Equipa portuguesa conquistou uma medalha de ouro e duas de prata nas Olimpíadas Ibero-americanas de Física

Equipa portuguesa arrecadou cinco prémios na Bolívia: uma medalha de ouro, duas medalhas de prata, uma menção honrosa e o prémio especial para a  melhor prova teórica.

Esta competição teve lugar em Cochabamba (Bolívia), de 6 a 13 de setembro e contou com a participação de 69 estudantes finalistas do ensino secundário de 19 países do espaço ibero-americano. Esta Olimpíada, que vai já na XX edição, é uma competição anual onde jovens estudantes pré-universitários são convidados a demonstrar a sua preparação em Física em dois longos e difíceis exames (um teórico e um experimental). O nível de conhecimentos requeridos para realizar estas provas vai para além do programa de Física do ensino secundário, envolvendo por parte dos estudantes imenso esforço e dedicação durante a fase de preparação. O vencedor absoluto desta olimpíada, que obteve a melhor classificação no conjunto dos dois testes, foi um estudante de El Salvador, Rene Villela Escalante.

Os team-leaders que acompanharam a delegação a Cochabamba, Fernando Nogueira e Orlando Oliveira, da Universidade de Coimbra (UC), fazem um balanço muito positivo da prestação portuguesa: A prestação global dos nossos estudantes foi muito boa: três dos alunos portugueses obtiveram classificações acima dos 40 pontos em 50 possíveis. Um deles, Paulo Mourão, foi mesmo a melhor prova teórica da competição. Merece também destaque o facto de todos os alunos terem obtido mais de 15 pontos em 20 possíveis na prova experimental, algo inédito na história da participação portuguesa nas olimpíadas internacionais.”

Os docentes da Universidade de Coimbra salientam que  “a prova experimental exigia grande destreza experimental para conseguir recolher todos os dados necessários. O trabalho de preparação dos alunos ao longo do ano, individualmente, nas suas  escolas, e nas sessões que decorreram na Universidade de Coimbra, foi essencial. Os professores destes alunos tiveram também um papel de extrema importância, visto que a preparação experimental foi feita com eles, nas escolas e fora do horário normal. A muito deficiente componente experimental dos programas ministrados no nosso ensino dificulta enormemente o trabalho de preparação, exigindo muito esforço da parte dos alunos para compensar o seu pouco à vontade num laboratório de Física..

A lista dos estudantes portugueses premiados é a seguinte:

- Paulo Duarte Mourão (Escola Secundária c/ 2º e 3º ciclos de Santa Maria da Feira), medalha de ouro

- Gonçalo Eduardo Cascalho Raposo (Escola Secundária Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém),medalha de prata

- Carlos Alberto Rebelo Couto (Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo), medalha de prata

- João Francisco Lopes Cruz de Carvalho (Escola Secundária de Viriato, Viseu), menção honrosa

As Olimpíadas de Física são uma atividade promovida pela Sociedade Portuguesa de Física com o patrocínio do Ministério da Educação e da Ciência, da Agência Ciência Viva, da Fundação EDP e da Fundação Calouste Gulbenkian. O treino da equipa decorreu no Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, integrado nas atividades da escola Quark! de Física para jovens.

 

Fonte: UC

Foto: Da esquerda para a direita: Carlos Couto (Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo, medalha de prata), Paulo Mourão (Escola Secundária de Santa Maria da Feira, medalha de ouro e melhor prova teórica), João Carvalho (Escola Secundária de Viriato, Viseu, menção honrosa) e Gonçalo Raposo (Escola Secundária Manuel da Fonseca, Santiago do Cacém, medalha de prata).

Equipa de investigadores da Universidade de Coimbra identifica novos ‘sinalizadores’ de Alzheimer

Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), liderada por Ana Cristina Rego, descobriu ‘sinalizadores’ biológicos em células sanguíneas que poderão alertar precocemente para o surgimento da doença de Alzheimer.

Antes do aparecimento da doença de Alzheimer ocorre a formação de radicais livres, moléculas altamente reativas que podem provocar danos celulares. A investigação realizada mostra que os radicais livres ativam um ‘sinalizador’ biológico – uma proteína, designada Nrf2 – que tem como função proteger as células dos radicais livres.

A sinalização da proteína é mais evidente quando surgem as primeiras queixas de memória, numa etapa inicial da doença de Alzheimer. Para além disso, nesta fase aumenta a sinalização de ‘moléculas de stresse’ no ‘retículo endoplasmático’, um organelo celular com várias funções, nomeadamente na síntese de novas proteínas e nos processos de destoxificação celular”, explica a coordenadora do estudo já publicado na revista Biochimica et Biophysica Acta (BBA)- Molecular Basis of Disease.

O período estudado nesta investigação designa-se por Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) e antecede a doença neurodegenerativa, estando compreendido entre os indivíduos cognitivamente saudáveis e os que estão doentes e com probabilidades de terem Alzheimer. Cerca de 10 a 20% das pessoas acima dos 65 anos de idade encontram-se nesta fase intermédia de DCL, e aproximadamente 15% irão progredir para um estado de demência anualmente.

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Ana Cristina Rego salienta que “as alterações que ocorrem em indivíduos com DCL podem ser cruciais para se compreender o início dos processos de disfunção celular e morte neuronal na doença de Alzheimer e auxiliar no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas capazes de impedir a progressão da doença”.

O estudo foi feito em parceria com outro grupo de investigadores do CNC e da FMUC, liderado por Cláudia Pereira, e com Isabel Santana, do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e da FMUC.

Fontes: Universidade de Coimbra e Jornal i
Fotos: DR e dementiatoday.com

Investigador da Universidade de Coimbra nomeado para o Prémio “Nação Inovadora”

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Pedro Miguel Cruz, docente e investigador do Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra (UC), foi selecionado para o Prémio “Nação Inovadora”, promovido pelo Expresso, SIC Notícias e Audi.

De acordo com o regulamento, o prémio visa “firmar o valor que a inovação, as novas ideias, o pioneirismo têm para o desenvolvimento de Portugal”. Pedro Miguel Cruz integra uma lista de 25 talentos nomeados por cinco embaixadores nacionais. Agora cabe ao público eleger os seus favoritos. A votação decorre até ao próximo dia 13 de novembro no site criado especificamente para o prémio. Os três talentos mais votados serão, posteriormente, avaliados por um júri composto pelos cinco embaixadores, por representantes da Audi, da SIC Notícias e de entidades públicas e privadas da área da Inovação.

O trabalho de Pedro Miguel Cruz, especialista em visualização de dados, tem sido reconhecido em todo o mundo. Em 2010, o projeto “Visualizing Empires Decline” foi distinguido no SIGGRAPH Computer Animation Festival de Los Angeles. Em 2011, o trabalho “Visualização do Tráfego de Lisboa” recebeu uma menção honrosa do MiniMax Mapping Contest da École Polytechnique Fédérale de Lausanne e foi exibido na exposição “Talk to Me” do MoMA (Museum of Modern Art, NY). Em 2013, o Corriere della Sera indicou o investigador do Centro de Informática e Sistemas da UC como um dos 10 mais influentes Designers de Visualização no mundo.

Para o também docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a sua nomeação para o prémio “Nação Inovadora” “é uma consequência de todo o espaço e liberdade que me deram para criar no CDV do CISUC (Computational Design and Visualization Lab), em especial pelos Professores Penousal Machado e João Bicker, assim como de toda a inspiração criativa que recebi no contexto da minha docência nos cursos de Design e Multimédia da UC”.

 

Fonte: Universidade de Coimbra
Foto: DR

Investigação portuguesa na área do cancro em destaque na revista Nature

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Os investigadores Salomé Pinho e Celso Reis, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), publicaram recentemente um artigo sobre a importância dos açucares que revestem as células tumorais numa das mais prestigiadas revistas científicas mundiais na área do cancro: a Nature Reviews Cancer.

O último artigo de revisão sobre glicosilação em cancro que esta revista tinha publicado tinha sido em 2005 e os autores eram investigadores norte-americanos, mais especificamente da Califórnia. Este ano, e depois de Salomé Pinho e Celso Reis terem publicado vários artigos sobre o tema em revistas prestigiadas como o Journal of Clinical Investigation, Oncogene, Cancer Research, Human Molecular Genetics, Molecular and Cellular Proteomics, entre outras a Nature Reviews Cancer convidou os dois investigadores portugueses a escreverem um artigo sobre “Glycosylation in câncer: mechanisms and clinical implications”. É, aliás, a primeira vez que investigadores do IPATIMUP são convidados a publicar nesta revista.

Este artigo reúne todos os resultados em que demonstrámos a importância inequívoca dos açucares no diagnóstico, prognóstico e no tratamento do cancro. Foi o acumular de todas estas evidências, resultantes de décadas do nosso trabalho, que foi consagrado e reconhecido na revista Nature”, explica a investigadora Salomé Pinho. Os investigadores sublinham ainda que todo este trabalho, que se baseou em amostras clínicas de doentes com cancro, é totalmente “made in” Portugal, “made in” IPATIMUP.

 

Açicares e Cancro: como se relacionam

A forma como as células tumorais se revestem à sua superfície com açúcares tem sido demonstrada como sendo determinante para a forma como um tumor se comporta, ou seja, se é invasor, se metastiza, se não metastiza, etc. Para além de definir o comportamento das células tumorais, os diferentes tipos de açucares que uma célula tumoral expressa constituem uma “assinatura” única de cada tumor, o que pode vir a ter aplicações na clínica. Para além de possibilitarem novas abordagens terapêuticas inovadoras, estes biomarcadores podem ser detetados no sangue dos doentes.

O trabalho desenvolvido pelos investigadores do IPATIMUP Salomé Pinho e Celso Reis centra-se na compreensão dos mecanismos moleculares que estes açúcares desempenham nas células tumorais e sua importância para a evolução de um doente com cancro. Estes estudos têm ainda demonstrado o enorme potencial destes açúcares para o diagnóstico precoce do cancro, para a monitorização da recidiva tumoral, constituindo ainda alvos para o desenvolvimento de novas terapias anti-tumorais.

 

Fontes: Universidade do Porto, Ipatimup
Foto: DR

Investigador da Universidade de Coimbra distinguido com o “Young Scientist Award” pelo desenvolvimento de “app” capaz de detetar emoções

E se o telemóvel fosse capaz de identificar as emoções do ser humano?

Pode parecer ficção, mas não. Na realidade, já é possível graças à aplicação Happy Hour desenvolvida (para o sistema operacional Android) por uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenada por Jorge Sá Silva.

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A originalidade do projeto “Happy Hour – Improving Mood With An Emotionally Aware Application” valeu a David Nunes, de 27 anos de idade, o prémio “Young Scientist Award” na Conferência Internacional IEEE-I4CS – Inovação para Serviços Comunitários, que decorreu recentemente na Alemanha.

Com a aplicação Happy Hour, que se encontra em fase de protótipo, o telemóvel não só identifica o estado de espírito dos seus utilizadores, como também seleciona e apresenta informação, em tempo real, sobre os espaços verdes de interesse mais próximos (como parques ou jardins). A aplicação promove, assim, caminhadas e exercício físico como forma de melhorar a situação emocional de quem a utiliza.

O objetivo do desenvolvimento desta revolucionária “app” que se enquadra na promissora área da “Internet das Coisas”, conta David Nunes, “é mudar o paradigma. As tecnologias devem compreender o ser humano e adaptar-se às suas necessidades e desejos. Embora seja um desafio de enorme complexidade, o futuro passa por aqui.” Esta tecnologia resulta de quatro anos de investigação e passou por várias etapas. Primeiro, a equipa reuniu um conjunto de tecnologias e informação (camisola inteligente, telemóvel, informação sobre o estado do tempo, etc.) que lhe permitisse obter e processar toda a informação essencial para desenhar a aplicação. A partir daqui, os investigadores utilizaram um algoritmo de aprendizagem para avaliar quatro estados emocionais pré-definidos: euforia, aborrecimento, calma e ansiedade.

A aplicação, que atualiza o estado emocional de hora a hora e envia para correção e validação do utilizador, socorre-se igualmente de sensores do telemóvel para identificar, localizar e perceber o ambiente onde indivíduo está inserido.

Fonte: UC
Foto: UC

 

 

 

 

Duarte Nuno Vieira eleito Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

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Duarte Nuno Vieira, professor  foi eleito, por unanimidade, Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). Professor catedrático da FMUC e professor visitante em várias outras universidades portuguesas, europeias e sul-americanas, bem  como na Universidade para a Paz das Nações Unidas, Duarte Nuno Vieira é Presidente do Conselho Europeu de Medicina Legal, Presidente do Conselho Forense Consultivo do Procurador do Tribunal Penal Internacional, Presidente da Rede Ibero-Americana de Instituições de Medicina Legal e Ciências Forenses, Presidente da Associação Portuguesa de Avaliação do Dano Corporal e Vice-Presidente da Confederação Europeia de Especialistas em Avaliação e Reparação do Dano Corporal.

Duarte Nuno Vieira tem integrado múltiplas missões internacionais realizadas em países da Europa, América Latina, Médio-Oriente, África, Australásia e Ásia, sobretudo no âmbito dos direitos humanos, sob os auspícios da ONU, Cruz Vermelha Internacional, Comissão Europeia e Amnistia Internacional.

De entre as muitas distinções nacionais e internacionais que recebeu, destaca-se o Douglas Medal Award, o mais prestigiado prémio mundial no âmbito das ciências forenses. Ainda na qualidade de especialista forense, foi anunciado este mês que o professor catedrático irá integrar o comité executivo do grupo de trabalho de Patologia e Antropologia Forenses do comité permanente da Interpol, que se dedica à identificação de vítimas de desastres em massa.

 

Fonte: Gabinete de Imprensa da Universidade de Coimbra
Foto: DR

Ver com “olhos de ouvir” – Estudo liderado pela UC revela forte plasticidade cerebral em pessoas surdas

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Os surdos congénitos apresentam uma grande neuroplasticidade (capacidade do cérebro se modificar) de longo prazo, fazendo com que o seu córtex auditivo aloje propriedades visuais típicas do córtex visual, revela um estudo internacional liderado pelo investigador Jorge Almeida, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (UC).

Os resultados da pesquisa, já aceite para publicação na Psychological Science, revista internacional de referência na área da psicologia, poderão ser determinantes “para explorar novas abordagens terapêuticas para tratar lesões cerebrais e doenças neurodegenerativas baseadas na neuroplasticidade, e serão centrais para o desenvolvimento de novas gerações de implantes cócleares mais eficazes”, nota o coordenador do estudo.

Os atuais dispositivos”, clarifica o investigador, “estão pensados para explorar a organização típica do córtex auditivo, mas o estudo provou alterações na estrutura, passando o córtex auditivo a deter informação relativa à visão. Será assim necessário repensar a conceção dos implantes cocleares de modo a que estes explorem também a nova organização cerebral.”

Financiado pela Fundação BIAL e por uma bolsa Marie-Curie (na primeira fase), o estudo foi realizado ao longo dos últimos quatro anos e envolveu um grupo de surdos congénitos e um grupo de normo-ouvintes (pessoas sem surdez) Chineses.

Para perceber os mecanismos de receção e reação do córtex auditivo, ambos os grupos foram sujeitos a diferentes estímulos visuais durante a realização de uma ressonância magnética, tendo os investigadores verificado que, no caso dos surdos, o córtex auditivo herda o tipo de processos e potencialmente organização que vemos no córtex visual dos normo-ouvintes.

Estas modificações neuroplásticas “deverão ser responsáveis pela perceção visual periférica superior normalmente apresentada por surdos congénitos”, explica Jorge Almeida.

Entender os “mecanismos que o sistema nervoso central dispõe para se “reprogramar”, modificando o funcionamento do cérebro, é essencial para o desenvolvimento de modelos que expliquem o fenómeno de neuroplasticidade a longo-prazo, ou seja, a compreensão do modo como o cérebro se transforma e adapta a longo prazo, e para a aplicação de terapias baseadas nestes modelos”, conclui o líder do estudo, que contou ainda com a participação de investigadores da Universidade do Minho, de duas universidades Chinesas e uma dos Estados Unidos da América.

A equipa pretende agora avançar com novos estudos em Portugal para explorar mais aprofundadamente a neuroplasticiadade na surdez, nomeadamente como forma de compensação da modalidade sensorial afetada.

 

Fonte: Gabinete de imprensa da Universidade de Coimbra
Foto: DR

 

 

Antigo estudante da Universidade do Minho vence prémio no valor de 430 mil euros para estudar o cancro colo-retal

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Noel de Miranda, ex-aluno do curso de Biologia Aplicada da Universidade do Minho, ganhou a “Bas Mulder Award 2015”, uma bolsa no valor de 430 mil euros atribuída pela Fundação Alpe d’HuZes em conjunto com a Sociedade Holandesa de Cancro. Este prémio será destinado à investigação na área do tratamento do cancro cólo-retal que é, atualmente, a segunda causa de morte por doença oncológica em Portugal.

É uma contribuição preciosa para prosseguir a minha carreira nesta área, adquirir independência e estabelecer o meu próprio grupo de investigação no futuro. Acarreta também um sentimento de grande responsabilidade, uma vez que o financiamento é assegurado através das contribuições de ex-doentes, familiares e outras pessoas que se dedicaram a esta causa”, afirma Noel de Miranda, agora Investigador no Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda.

A sua investigação tem como principal objetivo o desenvolvimento de estratégias que estimulem o sistema imunitário dos doentes com cancro cólo-retal de modo a que este possa identificar e eliminar as células tumorais. Apesar de o sistema imunitário ter a capacidade de reconhecer proteínas anormais produzidas pelas células tumorais, nem sempre se verifica uma resposta imunitária competente nos doentes durante o desenvolvimento de cancro cólo-retal.

O estudo propõe, assim, utilizar as proteínas que se encontram alteradas nas células tumorais para estimular uma resposta imunitária contra as mesmas, algo semelhante ao que é feito através da vacinação contra certas doenças. “Para isto ser possível, o material genético de cada cancro/doente tem de ser analisado através de técnicas de sequenciamento avançadas de forma a determinar que proteínas podem ser usadas para potenciar respostas imunitárias num contexto da medicina personalizada”, esclarece o ex-aluno da Escola de Ciências da Universidade do Minho.

Noel de Miranda, 33 anos, é natural da Póvoa de Varzim. Depois de terminar a licenciatura em Biologia Aplicada na Escola de Ciências da Universidade do Minho, ingressou no Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, para desenvolver um doutoramento na área do cancro cólo-retal. Realizou um pós-doutoramento no Instituto Karolinska, na Suécia, e é atualmente Investigador no Centro Médico da Universidade de Leiden, onde se dedica ao estudo de genética e imunologia em cancro cólo-retal. Noel de Miranda é ainda autor de 27 artigos em revistas científicas internacionais.

 

Fonte: Universidade do Minho
Foto: DR

 

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra colabora com a Interpol

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O professor universitário Duarte Nuno Vieira, antigo presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal, vai colaborar com a Interpol anunciou, no passado dia 26 de Agosto, a Universidade de Coimbra (UC).

Em comunicado, a UC adianta que o professor catedrático vai integrar o comité executivo do grupo de trabalho de Patologia e Antropologia Forenses do comité permanente da Interpol em identificação de vítimas de desastres em massa.

O grupo de trabalho de Patologia e Antropologia Forenses tem como função a identificação de vítimas de desastres em massa, como é o caso de ataques terroristas ou sismos, que raramente conseguem ser identificadas por reconhecimento facial. A identificação das vítimas passa pela comparação de impressões digitais, registos dentários e amostras de DNA com amostras armazenadas em bases de dados ou obtidas através dos pertences das vítimas. Uma vez que as pessoas viajam cada vez mais, existe também uma maior probabilidade de que um desastre em massa resulte na morte de indivíduos de várias nacionalidades, o que reflecte a necessidade de um esforço internacional nestas situações.

O grupo de peritos onde vai ser inserido o professor Duarte Nuno Vieira inclui mais seis membros de outras nacionalidades (Guy Rutty e Sue Black, do Reino Unido, David Ranson e Peter Ellis, da Austrália, Peter Knudsen, da Dinamarca e Antti Sajantila, da Finlândia). O comité tem como missão “coordenar os trabalhos do grupo internacional de peritos que proporciona aconselhamento e assistência à Interpol, no âmbito de procedimentos de coordenaçãoo e de estandardização internacional de protocolos operacionais em situações de desastres em massa”. Segundo a UC, os procedimentos definidos por este comité são essenciais no espaço das intervenções em situações reais de catástrofe e numa coordenação internacional mas efectiva.

Professor catedrático na UC, Duarte Nuno Vieira presidiu durante 13 anos ao Instituto Nacional de Medicina Legal (entre 2000 e 2013), e é actualmente, presidente da Rede Ibero-americana de Instituições de Medicina Legal e Ciências forenses, sendo nessa qualidade que integra o comité permanente da Interpol.

 

Fontes: Agência Lusa, Universidade de Coimbra, www.interpol.int

Foto: UC

Cientista português participa em estudo que que identifica receptor ligado ao autismo e à esquizofrenia

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A perda de um neurotransmissor num tipo específico de neurónios causa perturbações do desenvolvimento do sistema nervoso, levando ao aparecimento de defeitos comportamentais semelhantes aos registados na esquizofrenia e no autismo. Um dos autores da investigação, publicada na conceituada revista Molecular Psychiatry, foi o cientista português António Pinto-Duarte, investigador na Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD).

O objectivo do estudo, realizado em ratinhos, era identificar o receptor que provoca um desenvolvimento anormal do sistema nervoso, por não estar presente numa determinada classe de neurónios. A investigação mostra como a perda de um dos receptores de glutamato, denominado “mGluR5” (metabotropic glutamate receptor 5), pode estar relacionado com alterações ao nível do desenvolvimento neuronal.

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Em comunicado à agência Lusa, António Pinto-Duarte afirmou: “ Verificamos que a perda do receptor mGluR5, especificamente nos neurónios parvalbuminérgicos de ratinho, durante o desenvolvimento pós-natal, alterava as funções normalmente desempenhadas por esses neurónios na rede neuronal”. A consequência é o aparecimento de “defeitos comportamentais semelhantes aos verificamos em doenças como a esquizofrenia e o autismo” e que incluem “comportamentos repetitivos e problemas de socialização”, explicou o cientista português.

Esta descoberta, permitiu, segundo os seus autores, “reforçar a ideia de que a configuração da rede neuronal pode ser afectada no período pós-natal, e não apenas durante a gravidez, confirmando a particular vulnerabilidade e susceptibilidade desse período a fenómenos patofisiológicos”. De acordo com António Pinto-Duarte, o resultado da investigação “é relevante, não apenas por identificar um novo alvo terapêutico, mas também por servir de motivação a estudos futuros, que possam conduzir a que esse défice possa ser, eventualmente, compensado através de estratégias farmacológicas ou por terapia genética”.

A importância do receptor mGluR5 já tinha sido demonstrada por outros trabalhos científicos, através das consequências relacionadas com a sua eliminação total no cérebro. No entanto, explicou o investigador, “até agora, ninguém tinha estudado a sua função específica numa classe de células nervosas inibitórias, denominadas neurónios parvalbuminérgicos, que se pensa serem cruciais para os mecanismos cognitivos”. Pinto-Duarte sublinha que serão necessários mais estudos para confirmar, de forma contundente, a ligação aos receptores, mas que “tal abriria portas a eliminar, ou pelo menos minimizar deficiências comportamentais que muitas vezes afectam de forma significativa a vida dos indivíduos e a sua normal integração na sociedade”.

O investigador português é o segundo autor do estudo, que foi coordenado pelos investigadores Terrence Sejnowski e Margarita Beherens do Instituto Salk, e Athina Markou, da Universidade da Califórnia de San Diego.

 

Fontes: Jornal Médico, Ciência Hoje e Lusa