Mico da Câmara Pereira – 30 anos de carreira em entrevista

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O cantor português revela os segredos do novo disco “A tua voz é saudade”. O lançamento do projecto está previsto para 2016 e visa celebrar os 30 anos de carreira. O trabalho conta com a participação de vários convidados, como Luís Represas e Mafalda Arnauth, mas o músico confessa que sente emoção por voltar a cantar ao lado dos irmãos.

Quando vai sair o novo trabalho?

Pretendi festejar os meus 30 anos de carreira com o lançamento de um disco em 2016. Durante muitos anos estive ligado ao fado, mas depois fartei-me e comecei a cantar música ao vivo. O disco é um regresso às origens. Há um ano comecei a fazer apresentações do projecto. Convidei o Luís Represas, a pianista Olga Pratts, Mafalda Arnauth, Nôa e Silvestre Fonseca. Também participam a minha irmã Francisca, que se estreia, e os meus irmãos Gonçalo e Nuno, tendo sido com o último que me profissionalizei.

Como é a estrutura do CD?

O disco tem 14 temas, sendo que dez são cantados a solo e mais quatro duetos. A primeira música chama-se “A tua voz é saudade”, e termina com o tema “Trovante”. Queria comemorar os 30 anos com mais pessoas.

O que sente ao cantar com os seus irmãos?

Tenho enorme respeito por eles. É emotivo.

O concerto que lhe ficou na memória?

Aquele que fiz este ano no teatro Garcia de Resende em Évora, porque estava cheio devido à presença dos meus amigos e da minha professora na adolescência.

Quais foram os temas que gostou mais de tocar? E a personalidade?

A música “À Sombra da Lua” que abre o CD em 2002. O segundo gravado com o Rui Melo no tema “Por viver assim”. Em relação à pessoa foi a Mafalda Veiga nos Musicais onde cantámos a “Tatuagem”.

O fado ainda faz parte da vida dos portugueses?

O fado nunca deixou de ser importante, mesmo quando foi maltratado pelas elites porque quem o cantava era mal visto. O povo nunca o deixou morrer. Neste momento, está na moda por ser património imaterial da humanidade. Cada vez há mais pessoas a cantá-lo bem, além de existirem guitarristas de qualidade. O fado clássico continua-se a ouvir nas casas, como acontece em Alfama e na Mouraria. É uma música do mundo em constante evolução.

Qual a sua opinião relativamente à nova geração de fadistas?

Existem bons cantores como a Mariza, Camané, Ricardo Ribeiro, Carminho, Ana Moura, que abriram o fado a outra musicalidade. O aparecimento de novas vozes resulta do desenvolvimento do fado. Hoje em dia pode-se cantar quase tudo em fado.

Como se distingue o fado tradicional do moderno?

Existem três passos que são a pedra basilar do fado: corrido, mouraria e menor. Entre o corrido e o mouraria existe um cariz musical diferente. Os fados que foram apareceram são músicas cantados com guitarra portuguesa, o que dá uma sonoridade própria.

A memória de Amália ainda está presente nos portugueses?

Ninguém vai conseguir repetir o aparelho vocal de Amália Rodrigues.

 

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Line Health entra no mercado americano

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A empresa portuguesa criou uma aplicação para garantir que os doentes tomem os medicamentos e evitar comportamentos negligentes. No próximo ano a companhia e o Neuro Texas Institute vão desenvolver um teste em doentes cardíacos para diminuir as readmissões nos hospitais em 30 dias.

Um teste piloto realizado em doentes cardíacos no próximo ano, que conta com o apoio do Neuro Texas Institute, marca o arranque da Line Health no plano internacional. O projecto iniciado em Abril de 2014 pela mão de Diogo Ortega e Sofia Simões de Almeida, começou por se chamar PharmAssistant, mas o lançamento de um novo produto obrigou a uma alteração de identidade. Sofia Simões de Almeida explicou ao Excelência Portugal que “o novo nome está relacionado com a perspectiva de ter a saúde dos doentes crónicos em linha, além de se adequar melhor aos nossos objectivos”. A equipa continua a ser composta por oito elementos.

A entrada no mercado norte-americano acontece num momento de implementação do Obamacare. O projecto idealizado pelo actual presidente dos Estados Unidos visa aumentar o envolvimento do doente no tratamento. A COO da empresa garante que “a parceria com a Universidade do Texas facilitou os contactos”. A Europa também faz parte das prioridades da empresa portuguesa através de um acordo com a farmacêutica Bayer.

O novo produto permite aos doentes crónicos tomarem o medicamento correcto na devida altura. A aplicação informa as pessoas quando têm de tomar o remédio, mas também aqueles cuja missão passa por acompanhar os doentes, registando o histórico da medicação. Os responsáveis consideram que a ferramenta tem as características ideais para vingar no mercado. Em primeiro lugar existe um algoritmo proprietário que revela o estado de saúde das pessoas. Em segundo permite adaptar às necessidades de cada doente. Por fim, integra com o dispensador inteligente da Line Health, mas também com qualquer software ou smart device das farmácias e hospitais.

Foto: DR

 

 

 

 

Chic by Choice de olhos postos no futuro

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Filipa Neto e Lara Vidreiro, fundadoras do projecto, conseguiram, no espaço de um ano, grandes feitos, entre eles a conquista da liderança do mercado europeu. Hoje, além de terem no seu portefólio a compra de uma empresa alemã e dos activos de uma outra inglesa, têm 15 países para os quais enviam os seus vestidos de luxo.

A Excelência Portugal esteve à conversa com Filipa Neto, co-fundadora do projecto, do qual se sente muito orgulhosa, e com razão, as conquistas já são muitas. A empreendedora orgulha-se sobretudo de “num espaço tão curto de tempo [terem] validado todos os pontos do negócio com que [se] tinham comprometido com os investidores” e de ter “uma equipa fantástica, em que de facto [conseguem] estabelecer objectivos e executá-los”.

Filipa conta-nos os esforços que a empresa tem feito, “a Chic by Choice fez um grande trabalho no primeiro ano, ao nível de ir captar o mercado de aluguer e de convencer as pessoas a deixarem de comprar para irem alugar, ou a usarem em vez de fornecedor a que estavam habituadas a usar para alugar e passarem a transferir esses alugueres para a Chic by Choice. E acho que aí conseguimos fazer um bom trabalho pela questão da marca, do serviço, do próprio produto que temos online”.

O objectivo da Chic by Choice está distribuido em dois pontos-chave. Por um lado, quer resolver todos os problemas de excesso de inventário dos retalhistas, ou seja, pretende ser a solução dos retalhistas quando estes se deparam na situação de não conseguirem escoar o excesso de inventário. Filipa espera que “não fiquem com as mãos na cabeça, quando pensarem, «tenho 20 por cento de excesso de inventário, como é que eu me vou livrar dele?»”. A ideia é, portanto, oferecer “uma boa solução que lhes dê muito maior retorno do que alternativas que eles têm hoje, que é venderem as peças com descontos muito pesados”. Por outro lado, a Chic by Choice almeja oferecer uma boa experiência ao utilizador, diz esperar que “os clientes tenham gosto pela experiência e o acesso a estes artigos fantásticos, mas não tenham necessidade de os ter no armário”, anuncia Filipa.

É nesta mudança de paradigma, a aquisição vs experiência, que assenta toda a sharing economy e na qual a Chic by Choice participa e acredita. Neto resume as suas ambições para o futuro da empresa em 2025: “por um lado, espero termos revolucionado toda a dimensão dos retalhistas, e por outro lado, espero que os clientes se entusiasmem cada vez com a posse dos itens, e mais com a experiência de os ter um bocadinho seus, e depois ter uma coisa nova no dia a seguir. Acho que também é um estilo de vida muito interessante.”

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Ilustração – Marta Jacinto em entrevista

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Marta Jacinto nasceu em 1979, no Algarve. Em 2004, licenciou-se em Arquitetura. Desde muito cedo que o gosto pelas artes plásticas tomou conta de si. O desenho tem sido sempre a sua forma de expressão favorita, tendo frequentado, durante o ensino secundário, o curso da dominante de artes. Foi durante esse período que descobriu e experimentou novas técnicas que viriam a influenciar o seu percurso artístico. Começou, então, a fazer as suas primeiras exposições, que atualmente se estendem um pouco por todo o país. Em 2008, iniciou-se na ilustração infantil, na Martolita Ilustra. Atualmente, e em paralelo com a sua atividade de arquiteta, desenvolve trabalho na área das artes plásticas, com destaque para a ilustração, sobretudo, em livros infantis.

Tive o prazer de apresentar o mais recente trabalho da minha amiga Raquel Patriarca – A Barata Patarata e o Escaravelho Trolaró – quando foi lançado aqui no Porto. A Raquel fez uma parceria com a ilustradora Marta Jacinto para criar a colecção Livro com Bicho, que teve o seu início com A Abelha Zarelha, em 2012.

Hoje voamos até ao mundo da ilustração e vamos conhecer as motivações e trabalho de uma ilustradora. A Marta Jacinto é a convidada desta entrevista.

Marta Jacinto e Raquel Patriarca

Como é que a arquitectura é deixada para outro plano e é vencida pela ilustração?

Apesar de continuar a exercer arquitectura, de serem duas áreas que me completam, aos poucos fui-me apercebendo que a ilustração, o desenho em mim, é quase tão natural como respirar. Quando a magia e o encanto invadem o meu pensamento quase 24 horas por dia, ao ponto de me fazerem sentir especial, torna-se quase impossível não me render a este fabuloso mundo onde posso dar vida a todos os seres que habitam no meu imaginário.

Tropeças na ilustração infantil por acaso? Ou foi, de facto, um desejo tornado realidade?

Sem dúvida um desejo tornado realidade, pois desde que me entendo por gente, a minha verdadeira paixão e vocação foi sempre tudo o que estivesse ligado às artes plásticas, tudo servia para fazer arte. No entanto, só há relativamente pouco tempo é que descobri o meu verdadeiro potencial, a ilustração infantil, que podia materializar numa história todo o meu imaginário e partilhá-lo com o mundo.

Lês para crianças? Como é ler histórias ilustradas por ti? É «tarefa fácil» manter todos atentos?

Essa é uma das melhores partes do meu trabalho, porque tenho o retorno daquilo que faço. É um momento mágico. Através da leitura, consigo reforçar e expressar ainda mais as características que idealizei em cada personagem e cenário e, por isso, é muito fácil cativar a atenção de todos.

O futuro do livro infantil está assegurado? Contará sempre com a ilustração? Ou vês outros caminhos?

Decerto que sim, a ilustração sempre fez parte do nosso quotidiano, sempre esteve relacionada com tudo, é como se fosse o rosto das palavras e cada vez mais valoriza a leitura, não só os pequenos leitores como também os adultos, despertam cada vez mais o interesse pela riqueza da literatura infantil, onde se pode ler também uma história paralela.

Tens, com certeza, referências no mundo da ilustração de livros. Queres deixar alguns nomes?

Com certeza que sim, embora esta seja uma questão um pouco complicada de responder, pois gosto do trabalho de tantos ilustradores que seria injusto enumerar alguns e esquecer-me de outros igualmente importantes para mim. Gosto especialmente de ilustradores que seguem um registo e linguagem diferente do meu, formas novas e abordagens diferentes que muito admiro e fazem com que eu cresça profissionalmente e saia um pouco da minha zona de conforto. Há, no entanto, alguns ilustradores que, pela sua capacidade criativa, técnica e originalidade não poderia deixar de referir, como por exemplo: Oliver Jeffers, Roger Olmos, Rebecca Dautremer, Helga Bansch, André Neves, David Pintor, Paulo Galindro, João Vaz de Carvalho, Catarina Sobral, Yara Kono, entre tantos outros.

No trabalho que te juntou à Raquel Patriarca por duas vezes, o que mais destacas?

Sem dúvida, o enamoramento e o encantamento pelas histórias, a forma invulgar de ver o mundo e as coisas, uma realidade muito parecida com a minha, onde conseguimos tirar partido dos nossos pontos fortes e uni-los de forma extraordinária, tendo sempre presente o espirito de parceria e animação, é perfeito.

Que importância tem a ilustração de um livro infantil? Sentes que contas uma história paralela ao texto

É de extrema importância, pois a ilustração, para além de exemplificar/materializar o que está escrito, e dar vida ao texto, conta também uma história paralela, que pode ser também ela refrescante e intensa e atribuir ainda mais qualidades ao texto.

Vias-te a ilustrar b.d. ou livros para adultos?

Neste momento não, pois o que mais me cativa na ilustração é precisamente a parte infantil, é ir ao encontro dos pequenos leitores. Acaba por ser um processo mais criativo e estimulante no sentido em que me coloco no papel de uma criança, e dou asas à minha imaginação, é como que uma terapia revigorante.

Que tipo de leitora és e de que livros gostas?

Sou essencialmente uma consumidora de livros infantis, gosto de livros com boas ideias, com boas ilustrações, com textos simples e especiais, que me transmitam boas energias e me façam rir.

Numa pequena frase: quem é Martolita?

Um ser igual a tantos outros, apenas com a diferença, que dentro de mim habitam milhares de seres e coisas assim-assim.

Fotos: DR

As novidades acerca do trabalho da Marta Jacinto podem ser acompanhadas em artmartolita.blogspot.com ou no Facebook.

 

 

 

 

Chic by Choice: a estrada para o sucesso

3Filipa Neto, co-fundadora da empresa Chic by Choice admite que o caminho nem sempre foi fácil. A jovem empreendedora portuguesa fala sobre a recém-chegada a Londres, os desafios de ser uma mulher no mundo da tecnologia e os conselhos que deixaria a si mesma com 21 anos.

Escolhe trabalhar com os melhores, sempre. Não tentes escolher pessoas tão boas como tu, tenta captar pessoas melhores do que tu.

Ser CEO não é fácil. Filipa Neto concordará: quando se está a começar algo, sendo uma jovem inexperiente, o atrito inicial poderá ser maior do que para um homem na mesma condição. Contudo, a empreendedora revela-se optimista e deixa alguns conselhos para quem queira aventurar-se no seu próprio negócio.

“Não tenhas medo” começa Filipa, listando os conselhos que daria a si mesma com 21 anos, “eu acho que foi sempre o truque disto tudo”, continua. No inicio há sempre inquietude e receio que advém da necessidade de ter de se provar ao mundo, é normal para quem está em inicio de carreira. Porém, esta necessidade parece que é maior quando se é mulher, “no inicio temos de provar e temos de estar disponíveis, talvez até mais [que os homens]”, admite Filipa.

Ainda assim, as características femininas são pontos fortes insubstituíveis, “temos uma sensibilidade fantástica e uma boa forma de comunicar, tanto boas como más noticias, conseguimos gerir empatias”, defende Filipa, “o que é um factor muito importante em termos de negócio. No final do dia, é tudo uma questão de [saber lidar com] pessoas” conclui.

“Escolhe as pessoas certas. Acho que é o maior conselho.” prossegue, “Tanto a nível de equipa, porque não é possível montares um negócio com uma ambição tão grande, vais ter dias bons e vais ter dias maus, não é possível ter sempre dias bons, e por isso é importante encontrares um parceiro ou um fundador que seja completamente complementar. E não se trata de encontrar pessoas iguais a ti, mas sim pessoas que te complementem.”

Filipa considera que a escolha da sua co-fundadora foi acertada, e vê em Lara Vidreiro o equilíbrio complementar à sua personalidade, que acabou por ser determinante para o sucesso da sua empresa, “acho que foi isso que eu e a Lara conseguimos fazer muito bem. Conhecemo-nos há muitos anos, somos completamente diferentes em termos de personalidade, os defeitos de uma são as qualidades de outra, e isso acaba por resultar bem”.

Há que ter em conta que a escolha minuciosa das pessoas com quem se trabalha não é só a nível de co-fundador, mas também de investidores. “Escolhe bem com quem vais querer discutir os resultados da tua empresa, com quem quem vais querer debater a visão da tua empresa. Escolhe trabalhar com os melhores, sempre. Não tentes escolher pessoas tão boas como tu, tenta captar pessoas melhores do que tu.”.

Foto: DR

 

 

Maria Manuel Viana em entrevista

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Maria Manuel Viana nasceu na Figueira da Foz, em 1955, filha de Marcos Luís Lima Viana, conhecido pedagogo e democrata. Estudou Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi professora do ensino secundário durante 35 anos, na Figueira da Foz, em Castelo Branco e em Lisboa. Em Castelo Branco, foi coordenadora do Centro de Área Educativa, presidente da Comissão Distrital de Protecção de Menores, candidata a deputada pelo Partido Socialista, vereadora da cultura e coordenadora do Gabinete para a Igualdade. Escreveu os romances A Paixão de Ana B., A Dupla Vida de Mª João, Damas, Ases e Valetes (com Ana Benavente), O Verão de todos os silêncios, Teoria dos limites e Geografia do mundo, separata de Perda de Inventário, de Marta Chaves. Traduziu dois Prémios Nacionais da Crítica de Espanha, O dia de amanhã de Ignacio Martínez de Pisón e A filha do Leste, de Clara Usón, e Os belos dias de Aranjuez de Peter Hanke. Tem dois filhos, David e Manuel.

- Consegues descrever o momento em que decidiste começar a pôr no papel as histórias que trazias contigo? Como se deu o click?

– Não houve click e o momento zero – aquele em que se passa da escrita à ideia da publicação – não foi, sequer, decidido por mim. Comecei a publicar muito tarde, com 40 e tal anos, e não o teria feito sem a pressão de uma extraordinária editora, a Elsa Ligeiro, a agente cultural mais empenhada que conheço, uma mulher que montou uma editora, uma livraria e uma revista literária numa cidade do interior e que passou a vida a fazer a ponte entre Castelo Branco e Coimbra, batendo-se contra os poderes instituídos, com uma força e um entusiasmo que não perdeu, ao fim de 16 anos a lutar quase sozinha. Eu era então vereadora da cultura e gostava da determinação e dos projectos da Elsa – trabalhámos juntas muitas vezes, durante o meu mandato. Falo verdade (por muito que pareça uma história construída a posteriori) quando digo que a ideia de publicar um livro nunca me tinha ocorrido, por achar que o que eu poderia escrever já tinha sido escrito por outros e muito melhor do que eu o conseguiria fazer. A Elsa (para quem eu já escrevera uns textos, na revista Artes e Ideias Alma Azul) disse-me um dia que queria publicar um romance meu. Nessa altura, a minha vida era muito complicada, fazia muitas coisas ao mesmo tempo, na Câmara, no Centro de Área Educativa de que era coordenadora e no então recém criado Gabinete para a Igualdade, na luta contra a violência sobre mulheres, crianças, idosos, pessoas de outras etnias, emigrantes, etc. E ainda fazia política activa, era membro do Secretariado da Federação e da Comissão Nacional do PS. E, last but not the least, tinha filhos e enteados adolescentes, gostava de viajar (o meu marido era secretário geral de uma organização internacional, o que o levava a viajar constantemente) e de receber amigos em casa. Quando olho para trás, para esse tempo, parece-me que os dias tinham muito mais do que 24 horas e que vivia demasiado intensamente. Escrever um romance não cabia nessa agenda difícil e ainda hoje não sei porque disse que sim – talvez por isso seja tão fragmentário, tão diarístico, esse meu primeiro livro, escrito aos poucos, nos intervalos, à mão, em folhas soltas. Curiosamente, sem que eu disso me tivesse apercebido enquanto o escrevia, acabou por corresponder a várias rupturas na minha vida: afastei-me da luta partidária, separei-me e fui viver para outra cidade. Não é (e suponho ser a primeira vez que o digo) uma memória feliz.

- Porque escreve alguém? O acto da escrita é sempre uma necessidade?

Não creio que se possa generalizar, as pessoas escrevem por motivos diversos – há quem acredite ter um mandato divino, quem julgue fazer a diferença, quem goste (apenas) de contar histórias, quem considere um dever de memória, quem pense ter uma história única e incrível, quem queira partilhar ideias, quem sinta a escrita como uma compulsão. Suponho que foi o Garcia Márquez quem disse um dia: escrevo para que gostem de mim. Parece-me uma boa resposta, embora duvide que a escrita tenha tal capacidade.

- As escritoras são esquecidas no nosso país? Que papel tem uma escritora como tu na nossa sociedade?

Não são as escritoras, são as mulheres de um modo geral. Mais do que esquecimento, falaria em rasura, em tentativa de menorização. Vi, há dias, um estudo da European Women’s Lobby: as previsões indicam que, na ausência de medidas estruturais, serão necessários mais de 100 anos para eliminar a disparidade de género no emprego, no trabalho remunerado e não-remunerado (30 anos para atingir a igualdade no emprego, 70 anos para salários iguais para homens e mulheres e 40 anos para a partilha equitativa das tarefas domésticas). Na literatura passa-se o mesmo, como em todas as áreas – para ser inteiramente justa, talvez na literatura a desigualdade seja ligeiramente menor; o campo mais igualitário que conheço é mesmo o do exercício da profissão de professor.

As mulheres vendem menos, dizem. Há a literatura universal e há a literatura feminina e as pessoas tomam como normal notícias em que, acerca de um festival literário com 100 escritores, apenas se nomeiem homens. Ou que, num outro, se diga que o escritor x e y apoiam determinada candidatura e que várias escritoras também, a b, a c e a d. Nós somos várias, eles são escritores singulares, individuais, particularizados. Nós ou somos femininas ou feministas ou pós-feministas. Há etiquetas que se nos colam à pele e serão precisos muitos anos para mudar as mentalidades.

Sou uma escritora com poucos leitores, não creio ter qualquer papel. Poderia deixar de escrever e haveria pouca gente a dar por isso, como na comparação entre o binómio de Newton e a Vénus de Milo. Sou, fundamentalmente, uma leitora.

- A violência doméstica contra a mulher é um flagelo que te angustia. O que pode ser feito para parar isto?

Educar, educar, educar. Educar para a cidadania, para a igualdade, contra a violência. Dei aulas durante 35 anos e abordei sempre esse problema – muitas alunas me respondiam que era uma forma de amor, o ciúme era a prova de serem amadas. É preciso desconstruir os estereótipos, acabar com a reprodução do que se passa em casa com pais violentos e agressivos. Educar tanto as raparigas como os rapazes. Não permitir que anúncios, como os da Flora e da Marta ou do Futre passem na televisão, uns porque normalizam a violência, outros porque tornam as mulheres objectos. Acredito nas estruturas locais, de proximidade, onde os serviços se articulam de modo a dar respostas rápidas a quem tem que sair de casa, com filhos, perdendo o emprego e os amigos. No Gabinete para a Igualdade, que durou muito pouco porque o governo que o instaurara caiu, trabalhávamos em conjunto com a Educação, a Saúde, a Segurança Social, o Instituto do Emprego e Formação Profissional, a PSP, A GNR, o tribunal, as CPCJ, as Câmaras, as Juntas de freguesia e um escritório de advogados pro bono, além do apoio constante da APAV. Isto é, todos estavam implicados e agiam concertadamente e as vítimas sabiam que tinham não só quem as ouvisse como quem tentasse encontrar uma saída rápida e estruturada para escapar a uma situação invivível. Ouvi histórias terríveis, de maus tratos, de espancamentos, de violações constantes, de ameaças de morte: vi uma mulher retalhada por uma gilette para não “lhe passar pela cabeça ir para a cama com outros”, escutei uma mãe ainda jovem que chorava porque o marido obrigava as duas filhas de ambos, de 6 e 8 anos, a fazer-lhe sexo oral todos os dias, duas crianças, de 8 e 10 anos, que fizeram a pé 4 quilómetros para me contar o que o pai fazia à mãe, dois velhos pais obrigados pelos filhos a comer na gamela dos porcos, como também ouvi histórias de mulheres que estavam cansadas de justificar as nódoas negras com quedas na neve e de se calarem por receber mais uma jóia ou um casaco de peles. A violência é socialmente transversal, não escolhe idade, nem género, nem religião. Por isso digo sempre que só educando e integrando as boas práticas no quotidiano é que teremos uma sociedade justa e igualitária.

- Montar o teu último romance, Teoria dos Limites, exigiu muito estudo e, certamente, dedicação. Num livro que reúne várias disciplinas combinadas, como surge a ideia da história?

Todos os meus romances, excepto A paixão de ana B., começaram por ser contos, publicados em revistas ou colectâneas. O que me surge primeiro é uma determinada situação: uma viagem que corre mal, um funeral, o fim de uma relação, o rapto de uma criança, a vida num universo concentracionário, a exasperação do quotidiano. A partir desse momento, fico obcecada com os nomes: o título do livro e os das personagens. Enquanto não decido, sinto-me incapaz de escrever – o que sucede a uma Mariana nunca poderia suceder a uma Vanessa, por exemplo.

Sou muito lenta a escrever, não só porque confirmo tudo como leio muitos documentos e textos sobre o tema – já expliquei que sou obsessiva. Verifico no Google maps se as ruas são aquelas, onde vão dar, se há lojas ou cafés no percurso das personagens. No caso de A teoria, foi especialmente difícil porque eu nada sabia sobre o Leibniz e estudei tudo o que encontrei, até os seminários do Gilles Deleuze no YouTube ouvi. Pedi uma conferência do Manuel António Pina a uma filha para falar do Winnie the pooh, que é recorrente nos meus livros. Li o Discurso sobre a teologia natural dos chineses , estudei tanto o tipo de árvores dos cemitérios como o teorema de Godel, segui um blogue de um escritor para construir a figura do meu, do homem que vai ser enterrado, assim como me baseei na Julia Kristeva e no seu Soleil Noir. Dépression et mélancolie, ouvi muitíssimo Bach antes de me decidir pela partita para piano número 4, na versão de Glenn Gould. Consultei centenas de vezes (não é exagero) o DSM para perceber as perturbações desta ou daquela pessoa. Saio esgotada da escrita de um romance mas sabe-me bem regressar depois à realidade, ao dia a dia, às conversas com os meus filhos e amigos. Há como que um desdobramento de personalidade (deve ser por isso que tantas personagens minhas sofrem dessa perturbação), sou a Mariana e a Sara e a ana B. e a MªJoão e o João Caetano e fico muito feliz quando volto a ser a Maria Manuel, que gosta muito de filmes, de livros e que tem a vida mais normalzinha que imaginar se possa.

- Escreveste este trabalho entre Portugal e o Dubai. Sentiste necessidade de te isolar?

Foi o Dubai como podia ter sido Nova Iorque ou Florença ou as Canárias – era o sítio onde o David, o meu filho mais velho, estava a trabalhar, nessa altura, e eu queria muito estar com ele. Houve quem me criticasse por ter referido o Dubai, onde os direitos humanos são o que sabemos. O Dubai Dubai não existiu, quase – enquanto o meu filho trabalhava, na recepção do hotel, eu estava fechada num dos quartos a escrever. O Verão de todos os silêncios, que se passa nas Canárias, também foi por causa do David, que estava lá, então. Ou a parte da Argentina, onde fomos, eu, o meu filho mais novo, Manuel, e o pai dele comemorar os anos do David. O maior isolamento é em casa, só mesmo quando já cheguei ao último capítulo, ao final, é que preciso de estar com pessoas de quem gosto muito e que me fizeram falta durante o tempo que levei a escrever o livro.

- Antes de lançares o livro, contaste com a leitura atenta e amiga de algumas escritoras. Amizades assim ajudam-te muito?

A palavra que me ocorre sempre é mátria: três escritoras, a Inês Pedrosa, a Julieta Monginho, a Patrícia Reis, a quem me ligam laços de grande amizade e cumplicidade, e que lêem e relêem, sem nunca se queixarem, sugerindo alterações, corrigindo gralhas, lendo de forma muito inteligente o que lhes envio, ainda cheia de dúvidas. O que me dizem, o que propõem, as observações que fazem são-me essenciais, nunca publicaria sem a ajuda, o apoio, o olhar crítico delas. Funcionam como a rede que me ampara, a mim funâmbula, com medo de tropeçar.

Não é só a estas três escritoras, no entanto, que recorro: o meu filho mais novo, o Manuel, é sempre o primeiro leitor e ajuda-me muito na procura de textos de apoio, assim como uma jovem colega dele, a Inês Fialho. E devo imensíssimo ao meu grupo de amigos, que escuta as minhas dúvidas com uma paciência que nunca deixará de me espantar e que se desdobra para me explicar o que cada um sabe e eu não: a Ana Benavente, com quem até já escrevi um livro a meias, a Graça Aníbal (leitora atentíssima), a Isa Duarte Ribeiro, minha consultora para as questões artísticas, a Bia e o Carlos Veiga, meu editor mas sobretudo meu grande amigo, a Margarida Lages, sempre entusiasta, o meu primo Marcelo e o meu ex-marido, António Abrunhosa (a quem, aliás, a Teoria é dedicada), ambos com um saber enciclopédico que muito me ajuda. É uma rede grande de apoio, de suporte, de amparo, durante os anos que demoro a escrever um livro. Nenhum livro se escreve sozinho – um livro escreve-se com muitas coisas: muitos outros livros já lidos e amados, alguns filmes e certas músicas. E com os amigos, os mais íntimos, os mais próximos, os mais cúmplices, primeiríssimos leitores e ouvintes, copistas e críticos, anjos da guarda no difícil e esquizofrénico desdobramento identitário autor-personagem que que todo o escritor vive.

mariteo[1]Teoria dos Limites, uma edição Teodolito, livro que li recentemente.

A realidade é muito mais inverosímil do que a ficção, diz, a certa altura, uma das personagens deste romance. O aqui narrado parte da concepção fantasmática de um génio, uma espécie de mundo de ficção científica, com dois universos paralelos habitados por mónadas, essas substâncias simples, esses pontos metafísicos, essas individualizações infinitamente pequenas, como quartos sem portas nem janelas dentro de uma pirâmide cuja base tenderia ao infinito, onde bastaria uma ínfima coisa para passar de uma realidade para outra, e onde cada um de nós vê o seu duplo e pode escolher entre ser herói ou banal, amar ou resignar-se, sentir prazer ou raiva com a felicidade alheia, lutar pela liberdade ou jogar as regras do jogo, viver com dignidade ou ser passivo, aceitar a ignomínia ou revoltar-se, julgar o outro pondo-se no lugar dele, adoptar muitas perspectivas para perceber o todo, perguntar-se em que é que a ficção supera a realidade, se na beleza ou na construção não tão utópica quanto poderia parecer do melhor dos mundos possíveis.

Fotos: DR

Santana Hotel & SPA – entrevista com Diana Campos (CEO)

santana1aDiana Campos, 26 anos, vilacondense de gema, licenciada em gestão pela FEP, é a “alma” e CEO  do Santana Hotel & SPA. Com uma carreira que começou no sector da construção, a responsável do Santana conseguiu, em apenas um ano, revitalizar e transformar uma unidade hoteleira parada no tempo, num caso de sucesso.

Hotel de 4 estrelas situado no Monte Santana (Azurara-Vila do Conde) apenas a 15 minutos do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e 20 minutos do centro da cidade do Porto, o Santana Hotel & SPA possui a localização perfeita para uma excelente experiência de repouso entre a praia e a cidade.  O Hotel dispõe de um health-club com ginásio, piscina interior, sauna banho turco e jacuzzi, um SPA com uma grande variedade de massagens e tratamentos que o leva a viajar pelo mundo, o Açude Bar e o Restaurante Santa Clara, Salas de Reuniões e a Sala Terraços do Ave para realização de banquetes

O Restaurante Santa Clara, recomendado pelo Guia Michelin desde 2009, é a principal referência gastronómica para os clientes, devido aos seus pratos tradicionais Portugueses e cozinha internacional. Além disso, a excelente localização da unidade hoteleira permite conhecer os principais locais de interesse turístico, tais como a Casa Museu de José Régio, o Museu das Rendas de Bilros, a Alfandega Régia e a Nau Quinhentista.

A Excelência Portugal falou com Diana Campos e encontrou  uma verdadeira líder dotada de uma forte visão estratégica e apaixonada pela natureza.

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Como surgiu a ideia de apostar num sector no qual não tinha experiência?

O Hotel está inserido num grupo de empresas focadas no ramo da construção e todos temos conhecimentos das dificuldades que o sector atravessa e a importância de diversificar o negócio. Assim surgiu a possibilidade de abraçar este projecto.

O estado “adormecido” em que o Hotel se encontrava assustou-a ou foi um desafio que a motivou? 

Um pouco de ambos, são os desafios que nos fazem lutar todos os dias, que nos fazem querer superar e redefinir os nossos limites. Como disse, era uma área nova, em que os conhecimentos técnicos de hotelaria não existiam mas temos que fazer o ‘trabalho de casa’, procurar saber e aprender mais todos os dias. A dedicação de corpo e alma, sem nunca desistir, é o melhor caminho a seguir para se atingir os objectivos.

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As necessidades de intervenção eram várias e o Hotel nunca suspendeu a actividade. Como foi possível desenvolver este processo de forma a mitigar o impacto nos clientes?

Foi (e é) uma questão delicada. É um hotel que funciona 365 dias por ano, 24 horas por dia, em que o cliente compra uma estadia/serviço para descansar e não pode ser perturbado.

Além de tentar ao máximo sensibilizar os clientes, procuramos sempre horários fora de ‘picos’ de movimento para reduzir ao máximo o impacto na sua estadia.

Não estando na praia e fora de um grande centro urbano, o Santana, em apenas um ano, ganhou vida e uma taxa de ocupação acima da média. Qual foi a estratégia adoptada? 

A estratégia passou mesmo por definir um rumo, uma missão e instrumentos para a prosseguir. Começámos por atacar os pontos francos que não podíamos alimentar numa unidade de 4 estrelas e, por outro lado, apostámos no público externo, os ‘não hóspedes’, através de eventos, da envolvência com a cidade e da criação condições para ser mais que um hotel.

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Quem é o cliente-tipo da unidade?

De segunda a sexta, destacam-se claramente os clientes-empresa, colaboradores das empresas e indústrias que integram a zona. Aos fins-de-semana, é mais o cliente voltado para o lazer. O programa ‘Momentos Românticos’ tem vindo a ganhar peso e como apostámos na integração na rotas dos ‘Hotéis Família’, as famílias são o nosso maior cliente tipo. Estamos também a desenvolver as condições para sermos também um Bike Hotel.

O Hotel abriu-se aos empreendedores locais, artistas e outros. Encontramos peças de joalharia, quadros e outras peças. Esta aposta é um dos segredos do sucesso?

Sim, sem dúvida. Somos um hotel em Vila do Conde, integramos o sector do turismo e como tal temos o dever de mostrar aos nossos clientes a riqueza da nossa cidade, dar a conhecer o que tem de melhor, o que muitas vezes passa despercebido.

Várias têm sido as parcerias estabelecidas com unidades vilacondenses e temos a preocupação de marcar presença e dar a conhecer as diversas iniciativas que têm vindo a ser desenvolvidas.

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A Diana conseguiu mudar o conceito de utilização do Hotel. O restaurante tem clientes para além dos hóspedes e realiza eventos muitos variados, o Health-Club e SPA têm clientes próprios e tudo isto sem que nenhum hóspede sinta qualquer constrangimento. Como desencadeou esta transformação e como operacionaliza todas estas actividades?

Só um trabalho de equipa permite que tudo funcione em pleno. Felizmente o Santana Hotel & SPA tem colaboradores que compreendem a importância da Satisfação do Cliente e se esforçam ao máximo para que esta não saia abalada.

Temos uma localização privilegiada sobre o Rio Ave e voltados para o Mosteiro de Santa Clara, temos que partilhá-la, dá-la a conhecer e permitir que as pessoas desfrutem dela também.

E por fim, o que ainda falta fazer no Santana?

Nunca estará ‘tudo feito’, há sempre a questão de ir mais além, temos sempre por onde aprender, crescer e desenvolver. Temos de acompanhar as inovações e estar sempre atentos às mudanças no mercado.

Em termos de estrutura, temos algumas algumas remodelações a realizar, em termos de oferta de serviços, também estamos a desenvolver novos projectos.

Chic by Choice – Startup portuguesa compra concorrente alemã

 

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Conversámos com Filipa Neto, co-fundadora da Chic by Choice, e ficámos a saber os detalhes da recém adquirida La Remia, a concorrente alemã. A startup portuguesa está a dar cartas no mercado internacional e a compra mais recente é apenas o primeiro passo nos planos de expansão global.

Chic by Choice ­é a já reputada plataforma de aluguer de vestidos de luxo ­que, apesar de contar apenas com um ano de actividade, já dá que falar e até compra start­ups alemãs concorrentes. Porém, a compra não esteve relacionada com a entrada do alemão Felix Petersen, um angel investor na Faber Ventures, isto é, um investidor privado.

 

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Filipa Neto conta à Excelência Portugal tudo sobre o passo estratégico que foi a compra da La Remia, e o que isso significa a nível de consolidação num já significativo mercado alemão. Neto, juntamente com a co-fundadora Lara Vidreiro, conheceu Claudia von Boeselager e Anna Mangold na Web Summit, um evento de tecnologia em Dublin, na Irlanda. As fundadoras do La Remia partilharam com as empresárias portuguesas o seu entusiasmo pelas conquistas da Chic by Choice. “Elas contactaram­-nos e disseram, «olhem, estamos a gostar daquilo que vocês estão a fazer, queremos perceber um bocadinho melhor quais são os vossos planos e qual é a estratégia»”, conta Filipa. Além da empatia natural sentida entre as quatro empreendedoras, era inegável a vantagem estratégica que representaria o casamento das duas empresas. “Por um lado elas tinham todo o conhecimento do mercado local na Alemanha, e por outro, este já estava a representar, dependendo do mês, o nosso segundo ou terceiro mercado”, admite.

Na verdade, a expansão para o país germânico era algo que já fazia parte dos planos. Foi a grande tracção que estavam a conseguir ter nesse mercado, juntamente com a forte componente de e-commerce daquele país, que as entusiasmou e as levou a tomarem a decisão que viria a “imprimir velocidade numa coisa que nós já estávamos a fazer”, adianta Filipa.

Para a La Remia, foi o crescimento meteórico da Chic by Choice (que actualmente realiza entregas para 15 países) que as atraiu e fez com que se apercebessem de que seria vantajoso agarrem-se àquele crescimento.

A parceria entre as duas empresas, que coloca a parelha alemã “desta vez como advisors“, vai permitir aos antigos clientes da La Remia terem “acesso a muito maior oferta, do que tinham anteriormente, acesso a entregas mais rápidas”, bem como “se tiverem eventos fora da Alemanha, também [poderem] levar para esses eventos vestidos Chic by Choice.”

 

Fotos: DR

Joana Lobo Anta em entrevista

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A música e a pintura são as grandes paixões de Joana Lobo Anta. A artista tem tido sucesso nas duas actividades, mas a sua maior aposta é o jazz. O percurso na música já originou convites para actuar fora de Portugal. Na entrevista deixa um conselho aos mais novos para colocarem os pés na terra, mas também para não desistirem daquilo em que acreditam.

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Como nasceu o gosto pela pintura e música?

Com três anos decidi que queria ser artista plástica e aos 16 comecei a cantar. Nessa altura ainda duvidava das minhas capacidades, mas fui aperfeiçoando a minha voz. Canto dois estilos diferentes. Tenho um grupo que vai do Jazz ao Blues, mas também música electrónica.

Em que locais costuma actuar?

A minha carreira tem evoluído com pés firmes e humildes. Costumo cantar em eventos privados, hotéis de luxo, bares na área da grande Lisboa.

Neste momento qual é a actividade que dedica mais tempo?

No Verão aposto mais na música por questões logísticas. A partir dessa altura até ao Natal o ritmo é sempre mais acelerado. Neste momento não dedico muito tempo à pintura.

O Jazz tem tido receptividade por parte do público?

As pessoas são bastante receptivas em relação ao som porque gostam de Jazz. Não é o estilo mais comum na população portuguesa, mas é o que se adequa mais à minha voz.

Gostava de cantar fora de Portugal?

Estou a trabalhar em contactos para actuar lá fora. Os sítios onde gostaria de cantar são Estados Unidos, Dubai e África do Sul.

Como analista o estado da cultura no nosso país?

As pessoas queixam-se que há falta de cultura, mas existe pouca iniciativa para procurar. Há cada vez mais artistas, ideias, sendo que não é difícil de lhes aceder. O problema é que não temos um ministério activo e não haver verbas.

Existem condições para ser artista em Portugal?

Há muito pouco apoio, mesmo por parte dos privados.

Quais são as características necessárias para ser boa pintora e cantora?

Trabalhar e estudar. Na música aprendi com as bandas e os músicos que fui ouvindo. Na pintura e na música é necessário treinar e não ter medo de fracassar, além de ter uma boa cultura visual e auditiva.

O talento também é imprescindível?

Também é preciso ter talento. Isso significa meter alma e paixão naquilo que se faz porque o resto vai sendo delapidado.

Como avalia a música em Portugal?

Está cada vez melhor nos diversos estilos. Tem bastante qualidade.

Costuma cantar em português ou inglês?

O inglês é a forma de que gosto mais de me exprimir porque desde pequenina sempre me habituei a ouvir música estrangeira.

Que conselhos dá aos mais jovens que se iniciam nestas duas áreas?

Tem a ver com a forma como nos apresentamos. Escolher as músicas que mais se adaptam ao registo vocal. A imagem é importante. Ter um bom vídeo, logotipo. É preciso bater as portas. Nunca desvalorizar os sítios onde actuamos porque pode nascer um novo contacto rumo ao próximo passo. Na pintura aprender novas técnicas, soltar mais o traço. Os jovens devem fazer aquilo que entenderem porque nunca se cai. No entanto, devem ter sempre os pés assentes na terra e não pensar que alguém lhes vai levar o barco a bom porto. Têm de remar muito para conseguirem os objectivos.

Prefere tratar da sua carreira ou ter uma equipa?

Eu sou manager e agente. Trato dos contactos com os clientes, da facturação, dos músicos que vão trabalhar comigo, da imagem gráfica e também faço os cartazes. Tenho agentes que trabalham comigo, mas não exclusivamente. Faço grande parte dos contactos.

Qual a sua opinião relativamente aos concursos televisivos?

Quando participei no Factor X percebi que estamos perante um escrutínio muito pesado. As imagens são manipuladas. Há promessas em relação ao que irão fazer com os artistas. Não vejo a máquina operar da mesma forma que acontece no Reino Unido ou nos Estados Unidos.

Acha que os grandes nomes da música portuguesa vão deixar de ter sucesso?

Não. Isto é um círculo onde se entra e sai rapidamente. O público está mais receptível à música nacional porque o género de som das bandas nacionais está mais diversificado. Hoje em dia temos grandes produções.

Um cantor deve apostar em vários géneros?

Um músico deve tornar-se fiel a um registo. Um bom exemplo é a Ana Moura. No entanto, passei por vários estilos vocais. Não consigo ser sempre a mesma coisa.

Qual é o seu registo na pintura?

Não consigo ser abstracta. Adoro a figura humana. É um estilo associado à pop-art.

Qual das duas actividades exige mais perfeccionismo?

A pintura porque gosto das coisas feitas com rigor.

Em qual costuma ter mais ideias?

Na pintura gosto de experimentar mais coisas. Se pudesse ficava durante várias horas a pintar. A música também tem o efeito de improvisar, em particular os Live Act de música electrónica. Costumam sair momentos inspiradores. A música é mais fácil porque sai tudo de imediato.

Uma artista consegue viver exclusivamente do seu trabalho?

É preciso ter nervos de aço para viver da arte. Não é fácil porque se trata de uma profissão instável. Grande parte do meu tempo é absorvida pelas minhas actividades. Tudo vale a pena porque o mundo precisa de artistas. Quem quiser ser artista tem de se informar junto das pessoas certas e ter uma atitude inteligente.

 

Fotos: 1) Paulo Segadães 2) Maria Rita

 

 

Gleam – O Google Analytics da Moda?

Gleam1

Andreia Campos, 33 anos, nascida no Porto, estudou Gestão na FEP e trabalhou na Siemens AG. Depois de ter trabalhado em cidades como Pequim e Cidade do México, juntou-se à Parfois, uma empresa portuguesa de acessórios de moda como mais de 600 lojas, como Marketing Manager.

Dotada de um forte espírito empreendedor e com área digital e a moda no seu ADN, co-fundou a Gleam em 2013, um projecto pela qual se apaixonou quando foi lançado pela Faber Ventures nesse mesmo ano.

A Excelência Portugal convidou a CEO da Gleam a “vestir” a nossa camisola e a partilhar este cativante projecto.

FashionIntelligence

Nós queremos mudar a maneira como a indústria tradicional da moda se relaciona com o consumidor nos mercados emergentes, ajudando as marcas a conhecer o seu público e trazendo novas formas de interacção com a comunidade de moda local e global.

A Gleam (www.gleamworld.com) junta a sua plataforma de inteligência de moda a uma aplicação proprietária de curadoria de moda. Para os consumidores, a aplicação mobile ajuda-os a estarem a par das últimas tendências, e para os compradores de moda, a plataforma da Gleam oferece dados de consumo sobre o que as pessoas realmente querem, ajudando os compradores, merchandisers e marketers a tomarem decisões em tempo-real relativamente a produto e a comunicação, com foco nos mercados emergentes.

A aplicação de moda Gleam conta com mais de 360.000 utilizadores, está disponível em iOS e Android e regista uma publicação diária de 400 das melhores imagens curadas provenientes de mais de 1.000 fontes de moda (catálogos de marcas, editoriais de moda e blogs globais e locais). Os conteúdos para mulher, homem e criança são adaptados à geografia de cada utilizador e permitem aos seus utilizadores criar um closet de sonho explorando as mais reconhecidas marcas internacionais dentro da aplicação, partilhar os looks preferidos com a rede de amigos assim como seguir os “Top Gleamers” em qualquer parte do mundo,  e por fim estar à distância de um clique de comprar as ultimas novidades no mundo da moda

Mobile Segundo Andreia Campos, a plataforma gera mais de 100 mil datapoints diários, em likes, compras e partilhas, que se tornam a valiosa  “matéria-prima” para a plataforma de inteligência. É por aqui que a Gleam quer marcar a diferença.

O projecto contou com um investimento de um milhão de euros pela Faber Ventures e Portugal Ventures e elegeu como mercados prioritários a América-Latina, Emirados Árabes Unidos, Espanha e Reino Unido.  A China, um mercado que a CEO conhece bem, é também uma aposta em análise.
Ciudad-de-México[1]
Next step: México
A inteligência sobre os hábitos de compras e tendências na indústria da moda no México, é ainda uma identidade desconhecida – e é aqui que a Gleam pode acrescentar valor às marcas que estão de olho neste mercado emergente.

55% dos mais de 360.000 utilizadores da Gleam estão na América Latina. Apesar de não serem a primeira empresa a ver potencial na América Latina, a maior parte das empresas focou-se no Brasil, onde as vendas são enormes; contudo, os lucros são significativamente impactados devido às enormes taxas de importação, levando as empresas a procurar outras regiões para estimular o crescimento.

Comparativamente a outros países da América Latina, o México é um país particularmente bem posicionado. Os acordos com mais de 45 países em três continentes, assim como a alteração das suas taxas aduaneiras, mostram que o México está mais aberto para transacções comerciais com o exterior. Uma análise de 2013 feita pela Earnst&Young prevê que, às taxas atuais, o número de famílias com vencimento anual acima dos US$50.000 vai crescer para os 7.1 milhões de pessoas até 2020. Isto significa que a classe média do México vai crescer 50% em menos de uma década.

Este cenário/panorama é naturalmente atractivo para os negócios relacionados com luxo, tecnologia e moda; todos a procurar capitalizar sobre este crescimento. No entanto, a inteligência sobre os hábitos de compras e tendências na indústria da moda no México, é ainda uma identidade desconhecida – e é aqui que a Gleam pode acrescentar valor às marcas que estão de olho neste mercado emergente.

A Gleam desenvolveu até agora uma comunidade de mais de 100.000 utilizadores no México e vai dedicar a maior parte do seu orçamento de marketing e crescimento para esta região, planeando abrir um escritório no México ainda este ano.

 

Fotos: DR e turismomexicano.net