Jovem Investigadora em Eletroquímica recebeu prémio da SPE 2014

diana1cA investigadora do REQUIMTE/LAQV, Diana Fernandes, venceu o prémio de Jovem Investigadora em Eletroquímica do ano com o seu pós-doutoramento no Departamento de Química e Bioquímica da FCUP.

Diana Fernandes nasceu em Barcelos, a 12 de Fevereiro de 1980, onde viveu até concluir o 12º ano. Terminado o ensino secundário ingressou na licenciatura  em Química da Universidade de Évora. Em 2006, através de uma bolsa de investigação, muda-se para a Universidade de Aveiro  e um ano depois inicia o seu doutoramento. Após 4 anos de doutoramento candidatou-se a uma bolsa de pós doutoramento para aUniversidade do Porto, onde está desde Abril de 2011. diana1a

Com que idade sentiste o apelo pela ciência?

Não posso dizer que tenha sentido um apelo pela ciência numa idade específica. Foi uma coisa que foi acontecendo aos poucos. O facto de ter escolhido química foi devido a uma professora de explicações de química que tive no 12º ano. Até então nem sequer gostava muito da disciplina pois tive uma péssima professora do 10 ao 12º ano. Depois durante o curso existiram vários professores que me foram despertando o interesse pela ciência, que ficou ainda mais forte no estágio curricular do curso que envolvia um ano de trabalho laboratorial. Mais tarde, em Aveiro, a Doutora Helena Carapuça incentivou-me a fazer um doutoramento o que contribuiu em grande parte para hoje estar na ciência.

- Ser investigadora era um sonho ou foi obra do tempo e do percurso?

Tal como disse anteriormente foi mais obra do tempo e do percurso até porque nunca me tinha passado pela cabeça ser investigadora. Depois de terminar o curso fui trabalhar para uma empresa mas como o trabalho era um pouco repetitivo e nada desafiante decidi tentar a investigação. Fui para Aveiro para uma bolsa de investigação e aí o interesse pela ciência cresceu.

- Em que consiste o projecto que estás a desenvolver no àmbito do pós-doutoramento no Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) ?

O projecto visa contribuir para as soluções para os actuais desafios globais de fornecimento de energia devido a graves problemas da mudança climática e da procura de novas fontes de energia renováveis. Neste contexto, o meu trabalho consiste no desenvolvimento de uma nova geração de híbridos eletrocatalisadores à base de materiais de carbono e polioxometalatos para aplicações relacionadas com a energia que incluem reacções electroquímicas relevantes como a decomposição da água nos seus constituintes O2 e H2, a redução do oxigénio para células de combustível e a reacção de redução do CO2 como uma estratégia para a redução electroquímica do efeito de estufa. Outra vertente é a aplicação destes materiais na construção de sensores para remoção de poluentes emergentes.

- Que aplicações práticas poderá ter o mesmo?

Podem existir várias. Por exemplo, o trabalho mais relacionado como os sensores poderá vir a contribuir para o desenvolvimento de uma nova geração de sistemas de tratamento de águas para consumo e residuais mais eficientes energeticamente e de menor custo. A outra parte do trabalho mais relacionada com a energia poderá vir a permitir a construção de um dispositivo para conversão eficiente de energia sem o recurso a metais nobres, baixando assim o seu custo.

- Que significado tem para ti este prémio? Pode aportar mais visibilidade e financiamento?

O prémio é importante não só porque é um reconhecimento do trabalho que desenvolvo mas também porque pode ser uma ajuda preciosa na progressão da carreira de investigação. Como é do conhecimento público, a ciência tem cada vez menos dinheiro e como consequência cada vez mais se vêem óptimos profissionais no desemprego por isso este prémio pode ter um peso significante quando concorrer a um lugar de investigador da FCT. É igualmente importante pois pode contribuir para aprovação de financiamento de projectos relacionados com o meu trabalho.

- Como encaras a investigação em Portugal? E o teu futuro?

A investigação científica já teve dias melhores pois a crise que se vive neste momento no nosso país também se estendeu à comunidade científica. Têm sido feitos cortes enormes no apoio às universidades e aos centros de investigação. São cada vez menos os projectos aprovados e além disso são atribuídas cada vez menos bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, já para não falar nas posições como investigador. Hoje em dia é complicado fazer uma carreira científica em Portugal. Esquecendo a parte má a verdade é que aqueles que continuam a trabalhar na ciência desenvolvem trabalhos cada vez mais interessantes e importantes para a nossa sociedade. Além disso, o que se faz em Portugal em nada fica atrás do que está a ser feito fora do nosso país.

- Para além da paixão pela investigação, quais são os seus outros interesses?

Existem vários. Gosto de dedicar o pouco tempo livre que tenho ao convívio com as pessoas que me são mais próximas. Gosto também de fotografia, música, de praticar desporto, de ler e de estar envolvida em campanhas de ajuda animal.

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IMPRIMIR a 360º

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Uma nova gráfica e uma forma revolucionária de imprimir nasceu no nosso país. A 360imprimir, empresa criada em Novembro de 2013, por 6 sócios, 3 engenheiros informáticos e 3 gestores veio repensar a impressão.

O grande problema das impressões é o desperdício de papel que surge e o pouco aproveitamento deste processo, encarecendo a maior parte das vezes o processo. Por isso, esta equipa desenvolve um novo software, este software pretende economizar tempo, espaço e agrupar, ao máximo, todas as encomendas feitas. Este processo permite reduzir os custos de impressão, em alguns casos até 80%.

Tudo isto é possível porque é a primeira gráfica online, o atendimento e apoio ao cliente é uma das maiores preocupações da empresa. Este processo online é o que permite à empresa agrupar vários pedidos e revolucionar este sistema.

A 360imprimir focalizou o mercado para pequenas e médias empresas, pois este processo só é eficiente com encomendas acima das 250 unidades (garantindo assim o offset). A empresa disponibiliza vários layouts e opções para que as empresas que encomendem não tenham de perder tempo com todos os passos do processo que normalmente são necessários para este tipo de situações.

Com um site muito simples e intuitivo é muito fácil, em menos de uma semana, ter cartões de visita da empresa com o layout apelativo e impressões de qualidade premium. Basta seguir as indicações do site, escolher tudo o que se pretende e quantidades, a encomenda é pré-visualizada pelo cliente online e a encomenda é enviada para onde seja pretendida.

Jorge Correia, Managing Partner da empresa, explica que existem duas fases de desenvolvimento, pró-activa e reactiva. A fase pró-activa, em que o objectivo é uma educação do cliente, para a utilização dos produtos já desenvolvidos pela empresa e uma rápida utilização do produto. E uma fase reactiva, que já envolve uma análise a todas as encomendas, correcções e reimpressão do produto quando não tem os parâmetros de qualidade que a empresa impõe a si mesma.

O principal objectivo é optimizar todo este sistema moroso e juntar todos os processos que envolvem este tipo de produtos. Aqui o design, a impressão e a entrega estão todas agrupadas num só processo.

Apesar do seu início quase familiar, a empresa em menos de 1 ano e meio aumentou para 19 colaboradores, e em poucos meses pretende aumentar este número para 26. Espera também, no espaço de 2 meses, implementar o modelo de negócio no Brasil, onde já estão a montar uma fábrica, mas avisam que todo o processo anterior à impressão continuará a funcionar só aqui em Portugal.

Uma empresa nacional que começou a prosperar rapidamente, e que esse êxito se pode verificar a cada mês. Cada vez com mais encomendas, alargando os seus horizontes além fronteiras.

Visite a empresa em www.360imprimir.pt  


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Lino da Costa Pereira ou o Professor mais novo da Katholieke Universiteit Leuven

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Lino da Costa Pereira nasceu em Barcelos há 29 anos, quando ainda não sonhava (ou já, a confirmar na entrevista em baixo) que viria a ser o Professor mais novo da Universidade Católica de Leuven (Katholieke Universiteit Leuven), na Bélgica.

Formado na FCUP (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) e mais tarde desenvolvendo trabalho no grupo IFIMUP (Instituto de Física de Materiais da Universidade do Porto), Lino terminou o seu doutoramento já em Leuven. Pelo caminho, acumulou uma extraordinária colecção de prémios nas mais reputadas conferências na sua área científica: semicondutores magnéticos. Fomos conversar com o Lino para conhecer melhor o seu percurso e perceber qual a sua visão do ensino e da investigação portuguesa e belga. Pena que não tenhamos espaço para mais perguntas porque estamos certos que mais respostas interessantes viriam.

E o plano é ficar pela Bélgica. A não ser que nos próximos anos se torne ainda mais difícil encontrar um bom expresso, e um dia de sol se torne ainda mais raro.


Lino, olhando para o passado recente, como vês o teu percurso ? Professor Universitário foi sempre um objectivo?

- Tem piada que em miúdo dizia que queria ser professor universitário, acho que porque gostava da escola, de aprender. Mais tarde, fui descobrindo a ciência, a física, e eventualmente a física da matéria condensada. É claro que pelo caminho experimentei outras coisas e considerei outras carreiras, em especial nos últimos anos, já que as chances de ganhar uma posição permanente são diminutas. Mas sim, sempre foi um objetivo. E atingi-lo devo-o muito a quem me apoiou pelo caminho, em particular a minha família e aqueles que mais que meus professores, foram meus mentores.

 

Como é ser o “mais novo” Professor de sempre na história da Universidade Católica de Leuven?

-  Bom, isso não é um dado oficial, foi algo que alguém conjeturou em minha defesa para a atribuição de um prémio científico. Tive de facto o privilégio de ganhar esta posição mais cedo do que é comum, graças a muita dedicação mas também à convergência de muitos outros fatores: muita sorte portanto. Foi também uma aposta do Conselho Scientífico da KU Leuven, que estou determinado a corresponder. Vê-se finalmente esta tendência a atribuir posições permanentes a investigadores mais jovens. O normal é ainda que um investigador tenha que passar por uma série de pós-doutoramentos, muitas vezes em vários países diferentes. Tem-se justificado isto com a importância da mobilidade, que é um argumento válido, mas muitas vezes levado ao exagero. Para se fixar mais talento em ciência, é preciso que haja melhores perspetivas de progressão de carreira. Isto é também, na minha opinião, uma das grandes barreiras à mulher cientista. Esta incerteza geográfica é uma dificuldade para quem tem família, em particular para a mulher. O argumento é discutível, mas o facto é inegável. A solução não passa necessariamente por criar mais posições de professor em universidades. Na França, por exemplo, o estatuto de investigador científico como posição permanente é tão comum como o de professor universitário. Em Portugal também existe, mas não o suficiente, pelo menos em áreas como Física. E na verdade, isto é um problema que afeta também a Bélgica.

 

Licenciaste-te e mais tarde realizaste parcialmente o doutoramento na FCUP (no grupo IFIMUP-IN), como achas que a tua formação influenciou o teu percurso?

- A minha licenciatura na FCUP, e em particular a projeto de final de curso no IFIMUP, foram determinantes, como é natural. Foi no IFIMUP que descobri que o meu lugar era em física da matéria condensada e física experimental. E devo-o muito ao Prof. João Pedro Araújo, um desses meus mentores de que falei antes. Foi ele quem me introduziu ao trabalho que instituições portugueses desenvolvem no ISOLDE, no CERN, em particular por intermédio do Dr. Ulrich Wahl e do Dr. Guilherme Correia do Instituto Tecnológico e Nuclear, entretanto parte do Técnico, em Lisboa. Eles são exemplo da ciência de alto nível que se faz em Portugal apesar do parco financiamento e instabilidade. Na verdade, ter conseguido esta posição em Leuven deve-se em grande parte a ter sido orientado por estas três pessoas, no seio de uma colaboração internacional e infraestrutura que criaram e mantêm através de muito esforço e dedicação. Isto sem esquecer as duas outras personalidades da ciência em Portugal que os precederam: o Prof. José Carvalho Soares em Lisboa e o Prof. João Bessa e Sousa no Porto, se bem que meu conterrâneo, de Barcelos.

 

Comparando os dois sistemas de ensino superior, o português e o belga, quais as principais diferenças (positivas e negativas) que destacas?

- Essa é uma pergunta muito difícil. Em todo o lado vive-se em clima de reforma constante, fica difícil comparar. O que te posso dizer é que no essencial são semelhantes, e que em Portugal formam-se profissionais do mais alto nível. Não sei se é mérito do sistema educativo, ou da tradição de rigor em algumas instituições de ensino, ou simplesmente do esforço de alguns professores, pais e alunos. Mas é um facto.

 

Relativamente aos dois sistemas científicos, como os comparas ao nível do trabalho prático, organização, o sistema de financiamento, entre outros aspectos?

- São semelhantes. E em ambos os países há quem faça ciência ao melhor nível. A grande diferença é o financiamento disponível. O parco financiamento em Portugal é simplesmente asfixiante. Ironicamente isto leva a que o sistema esteja sob uma pressão tal, que acaba muitas vez por levar à má gestão de um orçamento já diminuto. E a área da física tem sofrido muito particularmente nos últimos anos. Houve um série de medidas simplesmente destruidoras do tecido científico português em física. Tenho a maior admiração por quem consegue construir uma carreira científica de sucesso em Portugal. É claro que em grande parte isto se reduz a um problema económico, o qual não posso dizer saber como resolver. Mas há outras áreas onde o caminho de progresso é óbvio. Por exemplo, os sistemas de administração e burocracia portugueses são em geral demasiado pesados. Talvez tenha sido um mecanismo de proteção que foi crescendo em reação ao favorecimento e ao desleixe. Mas a verdade é que este peso nos atrasa. E dou-te um exemplo muito concreto: quando tentamos assinar acordos bilaterais entre duas universidades, uma portuguesa e uma estrangeira. Em Leuven negoceio os detalhes do acordo com um funcionário administrativo a quem foram dadas diretivas muito claras e uma margem razoável para tomar decisões além dessas diretivas. Em Portugal negoceio com juristas que se vêm obrigados a mergulhar num mar de regulamentação a cada iteração da redação do acordo. Resultado: a demora do lado português atrasa imenso ou mesmo inviabiliza o processo. Não há espaço para isto numa sociedade competitiva.

 

Pessoalmente, como é conciliar as duas tarefas, a de Professor e a de Investigador e líder de grupo ?

- Estão naturalmente ligadas. As cadeiras que dou e darei para já, a nível de mestrado e doutoramento, são muito relacionadas com a investigação que faço. Estão tão ligadas que o gabinete que ocupava antes deste período na ANU partilhava-o com alguns dos alunos que orientava; e a sala de aula, onde lecionei a minha primeira cadeira no semestre passado, era simplesmente do outro lado do corredor. Há quem investigue sem ensinar e quem ensine sem investigar, mas eu pessoalmente gosto de poder combinar as duas atividades. De qualquer das formas, a minha posição é uma “research professorship” o que significa que nos primeiros 10 anos tenho menos obrigações didáticas, podendo dedicar-me mais a desenvolver um grupo e uma linha de investigação independente. É claro que há dias muito longos e muitas semanas de sete dias, mas ninguém segue uma carreira científica para ter um emprego das 9-às-5. É como dizem: quando fazes o que gostas, não trabalhas um dia da tua vida.

 

Actualmente, quais são os temas de investigação a que mais te tens dedicado? Como vês a evolução da investigação científica na área dos novos materiais e quais os principais desafios que esta atravessa?

- O meu foco de momento são fenómenos que emergem de eletrões relativistas em sólidos, o que em termos de materiais envolve por exemplo isoladores topológicos e o famoso grafeno. É provavelmente o tema mais quente de momento em física da matéria condensada, pelo riqueza que representa em termos de física fundamental, assim como o potencial de aplicação em novos paradigmas de eletrónica. E isto liga à outra questão que pões: os desafios. Acho que estavas a falar de desafios científicos e técnicos. Mas deixa-me dizer qualquer coisa sobre o grande desafio que este tipo de ciência defronta hoje. Estamos a falar de ciência essencialmente fundamental. O potencial para aplicação existe, mas a física destes fenómenos é demasiado jovem para se pensar realisticamente em aplicações. O problema de que falo é que a opinião pública e as políticas governamentais por todo mundo têm evoluído numa direção que cria cada vez mais dificuldades à investigação fundamental. Há esta filosofia de utilitarismo da ciência. Sim, todos temos uma responsabilidade para com os desafios com que a humanidade se defronta, mas ciência não se pode reger unicamente com base nisso. Tem que haver, como sempre houve na história humana, espaço para a pura curiosidade científica: explicar o inexplicável. E sim, pelo caminho, vamos fazendo descobertas que encontram aplicação em novas tecnologias, melhorando a nossa qualidade de vida. Mas isso é apenas uma dimensão da atividade científica. A inexistência de uma perspetiva de aplicação, não pode ser um obstáculo a ciência que é por definição fundamental.
Quais as expectativas para o futuro ?

- Continuar a fazer a ciência e a contribuir para a formação de profissionais de alto nível, não só cientistas. Isto é talvez uma dimensão menos conhecida, ou menos compreendida, da investigação científica em universidades. Mestrados e doutoramentos em ciências exatas preparam muitas das mentes e líderes que determinam o nosso futuro, nos sectores público e privado.

E o plano é ficar pela Bélgica. A não ser que nos próximos anos se torne ainda mais difícil encontrar um bom expresso, e um dia de sol se torne ainda mais raro. Mas com o aquecimento global e a moda dos baristas, acho que estou para ficar.

 

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“Diário de Bordo” de Ana Marecos

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Ana Marecos é uma assistente de bordo da TAP. Escolheu este livro para escrever as suas experiências, histórias e descobertas.Um testemunho de uma vida apaixonante. O outro lado de uma vida de sonho, Como viver o dia seguinte à reforma de uma profissão repleta de ausências. Será que estamos programados para o não – programado?
Aqui podemos encontrar relatos na primeira pessoa do que é dormir num hotel com janelas para um aeroporto; estar-se num país e poucas horas depois passar por mais dois ou três. A assistente de bordo toma o pequeno-almoço em Paris e vai jantar à Venezuela. Acorda em Maputo e regressa a Lisboa para, quase de seguida, entrar em nova aventura. Nunca se sabe onde anda…
Esta é também a história de uma nova “navegadora” lusa. O livro é o único vendido a bordo da TAP, Portugália e Linhas Aéreas de São Tomé. Sendo que vai já na sua 7ª edição.
Num momento em que a TAP está na ordem do dia, a Excelência Portugal foi conhecer uma das suas Embaixadoras no ar.
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Escrever um Diário é contar com uma espécie de amigo a quem contamos a nossa vida, com quem desabafamos os nossos momentos, os piores e os melhores.. Este é o Diário de uma vida passada a Voar.

Quem é a Ana Marecos?

Nasci num dia de sol, a caminho do Outono, no dia 26 de Setembro de 1967, às 12 badaladas na cidade das Sete Colinas, num país à beira mar plantado.

Fruta e chocolate são os meus pecados, animais, os meus companheiros de sempre.

Da escola, o que melhor recordo são os recreios, os intervalos das aulas, os trabalhos de grupo e os Professores que nos deixavam expressar a nossa opinião em voz alta e a valorizavam.

Da vida, o que mais reconheço é o apoio infinitamente generoso dos meus pais.

Tenho dois filhos, tão diferentes na aparência, quanto iguais na essência, nos valores: o melhor que a vida me deu.

Porquê a escolha desta profissão?

Era muito jovem e quando entrei, foi apenas para ter um emprego de Verão que me permitisse continuar a estudar. Nunca me imaginei a ficar. Apaixonei-me perdidamente pela profissão, conheci gente fantástica que me ajudou a crescer, é uma profissão para gente nobre de carácter, sempre pronta a ajudar, o nosso limiar de sacrifício vai muito além do normal, existe um enorme espírito de equipa. Somos todos diferentes: uns médicos, outros advogados, professores, psicólogos, terapeutas, bailarinos, cantores, escritores, todos mesmo TODOS sem excepção, gostamos de VOAR; é nessa multidisciplinaridade, nessa diversidade humana que me encontro e sou muito feliz.

Como nasceu o Diário de Bordo?

Desde criança que tropeço nas leituras, nos rascunhos, na necessidade de desabafar com o além, através de um pequeno diário; na fantasia de me rever em personagens, em gestos, em frases…

Aí nasceu também o secreto desejo de representar, subir ao palco, perante uma plateia imensa, devastadora, capaz de multiplicar infinitamente as emoções vividas na pequena Peça, capaz de transformar uma simples história de vida, num turbilhão de sentimentos cúmplices de uma felicidade inimitável.

O rasgo de um aplauso, entre gargalhadas e soluços, em que cada um se encontra com a sua própria essência, dentro das palavras que proferi; em que cada um possa construir as suas frases de vida e reerguer-se.

O que conta o Diário de Bordo?

Escrever um Diário é contar com uma espécie de amigo a quem contamos a nossa vida, com quem desabafamos os nossos momentos, os piores e os melhores.. Este é o Diário de uma vida passada a Voar.

Trago comigo um pouco de cada lugar, de cada paisagem, onde estive… ou imaginei estar! Um pouco de cada pessoa, de cada rosto, com quem me cruzei algures pelo mundo.

O Diário de bordo conta-nos a História de um amor único, de viagem em viagem, num relato cheio de humor, mas também de uma força poderosa que nos inspira a mudar de vida.

Uma reflexão pura e doce: a vida de uma Assistente de Bordo: uma vida simples, um entusiasmo e uma alegria contagiantes e, sem dúvida, uma lágrima teimosa de uma espécie de saudade que nos leva a fazer a mala de volta a casa.

De entre as viagens a melhor de todas é sem duvida a Viagem de regresso a casa.

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Viajar tanto porquê?

Como diria Fernando Pessoa: “Somos do tamanho daquilo que vimos e não do tamanho do nosso corpo”

Importa disfrutar ao máximo do tempo, para sentirmos que ganhamos tempo e não para perdermos tempo em esperas inúteis.

Na verdade temos muito tempo, tanto tempo que cabem na vida muitas coisas que não somos capazes de viver. Falta-nos tempo ou falta-nos coragem?

O valor das coisas está na intensidade com que as vivemos, as viagens são a minha inspiração. Lidar com centenas de pessoas diariamente, do mundo inteiro, só pode gerar histórias inesquecíveis.

Dos LUGARES onde estive, recordo os MOMENTOS que vivi , viajarei sempre, voltarei até um dia!

 

 

fotos: DR
texto: Ana Marecos

Soraya Gadit ( Inocrowd) em Entrevista

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A Inocrowd corresponde a uma Startup com vista a estabelecer uma relação direta entre o mundo académico ou de alguém que tenha uma solução – Solver – e o mundo empresarial – Seeker. Procurando diminuir o GAP / distanciamento existente entre ambos.
Soraya Gadit é uma das fundadoras da Inocrowd, que surgiu a 20 de janeiro de 2011. Soraya é formada em Ciências Farmacêuticas na FFUL (Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa) e tem um MBA em Finanças e Gestão da AESE acabando, neste projeto, por ser a CEO da InoCrowd. Os outros dois fundadores são Mário Lavado licenciado  em Engenharia Física e Materiais e João Moita licenciado em Tecnologias de Informação.

Uma mulher à frente duma empresa tem de ser 300% (trezentos por cento) melhor que um homem para demonstrar que realmente é eficaz.

De que modo três pessoas de áreas tão dispares acabam por enveredar num negócio deste tamanho em Portugal? Quais os elementos de união entre os fundadores?

Embora sejamos de facto de áreas muito diferentes, encontrámo-nos  num MBA em Finanças e Gestão na  AESE. De grosso modo no decorrer do MBA tivemos de fazer uma cadeira, Naves (Novas Aventuras Empresariais) que culminou no desenvolvimento da Inocrowd.

De onde surgiu a ideia geral de atuação da Inocrowd?

A InoCrowd surge da observação da existência de um “gap” entre as Universidades (Mundo Académico) e o Mundo Empresarial e da constatação de que o WEB 2.0 poderia ligar estes dois mundos. Assim criámos uma plataforma Web 2.0 a  www.inocrowd.com de forma a facilitar esta ligação.

Uma das frases marcantes das suas apresentações da Inocrowd foi, a meu ver, “Queremos por Portugal a inovar melhor”. Neste mesmo sentido poderia falar um pouco mais das forças que vos motivaram a avançar com a Inocrowd, num ano em que os efeitos da crise eram bastante difíceis em Portugal.

Exatamente por estarmos em crise é que a criação da InoCrowd fez tanto sentido. A única forma de sairmos da crise é inovarmos e para isso é necessário criarmos um ecossistema e ambiente favorável a isso, aproximando as universidades, onde está grande parte do conhecimento, a empresas.

Inocrowd em 2011 tinha em vista expansão da mesma para o estrangeiro numa ótica de Crowdsourcing (plataforma tecnológica que permite o trabalhador exercer a sua função em qualquer espaço geográfico). Este objetivo verificou-se possível?

De facto era e é, do nosso interesse, projetar a Inocrowd além-fronteiras, como também já tivemos oportunidade de o fazer. Fizemos, por exemplo, uma parceria com o Chile, no entanto, o que a experiência permitiu constatar é que evidentemente a questão de proximidade cultural é fulcral no que toca à implementação do Crowdsourcing.

Neste mesmo sentido, que países lhe parecem mais favoráveis à realização da extensão desta plataforma?

Neste momento estamos à procura de sócios nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), essencialmente, atendendo que existe uma maior proximidade em termos culturais, sendo também o fator linguístico determinante no sucesso desta relação.

De que modo caracteriza a evolução entre 2011-215 (parceiros; taxa de sucesso; etc.)?

Neste momento temos uma taxa de sucesso de 95% (noventa e cinco por cento), conseguimos arranjar soluções num período entre as quatro e seis semanas. Esta evolução também é acompanhada por um aumento de número de Solvers (pessoas que têm uma solução). Conseguimos alcançar já perto de 350.000.000,00 pessoas em todo o mundo.

Quais as grandes vitórias alcançadas pela Inocrowd no mesmo período?

Sem dúvida que conseguirmos soluções inovadoras, por exemplo, para empresas como a Autoeuropa do Grupo Volkswagen, foi uma das grandes vitórias da InoCrowd. A InoCrowd conseguiu no espaço de seis semanas encontrar uma solução que permite a não destruição de seis carros por ano. Isto vai levar a uma redução de milhares de euros por ano no grupo todo da Volksawagen.

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Para finalizar e seguindo uma linha bastante oposta, resta-me fazer referência à recente data celebrada, o dia da mulher, sendo que se constatou que atualmente existe ainda uma baixíssima representatividade feminina em cargos de decisão/ liderança. Queria questionar-lhe se, na sua vida laboral, já se sentiu prejudicada e/ ou beneficiada por questões de género. Se sim, qual o conselho que dá às mulheres no sentido de como lidar com a situação, numa última questão e mensagem.

Sim, já infelizmente. Vivemos ainda num mundo de homens quando se fala em negócios. Uma mulher à frente duma empresa tem de ser 300% (trezentos por cento) melhor que um homem para demonstrar que realmente é eficaz. Portanto o conselho que dou é trabalhar, trabalhar e trabalhar! Só assim Eles se convencem que o Mundo dos negócios não é só para os homens. Não existe mais nada a fazer e a dizer… Só com trabalho produtivo e eficaz se consegue demonstrar que, nós mulheres, não somos diferentes dos homens, em determinadas coisas até somos melhores.

 

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Projecto ITER: A Fusão nuclear a dar energia às empresas Portuguesas

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Como se pode ler no site oficial, o ITER (http://www.iter.org/proj/itermission), é uma experiência de larga-escala (parece modesto e por isso acrescentamos o adjectivo gigante) com o objectivo de demonstrar a possibilidade de gerar energia através do processo de fusão nuclear. O seu objectivo prático é: produzir até 10 vezes mais energia do que aquela que necessita para funcionar.

- A fissão nuclear, tecnologia usada nos reactors nucleares actualmente, é a divisão de um único átomo em dois (ou mais) átomos, mais pequenos, enquanto que a fusão, tecnologia que irá ser testada no ITER, é exactamente a junção de dois átomos mais pequenos num átomo maior -

O ITER quer simular o ambiente no interior do Sol, com temperaturas extremamente altas, de tal forma que os electrões são separados do núcleo dos átomos e começam a formar um meio chamado de plasma. Este é o meio ideal para elementos leves se fundirem e, no processo, gerarem energia.

Começou a ser construído na região da Provence-Alpes-Côte d’Azur, no sul de França, em 2010 e estima-se que esteja terminado em 2019, quando começarão os primeiros testes.

 Uma das maiores experiências científicas, conta com o apoio das grandes nações (e conjuntos) do Mundo: União Europeia, a China, India, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos da América.

Para conhecermos mais sobre este projecto e em particular sobre o impacto que tem e ainda pode vir a ter na economia portuguesa, entrevistamos o Dr. Bruno Gonçalves, Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear e Industrial Liaison Officer para o ITER.

 

- É o coordenador do contacto para apoio às empresas que queiram participar no projecto ITER, Já existem contactos celebrados com empresas portuguesas?

Desde que iniciei a actividade que tenho tentado informar regularmente as empresas das oportunidades que existem no ITER. Algumas empresas já tiveram contratos para actividades de Engenharia no âmbito do ITER  (Active Space Technologies, Fibersensing). Recentemente a ASilva Matos concluiu com sucesso um contrato para o fornecimento de tanques de Hélio para o dispositivo japonês JT60-SA também inserido no âmbito da colaboração internacional para o ITER e o ISQ celebrou há cerca de um mês um contrato de consultoria na área da qualidade.

- Como tem sido feita a divulgação deste projecto a nível nacional?

Actualmente a divulgação tem sido feita directamente junto das empresas com as quais tenho contacto (enquanto Industrial Liaison Officer para o ITER) e que demonstraram interesse no projecto e também para associações empresariais através dos emails que se encontram nas nossas bases de dados

- Como tomamos conhecimento, a construção do complexo Tokamak começou em 2013  – existem empresas portuguesas envolvidas na construção do complexo?

Que eu tenha conhecimento não existem empresas portuguesas envolvidas na construção. Creio que o facto do ITER estar a ser construído em França e ser uma instalação nuclear constitui um forte entrave à entrada das empresas nacionais na construção do complexo

- Quais considera serem as principais oportunidades para as empresas portuguesas neste projecto?

As principais oportunidades são sobretudo ao nível da engenharia nas áreas de  consultoria e serviços . Mas o sucesso da ASilva Matos demonstrou também que existem outras áreas (por exemplo, metalo-mecânica) onde Portugal pode ser competitivo

- Relativamente a equipas de investigação científica, tem conhecimento de algum grupo português envolvido? Em que área?

O Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN), a unidade de investigação que dirijo,  tem também tido um sucesso considerável na obtenção de contratos. Temos três contratos para I&D na área de diagnósticos (no valor de 11M€), desenvolvemos um protótipo de um sistema de controlo rápido, colaboramos com Indra num contrato de consultoria de Engenharia na área de instrumentação e tivemos alguns projecto na área de manipulação remota. Nestes contratos temos envolvido outras Unidades de Investigação nacionais (por exemplo, INOV e IT)

- Este é um projecto que promete revolucionar a forma como obtemos energia, Quais são as suas expectativas?

O ITER tem como objectivo provar a viabilidade científica e técnica da produção de energia eléctrica com base em processos de fusão nuclear. O projecto visa demonstrar um factor de amplificação de energia de 10 (produzir 10 vezes mais energia que a consumida para iniciar a reacção). É um passo essencial para que possamos avançar para o protótipo de um reactor comercial com capacidade para produzir e injectar electricidade na rede. As minhas expectativas são que o projecto seja um sucesso e o passo necessário para resolver os problemas energéticos da humanidade.

As vantagens da fusão nuclear (não produz CO2, combustível é abundante, segurança, custo, resíduos reduzidos) são inquestionáveis. Como em qualquer projecto de investigação existem riscos e dificuldades mas é um investimento que se pode transformar num inquestionável benefício para humanidade.

 

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Liza Martins – Uma portuguesa a viajar pelo Mundo

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Liza Martins viaja pelo Mundo. Quando a “encontramos” estava em Bogotá na Colômbia. Agora está na Ilha Holbox, no México. Mas dentro de 4 dias estará… Em Tóquio.
Nesta viagem já percorreu o sul do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala e México (só zona sul, mar caraíbas). Dia 23 viaja para Tóquio, Japão. Na Ásia vai visitar Filipinas, Myanmar, Indonésia …. e vai ainda tentar pisar a Austrália e Nova Zelândia. O término será na Índia.
O que não fizer nesta viagem fará na próxima que já está programada.
A Excelência Portugal “esbarrou” com a viajante e quis perceber o que a motivou,  o que a inspira e o que “respira”.

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Quando se perde uma mãe tão cedo toma-se consciência de que a vida não é um bem garantido, é curta, e assume-se uma herança: a obrigação de sermos felizes por nós e por ela. Pelo menos comigo assim foi!

Quem é Liza Martins?

Nasceu na Venezuela a 12 Maio 1973 e aos 2 anos regressa a Portugal devido a problemas de saúde da mãe. Aos 4 anos perde a mãe e vive uma infância com pai austero e madrasta, com carências de todo o tipo.
Aos 16 anos sai de casa, quando a irmã completa 18. Para trás ficam 16 anos menos bons mas uma vida inteira pela frente para ser feliz.
“Quando se perde uma mãe tão cedo toma-se consciência de que a vida não é um bem garantido, é curta, e assume-se uma herança: a obrigação de sermos felizes por nós e por ela. Pelo menos comigo assim foi!”.
Duas preocupações desde então: sustentar-se e continuar a estudar.

O Percurso profissional

Aos 18 anos muda-se para o Porto e obtém a Licenciatura em Relações Públicas na Universidade Fernando Pessoa. Termina com média de 14 valores. Chegou a ter 3 empregos, acordava às 6h, estudava até tarde, a meio do 1o ano, teve um esgotamento.
No segundo ano da Faculdade ingressa no maior Banco Privado Português, o BCP, onde esteve 20 anos e fez uma carreira brilhante, assim considera. Começou no telemarketing, foi gestora, gerente de vários balcões e responsável regional de negócio do Algarve e Baixo Alentejo. Nos últimos 8 anos foi Gestora da Marca Millennium na Direcção de Comunicação do Banco. Fez tudo o que sonhou dentro do banco. Até mais. Recebeu um prémio de Excelência. Foi proposta a 2.
Entretanto, nunca parou de estudar. Procurava matérias diferentes do que fazia no Banco: Teatro, Protocolo, Fitness, Formação de formadores, Massagens, Línguas e um Mestrado em Marketing.

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Posso ser tudo o que eu quiser. Só é preciso trabalhar.


E porque não mudar de vida?!

Em 2012, o Banco atravessa o pior momento de sempre. A operação na Grécia provoca um buraco financeiro crescente e a acção chega a valer apenas 0,8€. O Estado Português intervém na banca portuguesa em geral, impondo uma condição ao Millennium bcp: o Banco tem que emagrecer o seu quadro de pessoal que é demasiado pesado. Até ao fim do ano teria que despedir 600 pessoas. Um ano depois mais 1.200.

Em Novembro o Banco selecciona 700 pessoas. 300 recusam, na sua maioria directores. É criado então um processo de voluntários: “quem quiser sair agora com estas condições (óptima indemnização, crédito habitação e seguros vitaliciamente com taxa de bancários, direito a subsídio desemprego…), voluntarie-se.”

Depois de duas noites à frente de folhas de excel, a pensar em todos os cenários e no que podia fazer depois….decidiu candidatar-se a sair. Não a queriam deixar sair: “o Banco não tem que pagar a pessoas imprescindíveis como tu e com a tua competência, para saírem do Banco.”

Foi até ao Presidente do Banco para conseguir sair. Já não conseguia olhar para trás. Sabia exactamente o que iria fazer dali em diante. No dia 12-12-12 assina o seu contrato de rescisão voluntária com o Banco.

A viagem

No dia 9 Outubro de 2014 começa a viagem no Brasil.
Percorre o Sul do Brasil, atravessa o país até ao Pantanal e começa a subir, sempre por terra, pela Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala e México. Dia 23 apanha um voo para Tóquio. Pretende visitar os países da Ásia que ainda não conhece e pelos quais sente atracção. Depois vai tentar Austrália, Nova Zelândia e  Índia.
Este é o plano mas está tudo em aberto. Neste momento, o seu único desejo, é continuar a viajar. Consegue imaginar-se a fazer isto por largos anos. Sente-se em total sintonia com o Universo.
Sustenta-se com o dinheiro que juntou nos dois últimos anos. Até agora, em quase 6 meses de viagem, gastou 5.000€ incluindo os voos e todo o tipo de despesas. Mas cada dia aprende novas formas de poupar. No Brasil gastou 36€ por dia. Na Colômbia 17€. Não anda de táxi, não usa lavandarias, não frequenta restaurantes e não lancha em pastelarias. Compra fruta, bebe água da torneira, procura as companhias de transportes mais baratas, faz os percursos a pé sempre que possível e fica sempre em quartos partilhados. Compras só o estritamente necessário para viver.

Enfim…milhares de formas para viver com pouco…muito pouco e não precisar de mais do que isso.

Porque viaja a Liza?

Viaja por Curiosidade. Viajo porque precisa de saber como é aquele lugar, como se vive ali, como são os seus habitantes, como se vestem e se comportam. E não lhe basta ler um artigo, ver fotos ou uma reportagem na televisão. Tem que ir eu ver como é, sentir o pulsar do lugar, os cheiros, os sabores, os ruídos, o toque das pessoas.
Viajar para si é ter os 5 sentidos bem despertos e não deixar escapar nada.
Não usa phones. Gosta de ouvir tudo, a música tradicional que passa nos transportes públicos, os gritos estridentes das crianças, as discussões dos adultos, as gargalhadas dos adolescentes.
Gosta de comer nos mercados, as comidas tradicionais, sentar-se com os locais à mesa, comer da mesma travessa e com as mãos, sem preconceitos. E eles apreciam. Gosta de agarrar a mão de alguém que a tratou bem e sentir a pele calejada ou delicada. E abraça todos aqueles com quem privou mais de 1h. Gosta do cheiro da fruta, das comidas de rua, do pão, dos perfumes, da chuva e do cheiro característico da cidade.

Viaja porque se sente afortunada e livre.

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Como começou este bichinho?

Começou a viajar aos 26 anos, depois de terminar a universidade e ganhar alguma estabilidade financeira. Primeiro lugar: Cuba. Era diferente. Tinha que ir ver.
A partir daí passou a viajar 2 a 3 vezes por ano. Todos os dias de férias eram para viajar. E a sua vida girava em torno disso. Sempre poupou em tudo para viajar.
Quando alguns amigos começaram a viajar por longos períodos e sozinhos sentiu que esse era o seu caminho. Um dia decidiu ir à Argentina sozinha. 3 semanas, de Iguaçu à Patagónia. Nessa viagem percebeu que tinha sido feita para viajar sozinha. E sonhava com o dia em que podia viajar por tempo indeterminado, como os viajantes com quem se cruzava nas suas viagens.
Mal surgiu a oportunidade de sair do Banco a única certeza que tinha era a de ia dar a volta ao mundo, por tempo indeterminado.

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A sensação de desapego é fantástica. A Liberdade é total.

Como está a correr a experiência?

Muito melhor do que alguma vez imaginou. Está mais feliz, leve e completa do que nunca! A sensação de desapego é fantástica. A Liberdade é total. A bagagem de 9 kg é mais do que suficiente, os quartos e banhos partilhados são perfeitos, os autocarros velhos são típicos e o escasso orçamento leva-a onde quer … não precisa de mais.

Nunca lhe deu tanto prazer cozinhar, lavar a roupa, gerir tempo, dinheiro e a passagem pelos países. Não se canso de terminais de autocarros, de fazer e desfazer mochila, de pesquisar hostels e atracções nos novos lugares, de estar sempre a mudar.

Todos os dias, mesmo todos, são ricos e especiais.

Se pudesse, passava o resto dos seus dias a viajar. Não por não estar a trabalhar (adora trabalhar) mas por estar todos os dias a ver coisas novas.
O Mundo é imenso e surpreendente. Não faz sentido não conhecê-lo o mais que possa. Vê por si, pelos que não podem ver, pelos que gostariam de ter visto. É a sua missão, e está a cumpri-la muito FELIZ.

 

fotos e texto: Liza Martins
edição: Miguel Marote Henriques

Ritinha Vieira – a campeã em entrevista

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Rit(inh)a Vieira integra o leque de desportistas revelação/campeões, em 2014, a par de Teresa Almeida (Campeã mundial de bodyboard também já aqui entrevistada), Ivo Oliveira (Ciclismo em pista), Vasco Ribeiro (Surf), Bruno Pica da Conceição (Equitação) e outros.

Ritinha Vieira sagrou-se campeã da Taça do Mundo de Todo-o-Terreno FIM de Senhoras em Setembro de 2014. A jovem piloto portuguesa, de 20 anos, terminou a Baja de Idanha-a-Nova, prova a contar para o Mundial e Europeu de Motos, no segundo lugar da categoria feminina, o que lhe permitiu o título mundial, o primeiro da carreira. Venceu igualmente a categoria Júnior

Ritinha foi também a primeira portuguesa a vencer uma prova do Campeonato do Mundo com uma moto de produção nacional, uma AJP PR5 250.

A Excelência Portugal quis conhecer melhor a campeã e aqui fica a entrevista.

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- Com que idade despertaste para motociclismo?Desde que tenho a capacidade de reter memórias, lembro-me de com 4 anos andar num sidecar que o meu pai construiu para andar com o meu irmão de mota.
 

- Tiveste influência familiar?

Sem duvida, é um estilo de vida que adoptamos desde muito cedo. O meu irmão actualmente é campeão Nacional de Trial Absoluto, o que acaba por dizer muita coisa sobre a nossa família. Os nossos domingos (dia de prova) foram quase sempre passados no monte, com as motas atrás, além dos treinos claro.
Os meus pais sempre foram a base de tudo isto, acompanham cada passo e cada prova minha e do meu irmão ao longo destes anos todos.

- Quando foi a tua estreia em competição?

A minha estreia foi m Trial em 2003, tinha 8 aninhos, conduzia uma GasGas50 que era quase maior que eu e tinha o meu pai a correr à minha frente para não me enganar no caminho.

- Suspendeste os estudos em Design de Moda para te concentrares a 100% no motociclismo. Era impossível conciliar?

Não considero impossível, mas sabia que não estava dedicada a nenhuma das coisas a 100% e que a oportunidade no mundo motociclista era agora, não depois de acabar o curso (que não estava a gostar muito). Claro que faço tenções de tirar a minha licenciatura mas mais direccionada para o desporto uma vez que o meu objectivo futuro é estar de alguma forma ligada a este mundo ainda que não seja directamente pela competição.

- Como mulher sentes maiores dificuldades em te afirmar e em obter apoios?

Em afirmar-me, por vezes sim, a classe de Senhoras muitas vezes é descartada, em alguns casos/modalidades é considerada troféu e não campeonato nacional e por vezes esquecem-se que, como os homens, também somos capazes de passar certos obstáculos e acabam por tornar tudo demasiado fácil e desinteressante. Em apoios, penso que não somos muito afectadas uma vez que estamos em vantagem pois damos mais nas vistas quanto mais não seja pela proporção que há de homens relativamente ao de mulheres.

 
- Trial ou enduro?

Enduro! Estou a descobrir esta modalidade e ainda me sinto um pouco verde. É apenas o meu 2º ano a sério no enduro e estou a adorar, tenho aprendido muito e tenho notado uma grande evolução (que já não notava muito no trial).
 
- Aos 20 anos já tens um currículo de titulos invejável. Que significado teve seres Campeã do Mundo de Bajas (classe Senhora e Junior)?
 
Foi indescritível, nem eu estava à espera deste resultado. Foi algo pelo qual lutei muito e desafiei-me a mim mesma (pois nunca tinha feito nenhuma prova nesta modalidade a nível nacional). Sinto que foi muito importante para dar um salto na minha carreira, consegui algum mediatismo o que ajudou muito às condições que consegui reunir para esta época. Devo-o ao meu grande amigo Diogo Graça Moura que me proporcionou as condições todas e a motivação para alcançar o título, foi sobretudo um orgulho poder dar à AJP (marca de motas portuguesa) o primeiro título mundial.
 
- Quais as tuas expectativas para 2015?
 
Acima de tudo evoluir e crescer como piloto. A Raposeira proporcionou-me a mim e ao meu irmão as condições que eu jamais achava ser possível, tenho tudo ao meu alcance, agora só me resta trabalhar. Estou em adaptação à nova mota (Honda CRF 250), estou a gostar muito embora eu saiba que ainda tenho muito aprender, sei que consigo ser mais rápida, será apenas uma questão de tempo e treino.
Vou participar em algumas provas internacionais e o objectivo será sempre fazer o meu melhor.
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fotos: DR

Universidade de Cambridge: Aluna da Marinha Grande teve a melhor nota do mundo

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Maria Miguel Cardoso Carlos estudou, até ao 12ºano, no CLIC – Colégio Luso-Internacional do Centro, na Marinha Grande e frequenta actualmente o primeiro ano de Medicina da Faculdade de Lisboa. Jogar futebol é a sua maior paixão e quando tem tempo, gosta de passear, fazer bolos e ver filmes e séries.
A jovem de 18 anos foi distinguida pelo departamento de exames internacionais da Universidade de Cambridge com o prémio “Cambridge Top in the World”. Maria Carlos obteve a média final de 93 pontos, anota mais alta entre os alunos de mais de 9.000 escolas em cerca de 160 países.

A Excelência Portugal quis conhecer esta aluna de excelência e aqui fica a pequena entrevista.

MC2 uma das minhas motivações para entrar em Medicina foi o facto de poder ir em missões de voluntariado para os países que precisam mais da nossa ajuda, países onde não há acesso a serviços de saúde, países onde uma simples consulta pode fazer uma enorme diferença.

 

 

 

P:  Que significado teve para ti esta distinção?
R: Esta distinção teve um significado enorme para mim, foi tanto uma motivação para futuros trabalhos bem como foi o reconhecimento de anos de esforço. Não é todos os dias que se é distinguido por ser a melhor do mundo, mas para o fazerem a mim é um orgulho gigante, principalmente numa área que eu sempre me interessei.

P: Tens hábitos de estudo especiais?
R: Nada de especial, a única condição que necessito é silêncio absoluto para me conseguir concentrar e post-its para escrever aquilo que sei que me vou esquecer. Bem como tento sempre enquadrar o estudo com o futebol visto que sempre fez e sempre fará um papel axial na minha vida.

P: Pensaste em estudar no Reino Unido?
R: Sim, já pensei imensas vezes nisso mas nunca foi possível devido a questões financeiras e porque a minha família está em portugal, penso que seria dificil deixá-la.

P: O que te levou a optar pela Medicina?
Sempre tive uma paixão pela saúde e penso que este curso é uma das melhores maneiras para ajudar aqueles que precisam. No entanto, não penso em ficar a minha vida toda num hospital pois uma das minhas motivações para entrar em Medicina foi o facto de poder ir em missões de voluntariado para os países que precisam mais da nossa ajuda, países onde não há acesso a serviços de saúde, países onde uma simples consulta pode fazer uma enorme diferença.

 

fotos: DR

Prémio Terre de Femmes da Fundação Yves Rocher – Milene Matos é a representante portuguesa na final mundial de Paris

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Milene Matos, bióloga da Universidade de Aveiro (UA) é a vencedora nacional do prémio Terre de Femmes. Instituído pela Fundação Yves Rocher, o galardão atribuído a 3 de março pretende homenagear o trabalho das mulheres que, por todo o mundo, contribuem para salvaguardar o mundo vegetal e para melhorar o meio ambiente, agindo simultaneamente para o bem-estar da sociedade. Responsável pelo projeto “Biodiversidade para Todos”, Milene Matos tem usado o património natural, histórico e cultural da Mata Nacional do Buçaco para erguer um serviço educativo com funções pedagógicas, mas também sociais e de promoção e proteção da biodiversidade local.

A Excelência Portugal convidou Milene Matos a contar a sua história na primeira pessoa.

É crucial colocar a gestão de valores naturais e ambientais não só nas agendas de trabalhos, mas na filosofia diária de cada um.

Filha de emigrantes, nasci no Luxemburgo em 1982. Ali, naquele país cosmopolita e multicultural cresci e aprendi, naturalmente, cinco línguas. Hoje reconheço o quão importante foi este aspecto para o meu futuro. Quando tinha dez anos os meus pais regressaram para Portugal, para uma aldeia do interior, no concelho de Tondela. Foi um choque enorme, pois Portugal no início dos anos 90 estava muito longe do que é hoje, e certamente a anos-luz do que era a Europa central. Mas lá me adaptei, com maior facilidade a partir do 2º ano. Desengane-se quem pensa que pelo facto de os meus pais terem sido emigrantes, que tivemos uma vida folgada. Na verdade cresci, junto com os meus irmãos, sempre com muitas dificuldades, aliadas a alguma disfuncionalidade familiar, o que também se veio a revelar fundamental para o que aí viria. As melhores ‘coisas’ de viver no interior eram a simplicidade e capacidade de ‘desenrasque’ das pessoas, privadas de muitas condições hoje tidas como normais; e o permanente contacto com a natureza. O que estava errado com o ambiente já nessa época mexia comigo.

Segui o percurso escolar normal, tendo concluído o secundário com uma boa classificação, sendo que era quase ‘obrigada’ a seguir para medicina. Mas essa não era a minha vocação. Coloquei medicina em terceira opção, apenas para dizer que sim senhor, coloquei na candidatura. Entrei na primeira opção, em Biologia, Universidade de Aveiro – e hoje vejo o quão acertada foi esta decisão. Com um percurso atribulado em termos pessoais e financeiros, lá concluí a licenciatura, do meio em diante já trabalhando em serviços de biologia para conseguir sustentar os estudos.

O meu projeto de fim de curso resultou num livro publicado pela Universidade, sobre as aves do campus universitário, em que fiz o trabalho de campo, pesquisa, escrevi, consegui fotografar algumas aves e ilustrei outras. Devido a este trabalho, os meus orientadores propuseram-me um estágio na Mata Nacional do Buçaco, cuja fauna era desconhecida. Aceitei com grande entusiasmo, uma floresta inteira por descobrir… A primeira visita foi um momento definitivamente marcante. A cada curva do caminho, a cada ramo retorcido, a cada rocha coberta de quarenta diferentes musgos sentia um fascínio a crescer. Este fascínio é partilhado por todos os que visitam e vivem regularmente o Buçaco. Esse fascínio, em mim, cresceu sob a forma de amor duradouro e não mais dali me afastei. Nesse ano não me limitei às aves. Iniciei o estudo de toda a fauna de vertebrados, e continuei por ali o meu doutoramento, tendo recusado uma bolsa para um doutoramento financiado na Amazónia. Achei que o Portugal, e aquela Mata em particular, precisavam de mais ajuda, pelo seu desconhecimento, e pela enorme importância biocultural que em si encerram. E assim foi. O doutoramento significou cerca de seis anos intensivos, com cerca de zero dias de descanso, a trabalhar noite e dia, para estudar desde as vespertinas aves aos noctívagos morcegos e javalis. Um caminho longo, solitário e doloroso, mas que veio provar cientifica e indubitavelmente o valor da Mata do Buçaco e da agricultura de subsistência para o ambiente e sociedade. Ligando estas duas áreas, criava-se o embrião do que viria a ser o meu pós-doutoramento, actualmente em curso: ligar a ciência à sociedade, utilizando para isso o magnífico laboratório vivo que é a Mata Nacional do Buçaco. Este tesouro tem ali reunidas todas as condições naturais, históricas, patrimoniais e sociais para edificar um serviço de educação para a sustentabilidade de excelência. Escasseiam os meios, mas é nisso que se trabalha todos os dias. E é nisso que se baseia este Prémio Terre de FEMMES. Mais do que ciência, educação, história, religião… A Mata tem a capacidade de mudar vidas. O Projecto ‘Biodiversidade para Todos’ é a definição de inclusão, reunindo todas as pessoas dos mais diversos estratos etários ou sociais, em torno dos valores naturais. Sem biodiversidade não vivemos, e a biodiversidade precisa da nossa ajuda. Pelo caminho, constroem-se oportunidades para as pessoas. Mudam-se vidas.

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O Prémio e a divulgação com ele conseguida, bem como o meu trabalho, não se esgotam na Mata do Buçaco. Esta é o veículo, mas os projectos futuros passam por replicar às devidas escalas a filosofia adjacente ao projecto noutras áreas, com o apoio da Universidade de Aveiro, tão voltada para a sociedade.
A importância deste prémio é fundamental, não só pelo imediato apoio financeiro, quer permitirá suprir algumas lacunas e necessidades urgentes, mas também pela projeção do trabalho feito. É do meu entender que este prémio sensibilizará a opinião pública para o trabalho que tantos colegas têm feito por Portugal, pela natureza e pelo ambiente, de uma forma em geral. É importante que se entenda que todos nós ‘somos natureza’.
É crucial colocar a gestão de valores naturais e ambientais não só nas agendas de trabalhos, mas na filosofia diária de cada um.

E estamos num País privilegiado para o fazer, sendo Portugal um ’hotspot’ de biodiversidade a nível global. Haja vontade, comprometimento, e apoio. E este apoio por vezes revela-se de formas nem sempre totalmente esperadas. Por exemplo, neste momento há um apoio muito simples, mas muito importante, que os Portugueses podem dar aos trabalhos em conservação da natureza em Portugal, em particular no do Buçaco. Tendo o projecto ‘Biodiversidade para Todos’ vencido o Prémio Nacional Terre de Femmes, atribuído pela Fundação Yves Rocher, tornou-se automaticamente candidato ao Prémio Internacional. Cada pessoa pode votar no projeto Português, selecionando o meu nome em www.terredefemmes.org, uma vez por dia e com cada conta de email, facebook e twitter, até dia 20 de março. No dia 2 de abril, em Paris, decorrerá a cerimónia Terre de Femmes internacional, onde será atribuído o prémio votado pelo público, e ainda um prémio eleito pelo júri. Pela importância de trazer este tipo de prémio tão conceituado para Portugal, apelo ao voto de todos.

Quando participo em eventos internacionais, percepciono que os estrangeiros têm uma visão de que somos um povo muito trabalhador e dedicado, muito na vanguarda das tecnologias, mas por vezes pouco eficaz. No caso particular da conservação da natureza, perguntam-se como é que com tão poucos meios conseguimos ir fazendo tanto trabalho de qualidade. Com melhores meios seremos ainda mais eficazes. E por tudo isto, para honrar o trabalho de todos e chamar a atenção para a qualidade do que por cá se faz, apelo a todos para votarem no projecto português a concurso. Um voto por dia, por todos nós.

texto: Milene Matos
fotos: DR