Dois Cientistas Portugueses eleitos membros da Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO)

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Mónica Bettencourt Dias, investigadora principal do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e, Henrique Veiga Fernandes, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, foram dois dos membros eleitos este ano para integrar a Organização Europeia de Biologia Molecular (European Molecular Biology Organization – EMBO), pelo mérito e a excelência do trabalho que têm desenvolvido nos últimos anos. 

Os dois cientistas passam assim a integrar a lista de agora 13 cientistas membros desta organização a trabalhar em Portugal, dos quais fazem parte Jonathan Howard, diretor do Instituto Gulbenkian de Ciência e Maria do Carmo Fonseca, presidente do Instituto de Medicina Molecular.

Mónica Bettencourt Dias, coordena o grupo de Regulação do Ciclo Celular no IGC, onde estudam como erros na divisão das células podem estar implicados na progressão de tumores ou na infertilidade. Mónica Bettencourt Dias  fala sobre esta nomeação: “Foi uma surpresa enorme! É uma grande honra para o meu laboratório e para o Instituto Gulbenkian de Ciência  que tem apoiado sempre o nosso trabalho” acrescentando que “é uma excelente oportunidade de promover o desenvolvimento da investigação em Ciências da Vida na Europa.”

Henrique Veiga-Fernandes, coordena um laboratório de imunologia no IMM, onde estuda a forma como factores ambientais influenciam o sistema imunitário em doenças inflamatórias, infecciosas e cancro. Para Henrique Veiga-Fernandes, esta nomeação: “Foi totalmente inesperada! Tive de reler o comunicado várias vezes para perceber exatamente o que tinha acontecido! Custava acreditar…” referindo ainda que “esta eleição pelos nossos pares internacionais é também uma forma notável de reconhecimento do IMM pelo investimento incondicional que tem feito em ciência”.

Este ano foram ainda nomeados mais dois cientistas portugueses: Graça Raposo-Benedetti, investigadora principal do grupo de Dinâmicas e Estruturas Sub-celulares, no Institut Curie, em Paris e, Carlos Caldas, investigador principal do Cancer Research UK, em Cambridge.

Maria Leptin, diretora da EMBO, refere em comunicado: “Congratulamo-nos com estes cientistas excepcionais que entram agora na EMBO e estamos ansiosos pelo seu contributo”. Pode ainda ler-se no mesmo comunicado que “os membros da EMBO têm contribuições inestimáveis para a organização, fornecendo sugestões e feedback sobre as atividades da EMBO, para além de integrarem os comités de seleção para os programas da EMBO e serem mentores dos cientistas mais jovens selecionados pela organização. O seu contributo tem ajudado a promover a excelência nas ciências da vida desde 1964”.

Anualmente, a EMBO nomeia cientistas de topo de várias áreas das ciências da vida que desenvolvem o seu trabalho em países europeus ou países associados como Estados Unidos, Nova Zelândia, Japão e China. Este ano foram nomeados 58 novos membros, provenientes de 19 países. A rede de membros desta organização ultrapassa já os 1700 cientistas em ciências da vida.

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Mónica Bettencourt-Dias licenciou-se em Bioquímica pela Universidade de Lisboa e fez o doutoramento em regeneração cardíaca na University College London, Reino Unido. Após o doutoramento, fez investigação na Cambridge University, Reino Unido, mudando-se em 2006 para o IGC para criar o seu próprio grupo de investigação. Mónica Bettencourt Dias foi premiada em 2007 com o Eppendorf Young Investigator Award, recebendo no mesmo ano um Prémio de Instalação EMBO. É desde 2009 membro no programa EMBO Young Investigator ao que se soma agora a nomeação para membro da EMBO. Venceu o Prémio Criostaminal em 2007 e por duas vezes venceu o Prémio Pfizer em Investigação Básica. O grupo de investigação que lidera tem publicado artigos relevantes na área da divisão e mobilidade celular tendo obtido importantes financiamentos do Programa Harvard-Portugal da Fundação para a Ciência e Tecnologia e uma Starting Grant do European Research Council (ERC). Mónica Bettencourt-Dias tem ainda um forte interesse na promoção do diálogo entre a comunidade científica e a sociedade e tem organizado eventos de comunicação de ciência que promovem interações entre cientistas e o público. Ainda durante o seu pós-doutoramento obteve uma pós-graduação em Comunicação de Ciência pelo Birkbeck College, Reino Unido.

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Henrique Veiga-Fernandes
 licenciou-se em Medicina Veterinária pela Universidade Técnica de Lisboa. Doutorou-se pela Université René Descartes em Paris, França. Fez o seu trabalho de pós-doutoramento no National Institute for Medical Research em Londres, Reino Unido, onde viria mais tarde a desempenhar funções como cientista sénior. Iniciou o seu trabalho no Instituto de Medicina Molecular em 2009 como coordenador do grupo de Imunobiologia. Desde 2014 é membro da direção do Instituto de Medicina Molecular. Foi premiado, por três vezes, pelo European Research Council (ERC), em 2008, 2013 e 2015. Entre outras distinções incluem-se os prémios Pfizer em Portugal, Kenneth Rainnin Foundation e CCFA, ambos nos Estados Unidos.

 

Fonte: Instituto Gulbenkian de Ciência e do Instituto de Medicina Molecular

IGC Social Media:

Créditos das fotos: MDias – Roberto Keller (IGC); HVFernandes – Andreia Machado (IMM)

Robôs – os novos amigos dos agricultores do Douro

O projecto, coordenado pelo Professor Raul Morais da Escola de Ciências e Tecnologia da UTAD, pretende desenvolver um protótipo de robô móvel que consiga intervir nos terrenos mais acidentados, como os da região vinícola do Douro, como nos conta a revista técnico-científica agrícola, Agrotec.

Raul Morais, doutorado em Engenharia Electrotécnica (área de microelectrónica) pela UTAD, já trabalha nesta área há muitos anos como nos apercebemos pela sua tese de doutoramento “Micro-interface Sensorial em Tecnologia CMOS com Transmissão de Dados por Rádio-frequência para Aplicações Agrícolas”, em 2004. Em 2006, conseguiu o financiamento para o projecto de recolha de dados para a vitivinicultura de precisão na Região Demarcada do Douro, projecto PTDC/EEA-ELC/73478/2006. Foi criando assim um caminho sustentado para este projecto mais recente.

Trata-se de um projecto multidisciplinar na área da Engenharia, visto incluir um vasto terreno de interesse para a instrumentação, electrónica, controlo de sistemas, tal como contou à Agrotec “a robótica móvel tem tido um maior destaque por ser uma área transversal e com aplicação em diversos campos, mas também por agregar um grande número de competências dos docentes dos cursos ancorados na Escola de Ciência e Tecnologia da UTAD. Assim, a nossa investigação nesta área tem sido direccionada para os aspectos que permitem a navegação autónoma de robôs, em terrenos de dificuldade acrescida, com o objectivo de, num futuro próximo, poder realizar operações de monitorização sensorial”. Importa referir que a vinha não é a única cultura que poderá beneficiar deste ajudante electrónico, mas também a agro-indústria, a floresta e agricultura de precisão.

Actualmente, o projecto conta já com um pequeno robô, todo-o-terreno. Este robô, equipado com várias ferramentas, desde GPS, câmaras, e outros sensores, que têm permitido, aos alunos de mestrado e doutoramento deste grupo, o desenvolvimento e optimização de diferentes algoritmos de detecção de obstáculos, trajectórias optimizadas.

Raul Morais termina, contando “Numa perspectiva de evolução a médio prazo, o passo natural é o de desenvolver ferramentas de actuação para robôs de maior porte, que possam realizar intervenções no campo sem recorrerem a operadores humanos como, por exemplo, a pulverização inteligente, o corte selectivo de matéria vegetal e a limpeza de ervas, entre outras tarefas de utilidade, nas mais variadas práticas agro-florestais”.

 

fonte: http://www.agrotec.pt/noticias/utad-desenvolve-robots-para-ajudar-agricultores-do-douro/.
foto: DR

Barcelos – Rede de Pequenos cientistas promove o ensino da ciência

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Já imaginou como seria se todos os cientistas pudessem começar bem cedo? Logo a partir dos 4 anos de idade!

É esse o mote da Rede de Pequenos Cientistas, um movimento com o Alto Patrocino da Presidência da República, que visa promover e incentivar jovens com idades entre os 4 e os 17 anos a serem cientistas.

Este movimento foi criado por 3 professoras, como um clube numa escola de Barcelos, mas que entretanto se espalhou por todo o pais, transformando  jovens em verdadeiros cientistas, questionando tudo, motivando a curiosidade e o saber.

A Rede de Pequenos Cientistas conta como padrinhos o Nobel da Medicina de 2007, Professor Oliver Smithies e Renata Gomes, considerada pelo Jornal “i” como uma das 50 personalidades que deveria regressar a Portugal e uma das mais galardoadas jovens cientistas do Reino Unido.

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Para Renata Gomes, “A nossa função consiste em apoiar não só a rede, mas como também projectos dos jovens cientistas, oferecendo-lhes o nosso conhecimento e experiência, de forma a que estes pequenos grandes futuros possam desenvolver as suas ideias e projectos. Estes pequenos cientistas podem até ganhar a Imagine Cup da Microsoft, como aconteceu com uma jovem cientista da rede!”

Anualmente a Rede realiza um concurso, chamado de Grande Laboratório, entre todas as escolas aderentes a este programa, sendo que este ano o evento irá contar com as 3 Óscares da Ciência do Reino Unido e Militares Cientistas Portugueses e Ingleses!

A par do evento, a Rede de Pequenos Cientistas vai também oferecer Bolsas de Estudo, para patrocinar os estudos universitários destes pequenos jovens, facilitando o seu futuro como jovens cientistas que são.

 

Mais detalhes sobre a Rede de Pequenos Cientistas em: 

Website: http://redepequenoscientistas.com/ 

Facebook:https://www.facebook.com/RPcientistas

Fotos: DR

BET 24 Horas – a reportagem

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A Excelência Portugal teve a oportunidade de acompanhar o evento bet24horas na sua 3.ª edição, que terminou no passado dia 09 de maio de 2015. Um evento em que as 24 horas são, na sua totalidade, focadas somente no empreendedorismo português! Este evento tem o intuito de incentivar os jovens a serem proactivos, empreendedores. No meio de um clima de competitividade os participantes tiveram não só a oportunidade de abrir os horizontes às várias questões a ter em conta no inicio de um projecto de cariz social, startup ou na manutenção dos mesmos, como de ganhar apoios e projecção das suas ideias.
Os jovens que passaram a última etapa dos desafios foram defrontados com a necessidade de fortemente argumentar e defender as suas ideias, expostos a críticas sem papos na língua mas também aos mais honestos parabéns e ofertas de auxílio, networking! De um evento que, embora apenas alguns foram os vencedores, todos saíram a ganhar algo: experiência e conhecimento/ know how! A nossa página tem o orgulho de dar os parabéns a Romina Fernandes, que há tempos nos respondeu a uma entrevista, acerca do seu projecto conjunto com Sara Agotinho, a Pictomed. Romina Fernandes ganhou o Social Entrepreneurs Challenge/ Desafio de Empreendedorismo Social.

Romina Pictomed

Para além desta competição ocorreram, paralelamente, mais três competições! Nesta já referida, como o nome indica, concorreram projectos de cariz social e a grande conhecimento passou na passagem da ideia à prática. O prémio foi nomeadamente 1 000 euros e uma viagem à Tech Hub de Londres, para além de recolher os fundos reunidos na segunda etapa, na campanha de crowdfunding.

A segunda competição denominou-se por Challenge Social Media, que consistiu na análise de um problema de uma startup a níveis da comunicação, sendo o desafio a solução do mesmo! O prémio passou por uma viagem à Tech Hub Europeia. A terceira competição, Challenge Startup 2.0, tocou nas raízes de como desenvolver uma startup, da sua concepção ao sucesso no mercado. Com o prémio de 1 000  euros e viagem à Tech Hub de Londres. A quarta e última competição por sua vez foi a Challenge Startup 2.0 segue no mesmo sentido mas aplicando-se a startups já estabelecidas! Com um prémio de investimento de 5 000 euros e todo o conhecimento para a ampliação e projecção do negócio. Sendo que face a esta última concorrência tivemos a oportunidade de falar com dois participantes!

António Araújo e Manuel Machado Soares foram participantes no Bet 24 Horas, nomeadamente no Challenge Startup 2.0. Ambos jovens de 19 anos são sócios fundadores da empresa 100 Horas na Linha, que está no activo faz três meses. Esta empresa é especializada em serviço ao domicílio durante a noite de quinta, sexta e sábado. O serviço tem à disposição bebidas, comida, tabaco e os seus pontos de entrega são em Cascais, Lisboa e Oeiras. Estes dão o seu testemunho em forma de mensagem na matéria:

Eventos destes são de louvar! Cada vez mais têm sido feitos em Portugal eventos que promovem o empreendedorismo e agradecer ao BET por realizarem um evento deste género, que já não é a primeira vez. Aconselhamos todos os jovens a participar na próxima edição.

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Mas mais do que uma reflexão de participantes a Excelência Portugal falou também com o actual presidente da BET a entidade que organizou o evento! Salvador Barros acerca do que constitui o evento e da origem do mesmo:

(O Bet 24 horas é a) Oportunidade para os jovens empreendedores, isto é, jovens que têm ideias, tirarem-nas da cabeça e comecem a trabalhá-las. Portanto estas 24 horas servem para que em quatro semanas e dois momentos físicos os jovens estejam focados em empreendedorismo em vários pontos de vista. Os participantes do evento dividem-se pelas quatro competições, consoante o seu interesse, sendo o propósito específico a competição.

Quanto à entidade que impulsionou este evento:

O BET surgiu no final de 2011, naquela fase em que se falava na «geração à rasca», «geração perdida», 40% de desemprego jovem em que o mercado não atua, não os recruta… O que aconteceu entretanto é que nós quisemos contribuir para que não houvesse este pessimismo! Decidimos atuar por cima disso, ou seja, decidimos puxar pela proactividade dos jovens e foi assim que nos surgimos. E como é o que o fazemos?

Nós temos aqui uma quase fórmula mágica da forma como agimos, os “4 M’s + S”. Os termos referentes são em inglês porque temos pessoas que não são portuguesas na equipa, sendo esta língua a do elo de todos.

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O que nós queremos no fundo fazer, é ajudar os empreendedores a tirarem as ideias das suas cabeças e começarem a trabalhá-las (mindset), quando decidirem avançar com a ideia após os eventos ajudá-los de facto a encontrar a equipa perfeita (matching), ajudá-los a trabalhar em qualquer fase possível, ao máximo em termos de aconselhamento (mentoring) e depois finalmente ajudá-los a conseguir investimento junto de investidores com os quais metemos em contacto. Procuramos ajudar o empreendedor em todo o seu percurso até que já não necessite de nós e consigam assim meter as suas ideias no mercado! Dar vida aos problemas que querem resolver…”

Como tem sido a experiência na realização deste evento?

“Face ao Bet 24 Horas esta é já a sua 3.ª edição, nas outras edições o modelo era um bocado diferente. Nesta edição o processo esteve dividido em duas fases, foi uma experiência que tivemos noutros modelos de desafios que tem dado resultado, que é um compromisso com as ideias. Portanto numa primeira fase, de quatro semanas e no final os que aparecem, não há seleção, são no geral pessoas que veem por vontade própria, ou seja, a priori são os que vêem com compromisso.

Tem sido muito giro ver porque de facto as pessoas que aparecem vêem já com trabalho feito! Com qualidade e até surpreendentes com o grau de desenvolvimento. Por isso decidimos trazer este modelo para o Bet 24 Horas. Além disso a parte que achamos que acrescenta mais valor da nossa forma de actuar é o apoio e investimento como na Uniplaces, Chic By Choice, Follow Price que já conseguimos ajudar… Já ajudamos startups num levantamento superior a meio milhão de euros em quase quatro anos de actividade. Portanto tem sido muito interessante, muito reconfortante que estamos a cumprir o objectivo…”

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Fotos:  DR

Entrevista à investigadora Fátima Macedo

Fatima Macedo

A investigadora Fátima Macedo recebeu recentemente um bolsa de no valor de 140.000 dólares (cerca de 126.000 euros) pelo seu trabalho no estudo de uma doença genética rara, a Doença de Gaucher.

Fomos entrevistá-la.

 

Qual foi o seu percurso académico e científico?       

Licencie-me em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em 1996. Iniciei a minha carreira científica no IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto), trabalhando sob a orientação da Prof. Leonor David. De seguida ingressei no programa doutoral GABBA (Programa Graduado em Áreas da Biologia Básica e Aplicada, UP), trabalhando em Imunologia com a Prof. Maria de Sousa (IBMC) e Prof. Nancy Andrews (Harvard University em Boston, USA). Desde 2005 que concílio a investigação científica com o ensino. Dá-me um grande prazer partilhar com os estudantes a minha paixão pela ciência. Atualmente, sou professora convidada na Secção Autónoma de Ciências da Saúde, Universidade de Aveiro. No campo científico sou, desde 2011, investigadora na Lysosome and Peroxisome Biology Unit (UniLiPe) do IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular) no Porto, onde coordeno uma equipa de investigação que trabalha para a melhor compreensão do papel da acumulação de esfingolípidos em doenças lisossomais de sobrecarga na ativação do sistema imunológico.

O que a levou a estudar a Doença de Gaucher e em que é que consiste?

A pergunta que tem motivado a minha investigação nos últimos anos é saber de que modo os esfingolipidos condicionam a resposta de linfócitos T específicos para lípidos. A doença de Gaucher é a esfingolipidose (grupo de diferentes doenças em que há acumulação de esfingolipidos) mais frequente em todo o mundo (e neste aspeto Portugal não foge à regra), daí o meu interesse inicial no seu estudo.
Mais tarde, em 2011, foi descoberto que o principal lípido que se acumula nesta doença é capaz de ativar as células NKT (células do sistema imune) e que as células NKT são capazes de regular a atividade dos linfócitos B. Tendo em conta que os doentes Gaucher podem desenvolver mielomas e linfomas de células B, o meu interesse por esta patologia foi reforçado.

A doença de Gaucher é uma doença metabólica hereditária rara que afecta uma em cada 100000 pessoas. As manifestações clínicas desta patologia apresentam-se ao nível do sangue, órgãos internos (especialmente fígado e baço) e ossos, podendo ocorrer em qualquer idade.

 

Quais são os desafios futuros e em que aspectos este prémio vai facilitar atingir esses objectivos?

O desafio é sempre: “to do great science and to publish it before our competitors”. Este tipo de apoio financeiro é inestimável para a concretização deste objectivo.

 

foto: DR

noticia em: http://noticias.up.pt/genzyme-distingue-investigadora-do-ibmc-com-140-mil-dolares/

Médica madeirense premiada pela Universidade de Toronto

carinaCarina Freitas, madeirense e estudante internacional de Ciências Médicas no Canadá, foi distinguida com o ‘International Fee Differential Award’ pela Universidade de Toronto, um prémio no valor de 6.000 dólares canadianos (4.400 euros). O objectivo deste prémio é ajudar ao pagamento das propinas, que no caso de alunos estrangeiros são cerca de 20.000 dólares (14.765 mil euros) anuais.

Nascida no Funchal há 38 anos. Carina frequentou vários estabelecimentos de ensino no Funchal, tais como o Colégio da Apresentação de Maria, Escola Bartolomeu Perestrelo, Escola das Mercês, Apel e Liceu Jaime Moniz. Em 1994 ingressou no curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Porto, onde viveu até Julho de 2000. Seguiu-se o internato geral médico no Centro Hospitalar do Funchal entre 2001 e 2002 e a entrada na especialidade de Pedopsiquiatria em Janeiro de 2003. A formação foi realizada no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, durante 5 anos. A permanência na capital foi oportuna para frequentar o Mestrado em Neurociências na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Entre 2008 e 2014 trabalhou como médica pedopsiquiatra no Serviço de Pedopsiquiatria do SESARAM e colaborou no Centro de Desenvolvimento da Criança. Actualmente está de licença sem vencimento. Em Setembro de 2014, rumou ao Canadá para prosseguir os estudos.

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Como conquistaste este importante prémio?

Este prémio intitulado “The Institute of Medical Science International Fee differential award” é um prémio anual atribuído pelo Instituto de Ciências Médicas da Universidade de Toronto aos alunos internacionais graduados (mestrandos e doutorandos) que se destacaram pelo seu mérito académico durante os cursos curriculares. Tem o objectivo de apoiar alunos internacionais excepcionais, com 6.000 dólares. Actualmente as propinas anuais para os alunos internacionais rondam mais do dobro do valor pago pelos alunos canadianos. No meu caso tive A+, que é a nota máxima, em ambos os cursos “Music and the brain” e “Neuroimaging methods using MRI” do meu programa.

Que significado tem para ti ?

Representa o reconhecimento do meu esforço e dedicação aqui na Universidade de Toronto. Estou muito feliz com este prémio. Já tinha ficado muito feliz quando fui admitida, pois os critérios de selecção eram mais exigentes para os alunos internacionais. Tive de fazer exames de inglês IELTS e TOELF e também exames médicos.  Iniciei as aulas em Setembro de 2014 e tive de adaptar-me à cultura, à língua, ao clima, e a ser novamente estudante a tempo inteiro, com mochila às costas! A universidade tem as suas regras e quem tiver notas inferiores a B- (14 valores) é expulso. Como não estava habituada ao sistema de ensino canadiano, dei sempre o meu melhor desde o início, com receio de não ser suficientemente boa. Mas ao longo do percurso fui ficando contente e cada vez mais motivada com os meus resultados.

O que mudou na tua vida?

Este prémio é um grande incentivo para continuar a estudar com dedicação. A Universidade de Toronto é a universidade nº 1 do Canadá, está no Top 20 do ranking mundial das universidades.

Que projectos estás a desenvolver?

A minha investigação actual tem por objectivo estudar as áreas cerebrais envolvidas na percepção de música familiar nas crianças com o diagnóstico de perturbação do autismo. Para esse fim, os meios utilizados serão a ressonância magnética e a magnetoencefalografia. Preciso também de desenvolver competências de investigação científica e de publicação de artigos.

Quais os teus objectivos futuros?

O meu objectivo é fazer o Doutoramento, voltar ao activo como médica pedopsiquiatra e realizar investigação clínica as áreas do autismo e das neurociências da música. Gostaria que a música fosse mais valorizada quer na saúde, quer na educação.

Espero continuar a ter tempo e oportunidade para participar em mais Festivais da Canção na Madeira como autora e compositora.

Como é que os Canadianos vêem os portugueses? Como profissionais de Excelência?

Actualmente o Canadá é um País multicultural. Os Canadianos têm diferentes origens, são canadianos-gregos, polacos, iranianos, italianos, ingleses, irlandeses, indianos, chineses. Estão habituados a trabalharem com pessoas de várias culturas e religiões. Respeitam muito as pessoas, e reconhecem o mérito de cada um.

Como consideras que a Madeira se poderá afirmar internacionalmente?

A Madeira é uma ilha muito bonita, e com um clima fantástico. O turismo será sempre o ponto forte.

Penso que o ensino artístico na Madeira é muito bom, mas é pouco valorizado. Seria uma mais-valia a abertura de cursos superiores nessa área na Região. Penso que o curso de Educação Musical, por exemplo, teria muitos interessados. Há muitos jovens que adoram música, têm talento e não possuem capacidade financeira para estudar no continente.

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Que outros hobbies e paixões tens?

O meu hobby tem sido sempre a música. Sempre gostei de cantar, tocar e criar novas canções. O primeiro festival em que participei foi em 1985. Já tem 30 anos e foi uma experiência inesquecível. Em 2006 compilei no meu CD “Alquimia” as canções originais com que participei em festivais e outras canções novas . Em 2009, a canção “Alquimia, segredo guardado” entrou na novela da TVI “Flor do Mar”. Foi nesta altura que percebi que teria de ter mais formação musical para poder evoluir, e voltei ao conservatório de música em horário pós-laboral. Estudei piano, canto, formação musical, coro, acústica, análises e técnicas de composição.

Em 2006 foi criado o site www.carinafreitas.com. O site está activo, mas desactualizado. Tem um link para o blog onde costumo adicionar algumas actividades em que participo.

 

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“GPS” intracelular – Entrevista a Dr. Marin Barisic, Investigador do IBMC, Porto

Dr. Marin Barisic

Marin Barisic é o primeiro autor de um estudo publicado na última edição da revista Science, uma das revistas com maior impacto científico. O investigador faz parte da equipa liderada por Hélder Maiato, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto e acaba de provar que existe um código da estrada dentro das células o qual ajuda ao movimento dos cromossomas durante a divisão celular. Este estudo seguiu-se a um outro publicado também recentemente na revista Nature Cell Biology, também esta com elevado impacto científico. Neste estudo explicam como diferentes forças geradas por proteínas motoras contribuem para o movimento dos cromossomas durante a divisão celular e que a interacção entre os diferentes motores é essencial para prevenir possíveis erros durante a segregação dos cromossomas.

Dr. Marin Barisic é natural da cidade costeira de Split, na Croácia. Estudou na capital, Zagreb, de onde partiu para fazer o seu doutoramento na Áustria, em Innsbruck. Durante o seu doutoramento tentou encontrar, em células humanas, novas proteínas reguladoras da divisão celular. Durante esse período, o seu interesse por tentar perceber os mecanismos que controlam a divisão celular foi crescendo, assim como a sua paixão pela microscopia e o seu potencial cada vez maior como instrumento de estudo científico.

O que o fez procurar Portugal como destino para fazer o seu pós- doutoramento?

Estava a procura de um bom laboratório europeu que me permitisse continuar a estudar a divisão celular e ao mesmo tempo aprender e aprofundar os meus conhecimentos de microscopia. Foi assim que encontrei o laboratório do Dr. Hélder Maiato, o qual contactei directamente. Para minha sorte, o grupo tinha acabado de ser premiado com uma ERC (European Research Council), a maior financiadora de projectos científicos europeus, o que me permitiu ser contratado e vir viver para Portugal já em 2011.

Já tinha estado em Portugal antes?

Não. Mas já conhecia bem a cultura portuguesa e da qual sempre gostei muito. Depois de ter estado nos Alpes foi uma maneira de me sentir outra vez mais em casa, numa cidade mediterrânica, com mar, bom peixe e marisco, bom vinho e sol.

Tendo em conta a sua experiência, qual a sua opinião em relação às condições de trabalho que encontrou por cá e o que acha do ambiente científico?

O laboratório tem umas fantásticas instalações de microscopia e está muito bem equipado. Estou inserido num grupo com um óptimo ambiente e bastante internacional. Existem também vários outros grupos a trabalhar “na porta ao lado” na mesma área que eu, como por exemplo o grupo do Professor Claudio Sunkel, o que traz massa crítica muito boa para o meu trabalho e para a discussão de ideias. Para além disso, há vários outros grupos de grande nível científico no instituto. Temos seminários todas as semanas com cientistas convidados de toda a parte do mundo com quem podemos estabelecer colaborações e trocar ideias. Outra coisa com imenso valor são os programas de doutoramento que tem alunos com grande qualidade e com quem tenho tido oportunidade de trabalhar.

E, para finalizar, quais são os seus planos para o futuro?

Sinto-me neste momento preparado para me tornar independente e criar o meu próprio grupo. Gostaria de ficar na Europa e não ponho de lado a ideia de ficar pelo Porto que adoro. Num futuro um pouco mais longínquo gostaria de voltar para a Croácia e levar aquilo que tenho aprendido para ajudar a desenvolver a ciência no meu país.

 

Obrigada Dr. Marin

A notícia pode ser lida completa no site da Universidade do Porto,

http://noticias.up.pt/equipa-do-ibmc-publica-na-science-descoberta-de-um-gps-intracelular/

ou vista em:

http://tv.up.pt/videos/rsaykkpm

Vacina criada no ICBAS prepara entrada em ensaios clínicos

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Foi durante o seu trabalho na equipa liderada por Paula Ferreira no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), que Pedro Madureira, se decidiu juntar à Venture Catalysts (empresa focada na criação de startups com base científica) para criar a Immunethep. O objectivo desta empresa será desenvolver uma vacina neonatal que possa ser administrada nas mães de forma a prevenir infeções bacterianas em recém-nascidos.

Esta foi a primeira vacina patenteada pela Universidade do Porto e foi licenciada à Immunethep para exploração comercial já em 2014 (http://noticias.up.pt/u-porto-licencia-pela-primeira-vez-uma-vacina/).

Segue-se agora um novo marco importante para o seu desenvolvimento. No passado dia 30 de Março, a Portugal Ventures fechou um investimento cujo valor vai permitir à Immunethep continuar com o desenvolvimento da vacina, avançar com os ensaios pré-clínicos e entrar em ensaios clínicos humanos.

Segundo a Immunethep, “todos os anos quase 1 milhão de bebés morrem devido a infeções bacterianas durante o primeiro mês de vida” e “não existe até à data nenhuma forma de as prevenir”. Acrescenta ainda que “o desenvolvimento desta vacina vai permitir cobrir 95% das bactérias responsáveis pelas infeções neonatais”.

Este é o resultado de uma investigação que já sem tem vindo a desenvolver há quase 30 anos e que começou com Mário Arala Chaves, fundador do Laboratório de Imunologia do ICBAS. A vacina vai permitir anular a ação de uma proteína bacteriana que é responsável por “desligar” o sistema imunitário dos recém-nascidos que pode levar ao desenvolvimento de pneumonia, meningite e, em casos mais severos, morte por choque séptico.

Pelos mais pequenos!

 

Websites:

Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS): http://sigarra.up.pt/icbas/pt/web_page.Inicial

Venture Catalysts:  http://www.venture-catalysts.com/

Immunotherp: http://www.immunethep.com/

Portugal Ventures: http://www.portugalventures.pt/

Fotos: DR

Cascais é uma das cinco finalistas a Capital Europeia da Juventude 2018

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Selecionada de entre 20 candidaturas de toda a Europa, Cascais é a única representante portuguesa na corrida a Capital Europeia da Juventude 2018 e ocupa agora um dos cinco lugares da lista de finalistas, a par de Kecskemét (Hungria), Manchester (Reino Unido), Novi Sad (Sérvia) e Perugia (Itália).
Com um recorde de candidaturas, o processo de seleção da cidade ou vila que irá receber o título de Capital Europeia da Juventude 2018 continua agora numa fase mais competitiva em que as cinco finalistas têm de entregar, até 28 de junho, os seus programas e eventos relacionados com a juventude em áreas tão diversas como a cultura, política, intervenção social, entre outras.
Para Catarina Marques Vieira, vereadora da Juventude na Câmara Municipal de Cascais, a corrida à organização Capital Europeia da Juventude 2018 é “para ganhar. Concorreram 20 cidades de toda a Europa, incluindo capitais de grandes países. Restam cinco. Isto prova a qualidade das políticas de juventude da Câmara de Cascais, já reconhecidas ao nível europeu. É também um sinal da força, energia e dinâmica da juventude de Cascais”.
Catarina Marques Vieira apelou ainda ao “entusiasmo e mobilização dos jovens portugueses”, sublinhando que, “de hoje em diante, a candidatura de Cascais é do país”.
Ao longo desta terceira ronda da competição, as cidades e vilas finalistas vão receber algumas recomendações do júri de modo a focarem melhor a sua candidatura final, que deverá ser submetida até final de outubro.
O nome da cidade ou vila eleita Capital Europeia da Juventude 2018 será revelado em novembro de 2015, no âmbito do Conselho do Fórum Europeu da Juventude (European Youth Forum’s Council of Members), a decorrer em Ganja, no Azerbaijão, Capital Europeia da Juventude em 2016.
Este ano, é a vez de Cluj, na Roménia, organizar a iniciativa, sendo que Ganja, no Azerbaijão, e Varna, na Bulgária, vão receber o evento em 2016 e 2017, respetivamente.
Sobre a Capital Europeia da Juventude | Título atribuído pelo Fórum Europeu da Juventude a um município europeu por um período de um ano ao longo do qual esse município tem a oportunidade de apresentar os seus projetos para a juventude nas áreas cultural, social, política, económica e planeamento estratégico. O seu objetivo é encorajar os municípios a expandir e fomentar a participação dos jovens em projetos e levar a juventude a ter um papel ativo na sociedade. O júri integra representantes de diversas instituições europeias, Comunicação Social, setor privado, organizações juvenis e universidades entre outros parceiros, como o Parlamento Europeu, Conselho do Congresso Europeu de Autoridades Locais e regionais, IDEA, Euractiv, Microsoft, Conselho Europeu de Regiões e Municípios da União Europeia, Assembleia da regiões Europeias, do Conselho Consultivo para a Juventude do Conselho da Europa, Universidade de Cagliari (Itália) e Fórum Europeu da Juventude.
fonte: CMC
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U.Porto continua a escalada pelo topo mundial: destaque em 13 áreas de ensino e investigação

UPorto

A Universidade do Porto ficou classificada em 293º lugar no ranking “QS World University Rankings” da responsabilidade da empresa Quacquarelli Symonds e disponível em www.topuniversities.com que foi publicado esta quarta-feira dia 29 e que diz respeito ao ano de 2014. Desta forma conseguiu escalar 50 lugares desde o ano passado, que deu continuidade à escalada desde 2012, onde se contava nas melhores 450 Universidades, de acordo com o mesmo ranking. Assim, este ano, foi capaz de somar 42 pontos no complexo sistema de pontuação deste ranking que inclui critérios relacionados com Ensino e Investigação nas diferentes áreas. A pontuação foi normalizada a 100, pontuação atribuída ao MIT- Massachusetts Institute of Technology, primeiro classificado deste ano.

O ranking publicado descrimina os resultados por área dentro da Universidade permitindo perceber o ranking de forma especializada, por área. Assim, das cinco áreas descriminadas, Artes e Humanidades, Engenharia e Tecnologia, Ciências da Vida e Medicina, Ciências Naturais e por fim Ciências Sociais e Gestão. Destas o destaque vai claramente para a área de Engenharia e Tecnologia, onde a U. Porto se classificou como 169º. Já as áreas de Artes e Humanidades e Ciências Naturais, conseguiram os 398º e 380º lugares, respectivamente. Este ranking mostra assim a dispersão da pontuação por áreas, podendo ser um indicador para futuras melhorias.

Relativamente ao factores usados para a classificação, a Reputação académica (que se relaciona com a qualificação dos Professores e Investigadores) e o número de citações por Faculdade são os factores onde a U.Porto mais se destaca pela positiva. Estes factores contrastam com o número de estudantes estrangeiros e a exigência na escolha dos alunos, onde a U.Porto obteve as suas piores classificações.

Quando contextualizada com o panorama nacional, a Universidade do Porto encontra-se classificada como a melhor universidade portuguesa em 19 das 36 áreas de ensino e investigação avaliadas por este ranking.

 

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