Equipa de Físicos da Universidade de Coimbra demonstrou forma inovadora de estudar o hidrogénio

Rui_Vilão_1

Investigadores da Universidade de Coimbra integram equipa de investigação que dá hoje mais um passo na compreensão do intrigante hidrogénio. O trabalho foi desenvolvido em parceria com físicos de Berlim, de Inglaterra e do Texas. Os muões são partículas elementares com carga eléctrica, semelhantes aos electrões, mas com uma massa 207 vezes superior, podendo apresentar carga positiva ou negativa.

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por fundos europeus,  demonstra que os muões positivos apresentam uma configuração química semelhante à do hidrogénio. O investigador do Centro de Física da UC e líder da equipa de investigação, Rui Vilão, reforça que o estudo que “possibilita um avanço substancial na compreensão do papel do hidrogénio”.

Em linguagem simples, ilustra o físico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, “podemos dizer que o muão funciona como um sósia ou como o duplo de um filme. Mas enquanto no cinema o duplo substitui o ator principal, o muão não cumpre essa missão. Serve unicamente para estudar as características “secretas” do protagonista do filme.” Rui Vilão admite que a demonstração realizada poderá trazer muitas vantagens no desenvolvimento e melhoramento de aparelhos electrónicos, uma vez que os resultados obtidos assumem particular relevância para “a física de semicondutores. Este tipo de materiais constitui a base de imensas aplicações de grande importância (díodos, transístores, LEDs, células solares ou lasers, entre muitos outros), e caracteriza-se pela extraordinária sensibilidade das propriedades à presença de impurezas”.

O físico reforça ainda que o “hidrogénio conta-se entre as impurezas mais comuns e por isso entre as de maior relevância (o prémio Nobel da Física de 2014 destacou trabalhos nesta área). A espectroscopia do muão positivo (de que a equipa de Coimbra é pioneira em Portugal) permite obter informação microscópica detalhada sobre o hidrogénio, de outra forma inacessível”.

Ao compreender melhor o hidrogénio, através de espectroscopia de muões positivos, a equipa espera contribuir para o desenvolvimento da física de semicondutores. O trabalho foi publicado na revista científica “Physical Review B”.
Fontes: Universidade de Coimbra e Rádio Universidade de Coimbra
Foto: DR

 

Estudantes da FEUP vencem competição mundial de previsão de consumos de energia elétrica

feup2

Três equipas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), compostas por finalistas do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrotécnica e Computadores (do ramo de Energia), conquistaram o 1.º, 2.º e 5.º lugares na “Fall 2015 In-class Short Term Load Forecasting Competition”, um concurso internacional de previsão de consumos de energia elétrica promovido pela Universidade de Charlotte (EUA).

Esta competição, realizada no âmbito do curso “Energy Analytics”, destinava-se à participação de qualquer entidade mundial, universidades, empresas ou investigadores com interesse em técnicas matemáticas e em modelos computacionais de previsão. Aos participantes foi pedido que conseguissem prever, para cada hora do dia seguinte, os consumos da região do Estado da Virgínia (EUA), durante cinco dias. O desafio seria atingir erros próximos dos conseguidos pelas previsões da PJM, o operador da rede de transporte do leste dos EUA que opera um dos maiores e mais competitivos mercados grossistas de eletricidade do mundo. Além de garantirem o 1.º e o 2.º lugares, duas das equipas da FEUP conseguiram bater as melhores previsões da PJM, tendo sido os únicos participantes a arriscar fazê-lo.

A participação dos estudantes da FEUP foi uma iniciativa extra-curricular que decorreu no âmbito da Unidade Curricular de TPRE – Técnicas de Previsão. Claúdio Monteiro, professor na FEUP e responsável por esta participação dos estudantes no concurso, acredita que estes bons resultados demonstram a “qualidade do trabalho realizado nas nossas universidades”. O professor reforça ainda que “o desempenho ultrapassou mesmo o melhor que a indústria do setor consegue neste momento, o que é impressionante tendo em conta que são ainda estudantes a terminar a licenciatura”, enfatizando ainda que a participação das universidades neste concurso costuma ser de elevada qualidade. Para Cláudio Monteiro, “estes resultados criam um sentimento de confiança muito valioso para os desafios destes futuros engenheiros”, desafiando empresas portuguesas como a REN e EDP a lançar concursos semelhantes a este, garantindo que “ficariam seguramente surpreendidos com os resultados”.

Fonte: UP
Foto: DR

 

Universidade de Coimbra participa em consórcio europeu para avaliar o impacto da polimedicação em idosos

3[1]

 Apesar de representar um sério problema na população idosa, especialmente nos idosos que vivem sozinhos e/ou em condições de saúde frágil, a polimedicação é um tema que ainda tem merecido pouca atenção. Para contrariar esta tendência e promover a implementação de regulamentação em países onde esta ainda não existe, como é o caso de Portugal, investigadores e especialistas da Alemanha, Espanha, Grécia, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suécia reuniram-se em consórcio para estudar o impacto da polimedicação e adesão à terapêutica na saúde dos idosos.

Com um orçamento global de um milhão de euros, financiado pelo 3º Programa Europeu de Saúde, o projeto intitulado SIMPATHY (Stimulating Innovation Management of Polypharmacy and Adherence in The Elderly) é coordenado pelo Governo da Escócia.

A equipa portuguesa, liderada pelo Ageing@Coimbra, é constituída por seis investigadores das Faculdades de Farmácia e de Medicina da Universidade de Coimbra (UC), contando ainda com a colaboração da Universidade de Lisboa (UL). O Ageing@Coimbra é um consórcio que visa a valorização do papel do idoso na sociedade e a aplicação de boas práticas em prol do seu bem-estar geral e de um envelhecimento ativo e saudável. O seu principal objetivo é melhorar a vida dos cidadãos idosos na Região Centro de Portugal através de melhores serviços sociais e cuidados de saúde, assim como da criação de novos produtos e serviços inovadores e o desenvolvimento de novos meios de diagnóstico e terapêuticas. A atividade, competência e inovação do Ageing@Coimbra foram reconhecidas pela União Europeia (UE) com a classificação da região de Coimbra como Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, um estatuto único no território português, sendo que na UE existem 32 no total.

Considerando que temos uma população envelhecida, a polimedicação desadequada “é um problema gravíssimo de saúde pública, com gastos enormes quer para o Estado quer para as famílias. As complicações de saúde geradas pela polimedicação são imprevisíveis, exigindo respostas urgentes por parte dos decisores políticos”, nota João Malva, coordenador científico do Ageing@Coimbra.

A equipa do SIMPATHY está a identificar estudos de caso que ilustrem o estado de desenvolvimento da polimedicação e da gestão da adesão à terapêutica dos idosos em diferentes estados membros da União Europeia, e vai elaborar um guia de boas práticas, dirigido aos profissionais de saúde, especialmente aos médicos, enfermeiros e farmacêuticos. O projeto visa também fornecer recursos para apoiar os decisores políticos na criação de regulamentação nesta matéria, promovendo a mudança na prática de cuidados de saúde e de política para obter melhores resultados de saúde a partir do uso de medicamentos em idosos em toda a União Europeia.

O estabelecimento de regulamentos é uma matéria de elevada importância uma vez que um dos maiores desafios da sociedade europeia prende-se com as alterações demográficas e o rápido crescimento da população com mais de 65 anos, que evoluirá de 87 milhões de pessoas (em 2010) para 148 milhões em 2060.

 

Fontes: Universidade de coimbra e www.ageingcoimbra.pt
Foto: polypharmacyinitiative.com

 

Investigador da UC integra equipa internacional de empreendedorismo em saúde

João Ribas_1

João Ribas, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), é o primeiro português a integrar uma equipa norte-americana que promove empreendedorismo em saúde. A equipa ‘MIT Hacking Medicine’ do Massachusetts Institute of Technology (MIT) procura resolver problemas de saúde de todo o mundo, contando com médicos, engenheiros, cientistas, designers e empreendedores. João Ribas irá contribuir com a combinação de técnicas de engenharia e biologia para a descoberta de fármacos e soluções tecnológicas para aplicações biomédicas.

A integração nesta equipa “significa poder impulsionar e espalhar a inovação na área dos cuidados de saúde a uma escala global, a oportunidade para fazer a diferença e contribuir também para a minha formação enquanto empreendedor na área”, afirma o investigador do CNC. João Ribas refere ainda que espera  “internacionalizar a nossa abordagem a vários países e criar conteúdos online, de forma a ajudar pessoas pelo mundo inteiro a ter acesso ao nosso conhecimento e metodologias. O livre acesso a essa informação pode estimular a mudança e inovação, mesmo com poucos recursos”.

O investigador português vai liderar um evento no Equador, o primeiro país da América do Sul a receber esta equipa. O objetivo passa “pela identificação dos problemas na área da saúde daquela região e, durante um fim de semana, vários grupos irão trabalhar em potenciais soluções, criando protótipos e identificando o seu potencial de negócio. Há outros eventos semelhantes na agenda e está também em aberto a possibilidade de trazer um a Portugal”, esclarece João Ribas. O português encontra-se, atualmente, a terminar o doutoramento no Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina do CNC e desenvolve a sua pesquisa na Harvard Medical School, Brigham and Women’s Hospital e MIT.

Fonte: UC
Foto: DR

Cientistas portugueses participam em estudo internacional para estimar o contributo anual das florestas na mitigação do efeito de estufa

arvore_Marrocos

Um estudo internacional sem precedentes, acabado de publicar na revista “Nature Plants”, do conceituado Grupo “Nature”, avaliou o mecanismo de formação e crescimento dos anéis das árvores e a sua dinâmica de aquisição do carbono, contribuindo para entender melhor o ciclo global do carbono e o fenómeno das alterações climáticas. Este estudo reuniu 33 investigadores de 12 países (Alemanha, Áustria, Canadá, China, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Portugal, República Checa, Rússia e Suíça). A equipa portuguesa é constituída por três investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CEF) da Universidade de Coimbra (UC).

Considerando que a formação e desenvolvimento dos anéis das árvores interferem no processo de aquisição e acumulação de carbono, os investigadores estudaram, ao longo de três anos, o mecanismo de formação dos anéis em florestas de climas distintos. Além de contribuir para a “compreensão do ciclo global do carbono”, que tem sofrido profundas mudanças ao longo do tempo, este estudo pode “permitir estimar a quantidade de carbono sequestrado anualmente pelas florestas, ou seja, avaliar o contributo das árvores no controlo do dióxido de carbono (CO2). As florestas são grandes reservatórios de CO2 a longo prazo mas a dinâmica deste processo é ainda pouco entendida”, observa Cristina Nabais, coordenadora da equipa portuguesa. Os anéis das árvores “fornecem importantes sinais climáticos e, por isso, se entendermos toda a mecânica envolvida na sua formação e crescimento, bem como os impactos que essa mecânica tem na acumulação de carbono, temos pistas para prever respostas futuras das florestas no complexo problema das alterações climáticas”, salienta Filipe Campelo, outro dos investigadores envolvidos na pesquisa.

O estudo demonstrou que a formação dos anéis é altamente sensível ao fotoperíodo (horas de exposição à luz), sendo o processo de acumulação do carbono nos anéis mais sensível à temperatura, e que a dinâmica de acumulação do carbono é muito diferente entre as florestas do Mediterrâneo e as florestas temperadas do Norte da Europa, um dado importante para perceber o contributo relativo destas florestas para o ciclo do carbono.

Fonte: UC
Foto: DR

 

British Medical Journal e a lusa ITsector projetam Futuro da Medicina no Google Glass

primage_13945

O British Medical Journal (BMJ) aliou-se à tecnológica portuguesa ITSector para projetar uma solução futurista no Google Glass que desvenda a forma como médicos, farmacêuticos e enfermeiros poderão vir a desenvolver a sua atividade nos próximos anos. O projeto consistiu no desenvolvimento da aplicação ‘VISION’ que combina, no Google Glass, os dicionários clínicos e boas práticas do BMJ (uma vasta compilação de conteúdos baseados em evidências médicas que inclui mais de 860 tópicos sobre patologias que reportam a mais de 70 especialidades) com os resumos dos processos clínicos dos pacientes.

O Google Glass é um dispositivo semelhante a um par de óculos que, fixados em um dos olhos, disponibiliza uma pequena tela acima do campo de visão. A pequena tela apresenta ao seu utilizador mapas, opções de música, previsão do tempo, rotas de mapas, e além disso, também é possível efetuar chamadas de vídeo ou tirar fotos de algo que se esteja a ver e compartilhar imediatamente através da internet. A lente de projeção do Google Glass não ocupa todo o campo de visão do utilizador e possui uma tecnologia de foco que permite ao observador ler o seu conteúdo sem a necessidade de mudar seu foco de visão. Todos esses cuidados garantem o conforto e a segurança da pessoa que utilizar a tecnologia.

Relativamente  às vantagens da utilização desta tecnologia na área da saúde, Orlando Rodrigues, Diretor da ITSector, explica: “Esta solução presta aos profissionais da área da saúde um importante apoio ao exercício da sua atividade, na medida em que, ao permitir a liberdade de movimentos das mãos, lhes confere mobilidade em ambientes críticos“. O mesmo responsável reforça que este avanço “oferece garantias no que respeita à segurança em ambiente estéril, possibilitando uma diminuição das infeções hospitalares“, ao mesmo tempo que “proporciona uma total interoperabilidade, através da ligação eficaz a todos os sistemas envolventes em uso no hospital“. Orlando Rodrigues acrescenta que o desafio lançado pelo BMJ revelou-se particularmente exigente, “sobretudo no que respeita à utilização da linguagem natural e ao tratamento da informação recebida, de forma a filtrar a informação relevante em cada momento exato em que é necessária ao clínico“.

Para o BMJ, que pela primeira vez, nos seus mais de 170 anos de história, colaborou com uma empresa portuguesa, o projeto ‘VISION’ representa uma demonstração de capacidade, que combina o melhor expertise do BMJ e da ITSector.  “A aceitação que a ITSector tem recebido pelas diversas soluções inovadoras que implementa na área da banca, nomeadamente em dispositivos como o Google Glass, levou-nos a, em conjunto, desenvolver este novo conceito, combinando a experiência da ITSector com os conteúdos do BMJ na área clínica“, refere Rita Marques, Business Development Manager e responsável por parcerias nacionais do BMJ.

É ainda de referir que a ITSector, que mantém parcerias estratégicas com algumas das mais conceituadas empresas mundiais de software, como a Microsoft, Google e IBM, desenvolveu já outros projetos na área da saúde, como APPs clínicas na área da imunohemoterapia, processos de ‘Big Data’ na área de Oncologia e diversos portais hospitalares.

Fundada em 2005 e com sede no Porto, a ITSector é uma empresa de base tecnológica, especialista no desenvolvimento de soluções de sistemas de informação para o setor financeiro.  Presente em Lisboa, Braga e em mercados como Polónia, França, Reino Unido, Moçambique e Angola, conta atualmente com mais de 300 colaboradores. Reconhecida como ‘PME Líder’ desde 2008, foi também reconhecida pela Deloitte, em 2011, como uma das 500 empresas com maior crescimento no espaço EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

 

O video ilustrativo das funcionalidades da aplicação VISION para o Google Glass pode ser consultado em:

https://www.youtube.com/watch?v=j476oScv7t4

A informação relative ao Projeto Glass da Google pode ser consultada em:

Site Oficial do Projeto Glass:

http://www.google.com/glass/start/

URL no Google+

https://plus.google.com/+GoogleGlass/posts

Video official do Projeto Glass: https://www.youtube.com/embed/9c6W4CCU9M4?feature=player_embedded

Canal do YouTube do Projeto Glass:

https://www.youtube.com/user/googleglass

Ipatimup vence prémio de empreendedorismo pelo desenvolvimento de um teste inovador para detetar cancro da bexiga

teste_bexiga_ipatimup

Uma equipa de investigadores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) foi distinguida com o Prémio Empreendedorismo da Fundação Everis (Espanha) por ter desenvolvido um novo método menos invasivo e mais económico para a deteção do cancro da bexiga.

O projeto liderado pelo investigador Hugo Prazeres, denominado Uromonitor, resultou na criação de um  “ensaio ultra-sensível de diagnóstico hospitalar para detetar na urina mutações genéticas que provocam cancro da bexiga”. Para além de ser não invasivo, sendo por isso menos desconfortável  para os doentes, o método desenvolvido pela equipa portuense custa sensivelmente metade do que o método tradicional de diagnóstico – a citoscopia -, que consiste num exame endoscópico no qual uma sonda é introduzida pela uretra até à bexiga.

Em declarações citadas pela Everis, Hugo Prazeres salienta que o novo método “made in U.Porto”, que já foi clinicamente validado, “traz benefícios para os doentes e uma significativa redução de custos”. Para além dos 60 mil euros do prémio, o líder da equipa de investigação, que integra também os investigadores do Ipatimup Catarina Salgado, Paula Soares e João Vinagre, espera obter “apoio de eventuais investidores, para que possam obter financiamento para lançar o Uromonitor no mercado global”.

Do lado da Everis, António Brandão de Vasconcelos, chairman e trustree da fundação, considerou que “é um grande orgulho ver um projeto português obter o primeiro prémio” entre um total de 400 trabalhos admitidos a concurso, facto que demonstra a “qualidade da investigação que é feita hoje em Portugal, que pouco a pouco se tem vindo a mostrar para o mercado”. É ainda de referir que, como vencedor do Prémio Empreendedores, o projeto da equipa do IPATIMUP participará nos Prémios Ibero-americanos para a Inovação e Empreendedorismo, realizados pela Secretaria Geral Ibero-americana.

Criado em 2001, o Prémio Empreendedorismo da Fundação Everis, tem como objetivo  “promover o talento na investigação, o espírito empreendedor e a investigação a nível internacional”. Para além dos 60 mil euros dados ao vencedor, a Fundação distribui 40 mil euros pelas restantes menções honrosas. O vencedor e restantes finalistas têm ainda direito a um serviço de assessoria avaliado em 10 mil euros.


Fontes:
Universidade do Porto e noticiasaominuto.com
Foto: DR

UC e IBA desenvolvem novo processo de produção de isótopo para o diagnóstico de cancro

Francisco_Alves e Antero_Abrunhosa

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC) e a Ion Beam Applications SA (IBA), empresa multinacional líder mundial no fabrico de ciclotrões, acabam de submeter conjuntamente o pedido de patente internacional para um novo processo de produção de Gálio-68, um isótopo fundamental no diagnóstico do cancro.

A invenção é da autoria dos investigadores do ICNAS, Antero Abrunhosa, Francisco Alves e Vítor Alves, que ao longo dos últimos dois anos desenvolveram um processo inovador de produção de isótopos para marcação de moléculas utilizadas em Tomografia de Emissão de Positrões (PET), essenciais para o diagnóstico e estadiamento de doenças oncológicas.

O método formulado pelos investigadores de Coimbra tem impacto significativo na realização de exames de PET para o diagnóstico de cancro uma vez que  “garante maior rendimento e tem um custo 10 vezes inferior ao atual, tornando assim o exame acessível a um maior número de doentes e promovendo o uso generalizado deste tipo de exame para o diagnóstico de tumores. Esta redução de custos terá também, sem dúvida, um impacto positivo no Sistema Nacional de Saúde, considerando que o atual método disponível no mercado é complexo e dispendioso”, reforçam Antero Abrunhosa, Francisco Alves e Vítor Alves. Os investigadores assinalam também a importância da transferência de tecnologia da Universidade para as empresas, com benefícios sociais e económicos, dado que “a IBA vai comercializar em todo o mundo as soluções criadas a partir desta patente. A solução desenvolvida no ICNAS terá uma escala global.”

No âmbito desta parceria, a IBA e a Universidade de Coimbra estabeleceram um protocolo de cooperação, assumindo a empresa o financiamento para continuar a pesquisa de soluções inovadoras para o diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas. O acordo vai ser assinado na próxima quinta-feira, dia 22 de outubro, pelo Reitor da UC, João Gabriel Silva, pelo Diretor do ICNAS, Miguel Castelo Branco e pelo Vice-Presidente da IBA, Bruno Scutnaire.

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) é uma unidade de investigação da UC dedicada à investigação básica e clínica na área da Imagem Médica e à produção de radiofármacos utilizados no diagnóstico PET em oncologia, cardiologia e doenças neurodegenerativas.

 

Fonte: Universidade de Coimbra
Foto: DR

 

 

 

Equipa da Universidade de Coimbra recebe financiamento internacional para estudar doença que envelhece crianças

Carly _Cares_ 2014

Duas instituições americanas vão financiar uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), liderada por Cláudia Cavadas, para estudar a progeria, doença rara incurável em que as crianças envelhecem muito rapidamente e não chegam à vida adulta.

O grupo vai investigar o potencial do Neuropeptídeo Y (NPY), uma molécula que estimula uma espécie de “reciclagem” de partes envelhecidas das células, denominada de autofagia. Apoiada em estudos realizados anteriormente em ratinhos de laboratório, a equipa do CNC considera que esta molécula poderá ser um regulador de envelhecimento, contrariando assim os efeitos desta doença, denominada Síndrome de progeria de Hutchinson-Gilford.

A responsável pelo projeto, Cláudia Cavadas, afirma que “este financiamento vai permitir continuar a nossa investigação nesta doença fatal e, no futuro, poderá auxiliar na descoberta de uma estratégia terapêutica que contrarie o envelhecimento acelerado destas crianças e, quem sabe, atrasar o envelhecimento natural de todos nós.

A Fundação The Progeria Research Foundation (PRF) e a organização Carly Cares vão financiar durante dois anos a investigação do CNC. “A fundação tem financiado projetos em todo o mundo que resultaram em descobertas importantes sobre a progeria. A parceria estabelecida permitirá o surgimento de investigação inovadora nesta doença rara”, nota Audrey Gordon, Diretora Executiva da PRF.

Por seu lado, Heather Kudzia, Presidente da Carly Cares – instituição com o nome da sua filha de cinco anos de idade, diagnosticada com progeria (menina da fotografia apresentada neste artigo) -, explica que a sua organização “angaria verbas para financiar investigação que aumente a vida dos doentes e que tenha um impacto positivo nas famílias. A organização não poderia estar mais orgulhosa de apoiar este estudo.”

A progeria é uma doença genética rara, caracterizada por um envelhecimento acelerado. A mortalidade destas crianças é provocada por problemas cardíacos resultantes da arteriosclerose (espessamento e endurecimento das paredes das artérias), associada tipicamente à velhice, podendo ocorrer logo aos 10 anos de idade em crianças com progeria.

As capacidades mentais destas crianças permanecem intactas, apesar de apresentarem um corpo envelhecido, caracterizado, por exemplo, por rugas, perda de cabelo, problemas nas articulações e perda de massa muscular.

Fonte: UC
Foto: DR

6ª Edição dos Food and Nutrition Awards

background-r2[1]

Os Food & Nutrition Awards premeiam projetos portugueses no sector agroalimentar. Estes prémios distinguem iniciativas e empresas portuguesas em quatro categorias diferentes: Iniciativa e Mobilização, Investigação e Desenvolvimento, Produto Inovação e Serviço de Inovação. A 6ªedição teve como vencedores os projetos Movimento Zero Desperdício, Nutricap, Arroz Integral Pato Real Minuto e Movelife. 

No total foram 10 os produtos, projetos, serviços e iniciativas distinguidos pelos Prémios da Alimentação Portugueses, que se destacaram pela inovação e empreendedorismo no setor agroalimentar. A cerimónia de entrega dos galardões Food & Nutrition Awards 2015 teve lugar a 10 de Setembro e contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa e do Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agrolimentar, Nuno Vieira e Brito.  Organizado pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN) e pela GCI, o Food & Nutrition Awards consiste numa plataforma multi-stakeholder e num agente mobilizador para a inovação no sector agroalimentar, agregado às áreas da Educação e da Saúde, sendo um motor para o empreendedorismo, valorização da produção nacional e promoção de estilos de vida e hábitos alimentares saudáveis. O  Food & Nutrition Awards tem como objectivos: (1) reconhecer a inovação na industria agroalimentar como motor de crescimento económico, (2) reforçar a relevância das ciências da nutrição e alimentação e o seu impacto na saúde, (3) promover, premiar e reconhecer projetos inovadores e  (4) dar visibilidade a produtos e serviços que se caracterizem pelo mérito e excelência no seu segmento.

O Movimento Zero Desperdício foi o vencedor na categoria de Iniciativa e Mobilização e foi criado em 2012, pela Associação para a Recuperação do Desperdício (DARIACORDAR), com o intuito de promover a recuperação de excedentes alimentares na forma de comida confeccionada e não servida. Com esta criação, pretendeu-se “acordar” as pessoas e as instituições para a realidade do desperdício alimentar e os impactos económicos, sociais e ambientais que lhe estão associados. Ao mesmo tempo, pretendemos despertar ações comunitárias de boa vizinhança e de solidariedade. Através do esclarecimento da interpretação da Lei sobre higiene e segurança alimentar e procedimentos associados, foi possível criar as condições para atingir o objectivo final – que as refeições de um dia não vão parar ao lixo mas sim à mesa de quem precisa.

Na categoria de Investigação e Desenvolvimento o vencedor foi o projeto Nutricap, desenvolvido pela Universidade do Minho. O Nutricap é um hidrogel à micro- e nano escala resultante da interação de duas proteínas do soro do leite. Este hidrogel, constituído por cadeias poliméricas, hidrofílicas e tridimensionais, para além das suas propriedades funcionais inerentes às proteínas utilizadas permite, ainda, a incorporação de compostos lipofílicos e hidrofílicos, funcionando como um veiculo para uma libertação controlada e localizada. Estas partículas são passíveis de ser incorporadas em diferentes tipos de alimentos. O Nutricap permite também utilizar compostos bioativos hidrofóbicos em meios aquosos assim como mascarar alguns dos sabores que alguns deles apresentam. Além destas vantagens, será possível uma incorporação mais “controlada” de compostos bioativos, levando a que sejam necessárias menores quantidades de compostos bioativos nos alimentos.

O arroz integral Pato Real Minuto, desenvolvido pela Ernesto Morgado S.A., foi o vencedor na categoria de Produto Inovação. A gama Pato Real Minuto lançou uma nova receita ainda mais conveniente e nutritiva: arroz integral pronto em apenas 1 minuto. Saudável e pronto a saborear, este produto é uma fonte de minerais, vitaminas e fitonutrientes. O arroz integral Pato Real Minuto, pré-cozido e esterilizado, apresenta 2 grandes vantagens face ao arroz integral cru disponível no mercado: primeiro, a elevada conveniência pois já está pronto-a-comer e o seu período de validade de 1 ano.

Na categoria de Serviço Inovação, o vencedor foi o projeto Movelife, desenvolvido pela Movelife Lda. A Movelife é um software web de avaliação nutricional direccionado para o setor da panificação, hotelaria, restauração e similares. A solução permite efectuar a avaliação nutricional de uma receita e dar acesso aos seus valores nutricionais, informar da presença dos 14 alergénios nos alimentos ou os produtos, se a receita é apta para determinadas doenças e a sua adequação às necessidades nutricionais diárias. A Movelife é o único programa tecnológico exclusivamente adaptado ao setor autónomo, onde não são necessários técnicos alimentares ou empresas.

 

 

Fonte: sicnoticias.sapo.pt e foodandnutritionawards.pt
Foto: DR