HeartGenetics selecionada como uma das dez melhores “startups” na Cimeira Mundial de Saúde

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A empresa HeartGenetics, instalada no parque tecnológico Biocant, em Cantanhede, foi selecionada como uma das dez melhores “startups” na Cimeira Mundial de Saúde, que decorreu em Berlim.

O consórcio português Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e Universidade de Coimbra emitiu um comunicado a informar que a empresa HeartGenetics, sediada em Cantanhede, distrito de Coimbra, foi selecionada como “uma das dez melhores ‘startups'”, entre cerca de 70 concorrentes de 17 países diferentes, na Cimeira Mundial de Saúde, decorreu em Outubro em Berlim.

A HeartGenetics “desenvolve dispositivos médicos para diagnóstico in vitro focados na área da genética cardiovascular“, informou o consórcio, que agora integra a Aliança M8 – o G8 da Saúde. A empresa portuguesa recorre a testes genéticos associados a ferramentas computacionais, permitindo uma adequação “precisa da terapêutica ao perfil genético de cada indivíduo, com a elaboração automática de relatórios detalhados“. Os produtos desenvolvidos por esta “startup”, resultado de uma ligação entre genética e informática, estão “100% testados e certificados” e “têm capacidade de produzir grandes economias de escala, permitindo obter significativas reduções de custos para diferentes parceiros e em diferentes faixas do mercado“.

Segundo o consórcio, o trabalho desenvolvido pela HeartGenetics permite “acelerar o investimento numa medicina personalizada e de precisão“, ao mesmo tempo que reduz “o valor do número de mortes devido a doenças cardiovasculares“. Na nota de imprensa também é referido que os “testes genéticos são acessíveis, precisos e permitem suportar de forma efetiva o diagnóstico médico“. A “startup” desenvolveu um “teste genético para a determinação do risco de desenvolvimento precoce de hipertensão arterial“, que, sendo utilizado no Serviço Nacional de Saúde, “permite estimar uma redução de custos associados à hipertensão arterial de 300 milhões de euros por ano“.

A Cimeira Mundial de Saúde é a conferência anual da Aliança M8 de Centros Médicos Saúde Académico, Universidades e Academias Nacionais. Esta conferência é organizada em colaboração com autoridades nacionais, academias de ciências em mais de 67 países e está sob o patrocínio do governo alemão.

Foto: DR

Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve integra projecto europeu para estimular aquacultura

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O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) integra o Aquaexcel 2020, um novo projecto europeu que acaba de ser lançado em Montpellier (França) e tem como objectivo facilitar e suportar o crescimento sustentável do sector aquícola.

O Aquaexcel 2020 é um projecto financiado pelo programa Horizonte 2020, que integra um largo grupo de instituições de investigação ligadas à aquacultura, tendo como objectivo promover avanços e inovação na investigação em aquacultura na europa. Dentro deste projecto, que tem uma duração de cinco anos, um dos aspectos mais importantes é facilitar o acesso subsidiado a infraestruturas de topo, assim como a serviços especializados, quer para investigadores como académicos e empresas.

O Aquaexcel 2020 prevê a integração de 39 estações de topo de aquacultura que vão estudar vários aspectos científicos relevantes, desde as espécies aos sistemas de cultivo. No caso do CCMAR, o Centro coordenará uma importante linha de trabalho, relacionada com a padronização e ferramentas para a aquacultura.

O projeto prevê também o acesso a um único portal de alta qualidade, com serviços e fontes especialmente concebidas de acordo com as necessidades da comunidade europeia de aquacultores.

Cerca de metade do orçamento do projecto, aproximadamente 9 milhões de Euros serão gastos no acesso a esta plataforma transnacional de infraestruturas de investigação e na harmonização de serviços, quer para académicos, quer para o sector privado, nomeadamente indústria e pequenas e médias empresas.

Deste modo, fomenta-se a mobilidade e o acesso gratuito de investigadores e empresários a infraestruturas de topo que não estão disponíveis nos respectivos países de origem.

No âmbito do projecto está ainda prevista a realização de formação, cursos presenciais e à distância nas áreas das tecnologias aquícolas e biologia.

O novo projecto surge na continuação de uma mesma linha de investigação (Aquaexcel), mas ambiciona ir mais longe, construindo novas ferramentas de modelos e fenótipos, experiências padronizadas, linhas experimentais de novas espécies de peixes e acesso remoto a novas soluções. No fundo, esperam os investigadores, este projecto elevará a aquacultura a um novo nível em 2020.

Cerca de metade do peixe consumido em todo o mundo vem da aquacultura. A procura de peixe está a aumentar, mas não é expectável que a pesca acompanhe este aumento devido à sobre-exploração de alguns stocks pesqueiros.

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O aumento de uma produção sustentável, baseada na eficiência e na produção ambientalmente responsável é, por isso, um dos objectivos do projecto que acredita que o sector aquícola europeu só pode aumentar a produção se houver investigação de excelência e se os resultados forem acompanhados de inovação e crescimento industrial.

O projecto iniciou oficialmente a 1 de outubro de 2015 e termina em outubro de 2020. As 22 organizações parceiras de doze países europeu reuniram, no início de novembro, em Montpellier (França) para o lançamento oficial do Aquaexcel 2020.

 

Fonte: CCMAR

Foto 1: Edifício do CCMAR – Campus de Gambelas UAlg

Foto 2: Estação experimental do Ramalhete (Ria Formosa – Faro)

17.º Prémio do Jovem Empreendedor atribuído a tratamento inovador de feridas crónicas

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A startup de biotecnologia Exogenus Therapeutics, responsável por uma inovadora terapia celular aplicada à medicina regenerativa, foi a grande vencedora do 17.º Prémio do Jovem Empreendedor, distinção anual atribuída pela ANJE, com apoio do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional), ao melhor plano de negócios apresentado a concurso. Foi ainda distinguida com Menção Honrosa a DoctorGummy, startup que desenvolve medicamentos para crianças com base em guloseimas 100% naturais.
Refira-se que os dois vencedores saíram de uma short list de seis projetos finalistas, apurados de entre as mais de 150 candidaturas ao prémio. Por esta vitória, a Exogenus Therapeutics vai receber 20 mil euros em dinheiro, mais um conjunto integrado de apoios no valor de 10 mil euros. O 17º Prémio do Jovem Empreendedor foi anunciado ontem, quarta-feira, 18 de novembro, na Alfândega do Porto, durante o jantar de gala da Feira do Empreendedor 2015.
Fundada por Joana Simões Correia (investigadora), Ricardo Neves (investigador) e Luísa Marques (gestora e marketeer), em 2015, a Exogenus Therapeutics é uma biotecnológica incubada no Biocant Park – Centro de Inovação em Biotecnologia, em Cantanhede (Bairrada). Com capital semente da Caixa Capital, a Exogenus Therapeutics dedica-se ao desenvolvimento, pré-clínico e clínico, de terapias celulares aplicadas à medicina regenerativa, especialmente ao tratamento de lesões cutâneas.
O primeiro produto da startup vencedora, o Exo-Wound, está em fase final de desenvolvimento e consiste num inovador tratamento de feridas crónicas, derivado de sangue do cordão umbilical. O agente ativo utilizado por esta terapia revela-se mais eficiente do que os tratamentos convencionais, pelo facto de utilizar células que não são vivas e que não induzem respostas imunitárias. O crescimento da pele é estimulado e a cura acelerada, com a segurança de um tratamento que não provoca rejeições e que, após 10 dias de aplicação, é 50% mais eficaz do que as terapias concorrentes.
Com as suas terapias celulares, a Exogenus Therapeutics pretende revolucionar o tratamento de feridas crónicas (diabetes, hipertensão arterial, úlceras venosas, etc.) e mudar a vida de milhões de doentes em todo o mundo. Refira-se que esta startup é a valorização económica do conhecimento produzido num projeto de investigação desenvolvido em colaboração com a empresa Crioestaminal (também vencedora do Prémio do Jovem Empreendedor), o Biocant Park e o CNC – Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra. O projeto de negócio que levou à criação da empresa, designado Nanoinspire, integrou o programa COHiTEC 2014, ação de formação em comercialização de tecnologias.
Inovadora é também a empresa premiada com Menção Honrosa. Criada em 2014 pelo engenheiro químico Nuno Santos, seu CEO, a DoctorGummy está a entrar no mercado com um processo inovador de administração de medicamentos a crianças, com base em guloseimas 100% naturais. Sem adição de açúcar, glúten, lactose, corantes ou conservantes artificiais, as gomas desenvolvidas pela DoctorGummy incorporam o princípio ativo dos medicamentos e funcionam como excipiente. Além de facilitarem a administração medicamentosa, as gomas desta startup têm a vantagem de promover a redução do potencial de geração de cáries, agravadas pelos medicamentos.
Sediada no Porto, a DoctorGummy conquistou o Prémio SmartEquity, atribuído na 4ª Gala Acredita Portugal. Por seu turno, Nuno Santos recebeu o Prémio do Voluntariado Europeu em 2013 e, na 1.ª edição do “Shark Tank Portugal”, em 2015, apresentou a DoctorGummy aos jurados do programa da SIC, tendo obtido financiamento de três deles, no total de 49.998 euros (16.666 euros cada um). A DoctorGummy foi também uma das duas startups vencedoras da competição HandsOn Startup Tour Cascais 2015, sendo selecionada para a grande final que decorrerá em Paris, no dia 26 de novembro.
Para o presidente da ANJE, João Rafael Koehler, «a intensidade de inovação, a capacidade tecnológica e o potencial económico das startups vencedoras, bem como de muitos outros candidatos ao 17.º Prémio do Jovem Empreendedor, são reveladores, por um lado, da vaga de empreendedorismo baseado no conhecimento que está a ocorrer no país e, por outro, da capacidade da ANJE de atrair talento enquanto ecossistema empreendedor».
Com efeito, «o Prémio do Jovem Empreendedor está a reunir projetos com cada vez mais qualificados e com potencial, o que é um sintoma da crescente sofisticação quer do empreendedorismo português, quer da própria ANJE como polo dinamizador de startups tecnológicas. Numa altura em que celebramos os 18 anos da Academia dos Empreendedores da ANJE, não há dúvida de que o empreendedorismo atingiu a maioridade no nosso país», conclui João Rafael Koehler.
Na gala de entrega de prémios, a presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Isabel Jonet, foi agraciada com o Prémio Carreira 2015 da ANJE.
17.ª edição recebeu 147 candidaturas
O Prémio do Jovem Empreendedor foi criado em 1998 pela Academia dos Empreendedores da ANJE, com o intuito de distinguir e valorizar projetos seed capital (ideias/protótipos que se podem tornar empresas) ou empresas em fases iniciais de desenvolvimento (startup ou early-stage). Para tanto, o certame beneficia do apoio do IEFP e atribui ao melhor plano de negócios apresentado um prémio no valor global de 30 mil euros. Prémio, esse, que contempla um prize money no valor de 20 mil euros e um conjunto integrado de apoios no valor de 10 mil euros, incluindo um ano de incubação numa das infraestruturas da Rede de Incubação da ANJE, suporte promocional, oferta de uma pós-graduação promovida pela área de formação da Associação e ainda acesso a instrumentos e programas de incentivo financeiro e de acompanhamento da atividade empresarial.
Nesta 17.ª edição, aquele que é o mais antigo prémio nacional de empreendedorismo recebeu mais de 150 candidaturas. Destas candidaturas foram apurados seis finalistas: para além da Exogenus Therapeutics e da DoctorGummy, a short list incluía a Glexyz (plataforma virtual de teste de produtos), a Linehealth (solução inteligente para medicação e controlo de doentes crónicos),a Matter (peças de design criadas a partir de resíduos) e a Stuk.io (plataforma online que ensina a programar e criar apps).
Fonte: ANJE
Foto: DR

Pegada ambiental do biodiesel: Investigadora da UC distinguida com o Prémio Mário Quartin Graça

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A Tese de Doutoramento de Érica Castanheira, investigadora do Centro para a Ecologia Industrial da Universidade de Coimbra (UC), desenvolvida no âmbito de diversos projetos internacionais sobre os impactos ambientais associados ao biodiesel produzido a partir de soja e palma cultivadas na América Latina, acaba de ser distinguida com o Prémio Científico Mário Quartin Graça, na categoria de “Tecnologias e Ciências Naturais”.

Promovido em parceria pelo Banco Santander Totta e Casa da América Latina, o galardão, no valor de cinco mil euros, visa “distinguir teses de doutoramento realizadas por investigadores portugueses ou latino-americanos em universidades de Portugal ou da América Latina”.

A investigação foi orientada pelo professor Fausto Freire, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, e envolveu mais de duas dezenas de investigadores de universidades nacionais e internacionais, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, a Universidade de São Paulo, no Brasil, e a Universidade Nacional da Colômbia, bem como empresas produtoras de biocombustíveis em Portugal e na América Latina. De uma forma muito genérica, a equipa de investigadores estudou e avaliou o impacto ambiental de ciclo de vida do biodiesel de soja e palma, ou seja, “avaliámos as emissões poluentes, como por exemplo os gases com efeito de estufa, em todas as etapas do processo, desde o solo usado para o cultivo no Brasil, Argentina e Colômbia, até à extração de óleo, transporte, produção de biodiesel e distribuição”, explica Érica Castanheira.

Cerca de metade do biodiesel utilizado em Portugal é produzido a partir de semente e óleo de soja e palma importados da América Latina. Por isso, observa a investigadora, este estudo assume particular relevância para ajudar os produtores nacionais a “optarem pelas melhores soluções, por forma a cumprir as metas impostas pela União Europeia: até 2020, é obrigatória a introdução de 10% de biocombustíveis nos transportes, assegurando que são cumpridos os critérios de sustentabilidade, entre os quais a redução mínima de 35% de emissão de gases com efeito de estufa em relação ao combustível fóssil.

O estudo concluiu que a expansão das áreas cultivadas com soja ou palma (p. ex., por via de desflorestação, como é o caso da floresta tropical na Amazónia) pode acarretar uma carga ambiental elevada devido à perda de carbono no solo e na vegetação, mostrando “a importância das alterações do uso do solo na pegada de carbono do biodiesel e que o local e modo de produção das plantas oleaginosas são aspetos determinantes na sustentabilidade ambiental do biodiesel”, sublinha Érica Castanheira.

Intitulada “Environmental Sustainability Assessment of Soybean and Palm Biodiesel Systems: a Life-Cycle Approach”, a tese foi realizada no âmbito do Doutoramento em Sistemas Sustentáveis de Energia (Programa MIT-Portugal) / Iniciativa Energia para a Sustentabilidade e financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O prémio foi entregue na sexta-feira, dia 20 de novembro, na sede do Banco Santander (Rua do Ouro nº 88, Lisboa). Para Érica Castanheira “é o reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de cinco anos por uma vasta equipa no Centro para a Ecologia Industrial da UC”.

Fonte: UC
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Universidade do Porto aposta no Mar

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O Polo do Mar do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC MAR) tem como missão estrutural a incubação de projectos empresariais ligados às Ciências e Tecnologias do Mar, beneficiando da proximidade das estruturas e equipamentos do Porto de Leixões e da investigação avançada desenvolvida na Universidade do Porto.

Localizado no antigo edifício da Sanidade Marítima do Porto de Leixões, em Leça da Palmeira, o complexo  ficou concluído nos finais de 2012 e disponibiliza cerca de 2000 m2 e tem capacidade para albergar 32 empresas.

O projecto UPTEC MAR propõe-se valorizar os resultados de investigação decorrentes da actividade dos vários centros de I&D que a Universidade do Porto irá albergar no interior do Porto de Leixões. O exemplo mais claro disso será, porventura, a transferência das instalações do CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental) para para o novo terminal de Cruzeiros de Leixões, o que potenciará a atracção de negócios e empresas para este Polo.

As empresas actualmente associadas ao UPTEC MAR agregam várias áreas de actividade no domínio da economia do Mar como a biotecnologia marinha, aquacultura, energia das ondas, robótica marinha, software, ambiente, turismo e náutica de recreio.

Fonte: UPTEC
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IBM atribuiu Prémio Científico a Ricardo Silveira Cabral

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A IBM Portugal distinguiu o jovem Ricardo Silveira Cabral com o 25º Prémio Científico. O açoriano de 29 anos construiu uma base de dados que permite aproximar os computadores e as pessoas.

O investigador do Instituto Superior Técnico foi o autor do trabalho vencedor cujo título “Unificação de modelos low-rank para problemas de aprendizagem virtual”, visa dar mais um passo na área da visão computacional no sentido de melhorar os resultados em aplicações relacionadas com a robótica, arquitectura, realidade virtual, navegação e mapeamento de território. Neste momento, os sistemas estão a ser utilizados para detectar automaticamente melanomas e efectuar gestão de filas no aeroporto de Lisboa.

A cerimónia contou com a presença do Presidente da República e decorreu na Fundação Champalimaud. “Será desejável e expectável que a actividade e a produção de conhecimento da comunidade científica venham a ter uma presença cada vez maior no nosso tecido empresarial, com benefícios para a criação de riqueza e de emprego”, afirmou Sua Excelência o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

O responsável máximo da IBM Portugal, António Raposo de Lima, afirmou que “tem sido um privilégio premiar as áreas de investigação em Portugal ao longo de 25 anos”. Raposo de Lima considerou que a distinção ao trabalho do jovem açoriano “enquadra-se na estratégia da empresa porque estabelece uma relação entre os computadores e as empresas”, tendo acrescentado que “já se encontra a funcionar em alguns hospitais”. Por outro lado, o presidente do júri, Carlos Salema, lamentou que “em Portugal não é muito vulgar premiar a excelência na ciência”.


Sobre o
Prémio Científico IBM

A IBM Portugal instituiu o Prémio Científico em 1990, com a finalidade de distinguir trabalhos nos mais diversos domínios do conhecimento da Ciência e Tecnologia. Pretende-se estimular jovens investigadores portugueses ou a residir em Portugal desde há três anos a divulgarem os seus projetos, fomentando o relacionamento entre as comunidades industriais, académica e de investigação científica.

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Isabel Silva propõe um novo mecanismo para tratar a doença da próstata (entrevista)

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Isabel Silva, de 29 anos, é natural da Trofa e licenciada em Genética e Biotecnologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, com mestrado em Genética Molecular Comparativa e Tecnológica. Chegou ao Porto, ao instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em 2010, altura em que iniciou funções como investigadora no laboratório de Farmacologia e Neurobiologia do ICBAS. Em 2013 iniciou o Programa Doutoral em Ciências Biomédicas do ICBAS com o objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior. Os mais recentes resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” apresentada na Reunião Mundia da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). O trabalho apresentado por Isabel Silva intitulava-se “Blockage of UDP-sensitive P2Y6 receptors as a novel therapeutic strategy to control urine storage symptoms in men with bladder outlet obstruction” e este a concurso com mais de 300 comunicações provenientes de mais de 30 países. A Excelência Portugal foi falar com a investigadora para saber mais sobre o seu trabalho.

 

Sempre quis ser cientista ou houve algum motivo/ influência que a levasse a enveredar nessa área?

Não (risos).. A investigação foi por mero acaso. Eu fui para o laboratório onde estou e comecei num estágio de verão para aprender algo mais, porque eu sou da área da genética e não estou a fazer investigação em genética.”

Pois, está a trabalhar na área da Farmacologia…

Exatamente, na parte da farmacologia. Comecei a gostar desta área,  as coisas começaram a correr bem e eu fiquei entusiasmada e fiz o estágio de licenciatura, continuei e fiz o estágio para a tese de mestrado e depois as coisas foram continuando e agora estou a fazer o doutoramento.”

O seu doutoramento tem como objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior, nomeadamente a hiperatividade da bexiga. Pode falar um pouco desta problemática?

“A hiperatividade da bexiga é mais comum nas mulheres.  Nos homens acontece em idades mais avançadas e normalmente é consequente de uma hiperplasia benigna da próstata. Nas mulheres, a causa é idiopática. Só que há um problema, nós não temos acesso  a amostras de tecido das mulheres. Não nos podemos dirigir a uma mulher, que não tem necessidade de ser operada, e recolher um pedaço de tecido de bexiga para fazermos experiências. Isso não é eticamente correto, nem podemos fazê-lo. Então, o tecido que nós temos acessível é tecido de bexiga de homens que, devido à hiperplasia benigna da próstata, são operados para resolver o problema da obstrução da uretra e muitas vezes já têm problemas na bexiga. É com esse tecido que nós fazemos o nosso trabalho de investigação. Nas mulheres, o que nós conseguimos fazer são estudos de metabolitos na urina.”     

Um dos focos da sua investigação é estudo dos receptores P2Y6. Qual a função destes receptores e de que modo podem contribuir para melhorar a qualidade de vida dos homens afetados por esta condição?

“Este receptor é um recetor recentemente descrito, e ainda não estava descrito na bexiga. Ninguém sabia se ele estava lá e o que é que ele fazia. Os primeiros ensaios no nosso grupo, onde caracterizamos estes receptores, foi em rato. E o que observamos foi que, quando infundíamos uma substância que ativava estes receptores na bexiga de rato, a substância causava hiperatividade da bexiga. Como tínhamos amostras de homens com hiperatividade da bexiga fomos ver se, ativando estes receptores e bloqueando-os, o nível de neurotransmissores libertados era igual ou diferente ao de homens saudáveis (dadores de órgãos). Também fizemos estudos de localização dos receptores para ver se estavam localizados nas células da bexiga e se as células tinham o mesmo número de receptores. E conseguimos perceber que, nestes homens, quando ativamos estes receptores, eles libertam uma molécula que consideramos estar relacionada com a hiperatividade da bexiga que é o ATP e que o bloqueio destes receptores inibe a libertação de ATP. Assim, ao inibir a libertação de ATP conseguimos reverter uma situação de bexiga hiperativa.” 

Estas descobertas permitirão o desenvolvimento de um novo fármaco?

“Estas descobertas permitem o desenvolvimento de um novo fármaco, mas para isso agora precisamos do apoio da indústria farmacêutica e de apoio financeiro para o desenvolvimento do fármaco. Este trabalho propõe uma nova ferramenta terapêutica para a bexiga hiperativa sem efeitos secundários que existem nos tratamentos atuais. O problema do tratamento atual para a bexiga hiperativa é a utilização de fármacos anti-colinérgicos que, ao longo do tempo, vão ter efeitos secundários como, por exemplo, obstipação, uma vez que nós temos nos intestinos muitos receptores colinérgicos. O nosso trabalho permitiu  descobrir que o recetor P2Y6 está preferencialmente localizado na bexiga e conseguimos caracterizá-lo bem, o que pode ser uma ferramenta muito útil no desenvolvimento de um novo fármaco. Se o recetor não for expresso noutros órgãos com grande abundância, poderá ser um bom alvo terapêutico.”

Então, como potencial fármaco, propõe uma substância que vai inibir o recetor P2Y6, de uma forma dirigida, nas células da bexiga?

Exatamente. Nós propomos o desenvolvimento de um fármaco que irá atuar num recetor que está especificamente localizado na bexiga, à partida.

O próximo passo passará, seguramente, pela produção do fármaco. É fácil obter o apoio da industria farmacêutica?

A industria funciona a curto/médio prazo e tem de ganhar milhões rapidamente. E nós na investigação básica que fazemos nas universidades não conseguimos garantir isso. Para passarmos para a próxima fase queremos acreditar que a industria se vai interessar nisto, mas ainda temos de fazer mais ensaios. Agora, se é fácil, acredito que a nível prático seja um caminho ainda longo.”

Os resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” na Reunião mundial da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). Qual foi a sensação de ser uma portuguesa a receber tal prémio?

Foi muito gratificante. Sempre tive muito orgulho em ser portuguesa em qualquer sítio onde estivesse. E o facto de ser uma portuguesa no meio de tanta gente fez-me sentir que somos pequeninos mas afinal temos tanta importância como os outros. Não precisamos de pertencer a centros de investigação de topo, de renome, ou de ter um sobrenome de renome, para conseguirmos chegar à ciência de alto nível e internacional”.

Como ciêntista, considera que a ciência é devidamente valorizada em Portugal?

Não. Acho que há muita coisa em Portugal que devia ser revista e considerada na área da ciência, por vários motivos, sobretudo porque as formas de atribuição dos financiamentos muitas vezes não são corretas. Estes prémios, como o que recebi, nem sempre são considerados  e muitas vezes, não havendo financiamento, os estudos terminam quando já estavam próximos do fim. E fica muita coisa pendente, muita coisa que vamos lá para fora fazer porque deixamos cá a meio, ou então vêm outros de fora que trazem o dinheiro, terminam o trabalho e ficam com o mérito.”

Após os excelentes resultados e de obter o devido reconhecimento, o que perspectiva para o futuro?

Eu gostava muito de, até ao final do doutoramento, continuar com este trabalho e conseguir chegar a uma ferramenta farmacológica , com o apoio da indústria, e lançar o fármaco. Sabemos que até lançarmos o fármaco temos um longo caminho, mas o objetivo é não perder o fio à meada e continuar no desenvolvimento deste projeto.”

Foto: DR

Região Norte e Galiza apostam na Bioeconomia como motor de crescimento

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BICMINHO e XUNTA DA GALIZA lançam 1.ª edição do BIO INVESTOR PROGRAM NORTE DE PORTUGAL – GALIZA para financiar novos projetos empresariais na área da Bioeconomia, promovidos por empreendedores, start ups e PME em fase de expansão.

O Bio Investor Program Norte de Portugal – Galiza é um programa de valorização empresarial de carácter transfronteiriço que permitirá aos bioempreendedores e empresas inovadoras da área da bioeconomia da Euro-região Norte de Portugal – Galiza, avaliar, melhorar e consolidar o seu projeto empresarial, através de formação específica e ações de mentoring, com o objetivo de facilitar a captação de investimento por parte de investidores e capitais de risco, mediante a realização de um fórum de investimento sob a forma de “networking”.

A Bioeconomia é um sector de elevado potencial e em forte crescimento, e de grande relevância para a melhoria competitiva da Euro-Região Norte de Portugal – Galiza, com forte influência sobre muitos sectores industriais e económicos. Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico a Bioeconomia movimenta no mercado mundial cerca de €2 triliões de euros gera cerca de 22 milhões de empregos, assumindo-se portanto como a única economia alternativa para o século XXI para a União Europeia.

Esta é a primeira de várias iniciativas previstas no acordo de principio entre o BICMINHO e a Xunta da Galicia, acordo este que contempla várias estratégias conjuntas de atuação e ações concertadas a realizar nos próximos meses para consolidar o desenvolvimento sustentado do lançamento do cluster transfronteiriço no setor da biotecnologia, que se espera vir a concretizar em 2016. O objetivo é investir €5 milhões de Euros até 2020 para obter um retorno acumulado para a Euro-região de €20 milhões em 2030.

A XUNTA DA GALIZA e o BICMINHO pretendem assim afirmar a Euro-região como uma região com excelentes condições para atrair investimentos, nacionais e internacionais, nos setores da nano e biotecnologia. Segundo Nuno Gomes, CEO do BICMINHO, “Estamos a trabalhar para tornar a Euro-região num território com condições privilegiadas para a localização de empresas biotecnológicas, e para atrair investidores especializados nestas áreas de negócio. Temos centros de investigação de topo, empresas de referência no sector agroalimentar, ambiente, saúde e do mar. Temos de ser capazes de aproveitar estas condições e este momento histórico para criar, juntamente com a Galiza, um cluster transfronteiriço neste setor emergente chave, fundamental para construirmos, para a região do Norte e para a Galiza, um futuro suportado na inovação, na competitividade e no sucesso empresarial”.

A biotecnologia pode ser um motor de desenvolvimento regional e uma forma de evitarmos a fuga de cérebros”, conclui este responsável recentemente eleito Presidente do Bioeconomy Special Interest Group da European Business and Innovation Centre Network e nomeado Perito Externo da CCDR-N para o sector agroalimentar do Grupo de Trabalho para a Competitividade Industrial da Macrorregião RESOE.

As candidaturas para o Bio Investor Program Norte de Portugal-Galiza estão abertas até 20 de novembro. As candidaturas serão analisadas por um júri de três membros, representantes de instituições com alta credibilidade na área da bioeconomia e inovação, e deverão ser efetuadas através de formulário online disponibilizado em www.bicminho.eu ou através de email para jpcf@bicminho.eu.

Após a seleção, os promotores das ideias de negócio vencedoras receberão apoio, orientação e acompanhamento técnico especializado, para que estejam totalmente preparados a apresentar e defender os seus projetos empresariais a um painel de investidores e capitais de risco. Esta sessão de apresentação dos projetos empresariais a investidores, o Bioinvestor Day, terá lugar no próximo dia 11 de dezembro e tem já presença confirmada de dez entidades financiadoras públicas e privadas, de ambos os lados da fronteira, bem como a participação do Conselleiro de Economia, Emprego e Industria da Xunta da Galicia, D. Francisco Conde López.

Fonte: BICMINHO
Foto: educacion.es

 

 

 

CIIMAR conquista três novos projetos de Divulgação de Ciência

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Cadeias Tróficas Marinhas – Conhecer para Comunicar”, “Mar de Plástico” e “OceanLab – Protegendo os Oceanos: vem ao laboratório fazer connosco!”,  são os três novos projetos de divulgação de ciência do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), com financiamento aprovado pelas European Economic Area (EEA) Grants.

Os três projetos procuram contribuir para a educação e sensibilização dos cidadãos para o Bom Estado Ambiental das Águas Marinhas preconizado pela DQEM (Diretiva Quadro Estratégia Marinha), assim como promover a Literacia dos Oceanos, a valorização dos seus recursos marinhos e a sua preservação, através da realização de iniciativas de sensibilização junto das camadas mais jovens e público em geral.

O projeto “Cadeias Tróficas Marinhas” tem por objetivo sensibilizar e dotar o público escolar de uma série de conceitos e processos inerentes ao tema das relações tróficas marinhas assim como fornecer ferramentas para a aprendizagem autónoma e o desenvolvimento do pensamento crítico. Para tal, o projeto propõe realizar diversas iniciativas de sensibilização para alunos de diferentes níveis de ensino e público em geral, que incluem a construção orientada de produtos de comunicação de ciência originais e demonstrativos sobre o tema e que irão posteriormente integrar uma exposição Pop UP destinada a incentivar a adoção de boas práticas para a preservação dos ecossistemas marinhos e manutenção das cadeias tróficas.

O projeto “Mar de Plástico” pretende alertar e aumentar o conhecimento dos mais jovens para a problemática dos plásticos no Oceano, procurando incentivar a reflexão crítica sobre os possíveis contributos de cada um. Este projeto destaca-se pela exploração inovadora da arte como ferramenta de sensibilização da sociedade para questões ambientais. Através de uma colaboração com a Escola Superior Artística do Porto serão produzidas esculturas de grande tamanho com plástico reciclado e uma peça de teatro, para posterior exibição em locais públicos da cidade do Porto e escolas envolvidas no projeto. Este projeto, que se integra na Campanha Ocean Action, prevê ainda a realização de atividades de ciência experimental em 6 escolas da região do Porto, ações de limpeza de praias, uma exposição e a produção de vídeos educativos sobre o tema da poluição dos oceanos por plásticos.

Por fim, o projeto OceanLab envolve a criação de um laboratório específico no CIIMAR para receber jovens, professores e famílias, conduzindo-os numa abordagem holística à Literacia do Oceano. Com um programa dedicado à realização de um conjunto de experiências científicas hands-on, o OceanLab permitirá aos jovens colocar em prática, num contexto laboratorial, experiências relativas a princípios ligados à Literacia no Oceano, bem como à gestão integrada e à manutenção do Bom Estado Ambiental dos Oceanos.

Fonte: UP
Foto: DR

 

Equipa de Físicos da Universidade de Coimbra demonstrou forma inovadora de estudar o hidrogénio

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Investigadores da Universidade de Coimbra integram equipa de investigação que dá hoje mais um passo na compreensão do intrigante hidrogénio. O trabalho foi desenvolvido em parceria com físicos de Berlim, de Inglaterra e do Texas. Os muões são partículas elementares com carga eléctrica, semelhantes aos electrões, mas com uma massa 207 vezes superior, podendo apresentar carga positiva ou negativa.

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por fundos europeus,  demonstra que os muões positivos apresentam uma configuração química semelhante à do hidrogénio. O investigador do Centro de Física da UC e líder da equipa de investigação, Rui Vilão, reforça que o estudo que “possibilita um avanço substancial na compreensão do papel do hidrogénio”.

Em linguagem simples, ilustra o físico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, “podemos dizer que o muão funciona como um sósia ou como o duplo de um filme. Mas enquanto no cinema o duplo substitui o ator principal, o muão não cumpre essa missão. Serve unicamente para estudar as características “secretas” do protagonista do filme.” Rui Vilão admite que a demonstração realizada poderá trazer muitas vantagens no desenvolvimento e melhoramento de aparelhos electrónicos, uma vez que os resultados obtidos assumem particular relevância para “a física de semicondutores. Este tipo de materiais constitui a base de imensas aplicações de grande importância (díodos, transístores, LEDs, células solares ou lasers, entre muitos outros), e caracteriza-se pela extraordinária sensibilidade das propriedades à presença de impurezas”.

O físico reforça ainda que o “hidrogénio conta-se entre as impurezas mais comuns e por isso entre as de maior relevância (o prémio Nobel da Física de 2014 destacou trabalhos nesta área). A espectroscopia do muão positivo (de que a equipa de Coimbra é pioneira em Portugal) permite obter informação microscópica detalhada sobre o hidrogénio, de outra forma inacessível”.

Ao compreender melhor o hidrogénio, através de espectroscopia de muões positivos, a equipa espera contribuir para o desenvolvimento da física de semicondutores. O trabalho foi publicado na revista científica “Physical Review B”.
Fontes: Universidade de Coimbra e Rádio Universidade de Coimbra
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