De Portugal para o Mundo. Do Mundo para Marte.

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De Portugal para Marte. Esta é a frase que de uma forma bastante resumida pode descrever Nuno Silva. Aos 36 anos, o jovem engenheiro aeroespacial, que já trabalhou em países como França e Reino Unido, integra a equipa que prepara a expedição a Marte.

Já dura há sete anos o sonho de descobrir vida em Marte. O trabalho começou em 2008 e tem como objetivo enviar para Marte um robô europeu com o intuito de procurar sinais de vida neste planeta.

O jovem português, que se licenciou no Instituto Superior Técnico, começou por assumir a coordenação de uma equipa que desenvolveu a navegação autónoma do robô, tendo abandonado esse cargo e assumido funções de gestão dentro da Airbus.

Nuno Silva explica o que o fascina no mundo aeroespacial e todos os detalhes desta missão que pode mudar a forma como vemos o mundo.

Será que Marte está realmente morto? A resposta está para breve. Mas até lá, Nuno Silva esclarece alguns detalhes. Mais um projecto à escala mundial que conta com uma assinatura portuguesa.

 

Como é que começou esta paixão pelo universo aeroespacial?

A paixão sempre existiu e foi alimentada pelo cinema. Filmes e séries como Star Wars ou Star Trek alimentaram a paixão mas diria que já havia algo. No entanto penso que muitas pessoas terão motivações semelhantes. O que fez a diferença foi curiosamente a minha professora de Biologia no 12° ano. Perguntou o que queríamos seguir e eu já altura hesitava entre medicina, engenharia ou física (e provavelmente acabaria numa mistura de todos), mas sobretudo porque “sabia” que espaço era irrealista. Acabei por partilhar um bocado esse sentimento e foi ela quem me falou de engenharia aeroespacial no IST. E isso foi claramente o maior catalizador.
Durante o curso em Portugal e em França, a exposição à área apenas aumentou o meu interesse. O facto de acabar por estagiar na área foi o início de algo verdadeiramente real e concreto.

O que é que o fascinava (e fascina) nesta área?

O que me fascina é o desconhecido, a exploração, os desafios técnicos e o conhecimento que esta exploração traz.

Em Portugal esta é uma área pouco explorada? Como é ser português numa área em que as principais apostas e desenvolvimentos são internacionais?

Não é tanto que a área é pouco explorada mas mais que na realidade há pouco para explorar. É uma área política: não se investe em exploração espacial pelo lucro mas pelo conhecimento e tecnologia. A forma como funciona na prática é a consequência do “retorno justo” da agência espacial europeia: cada país membro recebe de volta um volume de trabalho proporcional ao investimento que o país faz na agência. Como o estado português contribui pouco, recebe pouco. Sendo uma área em que é preciso muito investimento para alcançar resultados de maior importância, os nossos resultados são pouco visíveis por natureza.

Nesta área como noutras temos de deixar de pensar em países, o estado de espírito é outro. Nesta área falamos de Europa, EUA, Rússia (sobretudo antiga URSS). Portanto é uma área europeia e só perdemos quando pensamos nas nossas fronteiras. O nível de investimento é tal que precisamos de todos. Sinto portanto bastando orgulho como Europeu que sou do que a Europa consegue alcançar com meios inferiores aos dos EUA por exemplo. Sinto-me portanto bastante integrado e ser Português é quase sempre um detalhe.
Há de facto algumas complicações porque esta área por vezes está ligada à defesa nacional de países mas essa é uma área em que a UE ainda não evolui suficientemente. Neste caso pode ser de facto complicado.

Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima. (..) A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação.

Quais as principais dificuldades e os principais desafios que encontrou para entrar nesta área?

Várias… Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima.
A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação. Por exemplo, com cadeiras e projectos da indústria.
A realidade desta indústria… Muito politizada, durações muito longas, montagens industriais ridículas, etc

Marte é agora um objectivo. Como começou todo este projecto da criação de um robot?

A verdade é não estive envolvido no início. O projecto “final” é enviar seres humanos a Marte (como se foi à Lua). Para alcançar esse objectivo tem de se conhecer melhor o planeta, as condições na superfície, as zonas seguras e de interesse científico, desenvolver as tecnologias necessárias para ir a Marte em segurança, aterrar e regressar. Estamos na fase inicial desse objectivo.
Enquanto não for seguro para seres humanismo enviam-se máquinas inteligentes (satélites e robôs).
ExoMars corresponde portanto à primeira fase da ida do Homem a Marte. Começou em meados da década de 2000 criado pela agência espacial europeia (ESA).
Porquê ir a Marte? Para perceber melhor a origem do universo e da vida.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte.

Em que consiste esta expedição a Marte? (datas previstas, duração, meios envolvidos…)

O programa ExoMars é composto por duas missões: uma em 2016 e outra em 2018 (só se pode ir a Marte de 26 em 26 meses devido alinhamento relativo de Marte com a Terra). Inicialmente era apenas uma missão mas por várias razões que não vou detalhar foi preciso dividir em duas diferentes.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte. É também essencial porque também inclui o satélite que ficará à volta de Marte para garantir as comunicações do Roger em 2018 com a Terra (o Rover fala para o satélite e o satélite para a Terra, e vice-versa). Este satélite também inclui um instrumento para detectar metano na superfície: este gás é geralmente associado à vida porque uma das origens mais provável para o metano é como o resultado do metabolismo de seres vivos. Esta informação ajudará a decidir o local para aterrar e fazer a missão em 2018.

A missão de 2018 é a “joia da coroa”: um rover altamente autónomo e com instrumentos para detetar sinais de vida no passado ou no presente. Contém uma máquina de furar que conseguirá recolher amostras a 2m de profundidade e portanto ver o passado de Marte! O Rover é de facto um carro de 6 rodas mas bastante inteligente: na Terra os operadores apenas lhe dizem para onde querem que ela vá (coordenadas do destino) e o Rover encontra um caminho rápido e seguro até lá seguindo-o com grande precisão.

A missão na superfície é suposta furar pelo menos seis meses (por causa das estações em Marte no inverno não há energia que chegue e há demasiadas tempestades de areia para operar). No entanto é preciso lembrar que missões anteriores eram supostas durar 3meses e passados mais de 10 anos ainda operam na superfície (rover Opportunity da NASA). “Apenas” é preciso que o Rover “acorde” quando o inverno acabar mas isso é difícil de garantir.

A viagem para Marte para ambas as missões durará cerca de 9 meses. A de 2016 será lançada em Março se tudo correr bem e a de 2018 será lançada em Maio desse ano. O Rover deverá estar a explorar a superfície de Marte desde Janeiro de 2019.

Ambas as missões são lançadas por um foguetão Russo (Proton) dado que este é agora um programa conjunto entre as agências espaciais Europeias e Russas.
O centro de controlo para o Rover (ROCC: Rover Operations Control Centre) será em Turim em Itália e o centro de controlo para todos os outros elementos da missão será no ESOC (centro de controlo da ESA) perto de Frankfurt na Alemanha.

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes.

Como é coordenar uma equipa de mais de 20 pessoas para um projecto tão ambicioso?

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes. O projecto ExoMars em si, só na Airbus DS no Reino Unido tem cerca de 150 elementos!
Tenho portanto de coordenar cerca de 25 pessoas em vários projectos. É preciso uma estrutura com delegação de responsabilidades mas com boa comunicação nos dois sentidos. Faço a ponte entre as várias equipas e projectos para que todos beneficiem das experiências dos outros. É importante dar prioridades e preparar o futuro, por isso é uma “batalha” constante entre fazer o que é necessário nos projectos actuais mas investir tempo e recursos em tecnologia que nos permita fazer as missões do futuro.

Quais as diferenças desta expedição, relativamente às realizadas pela NASA?

Há diferenças técnicas (engenharia pura) e científicas. Os rovers da NASA desempenham sobretudo missões de geologia enquanto o nosso europeu (ExoMars) é uma missão também biológica, ie, equipada para detectar vida actual ou sinais de vida do passado. Os instrumentos de ExoMars são portanto o ideal quando se procura vida enquanto as missões de geologia estão mais focalizadas em perceber a formação dos planetas e do universo (e indiretamente da origem da vida). Um instrumento chave é a sofisticada máquina de furar que permite recolher amostras até 2m de profundidade e “viajar ao passado”.
Falando de engenharia, o nosso Rover é muito mais autónomo que os precedentes. Desde coisas simples como poder virar as seis rodas (andar de lado tipo caranguejo) ou mudar de direção ao mesmo tempo que se anda para a frente (os da NASA têm que parar para virar as rodas), a capacidade para calcular uma trajetória segura e eficaz assim como ser capaz de a seguir com grande precisão é muito maior que os predecessores da NASA. Apesar de ser uma diferença em engenharia, isto permite ao rover ir à locais até agora fora do alcance dos cientistas.

Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.

Quais são as expectativas (em termos de resultados) para esta expedição a Marte?

As expectativas são de sucesso! Muito, mas mesmo muito, pode correr mal numa aventura destas até à superfície de outro planeta. Neste domínio a Europa ainda não está ao nível dos EUA e esta missão servirá a passar à frente.
Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.
Há outro tipo de sucesso… A sensibilização das pessoas para esta indústria e um melhor apoio.

Estará Marte realmente morto?

Talvez… Mas ninguém tem a certeza! E sobretudo ainda menos se sabe acerca do passado passado. Talvez esteja morto agora mas não tenha estado no passado. Responder a esta pergunta avançará a compreensão da origem da vida. Não porque a vida tenha vindo de Marte para a Terra como dizem algumas teorias mais exóticas, mas porque permitiria compreender e/ou comprovar os processos que dão origem à vida.
Mas é para responder a essa e a outras questões importantes que se enviará o ExoMars rover!

 

Foto: DR

Equipa da Universidade de Coimbra recebe financiamento internacional para estudar doença que envelhece crianças

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Duas instituições americanas vão financiar uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), liderada por Cláudia Cavadas, para estudar a progeria, doença rara incurável em que as crianças envelhecem muito rapidamente e não chegam à vida adulta.

O grupo vai investigar o potencial do Neuropeptídeo Y (NPY), uma molécula que estimula uma espécie de “reciclagem” de partes envelhecidas das células, denominada de autofagia. Apoiada em estudos realizados anteriormente em ratinhos de laboratório, a equipa do CNC considera que esta molécula poderá ser um regulador de envelhecimento, contrariando assim os efeitos desta doença, denominada Síndrome de progeria de Hutchinson-Gilford.

A responsável pelo projeto, Cláudia Cavadas, afirma que “este financiamento vai permitir continuar a nossa investigação nesta doença fatal e, no futuro, poderá auxiliar na descoberta de uma estratégia terapêutica que contrarie o envelhecimento acelerado destas crianças e, quem sabe, atrasar o envelhecimento natural de todos nós.

A Fundação The Progeria Research Foundation (PRF) e a organização Carly Cares vão financiar durante dois anos a investigação do CNC. “A fundação tem financiado projetos em todo o mundo que resultaram em descobertas importantes sobre a progeria. A parceria estabelecida permitirá o surgimento de investigação inovadora nesta doença rara”, nota Audrey Gordon, Diretora Executiva da PRF.

Por seu lado, Heather Kudzia, Presidente da Carly Cares – instituição com o nome da sua filha de cinco anos de idade, diagnosticada com progeria (menina da fotografia apresentada neste artigo) -, explica que a sua organização “angaria verbas para financiar investigação que aumente a vida dos doentes e que tenha um impacto positivo nas famílias. A organização não poderia estar mais orgulhosa de apoiar este estudo.”

A progeria é uma doença genética rara, caracterizada por um envelhecimento acelerado. A mortalidade destas crianças é provocada por problemas cardíacos resultantes da arteriosclerose (espessamento e endurecimento das paredes das artérias), associada tipicamente à velhice, podendo ocorrer logo aos 10 anos de idade em crianças com progeria.

As capacidades mentais destas crianças permanecem intactas, apesar de apresentarem um corpo envelhecido, caracterizado, por exemplo, por rugas, perda de cabelo, problemas nas articulações e perda de massa muscular.

Fonte: UC
Foto: DR

Será possível simular o complexo processo da fotossíntese nas plantas?

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Após cinco anos de complexos estudos e mais de 30 milhões de horas de cálculo em supercomputadores europeus, uma equipa internacional de cientistas, na qual participam investigadores do Departamento de Física da Universidade de Coimbra (UC), conseguiu simular o processo de captação de luz da gigantesca estrutura de moléculas – a “antena” designada por “Light-Harvesting Complex II” envolvida no primeiro passo da fotossíntese nas plantas.

Foi a primeira vez que se estudou toda a enorme estrutura (cerca de 18 mil átomos) do que podemos chamar “o motor de arranque da máquina da fotossíntese”, recorrendo exclusivamente à Mecânica Quântica.

Fernando Nogueira

Os resultados da pesquisa, já publicados online, e que serão a manchete de uma próxima edição da revista Physical Chemistry Chemical Physics (PCCP: http://pubs.rsc.org/en/content/articlelanding/2015/cp/c5cp03392f#!divAbstract), são importantes para «perceber como a Natureza resolveu o problema de captar e utilizar a energia do Sol. E fê-lo de uma forma extraordinariamente eficiente… muito melhor que os atuais painéis fotovoltaicos», avança o coordenador da equipa portuguesa, Fernando Nogueira.

Neste estudo, os investigadores identificaram, através de um cálculo sem precedentes, quem faz o quê nesta gigante e intrincada espécie de rede de clorofilas: «só uma molécula de clorofila tem o papel principal na estrutura do fotossistema. Todas as outras funcionam como “antenas” de captação de energia, transferindo-a de imediato para a molécula central que é onde se dão os passos seguintes do processo», relata o especialista em Física Computacional da UC.

A forma como se processa a transferência de energia para o centro da reação é ainda um enigma para os cientistas e, por isso, «perceber como é que estas antenas transmitem a energia para a molécula central do fotossistema é o próximo passo da investigação. Recolhemos uma enormidade de informação que é necessário destrinçar», afirma Fernando Nogueira.

 

Fonte: UC
Fotos: DR

Estudante português vence concurso Hall of FameLab 2015 em Londres

Pedro Ferreira, estudante de doutoramento no Centro Champalimaud em Lisboa, foi o vencedor do prestigiado concurso de comunicação de ciência pela sua apresentação acerca da neuroquímica da monogamia e poligamia. Esta é a primeira vez que um investigador Português vence um concurso FameLab internacional.

O FameLab é o mais popular concurso anual de estímulo à comunicação científica, em Portugal aberto a qualquer pessoa com mais de 18 anos, a trabalhar ou a estudar nas áreas da ciência e da tecnologia. Com o apoio do British Council este concurso ganhou expressão internacional, contando já com mais de 25 países concorrentes, da Europa a Hong Kong.

A primeira edição portuguesa do FameLab teve lugar em 2010, tendo como promotores a Ciência Viva e o British Council; a que se juntou, em 2014, a Fundação Calouste Gulbenkian como entidade parceira. Os organizadores do FameLab pretendem estimular a boa comunicação de temas científicos, despertar a curiosidade dos públicos por essas matérias e desenvolver as competências daqueles que já demonstram ter interesse e talento para a divulgação da ciência.

Pedro Ferreira representou Portugal no concurso Hall of FameLab que teve lugar no dia 25 de Setembro, no Museu de História Natural em Londres e teve como anfitrião Quentin Cooper, apresentador do programa de ciência com mais ouvintes no Reino Unido. Do painel de jurados fez parte o Professor Sir Mark Wolport, Conselheiro Académico Principal do governo britânico.

O Hall of FameLab foi organizado pela equipa do British Council Science como parte do Science Uncovered do Museu de História Natural, membro oficial da (pan-Europeia e financiada pela União Europeia) Noite dos Investigadores.

Pedro Ferreira

Nasceu em Lisboa, em 1983, e por volta de 1988 já tinha decidido ser cientista. A genética acabou por levá-lo a licenciar-se em Biologia, e uma curiosidade patológica pelas misteriosas razões que nos levam a fazer e a ser aquilo que fazemos e somos – mais ou menos respectivamente – resultou num doutoramento em Neurociências. Pedro ainda sonha em estudar literatura e outras coisas bonitas, como aquilo que se encontra dentro dos buracos negros, ou como preparar a francesinha vegetariana perfeita.

 

Mais informação em:
http://www.britishcouncil.org/education/science/events/hall-of-famelab2015
http://www.famelab.pt/

Fonte: Famelab
Foto: DR

ICNAS pioneiro na aplicação clínica de novo radiofármaco para deteção do cancro da próstata

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Uma nova molécula para a deteção do cancro da próstata, produzida por uma equipa de cientistas do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), acaba de ser introduzida na prática clínica em Portugal. O primeiro exame de Tomografia por Emissão de Positrões (PET/CT) com PSMA-Ga68, designação da nova molécula, já foi realizado em Coimbra.

A introdução deste radiofármaco no campo assistencial resulta do trabalho que vem sendo desenvolvido no ICNAS por uma equipa multidisciplinar desde há cerca de quatro anos, e «constitui um avanço significativo na avaliação desta doença ao possibilitar uma deteção mais precoce do cancro da próstata, sobretudo em situações de recidiva», afirma Miguel Castelo Branco, diretor do ICNAS.

Além de permitir uma avaliação do cancro da próstata muito mais eficaz, a utilização da nova molécula não terá um custo superior ao do atual radiofármaco disponível no mercado – a Fluorcolina – 18F.

O coordenador para a área clínica do ICNAS, João Pedroso de Lima, acredita que este novo exame reúne todas as condições para «substituir o uso da Fluorcolina – 18F em Portugal. A molécula produzida no ICNAS, já utilizada em alguns países europeus, é muito mais sensível, permitindo avaliar parâmetros impossíveis de identificar por outros métodos de diagnóstico e fornece informações essenciais para detetar precocemente, e localizar, o reaparecimento do tumor e a sua metastização.»

Organismo Autónomo da Universidade de Coimbra (UC), O ICNAS dedica-se à investigação biomédica e à aplicação clínica de moléculas marcadas com substâncias radioativas.

Ao longo dos últimos anos, o Instituto lidera, no país, a produção e utilização de múltiplas moléculas (radiofármacos) para a realização de estudos de Tomografia por Emissão de Positrões (PET/CT) em diversas situações clínicas, principalmente em Oncologia, Neurologia e Cardiologia.

Fonte: ICNAS
Foto: DR (Inauguração do ICNAS por S.Exª, o Sr. Presidente da República)

Joana Moscoso ganha prémio da Royal Society of Biology

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A bióloga Joana Moscoso  é a vencedora da edição deste ano do Established Researcher Prize, um galardão anual atribuído pela Royal Society of Biology (RSB) a investigadores a trabalhar no Reino Unido que se destaquem no domínio da comunicação de ciência, e cujo trabalho sirva para informar e inspirar o público para as temáticas científicas.

Em declarações ao Observador, a investigadora lusa considerou que este “é um dos maiores prémios atribuído a indivíduos por uma sociedade científica no Reino Unido”. Joana Moscoso acrescentou ainda que  “O prémio é importante porque valoriza não só as acções a nível da divulgação científica, mas também a qualidade do percurso científico do investigador”,

Joana Moscoso, natural de Valença, antiga estudante da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP),  é investigadora e co-fundadora do projecto Native Scientist.  Este projecto consiste na proximidade entre cientistas e alunos portugueses nas escolas do Reino Unido onde, em conjunto, partilham experiências e conhecimentos.

Um milhão de alunos no Reino Unido aprendem inglês nas escolas e comunicam através de outra língua em casa. Apesar de conhecidas as vantagens da aprendizagem de duas línguas, há um desafio que se impõe à integração social destes alunos na comunidade escolar. O reconhecimento deste problema e a necessidade de facilitar a integração destes alunos são a filosofia da Native Scientist.

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Native Scientist é uma organização dedicada à integração das comunidades jovens emigrantes portuguesas

 

Fontes: noticias.up e Observador
Foto: DR

Investigação desenvolvida na UC torna o setor dos moldes mais competitivo e mais verde

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Uma equipa de investigadores do Centro de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra (CEMUC), em parceria com uma empresa de moldes, aplicou com sucesso a tecnologia aditiva ao fabrico de componentes metálicos, permitindo melhorar significativamente o ciclo de produção.

Considerada a “Nova Revolução Industrial”, a técnica de fabricação por processos aditivos de metais «permite criar geometrias inimagináveis, impossíveis de alcançar por outros métodos. Os processos aditivos possibilitam liberdade total na criação de formas complexas, com consequências no desenvolvimento do futuro da engenharia», explica Teresa Vieira, coordenadora da investigação e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Financiado em meio milhão de euros pelo COMPETE – Programa Operacional Fatores de Competitividade – e coordenado pela ANI – Agência Nacional de Inovação, o projeto Two in One (dois em um) foi desenvolvido em parceria com a FAMOLDE, uma empresa especializada na fabricação de moldes de pequenas e médias dimensões destinados essencialmente às indústrias eletrónica e automóvel.

Os processos aditivos são o futuro da indústria. Além de permitir melhorar todo o ciclo de produção, trazendo vantagens competitivas, é uma técnica muito mais sustentável e ecológica. Não há desperdícios porque as sobras são utilizadas na produção de novas peças -Teresa Vieira.

Os resultados da investigação e os benefícios da aplicação desta técnica para a indústria em geral, técnica já bastante utilizada no setor aeroespacial, nomeadamente pela NASA, vão ser apresentados, amanhã, dia 25 de setembro, pelas 18 horas, em Coimbra, nas instalações da Ordem dos Engenheiros (Rua Antero de Quental).

Subordinada ao tema “Fabricação Aditiva de Metais – A Nova Revolução Industrial. Desafios e soluções“, a sessão visa explicar que «a fabricação aditiva em geral e a de metais e ligas metálicas em particular assume hoje em dia uma importância vital, devido à possibilidade de produzir componentes metálicos de pequena série e geometria muito complexa, associado à sua apetência para reduzir significativamente a produção de resíduos, contribuindo para uma solução industrial sustentável», acentua a catedrática da FCTUC.

 

Fonte: UC
Foto: DR

Equipa portuguesa conquistou uma medalha de ouro e duas de prata nas Olimpíadas Ibero-americanas de Física

Equipa portuguesa arrecadou cinco prémios na Bolívia: uma medalha de ouro, duas medalhas de prata, uma menção honrosa e o prémio especial para a  melhor prova teórica.

Esta competição teve lugar em Cochabamba (Bolívia), de 6 a 13 de setembro e contou com a participação de 69 estudantes finalistas do ensino secundário de 19 países do espaço ibero-americano. Esta Olimpíada, que vai já na XX edição, é uma competição anual onde jovens estudantes pré-universitários são convidados a demonstrar a sua preparação em Física em dois longos e difíceis exames (um teórico e um experimental). O nível de conhecimentos requeridos para realizar estas provas vai para além do programa de Física do ensino secundário, envolvendo por parte dos estudantes imenso esforço e dedicação durante a fase de preparação. O vencedor absoluto desta olimpíada, que obteve a melhor classificação no conjunto dos dois testes, foi um estudante de El Salvador, Rene Villela Escalante.

Os team-leaders que acompanharam a delegação a Cochabamba, Fernando Nogueira e Orlando Oliveira, da Universidade de Coimbra (UC), fazem um balanço muito positivo da prestação portuguesa: A prestação global dos nossos estudantes foi muito boa: três dos alunos portugueses obtiveram classificações acima dos 40 pontos em 50 possíveis. Um deles, Paulo Mourão, foi mesmo a melhor prova teórica da competição. Merece também destaque o facto de todos os alunos terem obtido mais de 15 pontos em 20 possíveis na prova experimental, algo inédito na história da participação portuguesa nas olimpíadas internacionais.”

Os docentes da Universidade de Coimbra salientam que  “a prova experimental exigia grande destreza experimental para conseguir recolher todos os dados necessários. O trabalho de preparação dos alunos ao longo do ano, individualmente, nas suas  escolas, e nas sessões que decorreram na Universidade de Coimbra, foi essencial. Os professores destes alunos tiveram também um papel de extrema importância, visto que a preparação experimental foi feita com eles, nas escolas e fora do horário normal. A muito deficiente componente experimental dos programas ministrados no nosso ensino dificulta enormemente o trabalho de preparação, exigindo muito esforço da parte dos alunos para compensar o seu pouco à vontade num laboratório de Física..

A lista dos estudantes portugueses premiados é a seguinte:

- Paulo Duarte Mourão (Escola Secundária c/ 2º e 3º ciclos de Santa Maria da Feira), medalha de ouro

- Gonçalo Eduardo Cascalho Raposo (Escola Secundária Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém),medalha de prata

- Carlos Alberto Rebelo Couto (Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo), medalha de prata

- João Francisco Lopes Cruz de Carvalho (Escola Secundária de Viriato, Viseu), menção honrosa

As Olimpíadas de Física são uma atividade promovida pela Sociedade Portuguesa de Física com o patrocínio do Ministério da Educação e da Ciência, da Agência Ciência Viva, da Fundação EDP e da Fundação Calouste Gulbenkian. O treino da equipa decorreu no Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, integrado nas atividades da escola Quark! de Física para jovens.

 

Fonte: UC

Foto: Da esquerda para a direita: Carlos Couto (Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo, medalha de prata), Paulo Mourão (Escola Secundária de Santa Maria da Feira, medalha de ouro e melhor prova teórica), João Carvalho (Escola Secundária de Viriato, Viseu, menção honrosa) e Gonçalo Raposo (Escola Secundária Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém, medalha de prata).

Equipa de investigadores da Universidade de Coimbra identifica novos ‘sinalizadores’ de Alzheimer

Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), liderada por Ana Cristina Rego, descobriu ‘sinalizadores’ biológicos em células sanguíneas que poderão alertar precocemente para o surgimento da doença de Alzheimer.

Antes do aparecimento da doença de Alzheimer ocorre a formação de radicais livres, moléculas altamente reativas que podem provocar danos celulares. A investigação realizada mostra que os radicais livres ativam um ‘sinalizador’ biológico – uma proteína, designada Nrf2 – que tem como função proteger as células dos radicais livres.

A sinalização da proteína é mais evidente quando surgem as primeiras queixas de memória, numa etapa inicial da doença de Alzheimer. Para além disso, nesta fase aumenta a sinalização de ‘moléculas de stresse’ no ‘retículo endoplasmático’, um organelo celular com várias funções, nomeadamente na síntese de novas proteínas e nos processos de destoxificação celular”, explica a coordenadora do estudo já publicado na revista Biochimica et Biophysica Acta (BBA)- Molecular Basis of Disease.

O período estudado nesta investigação designa-se por Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) e antecede a doença neurodegenerativa, estando compreendido entre os indivíduos cognitivamente saudáveis e os que estão doentes e com probabilidades de terem Alzheimer. Cerca de 10 a 20% das pessoas acima dos 65 anos de idade encontram-se nesta fase intermédia de DCL, e aproximadamente 15% irão progredir para um estado de demência anualmente.

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Ana Cristina Rego salienta que “as alterações que ocorrem em indivíduos com DCL podem ser cruciais para se compreender o início dos processos de disfunção celular e morte neuronal na doença de Alzheimer e auxiliar no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas capazes de impedir a progressão da doença”.

O estudo foi feito em parceria com outro grupo de investigadores do CNC e da FMUC, liderado por Cláudia Pereira, e com Isabel Santana, do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e da FMUC.

Fontes: Universidade de Coimbra e Jornal i
Fotos: DR e dementiatoday.com

ICBAS organiza a primeira edição da UMIB Summit

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O futuro da investigação em Biomedicina está em debate na primeira edição da UMIB Summit, a decorrer, entre 24 a 25 de setembro no Salão Nobre do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. A organização do evento está a cargo da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB), uma das 16 unidades de investigação existentes em Portugal cujo domínio científico centra-se no desenvolvimento da Biomedicina.

 

Tendo como tema “Translational research, innovation and progress in the field of biomedicine”, este congresso vai reunir mais de 250 participantes, entre clínicos, investigadores, futuros profissionais das ciências da saúde e estudantes de pós-graduações, bem como representantes da indústria e de empresas nacionais e internacionais. O evento visa a promoção da multidisplinariedade de conhecimentos com o objetivo de chegar à prática clinica e desenvolver a investigação, também ela transnacional, dedicada ao estudo de doenças em vários domínios da Medicina com elevada prevalência, morbidade ou mortalidade.

Vários investigadores clínicos e básicos, nacionais e estrangeiros terão a oportunidade de apresentar as suas linhas de investigação. Para tal estão previstos sete simpósios temáticos com os quais se pretende promover o intercâmbio das experiências de trabalho e, ainda, estabelecer sinergias que possibilitem a criação de consórcios para a implementação de novos projetos na área da biomedicina.

Haverá igualmente um total de 60 comunicações orais e 41 posters em várias categorias das ciências biomédicas e será apresentada a conferência plenária “How to establish successful translational research” pela professora e investigadora Inmaculada Ibáñez de Cáceres, do IdiPAZ de Madrid (Espanha).

Mais informações na página do UMIB Summit 2015.

Fonte: noticias.up (Mariana Pizarro)
Foto:
DR (fipa.gov.cn)