Universidade de Coimbra entre as 100 Instituições de Ensino Superior mais influentes no mundo

Universidade_coimbra_wpJá são conhecidos os resultados do Wikipedia Ranking of World Universities (WRWU) e a Universidade de Coimbra (UC) é a única Universidade de Língua Portuguesa no top 100. De acordo com o WRWU, a UC ocupa a 98.ª posição no ranking das 1025 universidades mais influentes, atualmente liderado pela Universidade de Cambridge.

Esta iniciativa, desenvolvida por investigadores da Universidade de Franche-Comté e da Universidade de Toulouse, em França, recorre a uma metodologia baseada na análise estatística independente dos artigos publicados em 24 edições da Wikipédia. Através da aplicação de três algoritmos (PageRank, 2DRank e CheiRank) foi assegurada uma análise matemática do conhecimento acumulado na Wikipédia associado às instituições de ensino superior, permitindo assim identificar as universidades mais influentes no mundo. Os resultados obtidos têm um elevado nível de consistência com os que foram apresentados pelo ranking ARWU em agosto de 2015, comprovando assim a fiabilidade desta nova metodologia.

Considerando que os rankings universitários são habitualmente mais favoráveis às instituições que publicam em língua inglesa, os resultados agora obtidos pela UC são notáveis e ilustram a influência mundial desta universidade ao longo de mais de sete séculos de história. Esta avaliação vem reforçar o bom desempenho da Universidade de Coimbra nas edições de 2015 dos diversos rankings universitários internacionais.

Para além de marcar presença uma vez mais no top 500 dos mais conceituados (THE – Times Higher Education , ARWU – Academic Ranking of World  e QS WUR – QS World University Rankings ), a UC ficou ainda no top 150 da primeira edição do QS Graduate Employability Rankings (QS GER), tendo sido mesmo a melhor IES nacional. Os resultados deste ranking foram divulgados em novembro de 2015, e são particularmente promissores na avaliação das parcerias com potenciais empregadores, o que contribui para melhorar as oportunidades de emprego dos diplomados da Universidade de Coimbra.

Fonte: UC
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Finalista de Medicina Veterinária do ICBAS vence competição internacional

Mariana Marrana, estudante do 5.º ano do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS), foi uma das vencedoras da OIE/IVSA Student Competition 2015, uma competição internacional promovida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e pela Associação Internacional de Estudantes de Veterinária (IVSA).

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Subordinado ao tema “OIE Animal welfare standards in my country”, o concurso arrancou em setembro passado com o objetivo de dar a oportunidade a estudantes de Medicina Veterinária de todo o mundo de reforçarem os seus conhecimentos na área do bem-estar animal, nomeadamente sobre o papel das normas intergovernamentais da OIE e o respetivo nível de implementação no seu país. Aos participantes foi pedido que submetessem um ensaio, descrevendo e ilustrando, com fotografias ou vídeos, a implementação de uma norma da OIE no seu país.

O trabalho de Mariana Marrana centrou-se sobre a norma “Welfare aspects of stunning and killing of farmed fish for human consumption” (Capítulo 7.3. do Código Aquático OIE), relacionada com os peixes de aquacultura.  “Decidi investigar mais aprofundadamente a aplicação de normas de bem-estar animal em peixes de aquacultura, dado ser um tópico ainda pouco desenvolvido”, justifica a estudante que, no âmbito do projeto, visitou “pessoalmente duas instalações de aquacultura no Norte de Portugal”: a Quinta do Salmão – Comércio de Peixe, Lda (do grupo A. Coelho e Castro, Lda), especialziada em truticultura em jaulas flutuantes e instalada na albufeira do alto Rabagão; e a Aquacria Piscícolas, SA (do grupo Sea8), empresa dedicada à aquacultura de linguado e sediada na Torreira, na zona de Aveiro. Segundo o júri da competição, presidido por Bernard Vallat, diretor-geral da OIE, “neste trabalho, Mariana conseguiu analisar diferentes sistemas de produção em aquacultura, comparando os respetivos procedimentos, no sentido de assegurar o bem-estar dos peixes cultivados”.

A OIE e a IVSA receberam numerosas participações de todas as regiões do mundo. Depois de uma “deliberação séria e em condições estritas de anonimato” (palavras dos responsáveis pela competição), o júri, composto pelo Dr. Bernard Vallat, director-geral da OIE, e Dr. Anil Türer, presidente da IVSA, avaliaram as candidaturas que demonstravam um mais profundo conhecimento das normas da OIE no campo do bem-estar animal, e que melhor ilustravam como estas normas estão implementadas nos seus países.

Para além da estudante do ICBAS, foi ainda distinguida uma estudante da Universidade Federal de Lavras (UFLA), no Brasil. As duas vencedoras vão receber, como prémio, a viagem, estadia e inscrição para assistirem à IVSA Animal Welfare Conference, que decorrerá em Utrecht (Holanda) entre 22 e 24 de abril de 2016.

Os trabalhos vencedores (componente escrita e também os vídeos) podem ser consultados no site abaixo:

http://www.oie.int/for-the-media/press-releases/detail/article/announcement-of-2015-oieivsa-student-competition-winners/

Fonte: UP
Foto: DR

 

Faculdade de Arquitetura leva o Centro Histórico do Porto à China

693449_orig[1]Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) vai marcar presença na Bienal Bi-citadina de Arquitetura e Urbanismo de Shenzhen e Hong Kong 2015 (UABB 2015), que decorre de 4 de dezembro a 28 de fevereiro de 2016, na cidade de Shenzen, na China.

A participação da FAUP, coordenada pelos arquitetos e docentes Ana Neiva e Marco Ginoulhiac, e que conta com o apoio institucional da Câmara Municipal do Porto e do Atelier A+E Design, vai concretizar-se através da exposição The City, the School and the Masters que, numa aproximação ao tema proposto pela Bienal  -“Living the City” -, propõe uma reflexão em torno do Centro Histórico do Porto, classificado como Património Cultural da Humanidade, pela UNESCO, em 1996. A exposição lança um olhar sobre a história e o devir de um fragmento do coração do Porto, ilustrativo da sua identidade, das marcas geradas pelo tempo e das potencialidades que ainda encerra. Articulando a Cidade, a Escola e os seus Mestres, apresenta-se sinteticamente o mais recente sedimento na construção de um pedaço estruturante de cidade – o eixo Estação S. Bento | Ponte Luís I.

Entre os mais de quarenta projetos ensaiados para este fragmento de cidade, desde o início do século XX, nenhum alcançou completa concretização, e o espaço, que permanece expectante, tem sido objeto de discussão e leitura de modos mais ou menos abrangentes. Para enriquecer a reflexão, apresentam-se os testemunhos do Arquiteto Álvaro Siza e de estudantes da FAUP em torno de maquetes, revelando o processo de projeto da “Escola do Porto”, possibilitando simultaneamente uma discussão sobre a Cidade.

A instalação vídeo garante a atmosfera para estas conversas sobre o espaço, ao projectar a cidade real – através da captação dos seus sons, luz e gente – sincronizada com o diálogo entre os estudantes e o testemunho de Álvaro Siza. Os diferentes vídeos envolverão o visitante, tornando clara a forte ligação entre a Escola e a Cidade e levando um pouco do Porto até Shenzhen”, lê-se na proposta curatorial da exposição. A oportunidade de participação da FAUP na Bienal de Arquitectura e Urbanismo de Hong Kong e Shenzhen surge na sequência do protocolo formalizado em maio passado entre a Faculdade e o Atelier chinês A+E Design, assente num programa de estágios dirigido aos recém-licenciados e estudantes do 5º ano do Mestrado Integrado em Arquitetura da FAUP, promovido pelo Professor Marco Ginoulhiac.

Bienal Bi-citadina de Arquitectura e Urbanismo de Shenzhen e Hong Kong – UABB é, atualmente, a única Bienal dedicada aos temas do urbanismo e da arquitetura. Sediada em Shenzhen, uma das primeiras zonas económicas especiais da China, e com curadoria a cargo de Aaron Betsky, Alfredo Brillembourg, Hubert Klumpner e Doreen Heng LIUm, a UABB 2015 vai acolher 72 expositores de seis continentes em torno do tema “Re-Living The City”. A inauguração vai decorrer na antiga fábrica Dacheng Flour, na zona de Shekou, um complexo industrial construído na década de 80 que será especialmente transformado em espaço expositivo multidisciplinar para esta Bienal.

Para saber mais sobre a UABB consulte o site: http://en.szhkbiennale.org/

Fonte: UP
Foto: portopatrimoniomundial.com

 

 

Vice-Reitora da U.Porto recebe Palmas Académicas do Estado francês

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Maria de Fátima Marinho
, Vice-reitora da Universidade do Porto com o pelouro das Relações Externas e Cultura, recebeu, dia 23 de novembro, as insígnias de Chevalier de l’Ordre des Palmes Académiques”, condecoração atribuída pelo do Estado francês a membros da comunidade educativa, docentes e não-docentes, que se destaquem na divulgação da cultura francesa a nível internacional. A condecoração da República Francesa à professora da U.Porto foi entregue pelo Embaixador de França em Portugal, Jean-François Blarel, e a cerimónia teve lugar no Salão Nobre da Universidade do Porto.

A Ordem das Palmas Académicas é uma condecoração da República Francesa destinada a membros da comunidade educativa, docentes e não-docentes, que se destaquem na divulgação da cultura francesa a nível internacional, atribuída em três graus (ordenados por ordem ascendente): Chevalier, Officier e Commandeur. Em anos anteriores, já tinham sido distinguidos os docentes da U.Porto  Elísio Brandão (Faculdade de Economia), João Teixeira Lopes e José Domingues de Almeida (ambos da FLUP).

Natural do Porto (1954), Maria de Fátima Marinho licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde leciona Literatura Portuguesa Contemporânea desde 1976. Em 1987, doutorou-se com uma tese sobre o Surrealismo em Portugal. Professora Catedrática da FLUP desde 2001, foi Diretora da Faculdade de 2010 a 2014, ano em que assumiu as funções de Vice-reitora. Autora de vários livros – “Herberto Helder, a Obra e o Homem” (1982); “O Surrealismo em Portugal” (1987); “A Poesia Portuguesa nos Meados do Século XX – Ruturas e continuidade” (1989); “O Romance Histórico em Portugal” (1999) – e ensaios publicados em inúmeros jornais e revistas, tem centrado a sua atividade de investigação nos domínios das literaturas românicas. Mais recentemente, tem-se dedicado ao estudo das relações entre a Literatura e a História nos séculos XIX e XX.

A ligação de Maria de Fátima Marinho à França e à cultura daquele país está patente em vários artigos publicados sobre temas ligados à literatura francesa. Em 2011, assinou um artigo – intitulado “Quem tem medo dos Franceses?” no nº especial Outono-Inverno 2011-2012 da revista Carnets, dedicado ao tema “Invasions et Évasions: La France et nous, nous et la France”.

Fonte: UP
Foto: DR

Equipa internacional de cientistas utiliza método pioneiro para “desqueimar” ossos

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Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lideram uma equipa internacional que está a desenvolver um método, pioneiro a nível mundial, para resolver um dos grandes problemas dos cientistas forenses: a caracterização biológica rigorosa de vítimas desconhecidas com base nos seus restos mortais queimados, em situações complexas como acidentes de avião ou ataques terroristas.

Quando os ossos são queimados, “a sua estrutura e dimensão são alteradas, tornando difícil a tarefa de identificar sexo, idade e estatura”, explica David Gonçalves, do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde (CIAS), acrescentando que, “por exemplo, essas informações podem ser importantes para estabelecer a identificação positiva de uma vítima desconhecida.”

O especialista em ossos da UC sabe bem a dificuldade que estes casos levantam e, por isso, colocou o problema a Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho, da Unidade de I&D “Química-Física Molecular”, que utilizam luz e feixes de partículas de alta energia para estudar estruturas biológicas a nível molecular.

A esta equipa juntaram-se mais três investigadores, dois deles do Reino Unido, tendo avançado para um método que usa feixes de neutrões para avaliar as mudanças ocorridas quando os ossos são submetidos a processos de queima.

As designadas técnicas de espectroscopia vibracional fornecem informação impossível de obter por outras vias: “com recurso a lasers, feixes de neutrões e radiação de infravermelho, conseguimos avaliar a estrutura submicroscópica do osso, ou seja, ver como compostos seus constituintes estão organizados, permitindo saber, por exemplo, quanto tempo esteve exposto a temperaturas elevadas, que tipo de explosivo foi usado, etc.”, esclarecem Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho.

Na prática, os investigadores pretendem obter um factor de correção das dimensões alteradas por processos de queima, permitindo rapidamente encontrar as características e tamanho originais dos ossos”. É como “desqueimar” o esqueleto.

As primeiras experiências realizadas com o feixe de neutrões do Laboratório de Investigação ISIS – Harwell Campus (Science & Technology Facilities Council, Reino Unido) em amostras de ossos humanos indicam que o método é promissor.

As amostras utilizadas são provenientes de ossadas não reclamadas que foram doadas à Colecção de Esqueletos Identificados do Século XXI alojada no Laboratório de Antropologia Forense da Universidade de Coimbra.

Se tudo correr como previsto, dentro de três a quatro anos, cientistas forenses e bioarqueólogos terão ao seu dispor “uma ferramenta fiável, rápida e de baixo custo para avaliar as mudanças ocorridas nos ossos queimados. O problema dos métodos métricos que usamos actualmente para construir o perfil biológico é o seu grau de fiabilidade, que é baixo”, observa David Gonçalves.

Apesar de ainda ter muito trabalho pela frente, a equipa está confiante em obter um instrumento de correcção pioneiro que terá um forte impacto em múltiplos cenários, “quer em contexto arqueológico quer em contexto forense, nomeadamente em situações de crime, terrorismo e acidente, entre outros.

Fonte: UC
Foto: DR

 

Equipa da UC recebe financiamento internacional para identificar mecanismo responsável pelo surgimento da doença de Alzheimer

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A perda da memória na doença de Alzheimer resulta da deterioração da comunicação entre neurónios mas, até recentemente, não se sabia como ocorria esta deterioração. Foi agora descoberto que a degeneração e perda de memória dependem do ATP, que funciona como molécula energética no interior das células, mas é um sinal de perigo quando libertado pelas células.

A descoberta é de uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), fruto de sucessivos estudos realizados ao longo da última década, tendo identificado um mecanismo celular ativado pelo ATP. Este mecanismo está presente durante o desenvolvimento neuronal e é anormalmente reativado em modelos animais de doença de Alzheimer, podendo estar na origem da perda de sinapses, que consistem na forma de comunicação entre neurónios e são essenciais para o correto funcionamento neuronal.

A equipa de investigação, coordenada por Ricardo Rodrigues, acaba de ser distinguida com 100 mil dólares pela Alzheimer Association, uma organização voluntária norte-americana para a saúde, sediada em Chicago. A Alzheimer Association é líder mundial no apoio, tratamento e investigação em Alzheimer, quer no financiamento para a investigação para o combate a esta e outras formas de demência, quer no apoio aos doentes de Alzheimer.

O financiamento atribuído à equipa de Ricardo Rodrigues vai permitir avaliar se este novo mecanismo contribui para a perda sináptica e de memória na fase inicial da doença de Alzheimer. “O ATP ativa um recetor na membrana dos neurónios, desencadeando uma cascata de eventos intracelulares que favorece a perda estrutural das sinapses. O recetor para o ATP que identificámos como estando envolvido neste processo degenerativo induz modificações na atividade de proteínas envolvidas na manutenção do esqueleto celular, comprometendo a estabilidade das sinapses”, explica Ricardo Rodrigues. O investigador refere ainda que, “com a demonstração de que o mecanismo agora identificado contribui para a perda das sinapses estaremos mais perto de identificar um alvo terapêutico que impeça o aparecimento da doença de Alzheimer.”

Os investigadores acreditam que este mecanismo característico da fase de desenvolvimento neuronal é reativado em situações patológicas como uma tentativa frustrada de recuperar a normal função cerebral, mas que devido ao contexto inadequado torna-se prejudicial.

Com o financiamento da Alzheimer Associationvamos testar em modelos animais (ratinhos) se o bloqueio deste recetor previne a degeneração sináptica e a perda de memória associada. Em linguagem simples, encontrar uma estratégia terapêutica que evite o surgimento da doença de Alzheimer”, realça o coordenador da pesquisa.

Os investigadores do CNC acreditam ainda que se for determinada uma estratégia eficaz para a doença de Alzheimer, “também será para outras doenças neurodegenerativas, que deverão partilhar este mesmo mecanismo de degeneração e morte celular. No futuro, poderemos ter um único medicamento para tratar diversas patologias que afetam o sistema nervoso central.

Fonte: UC
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HeartGenetics selecionada como uma das dez melhores “startups” na Cimeira Mundial de Saúde

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A empresa HeartGenetics, instalada no parque tecnológico Biocant, em Cantanhede, foi selecionada como uma das dez melhores “startups” na Cimeira Mundial de Saúde, que decorreu em Berlim.

O consórcio português Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e Universidade de Coimbra emitiu um comunicado a informar que a empresa HeartGenetics, sediada em Cantanhede, distrito de Coimbra, foi selecionada como “uma das dez melhores ‘startups'”, entre cerca de 70 concorrentes de 17 países diferentes, na Cimeira Mundial de Saúde, decorreu em Outubro em Berlim.

A HeartGenetics “desenvolve dispositivos médicos para diagnóstico in vitro focados na área da genética cardiovascular“, informou o consórcio, que agora integra a Aliança M8 – o G8 da Saúde. A empresa portuguesa recorre a testes genéticos associados a ferramentas computacionais, permitindo uma adequação “precisa da terapêutica ao perfil genético de cada indivíduo, com a elaboração automática de relatórios detalhados“. Os produtos desenvolvidos por esta “startup”, resultado de uma ligação entre genética e informática, estão “100% testados e certificados” e “têm capacidade de produzir grandes economias de escala, permitindo obter significativas reduções de custos para diferentes parceiros e em diferentes faixas do mercado“.

Segundo o consórcio, o trabalho desenvolvido pela HeartGenetics permite “acelerar o investimento numa medicina personalizada e de precisão“, ao mesmo tempo que reduz “o valor do número de mortes devido a doenças cardiovasculares“. Na nota de imprensa também é referido que os “testes genéticos são acessíveis, precisos e permitem suportar de forma efetiva o diagnóstico médico“. A “startup” desenvolveu um “teste genético para a determinação do risco de desenvolvimento precoce de hipertensão arterial“, que, sendo utilizado no Serviço Nacional de Saúde, “permite estimar uma redução de custos associados à hipertensão arterial de 300 milhões de euros por ano“.

A Cimeira Mundial de Saúde é a conferência anual da Aliança M8 de Centros Médicos Saúde Académico, Universidades e Academias Nacionais. Esta conferência é organizada em colaboração com autoridades nacionais, academias de ciências em mais de 67 países e está sob o patrocínio do governo alemão.

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Pegada ambiental do biodiesel: Investigadora da UC distinguida com o Prémio Mário Quartin Graça

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A Tese de Doutoramento de Érica Castanheira, investigadora do Centro para a Ecologia Industrial da Universidade de Coimbra (UC), desenvolvida no âmbito de diversos projetos internacionais sobre os impactos ambientais associados ao biodiesel produzido a partir de soja e palma cultivadas na América Latina, acaba de ser distinguida com o Prémio Científico Mário Quartin Graça, na categoria de “Tecnologias e Ciências Naturais”.

Promovido em parceria pelo Banco Santander Totta e Casa da América Latina, o galardão, no valor de cinco mil euros, visa “distinguir teses de doutoramento realizadas por investigadores portugueses ou latino-americanos em universidades de Portugal ou da América Latina”.

A investigação foi orientada pelo professor Fausto Freire, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, e envolveu mais de duas dezenas de investigadores de universidades nacionais e internacionais, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, a Universidade de São Paulo, no Brasil, e a Universidade Nacional da Colômbia, bem como empresas produtoras de biocombustíveis em Portugal e na América Latina. De uma forma muito genérica, a equipa de investigadores estudou e avaliou o impacto ambiental de ciclo de vida do biodiesel de soja e palma, ou seja, “avaliámos as emissões poluentes, como por exemplo os gases com efeito de estufa, em todas as etapas do processo, desde o solo usado para o cultivo no Brasil, Argentina e Colômbia, até à extração de óleo, transporte, produção de biodiesel e distribuição”, explica Érica Castanheira.

Cerca de metade do biodiesel utilizado em Portugal é produzido a partir de semente e óleo de soja e palma importados da América Latina. Por isso, observa a investigadora, este estudo assume particular relevância para ajudar os produtores nacionais a “optarem pelas melhores soluções, por forma a cumprir as metas impostas pela União Europeia: até 2020, é obrigatória a introdução de 10% de biocombustíveis nos transportes, assegurando que são cumpridos os critérios de sustentabilidade, entre os quais a redução mínima de 35% de emissão de gases com efeito de estufa em relação ao combustível fóssil.

O estudo concluiu que a expansão das áreas cultivadas com soja ou palma (p. ex., por via de desflorestação, como é o caso da floresta tropical na Amazónia) pode acarretar uma carga ambiental elevada devido à perda de carbono no solo e na vegetação, mostrando “a importância das alterações do uso do solo na pegada de carbono do biodiesel e que o local e modo de produção das plantas oleaginosas são aspetos determinantes na sustentabilidade ambiental do biodiesel”, sublinha Érica Castanheira.

Intitulada “Environmental Sustainability Assessment of Soybean and Palm Biodiesel Systems: a Life-Cycle Approach”, a tese foi realizada no âmbito do Doutoramento em Sistemas Sustentáveis de Energia (Programa MIT-Portugal) / Iniciativa Energia para a Sustentabilidade e financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O prémio foi entregue na sexta-feira, dia 20 de novembro, na sede do Banco Santander (Rua do Ouro nº 88, Lisboa). Para Érica Castanheira “é o reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de cinco anos por uma vasta equipa no Centro para a Ecologia Industrial da UC”.

Fonte: UC
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Isabel Silva propõe um novo mecanismo para tratar a doença da próstata (entrevista)

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Isabel Silva, de 29 anos, é natural da Trofa e licenciada em Genética e Biotecnologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, com mestrado em Genética Molecular Comparativa e Tecnológica. Chegou ao Porto, ao instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em 2010, altura em que iniciou funções como investigadora no laboratório de Farmacologia e Neurobiologia do ICBAS. Em 2013 iniciou o Programa Doutoral em Ciências Biomédicas do ICBAS com o objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior. Os mais recentes resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” apresentada na Reunião Mundia da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). O trabalho apresentado por Isabel Silva intitulava-se “Blockage of UDP-sensitive P2Y6 receptors as a novel therapeutic strategy to control urine storage symptoms in men with bladder outlet obstruction” e este a concurso com mais de 300 comunicações provenientes de mais de 30 países. A Excelência Portugal foi falar com a investigadora para saber mais sobre o seu trabalho.

 

Sempre quis ser cientista ou houve algum motivo/ influência que a levasse a enveredar nessa área?

Não (risos).. A investigação foi por mero acaso. Eu fui para o laboratório onde estou e comecei num estágio de verão para aprender algo mais, porque eu sou da área da genética e não estou a fazer investigação em genética.”

Pois, está a trabalhar na área da Farmacologia…

Exatamente, na parte da farmacologia. Comecei a gostar desta área,  as coisas começaram a correr bem e eu fiquei entusiasmada e fiz o estágio de licenciatura, continuei e fiz o estágio para a tese de mestrado e depois as coisas foram continuando e agora estou a fazer o doutoramento.”

O seu doutoramento tem como objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior, nomeadamente a hiperatividade da bexiga. Pode falar um pouco desta problemática?

“A hiperatividade da bexiga é mais comum nas mulheres.  Nos homens acontece em idades mais avançadas e normalmente é consequente de uma hiperplasia benigna da próstata. Nas mulheres, a causa é idiopática. Só que há um problema, nós não temos acesso  a amostras de tecido das mulheres. Não nos podemos dirigir a uma mulher, que não tem necessidade de ser operada, e recolher um pedaço de tecido de bexiga para fazermos experiências. Isso não é eticamente correto, nem podemos fazê-lo. Então, o tecido que nós temos acessível é tecido de bexiga de homens que, devido à hiperplasia benigna da próstata, são operados para resolver o problema da obstrução da uretra e muitas vezes já têm problemas na bexiga. É com esse tecido que nós fazemos o nosso trabalho de investigação. Nas mulheres, o que nós conseguimos fazer são estudos de metabolitos na urina.”     

Um dos focos da sua investigação é estudo dos receptores P2Y6. Qual a função destes receptores e de que modo podem contribuir para melhorar a qualidade de vida dos homens afetados por esta condição?

“Este receptor é um recetor recentemente descrito, e ainda não estava descrito na bexiga. Ninguém sabia se ele estava lá e o que é que ele fazia. Os primeiros ensaios no nosso grupo, onde caracterizamos estes receptores, foi em rato. E o que observamos foi que, quando infundíamos uma substância que ativava estes receptores na bexiga de rato, a substância causava hiperatividade da bexiga. Como tínhamos amostras de homens com hiperatividade da bexiga fomos ver se, ativando estes receptores e bloqueando-os, o nível de neurotransmissores libertados era igual ou diferente ao de homens saudáveis (dadores de órgãos). Também fizemos estudos de localização dos receptores para ver se estavam localizados nas células da bexiga e se as células tinham o mesmo número de receptores. E conseguimos perceber que, nestes homens, quando ativamos estes receptores, eles libertam uma molécula que consideramos estar relacionada com a hiperatividade da bexiga que é o ATP e que o bloqueio destes receptores inibe a libertação de ATP. Assim, ao inibir a libertação de ATP conseguimos reverter uma situação de bexiga hiperativa.” 

Estas descobertas permitirão o desenvolvimento de um novo fármaco?

“Estas descobertas permitem o desenvolvimento de um novo fármaco, mas para isso agora precisamos do apoio da indústria farmacêutica e de apoio financeiro para o desenvolvimento do fármaco. Este trabalho propõe uma nova ferramenta terapêutica para a bexiga hiperativa sem efeitos secundários que existem nos tratamentos atuais. O problema do tratamento atual para a bexiga hiperativa é a utilização de fármacos anti-colinérgicos que, ao longo do tempo, vão ter efeitos secundários como, por exemplo, obstipação, uma vez que nós temos nos intestinos muitos receptores colinérgicos. O nosso trabalho permitiu  descobrir que o recetor P2Y6 está preferencialmente localizado na bexiga e conseguimos caracterizá-lo bem, o que pode ser uma ferramenta muito útil no desenvolvimento de um novo fármaco. Se o recetor não for expresso noutros órgãos com grande abundância, poderá ser um bom alvo terapêutico.”

Então, como potencial fármaco, propõe uma substância que vai inibir o recetor P2Y6, de uma forma dirigida, nas células da bexiga?

Exatamente. Nós propomos o desenvolvimento de um fármaco que irá atuar num recetor que está especificamente localizado na bexiga, à partida.

O próximo passo passará, seguramente, pela produção do fármaco. É fácil obter o apoio da industria farmacêutica?

A industria funciona a curto/médio prazo e tem de ganhar milhões rapidamente. E nós na investigação básica que fazemos nas universidades não conseguimos garantir isso. Para passarmos para a próxima fase queremos acreditar que a industria se vai interessar nisto, mas ainda temos de fazer mais ensaios. Agora, se é fácil, acredito que a nível prático seja um caminho ainda longo.”

Os resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” na Reunião mundial da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). Qual foi a sensação de ser uma portuguesa a receber tal prémio?

Foi muito gratificante. Sempre tive muito orgulho em ser portuguesa em qualquer sítio onde estivesse. E o facto de ser uma portuguesa no meio de tanta gente fez-me sentir que somos pequeninos mas afinal temos tanta importância como os outros. Não precisamos de pertencer a centros de investigação de topo, de renome, ou de ter um sobrenome de renome, para conseguirmos chegar à ciência de alto nível e internacional”.

Como ciêntista, considera que a ciência é devidamente valorizada em Portugal?

Não. Acho que há muita coisa em Portugal que devia ser revista e considerada na área da ciência, por vários motivos, sobretudo porque as formas de atribuição dos financiamentos muitas vezes não são corretas. Estes prémios, como o que recebi, nem sempre são considerados  e muitas vezes, não havendo financiamento, os estudos terminam quando já estavam próximos do fim. E fica muita coisa pendente, muita coisa que vamos lá para fora fazer porque deixamos cá a meio, ou então vêm outros de fora que trazem o dinheiro, terminam o trabalho e ficam com o mérito.”

Após os excelentes resultados e de obter o devido reconhecimento, o que perspectiva para o futuro?

Eu gostava muito de, até ao final do doutoramento, continuar com este trabalho e conseguir chegar a uma ferramenta farmacológica , com o apoio da indústria, e lançar o fármaco. Sabemos que até lançarmos o fármaco temos um longo caminho, mas o objetivo é não perder o fio à meada e continuar no desenvolvimento deste projeto.”

Foto: DR

CIIMAR conquista três novos projetos de Divulgação de Ciência

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Cadeias Tróficas Marinhas – Conhecer para Comunicar”, “Mar de Plástico” e “OceanLab – Protegendo os Oceanos: vem ao laboratório fazer connosco!”,  são os três novos projetos de divulgação de ciência do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), com financiamento aprovado pelas European Economic Area (EEA) Grants.

Os três projetos procuram contribuir para a educação e sensibilização dos cidadãos para o Bom Estado Ambiental das Águas Marinhas preconizado pela DQEM (Diretiva Quadro Estratégia Marinha), assim como promover a Literacia dos Oceanos, a valorização dos seus recursos marinhos e a sua preservação, através da realização de iniciativas de sensibilização junto das camadas mais jovens e público em geral.

O projeto “Cadeias Tróficas Marinhas” tem por objetivo sensibilizar e dotar o público escolar de uma série de conceitos e processos inerentes ao tema das relações tróficas marinhas assim como fornecer ferramentas para a aprendizagem autónoma e o desenvolvimento do pensamento crítico. Para tal, o projeto propõe realizar diversas iniciativas de sensibilização para alunos de diferentes níveis de ensino e público em geral, que incluem a construção orientada de produtos de comunicação de ciência originais e demonstrativos sobre o tema e que irão posteriormente integrar uma exposição Pop UP destinada a incentivar a adoção de boas práticas para a preservação dos ecossistemas marinhos e manutenção das cadeias tróficas.

O projeto “Mar de Plástico” pretende alertar e aumentar o conhecimento dos mais jovens para a problemática dos plásticos no Oceano, procurando incentivar a reflexão crítica sobre os possíveis contributos de cada um. Este projeto destaca-se pela exploração inovadora da arte como ferramenta de sensibilização da sociedade para questões ambientais. Através de uma colaboração com a Escola Superior Artística do Porto serão produzidas esculturas de grande tamanho com plástico reciclado e uma peça de teatro, para posterior exibição em locais públicos da cidade do Porto e escolas envolvidas no projeto. Este projeto, que se integra na Campanha Ocean Action, prevê ainda a realização de atividades de ciência experimental em 6 escolas da região do Porto, ações de limpeza de praias, uma exposição e a produção de vídeos educativos sobre o tema da poluição dos oceanos por plásticos.

Por fim, o projeto OceanLab envolve a criação de um laboratório específico no CIIMAR para receber jovens, professores e famílias, conduzindo-os numa abordagem holística à Literacia do Oceano. Com um programa dedicado à realização de um conjunto de experiências científicas hands-on, o OceanLab permitirá aos jovens colocar em prática, num contexto laboratorial, experiências relativas a princípios ligados à Literacia no Oceano, bem como à gestão integrada e à manutenção do Bom Estado Ambiental dos Oceanos.

Fonte: UP
Foto: DR