Metamorfose muda face do antigo prédio da Oliva no Porto

Metamorfose[1]

Metamorfose é o nome da estrutura metálica que a dupla de arquitectos FAHR 021.3 projectou para a fachada do antigo edifício da Oliva, ao lado da Estação de São Bento. É a primeira de várias intervenções realizadas no âmbito do projecto Locomotiva, dinamizado pela Câmara Municipal do Porto, através da PortoLazer, e cofinanciado Programa ON.2 – O Novo Norte, com o objectivo de dinamizar a área envolvente à Estação.
A Metamorfose vai manter-se na ruína da Oliva até ao final do projecto Locomotiva, previsto para Junho de 2015. A Excelência Portugal entrevistou os arquitectos Filipa Frois Almeida e Hugo Reis do colectivo responsável pelo projecto.

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Metamorfose significa uma mudança na forma e na estrutura do corpo. A proposta da FAHR 021.3 é resultado de uma fusão entre a ruína e a escarpa acidentada de granito

Em primeiro lugar, gostaria de saber porque Metamorfose? Sendo uma reinterpretação da encosta e das ruínas, porquê a utilização do aço?

Metamorfose significa uma mudança na forma e na estrutura do corpo. A proposta da FAHR 021.3 é resultado de uma fusão entre a ruína e a escarpa acidentada de granito, transformando-se numa malha digital, uma interpretação do espaço. Metamorfose foi deste modo escolhido por ser o único que fazia sentido. O aço foi o material escolhido pois para além de já haver alguma utilização na cidade do Porto de materiais da mesma família – as pontes em ferro, o antigo Palácio de Cristal, a própria estrutura de contenção existente na ruína Oliva- é o material adequado para realizar uma estrutura com este porte e torção e que vivesse durante os meses previstos.
 

Em segundo lugar, sendo uma aluna de arquitectura, compreendo o poder do conceito, mas será tangível ao resto do público?

Para a FAHR o mais interessante é que as nossas peças tenham várias mensagens inerentes. Não nos interessa defender só um único ponto de vista, nem um conceito fechado apenas perceptível a um grupo de pessoas. Daí a estrutura ter vários paralelismos com a cidade do Porto desde a cor, ao material, ao aspecto acidentado, à relação entre a ruína e a escarpa. A intenção é surpreender, provocar as pessoas, e que pensamos estar a fazer esse efeito nas população invicta e seus turistas.
 
Em terceiro lugar, qual a posição do vosso atelier em relação à ruína onde está a intervenção? Tendo em conta que foi abandonada nos anos 60, porque decidiram ter uma instalação e não um possível início de proposta para deixar essa hipótese mais consciente?

O desafio realizado pela Porto Lazer era desenvolver uma instalação no espaço da ruína. A FAHR tem já portfolio na area artística com instalações com vários propósitos que servem vários programas, como estudante de arquitectura que és, sabes que existem programas, encomendas, perguntas para responder e inclusive responsabilidade social. Desta forma, responde-se ao que nos é pedido com o propósito que nos é colocado. A ideia da Porto Lazer motivada por nós é intervir em espaços devolutos por períodos curtos que ajudem a dinamizar o tecido urbano e a integrar vazios esquecidos, desde dos anos 60 que nada foi feito nem com muito nem com pouco, apesar de tudo a Metamorfose reintegra uma ruína na cidade, sem esquecer que esta não é uma ruína de valor patrimonial.

Seguidamente, sabendo que arquitectura é muito mais do que construção e a vossa preocupação com luz e cor foi muito importante para o projecto, porque razão a escolha do verde e não utilizar, por exemplo aço corroido realmente?

Aquilo que utilizamos ou não é uma questão de abordagem de autor, poderíamos usar aço corroído e poderíamos usar aço inoxidável…no entanto, a nossa intenção de fazer destacar uma forma de uma ruína que já tinha uma estrutura de aço OXIDADO e alvenaria passou por ser com uma cor forte que promovesse mais a forma e a própria materialidade da peça.

Por motivos de de conceito optamos de pintar a estrutura em aço de verde, uma referência aos programas de modelação que utilizamos, assumindo quase um caracter digital construído.

Por outro lado, que uma cor tão alegre, jovem e fresca iria estabelecer um diálogo disruptivo com a cidade e iria provocar os transeuntes.
 
Por fim, como consideram que a vossa instalação vai afectar as pessoas? E qual era a pretensão inicial?

Temos recebido imensas mensagens de pessoas que nos agradecem pela intervenção audaz e provocadora na ruína, o que é bom pois era essa a ideia inicial. A intenção era repensar um espaço esquecido no centro do Porto, integra-lo no cenário envolvente e devolver-lhe dignidade. Acho que temos tido um feedback super positivo tanto a nível nacional como a nível internacional.

fotos:DR
video: Building Pictures