Entrevista a Sandra Correia, CEO da Pelcor

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A Pelcor é uma prestigiada marca portuguesa de produtos de moda de pele de cortiça. Sandra Correia, CEO e fundadora da Pelcor, conta-nos em entrevista o seu percurso, como venceu numa indústria masculina, como foi que alcançou o reconhecimento internacional que a Pelcor detém atualmente e quais os seus objetivos para o futuro. Prémio Mulher Mais Empreendedora da Europa em 2011, Sandra foca também temas como o papel das mulheres no mundo empresarial.

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Boa tarde Sandra, em primeiro lugar queria-lhe agradecer a sua disponibilidade para esta entrevista, acredito que a sua agenda seja muitíssimo preenchida, mas de facto quando surgiu a oportunidade de me encontrar consigo e após uma breve pesquisa sobre o seu historial não tive quaisquer dúvidas sobre o quanto posso aprender consigo, enquanto futura gestora (penso eu) mas mais abrangente ainda enquanto mulher que quer uma carreira interessante e se possível internacional e com impacto nacional, três requisitos que a Pelcor trouxe sem dúvida alguma ao seu percurso.

Se calhar antes de passarmos à Pelcor, a marca que a Sandra fundou e que tem alcançado um sucesso enorme, começamos por falar sobre si. A Sandra foi criada no mundo da cortiça e estudou Comunicação Empresarial na universidade, sempre soube que o seu caminho estava na inovação e expansão do seu negócio de família?

Não (risos). Eu quando era jovem queria ser jornalista, aliás era um sonho que tinha e por isso mesmo fui estudar Comunicação Empresarial, ou seja, publicidade, marketing, jornalismo e relações públicas, porque sempre gostei muito de comunicação e depois via os apresentadores na televisão e via repórteres na rua a fazer reportagens e… era o meu sonho, pronto, só que conforme fui fazendo os anos da faculdade comecei a aperceber-me de que afinal não era bem aquilo que eu queria, queria sim trabalhar mais na área do marketing. E foi realmente aí que eu percebi que o Marketing era a minha grande paixão. O que é que acontece, quando eu terminei a faculdade ainda trabalhei em Lisboa a vender seguros, mas eu queria pôr em prática aquilo que tinha aprendido. E então o meu pai fez-me um convite: porque é que eu não ia fazer uma experiência na fábrica e lá trabalhar durante um tempo? Foi um desafio que aceitei, como muitos outros que tenho na minha vida, e voltei para o Algarve e fui trabalhar na fábrica. E fui implementar tudo aquilo que eu tinha aprendido: boletins de comunicação interna, estabelecer a comunicação entre as pessoas, criar a newsletter da companhia… Paralelamente, ao mesmo tempo, ia para as máquinas dos trabalhadores e aprendia com eles a trabalhar a cortiça, como é que a máquina trabalhava, como é que a cortiça é antes de entrar e como é que fica depois de transformada, e como eu cresci no mundo da cortiça, comecei a sentir a cortiça como uma paixão. E pronto, a partir daí o namoro deu em casamento!

“(…) e como eu cresci no mundo da cortiça, comecei a sentir a cortiça como uma paixão. E pronto, a partir daí o namoro deu em casamento!”

Por acaso estava à espera que fosse um sim! Mas é mais interessante um não. Continuando, a Pelcor surgiu em 2003, após um período difícil vivido na Nova Cortiça e inclusivamente de excesso de matéria-prima, correto? Mas de onde lhe veio o conceito do famoso guarda-chuva em pele de cortiça?

Há vinte anos que eu trabalho nesta área, e durante dez anos, mais ou menos, fui passando estas fases todas de produção e desenvolvimento, e no fundo já dominava as áreas todas da fábrica e da empresa. Mas o mundo da cortiça é um mundo masculino, é uma indústria masculina, e como eu era uma mulher jovem, com 28/29 anos, numa indústria onde a média de idades são 50/60 anos e homens, sentia-me um bocado um “peixe fora d’água”, e tive que encontrar uma forma de me sentir melhor nesse mundo, então na altura associei-me à Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias e fui fazer uma feira em Almeria. Por ser uma indústria masculina, tive que me impôr e impôr o meu estilo. E graças a Deus, não senti desigualdade de género. Talvez ser mulher e ser jovem fosse uma deficiência, mas também era algo a meu favor…

Diferenciador…

Exato, os homens mais velhos achavam graça, então deixavam! Deixavam eu aparecer, eu negociar, deixavam eu crescer, no fundo. Pronto, isto só para fazer aqui o meio ambiente. Quando nós tivemos em 2000 essa altura menos boa, que eu chamo de época de criatividade ou oportunidades, tivemos um excedente de matéria-prima. Eu na altura já conhecia alguns produtos em cortiça, carteiras sobretudo, umas coisas muito feias, muito artesanais. E como tínhamos cortiça a mais, porque não fazer algo diferente e mais feminino? Então, como ia estar a representar a Nova Cortiça nessa feira, pensei: vou levar o primeiro objeto que eu fizer – e o primeiro objeto foi o guarda-chuva. Porquê o guarda-chuva? Porque era um produto diferente, um produto diferenciador, também porque o fabricante dos guarda-chuvas estava perto, no Algarve, e eram pessoas que eu conhecia. E ao mostrar na feira o guarda-chuva, a apetência das pessoas foi de tal forma tão grande e…”uau”, que eu disse “pronto, aqui está, a partir daqui vou criar uma linha de acessórios de moda”, e assim nasceu a Pelcor.

A gama de produtos da Pelcor não se pode adjetivar com preços baixos, foi claro para a Sandra desde o início que a aposta seria na qualidade e que o preço se iria rever nessa alta qualidade?

Sim, de início, se calhar nos primeiros 5/7 anos, a Pelcor teve de se impôr pela qualidade, pela diferenciação, mas sobretudo teve de se impôr como uma marca que tinha que habituar as pessoas, como é que eu hei-de dizer isto…o papel da Pelcor no fundo foi abrir um novo nicho de mercado, em Portugal e lá fora, mas também entrar na cultura das pessoas e abrir um leque, uma visão nova, um novo conhecimento para as pessoas. Ou seja, as pessoas estavam habituadas a ver cortiça em rolhas, em pavimentos, mas nunca tinham pensado em cortiça como moda, e isso requeriu um grande trabalho da marca e de qualidade do produto. Quando se trabalha uma marca assim, quando se abre um setor, uma área nova, o produto nunca pode ser barato. Porquê? Porque requer estudo, requer todo o marketing à volta, requer design… Hoje, somos uma marca de moda, uma marca premium, onde realmente investimos bastante no design – temos uma diretora criativa que é a Eduarda Abbondanza, da Moda Lisboa, que nos dá toda uma visão e linguagem às coleções.

Portanto, para além de todos os custos envolvidos, apesar de a cortiça ser um material conhecidamente português, a Sandra não queria que os produtos se tornassem banais, queria sempre o fator “uau, isto é uma mala de cortiça, como é que eles fizeram?”.

Precisamente, diferenciação. E foi esse o caminho, se a Pelcor foi a primeira no mercado, antes não existia nada do género, hoje temos a Pelcor e todo o resto, que eu chamo de artesanato, que tem outra linguagem, outra marca, e ainda bem que existe porque é para outro um tipo de mercado.

Por exemplo, o que se vê muitas vezes à venda nas estações de serviço.

Sim, isso é artesanato, e foi um nicho que não existia e que graças à Pelcor foi aberto. No fundo, a Pelcor foi a pioneira, ou como eu costumo dizer, a “category one”.

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É verdade, por curiosidade, “Pelcor” é uma amálgama abreviada para “pele de cortiça”, presumo. E não é um nome português difícil de ser pronunciado por estrangeiros, foi já a pensar nisso?

Lá está, nasceu dessa analogia, pele e cortiça. Lá fora é “cork skin”. Não foi a pensar nessa facilidade, aliás se eu soubesse naquela altura o que sei hoje, tinha se calhar utilizado outro nome, se calhar não é o nome ideal, mas é um nome que não é muito usual e que fica nas pessoas, para além de que o nome hoje já ganhou a sua própria identificação e marca.

De modo a dar uma noção do nível de internacionalização da marca aos nossos leitores, pode falar um pouco sobre as conquistas lá fora? Pode-se dizer que o grande salto se deu com o convite do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque)?

Sim sim, foi. O convite em 2010 do MoMA para a Pelcor participar na exposição “Destination Portugal”, em que participaram variadíssimas marcas portuguesas, abriu-nos realmente a porta para a exportação. Mas é preciso um trabalho constante, e a Pelcor só começou a entrar no mercado americano passado dois anos. Ou seja, durante dois anos, se eu já estivesse preparada, com uma estrutura própria para dar seguimento, se calhar tinha entrado logo no mercado americano em 2010. E é isso que eu muitas vezes tento transmitir aos outros empreendedores, apesar de este ser um conhecimento que não vem em lado nenhum, não há nenhuma Bíblia, por mais que uma pessoa estude a vida toda nunca vai aprender como é que se faz, porque cada caso é um caso. E o meu caminho e o da Pelcor tem sido muito abrir portas, é um caminho de cabras como eu costumo dizer, porque à nossa frente não há ninguém. E agora já estou eu própria a criar a minha Bíblia!

Estamos na Europa do Norte, estamos no Japão, na China, na Austrália, nos EUA…e este último é o mercado mais desenvolvido e apetecível, porque o mercado americano gosta muito da marca, gosta muito de todo o tipo de produtos que são eco-friendly. E agora o grande desafio é potenciar a Pelcor como uma marca premium lá. Porque eu também não quero a Pelcor nos EUA apenas em lojas online que vendem tudo e mais alguma coisa, o objetivo é que a Pelcor esteja implementada nos Estados Unidos como uma Furla, uma Longchamp, uma Coach, e é para isso que estamos a trabalhar.

Quais os próximos mercados-alvo? Eu ouvi qualquer coisa sobre a América do Sul…

Sim, a América do Sul é o próximo mercado-alvo principal, porque aí temos o Brasil, temos a Argentina, o México, o Perú…e podemos ir através dos EUA.

Acontecimentos como a Madonna ser uma compradora das malas de cortiça da Pelcor, ou como a encomenda de 1500 individuais Tablemats feita por uma princesa da Arábia Saudita, ou como os desfiles na Paris Fashion Week, enchem-lhe as medidas? Deve estar muito orgulhosa de toda a sua equipa.

Sim, eu estou orgulhosa de tudo aquilo que a Pelcor tem feito. Passa muito pela resiliência, por não ter medo, concretizar, e pela equipa acreditar na minha visão, que só é possível através de uma forte comunicação interna, algo que eu prezo muito.

A Sandra já recebeu vários prémios, mas o que salta de facto à vista (até agora!) é a distinção pela parte do Parlamento Europeu como Melhor Empreendedora da Europa em 2011, seguida de outro prémio de inovação recebido em Londres, no Pure International Fashion Show. A minha pergunta é a seguinte: a Sandra acha que uma empresária deve ter consciência das dificuldades acrescidas que enfrenta por ser mulher ou deve mentalizar-se de que as oportunidades são iguais para os dois sexos e que está a competir ao mesmo nível?

Estão a competir ao mesmo nível, o facto de ser mulher ou ser homem não impede nada. O que existe está na cabeça das pessoas. Homem e mulher são iguais no sentido em que nem um vende Marte nem outro vende Vénus, vimos do mesmo mundo e vamos os dois para o mesmo mundo. O que acontece é que os homens têm características que são opositoras às características das mulheres, nem é bom ter só homens, nem é bom ter só mulheres, o ideal é a junção das duas características. As mulheres hoje têm de competir, tal e qual como os homens competem, num mundo igualitário. E ganha quem tem melhores capacidades, quem consegue capacitar-se da melhor forma, e conseguir competir ao mesmo nível, sem medos.

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Algum truque para as mulheres que hoje em dia se batem com problemas de discriminação nas empresas onde trabalham? Como por exemplo não serem nem consideradas para cargos de chefia.

Isso vai mudar. Neste momento o governo está a negociar sobre o sistema das quotas, porque atualmente temos 18 empresas (se não me engano) cotadas na bolsa e temos menos de 30% de mulheres em cargos de decisão, em conselhos de administração, etc. Esse sistema de quotas foi criado pela Noruega, porque o PM da Noruega achou que as norueguesas tinham tantas capacidades quanto os seus homens, e nos EUA esse sistema de quotas também está em vigor. Então, o que acontece é que as empresas vão ser aconselhadas até 2018 a terem 30% de mulheres no seu conselho de administração. Se até 2018 essa situação não se verificar, então o Governo português considera mesmo a hipótese de tornar obrigatória essa percentagem dentro das empresas.

As mulheres só têm realmente é de quando sentirem discriminação partilharem com as entidades que estão a ser discriminadas, e não calarem-se, porque a discriminação já é um crime, este é o primeiro ponto. O segundo ponto é imporem-se, e nas grandes empresas o sistema das quotas vai realmente levar a uma transformação na sociedade, estou plenamente confiante.

Sim, por enquanto pode ser aconselhado, até obrigatório, mas daqui a pouco tempo vai ser completamente natural, também acho.

Vai, vai, basta ver as estatísticas universitárias e 64% das licenciadas são mulheres, dados de 2014. Nós vamos ter as mulheres em peso no mercado de trabalho, inevitável, e depois isso ainda dá origem a outra coisa muito interessante que é, numa família, independentemente do tipo de família, a mulher é que geralmente tem a tomada de decisão nas compras – o que vai comprar para comer, o que vai comprar de roupas para os filhos… Se uma mulher que tem um cargo usual, ganha imaginemos 50, mas se com o sistema das quotas, as mulheres começarem a ter mais cargos de chefia, se passarem para os conselhos de administração…elas não ganham 50, elas ganham 100. E se vão ganhar mais, vão gastar mais, porque são elas que têm a decisão das compras, e se vão gastar mais a economia no seu todo vai crescer. Portanto, há todo um sistema muito interessante social e pode haver realmente uma mudança social e uma contribuição a nível económico para o país.

Nunca tinha pensado nessa perpetiva, é de facto muitíssimo interessante… Falando agora de outros projetos que a Sandra tem em mãos, após ter sido convidada para um projeto internacional de empreendedorismo promovido por Barack Obama (aliás, a única convidada(o) portuguesa), o New Beginning, decidiu trazer para Portugal a versão portuguesa desse movimento, A New Beginning For Portugal, como está a ser a adesão nacional?

Eu fiz esse programa de três semanas com mais 27 empreendedores do mundo inteiro e quando terminámos esse programa de Business, Innovation and Entrepreneurship, fomos convidados a trazer para o nosso país uma missão: o que aprendemos lá, aplicar cá. E foi isso que eu tentei fazer, convidei as pessoas a partilhar os seus sonhos comigo e com as pessoas no geral e a concretizar esses sonhos e transformá-los em negócios, com a nossa ajuda se necessário. Nós criámos então um sistema que era o Challenge 1 que consistiu em, durante três meses, as pessoas tinham que partilhar um objetivo e três metas de três áreas diferentes em prol desse objetivo, e validá-las: mente, corpo (a pessoa tem de se sentir fisicamente bem com ela própria) e espírito. E correu muito bem, éramos 200 na altura. Neste momento está a ser iniciada a segunda versão, o Challenge 2, e somos 400 membros. Em resumo, estas pessoas estão mais felizes, há marcas que foram criadas do nada, pessoas que já foram falar à televisão não sei quantas vezes, há outras empresas que já estão em fase de internacionalização e tudo. Há sucessos realmente incríveis e o projeto vai terminar dias 17 e 18 de outubro, em Lisboa, no festival ANB, onde vamos trazer empreendedores americanos que vão partilhar a sua experiência, entre outros. Palestras, workshops, concerto… Vai ser muito giro.

Muito interesante terem apostado numa visão holística, não só na parte do business, mas mas na procura de uma vida saudável, equilibrada.

É de facto essencial, para conseguirmos viver neste stress, neste mundo de energias tão grande, temos de ser um ser inteiro.

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Por fim, acha que um dos caminhos para Portugal sair de vez da crise e se livrar da imagem que esta deixou sobre o país lá fora é apostar nas empresas que, tal como a Pelcor, pegam nos recursos naturais de Portugal e se focam na qualidade e inovação e não na produção em massa?

Portugal tem de apostar nos produtos de nicho de mercado. Portugal nunca será um país de produção em massa, porque somos pequeninos e comparativamente não temos essas capacidades. Temos sim de apostar nas nossas PMEs e temos de aprender muito a nível de marketing, como vender bem os nossos produtos, as nossas marcas, e ir lá para fora para internacionalizar, exportar, sempre mantendo as qualidades que Portugal tem.

 

Fotos: DR

Mãe Carmo: o sonho moçambicano

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Versatilidade é uma das palavras que melhor define Carmo Jardim. Directora de Relações Governamentais e Institucionais da Volskswagen Autoeuropa, divide o seu tempo entre o trabalho de todos os dias e um dos seus projetos de vida, a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique. Sem filhos, é mãe de vários jovens moçambicanos por quem move mundos e fundos no sentido de lhes proporcionar melhores condições de vida e de educação. O projeto conta também com a colaboração de alguns padrinhos, que se juntam a Carmo Jardim nesta vontade de fazer a diferença na vida dos outros. ‘Mãe Carmo’, como é conhecida entre a comunidade que apoia, move-se por sorrisos e diz que criar a organização foi o concretizar de um sonho. Com orgulho no que já conquistou, mas consciente de que ainda há um longo caminho a percorrer, Carmo Jardim partilha histórias, sucessos e projectos para aquele que é um dos grandes projectos da sua vida, a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique.
Quando e como surgiu esta paixão por Moçambique?
Moçambique está no meu coração desde que eu me conheço como gente. Não nasci lá, só por acaso… Mas foi lá que eu passei a minha infância e a minha adolescência, foi lá que cresci e me fiz mulher.
O que é que estas pessoas têm de especial?
Quando se cresce numa terra como Moçambique, ao lado daquele povo tão sacrificado e encantador, é impossível não ficar amarrado para sempre! São pessoas que atravessam os momentos mais dramáticos e as situações mais difíceis com uma enorme coragem e confiança num futuro melhor. Infelizmente parece que esses tempos melhores ainda tardam a chegar. E é por essa razão que tudo o que possamos fazer para as ajudar é sempre pouco.
Como é que surgiu a ideia de criar a ONG SIM?
Desde que regressei a Moçambique pela primeira vez depois da independência, em 1995, que pude observar as condições de extrema carência em que viviam muitas comunidades. Fui sobretudo muito sensibilizada pela marginalização chocante das comunidades de pescadores do arquipélago do Bazaruto, que eu visitara muitas vezes na minha juventude. Fui ajudando como pude, com os meus modestos recursos pessoais e o contributo de alguns amigos, e a um dado momento falando com amigos moçambicanos pensámos que uma ONG teria outras oportunidades de captação de apoios. Assim nasceu a ONG SIM, Solidariedade Internacional a Moçambique.
Que projecto é este?
É o projecto de uma vida, da minha vida. Venho de uma família de muitos irmãos, tenho muitos sobrinhos que amo como filhos e a um certo passo da minha vida decidi não ter filhos e dedicar as minhas energias a ajudar causas, ajudar aquelas pessoas, que eu mal conhecia, mas cujos sacrifícios me doíam tanto. Os recursos são escassos, mas tentamos com imaginação e perseverança ir superando os obstáculos.
Quais são as áreas/regiões de intervenção?
Por agora, e para optimizar os recursos disponíveis na solução de problemas imediatos, concentrámos o nosso trabalho na Zona Norte da Ilha do Bazaruto e no Inhassoro, província de Inhambane, nas areas da educação, da saúde e do ambiente.
De que forma apoia as crianças?
Desde o início que constatámos que o grande obstáculo à promoção social daquelas comunidades era a educação. Com condições muito precárias na escola local, Sitone, da zona norte da Ilha do Bazaruto e sem recursos financeiros para prosseguir estudos no continente, a esmagadora maioria das crianças ou não ia ás aulas ou ficava pelos primeiros anos de escolaridade. Decidimos portanto ajudar a criar condições para tornar a escola mais atractiva. Distribuímos material escolar, roupas, equipamentos desportivos e financiámos obras nas instalações. Argumento decisivo para levar as crianças a gostar da escola foi a distribuição de uma lanche diário, que temos conseguido manter de há alguns anos para cá.
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Que histórias de sucesso nos pode contar?
Nesta matéria, o grande sucesso é fazer chegar jovens à universidade. E temos já dois casos que terminam a universidade este ano, no curso de Direito da Universidade Católica da Beira, o Pedro Maluane, na Universidade da Beira, termina o curso de gestão e finanças a Lucinda Cumbe e no 2º ano de Gestão Agrária na Universidade de Vilankulo o Arnaldo Chibale. Mas para nós, cada criança que avança um ano e dá mais um passo na sua promoção pessoal, é um caso de sucesso também!
De que forma podem outras pessoas apoiar as crianças da ONG SIM?
A forma mais directa, para quem pretenda fazer um contributo pontual, é fazer donativos numa das nossas contas em Portugal ou Moçambique. Também temos o programa de apadrinhamento das crianças, que basicamente consiste em bolsas para estudarem no ensino secundário no Inhassoro, e ainda para o programa do lanche escolar. Nestes dois casos os contributos são regulares e mensais.
Trabalha na Volkswagen Autoeuropa e tem vários compromissos profissionais. Como é que encaixa a ONG SIM no seu dia-a-dia?
Da forma mais natural do mundo: quando há um momento livre, dedico-o à SIM. Quando não há, e é mesmo preciso… invento-o!
O que é que a apaixona neste projecto?
Saber que há um número imenso de pessoas a precisar da nossa ajuda e que tudo o que eu possa fazer faz alguma diferença na vida de algumas dessas pessoas. Não podemos resolver todos os problemas e as desigualdades do mundo, mas podemos fazer a nossa parte. E se cada um fizer a sua parte, podem crer que o mundo vai melhorar e estas pessoas vão ter uma vida um pouco menos dura, pelo menos.
Numa frase, “A ONG SIM é…”
Um sonho feito realidade… E um caminho ainda longo para fazer…
Que planos tem para o futuro? Onde quer chegar com esta organização?
Neste tipo de actividade não há linha de chegada. Só há ponto de partida. No futuro é continuar o que estamos a fazer, tentar juntar mais apoios para poder contribuir para a promoção social de um maior número de crianças e adolescentes, não esquecendo o apoio que também queremos dar aos mais velhos. Há sempre mais e mais a fazer… Espero que a ONG SIM se consolide como um agente activo de cooperação para o desenvolvimento e que durante muitos e muitos anos possa continuar, com mais gente e mais recursos, a obra que vem sendo realizada.
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Para mais informações sobre a ONG SIM – Solidariedade Internacional a Moçambique, pode consultar www.ongsim.org ou visitar a página de Facebook da organização.
Fotos: DR

As viagens de uma vida – Nelson Carvalheiro (entrevista)

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Não há muito tempo, Nelson Carvalheiro, foi declarado Travel Blogger 2014 da Europa. Um português com trinta e três anos, cujas aterragens em terras diferentes ultrapassa a idade! Nelson não fica por aí e partilha as suas experiências com o mundo: People, Travel and Food. Deixando uma marca da sua terra natal, Portugal, em cada local que conhece! As suas três paixões são: pessoas, viagens e comida; conseguindo conciliá-las numa só profissão.Nelson_Carvalheiro-1-72

Nos tempos que correm, com grandes vagas de emigração dos portugueses, embora não se encontre em Portugal, o seu caso não se deve a razões económicas, correto? Como acaba por desenvolver este percurso profissional?

Sim, de facto a razão da minha vinda para a Alemanha não é por razões económicas. Eu fui diretor de dois hotéis Boutique em Lisboa durante alguns anos, isto antes de me mudar para a Alemanha. Um dos locais era o Palácio Belmonte em Lisboa, um local muito exclusivo, é um palácio privado, com construção do século XV, de herança moura e romana e onde os preços médios rondam os mil euros por noite.

Durante este período de tempo foi quando tive a oportunidade de começar a viajar mais e o blogue foi criado no sentido de eu contar as histórias das viagens que fazia junto de hóspedes do Palácio Belmonte. Na qualidade de ser um palácio muito privado e para além de ser diretor, eu acompanhava os hóspedes de uma maneira muito pessoal, muito próxima, no sentido de mostrar o que era Lisboa e Portugal para este tipo de cliente que é high-net-worth individual que gosta do sentido de estar nas localidades, isto é, um cliente que gosta muito de viajar muito pelo mundo e conhecer o destino em profundidade.

Basicamente foi o que fiz no Palácio Belmonte, o qual me fez também começar a contar histórias. As minhas férias eram sempre feitas com estes clientes porque eles após se sentirem tão bem acompanhados em Portugal, acabavam por me convidar a visitar os seus países. Fui passar três semanas à Califórnia, estive no Brasil, Itália, entre outros destinos na Europa e, por acaso, voltando à questão, uma das pessoas que foi cliente do Palácio Belmonte e quem eu visitei, é a minha atual namorada, a Jasmin que é alemã e mora em Berlim…

A razão pela qual me mudei para Berlim é porque me apaixonei e a razão desta viagem é por amor e foi depois de alguns meses de a ter conhecido que entreguei a minha carta de demissão no Palácio Belmonte, mudei-me para Berlim e foi a altura em que comecei o blogue a partir daqui, mesmo para contar estas histórias, destas minhas viagens com estas pessoas do Palácio Belmonte mas depois ao mesmo tempo comecei a contar histórias sobre Portugal e sobre o que é que é viajar pela gastronomia.

Pedia-lhe que nos descrevesse, em breve palavras, o seu percurso académico e a forma como este lhe proporcionou exercer a atual profissão.

Em termos de universidade eu tenho o curso de engenharia, quer queira quer não. Depois quando comecei a exercer funções no Grupo Lena na parte dos hotéis, estive no Brasil, na condução de um hotel, onde depois passei para a parte de gestão. Tenho uma pós-graduação em Gestão Hoteleira e tenho um master em Hospitality Management. O que eu fiz, no intervalo de sair de Lisboa para Berlim, foi em Londres, onde estive durante dois meses, para tirar um curso de fotografias de viagens/ jornalismo de viagem. Foi aqui que aprendi a dar um bocado mais corpo e sentido às histórias que escrevo, para não ser só uma visão pessoal, para ter alguma técnica de escrita.

E o que sente ao exercer a sua profissão?

Eu sinto-o de uma maneira muito singular, porque eu não sou jornalista de formação e a única coisa que faço, e é o sentido que tenho desde que comecei a fazer o blogue, é contar histórias de viagens. É a única coisa que eu quero fazer, contar histórias que sejam inspiradoras para os meus leitores e que os motive a virem a replicar a experiência que eu tive. Como é óbvio esta pequena formação qu tive facilitou a escrita, a informação visual, a fotografia, para que estas sejam mais inspiradoras para os meus leitores.

Que idade tinha quando fez a sua primeira viagem?

Creio que a minha primeira viagem foi para a Grécia, tinha eu quatro ou cinco anos, lembro-me que eles tinham umas frutas enormes, umas cerejas que eram quase do tamanho de maças e umas melancias ainda maiores, quase do tamanho da roda de um carro. Isto deve ter sido em 1985/ 86, o que ficou foi esta pequena ideia de viajar, embora eu não tenha feito grandes viagens até cerca de 2010, fiz umas antes no meu percurso de hotelaria mas viagens profundas foi mesmo só a partir de 2010.

No seu blogue o mapa tem exatamente 49 (quarenta e nove) pins! Corresponde exatamente aos locais que visitou, ou…?

Eu creio que agora o meu story map têm atualmente cerca de setenta e nove, ou quase oitenta pins e considero mesmo, tal e qual está escrito, que é: todos os locais que eu visitei e que caem dentro destas três ou quatro formas que tenho de contar histórias. Que são os meus blogue posts, ou sítios onde eu tirei fotografias interessantes, ou pequenos detalhes que encontrei interessantes nas minhas viagens. Em vez de fazer categorias por uma pequena viagem por locais ou por destinos, usei o mapa, o que permite às pessoas verem dentro do mapa-mundo ver os locais que visitei e saberem o que escrevi sobre aqueles lugares.

Quais, dos locais que ainda não visitou, tem mais curiosidade?

Acho que o primeiro que está na minha lista de viagens é o Paquistão, mas o Paquistão é um destino ainda muito pouco conhecido que costuma ter cerca de dois milhões de visitante por ano, que representa um número relativamente baixo. Mas suscita-me curiosidade, para mim é um país muito exótico, porque mistura toda aquela que é a rota da seda, com a comunidade mongol, com a influência árabe e ainda por cima toda esta parte do pós-União Soviética que ainda está muito presente no local. Creio que é um destino que tem muito, muito potencial, simplesmente pelo facto de ser muito cru e nem sequer falamos de não haverem guias turísticos, onde nem sequer há rede de telemóvel nem qualquer informação turística.

Assim como Burma foi um dos destinos mais falados nos últimos dois/ três anos, eu creio que o Paquistão vai ser um destino muito interessante e que eu gostava de ir. Outro local muito interessante que eu gostaria de ir é as Ilhas Quirimbas, em Moçambique, que são ainda de sobremodo pouco exploradas e que se já toda a gente conhece o que é Zanzibar e toda esta parte da costa oriental africana, as Ilhas Quirimbas estão paradas no tempo.

Há sítios onde poucas coisas mudaram desde os descobrimentos. Elas eram um ponto de paragem para o Vasco da Gama e para todos os descobridores que seguiam rumo à Índia. É então um bocado de Índia misturada com Portugal, misturada com África, misturada com cultura Árabe e acho que é um sítio de sonho que eu quero ir ainda este ano.

Verifica-se que leva sempre consigo um pouco de Portugal e partilha-o com o mundo. Para além de ser atualmente Embaixador da Aptece, quais as razões que o levam a fazê-lo?

Sim exatamente, eu levo sempre um bocadinho de Portugal para todo o mundo, creio que é uma bandeira que eu tenho comigo, apesar de eu não ter uma física nem andar com um Galo de Barcelos atrás, não julgo que seja necessário. Nós somos um país que tem uma tremenda herança cultural e influência em todas as partes do mundo, não há nenhuma viagem que eu tenha feito onde não se veja a influência da cultura portuguesa, seja em Coqueiral, na Índia onde o Vasco da Gama aterrou, seja no Brasil ou mesmo cá na Europa.

Acho que é incontornável nós não falarmos de Portugal quando se fala em viagens, viagens pelo mundo, e é algo que eu tenho sempre presente quando falo com as pessoas, com os meus companheiros de viagens ou entidades de turismo com que falo. É sempre muito bom apresentar esta ideia de que tenho o orgulho de ser português, apesar de não morar em Portugal, mas que tenho esta entidade cultural bem presente.

A minha razão para ser Embaixador da Aptese… Eu sou um rapaz da quinta, os meus avós ainda têm uma quinta de produção agrícola na Marinha da Ondas, perto da Figueira da Foz e foi lá que eu cresci, foi lá que eu comecei a dar valor ao Portugal gastronómico tradicional. Quando recebi o contacto da Aptese, para trabalhar com eles, para mim foi obvio que é algo com o qual me identifico profundamente: a gastronomia.

Eu acho que a gastronomia é um grande inspirador para a viagem a um determinado destino, encaro-a como a cultura que é comestível! Algo que fica dentro de nós, que nós saboreamos, que nos despoleta muito mais emoções que qualquer visita a museus, ou olhar para um quadro ou visitar uma igreja. É algo de interesse que fica dentro do nosso corpo e nada melhor do que eu falar da nossa gastronomia portuguesa nas minhas viagens pelo mundo, tentando dizer às outras pessoas que não é uma questão da minha gastronomia ser melhor, elas são todas diferentes, mas Portugal tem o melhor peixe do mundo!

 

nelson2Afirma que em termos de pequenas ambições pessoais não conhece limites. Quais são as ambições de momento?

Creio que as minhas ambições neste momento são estabelecer o www.nelsoncarvalheiro.com como uma plataforma de inspiração de viagens. Acho que está dimensão do blogue já ultrapassou muito ser as histórias de viagem do Nelson, com a quantidade de pedidos que eu recebo todos os dias do meu email para visitar x destino, ou fazer a avaliação a x hotel, ou falar de x gastronomia… Não sou capaz de ir a todo o lado, nem é o meu objetivo, o que eu fiz foi criar uma rede de amigos que conheço pessoalmente e para quem distribuo estas viagens, das recomendações que eu tenho.

Neste momento estas pessoas, além de eu viajar, viajam por mim, porque assim conseguimos juntar uma visão crítica e honesta do território, principalmente nas viagens pela gastronomia e este grupo de pessoas que eu tive à minha volta, é mesmo com esse sentido de pessoas com quem eu me identifico nas minhas viagens… E que tem um contar histórias parecido com o meu. Como é obvio todo o conteúdo que é colocado online é sempre decorado por mim.

 

Fotos: DR

BET 24 Horas – a reportagem

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A Excelência Portugal teve a oportunidade de acompanhar o evento bet24horas na sua 3.ª edição, que terminou no passado dia 09 de maio de 2015. Um evento em que as 24 horas são, na sua totalidade, focadas somente no empreendedorismo português! Este evento tem o intuito de incentivar os jovens a serem proactivos, empreendedores. No meio de um clima de competitividade os participantes tiveram não só a oportunidade de abrir os horizontes às várias questões a ter em conta no inicio de um projecto de cariz social, startup ou na manutenção dos mesmos, como de ganhar apoios e projecção das suas ideias.
Os jovens que passaram a última etapa dos desafios foram defrontados com a necessidade de fortemente argumentar e defender as suas ideias, expostos a críticas sem papos na língua mas também aos mais honestos parabéns e ofertas de auxílio, networking! De um evento que, embora apenas alguns foram os vencedores, todos saíram a ganhar algo: experiência e conhecimento/ know how! A nossa página tem o orgulho de dar os parabéns a Romina Fernandes, que há tempos nos respondeu a uma entrevista, acerca do seu projecto conjunto com Sara Agotinho, a Pictomed. Romina Fernandes ganhou o Social Entrepreneurs Challenge/ Desafio de Empreendedorismo Social.

Romina Pictomed

Para além desta competição ocorreram, paralelamente, mais três competições! Nesta já referida, como o nome indica, concorreram projectos de cariz social e a grande conhecimento passou na passagem da ideia à prática. O prémio foi nomeadamente 1 000 euros e uma viagem à Tech Hub de Londres, para além de recolher os fundos reunidos na segunda etapa, na campanha de crowdfunding.

A segunda competição denominou-se por Challenge Social Media, que consistiu na análise de um problema de uma startup a níveis da comunicação, sendo o desafio a solução do mesmo! O prémio passou por uma viagem à Tech Hub Europeia. A terceira competição, Challenge Startup 2.0, tocou nas raízes de como desenvolver uma startup, da sua concepção ao sucesso no mercado. Com o prémio de 1 000  euros e viagem à Tech Hub de Londres. A quarta e última competição por sua vez foi a Challenge Startup 2.0 segue no mesmo sentido mas aplicando-se a startups já estabelecidas! Com um prémio de investimento de 5 000 euros e todo o conhecimento para a ampliação e projecção do negócio. Sendo que face a esta última concorrência tivemos a oportunidade de falar com dois participantes!

António Araújo e Manuel Machado Soares foram participantes no Bet 24 Horas, nomeadamente no Challenge Startup 2.0. Ambos jovens de 19 anos são sócios fundadores da empresa 100 Horas na Linha, que está no activo faz três meses. Esta empresa é especializada em serviço ao domicílio durante a noite de quinta, sexta e sábado. O serviço tem à disposição bebidas, comida, tabaco e os seus pontos de entrega são em Cascais, Lisboa e Oeiras. Estes dão o seu testemunho em forma de mensagem na matéria:

Eventos destes são de louvar! Cada vez mais têm sido feitos em Portugal eventos que promovem o empreendedorismo e agradecer ao BET por realizarem um evento deste género, que já não é a primeira vez. Aconselhamos todos os jovens a participar na próxima edição.

Presidente BET

Mas mais do que uma reflexão de participantes a Excelência Portugal falou também com o actual presidente da BET a entidade que organizou o evento! Salvador Barros acerca do que constitui o evento e da origem do mesmo:

(O Bet 24 horas é a) Oportunidade para os jovens empreendedores, isto é, jovens que têm ideias, tirarem-nas da cabeça e comecem a trabalhá-las. Portanto estas 24 horas servem para que em quatro semanas e dois momentos físicos os jovens estejam focados em empreendedorismo em vários pontos de vista. Os participantes do evento dividem-se pelas quatro competições, consoante o seu interesse, sendo o propósito específico a competição.

Quanto à entidade que impulsionou este evento:

O BET surgiu no final de 2011, naquela fase em que se falava na «geração à rasca», «geração perdida», 40% de desemprego jovem em que o mercado não atua, não os recruta… O que aconteceu entretanto é que nós quisemos contribuir para que não houvesse este pessimismo! Decidimos atuar por cima disso, ou seja, decidimos puxar pela proactividade dos jovens e foi assim que nos surgimos. E como é o que o fazemos?

Nós temos aqui uma quase fórmula mágica da forma como agimos, os “4 M’s + S”. Os termos referentes são em inglês porque temos pessoas que não são portuguesas na equipa, sendo esta língua a do elo de todos.

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O que nós queremos no fundo fazer, é ajudar os empreendedores a tirarem as ideias das suas cabeças e começarem a trabalhá-las (mindset), quando decidirem avançar com a ideia após os eventos ajudá-los de facto a encontrar a equipa perfeita (matching), ajudá-los a trabalhar em qualquer fase possível, ao máximo em termos de aconselhamento (mentoring) e depois finalmente ajudá-los a conseguir investimento junto de investidores com os quais metemos em contacto. Procuramos ajudar o empreendedor em todo o seu percurso até que já não necessite de nós e consigam assim meter as suas ideias no mercado! Dar vida aos problemas que querem resolver…”

Como tem sido a experiência na realização deste evento?

“Face ao Bet 24 Horas esta é já a sua 3.ª edição, nas outras edições o modelo era um bocado diferente. Nesta edição o processo esteve dividido em duas fases, foi uma experiência que tivemos noutros modelos de desafios que tem dado resultado, que é um compromisso com as ideias. Portanto numa primeira fase, de quatro semanas e no final os que aparecem, não há seleção, são no geral pessoas que veem por vontade própria, ou seja, a priori são os que vêem com compromisso.

Tem sido muito giro ver porque de facto as pessoas que aparecem vêem já com trabalho feito! Com qualidade e até surpreendentes com o grau de desenvolvimento. Por isso decidimos trazer este modelo para o Bet 24 Horas. Além disso a parte que achamos que acrescenta mais valor da nossa forma de actuar é o apoio e investimento como na Uniplaces, Chic By Choice, Follow Price que já conseguimos ajudar… Já ajudamos startups num levantamento superior a meio milhão de euros em quase quatro anos de actividade. Portanto tem sido muito interessante, muito reconfortante que estamos a cumprir o objectivo…”

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Fotos:  DR

Home Lovers – entrevista a Magda Tilli

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A Home Lovers nasceu quando Magda e Miguel Tilli queriam fazer uma mudança de vida. Depois de uma tentativa infrutífera no ramo imobiliário e deparados com o desemprego, decidiram ser a própria solução. Lançada no facebook, hoje esta mediadora é um caso de sucesso e uma referência no empreendedorismo.
Ajudar a encontrar a casa de sonho é o principal objectivo deste empresa que se distingue pela originalidade e pelas suas casas trendy e com alma. Conta já com 30 funcionários e espaços em Lisboa, Cascais e no Porto.
Fomos conhecer a sua casa e falar com a Magda, responsável pelo marketing. A palavra paixão foi a mais recorrente ao longo da entrevista. Nada que irá surpreender o leitor depois de a ler pois a Home Lovers deixa qualquer um apaixonado.

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Como surgiu a Home Lovers?

Em 2011, eu e o Miguel abrimos uma agência imobiliária tradicional. Passados seis meses, vimos que não estava a resultar. Foi bastante complicado porque estávamos os dois envolvidos e ficamos os dois parados. Foi aí que pensei em criar uma página no facebook, muito para ocupar o tempo que estava disponível e a paixão que continuávamos a ter pelas casas. Não tinha custos nem prejuízos. Foi muito intuitivo!

Como foi entrar num mercado à partida já sobrelotado e que acarretava algum risco?

Bem, nós já tínhamos experienciado que o modelo tradicional, com uma loja física, não ia funcionar no mercado. Quando criámos a página no facebook chamava-se inicialmente “Casas em Lisboa”, era só arrendamentos e não sabíamos concretamente o nosso conceito. Foi através de muitas tentativas e erros que se chegou a Home Lovers. Mas para entrar neste mercado para nós o que mais pesou foi a paixão. Foi a paixão pelas casas que nos fez continuar a estar neste ramo. Apenas tínhamos de mudar de direcção.

As redes sociais foram o vosso ponto de partida, neste caso, o facebook. Como foi escolher este meio?

Exactamente! Há uns anos atrás quase não havia comércio nas redes sociais e nós acompanhamos esta forte tendência crescente. Inicialmente diziam-nos que ninguém ia comprar uma casa que visse no facebook e nós viemos mostrar que é possível, se feita a abordagem certa! É muito interessante porque os nossos clientes não são apenas os últimos intermediários, os que compram as casas. Existem muitas pessoas que nos seguem e que vão vendo as casas na nossa página. Estas recomendam a outras pessoas espontaneamente, muitas vezes até com comentários nas publicações, e a divulgação decorre de uma forma muito natural.

O que de melhor se pode aproveitar destas?

Acho as redes sociais trazem, principalmente, uma enorme proximidade. Até podem não ser os compradores finais, mas é uma enorme mais valia estar tão próximo das pessoas. É um contacto não presencial mas que está muito presente. Para além disso, esta proximidade gera confiança, que é algo fundamental em qualquer marca. Existe depois a vantagem das partilhas e da divulgação, que decorre tanto virtualmente e como de “boca em boca”.

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E que o é mais difícil de lidar?

A obrigatoriedade da resposta rápida! Esta presença e facilidade das pessoas comunicarem connosco no facebook obriga-nos a ter de estar muito disponíveis a responder às perguntas e pedidos. Como as pessoas consultam as redes sociais a qualquer hora do dia, existe a tendência de perguntarem e pedirem informações fora do nosso horário de trabalho.

No início do projeto, quando éramos apenas duas pessoas, foi difícil conseguir dar sempre uma resposta com rapidez. E não tínhamos ainda um sistema de call center interno, eram os nossos números pessoais. Tínhamos pessoas a ligarem-nos ao domingo, já bem de noite! As pessoas ficam impacientes e querem muitas vezes soluções rápidas. Agora é mais fácil pois temos pessoas responsáveis por isso, mas pode ser complicado no início.

 

O que é que a Home Lovers veio acrescentar de diferente para atrair tanta atenção?

Começámos e fomos os pioneiros. Embora já haja uma maior preocupação das agências imobiliárias em estar presente nas redes sociais, termos sido os primeiros ajudou a criar uma referência. Temos também algumas características próprias. O facto de não termos uma loja mas recebermos as pessoas numa casa vai de encontro à relação que queremos ter com os nossos clientes. Temos também uma linguagem própria. A palavra imóvel não existe no nosso vocabulário! Também não temos vendedores. E tratamos o cliente sempre pelo seu nome.

Depois, viemos acrescentar um conceito diferente ao mercado. As nossas casas têm uma identidade comum.

 

Esta identidade é uma das chaves do negócio. O que é uma casa “Home Lovers”?

É uma casa pela qual nós nos apaixonámos! As nossas casas são muito diversas, temos T1 e palacetes do século XIX. Mas são todas casas onde dá gosto viver, que tem a personalidade. A localização é o segundo fator mais importante. As casas Home Lovers estão localizadas em zonas mais históricas e tradicionais mas acima de tudo zona de interesse. No início custou-nos muito rejeitar algumas casas que nos chegavam mas foi por esta seleção que conseguimos criar a nossa identidade. As casas tem um carimbo Home Lovers!

 

O facto de estarem mais perto das pessoas faz com que a escolha das casas seja mais emocional.

Claramente! Achamos que a escolha tem de ser sempre emocional. “Tenho que sentir que que pode ser minha”. O objectivo é que as pessoas sintam que possam viver nelas!

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As casas da Home Lovers parecem sempre mais alegres e acolhedoras. Como conseguem este efeito tão apelativo?

Sim, de facto damos grande atenção à forma como as casas são exposta. As casas precisam de ter movimento, de estarem habitadas, vividas. A fotografia é muito importante e investimos nesta parte desde o início. Quando vamos fotografar uma casa temos um enorme cuidado com a luz e somos muito perfeccionistas. Tentamos mostrar o potencial de viver nelas. Mas sem esquecer que uma casa inclui as pessoas e a sua vida. Muitas vezes preferimos que a estante esteja desarrumada ou o sofá com mantas porque as casas com vida são mesmo assim!

 

O que acha que os portugueses precisam para se apaixonar por uma casa?

Bem, pela minha experiência as casas de banho e a cozinha são as divisões que mais pesam na escolha entre casas. Características como os tetos trabalhados ou as madeiras também se revelam na hora de decidir.

“E pela minha, basta a mulher apaixonar-se que já não há volta a dar!” [risos.] (Miguel Tilli)

Neste momento, existe uma tendência diferente para a escolha da casa, principalmente em Lisboa. É dada uma maior importância a espaços exteriores e varandas. A luz e a própria história e contexto da casa são factores que pesam mais. Quere-se cada vez mais viver a essência do local e evitar os arredores. As famílias preferem agora estar próximas das zonas históricas e culturais, dos jardins, do mercado local. Se calhar não se importam tanto de não ter lugar de garagem pois ganham com a proximidade à cidade.

 

A própria Home Lovers é também uma casa com muitos residentes. Como é esta equipa?

Acho que também somos uma casa feliz! [Risos.] A nossa equipa é muito familiar e tentamos que cada um se sinta bem, se sinta em casa. A multidisciplinaridade é fundamental e temos pessoas de áreas diversas. Todas partilhamos a mesma paixão por esta área e temos algumas pessoas que foram nossos clientes e agora são nossos colaboradores, o que é incrível! O facto de eu o Miguel sermos um casal tem alguns contrapontos mas traz dinamismo e coerência ao projecto.

Outro aspecto que nos caracteriza é que aprendemos muito com os clientes e estamos dispostos a ouvi-los. A criação do nosso site teve origem em alguns seguidores que nos diziam que seria mais fácil organizar a pesquisa se houvesse outro suporte para além da página do facebook. É importante estarmos em sintonia e dispostos a mudar.

 

A sociedade portuguesa, em geral, julga muito os fracassos enquanto noutras o fracasso é visto como um passo necessário para o sucesso. Como foi lidar com insucesso inicial?

O primeiro choque é complicado mas depois disso temos de reagir. Como tínhamos filhos e estávamos os dois na mesma situação, não tínhamos alternativa senão seguir em frente. E esta tentativa foi fundamental para perceber o que é que não funcionava no mercado. O insucesso serve para sabermos que o caminho não é por ali e que temos de mudar de direcção. A paixão e o interesse que temos por este ramo fez com que não desistíssemos e quando vimos que podia existir uma alternativa, neste caso o facebook, decidimos apostar. E acho que fizemos bem!

 

O que espera da Home Lovers daqui a 5 anos?

Acho que é muito importante estarmos a evoluir e nunca estagnar. É preciso fazer alterações e aprender com os erros. Daí ser difícil de saber o que espero daqui a alguns anos. Sei de certeza que vamos continuar apaixonados pelas casas e com a mesma vontade de a partilhar.

Existe uma ideia de crescimento com os clientes que já experienciámos e que queremos manter. Desde os jovens que procuram a primeira casa para partilhar, depois a casa para viver com os namorados, o aparecimento dos filhos a necessidade de uma casa maior… A vida do cliente cresce com as casas e nós queremos continuar a fazer parte disso!

 

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Fotos: DR

Médica madeirense premiada pela Universidade de Toronto

carinaCarina Freitas, madeirense e estudante internacional de Ciências Médicas no Canadá, foi distinguida com o ‘International Fee Differential Award’ pela Universidade de Toronto, um prémio no valor de 6.000 dólares canadianos (4.400 euros). O objectivo deste prémio é ajudar ao pagamento das propinas, que no caso de alunos estrangeiros são cerca de 20.000 dólares (14.765 mil euros) anuais.

Nascida no Funchal há 38 anos. Carina frequentou vários estabelecimentos de ensino no Funchal, tais como o Colégio da Apresentação de Maria, Escola Bartolomeu Perestrelo, Escola das Mercês, Apel e Liceu Jaime Moniz. Em 1994 ingressou no curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Porto, onde viveu até Julho de 2000. Seguiu-se o internato geral médico no Centro Hospitalar do Funchal entre 2001 e 2002 e a entrada na especialidade de Pedopsiquiatria em Janeiro de 2003. A formação foi realizada no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, durante 5 anos. A permanência na capital foi oportuna para frequentar o Mestrado em Neurociências na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Entre 2008 e 2014 trabalhou como médica pedopsiquiatra no Serviço de Pedopsiquiatria do SESARAM e colaborou no Centro de Desenvolvimento da Criança. Actualmente está de licença sem vencimento. Em Setembro de 2014, rumou ao Canadá para prosseguir os estudos.

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Como conquistaste este importante prémio?

Este prémio intitulado “The Institute of Medical Science International Fee differential award” é um prémio anual atribuído pelo Instituto de Ciências Médicas da Universidade de Toronto aos alunos internacionais graduados (mestrandos e doutorandos) que se destacaram pelo seu mérito académico durante os cursos curriculares. Tem o objectivo de apoiar alunos internacionais excepcionais, com 6.000 dólares. Actualmente as propinas anuais para os alunos internacionais rondam mais do dobro do valor pago pelos alunos canadianos. No meu caso tive A+, que é a nota máxima, em ambos os cursos “Music and the brain” e “Neuroimaging methods using MRI” do meu programa.

Que significado tem para ti ?

Representa o reconhecimento do meu esforço e dedicação aqui na Universidade de Toronto. Estou muito feliz com este prémio. Já tinha ficado muito feliz quando fui admitida, pois os critérios de selecção eram mais exigentes para os alunos internacionais. Tive de fazer exames de inglês IELTS e TOELF e também exames médicos.  Iniciei as aulas em Setembro de 2014 e tive de adaptar-me à cultura, à língua, ao clima, e a ser novamente estudante a tempo inteiro, com mochila às costas! A universidade tem as suas regras e quem tiver notas inferiores a B- (14 valores) é expulso. Como não estava habituada ao sistema de ensino canadiano, dei sempre o meu melhor desde o início, com receio de não ser suficientemente boa. Mas ao longo do percurso fui ficando contente e cada vez mais motivada com os meus resultados.

O que mudou na tua vida?

Este prémio é um grande incentivo para continuar a estudar com dedicação. A Universidade de Toronto é a universidade nº 1 do Canadá, está no Top 20 do ranking mundial das universidades.

Que projectos estás a desenvolver?

A minha investigação actual tem por objectivo estudar as áreas cerebrais envolvidas na percepção de música familiar nas crianças com o diagnóstico de perturbação do autismo. Para esse fim, os meios utilizados serão a ressonância magnética e a magnetoencefalografia. Preciso também de desenvolver competências de investigação científica e de publicação de artigos.

Quais os teus objectivos futuros?

O meu objectivo é fazer o Doutoramento, voltar ao activo como médica pedopsiquiatra e realizar investigação clínica as áreas do autismo e das neurociências da música. Gostaria que a música fosse mais valorizada quer na saúde, quer na educação.

Espero continuar a ter tempo e oportunidade para participar em mais Festivais da Canção na Madeira como autora e compositora.

Como é que os Canadianos vêem os portugueses? Como profissionais de Excelência?

Actualmente o Canadá é um País multicultural. Os Canadianos têm diferentes origens, são canadianos-gregos, polacos, iranianos, italianos, ingleses, irlandeses, indianos, chineses. Estão habituados a trabalharem com pessoas de várias culturas e religiões. Respeitam muito as pessoas, e reconhecem o mérito de cada um.

Como consideras que a Madeira se poderá afirmar internacionalmente?

A Madeira é uma ilha muito bonita, e com um clima fantástico. O turismo será sempre o ponto forte.

Penso que o ensino artístico na Madeira é muito bom, mas é pouco valorizado. Seria uma mais-valia a abertura de cursos superiores nessa área na Região. Penso que o curso de Educação Musical, por exemplo, teria muitos interessados. Há muitos jovens que adoram música, têm talento e não possuem capacidade financeira para estudar no continente.

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Que outros hobbies e paixões tens?

O meu hobby tem sido sempre a música. Sempre gostei de cantar, tocar e criar novas canções. O primeiro festival em que participei foi em 1985. Já tem 30 anos e foi uma experiência inesquecível. Em 2006 compilei no meu CD “Alquimia” as canções originais com que participei em festivais e outras canções novas . Em 2009, a canção “Alquimia, segredo guardado” entrou na novela da TVI “Flor do Mar”. Foi nesta altura que percebi que teria de ter mais formação musical para poder evoluir, e voltei ao conservatório de música em horário pós-laboral. Estudei piano, canto, formação musical, coro, acústica, análises e técnicas de composição.

Em 2006 foi criado o site www.carinafreitas.com. O site está activo, mas desactualizado. Tem um link para o blog onde costumo adicionar algumas actividades em que participo.

 

fotos: DR

Manuel Ramos (Nelo) em entrevista

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Manuel Ramos, mais conhecido como Nelo, tal como os seus caiaques, foi o construtor mais medalhado nos jogos Olímpicos de Londres e é, também, considerado como o melhor construtor de caiaques do mundo.
A Excelência Portugal quis conhecer o homem e a empresa. Aqui fica a entrevista

 

Qual é a sua história com a canoagem?

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Eu fui atleta. Nasci em Angola e vim para Portugal em finais de 1975. Mais tarde, em Vila do Conde, fui para uma escola de canoagem – na altura em que ninguém conhecia a canoagem – mas na verdade fiz um bocado de uma auto-aprendizagem. Como nem havia canoagem organizada cá em Portugal comecei a competir em Espanha em ’76, até ser cá fundada a Federação Nacional de Canoagem e eu ser o primeiro campeão nacional (aí umas cinco vezes). Cheguei até a fazer um mundial e algumas provas internacionais de velocidade, que cá em Portugal não tínhamos.

A dada altura comecei a utilizar caiaques feitos por mim – comecei a trabalhar muito cedo: montei a empresa aí aos 17 ou 18 anos -, em poliéster e fibra de vidro. No início dos anos ’80 servi durante um tempo o crescimento da canoagem em Portugal já que pelo menos havia produção nacional a custos adequados ao bolso dos Portugueses.  A marca cresceu, mas como era uma modalidade curta na altura, sazonal e também porque o mercado nacional era um mercado exigente tentei fazer a minha aposta internacional. Passei por cima de Espanha para não estragar o mercado a um gestor com quem mantinha uma relação ou não baixar demasiado o preço, mas teria sido um mercado muito mais fácil já que a canoagem espanhola já tinha uma grande expressão, com provas com mais de cem anos, e havia proximidade.

A minha atitude foi aquela que acho se deve ter para se ser bom em tudo: dar passos grandes, necessariamente difíceis.  Fui para a Grã-Bretanha, onde comecei com um paleontólogo escocês que utilizava o caiaque para os seus trabalhos de investigação no Sena, Nilo, etc., e depois tentei conquistar o mercado de alta competição. Tive essa vontade: da mesma forma que competi, queria ser o melhor se estivesse nesta área. Para ser o melhor da minha zona não valeria a pena (risos). (…) Portugal é um país limitado, sem passado na canoagem, e era complicado para um gestor português impor-se num mercado em que outros países tinham expressão… mas foi essa dificuldade que me obrigou e à minha equipa a fazer um trabalho redobrado e de qualidade. Acabou por dar em chegarmos aos melhores do mundo. Foi difícil no início mas quando chegámos ao topo vínhamos com background, conhecimento, estrutura, know-how que os outros não tinham.

E como adquiriram esse conhecimento? Foi sempre por auto-aprendizagem?

Sim, sim. A grande vantagem da nossa marca é não andarmos atrás de ninguém. Naturalmente que no início tirámos ideias de outros, mas neste momento andamos à frente. Neste momento há 4, 5 fabricantes que fazem a diferença e depois há construtores que copiam os melhores barcos e os metem no mercado a um preço mais baixo.

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Que foi o que vocês se recusaram a fazer.

Naturalmente que no início copiei.  Mesmo nos primeiros Jogos Olímpicos em que ganhámos medalhas, em Atlanta, os barcos não foram desenhados por mim. Eu tinha tentado uma primeira abordagem de dois modelos que correram no Campeonato do Mundo de Maratona de Juniores – e até ganharam medalhas – mas que nos foram desautorizados no Campeonato do Mundo de Seniores porque a federação internacional entendeu que a parte de cima do barco beneficiava do vento traseiro. Acabei por ter de ganhar um pouco de arcaboiço. A seguir, nos Jogos de Sidney, já são modelos desenhados por nós que acabam por obrigar a federação internacional a mudar as regras. Fizemos 5 medalhas com barcos legais que ofereciam bastantes benefícios e obrigam à alteração da regulamentação.

E nos Jogos seguintes tornam-se fornecedores oficiais.

Somos fornecedores oficiais 4 anos depois, em Atenas – foi uma guerra tremenda com os outros fornecedores e até com a federação (…). Antes já éramos líderes em velocidade e maratona, mas com o resultado de 2004 (fomos o fabricante que mais medalhas conseguiu nuns Jogos) e tornámo-nos nos mais importantes. Depois, em Pequim, voltamos a ser fornecedores oficiais e conquistamos um número absurdo de medalhas (20 em 86). Voltamos a sê-lo em Londres e até em slalom, algo em que ninguém acreditaria porque andávamos há pouco tempo nisso (…). E tem sido esse, mais ou menos, o nosso trajecto.

Quais são as características que tornam os vossos barcos tão apreciados?  

Neste momento ganhamos praticamente tudo em caiaque, e no resto andamos taco-a-taco com outro fornecedor. Houve até uma série de finais em Londres em que só competiram barcos nossos. (…) O que nos diferencia é o conhecimento, o know-how, o serviço… uma série de circunstâncias. Fomos os primeiros a produzir barcos para todas as categorias de atletas. A nossa primeira encomenda foi para a seleção japonesa porque ninguém produzia barcos para atletas de 50kg. Haviam barcos para homens com mais de 75kg e para mulheres com menos de 75kg. Agora fazemos barcos para atletas de 50kg a 110kg, obviamente adaptados às suas características. Também fazemos um trabalho único de telemetria e um ajuste dos barcos aos atletas, razão pela qual cá temos vários centros de treino. A ideia inicial nem era essa, mas as seleções acharam a qualidade dos nossos centros tão elevada que optaram por vir para cá treinar e não só fazer ajustes. Continuamos a acompanhar as equipas que treinam noutros centros, mas só aqui vendemos 22 000 noites, o que dá para adquirir conhecimento, para recolher imensos dados de telemetria em tempo real, para fazer ajustes, para ajudar os treinadores e os atletas… É um trabalho que desenvolvemos ao longo do ano nas fases de preparação e competições (…) e que funciona como uma bola de neve. Hoje temos informação de todos os atletas que por cá passaram nos últimos 10 anos – atletas de topo- e que nas diversas competições têm acompanhamento nosso (…). Garantimos que podem estar perfeitamente descansados porque não lhes vai faltar nada. Com tudo isto garantimos que a nossa diferença para os outros é muito grande.

Falemos da modalidade em Portugal. O nosso país tem uma grande disponibilidade de recursos naturais e a fama dos desportos náuticos está a aumentar, em parte devido ao vosso contributo. Nesse cenário, prevê uma ascensão ainda maior dos atletas portugueses nos quadros internacionais?

Sim, sem dúvida. Neste momento, é provável que o desporto que mais sucesso tem seja a canoagem: nos últimos Jogos Olímpicos ganhamos uma medalha, no Campeonato da Europa do último fim-de-semana estivemos em 9 finais e arrancámos duas medalhas (…). A maior comitiva portuguesa dos próximos Jogos será a da canoagem, com certeza absoluta.

Muito graças ao vosso contributo.

Uma coisa é certa: estamos na canoagem há muitos anos, a nível internacional. Sabemos muito bem a realidade da Austrália, Japão, Alemanha, etc. e sabemos qual é o denominador comum do sucesso, que passa por massificação e objectividade. Os dirigentes portugueses absorvem um pouco do nosso conhecimento – em vez de andarem a fazer experiências têm alguma “ajuda” nossa, naturalmente. E depois, claro, ter uma empresa de renome internacional ajuda os atletas a acreditar que é possível.

Para terminarmos: quais são os projectos futuros da Nelo?

O nosso grande objectivo, obviamente, é continuarmos os melhores. Temos o nosso main business, em que somos mesmo bons, e queremos manter-nos a um grande nível, sempre inovadores, de modo a que nenhuma marca se chegue a nós. Aqui temos sempre projectos, ainda agora concluímos um no Rio de Janeiro e temos outros, pensados e solidificados, que não nos interessa largar. Depois temos projcetos em outras áreas, muitos em lume brando por levarem tempo a cimentar e por podermos não ter ainda capacidade produtiva. Estamos envolvidos no softski, no slalom e noutros em que estamos a negociar. Além do empenho na massificação da canoagem, queremos adquirir outras marcas para acrescentar valor de mercado e podermos entrar como os melhores e não como um produto de segunda escolha. Queremos ser sempre os melhores. Estamos a criar estruturas compostas pelas pessoas ligadas ao desporto. Paralelamente à formação dos colaboradores podemos adquirir estruturas já existentes. Estamos a negociar. Projectos não nos faltam, mas só avançamos com garantias de que tudo vai funcionar.

 

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“GPS” intracelular – Entrevista a Dr. Marin Barisic, Investigador do IBMC, Porto

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Marin Barisic é o primeiro autor de um estudo publicado na última edição da revista Science, uma das revistas com maior impacto científico. O investigador faz parte da equipa liderada por Hélder Maiato, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto e acaba de provar que existe um código da estrada dentro das células o qual ajuda ao movimento dos cromossomas durante a divisão celular. Este estudo seguiu-se a um outro publicado também recentemente na revista Nature Cell Biology, também esta com elevado impacto científico. Neste estudo explicam como diferentes forças geradas por proteínas motoras contribuem para o movimento dos cromossomas durante a divisão celular e que a interacção entre os diferentes motores é essencial para prevenir possíveis erros durante a segregação dos cromossomas.

Dr. Marin Barisic é natural da cidade costeira de Split, na Croácia. Estudou na capital, Zagreb, de onde partiu para fazer o seu doutoramento na Áustria, em Innsbruck. Durante o seu doutoramento tentou encontrar, em células humanas, novas proteínas reguladoras da divisão celular. Durante esse período, o seu interesse por tentar perceber os mecanismos que controlam a divisão celular foi crescendo, assim como a sua paixão pela microscopia e o seu potencial cada vez maior como instrumento de estudo científico.

O que o fez procurar Portugal como destino para fazer o seu pós- doutoramento?

Estava a procura de um bom laboratório europeu que me permitisse continuar a estudar a divisão celular e ao mesmo tempo aprender e aprofundar os meus conhecimentos de microscopia. Foi assim que encontrei o laboratório do Dr. Hélder Maiato, o qual contactei directamente. Para minha sorte, o grupo tinha acabado de ser premiado com uma ERC (European Research Council), a maior financiadora de projectos científicos europeus, o que me permitiu ser contratado e vir viver para Portugal já em 2011.

Já tinha estado em Portugal antes?

Não. Mas já conhecia bem a cultura portuguesa e da qual sempre gostei muito. Depois de ter estado nos Alpes foi uma maneira de me sentir outra vez mais em casa, numa cidade mediterrânica, com mar, bom peixe e marisco, bom vinho e sol.

Tendo em conta a sua experiência, qual a sua opinião em relação às condições de trabalho que encontrou por cá e o que acha do ambiente científico?

O laboratório tem umas fantásticas instalações de microscopia e está muito bem equipado. Estou inserido num grupo com um óptimo ambiente e bastante internacional. Existem também vários outros grupos a trabalhar “na porta ao lado” na mesma área que eu, como por exemplo o grupo do Professor Claudio Sunkel, o que traz massa crítica muito boa para o meu trabalho e para a discussão de ideias. Para além disso, há vários outros grupos de grande nível científico no instituto. Temos seminários todas as semanas com cientistas convidados de toda a parte do mundo com quem podemos estabelecer colaborações e trocar ideias. Outra coisa com imenso valor são os programas de doutoramento que tem alunos com grande qualidade e com quem tenho tido oportunidade de trabalhar.

E, para finalizar, quais são os seus planos para o futuro?

Sinto-me neste momento preparado para me tornar independente e criar o meu próprio grupo. Gostaria de ficar na Europa e não ponho de lado a ideia de ficar pelo Porto que adoro. Num futuro um pouco mais longínquo gostaria de voltar para a Croácia e levar aquilo que tenho aprendido para ajudar a desenvolver a ciência no meu país.

 

Obrigada Dr. Marin

A notícia pode ser lida completa no site da Universidade do Porto,

http://noticias.up.pt/equipa-do-ibmc-publica-na-science-descoberta-de-um-gps-intracelular/

ou vista em:

http://tv.up.pt/videos/rsaykkpm

Luís Carvalho – entrevista

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Luís Carvalho tem 28 anos e nasceu em Vizela. Licenciou-se em Design de Moda e Têxtil na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

Luís Carvalho é hoje um designer de Moda de relevo em Portugal. A Excelência Portugal quis saber como é que isto tudo começa e Luís não hesita na resposta: “Cresci no meio da roupa, rodeado pelas linhas e tecidos da confecção da minha mãe. Era destino!”

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Em 2011 venceu o prémio para melhor coordenado masculino, no concurso de moda Acrobactic. Estava anunciado o sucesso. Em 2013 cria a sua marca própria “LUIS CARVALHO”. Em Outubro desse mesmo ano apresentou o seu trabalho na plataforma LAB da ModaLisboa, onde tem vindo a apresentar novas coleções desde então.

Em menos de 2 anos do seu lançamento, veste figuras públicas, faz páginas completas de notícia na Vogue Portugal, outros tabloides e jornais, e um dos seus coordenados teve direito a foto na revista Forbes. É agora nomeado para o Prémio Novo 2015 na categoria Moda.

A inspiração para as suas coleções nasce “num pormenor para encontrar um conceito. Num processo que em tudo se assemelha ao científico tentativa-erro. E acrescenta: “Sempre atento aos detalhes, procuro o equilíbrio entre o clássico e o casual.”

Foi em Lisboa que pôs em prática os conhecimentos nos ateliês de Filipe Faísca e Ricardo Preto. Hoje, exibe as suas coleções ao lado daqueles que outrora o ensinaram. Diz que a sensação “no início era estranha, estar ali ao lado daqueles que há bem pouco tinham sido meus “professores”, mas ao mesmo tempo um orgulho de poder estar a apresentar ao lado de nomes tão importantes na indústria da moda portuguesa.

Em menos de 2 anos alcança o patamar que muitos conseguem ao final de décadas. Mas diz que ainda há muito para fazer. Falta “estabilizar a marca, aumentar o número de vendas e a internacionalização.”

A força de continuar, essa “ vem da vontade de querer sempre fazer mais e melhor e do facto de ser um sonhador e querer que o sonho seja real”. Isto é excelência portuguesa, com certeza.

 

Fotos: DR

 

Go Youth Conference – um testemunho

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A Excelência Portugal esteve presente no maior evento nacional de empreendedorismo que se realizou no passado fim-de-semana na LX Factory, em Alcântara. Aqui segue o testemunho pessoal de uma das nossas correspondentes.

Sou uma estudante de gestão, assim quando me foi proposto  cobrir o evento nem pensei duas vezes, era a oportunidade perfeita de conciliar este hobby do jornalismo com o bichinho do empreendedorismo que tenho vindo a desenvolver. Já conhecia o evento bastante bem, no semestre passado foi-nos pedido para investigar um “caso de sucesso” da nossa faixa etária e eu cheguei a entrar em contacto com o Tiago Vidal, o fundador da Go Youth Conference. Se estiveres a ler isto, Tiago, não te sintas ofendido, mas na altura e neste fim-de-semana que passou, pareceste-me um rapaz perfeitamente “normal” de acordo com os padrões de hoje em dia (seja a definição destes o que quer que seja), o que torna o choque da absorção da dimensão e da qualidade da organização deste evento ainda maior. Sempre presente, sempre calmo, sem os “tiques” do homem “behind the show”. Foi com 17 anos que o Tiago arrancou com a GYC, é de louvar o cariz pioneiro ao ser capaz de recolher apoios e de fazer grandes gurus da gestão (e não só) acreditarem nele e virem a Portugal.

No final do evento, abordei o Tiago para receber feedback direto do fundador de tudo aquilo, passo a citá-lo: “Na minha opinião, superou as expectativas no geral. O foco foi melhorar a experiência do participante no evento e a produção do mesmo e penso que isso foi conseguido. A nível de conteúdo, as expectativas eram altas mas acho que foi diversificado e no final “worthwhile” para os participantes.” E ainda deixou um comentário sobre a importância do papel da Excelência e semelhantes na divulgação e como fonte de motivação: “Acho importante estes meios de forma a divulgar aquilo que se passa de interessante e diferente em Portugal para além dos mainstream media em que o conteúdo pouco varia.”

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O espaço era e estava decorado de forma espetacular, e as luzes! Não me canso de falar das luzes. Ajudaram a criar uma atmosfera tão envolvente, tão própria para a inspiração, para a sensação de que existem infinitas oportunidades ao virar da esquina! Fica desde já aqui um grande reconhecimento a todos os que estiveram envolvidos na produção e organização. O staff era super animado e prestável, e sem falar da comida e bebida servidas…

Quero muito possibilitar aos meus leitores uma visão global e pessoal do evento, mas não me posso esquecer de ser factícia e organizada. Factos, vamos aos factos, à sucessão dos acontecimentos.

 

Antes da abertura das portas, às onze horas de sábado dia 18 de abril de 2015, estava no armazém que recebeu a GYC, com o meu pass de imprensa. Tive a oportunidade de absorver o ambiente ainda vazio, o que me permitiu tirar umas fotografias bem espetaculares, a modéstia nem tem de estar à parte porque o mérito não foi de todo meu ou da câmara mas sim, frizando pela última vez, prometo, do ambiente que foi criado, ali, naquele armazém. Aproveito para aconselhar uma empresa de multimédia, que tratou do vídeo promocional do evento: The Flying Man. Falei pessoalmente com eles e eles são de facto excecionais, apostam na qualidade e sobressaiem por isso mesmo.

O primeiro orador tratou-se de Miguel Frasquilho, presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) que vendeu Portugal de uma maneira muito inteligente. Curioso, no dia anterior tinha assistido na minha universidade a uma conferência do embaixador do Canadá em Portugal, e confesso que as semelhanças sobre os tópicos abordados foram imensas. Gostaria de mencionar quatro factos mencionados: crescimento das exportações, localização estratégica e melhoria do ambiente empresarial – por exemplo, estamos no top 25 mundial no que toca à facilidade em criar uma nova empresa – e uma grande qualidade de vida. Terminar com uma ideia que foi muito martelada ao longo do ciclo de conferências: Portugal está a tornar-se cada vez mais atrativo e tem vindo a melhorar a sua competitividade.

A segunda pessoa a subir ao palco foi uma jovem mulher com imensa garra e estilo: Kathryn Minshew, do The Muse (https://www.themuse.com/). Esta conquistou-nos logo com a sua frontalidade ao admitir que é muito fácil estar ali a falar dos sucessos de cada um, mas no que toca aos falhanços…já não é assim tão fácil e entusiasmante. E assim Kathryn achou por bem partilhar grandes e pequenos erros que foi fazendo na criação da sua start-up. Tenho uma vontade gigante de partilhar cada uma das dicas que apontei em todas as conferências, mas assim a probabilidade de UMA pessoa chegar ao fim do artigo ia diminuir ainda mais. Assim deixo apenas uma frase provocadora e encorajadora à persistência da autoria desta empreendedora americana, no original: “Start-ups are an evolution from suck to suck less”.

De seguida foi a vez de um contador de histórias: Burt Helm, da revista Inc. Maganize. Foi absolutamente hilariante. Basicamente o desafio dele foi deixar-nos três dicas para saber contar uma boa história, vou tentar reproduzi-las:

– No início: começar com uma complicação, assim tem-los “fisgados” (hooked, no original).

– No meio: queremos manter a atenção, dica de causa-efeito do South Park, “therefore and but” – pode ser a história mais estúpida do mundo, mas nós caímos.

– No fim: se o fim não prestar, aqueles que perderam tempo a ler/ouvir até ao fim vão-se sentir traídos. Um bom climax, uma boa transformação, tem de acontecer!

Em quarto lugar, subiu ao palco Jeremy Johnson, da start-up Andela, que propõe um modelo de educação baseado nas capacidades de cada um, completamente diferente dos implementados até agora. Trata-se de um conceito complexo que vale a pena pesquisar. No dia a seguir tive a oportunidade de falar com o Jeremy pessoalmente, queria imenso fazer-lhe uma pergunta, e ele foi super acessível e prestável, e fez uma coisa que eu aprecio imenso: deu de facto a sua opinião, não teve medo de se esconder no politicamente correto. A premissa que o levou a criar a Andela foi a seguinte: “Talent is evenly distributed but opportunity is not”.

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O primeiro empreendedor português a pegar no microfone foi o Miguel Pina Martins, da marca de brinquedos didática, Science4You. Mas não seria o último.

Depois houve a oportunidade de assistir a uma conversa entre VC’s (Venture Capitalists) – investidores em start-ups: Alexandre Barbosa (Faber), Martin Mignot (Index), Ciaran O’Leary (Earlybird) e Hussein Kanji (Hoxton). Ciaran comentou que nunca se deve desperdiçar uma boa crise, e Portugal não deixou. O francês Martin Mignot mencinou dois grandes ativos da economia empreendedora portuguesa: as pessoas falam inglês (“mas falam mesmo!”) e o grande sentido de beleza e design que existe em todo o lado.

 

Durante o resto do dia, os oradores foram Morten Primdahl (Zendesk), João Oliveira Martins (Pathena), Pedro Queirós (Ericsson), Miguel Santo Amaro (Uniplaces) e Or Abel (YO). Queria só destacar aqui o Miguel Santo Amaro, dado que estou bastante familiarizada com o sucesso da Uniplaces, que é um grande exemplo de empreendedorismo a funcionar a todo o gás em Lisboa. Tive a oportunidade de visitar os escritórios da sede aqui na capital no outro dia e aquilo sim, aquilo é o sonho de qualquer jovem empreendedor. Noutro artigo escreverei mais sobre eles.

Chegámos a domingo, dia 19 de abril de 2015. A abertura foi feita com outra jovem mulher cheia de energia, Brittany Laughlin, da Union Square Ventures, que já esteve do lado de quem arrisca a pele (empreendedores) e agora está do lado de quem arrisca mas ao financiar e aconselhar. Apelou à ação: “The best way to get started is to get started”.

Seguiu-se uma conversa animada entre três portugueses: Jaime Jorge (Codacy), Filipa Neto (Chic By Choice) e Vasco Pedro (Unbabel). Muitos tópicos foram abordados, um deles foi o porquê da escolha de manter as empresas em Portugal. São várias as razões, mas sejam estas quais forem é um sinal positivo! O nosso fundador da Excelência, Miguel Marote Henriques, teve a oportunidade de trocar impressões com a Filipa sobre o mercado de produtos de luxo, o sucesso crescente da Farfetch, o modelo de negócio da Chic By Choice, os players e as novas tendências de negócio e a necessidade de uma rápida adaptação às mesmas. Uma possível entrevista particular à Filipa está à vista.

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Após esta reunião de portugueses bem sucedidos (sempre em inglês, claro está, já que se trata de um evento internacional que recebe imensos visitantes estrangeiros), veio a vez de Adam D’Augelli, da True Ventures, que nos pôs a todos depé a mexer os braços de um lado para o outro ao mesmo tempo. A originalidade assume muitas formas.

Posteriormente marcaram presença Matt O’Brimer, da General Assembly, Thom Cummings, da Soundcloud, e por fim, para encerrar um grande ciclo, Ray Chang, co-fundador do gigante de entretenimento – 9gag. Este último, num inglês perfeitamente compreensível mas com forte sotaque chinês, procurou dar uns conselhos úteis sem nunca esquecer o bom humor que a plataforma procura providenciar. Mais uma vez houve um apelo à ação: “Don’t be an idea person. Be a follow through person”. O principal, por mais estranho que pareça e que pareceu no início, foi “MAKE YOUR BED”. Fica a dica, interpretem-na e ponham-na em prática, queridos leitores resistentes!

 

fotos: DR