneamente a colocação de uma nova espécie no mercado, de crescimento rápido e com elevado poder de transformação- ex. filetes.
Estamos no momento certo. A aquacultura inshore ou offshore é uma das grandes áreas de investimento previstas no novo pacote financeiro comunitário, que vigorará entre 2016 e 2020. A RAM tem a materia prima, o know how técnico, e o capital humano necessario para  contribuir significativamente para o aumento da expressão do sector na economia nacional.
Recentemente, o presidente do Governo Regional adiantou que no próximo ano serão apoiados novos projectos ao nível da aquacultura, estimando que a produção na Madeira poderá crescer até às 3.500 toneladas. Estamos perante um dos sectores económicos com maior potencial na ilha?

Para fazer frente as necessidades actuais do sector aquícola nacional, é necessário que localmente se adoptem soluções articuladas e integradas com o sector nacional e que vão de encontro ao Plano Estratégico para Aquicultura Portuguesa no horizonte temporal de 2014-2020: “Aumentar e diversificar a oferta de produtos da aquicultura nacional, tendo por base princípios de sustentabilidade, qualidade e segurança alimentar, para satisfazer as necessidades de consumo e contribuir para o desenvolvimento local e para o fomento de emprego”.

Uma vez mais, a colaboração entre insitituições como o CMC, o Observatorio Oceânico da Madeira, a Universidade da Madeira e os produtores locais assume maior relevancia. Só assim será possivel compreender rapidamente os requisitos nutricionais das espécies potenciais; desenvolver dietas especificas para reprodutores que permitam a sua domesticação; compreender as necessidades nutricionais das diferentes fases do ciclo de vida; melhorar estratégias de alimentação com base no uso de produtos agrícolas e sub-produtos pesqueiros e compreender as necessidades do mercado local e nacional de uma forma competitiva.

Estamos no momento certo. A aquacultura inshore ou offshore é uma das grandes áreas de investimento previstas no novo pacote financeiro comunitário, que vigorará entre 2016 e 2020. A RAM tem a materia prima, o know how técnico, e o capital humano necessario para  contribuir significativamente para o aumento da expressão do sector na economia nacional. Agora só faltam investidores….

 

Fontes: Cluster do Mar, Funchal Notícias, Dnoticias.pt e DN
Foto: DR/CUT

Universidade de Coimbra participa em consórcio europeu para avaliar o impacto da polimedicação em idosos

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 Apesar de representar um sério problema na população idosa, especialmente nos idosos que vivem sozinhos e/ou em condições de saúde frágil, a polimedicação é um tema que ainda tem merecido pouca atenção. Para contrariar esta tendência e promover a implementação de regulamentação em países onde esta ainda não existe, como é o caso de Portugal, investigadores e especialistas da Alemanha, Espanha, Grécia, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suécia reuniram-se em consórcio para estudar o impacto da polimedicação e adesão à terapêutica na saúde dos idosos.

Com um orçamento global de um milhão de euros, financiado pelo 3º Programa Europeu de Saúde, o projeto intitulado SIMPATHY (Stimulating Innovation Management of Polypharmacy and Adherence in The Elderly) é coordenado pelo Governo da Escócia.

A equipa portuguesa, liderada pelo Ageing@Coimbra, é constituída por seis investigadores das Faculdades de Farmácia e de Medicina da Universidade de Coimbra (UC), contando ainda com a colaboração da Universidade de Lisboa (UL). O Ageing@Coimbra é um consórcio que visa a valorização do papel do idoso na sociedade e a aplicação de boas práticas em prol do seu bem-estar geral e de um envelhecimento ativo e saudável. O seu principal objetivo é melhorar a vida dos cidadãos idosos na Região Centro de Portugal através de melhores serviços sociais e cuidados de saúde, assim como da criação de novos produtos e serviços inovadores e o desenvolvimento de novos meios de diagnóstico e terapêuticas. A atividade, competência e inovação do Ageing@Coimbra foram reconhecidas pela União Europeia (UE) com a classificação da região de Coimbra como Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, um estatuto único no território português, sendo que na UE existem 32 no total.

Considerando que temos uma população envelhecida, a polimedicação desadequada “é um problema gravíssimo de saúde pública, com gastos enormes quer para o Estado quer para as famílias. As complicações de saúde geradas pela polimedicação são imprevisíveis, exigindo respostas urgentes por parte dos decisores políticos”, nota João Malva, coordenador científico do Ageing@Coimbra.

A equipa do SIMPATHY está a identificar estudos de caso que ilustrem o estado de desenvolvimento da polimedicação e da gestão da adesão à terapêutica dos idosos em diferentes estados membros da União Europeia, e vai elaborar um guia de boas práticas, dirigido aos profissionais de saúde, especialmente aos médicos, enfermeiros e farmacêuticos. O projeto visa também fornecer recursos para apoiar os decisores políticos na criação de regulamentação nesta matéria, promovendo a mudança na prática de cuidados de saúde e de política para obter melhores resultados de saúde a partir do uso de medicamentos em idosos em toda a União Europeia.

O estabelecimento de regulamentos é uma matéria de elevada importância uma vez que um dos maiores desafios da sociedade europeia prende-se com as alterações demográficas e o rápido crescimento da população com mais de 65 anos, que evoluirá de 87 milhões de pessoas (em 2010) para 148 milhões em 2060.

 

Fontes: Universidade de coimbra e www.ageingcoimbra.pt
Foto: polypharmacyinitiative.com

 

Investigador da UC integra equipa internacional de empreendedorismo em saúde

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João Ribas, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), é o primeiro português a integrar uma equipa norte-americana que promove empreendedorismo em saúde. A equipa ‘MIT Hacking Medicine’ do Massachusetts Institute of Technology (MIT) procura resolver problemas de saúde de todo o mundo, contando com médicos, engenheiros, cientistas, designers e empreendedores. João Ribas irá contribuir com a combinação de técnicas de engenharia e biologia para a descoberta de fármacos e soluções tecnológicas para aplicações biomédicas.

A integração nesta equipa “significa poder impulsionar e espalhar a inovação na área dos cuidados de saúde a uma escala global, a oportunidade para fazer a diferença e contribuir também para a minha formação enquanto empreendedor na área”, afirma o investigador do CNC. João Ribas refere ainda que espera  “internacionalizar a nossa abordagem a vários países e criar conteúdos online, de forma a ajudar pessoas pelo mundo inteiro a ter acesso ao nosso conhecimento e metodologias. O livre acesso a essa informação pode estimular a mudança e inovação, mesmo com poucos recursos”.

O investigador português vai liderar um evento no Equador, o primeiro país da América do Sul a receber esta equipa. O objetivo passa “pela identificação dos problemas na área da saúde daquela região e, durante um fim de semana, vários grupos irão trabalhar em potenciais soluções, criando protótipos e identificando o seu potencial de negócio. Há outros eventos semelhantes na agenda e está também em aberto a possibilidade de trazer um a Portugal”, esclarece João Ribas. O português encontra-se, atualmente, a terminar o doutoramento no Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina do CNC e desenvolve a sua pesquisa na Harvard Medical School, Brigham and Women’s Hospital e MIT.

Fonte: UC
Foto: DR

Cientistas portugueses participam em estudo internacional para estimar o contributo anual das florestas na mitigação do efeito de estufa

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Um estudo internacional sem precedentes, acabado de publicar na revista “Nature Plants”, do conceituado Grupo “Nature”, avaliou o mecanismo de formação e crescimento dos anéis das árvores e a sua dinâmica de aquisição do carbono, contribuindo para entender melhor o ciclo global do carbono e o fenómeno das alterações climáticas. Este estudo reuniu 33 investigadores de 12 países (Alemanha, Áustria, Canadá, China, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Portugal, República Checa, Rússia e Suíça). A equipa portuguesa é constituída por três investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CEF) da Universidade de Coimbra (UC).

Considerando que a formação e desenvolvimento dos anéis das árvores interferem no processo de aquisição e acumulação de carbono, os investigadores estudaram, ao longo de três anos, o mecanismo de formação dos anéis em florestas de climas distintos. Além de contribuir para a “compreensão do ciclo global do carbono”, que tem sofrido profundas mudanças ao longo do tempo, este estudo pode “permitir estimar a quantidade de carbono sequestrado anualmente pelas florestas, ou seja, avaliar o contributo das árvores no controlo do dióxido de carbono (CO2). As florestas são grandes reservatórios de CO2 a longo prazo mas a dinâmica deste processo é ainda pouco entendida”, observa Cristina Nabais, coordenadora da equipa portuguesa. Os anéis das árvores “fornecem importantes sinais climáticos e, por isso, se entendermos toda a mecânica envolvida na sua formação e crescimento, bem como os impactos que essa mecânica tem na acumulação de carbono, temos pistas para prever respostas futuras das florestas no complexo problema das alterações climáticas”, salienta Filipe Campelo, outro dos investigadores envolvidos na pesquisa.

O estudo demonstrou que a formação dos anéis é altamente sensível ao fotoperíodo (horas de exposição à luz), sendo o processo de acumulação do carbono nos anéis mais sensível à temperatura, e que a dinâmica de acumulação do carbono é muito diferente entre as florestas do Mediterrâneo e as florestas temperadas do Norte da Europa, um dado importante para perceber o contributo relativo destas florestas para o ciclo do carbono.

Fonte: UC
Foto: DR

 

British Medical Journal e a lusa ITsector projetam Futuro da Medicina no Google Glass

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O British Medical Journal (BMJ) aliou-se à tecnológica portuguesa ITSector para projetar uma solução futurista no Google Glass que desvenda a forma como médicos, farmacêuticos e enfermeiros poderão vir a desenvolver a sua atividade nos próximos anos. O projeto consistiu no desenvolvimento da aplicação ‘VISION’ que combina, no Google Glass, os dicionários clínicos e boas práticas do BMJ (uma vasta compilação de conteúdos baseados em evidências médicas que inclui mais de 860 tópicos sobre patologias que reportam a mais de 70 especialidades) com os resumos dos processos clínicos dos pacientes.

O Google Glass é um dispositivo semelhante a um par de óculos que, fixados em um dos olhos, disponibiliza uma pequena tela acima do campo de visão. A pequena tela apresenta ao seu utilizador mapas, opções de música, previsão do tempo, rotas de mapas, e além disso, também é possível efetuar chamadas de vídeo ou tirar fotos de algo que se esteja a ver e compartilhar imediatamente através da internet. A lente de projeção do Google Glass não ocupa todo o campo de visão do utilizador e possui uma tecnologia de foco que permite ao observador ler o seu conteúdo sem a necessidade de mudar seu foco de visão. Todos esses cuidados garantem o conforto e a segurança da pessoa que utilizar a tecnologia.

Relativamente  às vantagens da utilização desta tecnologia na área da saúde, Orlando Rodrigues, Diretor da ITSector, explica: “Esta solução presta aos profissionais da área da saúde um importante apoio ao exercício da sua atividade, na medida em que, ao permitir a liberdade de movimentos das mãos, lhes confere mobilidade em ambientes críticos“. O mesmo responsável reforça que este avanço “oferece garantias no que respeita à segurança em ambiente estéril, possibilitando uma diminuição das infeções hospitalares“, ao mesmo tempo que “proporciona uma total interoperabilidade, através da ligação eficaz a todos os sistemas envolventes em uso no hospital“. Orlando Rodrigues acrescenta que o desafio lançado pelo BMJ revelou-se particularmente exigente, “sobretudo no que respeita à utilização da linguagem natural e ao tratamento da informação recebida, de forma a filtrar a informação relevante em cada momento exato em que é necessária ao clínico“.

Para o BMJ, que pela primeira vez, nos seus mais de 170 anos de história, colaborou com uma empresa portuguesa, o projeto ‘VISION’ representa uma demonstração de capacidade, que combina o melhor expertise do BMJ e da ITSector.  “A aceitação que a ITSector tem recebido pelas diversas soluções inovadoras que implementa na área da banca, nomeadamente em dispositivos como o Google Glass, levou-nos a, em conjunto, desenvolver este novo conceito, combinando a experiência da ITSector com os conteúdos do BMJ na área clínica“, refere Rita Marques, Business Development Manager e responsável por parcerias nacionais do BMJ.

É ainda de referir que a ITSector, que mantém parcerias estratégicas com algumas das mais conceituadas empresas mundiais de software, como a Microsoft, Google e IBM, desenvolveu já outros projetos na área da saúde, como APPs clínicas na área da imunohemoterapia, processos de ‘Big Data’ na área de Oncologia e diversos portais hospitalares.

Fundada em 2005 e com sede no Porto, a ITSector é uma empresa de base tecnológica, especialista no desenvolvimento de soluções de sistemas de informação para o setor financeiro.  Presente em Lisboa, Braga e em mercados como Polónia, França, Reino Unido, Moçambique e Angola, conta atualmente com mais de 300 colaboradores. Reconhecida como ‘PME Líder’ desde 2008, foi também reconhecida pela Deloitte, em 2011, como uma das 500 empresas com maior crescimento no espaço EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

 

O video ilustrativo das funcionalidades da aplicação VISION para o Google Glass pode ser consultado em:

https://www.youtube.com/watch?v=j476oScv7t4

A informação relative ao Projeto Glass da Google pode ser consultada em:

Site Oficial do Projeto Glass:

http://www.google.com/glass/start/

URL no Google+

https://plus.google.com/+GoogleGlass/posts

Video official do Projeto Glass: https://www.youtube.com/embed/9c6W4CCU9M4?feature=player_embedded

Canal do YouTube do Projeto Glass:

https://www.youtube.com/user/googleglass

Ipatimup vence prémio de empreendedorismo pelo desenvolvimento de um teste inovador para detetar cancro da bexiga

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Uma equipa de investigadores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) foi distinguida com o Prémio Empreendedorismo da Fundação Everis (Espanha) por ter desenvolvido um novo método menos invasivo e mais económico para a deteção do cancro da bexiga.

O projeto liderado pelo investigador Hugo Prazeres, denominado Uromonitor, resultou na criação de um  “ensaio ultra-sensível de diagnóstico hospitalar para detetar na urina mutações genéticas que provocam cancro da bexiga”. Para além de ser não invasivo, sendo por isso menos desconfortável  para os doentes, o método desenvolvido pela equipa portuense custa sensivelmente metade do que o método tradicional de diagnóstico – a citoscopia -, que consiste num exame endoscópico no qual uma sonda é introduzida pela uretra até à bexiga.

Em declarações citadas pela Everis, Hugo Prazeres salienta que o novo método “made in U.Porto”, que já foi clinicamente validado, “traz benefícios para os doentes e uma significativa redução de custos”. Para além dos 60 mil euros do prémio, o líder da equipa de investigação, que integra também os investigadores do Ipatimup Catarina Salgado, Paula Soares e João Vinagre, espera obter “apoio de eventuais investidores, para que possam obter financiamento para lançar o Uromonitor no mercado global”.

Do lado da Everis, António Brandão de Vasconcelos, chairman e trustree da fundação, considerou que “é um grande orgulho ver um projeto português obter o primeiro prémio” entre um total de 400 trabalhos admitidos a concurso, facto que demonstra a “qualidade da investigação que é feita hoje em Portugal, que pouco a pouco se tem vindo a mostrar para o mercado”. É ainda de referir que, como vencedor do Prémio Empreendedores, o projeto da equipa do IPATIMUP participará nos Prémios Ibero-americanos para a Inovação e Empreendedorismo, realizados pela Secretaria Geral Ibero-americana.

Criado em 2001, o Prémio Empreendedorismo da Fundação Everis, tem como objetivo  “promover o talento na investigação, o espírito empreendedor e a investigação a nível internacional”. Para além dos 60 mil euros dados ao vencedor, a Fundação distribui 40 mil euros pelas restantes menções honrosas. O vencedor e restantes finalistas têm ainda direito a um serviço de assessoria avaliado em 10 mil euros.


Fontes:
Universidade do Porto e noticiasaominuto.com
Foto: DR

UC e IBA desenvolvem novo processo de produção de isótopo para o diagnóstico de cancro

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O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC) e a Ion Beam Applications SA (IBA), empresa multinacional líder mundial no fabrico de ciclotrões, acabam de submeter conjuntamente o pedido de patente internacional para um novo processo de produção de Gálio-68, um isótopo fundamental no diagnóstico do cancro.

A invenção é da autoria dos investigadores do ICNAS, Antero Abrunhosa, Francisco Alves e Vítor Alves, que ao longo dos últimos dois anos desenvolveram um processo inovador de produção de isótopos para marcação de moléculas utilizadas em Tomografia de Emissão de Positrões (PET), essenciais para o diagnóstico e estadiamento de doenças oncológicas.

O método formulado pelos investigadores de Coimbra tem impacto significativo na realização de exames de PET para o diagnóstico de cancro uma vez que  “garante maior rendimento e tem um custo 10 vezes inferior ao atual, tornando assim o exame acessível a um maior número de doentes e promovendo o uso generalizado deste tipo de exame para o diagnóstico de tumores. Esta redução de custos terá também, sem dúvida, um impacto positivo no Sistema Nacional de Saúde, considerando que o atual método disponível no mercado é complexo e dispendioso”, reforçam Antero Abrunhosa, Francisco Alves e Vítor Alves. Os investigadores assinalam também a importância da transferência de tecnologia da Universidade para as empresas, com benefícios sociais e económicos, dado que “a IBA vai comercializar em todo o mundo as soluções criadas a partir desta patente. A solução desenvolvida no ICNAS terá uma escala global.”

No âmbito desta parceria, a IBA e a Universidade de Coimbra estabeleceram um protocolo de cooperação, assumindo a empresa o financiamento para continuar a pesquisa de soluções inovadoras para o diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas. O acordo vai ser assinado na próxima quinta-feira, dia 22 de outubro, pelo Reitor da UC, João Gabriel Silva, pelo Diretor do ICNAS, Miguel Castelo Branco e pelo Vice-Presidente da IBA, Bruno Scutnaire.

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) é uma unidade de investigação da UC dedicada à investigação básica e clínica na área da Imagem Médica e à produção de radiofármacos utilizados no diagnóstico PET em oncologia, cardiologia e doenças neurodegenerativas.

 

Fonte: Universidade de Coimbra
Foto: DR

 

 

 

Helder Maiato, o bioquímico-coleccionador de prémios, colheu mais um

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Helder Maiato, Investigador principal do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, é uma das estrelas mais brilhantes da Investigação Portuguesa e o seu trabalho voltou a ser reconhecido há poucos dias: venceu o prémio “Louis-Jeantet Young Investigator Career Award”. 

O prémio, atribuído pela Fundação com o mesmo nome, tem o intuito de encorajar os melhores talentos jovens na Investigação Biomédica. A Fundação atribui mais de quatro milhões de francos suíços (~ 3.7 milhões de Euros) anualmente para promover a Investigação biomédica. Em particular este prémio resultou de uma parceria com o Conselho Europeu de Investigação (ERC – http://erc.europa.eu/) , que desde 2011 premeia os jovens Investigadores que estejam envolvidos em projectos “ERC Starting Grant” e que pretende distinguir e apoiar os melhores Investigadores com um prémio monetário de cem mil francos suíços mais dez mil francos suíços, destinados especificamente para uso pessoal do vencedor.

Helder Maiato, licenciado em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e fez parte do Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina, o que o levou até à Universidade de Edimburgo para estudar a divisão celular e, finalmente veio a doutorar-se em Ciências Biomédicas pelo Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS). Mais tarde, cruzou o Atlântico onde realizou trabalho de pós-doutoramento em microcirurgia celular no Wadsworth Center, New York State Department of Health. Ao longo deste tempo o seu trabalho foi diversas vezes reconhecido pela atribuição de vários prémios nacionais e internacionais, como o Prémio da Sociedade Portuguesa de Genética Humana em 2004 e o prémio “Estímulo à Investigação” da Fundação Calouste Gulbenkian.

O investigador regressou a Portugal, em 2005, onde integrou o IBMC e lidera uma equipa de investigadores na área da divisão celular e aneuploidia. Líder de uma grande equipa, tem publicado nos melhores jornais científicos como: Science, Nature Cell Biology, Proceedings of the National Academy of Sciences. Em 2010, Helder Maiato conseguiu ganhar provavelmente a mais competitiva bolsa de Investigação Europeia, a ERC Starting Grant, uma bolsa atribuída pelo Conselho Europeu para a Investigação para financiar os melhores projetos e ideias de investigação europeia. No entanto, este Investigador coleccionador de prémios, conta ainda com o Prémio da Sociedade Portuguesa de Genética Humana, o prémio “Estímulo à Investigação” da Fundação Calouste Gulbenkian, o prémio Crioestaminal, e muito recentemente o FLAD Life Science 2015, entre outros reconhecimentos.

Foto: DR

Universidade de Coimbra realiza primeiros estudos sobre Paleoparasitologia em Portugal

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A Universidade de Coimbra (UC), através do Departamento de Ciências da Vida (DCV) e do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), está a realizar os primeiros estudos paleoparasitológicos em Portugal.

A Paleoparasitologia é a ciência que estuda os vestígios de parasitas em populações antigas para fornecer informação que, além de explicar o surgimento e a evolução dos parasitas e dos seus hospedeiros humanos, pode ser útil para melhor entender e lidar com algumas patologias da atualidade.

A equipa da UC tem estado a analisar sedimentos recolhidos em esqueletos humanos adultos (homens e mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 70 anos), desde o Século VIII até ao Século XX, e os primeiros resultados sugerem que a população portuguesa, especialmente da região de Lisboa, tinha menos verminoses que outras populações da Europa. O motivo para isto ainda é desconhecido, mas a explicação poderia ser inclusive uma alimentação diferenciada ou mais saudável.

Através de amostras retiradas da cavidade pélvica dos esqueletos, foram identificados e quantificados os parasitas intestinais existentes, tendo sido verificado que «o número de ovos presentes – entre 5 e 50 por grama de sedimento de cada indivíduo – é muito inferior ao de outros povos da Europa, em que alguns estudos indicam a presença de centenas ou milhares de ovos de parasitas por humano», afirma Luciana Sianto, investigadora principal do estudo intitulado “Paleoparasitologia em Portugal – os caminhos dos parasitos”, que possui 13 anos de experiência na área e vários artigos publicados.

Os parasitas identificados têm sido essencialmente «Ascaris lumbricoides e Trichuris trichiura (lombrigas), parasitas comuns que são transmitidos de humano para humano», observa a investigadora do CIAS.

Estes e outros dados obtidos no âmbito do estudo, com coordenação local da professora Ana Luísa Santos, serão associados a resultados de alguns países das Américas, Ásia, África e Europa. Mas para consolidar informação sobre os parasitas, as investigadoras pretendem analisar o maior número possível de amostras e, nesse sentido, solicitam a colaboração da comunidade científica nacional da área (arqueologia e antropologia) para o fornecimento de material.

Como a recolha de vestígios carece de alguns cuidados, a equipa elaborou um manual de procedimentos para garantir a colheita adequada, disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/28760/1/Sianto%2Band%2BSantos%2B2014.pdf.

O estudo é cofinanciado pelo Governo brasileiro (Ciência sem Fronteiras CNPq) e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

 

Foto: ovo de Trichuris trichiura encontrado no sedimento retirado da região pélvica do indivíduo UE 27042, exumado da Igreja São Julião, Lisboa.

Fonte: UC