Metamorfose muda face do antigo prédio da Oliva no Porto

Metamorfose[1]

Metamorfose é o nome da estrutura metálica que a dupla de arquitectos FAHR 021.3 projectou para a fachada do antigo edifício da Oliva, ao lado da Estação de São Bento. É a primeira de várias intervenções realizadas no âmbito do projecto Locomotiva, dinamizado pela Câmara Municipal do Porto, através da PortoLazer, e cofinanciado Programa ON.2 – O Novo Norte, com o objectivo de dinamizar a área envolvente à Estação.
A Metamorfose vai manter-se na ruína da Oliva até ao final do projecto Locomotiva, previsto para Junho de 2015. A Excelência Portugal entrevistou os arquitectos Filipa Frois Almeida e Hugo Reis do colectivo responsável pelo projecto.

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Metamorfose significa uma mudança na forma e na estrutura do corpo. A proposta da FAHR 021.3 é resultado de uma fusão entre a ruína e a escarpa acidentada de granito

Em primeiro lugar, gostaria de saber porque Metamorfose? Sendo uma reinterpretação da encosta e das ruínas, porquê a utilização do aço?

Metamorfose significa uma mudança na forma e na estrutura do corpo. A proposta da FAHR 021.3 é resultado de uma fusão entre a ruína e a escarpa acidentada de granito, transformando-se numa malha digital, uma interpretação do espaço. Metamorfose foi deste modo escolhido por ser o único que fazia sentido. O aço foi o material escolhido pois para além de já haver alguma utilização na cidade do Porto de materiais da mesma família – as pontes em ferro, o antigo Palácio de Cristal, a própria estrutura de contenção existente na ruína Oliva- é o material adequado para realizar uma estrutura com este porte e torção e que vivesse durante os meses previstos.
 

Em segundo lugar, sendo uma aluna de arquitectura, compreendo o poder do conceito, mas será tangível ao resto do público?

Para a FAHR o mais interessante é que as nossas peças tenham várias mensagens inerentes. Não nos interessa defender só um único ponto de vista, nem um conceito fechado apenas perceptível a um grupo de pessoas. Daí a estrutura ter vários paralelismos com a cidade do Porto desde a cor, ao material, ao aspecto acidentado, à relação entre a ruína e a escarpa. A intenção é surpreender, provocar as pessoas, e que pensamos estar a fazer esse efeito nas população invicta e seus turistas.
 
Em terceiro lugar, qual a posição do vosso atelier em relação à ruína onde está a intervenção? Tendo em conta que foi abandonada nos anos 60, porque decidiram ter uma instalação e não um possível início de proposta para deixar essa hipótese mais consciente?

O desafio realizado pela Porto Lazer era desenvolver uma instalação no espaço da ruína. A FAHR tem já portfolio na area artística com instalações com vários propósitos que servem vários programas, como estudante de arquitectura que és, sabes que existem programas, encomendas, perguntas para responder e inclusive responsabilidade social. Desta forma, responde-se ao que nos é pedido com o propósito que nos é colocado. A ideia da Porto Lazer motivada por nós é intervir em espaços devolutos por períodos curtos que ajudem a dinamizar o tecido urbano e a integrar vazios esquecidos, desde dos anos 60 que nada foi feito nem com muito nem com pouco, apesar de tudo a Metamorfose reintegra uma ruína na cidade, sem esquecer que esta não é uma ruína de valor patrimonial.

Seguidamente, sabendo que arquitectura é muito mais do que construção e a vossa preocupação com luz e cor foi muito importante para o projecto, porque razão a escolha do verde e não utilizar, por exemplo aço corroido realmente?

Aquilo que utilizamos ou não é uma questão de abordagem de autor, poderíamos usar aço corroído e poderíamos usar aço inoxidável…no entanto, a nossa intenção de fazer destacar uma forma de uma ruína que já tinha uma estrutura de aço OXIDADO e alvenaria passou por ser com uma cor forte que promovesse mais a forma e a própria materialidade da peça.

Por motivos de de conceito optamos de pintar a estrutura em aço de verde, uma referência aos programas de modelação que utilizamos, assumindo quase um caracter digital construído.

Por outro lado, que uma cor tão alegre, jovem e fresca iria estabelecer um diálogo disruptivo com a cidade e iria provocar os transeuntes.
 
Por fim, como consideram que a vossa instalação vai afectar as pessoas? E qual era a pretensão inicial?

Temos recebido imensas mensagens de pessoas que nos agradecem pela intervenção audaz e provocadora na ruína, o que é bom pois era essa a ideia inicial. A intenção era repensar um espaço esquecido no centro do Porto, integra-lo no cenário envolvente e devolver-lhe dignidade. Acho que temos tido um feedback super positivo tanto a nível nacional como a nível internacional.

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Jovem investigadora da U.Porto premiada pela AllTech

RitaAzeredo4Rita Azeredo nasceu a 6 de Janeiro de 1989 e transporta consigo carismáticos genes nortenhos aliados a uma paixão pelo azul, a cor que a une ao mar e ao futebol.

Aos 26 anos, Rita Azeredo é estudante do doutoramento em Biologia  da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), a desenvolver investigação no Centro Indisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR) (laboratório NUTRIMU), e antiga estudante do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

A investigadora do CIIMAR venceu o 1.º prémio AllTech Young Scientist Awards na categoria regional Europa/África/Rússia para estudantes graduados e está entre os 8 investigadores de todo o mundo que vão disputar o prémio final.

A Excelência Portugal quis saber mais. E o que encontrámos?
Uma investigadora que aparece de mota e que em nada se assemelha ao estereótipo do habitante de um laboratório. A partir daqui, estavam criadas todas as condições para uma entrevista ainda mais interessante.

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 Desde criança que me encanto com a Natureza, com a complexidade dos organismos e com os recursos que o Homem pode explorar
- Quando tomaste consciência que a ciência seria o teu caminho?
Acho que nunca considerei outra opção. Desde criança que me encanto com a Natureza, com a complexidade dos organismos e com os recursos que o Homem pode explorar. A vida que o mar esconde é imensa, distante e sempre atraiu a minha atenção de uma forma especial. A licenciatura em Ciências do Meio Aquático no ICBAS acabou por ser o impulso forte que me deu a certeza de querer continuar a estudar a vida marinha. Sendo a aquacultura uma actividade emergente que junta a biologia marinha e a indústria vi nela a oportunidade ideal para crescer profissionalmente.
 
- Como vês Portugal no teu campo de investigação?  Dada a nossa situação geográfica, a nossa Zona Económica Exclusiva e as pretensões de extensão da nossa plataforma continental, estamos a fazer o suficiente?
Não há dúvida que Portugal reúne condições únicas para a implementação e desenvolvimento de aquaculturas. Temos uma orla costeira enorme e água com excelente qualidade, com influência das águas do Mediterrâneo e do Atlãntico. A extensão da nossa ZEE não é de todo limitante para esta indústria. Os entraves são de outras naturezas. Infelizmente, dada a complexidade dos processos para o arranque de uma empresa que tanto caracterizam o nosso país e a grande competitividade com Países vizinhos tais como a Espanha, Grécia e Itália, o sucesso de uma aquacultura em Portugal dificilmente é garantido. Por outro lado, existem diversos grupos de investigação de Norte a Sul que se focam nesta temática e que colaboram directamente com as aquaculturas existentes dando o apoio e o feedback essenciais para a sustentabilidade dessas empresas. Assim, julgo que o que é necessário é simplificar processos de licenciamento, subsidiar e apoiar de diversas formas o desenvolvimento desta actividade que poderia contribuir significativamente para o crescimento económico do nosso Pais, à semelhança de outros tais como a Noruega ou a Escócia.
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Acho que fomos grandes nos padrões dos séculos XV a XVII mas podemos também ser maiores do que somos na actualidade se soubermos tirar partido da nossa situação assim como os nossos antepassados souberam fazer há umas centenas de anos
- Concordas que sempre que Portugal se virou para o mar prosperou e que o nosso futuro passa por ele?
Sem dúvida! Não há dúvidas de que a nossa situação geográfica nos lançou ao mar, nos fez chegar tão longe e nos fez crescer em dimensões imperiais. Acho que fomos grandes nos padrões dos séculos XV a XVII mas podemos também ser maiores do que somos na actualidade se soubermos tirar partido da nossa situação assim como os nossos antepassados souberam fazer há umas centenas de anos. No passado o mar representava caminho livre para as descobertas, agora temos de nos focar nos recursos que nele podemos explorar. Desde a energia das ondas ao fundo oceânico e as suas fontes geotérmicas, passando pela pesca. Podemos promover a nossa auto-sustentabilidade se soubermos explorar o que o mar tem para nos dar.
 
- Em que consiste a tua investigação/projecto? 
Trabalho em nutrição, e especialmente na manipulação das dietas em aqucultura de modo a modular a resposta imunitária dos peixes. Simplificando, depois de alimentar os peixes com dietas que contenham quantidades de um dado aminoácido superiores ao requerimento básico, avalia-se a sua resistência à doença e conclui-se se esse aminoácido contribuiu ou não para elevar as defesas imunitárias do animal. Eu trabalho especificamente com robalo e tenho estudado o efeito de três aminoácidos: arginina, meteonina e triptofano. Os resultados têm apontado para diferentes efeitos o que seria de esperar já que cada um deles actua por mecanismos distintos. A este tipo de dietas (suplementadas com um determinado ingrediente) chamamos dietas funcionais.
 
- Que aplicações práticas poderá ter o mesmo?
As dietas funcionais são usadas em aquacultura e têm como grande objectivo enaltecer, melhorar, estimular uma dada característica ou função no organismo dos peixes. No presente caso, as dietas suplementadas com aminoácidos poderão ser usadas como medida preventiva contra eventuais episódios de doença que, em contextos de cultivo extensivo, são muito comuns. Paralelamente à vacinação, a aplicação destas dietas permite assim evitar grandes perdas na produção e evitar ao mesmo tempo o uso de antibióticos ou outras substâncias químicas.
 
- Que significado teve para ti este prémio e o que poderá mudar na tua carreira? 
Além da grande surpresa que foi ver o meu trabalho classificado como o melhor a nível regional, claro que este prémio é muito recompensador, provando que a investigação que meu grupo e eu fazemos em conjunto é trabalho de muita qualidade e importância. Além disso prova que, apesar de sermos um país pequeno, cujos recursos em termos científicos infelizmente ainda estão aquém do ideal, somos capazes de fazer investigação de grande valor e que é reconhecido internacionalmente.
 
- Temos assistido a uma grande numero de cientistas portugueses residentes ou “emigrados” a conquistarem importantes prémios. O seu trabalho é aproveitado pelas empresas? Existe a tão proclamada ligação do meio académico ao meio empresarial?
Acho que, se o contacto indústria/meio académico ainda é escasso se deve ao facto de a própria indústria de aquacultura estar ainda pouco explorada no nosso País. Contudo considero que as actuais empresas ligadas à produção de peixe estão bastante disponíveis, estabelecendo diversas colaborações com as Universidades. Existem hoje-em-dia diversos programas de estágio e bolsas a decorrer nessas empresas que acabam por ser benéficas para ambas as partes.
 
- Como encaras o teu futuro?
Admito que com algumas preocupações. Tanto a indústria como a investigação em Portugal na minha área, são sectores um tanto ou quanto precários. Não ter um plano, um caminho definido a seguir às vezes assusta, mas faço por não pensar muito nisso. Foco-me no presente e nas oportunidades que vão surgindo e preparo-me o melhor possível para os cenários que vou encontrando. E quando trabalhamos e nos dedicamos, as oportunidades aparecem.
 
- Para além da paixão pela investigação, quais são os seus outros interesses?

Sempre que há sol e companhia, adoro sair de mota. Fazer passeios pelo País em duas rodas é das coisas que mais me dá prazer. Mas tiro imenso proveito de outros pequenos prazeres: estar com a minha enorme família, viajar com o meu namorado, ler muito e dedicar-me (quando há tempo para isso) a pequenos trabalhos manuais.
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Gestão de Stress – entrevista a Conceição Espada

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No ano de 2000 surge o primeiro modelo de intervenção de gestão de stress em Portugal – CE Gestão Stress – desenvolvido por Conceição Espada. Dando uns passos atrás no tempo, Conceição Espada possui um vasto currículo de formação e conhecimento empírico em torno do tema. Levando-a a escrever livros acerca do assunto, nomeadamente, o “Manual de Gestão de Stress para Empresas”, lançado em 2009 pela Editora Bnomics.
O segundo e último livro denomina-se por “Gerir o Stresse em Tempo de Crise – Não Deixe que a Crise Desgaste os Seus Recursos Mentais e Emocionais”, publicado em 2013 pela Editora Pergaminho. Um livro sob o qual a autora esclarece os diferentes fatores e sintomas stressantes, resultantes das diversas vicissitudes que uma pessoa encontra na vida. Dessas variantes dá-se o destaque à condição de crise económico-financeira que se tem sentido nos últimos anos e a forma, como esta, tem influenciado o dia-a-dia dos portugueses.

 

Após um breve conhecimento da sua actividade laboral surge uma curiosidade, que julgo seja geral, de saber a que níveis do stress desempenha a sua abordagem de intervenção?

A minha abordagem, face ao stress, abrange o stress a todos os níveis, sejam eles de foco laboral ou profissional, ao stress emocional, familiar e pessoal. Sendo que as minhas intervenções podem ser a nível de empresas, num âmbito mais profissional, ou mesmo particulares face ao stress pessoal mencionado.

Mesmo em termos de empresas posso acompanhar pessoas individuais, quando há casos de pessoas particulares que precisam de um acompanhamento maior ao nível do stress pessoal e da ligação, que no fundo tem a ver com a uma coordenação da vida pessoal e profissional. Tenho inclusive um modelo de teste, que aplico, de modo a apurar onde se encontram os desequilíbrios na vida da pessoa, no momento.

Depois tenho uma intervenção à parte das empresas em que trabalho numa clínica no sul de Espanha e outra cá em Portugal, onde dou consultas a nível individual às pessoas em termos de apoio emocional. Uma abordagem nas mais diversas matérias, desde doenças, a separações, entre outras variadíssimas coisas que acontecem na vida de uma pessoa e causam stress, a uns mais e outros menos, de formas diferentes.

 

É de notar que, na sua página (www.gestaostress.com), tem uma secção especialmente para mulheres, porquê?

Para mim a questão do stress feminino é extremamente importante e hoje em dia cada vez mais. Primeiro porque as respostas ao stress, por parte das mulheres, são diferentes do que as dos homens. Logo à partida por causa de uma questão fundamental, que é a questão hormonal. Nós temos ciclos que os homens não têm, para além do conhecido síndrome pré-menstrual.

Como temos um ciclo hormonal muito oscilante, quer ao longo da vida quer mensalmente, a forma como as mulheres respondem aos factores de stress varia consoante estão nos seus ciclos menstruais. Portanto uma adolescente quando começa a ser adolescente face às variadas alterações do corpo, entre outros, tem uma resposta diferente às questões do stress de quando já se encontra numa fase da adolescência estável. O mesmo se verifica na questão da maternidade, menopausa, entre outras, onde a perturbação hormonal é visível.

Eu costumo dizer que as causas do stress não são necessariamente coisas más, por vezes podem ser até ser das melhores coisas que nos acontecem na vida! Como por exemplo, ter um filho. Mas ninguém pode dizer que ter um filho não é um factor de stress, porque efectivamente o é.

Num segundo argumento, as mulheres actualmente têm uma grande quantidade de papéis que têm de desempenhar. Um dos papéis fundamentais é o de ser mãe, e pessoalmente continuo a achar que a mulher tem um papel fundamental na sociedade que é: educar! Se uma mulher estiver stressada a sua capacidade de dedicação é diminuta sem a mínima dúvida.

Sei que é forte dizer isto publicamente, mas digo-o e escrevo-o, que de facto, salvo raras excepções, a mãe tem um papel predominante na vida dos filhos. Sendo que a educação da sociedade está muito nas mãos das mulheres, tendo uma repercussão bastante nefasta caso a espiral de stress se “propague”.

Portanto é evidente que neste momento há uma necessidade de maior atenção, dedicação, carinho e sensibilização da sociedade para a questão do feminino neste sentido. Pelo que estarei presente num stand do Festival In, “Connect to Success” da Embaixada dos EUA de quinta-feira a domingo, no sentido de procurar este apelo e sensibilização.

 

Neste mesmo sentido, acha que a pessoa que tem stress tem algum perfil? Em termos de limite de idade, entre outros?

Não! Todo o ser humano tem stress, pois o stress leva à libertação de hormonas na corrente sanguínea. Regula hormonas como o cortisol e a sua libertação na circulação do sangue que, tal como a adrenalina, tem a ver com a própria capacidade do ser humano reagir às diferentes situações. É importante reconhecer que existe stress bom e stress mau, de modo a desmistificar esta questão, uma vez que em Portugal o stress é fortemente conotado enquanto algo negativo.

Eu comparo o stress ao colesterol; colesterol bom, colesterol mau; stress bom, stress mau. Por exemplo, o “stress bom” é aquele que nos dá a capacidade de nós agirmos e reagirmos. A própria capacidade do ser humano, em situação de perigo, reagir. Outro exemplo facilmente perceptível de se poder travar a fundo um carro em movimento, ou desviá-lo.

A questão é que a fronteira entre os dois tipos de stress é muito ténue. Por isso é que muitas vezes as pessoas começam a entrar numa parte do stress má e não se apercebem, começando involuntariamente a desenvolver sintomas físicos e comportamentais nesse sentido.

Reitero que o stress não separa sexos, raças nem idades! Como disse, dou consultas no sul de Espanha, nas quais tenho a possibilidade de lidar com pessoas das mais diversas culturas, pessoas de todos os países. Chego a dar consultas a russos, via tradução, por exemplo. Onde me vou dando conta que os factores de stress podem ser diferentes, no sentido de que em Portugal o stress pode estar maioritariamente relacionado com a crise económica. Sendo que noutros países, pode ser proveniente do contrário, onde as pessoas têm de gerir impérios. Mas todas elas têm fatores e sintomas de stress!

No que toca à idade há que afirmar que os factores de stress de hoje em dia são diferentes dos da minha época, ou mesmo da geração anterior. Nunca diria que numa reunião estaria o carteiro a entregar cartas – actualmente há e-mails, várias chamadas, e uma pessoa ter de responder a três mil coisas ao mesmo tempo! É evidente que os jovens hoje em dia têm stress mais cedo. Quão mais cedo as crianças têm acesso às tecnologias, pior o é, pois existe uma necessidade tremenda de ser tudo realizado no momento! A questão de esperar é algo pouco trabalhada nos dias que correm, falhando no contacto cara-a-cara, olhos nos olhos, entre outras.

 

Referiu sintomas físicos e comportamentais, nesse mesmo sentido, quais as principais consequências que podem advir do stress?

Tal como é dito pela própria Organização Mundial de Saúde: “O stress é o maior vírus do século XXI (vinte e um)”. Por poder proporcionar um abstencionismo grave nas empresas, organizações e vida das pessoas no geral.

Em termos de sintomas físicos, um que é bastante conhecido é a questão das insónias, a maior parte das pessoas ou dorme mal ou dorme pouco. Com uma agravante que, em Portugal, é um dos países da Europa onde se consomem mais tricíclicos/ antidepressivos. Ou seja, a pessoa começa a dormir mal e passado pouco tempo as pessoas começam a serem medicadas ou a automedicarem-se para dormir. Quando de facto a questão do sono e o ritmo são fundamentais na questão do equilíbrio do stress.

Outro sintoma grave que as pessoas não ligam, tem a ver com as questões digestivas ou da alimentação. Pode resultar em dois efeitos distintos, ou a falta de apetite ou o comer compulsivamente. A questão da obesidade, do excesso do peso e muitas vezes, não sempre, tem a ver com questões emocionais ligadas à questão do stress que se sente na vida das pessoas. Ou não têm tempo para comer e depois comem compulsivamente, ou comem coisas como fast-food. Outras pessoas simplesmente não comem, porque saltam refeições e perdem o apetite. Aparecem ainda mais sintomas como as questões cardíacas, tensão alta, coluna, entre outras.

Em termos emocionais verifica-se maior irritabilidade, falta de paciência, memória e foque. Existe o stress burned out, que é um caso de stress normalmente de origem profissional onde se verifica a falta de memória a uma larga escala, mas também efectivamente num estado de stress muito avançado. Por últimas em termos emocionais aparece ainda a menor apetência quer afectiva quer sexual, proporcionando uma menor qualidade nos relacionamentos. Por último basta ainda referir em termos de factores comportamentais, onde se verifica o aprofundamento dos vícios, como alcoolismo, tabagismo, entre outros.

Eu costumo dizer que para mim há duas questões que demonstram facilmente que a pessoa está sob stress. A primeira é quando esta diz que não tem stress, sendo a negação total do seu estado, quando à partida toda a gente tem stress como já foi dito. Em segundo lugar quando a pessoa diz ter tudo controlado, o que significa que a pessoa é fortemente vulnerável aos factores de stress, pois se algo não encaixa no “plano”…

É necessário ter em atenção que existem dois perfis muito fortes, o mais conhecido daquelas pessoas que estão sempre a correr de um lado para o outro e não param quietas. Mas um segundo perfil bastante oposto são aquelas pessoas aparentemente mais calmas, que no fundo, por vezes, pode ser pior no sentido de não exteriorizarem e procurarem um controlo interno muito grande.

 

Atendendo que, quem passa por muito stress, costuma ser associado a alguém muito ocupado, com um horário reduzido. Como é possível ter a atenção destas pessoas para as suas consultas?

Normalmente, quando uma pessoa decide ir a uma consulta de gestão de stress é porque já existe algo na sua vida que está a dar fortes sinais. Como por exemplo passar por uma situação familiar complicada, ou estar com um sintoma físico já grave, ou foi diagnosticado algo, ou porque de facto reconhece que necessita de parar um pouco e pensar na sua vida. Portanto frequentemente é porque já está a perder o controlo, ou na saúde física, relacionamentos, trabalho ou qualquer área da sua vida.

Em termos de empresas a razão já é diferente. Nestes três anos, por exemplo, tivemos uma fase em que notoriamente as empresas não aderiram por questões de cortes orçamentais e acharam que as pessoas eram menos importantes. Para mim as pessoas são sempre mais importantes e a longo prazo sem dúvida esta opção prejudica a produtividade da empresa. Neste momento sinto uma certa alteração nesse sentido, já está a virar novamente.

Quando nas empresas são feitas estas consultas, a nível de grupo ou individual, é porque a empresa as requisitou. Quando se trata das pessoas individuais o cenário difere, logo na primeira sessão eu dou uns passos para as pessoas fazerem no dia-a-dia. Estes passos acabam por ter benesses a curto prazo, sendo que normalmente resulta numa continuidade.

 

O facto de se sofrer stress e recorrer a consultas de apoio, nos dias que correm em Portugal, é vista a maus olhos pela maioria das pessoas, verificando-se uma conotação é negativa destas intervenções. Como se poderá alterar esta forma de encarar o acompanhamento?

Em Portugal as pessoas têm ainda uma dificuldade em assumir aquilo que se passa verdadeiramente. Há de facto a tendência de esconder ou omitir esta questão, transmitindo um controlo ilusório. Ainda há muito o “dentro de casa, fora de casa”, a imagem para o exterior. Enquanto a doença física se fala muito, acerca das doenças em Portugal no geral, quando se passa para uma questão mais de vulnerabilidade ou psicológica, parece que é alguma coisa negativa. Quando em Portugal algo que se nota facilmente a presença do stress é a agressividade visível no trânsito, por exemplo.

Quando no fundo é preciso desmistificar as questões, o stress existe, há factores de stress na vida das pessoas… E está provado cada vez mais que não se dar a devida importância aos factores emocionais das pessoas pode ter consequências gravíssimas. Como por exemplo, uma  tragédia muito recente, neste caso o Airbus A320 que se despenhou nos Alpes! Portanto eu acho que quanto mais cedo tivermos a percepção e aceitarmos as fragilidades não têm a ver com fraquezas, ser frágil não é ser fraco, as nossas fragilidades podem até ser a nossa maior força, se nós as trabalharmos.

 

Se pudesse numa pequena mensagem, convencer as pessoas da componente benéfica de contrariar o stress, que diria?

Eu não quero convencer as pessoas, elas têm de compreender por si, uma vez que as pessoas para serem ajudadas têm de o querer. Foi algo que aprendi ao longo da vida, com muitos anos de experiência de lidar com as pessoas… Não vale a pena ajudar alguém que não queira ser ajudado.

Acho que seria importante que as pessoas tivessem maior consciência delas próprias e como lhe digo, mais uma vez, das suas fragilidades. Conhecimento ainda das capacidades que possuem, para poderem ser mais produtivas, mais felizes e mais criativas, e deste modo poder criar à sua volta um mundo melhor. Ser mais feliz, porque no fundo uma das coisas que constato é que ao perguntar a qualquer pessoa o que ela quer, a resposta é muitas vezes: “quero ser feliz”. É evidente que depois o que é ser feliz para cada um diverge, mas na essência é o que as pessoas procuram.

Portanto para ser feliz é necessário ter um certo equilíbrio na nossa vida, física, saúde, mental, emocional, espiritual, entre outros. Num sentido de vida mais profundo, mais equilibrado e mais saudável! Nos andamos sempre todos a correr, cheios de stress e acabamos por não ter tempo para saber aquilo que é mais importante e o que é mais prioritário na nossa vida.

Hoje em dia as pessoas pensam que tudo é urgente e esquecem o prioritário. Para mim é urgente responder a e-mails, telefonemas, prazos, mas prioritário é a vida, o respirar, é o sol, é um pequeno minuto com alguém especial e que me faz sentir alegria, uma troca de palavras com o meu filho… Nesta correria que as pessoas andam, cheias de stress, as pessoas esqueceram-se do prioritário. Portanto a questão, friso, que lanço é: O que é que é urgente e o que é prioritário?

 

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David Machado – vencedor do Prémio da União Europeia para a Literatura

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David Machado é um escritor português que embora seja mais conhecido pelos livros infantis, no presente ano, venceu o Prémio da União Europeia para a Literatura com a sua obra “Índice Médio de Felicidade” (2013), um romance que descreve a repercussão da crise económica sob a população.

Mas o mérito deste escritor já foi reconhecido anteriormente, em 2005 foi galardoado com o prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e Expresso com “A Noite dos Animais Inventados” e em 2010 com a obra “O Tubarão na Banheira” recebeu o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores/ RTP. Sendo da bibliografia do autor dois romances, cinco livros de crianças e um conjunto de contos! Para além de marcar presença em vários encontros de literatura nacionais e ser publicado além-fronteiras, em países como Itália, Marrocos, Alemanha e Reino Unido.

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Eu queria com esta história, sobretudo, perceber como é que alguém que sempre esteve satisfeito com a sua vida, ao deparar-se com as mais variadas situações descritas, aguenta.

David, se pudesse descrever a sua obra “Índice Médio de Felicidade” em pequenas palavras, que diria?
O livro enquadra-se num contexto de crise, aliás retrata o contexto económico e financeiro em que vivemos nos últimos anos. Mas é sobretudo a história de um homem em crise, o “Daniel”. Um homem que sempre se sentiu feliz e satisfeito com a sua vida, como muito se diz um “optimista”, mas que de repente se vê confrontado com várias vicissitudes. Várias coisas lhe acontecem desde o desemprego, o desemprego da mulher que acaba por ficar separada fisicamente dele, com os filhos, por ter que trabalhar noutro local onde consegue arranjar emprego. A certa altura perde a casa, acabando por ir viver para o carro, continuando sucessivamente a acontecer cada vez mais desastres.

Eu queria com esta história, sobretudo, perceber como é que alguém que sempre esteve satisfeito com a sua vida, ao deparar-se com as mais variadas situações descritas, aguenta. Como se costuma dizer, em que lhe “tiram o chão debaixo dos pés”. É então que ele, forçosamente coloca em causa a sua felicidade, optimismo e planos para o futuro! A forma como se relaciona com as pessoas que lhe rodeiam, ou como este encara a própria vida. A forma como guiou o futuro dos seus próprios filhos, um adolescente e um pré-adolescente, o que é que ele espera ou se pode acreditar que, de alguma forma, eles poderão ter alguma espécie de futuro… Tudo enquadrado na situação actual.

Atendendo ser enquadrado no panorama actual, as palavras proferidas levam-me a questionar se a história tem uma base real ou empírica.
Antes de mais, não é de todo uma autobiografia. Parte de uma questão pessoal que é a esta da felicidade e nesse sentido o “Daniel” não sou eu, mas identifica-se bastante comigo. Eu sempre me senti uma pessoa feliz, satisfeita com a vida e isso sim, é um ponto de ligação com a realidade. Mas de resto as restantes personagens, episódios não vêm de mim.

É certo que aparecem situações reais que eu li em jornais, ou vi na televisão. Embora sejam coisas que possam parecer absurdas ou extremadas, como o homem ir viver para o carro, são cenários que, infelizmente, de facto acontecem! Outra situação que aparece no livro, por exemplo, é um episódio de adolescentes serem violentos para um sem-abrigo. Nestes e outros episódios retrato a realidade, embora não seja com base na minha vida.

Para mim a literatura serve, antes de mais, para me fazer pensar e depois, quem sabe, o leitor.

Qual foi o seu objectivo a redigir esta obra? Procurava partilhar a sua visão acerca da felicidade?
Acima de tudo eu queria debruçar-me , falar, sobre a felicidade! Para mim esse era o tema base, por sempre me ter questionado da minha felicidade. Eu queria compreender o porquê de eu ser feliz, o porquê de outras pessoas aparentemente em melhor situação que eu, não o são. Compreender o que tem de acontecer para alguém não ser feliz, daí ter usado a vida destas personagens, e sobretudo a do “Daniel”.

Para mim a literatura serve, antes de mais, para me fazer pensar e depois, quem sabe, o leitor. Daí que não é tanto o partilhar, até porque não acho que a minha ideia seja a mais extraordinária, ou mais relevante do que a dos outros. Eu com este livro cheguei às minhas conclusões e sei que há leitores que chegaram a conclusões diferentes e ainda bem.

Pode afirmar ter alcançado esse objectivo?
Sim, claro que sim. É óbvio que nunca chegamos a respostas absolutas e nem todas as perguntas têm respostas. Há inclusive muitas perguntas que não suscitam respostas, mas sim, mais perguntas! O que às vezes é o mais importante.

Acerca de algumas perguntas iniciais, por exemplo, as respostas podem ser variadíssimas, e algumas até muito curtas e diretas. Mas o que queria saber era que outras perguntas poderiam aparecer colocando estas perguntas. Felizmente, isso aconteceu. Não fiquei com teorias definidas e definitivas mas porque também não era o pretendido. Mas aconteceu, o objectivo de escrever este livro foi cumprido.

Não deixei de reparar que se formou em Economia, no ISEG, no entanto escrever foi sempre a sua “paixão”, substituindo os números por palavras. Neste mesmo sentido, como tem sido a conciliação do seu objectivo no panorama actual português?
Eu cheguei ainda, após a formação, a trabalhar na área mas ia sempre escrevendo alguma coisa. Eu acho que nunca tive razão para duvidar que fosse possível escrever livros enquanto profissão. Talvez esteja a sobrevalorizar coisas que me aconteceram. Coisas más que talvez eu é que as tenha apagado da minha memória…

Mas tanto quanto eu me recordo, no percurso desde que publiquei o meu primeiro post de jornal, basicamente aconteceu sempre alguma coisa boa a seguir. Nunca fiquei seis meses, ou um ano, em que nada de bom estava a acontecer e nada de motivador, nada que me fizesse acreditar que eu estava no caminho errado.

Obviamente que foi difícil e claro que não está tudo perfeito, antes pelo contrário. É claro que houveram muitas coisas que não aconteceram e gostava que tivessem acontecido mas na generalidade e, hoje em dia, sinto-me muito satisfeito com a vida que tenho. Tenho o meu trabalho, escrevo todos os dias e se não estou a escrever é porque estou dedicado a outras partes da minha profissional, relacionados com a escrita, a fazer entrevistas, ou apresentações em escolas, bibliotecas, ou a fazer oficinas de escrita criativa, enfim, tudo ligado à literatura e isso para mim é muito importante!

Diz-se que no campo das artes, onde a literatura se insere, os artistas necessitam não só de criatividade mas também fontes de inspiração. Concorda? Caso tenha uma ou mais fontes de inspiração, poderá partilhar connosco qual/quais?
Eu não gosto muito do termo inspiração, porque parece sempre algo de mágico. Eu acho que não tem nada a ver com alguma coisa transcendente. Tenho ideias como outras pessoas têm ideias, obviamente que para ter ideias é muito mais fácil se isso for canalizado através de outra coisa qualquer. De uma conversa, por exemplo, ou de um filme que eu vejo, algo que eu testemunhe na rua. É sempre mais fácil sermos influenciados por factores que nos são exteriores.

Mas é verdade que, por vezes, mesmo olhando para uma parede branca, as ideias aparecem na mesma. De onde isso vem não sei, mas há de ser de memórias, vivências… Há escritores que dizem que tudo o que nós precisamos para escrever livros o resto da vida aconteceu nos primeiros cinco anos da nossa vida!

David irá receber o prémio numa cerimónia que terá lugar em Bruxelas, no dia 23 de junho. Qual a sensação face à data?
O prémio está a altura de outras situações que eu considero sucessos na minha vida enquanto escritor, às vezes não são necessariamente públicos ou até serem muito expansivos, como é o caso de um prémio. Mas obviamente que o prémio tem um valor muito específico e não acontece todos os dias!

Sinto bastante contente por haver um júri, alguém que está ligado ao meio literário, que já leu muito, que tem perceção daquilo que faz um bom livro… E que olhou para o meu livro, no meio de uma série de livros e achou que o meu livro merecia ser distinguido. Isso para mim já me deixa muito satisfeito.

No caso deste prémio, concretamente, tem uma vertente que é diferente, no facto de ser internacional o que dá uma projecção ao meu trabalho que não posso desvalorizar. Permitindo que o livro chegue a outros mercados, seja traduzido em várias línguas…

Julgo que todas as pessoas que escrevam um livro, tenham aquele livro que tenha mais significado para si. Qual a obra? Porquê?
Eu não tenho nenhuma obra favorita, sobretudo porque escrevo narrativas. Se me proponho a escrever um livro é porque encontrei uma narrativa que me vai permitir pensar e viver ou experimentar alguns temas sob os quais quero pensar e sentir algo. No momento em que isso deixa de acontecer eu paro de escrever o livro. Pelo que nunca volto ao mesmo livro.

Pelo que se foi livros que publiquei, ou cheguei ao fim, foi porque me trouxe algo de novo. Claro que há diferenças entre eles, há uns que me levam mais por um caminho do que por outro. A única diferença maior há de ser que aquele livro que eu estiver a escrever no momento é o que sinto mais! Cujas questões ainda andam à volta dentro da cabeça.

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“antes de pensarem em escrever têm de ler!”

Qual o conselho que, em forma de mensagem, deixa àqueles que queiram fazer da sua vida a literatura?
R. O que costumo dizer é muito simples: antes de pensarem em escrever têm de ler! Têm de ler bastante, porque só assim se percebe do que se trata a literatura. Só assim é que podemos delinear na nossa cabeça aquele caminho que queremos seguir. Depois é tentar, não exactamente copiar, mas tentar fazer o mesmo género de coisas. Para quem está a começar o mais importante é mesmo isso, ler.

 

 

 

fotos: DR

 

Inês Caleiro (Guava) – Empreendedorismo além-fronteiras com assinatura portuguesa

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Apaixonada desde sempre pela moda, Inês Caleiro conta com um percurso feito no estrangeiro, tendo chegado mesmo a estagiar na conceituada Jimmy Choo. Entre Portugal e a Noruega, é atualmente CEO e diretora criativa da GUAVA. A jovem designer portuguesa partilhou o seu percurso e os desafios deste projeto. Um exemplo de empreendedorismo nacional que conquistou mercados além fronteiras.

 

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

1 – Como foi o seu percurso académico? 

Estudei Design Gráfico no Iade e desde sempre a areá da Moda me fascinou. Decidi logo que terminei o curso de Design Gráfico seguir para Londres e tirei uma Pós Graduação na London College of Fashion em Fashion design & Accessories. Neste curso, o meu projecto foi votado o melhor e com esse mérito recebi o prémio de melhor aluna do curso e consequentemente fui convidada para estagiar na conceituada Jimmy Choo.

 

2 – Participou no programa InovContacto. Como foi esta experiência? 

A experiência do Inov Contacto foi extremamente gratificante. Experenciei não só a realidade do sonho americano, como a oportunidade de trabalhar numa das empresas de Design de Produto de luxo com forte impacto naquele mercado. A possibilidade de construir e desenvolver a marca nos EUA teve um enorme valor para o meu percurso. Conhecer a realidade de desenvolver e promover uma marca de perto é extremamente enriquecedor.

 

3 – Que portas é que esta experiência lhe abriu?

Esta experiência trouxe-me acima de tudo o desejo e a vontade de começar algo. De desenvolver uma marca e desafiar-me a mim mesma. Além obviamente de ter conhecido e criado um network de pessoas que permitiram que o meu projecto começasse a ganhar forma.

 

4 – Entretanto surgiu a GUAVA. O que é a GUAVA?

A Guava é uma marca de design de sapatos, inteiramente inspirada em arquitectura e formas geométricas. É uma marca produzida em Portugal feita com enorme dedicação pelas mãos dos nossos artesãos portugueses.

 

5 – O que é que estes sapatos têm de diferente dos que já existem no mercado?

O cunho dos nossos sapatos está nos saltos altos geométricos. A nossa imagem de marca é essencialmente a arquitectura desenhada em cada salto. Todos os saltos são feitos por nós e exclusivos da Guava.

 

6 – Em que mercados se encontra a GUAVA ? Que mercados querem alcançar?

Neste momento estamos representados essencialmente na Europa, Rússia e Arabia Saudita. Estamos a estabelecer contactos com o mercado asiático e procuramos também apostar no mercado dos EUA.

 

7 - Recentemente a GUAVA fez uma parceria com a Baguera, para a criação de uma clutch. Como surgiu e em que consistiu esta parceria?

Foi super interessante o contacto entre a Guava e a Baguera. Eu e a Branca conhecemo-nos há algum tempo, quando a Guava ainda estava nos seus primeiros meses de existência. Sempre admirei o trabalho da Branca e a vontade de colaborarmos um dia. A ideia surgiu numa conversa de what’s app onde ambas revelamos o interesse em fazermos uma colaboração e rapidamente as ideias começaram a borbulhar.

 

8 – Quais os resultados alcançados?

O impacto na impressa tem sido bom. Temos estado a ter visibilidade e procura.

 

9 – Está entre Portugal e a Noruega (Oslo), numa marca que se começa a espalhar pelo mundo. Como sente que é visto Portugal e o que é feito no nosso país? Portugal está na moda?

Creio que os portugueses têm algum receio da imagem que passamos para fora, esses receios não deveriam existir. Em todas as culturas e países existem características boas e outras menos boas. Portugal tem sabido aos poucos “mostrar-se” e isso devido a esta nova “geração” de empreendedores e “conquistadores”. Em geral do que vejo por onde passo, está a acontecer esta vaga de “entrepreneurs”, e em Portugal estamos cada vez mais bem representados, é essa geração que está a saber passar a imagem que todos nós jovens queremos que Portugal tenha lá fora. Graças a isso os comentários que ouço são positivos e de reconhecimento por o que temos em Portugal.

 

10 – Como é ser-se um empreendedor português, no contexto mundial? É uma vantagem ou levanta algumas limitações?

Não vejo onde é que o facto de se ser empreendedor português possa trazer limitações. As limitações somos nós que as criamos e não o facto de que temos no nosso passaporte a nacionalidade portuguesa. Acredito que na sociedade global em que vivemos hoje em dia destacam-se as ideias e os resultados. O facto de ser português só nos deve trazer orgulho.

 

11 – Entre Portugal e Oslo, que projetos tem para o futuro ? Quais as próximas apostas da GUAVA?

O objectivo passa por continuar a espalhar o encanto da Guava pelo mundo.

 

foto: DR

D’Ornellas Boots – Joana e Gonçalo D’Ornellas em entrevista

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D’Ornellas Boots constitui uma marca portuguesa de botas, que surgiu em 2013 (dois mil e treze). Uma linha de calçado de dois irmãos, sendo os seus criadores e rostos Gonçalo D’Ornellas e Vasconcelos e Joana D’Ornellas. A excepcionalidade destas botas vai de encontro à sua qualidade e singularidade, qualidades provenientes do facto destas botas serem manufacturadas por artesãos portugueses e materiais também portugueses na sua totalidade.

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Quais as motivações que vos levaram à criação da marca das botas D’Ornellas?

A razão do surgimento das botas constitui em si uma história muito engraçada. A nossa família tem por si muita ligação à experiência rural, essencialmente em torno dos cavalos. Neste mesmo sentido o primeiro modelo D’Ornellas acabou por ser desenhado pelo Gonçalo, numa óptica de possuir umas botas versáteis que pudessem ser utilizadas tanto no campo como na cidade.

De uma necessidade particular acabou por se optar por iniciar o negócio. Permitindo ao consumir a obtenção de um par de botas que se adapta no diversos contextos, desde o clássico e elegante acompanhar de um fato, ao informal das calças de ganga.

Embora este modelo inicial tenha sido desenhado tendo em mente, enquanto público-alvo, o Homem, actualmente já produzimos quer modelos masculinos, quer femininos. Obviamente com linhas de design adaptados ao género, mas com o mesmo objectivo inicial. Podendo ainda caracterizá-las enquanto:

Produto 100% Português, feito à mão a partir do melhor couro por artesãos especializados, o conforto e design destas botas torna-as na opção ideal para utilizar em diversas situações do quotidiano.


Uma vez que acabaram por desenvolver modelos para Mulher, gostaria de saber se constituí  também  interesse em desenvolver uma gama para crianças?

Para criança nunca pensamos em fazer, uma vez, que fabricamos botas a partir do número 34 (trinta e quatro), para além de meios números. Como referido começamos com botas para Homem e agora já temos modelos para mulher, aos quais tivemos uma grande receptividade.

A D’Ornellas Boots tem actualmente três modelos disponíveis: o modelo clássico de atacadores as “D’Ornellas” e, mais recentemente concebidos, uma Bota de Elásticos laterais, as “Chelsea” e uns Sapatos (com nome a divulgar futuramente).

Num prazo, e aqui sim, constituí do nosso interesse abrir o espectro, será de desenvolver uma linha de Malas, Carteiras e alguns acessórios. Mantendo assim o mesmo público-alvo, mas indo de encontro à satisfação dos interesses e necessidades dos nossos clientes.
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Onde pode o cliente obter os vossos produtos?

O cliente pode adquirir as botas D’Ornellas e entrar em contacto directo connosco no nosso Showroom em Lisboa, onde se encontram todos modelos existentes em exposição.

A aquisição pode ainda ser realizada on-line ou ainda personalizada, sob a qual nós nos disponibilizamos a deslocar ao local onde o cliente se encontra, na zona de Lisboa.

[Todos os produtos encontram-se no site, podendo acompanhar os desenvolvimentos da marca nos seguintes links: www.dornellas.pt / www.facebook.com/dornellas.boots ou ainda entrar em contacto directo, através de: www.facebook.com/joana.dornellas]

 

Em termos de alcance a marca já ultrapassou as fronteiras portuguesas, alcançando Xangai, México, Nova Iorque, França e Inglaterra. Qual o passo que se segue em termos de metas face ao estrangeiro?

Para além dos países mencionados, felizmente, D’Ornellas Boots já alcançou mais países. Sendo que actualmente já foi possível vender os produtos, através da internet para Israel, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Bélgica, Suíça, Brasil.

Em termos de metas, e após a abertura de portas em Portugal, a ambição é seguir este mesmo exemplo e sucesso noutras capitais mundiais. Ou seja, procurar a abertura a horizontes ainda mais diversos e desafiantes.

Quais os obstáculos que, pessoalmente, sentiram ao procurar expandir a marca para o estrangeiro?

Quando se inicia um negócio existem sempre realidades que nos são imprevistas, não sei se lhes chamaria necessariamente obstáculos. Mas é evidente que os desafios são diversos, estamos cientes de que o crescimento deverá sempre ser controlado.

Procurando o máximo de realismo possível, sem dar passos maiores do que as próprias pernas. Até porque sendo as botas fabricadas à mão, a produção nunca poderá ser em massa, isto é, não conseguimos explodir em quantidades imensas. Ainda assim, estamos a ganhar estrutura para um novo voo para a Europa o que é por si muito positivo para a marca.

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De volta a Portugal, a marca já foi convidada a estar presente em inúmeros eventos. De entre essas experiências, qual foi a mais marcantes?

Todos os convites são bem-vindos e desde já agradecemos e muito a todos aqueles que até então nos tem convidado para os mais diversos eventos de norte a sul do país. Mas fazendo referência a um marco, o mais importante do ainda breve percurso das D’Ornellas Boots, foi o convite para participar na Moda Lisboa. Foi marcante pois permitiu-nos abrir um percurso no mundo da Moda, o que em termos de uma marca de calçado é fulcral e acima de tudo, benéfico.

Já se tocou nas metas em termos de passagem de fronteiras, resta perguntar quais os novos objectivos que pretendem alcançar com o negócio nos restantes domínios.

Ao criar a marca D’Ornellas Boots começámos a percorrer um caminho mais difícil do que esperávamos. Estamos a falar de uma marca muito recente e ainda embrionária.

A D’Ornellas Boots têm vindo a evoluir tanto nas peles adquiridas, nos mesmos fornecedores de grandes marcas mundiais, evoluímos também em termos da densidade da borracha, entre outros pormenores que marcam a diferença. Optamos essencialmente por defender e apostar na qualidade, no design e no conforto.

Os projectos têm que ser desenvolvidos com paixão para vingarem, é essa paixão que tentamos pôr em tudo em que nos envolvemos, por essa razão, podemos orgulhar em dizer que a marca tem crescido e o objectivo passa por continuar nessa linha nos vários pontos já falados.

Para terminar, fugindo um pouco à formalidade, gostaria de saber a opinião de ambos de “como é trabalhar em família”.

Trabalhar em família, por vezes, não é fácil e temos que ultrapassar algumas ou mesmo muitas contrariedades. No entanto trabalhamos sempre com a total confiança e cumplicidade que nos une e nos torna num só. Se os diferentes pontos de vista e feitios nos levam a algumas divergências, também são essas características que nos complementam, abordando os desafios nos diferentes pontos de vista.

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fotos: DR

Campeã de dança, manequim e voluntária – Margarida Dias em entrevista

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Margarida Dias tem 22 anos, nasceu em Braga, onde sempre residiu e ai concluiu a Licenciatura em Serviço Social na  Universidade Católica Portuguesa – Faculdade de Ciências Sociais. Na dança tem-se destacado a nível nacional, tendo alcançando já um palmarés muito interessante. Paralelamente, a moda tem-lhe “piscado o olho” e tem desfilado com alguma frequência.

Ligada à Pastoral Universitária descobriu o voluntariado em Cabo Verde, o que se tornou numa paixão. Localmente, coordena o voluntariado da Pastoral Universitária no Projecto Homem e faz voluntariado num lar de idosos.

A Excelência Portugal quis saber mais e entrevistou a Margarida.

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Este ano de competição foi super positivo. Alcancei todos os títulos nacionais tanto em Latinas como em Clássicas
- Com que idade descobriste a dança?  Foi a tua primeira modalidade?
Descobri a dança já relativamente tarde, com 16 anos por intermédio de uma amiga que me convidou a  experimentar uma aula de dança de salão. Não foi a minha primeira modalidade. Antes fui federada em Taekwondo mas , mais tarde deixei de praticar e assim que experimentei a dança de salão tive vontade de continuar.
 
Como conseguiste conjugar a alta-competição com a licenciatura?
Durante a licenciatura não foi muito difícil de conciliar porque os treinos eram ao fim da tarde e os campeonatos aos fins de semana. Na altura entrei na tuna e isso já não deu para conciliar porque coincidiam os horários, mas com a licenciatura nunca houve problema.
- Como decorreu este na Dança? Que títulos alcançaste ?
Este ano de competição foi super positivo. Alcancei todos os títulos nacionais tanto em Latinas como em Clássicas, nomeadamente o título de Campeã Nacional, o de campeã Nacional das 10 Danças, o de campeã do Ranking Nacional e o de campeã da Taça de Portugal nos dois estilos no meu escalão – Adultos Intermédios.
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O voluntariado muda qualquer pessoa, enriquece qualquer pessoa. Haverá sensação melhor do que vermos alguém feliz por algo que fizemos ou dissemos? Por vezes não é preciso muito! Sempre que entro no Lar de idosos onde faço voluntariado fico contente.
- Em que período da tua vida descobriste o voluntariado?  
Faço voluntariado desde que me lembro. Na Secundária, iniciei um projecto com atletas de desporto adaptado – Boccia de forma a conseguir alguns apoios e de eu própria apoiar a equipa em torneios. Fiz também voluntariado numa cantina social e visitas domiciliares a idosos para lhes fazer companhia. Mais tarde Comecei a fazer voluntariado num lar de idosos. Fiz ainda, já no final da Faculdade voluntariado em Cabo Verde.
 
- Através de que Instituição praticaste voluntariado e em que cenários/países?
Conheci a Pastoral Universitária na Universidade. A Pastoral Universitária apoia estudantes universitários e promove actividades por eles e para eles. Foi assim que tive a oportunidade de ir a Cabo Verde como voluntária nesta que foi a melhor experiência que tive, apesar de que tudo o que seja feito com amor pelos outros tenha um valor inestimável.

 
- Cabo Verde tornou-se uma paixão?  O que te cativou?
Desde o início da Faculdade que comecei a conhecer a cultura cabo-verdiana. O que mais me cativou e que tive oportunidade de comprovar no próprio país foi a simplicidade e o acolhimento.  Somos sempre bem recebidos. De uma forma tão simples e tão natural que não sei se em Portugal acolhemos da mesma maneira…
 
- Em que ilhas estiveste e que projectos desenvolveste?Estivemos na ilha de Santiago e na Ilha do Maio. Acho que mais do que desenvolver projectos, estivemos lá para ensinar e aprender. Provavelmente aprendemos mais do que ensinamos. Foi muito enriquecedor conviver com as comunidades, perceber a forma como gostavam da nossa companhia.

-  O que mudou em ti depois do voluntariado?
O voluntariado muda qualquer pessoa, enriquece qualquer pessoa. Haverá sensação melhor do que vermos alguém feliz por algo que fizemos ou dissemos? Por vezes não é preciso muito! Sempre que entro no Lar de idosos onde faço voluntariado fico contente. Apesar de custar ver algumas coisas, ficam tão contentes por um simples carinho ou um olá que já vale a pena! O voluntariado torna as pessoas menos egoístas, penso eu. Pensar no outro e conseguirmos colocar-nos no seu lugar é óptimo para nós próprios e para pensarmos em como gostamos de ser tratados também.
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A moda é outra parte da minha vida. Faz-me sentir bem comigo mesma e gostar mais de mim – não que eu não goste!
- A moda também tem estado presente na tua vida. Que papel representa e que importância lhe atribuis?
 A moda é outra parte da minha vida. Faz-me sentir bem comigo mesma e gostar mais de mim – não que eu não goste! Apesar de tudo, sempre que desfilamos ganhamos mais confiança, sentimo-nos bem, pelo menos é isso que sinto. Apesar de também a ter descoberto relativamente tarde, tem-me feito sentir muito bem.
 
- Quais as tuas expectativas a nível profissional?
A nível profissional, não poderia ter escolhido um curso diferente. Ser Assistente Social era o que queria e quem me conhece sabe que é a profissão que mais me realiza. Apesar de ser uma área bastante complicada, é muito gratificante. Não descarto a possibilidade de trabalhar no estrangeiro mas penso que em Portugal é uma profissão necessária e espero que o futuro seja risonho.
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fotos: DR e Nobodymodels

Investigadora portuguesa venceu o BiotechnologyYES, um prestigiado concurso britânico destinado a estudantes de ciências que queiram aventurar-se no mundo empresarial

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Joana Branco dos Santos venceu o BiotechnologyYES, um prestigiado concurso britânico destinado a estudantes de ciências que queiram aventurar-se no mundo empresarial. Joana Branco dos Santos e a sua equipa venceram a edição de 2014 e agora partem para o Texas, nos Estados Unidos, onde representarão a Grã-Bretanha.

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Quem é a Joana Branco dos Santos?

Joana Branco dos Santos nasceu nas Caldas da Rainha, no dia 8 de Novembro de 1987. Frequentou sempre as escolas da região e em 2007 rumou a norte, mais especificamente Vila Real, onde ingressou no ensino superior para se formar em Genética e Biotecnologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Seguiu-se um curto estágio de verão no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, com o intuito de ficar a conhecer um pouco mais do dia-a-dia em laboratório.  Depois surge a convicção que queria  trabalhar em neurodegeneração e resolve candidatar-se ao mestrado de Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Realizou o trabalho para a sua tese de mestrado no laboratório do Dr. Tiago Fleming Outeiro, no Institituto de Medicina Molecular, em Lisboa, e por lá resolveu continuar. Escreveram um projecto científico e concorram a uma bolsa individual de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.  Neste momento encontra-se a frequentar o Programa Doutoral do Centro Académico de Medicina de Lisboa, com especialização em Neurociências, e o seu trabalho é desenvolvido entre Portugal e Inglaterra (Leicester).

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- O gosto pela ciência já nasceu contigo?

O gosto pela ciência propriamente dita penso que não. Mas lembro-me que sempre fui muito curiosa, não em relação a tudo, mas em matéria de biologia e saúde. Queria sempre saber como tudo funcionava ao pormenor, perceber o porquê de o nosso corpo responder de uma determinada forma ao invés de outra perante um determinado estímulo externo, o que acontece no interior das nossas células quando damos essa reposta, o porquê de determinadas perturbações ou doenças poderem afectar de forma tão distinta diferentes populações e, portanto qual a implicação do nosso código genético perante essa perturbação ou doença, perceber de que forma podemos “mexer” na expressão do nosso código genético para atrasar, atenuar ou mesmo curar essas doenças. Já numa fase mais tardia, na recta final da minha licenciatura, comecei a desenvolver um enorme fascínio por aquele que considero o maior mistério que o Homem tem por desvendar, o seu próprio cérebro. E, daí ter percebido que o meu futuro académico passaria por estudar o cérebro humano e quais os mecanismos moleculares associados à morte de neurónios que acontece em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

- Achas que em Portugal terias condições para desenvolver o teu trabalho?  Como vês o sucesso de tantos portugueses que estão fora de portas?

Acredito que sim, aliás o meu trabalho de doutoramento passa também por Portugal. Comecei o meu doutoramento em Portugal e passado uns meses voei para Inglaterra e estabeleci-me na Universidade de Leicester, onde o nosso laboratório tinha já várias colaborações a decorrer. A minha vinda para Inglaterra já estava prevista à priori no meu projecto de doutoramento mas foi uma decisão totalmente minha, sabia que seria uma mais-valia a nível de crescimento pessoal e profissional. A ciência é universal, é importante  sair mesmo quando há condições para desenvolver o nosso projecto em “casa”, trabalhar em outros laboratórios, conhecer outras realidades e outras formas de fazer ciência, tudo isso é o que nos faz crescer não só como investigadores mas também como pessoas. Aliás se olharmos para o curriculum de todos os grandes cientistas e investigadores portugueses, hoje com os seus laboratórios sediados em Portugal, percebemos que a grande maioria fez parte da sua carreira lá fora e depois regressou. Faz-se muito boa ciência em Portugal e formamos excelentes investigadores, o problema passa pelo reduzido financiamento para manter essas pessoas em Portugal, as condições de trabalho são ainda muito precárias, pouco atractivas e com poucas perspectivas de crescimento. Portanto, quando não há dinheiro para continuar projectos, ou quando deixa de haver dinheiro para pagar salários, torna-se inevitável procurar oportunidades fora de portas, onde nos oferecem um maior reconhecimento monetário e mais garantias de crescimento e estabilização de carreira. Mas também há muitos que saem por opção, como no meu caso, porque procuram consolidação profissional ou apenas um novo desafio. Vejo com bastante naturalidade o sucesso dos jovens cientistas portugueses lá fora, porque vamos melhor preparados em comparação com outros estudantes de ciências de outros países e somos, regra geral, mais determinados e trabalhadores.

- Convives com outros investigadores portugueses no Reino Unido?

Temos uma grande comunidade científica portuguesa no Reino Unido. Estamos um pouco espalhados mas graças ao trabalho da Associação Portuguesa de Investigadores e Estudantes no Reino Unido (PARSUK), da qual sou membro, são organizados encontros anuais onde temos a oportunidade de conviver e discutir o estado da ciência portuguesa e outros temas da actualidade. Para além disso, há alguns estudantes de doutoramento e pós-doutorados na Universidade de Leicester com quem convivo diariamente. E curiosamente tenho também amigos e colegas na Universidade de Cambridge e em Londres.

- Pensas regressar?

Sim, quero regressar. A curto prazo tenho algumas experiências importantes para terminar em Lisboa, ainda no âmbito do meu doutoramento. Quando terminar o doutoramento gostaria de ficar em Portugal, mas claro que tudo dependerá das oportunidades profissionais que surgirem. Tenho consciência que o mercado de trabalho em Portugal é pouco competitivo nomeadamente na área de investigação e ciência e, nesse sentido o estrangeiro continua a ser uma opção bem real.

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- É no laboratório que passas grande parte do teu tempo. Em que consiste a tua investigação? 

O meu trabalho de doutoramento centra-se no estudo da doença de Huntington, uma doença neurodegenerativa hereditária, ou seja, com causa genética. É uma doença que se caracteriza por perda de coordenação motora, movimentos involuntários e, numa fase mais tardia, surgem complicações psíquicas e cognitivas que dão origem a alterações de personalidade, agressividade, depressão e demência. A nível histopatológico esta doença, tal como o Alzheimer e Parkinson, é caracterizada pela acumulação e agregação de proteínas “anormais” num grupo especifico de neurónios que acaba por levar à morte desses neurónios. O meu projecto de doutoramento consiste em estudar os mecanismos moleculares, nomeadamente modificações bioquímicas pós-traducionais que ocorrem após a formação das proteínas e, que levam à alteração e agregação dessas proteínas. Nesse sentido estamos a tentar identificar potenciais alvos terapêuticos que possam, numa fase posterior, ser utilizados pela industria farmacêutica para a produção de novos fármacos mais eficazes.

- Que aplicações práticas poderá ter o mesmo?

Tal como expliquei anteriormente o objectivo final do meu trabalho passa por abrir novas “linhas de investigação” através da identificação de potenciais alvos terapêuticos que deverão ser testados para o desenvolvimento de fármacos de última geração para o tratamento da doença de Huntington e outras doenças neurodegenerativas.

- Que significado tem para ti este prémio? 

Para além de todo o processo de aprendizagem, que apesar de bastante exigente se tornou extremamente compensador a todos os níveis, e das novas competências que adquiri numa área que não é de todo a “minha praia”, o prémio tem-nos proporcionado excelentes oportunidades para networking, tenho conhecido empreendedores com histórias de sucesso fantásticas, interagido com investidores reais e  pessoas ligadas às mais diversas áreas da indústria biotecnológica e do mundo empresarial. Mas mais importante que tudo isso, este concurso fez-me sair da minha zona de conforto e proporcionou-me o contacto com novas e diferentes realidades que me ajudaram a pensar um pouco “fora da caixa” e no que está para lá das portas de um laboratório.

- Defendes que a indústria portuguesa devia apostar mais nos jovens cientistas. Achas que a ligação meio académico/meio empresarial não funciona ?

Não de todo, nomeadamente em Portugal. Temos um número brutal de doutorados para as vagas disponíveis no sistema científico e académico nacional. E portanto, estamos a assistir a uma crescente necessidade de empregar e transferir investigadores do sistema científico, e em particular das universidades, para as empresas. No entanto, é necessária uma maior consciencialização para este problema e uma maior abertura das empresas portuguesas à inovação, mas também é necessário atrair mais jovens cientistas para a indústria e para o sector privado. Penso que uma das soluções passa precisamente pela criação, em Portugal, de concursos semelhantes ao “Biotechnology YES”. Este concurso é desenhado para investigadores em inicio de carreira e projectado para aumentar a consciencialização sobre a importância da comercialização de ideias biotecnológicas e biomédicas. A ideia é atrair mais jovens cientistas para a indústria de forma a aumentar a produtividade e a competitividade da economia. Além disso, neste género de competições é esperada uma interação pró-activa entre jovens investigadores e potenciais empregadores ou investidores o que permite também a consciencialização, por parte do empregador, do potencial e das vantagens que um jovem cientista pode trazer para a sua empresa. Por exemplo, no Reino Unido há cada vez mais empresas e instituições a financiarem e a tomarem parte destes concursos porque vão precisamente à procura de novos colaboradores com determinação e vontade de inovar.

- Como encaras o teu futuro?

Neste momento estou focada em terminar o meu doutoramento o melhor possível. Em relação ao futuro da minha carreira profissional tenho várias hipóteses em cima da mesa e alguns projectos que gostaria de ter a oportunidade de desenvolver ligados ao empreendedorismo científico.

- Para além da paixão pela investigação, quais são os seus outros interesses?

Sou uma apaixonada por naturopatia na cozinha e consequentemente tudo o que involva um estilo de vida saudável e equilibrado. Ir correr, fazer uma aula de body pump ou simplesmente dedicar algum tempo a planear e preparar as minhas refeições é das coisas que me dá mais prazer e me ajuda a aliviar os níveis de stress e ansiedade. Para além disso, e a um nível mais intelectual, interesso-me por política e gosto de escrever sobre diversos temas da actualidade. Estou aliás a ponderar criar um blog muito brevemente.

 

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Pictomed – um projeto de Design Inclusivo (entrevista)

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A Pictomed constitui um projeto de Design Inclusivo com o propósito de desenvolver uma linguagem universal que permita o consumo de medicamentos de forma adequada. O projeto surge após a constatação de que as bulas dos medicamentos possuem frequentemente uma linguagem pouco acessível à compreensão do público em geral. Acresce que pessoas invisuais ou com deficiência motora encontram ainda uma panóplia maior de limitações neste mesmo sentido.

O projeto foi criado por duas jovens, de igual modo empreendedoras e criativas portuguesas, nomeadamente Sara Agostinho  e Romina Fernandes. Ambas formadas em Design Gráfico, pela Escola Superior de Artes Aplicadas, em Castelo Branco.

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Quais as motivações que levaram, duas formadas em em Design Gráfico/ Comunicação, se fundirem num projeto ligado à área da saúde? Para além de efetivamente procurarem um mundo mais inclusivo.

O projeto Pictomed surgiu em 2009, quando na cadeira de tipografia, foi proposto a ambas as promotoras um exercício, que consistia em aplicar diferentes tipografias, corpo de texto e cor, numa bula de medicamento e compreender como essas alterações influenciavam a legibilidade do documento. Quando a fundadora Romina Fernandes se deparou como este pequeno exercício afectava a  leiturabilidade da bula, questionou-se como fariam as pessoas com problemas de visão para terem acesso a uma informação com tamanha relevância.

Foi neste contexto que surgiu a ideia de criar uma solução, tentando aliar as nossas competências técnicas a uma necessidade real. O fato de não ser direcionado à nossa área de formação, não é inédito, pois em design de comunicação, é comum deparamo-nos constantemente com trabalhos de temáticas que não dominamos. Contudo tivemos desde inicio a consciência de que a área em que nos estávamos a inserir (saúde) é sensível. Todos os produtos e serviços são criados com normas mais estandardizadas, aplicando regras para o cidadão comum, a nossa motivação passou principalmente por incluir pessoas que não se enquadram normalmente nesses padrões, mas que têm os mesmos direitos à informação. Para além disso também pretendemos conferir maior qualidade de vida, pois as pessoas poderão ser mais autónomas e consequentemente mais ativas.

Estima-se que “cinquenta por cento da população mundial não toma corretamente a medicação”. Dados que não ficam à margem da atenção, de que modo se pode afirmar que a alteração (complemento) à apresentação das bulas e medicação possa contribuir para a diminuição do uso incorreto do medicamento?

Um medicamento é concebido com finalidade curativa, contudo a sua eficácia não depende meramente da sua composição mas também de outros fatores, que se traduzem numa administração correta. Sendo a bula a principal fonte de informação oficial disponibilizada, acreditamos que esta não é acessível a um conjunto de pessoas. O nosso objetivo é complementar a informação atual, para uma toma mais eficaz e rápida.

A nossa solução teve como principio a criação de pictogramas, que representam através de desenhos os conceitos tangíveis do processo de toma dos medicamentos. A linguagem visual é um forte recurso na transmissão de mensagens, facilitando assim a comunicação, pois é mais simples e direta. O nosso cérebro tem tendência para reter melhor a informação visual.

Nesse sentido a Pictomed criou um sistema de pictogramas que caracterizam aspectos como: horário, dosagem, modo de toma e patologias, etc. de modo a personalizar a terapêutica a cada pessoa. Acreditamos que este será um grande contributo para a  diminuição do uso incorreto do medicamento, pois a informação está disponibilizada em cada caixa, num formato de autocolantes, com grande dimensão e contraste. Estes estarão sempre presentes no ato da toma, relembrado assim ao consumidor qual o modo certo de tomar a sua medicação.

De que modo procuram alcançar este mesmo objetivo?

Nos últimos meses a Pictomed esteve a desenvolver o protótipo, para testar e validar em contexto real, de modo a comprovar a eficácia e funcionalidade do sistema. Para nós, como designers, é importante compreender as reais necessidades dos utilizadores, para desenvolver um produto que seja totalmente inclusivo. O nosso objetivo é que o nosso produto chegue ao público pretendido, para isso neste momento estamos à procura de recursos financeiros, por exemplo investimento e parcerias, para o desenvolvimento do produto e angariar os recursos necessários. Em paralelo a equipa da Pictomed está a preparar uma campanha de Crowdfunding, prevista para breve.

Quais as grandes vitórias alcançadas até à data? É possível verificar que se encontram presentes em Farmácias da Covilhã e Fundão, qual a área geográfica de influência que a Pictomed procura alcançar?

A primeira vitória foi o passaporte para o empreendedorismo, que deu a grande possibilidade de continuar com projeto, pois ambas as promotoras tinham um trabalho fixo e não tinham total disponibilidade para o seu desenvolvimento. Esta bolsa proporcionou a dedicação a tempo inteiro, tendo sempre como foco a Pictomed.

Outras grande vitória alcançada até hoje, foi conseguirmos mover pessoas, que acreditam no projeto e que têm contribuído para a evolução do mesmo. Todas elas com diferentes ambivalências desde: gestão, financeira, consultoria , social media, relações públicas, ciências farmacêuticas e medicina, têm acrescentado valor ao projeto, com os seus feedbacks nas diversas áreas.

E por último a mais importante de todas, tem sido ver o impacto do projeto implementado nas farmácias, as pessoas referem que é uma mais valia e que entendem melhor a terapêutica, temos testemunhos como o da D.Clementina “que giro…existem ideias realmente muito giras, esta é muito prática e necessária” ou como o da farmacêutica Catarina, (na Farmácia de Oeiras, onde foi realizado um beta testing): “O projeto é magnífico, está muito bem desenvolvido e é muito pertinente”. Para nós tem sido impressionante, a receptividade ao projeto e corresponder aos ideais para o qual foi desenvolvido.

Sendo um projeto de design inclusivo, não podemos afirmar que temos uma zona geográfica de atuação especifica, pois pretendemos que a Pictomed esteja em todo o lado. Contudo houve a necessidade de selecionar algumas farmácias para a realização dos beta testing, neste caso selecionamos a zona da capital e no interior do País, por espelharem realidades bastante diferentes e assim obtermos diferentes feedbacks.

A equipa é atualmente constituída por mais dois elementos, contando com o apoio de quatro instituições, de entre elas o Governo Português. Será de prever a longo prazo um aumento nestes setores correto? Quais os grandes objetivos a alcançar daqui em diante?

Como referimos, neste momento a nossa equipa já conta com um conjunto de elementos das mais variadas áreas. A longo prazo pretendemos aumentar a equipa, pois quanto mais diversificada for, mais valências terá o projeto. O nosso objetivo passa também por obter apoio e parcerias de instituições /associações ligadas à área da saúde.

Na próxima fase, a Pictomed pretende desenvolver a Mobile APP, pois será um grande complemento ao sistema, e ajudará sobretudo pessoas invisuais. Esta terá outras funcionalidades importantes, como por exemplo os alarmes.

O grande passo a alcançar será produção e comercialização do produto, fazendo assim chegar o sistema Pictomed junto do seu público alvo e também alcançar outros mercados internacionais. Pretendemos assim, ajudar a criar uma sociedade mais justa e informada, e este será o nosso contributo para um mundo melhor.

Por último, seguindo num outro sentido, gostava de compreender como os mundos de ambas criadoras se encontraram, assim como numa ótica de mensagem, qual o conselho que dariam para pessoas que juntas procuram desenvolver um projeto. (O que é necessário em termos informais, entre outros aspetos)

O nosso caminho cruzou-se durante a Licenciatura, e teve continuidade no Mestrado. Durante o Mestrado ambas as criadoras estavam a desenvolver projetos de Design Inclusivo para o sector da saúde e ambos tinham o mesmo intuito: investigar, desenvolver e simplificar informação para um nicho específico, e perceber como o design poderia ter um contributo tão importante na componente social. Ambas somos apaixonadas por desafios e pela nossa área de formação, sempre quisemos aliar os nossos conhecimentos a algo que fosse realmente útil para a sociedade. Após a conclusão do Mestrado, cada uma seguiu o seu rumo. Até que julho de 2014 surgiu a oportunidade de nos juntarmos e continuar a Pictomed. Mais do que colegas de trabalho somos amigas, apesar do principal fator que nos uniu nesta aventura, foi partilharmos a mesma vontade de contribuir com o nosso trabalho para melhorar a vida das pessoas.

O principal conselho que podemos deixar é fazerem aquilo que realmente gostam e que acreditam. A escolha da equipa é sem dúvida o maior desafio de qualquer projeto, pois mais que competências técnicas, é necessária paixão e empenho a cem por cento, seja qual for o seu papel. Outro conselho que podemos deixar é não ficar fechado em casa, é importante criar rotinas e ter um local específico para trabalhar. No nosso caso, optámos por uma incubadora e tem sido bastante interessante a troca de sinergias com outras startups. Por último, mas também muito importante, não tenham medo de falar sobre o vosso projeto, a partilha de ideias com pessoas das mais diversas áreas, e que provavelmente já passaram por experiências semelhantes, faz-nos “pensar fora da caixa”.

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[Para mais informações acerca da Pictomed pode consultar os seguintes links: www.pictomed.pt; www.facebook.com/Pictomed. Ou ainda entrar em contacto através de pictomed@gmail.com.]

 

fotos: DR

Cátia Ferreira é uma das 3 finalistas do jumping Talent – Entrevista

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Cátia Pinto Ferreira destacou-se na 2ª edição do jumping Talent pela sua capacidade de trabalho, dedicação e adaptação, A jovem leiriense foi uma das três finalistas do evento promovido pela Universia Portugal.
O Jumping Talent  é o concurso de talento universitário que permitiu aos 70 melhores candidatos de entre 512 inscritos a prestarem as provas mais originais para serem recrutados pelas empresas participantes. A 2ª edição do evento realizou-se a 24 de Março na Câmara de Comércio e Indústria de Lisboa.
Os critérios de selecção passam pelo bom desempenho académico, pela fluência em inglês, capacidade de iniciativa, entusiasmo e vontade de dar o salto para o futuro!

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Cátia Pinto nasceu, a 8 de Fevereiro de 1992, em Leiria. Fez o ensino Básico na Escola da Maceira (actual Agrupamento de Escolas Henrique Sommer) e frequentou a Escola Secundária Domingues Sequeira do 10º ao 12º em Ciências Sócio-económicas. Ingressou numa Licenciatura em Gestão no ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão (Universidade de Lisboa-School of Economics and Management).
Em 2012 integrou um programa de Erasmus, na Áustria onde estudou 6 meses Business Admnistration, Management.  Em 2013 concluiu a licenciatura e decidiu continuar a sua formação académica, escolhendo o Mestrado em Contabilidade, Fiscalidade e Finanças Empresariais.
O ano passado decidiu aventurar-se em mais um programa de mobilidade internacional na República Checa, onde esteve por 10 dias. Interessa-se por temas ligados ao empreendedorismo, diversidade cultural, inovação e sustentabilidade.
Privilegia as rotinas desportivas e recorre ao exercício físico como forma de relaxamento. Já foi directora geral de uma júnior empresa, já trabalhou na área dos recursos humanos e na banca. Ah, e tem 23 anos!
 Tenho uma espécie-de-bicho-carpinteiro que não me permite parar quieta e sempre tive um gosto especial pela inovação e “fazer-diferente”

Como te caracterizas?

A nível académico e profissional sou uma apaixonada pelas actividades e experiências em que estou envolvida, dando privilégio à aprendizagem multivariada e diária. Sou tolerante e facilmente me adapto a novas culturas e espaços profissionais. Tenho uma espécie-de-bicho-carpinteiro que não me permite parar quieta e sempre tive um gosto especial pela inovação e “fazer-diferente”. Danço desde os 9 anos e desde os 16 que sou coreógrafa e líder do meu grupo de dança.

Já representei Portugal no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, pela Escola Secundária Domingues Sequeira e já trabalhei na área de Recursos Humanos e na Banca. Mais recentemente, fui Diretora Geral de uma Júnior Empresa de Consultoria de Gestão (ISEG Junior Business Consulting), onde era responsável por liderar 33 jovens empresários e 6 departamentos; Foi uma experiência única e que me permitiu ter uma visão holística sobre a dinâmica empresarial e de como é difícil liderar e gerir uma empresa.

Fiz ainda parte da organização do BET24, um evento de empreendedorismo que alcançou cerca de 300 pessoas durante 24 horas consecutivas. Organizei a “1ª Conferência de Empreendedorismo ISEG JBC” e fui convidada a dar o meu testemunho sobre “Empreendedorismo Jovem, quando começar?”. O ano passado conheci a AFA-Associação Fazer Avançar, em Leiria e integrei um projecto espetacular: o SPEAK, onde sou voluntária.

Em suma, o meu perfil é o cruzamento das minhas vivências académicas, profissionais e pessoais. Aprender com os erros, ultrapassar e lutar contra as adversidades sem nunca desistir! Aproveitar sempre as boas oportunidades que surgem, apaixonando-me pelo que faço!… E claro: sorrir à vida e aproveitar cada momento!

Acho brilhante a aproximação num tom mais informal dos jovens universitários às empresas! Para a maioria dos estudantes recém-graduados as empresas são “um-bicho-papão” dado os formalismos pré-existentes.

Porque foste ao Jumping Talent? Como soubeste do concurso? O que te motivou a participar?

Primeira impressão que tive quando ouvir falar do Jumping Talent: “Concurso de Talentos?  As empresas vão competir pelos candidatos com maior potencial? Vão ser seleccionados os melhores perfis universitários para demonstrarem as suas competências aos coaches das respectivas empresas? – Eu quero fazer parte disto sem dúvida! ”

Acho brilhante a aproximação num tom mais informal dos jovens universitários às empresas! Para a maioria dos estudantes recém-graduados as empresas são “um-bicho-papão” dado os formalismos pré-existentes. O Jumping Talent é um quebra-gelo que permite um contacto com o meio profissional num ambiente mais descontraído. Quando recebi a chamada a dizer: “Cátia, é uma das candidatas seleccionadas!” Fiquei radiante! A oportunidade de participar neste concurso é excelente: é passar do “story-telling ao story-doing”, quero aproveitar ao máximo o evento e todos os desafios que me serão propostos.

Como foi a experiência Jumping Talent?

Foi dar um GRANDE SALTO! Para além dos prémios atribuídos aos 3 desafios em equipa, o evento tinha ainda como objectivo distinguir os 3 talentos revelação 2015, ao final do dia; No final do dia, eu fui uma das 3 escolhidas pelo júri. Recebi por parte do júri institucional uma distinção pelo desempenho ao longo do evento; destacaram a minha capacidade de comunicação, relacionamento interpessoal com os colegas e empresas, capacidade de trabalho em equipa, dinamismo e motivação. Os candidatos que chegaram à fase final constituirão a plataforma fundamental na qual as empresas participantes apoiarão os processos de selecção dos seus programas de estágio e primeiro emprego. Para além disso, eu e as 2 colegas que recebemos a distinção, ganhámos ainda uma mala de viagem e um kit de produtos L’oreal.

Foi extraordinário subir ao palco para receber a distinção como Talento Revelação 2015 (sinceramente, não o esperava). Na minha opinião o melhor prémio foi ter a oportunidade de participar num evento como este; os desafios em equipa colocaram à prova as minhas competências e permitiram-me testar os meus limites, bem como, sair da minha zona de conforto.

O desafio que mais temia era o de responder a uma questão aleatória perante os júris, em 20 SEGUNDOS; mas, passados os 20 segundos em palco constatei que até tinha corrido bastante bem. Adorei o dia desde o primeiro momento que pisei a Câmara do Comércio de Lisboa. Toda a equipa da Universia teve o cuidado de tratar minuciosamente de todas as etapas do evento; Os desafios estavam muito bem estruturados e deram um toque de autenticidade à relação empresa-estudante, estudante-empresa e houve oportunidade para networking com as empresas em painel. Foi um dia em Grande, non-stop! Muita criatividade, garra e dinamismo!

profissional apresentação
Quais são agora as tuas metas académicas e/ou profissionais de curto prazo?

Terminar a minha dissertação (TFM- trabalho final de mestrado) e estou a frequentar o Curso Internacional de Coaching, de modo a diversificar as minhas competências e adquirir ferramentas mais inovadoras que possam ser aplicadas à Gestão e a nível pessoal.

E as profissionais e/ou académicas de longo prazo?

A nível profissional ambiciono trabalhar numa área relacionada com a minha formação e alcançar os meus objectivos pessoais. A nível académico pretendo continuar a investir nas diferentes vertentes que a Gestão alcança.


Um sonho?

Inspirar pessoas e apaixonar-me completamente pelo que faço! As simples as that!

Um lema?

Acredito que devemos de Sonhar em GRANDE e realizar os sonhos à nossa medida!

Uma referência (pessoa)?

Costumo dizer que a minha Mãe é o meu braço direito e que o meu Pai é um visionário que me inspira todos os dias!

 

fotos:DR