Carina Freitas, madeirense e estudante internacional de Ciências Médicas no Canadá, foi distinguida com o ‘International Fee Differential Award’ pela Universidade de Toronto, um prémio no valor de 6.000 dólares canadianos (4.400 euros). O objectivo deste prémio é ajudar ao pagamento das propinas, que no caso de alunos estrangeiros são cerca de 20.000 dólares (14.765 mil euros) anuais.
Nascida no Funchal há 38 anos. Carina frequentou vários estabelecimentos de ensino no Funchal, tais como o Colégio da Apresentação de Maria, Escola Bartolomeu Perestrelo, Escola das Mercês, Apel e Liceu Jaime Moniz. Em 1994 ingressou no curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Porto, onde viveu até Julho de 2000. Seguiu-se o internato geral médico no Centro Hospitalar do Funchal entre 2001 e 2002 e a entrada na especialidade de Pedopsiquiatria em Janeiro de 2003. A formação foi realizada no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, durante 5 anos. A permanência na capital foi oportuna para frequentar o Mestrado em Neurociências na Faculdade de Medicina de Lisboa.
Entre 2008 e 2014 trabalhou como médica pedopsiquiatra no Serviço de Pedopsiquiatria do SESARAM e colaborou no Centro de Desenvolvimento da Criança. Actualmente está de licença sem vencimento. Em Setembro de 2014, rumou ao Canadá para prosseguir os estudos.
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Como conquistaste este importante prémio?
Este prémio intitulado “The Institute of Medical Science International Fee differential award” é um prémio anual atribuído pelo Instituto de Ciências Médicas da Universidade de Toronto aos alunos internacionais graduados (mestrandos e doutorandos) que se destacaram pelo seu mérito académico durante os cursos curriculares. Tem o objectivo de apoiar alunos internacionais excepcionais, com 6.000 dólares. Actualmente as propinas anuais para os alunos internacionais rondam mais do dobro do valor pago pelos alunos canadianos. No meu caso tive A+, que é a nota máxima, em ambos os cursos “Music and the brain” e “Neuroimaging methods using MRI” do meu programa.
Que significado tem para ti ?
Representa o reconhecimento do meu esforço e dedicação aqui na Universidade de Toronto. Estou muito feliz com este prémio. Já tinha ficado muito feliz quando fui admitida, pois os critérios de selecção eram mais exigentes para os alunos internacionais. Tive de fazer exames de inglês IELTS e TOELF e também exames médicos. Iniciei as aulas em Setembro de 2014 e tive de adaptar-me à cultura, à língua, ao clima, e a ser novamente estudante a tempo inteiro, com mochila às costas! A universidade tem as suas regras e quem tiver notas inferiores a B- (14 valores) é expulso. Como não estava habituada ao sistema de ensino canadiano, dei sempre o meu melhor desde o início, com receio de não ser suficientemente boa. Mas ao longo do percurso fui ficando contente e cada vez mais motivada com os meus resultados.
O que mudou na tua vida?
Este prémio é um grande incentivo para continuar a estudar com dedicação. A Universidade de Toronto é a universidade nº 1 do Canadá, está no Top 20 do ranking mundial das universidades.
Que projectos estás a desenvolver?
A minha investigação actual tem por objectivo estudar as áreas cerebrais envolvidas na percepção de música familiar nas crianças com o diagnóstico de perturbação do autismo. Para esse fim, os meios utilizados serão a ressonância magnética e a magnetoencefalografia. Preciso também de desenvolver competências de investigação científica e de publicação de artigos.
Quais os teus objectivos futuros?
O meu objectivo é fazer o Doutoramento, voltar ao activo como médica pedopsiquiatra e realizar investigação clínica as áreas do autismo e das neurociências da música. Gostaria que a música fosse mais valorizada quer na saúde, quer na educação.
Espero continuar a ter tempo e oportunidade para participar em mais Festivais da Canção na Madeira como autora e compositora.
Como é que os Canadianos vêem os portugueses? Como profissionais de Excelência?
Actualmente o Canadá é um País multicultural. Os Canadianos têm diferentes origens, são canadianos-gregos, polacos, iranianos, italianos, ingleses, irlandeses, indianos, chineses. Estão habituados a trabalharem com pessoas de várias culturas e religiões. Respeitam muito as pessoas, e reconhecem o mérito de cada um.
Como consideras que a Madeira se poderá afirmar internacionalmente?
A Madeira é uma ilha muito bonita, e com um clima fantástico. O turismo será sempre o ponto forte.
Penso que o ensino artístico na Madeira é muito bom, mas é pouco valorizado. Seria uma mais-valia a abertura de cursos superiores nessa área na Região. Penso que o curso de Educação Musical, por exemplo, teria muitos interessados. Há muitos jovens que adoram música, têm talento e não possuem capacidade financeira para estudar no continente.

Que outros hobbies e paixões tens?
O meu hobby tem sido sempre a música. Sempre gostei de cantar, tocar e criar novas canções. O primeiro festival em que participei foi em 1985. Já tem 30 anos e foi uma experiência inesquecível. Em 2006 compilei no meu CD “Alquimia” as canções originais com que participei em festivais e outras canções novas . Em 2009, a canção “Alquimia, segredo guardado” entrou na novela da TVI “Flor do Mar”. Foi nesta altura que percebi que teria de ter mais formação musical para poder evoluir, e voltei ao conservatório de música em horário pós-laboral. Estudei piano, canto, formação musical, coro, acústica, análises e técnicas de composição.
Em 2006 foi criado o site www.carinafreitas.com. O site está activo, mas desactualizado. Tem um link para o blog onde costumo adicionar algumas actividades em que participo.
fotos: DR