“GPS” intracelular – Entrevista a Dr. Marin Barisic, Investigador do IBMC, Porto

Dr. Marin Barisic

Marin Barisic é o primeiro autor de um estudo publicado na última edição da revista Science, uma das revistas com maior impacto científico. O investigador faz parte da equipa liderada por Hélder Maiato, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto e acaba de provar que existe um código da estrada dentro das células o qual ajuda ao movimento dos cromossomas durante a divisão celular. Este estudo seguiu-se a um outro publicado também recentemente na revista Nature Cell Biology, também esta com elevado impacto científico. Neste estudo explicam como diferentes forças geradas por proteínas motoras contribuem para o movimento dos cromossomas durante a divisão celular e que a interacção entre os diferentes motores é essencial para prevenir possíveis erros durante a segregação dos cromossomas.

Dr. Marin Barisic é natural da cidade costeira de Split, na Croácia. Estudou na capital, Zagreb, de onde partiu para fazer o seu doutoramento na Áustria, em Innsbruck. Durante o seu doutoramento tentou encontrar, em células humanas, novas proteínas reguladoras da divisão celular. Durante esse período, o seu interesse por tentar perceber os mecanismos que controlam a divisão celular foi crescendo, assim como a sua paixão pela microscopia e o seu potencial cada vez maior como instrumento de estudo científico.

O que o fez procurar Portugal como destino para fazer o seu pós- doutoramento?

Estava a procura de um bom laboratório europeu que me permitisse continuar a estudar a divisão celular e ao mesmo tempo aprender e aprofundar os meus conhecimentos de microscopia. Foi assim que encontrei o laboratório do Dr. Hélder Maiato, o qual contactei directamente. Para minha sorte, o grupo tinha acabado de ser premiado com uma ERC (European Research Council), a maior financiadora de projectos científicos europeus, o que me permitiu ser contratado e vir viver para Portugal já em 2011.

Já tinha estado em Portugal antes?

Não. Mas já conhecia bem a cultura portuguesa e da qual sempre gostei muito. Depois de ter estado nos Alpes foi uma maneira de me sentir outra vez mais em casa, numa cidade mediterrânica, com mar, bom peixe e marisco, bom vinho e sol.

Tendo em conta a sua experiência, qual a sua opinião em relação às condições de trabalho que encontrou por cá e o que acha do ambiente científico?

O laboratório tem umas fantásticas instalações de microscopia e está muito bem equipado. Estou inserido num grupo com um óptimo ambiente e bastante internacional. Existem também vários outros grupos a trabalhar “na porta ao lado” na mesma área que eu, como por exemplo o grupo do Professor Claudio Sunkel, o que traz massa crítica muito boa para o meu trabalho e para a discussão de ideias. Para além disso, há vários outros grupos de grande nível científico no instituto. Temos seminários todas as semanas com cientistas convidados de toda a parte do mundo com quem podemos estabelecer colaborações e trocar ideias. Outra coisa com imenso valor são os programas de doutoramento que tem alunos com grande qualidade e com quem tenho tido oportunidade de trabalhar.

E, para finalizar, quais são os seus planos para o futuro?

Sinto-me neste momento preparado para me tornar independente e criar o meu próprio grupo. Gostaria de ficar na Europa e não ponho de lado a ideia de ficar pelo Porto que adoro. Num futuro um pouco mais longínquo gostaria de voltar para a Croácia e levar aquilo que tenho aprendido para ajudar a desenvolver a ciência no meu país.

 

Obrigada Dr. Marin

A notícia pode ser lida completa no site da Universidade do Porto,

http://noticias.up.pt/equipa-do-ibmc-publica-na-science-descoberta-de-um-gps-intracelular/

ou vista em:

http://tv.up.pt/videos/rsaykkpm