
Marta Jacinto nasceu em 1979, no Algarve. Em 2004, licenciou-se em Arquitetura. Desde muito cedo que o gosto pelas artes plásticas tomou conta de si. O desenho tem sido sempre a sua forma de expressão favorita, tendo frequentado, durante o ensino secundário, o curso da dominante de artes. Foi durante esse período que descobriu e experimentou novas técnicas que viriam a influenciar o seu percurso artístico. Começou, então, a fazer as suas primeiras exposições, que atualmente se estendem um pouco por todo o país. Em 2008, iniciou-se na ilustração infantil, na Martolita Ilustra. Atualmente, e em paralelo com a sua atividade de arquiteta, desenvolve trabalho na área das artes plásticas, com destaque para a ilustração, sobretudo, em livros infantis.
Tive o prazer de apresentar o mais recente trabalho da minha amiga Raquel Patriarca – A Barata Patarata e o Escaravelho Trolaró – quando foi lançado aqui no Porto. A Raquel fez uma parceria com a ilustradora Marta Jacinto para criar a colecção Livro com Bicho, que teve o seu início com A Abelha Zarelha, em 2012.
Hoje voamos até ao mundo da ilustração e vamos conhecer as motivações e trabalho de uma ilustradora. A Marta Jacinto é a convidada desta entrevista.

Como é que a arquitectura é deixada para outro plano e é vencida pela ilustração?
Apesar de continuar a exercer arquitectura, de serem duas áreas que me completam, aos poucos fui-me apercebendo que a ilustração, o desenho em mim, é quase tão natural como respirar. Quando a magia e o encanto invadem o meu pensamento quase 24 horas por dia, ao ponto de me fazerem sentir especial, torna-se quase impossível não me render a este fabuloso mundo onde posso dar vida a todos os seres que habitam no meu imaginário.
Tropeças na ilustração infantil por acaso? Ou foi, de facto, um desejo tornado realidade?
Sem dúvida um desejo tornado realidade, pois desde que me entendo por gente, a minha verdadeira paixão e vocação foi sempre tudo o que estivesse ligado às artes plásticas, tudo servia para fazer arte. No entanto, só há relativamente pouco tempo é que descobri o meu verdadeiro potencial, a ilustração infantil, que podia materializar numa história todo o meu imaginário e partilhá-lo com o mundo.
Lês para crianças? Como é ler histórias ilustradas por ti? É «tarefa fácil» manter todos atentos?
Essa é uma das melhores partes do meu trabalho, porque tenho o retorno daquilo que faço. É um momento mágico. Através da leitura, consigo reforçar e expressar ainda mais as características que idealizei em cada personagem e cenário e, por isso, é muito fácil cativar a atenção de todos.
O futuro do livro infantil está assegurado? Contará sempre com a ilustração? Ou vês outros caminhos?
Decerto que sim, a ilustração sempre fez parte do nosso quotidiano, sempre esteve relacionada com tudo, é como se fosse o rosto das palavras e cada vez mais valoriza a leitura, não só os pequenos leitores como também os adultos, despertam cada vez mais o interesse pela riqueza da literatura infantil, onde se pode ler também uma história paralela.
Tens, com certeza, referências no mundo da ilustração de livros. Queres deixar alguns nomes?
Com certeza que sim, embora esta seja uma questão um pouco complicada de responder, pois gosto do trabalho de tantos ilustradores que seria injusto enumerar alguns e esquecer-me de outros igualmente importantes para mim. Gosto especialmente de ilustradores que seguem um registo e linguagem diferente do meu, formas novas e abordagens diferentes que muito admiro e fazem com que eu cresça profissionalmente e saia um pouco da minha zona de conforto. Há, no entanto, alguns ilustradores que, pela sua capacidade criativa, técnica e originalidade não poderia deixar de referir, como por exemplo: Oliver Jeffers, Roger Olmos, Rebecca Dautremer, Helga Bansch, André Neves, David Pintor, Paulo Galindro, João Vaz de Carvalho, Catarina Sobral, Yara Kono, entre tantos outros.
No trabalho que te juntou à Raquel Patriarca por duas vezes, o que mais destacas?
Sem dúvida, o enamoramento e o encantamento pelas histórias, a forma invulgar de ver o mundo e as coisas, uma realidade muito parecida com a minha, onde conseguimos tirar partido dos nossos pontos fortes e uni-los de forma extraordinária, tendo sempre presente o espirito de parceria e animação, é perfeito.
Que importância tem a ilustração de um livro infantil? Sentes que contas uma história paralela ao texto
É de extrema importância, pois a ilustração, para além de exemplificar/materializar o que está escrito, e dar vida ao texto, conta também uma história paralela, que pode ser também ela refrescante e intensa e atribuir ainda mais qualidades ao texto.
Vias-te a ilustrar b.d. ou livros para adultos?
Neste momento não, pois o que mais me cativa na ilustração é precisamente a parte infantil, é ir ao encontro dos pequenos leitores. Acaba por ser um processo mais criativo e estimulante no sentido em que me coloco no papel de uma criança, e dou asas à minha imaginação, é como que uma terapia revigorante.
Que tipo de leitora és e de que livros gostas?
Sou essencialmente uma consumidora de livros infantis, gosto de livros com boas ideias, com boas ilustrações, com textos simples e especiais, que me transmitam boas energias e me façam rir.
Numa pequena frase: quem é Martolita?
Um ser igual a tantos outros, apenas com a diferença, que dentro de mim habitam milhares de seres e coisas assim-assim.
Fotos: DR
As novidades acerca do trabalho da Marta Jacinto podem ser acompanhadas em artmartolita.blogspot.com ou no Facebook.