Jovem Investigadora em Eletroquímica recebeu prémio da SPE 2014

diana1cA investigadora do REQUIMTE/LAQV, Diana Fernandes, venceu o prémio de Jovem Investigadora em Eletroquímica do ano com o seu pós-doutoramento no Departamento de Química e Bioquímica da FCUP.

Diana Fernandes nasceu em Barcelos, a 12 de Fevereiro de 1980, onde viveu até concluir o 12º ano. Terminado o ensino secundário ingressou na licenciatura  em Química da Universidade de Évora. Em 2006, através de uma bolsa de investigação, muda-se para a Universidade de Aveiro  e um ano depois inicia o seu doutoramento. Após 4 anos de doutoramento candidatou-se a uma bolsa de pós doutoramento para aUniversidade do Porto, onde está desde Abril de 2011. diana1a

Com que idade sentiste o apelo pela ciência?

Não posso dizer que tenha sentido um apelo pela ciência numa idade específica. Foi uma coisa que foi acontecendo aos poucos. O facto de ter escolhido química foi devido a uma professora de explicações de química que tive no 12º ano. Até então nem sequer gostava muito da disciplina pois tive uma péssima professora do 10 ao 12º ano. Depois durante o curso existiram vários professores que me foram despertando o interesse pela ciência, que ficou ainda mais forte no estágio curricular do curso que envolvia um ano de trabalho laboratorial. Mais tarde, em Aveiro, a Doutora Helena Carapuça incentivou-me a fazer um doutoramento o que contribuiu em grande parte para hoje estar na ciência.

- Ser investigadora era um sonho ou foi obra do tempo e do percurso?

Tal como disse anteriormente foi mais obra do tempo e do percurso até porque nunca me tinha passado pela cabeça ser investigadora. Depois de terminar o curso fui trabalhar para uma empresa mas como o trabalho era um pouco repetitivo e nada desafiante decidi tentar a investigação. Fui para Aveiro para uma bolsa de investigação e aí o interesse pela ciência cresceu.

- Em que consiste o projecto que estás a desenvolver no àmbito do pós-doutoramento no Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) ?

O projecto visa contribuir para as soluções para os actuais desafios globais de fornecimento de energia devido a graves problemas da mudança climática e da procura de novas fontes de energia renováveis. Neste contexto, o meu trabalho consiste no desenvolvimento de uma nova geração de híbridos eletrocatalisadores à base de materiais de carbono e polioxometalatos para aplicações relacionadas com a energia que incluem reacções electroquímicas relevantes como a decomposição da água nos seus constituintes O2 e H2, a redução do oxigénio para células de combustível e a reacção de redução do CO2 como uma estratégia para a redução electroquímica do efeito de estufa. Outra vertente é a aplicação destes materiais na construção de sensores para remoção de poluentes emergentes.

- Que aplicações práticas poderá ter o mesmo?

Podem existir várias. Por exemplo, o trabalho mais relacionado como os sensores poderá vir a contribuir para o desenvolvimento de uma nova geração de sistemas de tratamento de águas para consumo e residuais mais eficientes energeticamente e de menor custo. A outra parte do trabalho mais relacionada com a energia poderá vir a permitir a construção de um dispositivo para conversão eficiente de energia sem o recurso a metais nobres, baixando assim o seu custo.

- Que significado tem para ti este prémio? Pode aportar mais visibilidade e financiamento?

O prémio é importante não só porque é um reconhecimento do trabalho que desenvolvo mas também porque pode ser uma ajuda preciosa na progressão da carreira de investigação. Como é do conhecimento público, a ciência tem cada vez menos dinheiro e como consequência cada vez mais se vêem óptimos profissionais no desemprego por isso este prémio pode ter um peso significante quando concorrer a um lugar de investigador da FCT. É igualmente importante pois pode contribuir para aprovação de financiamento de projectos relacionados com o meu trabalho.

- Como encaras a investigação em Portugal? E o teu futuro?

A investigação científica já teve dias melhores pois a crise que se vive neste momento no nosso país também se estendeu à comunidade científica. Têm sido feitos cortes enormes no apoio às universidades e aos centros de investigação. São cada vez menos os projectos aprovados e além disso são atribuídas cada vez menos bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, já para não falar nas posições como investigador. Hoje em dia é complicado fazer uma carreira científica em Portugal. Esquecendo a parte má a verdade é que aqueles que continuam a trabalhar na ciência desenvolvem trabalhos cada vez mais interessantes e importantes para a nossa sociedade. Além disso, o que se faz em Portugal em nada fica atrás do que está a ser feito fora do nosso país.

- Para além da paixão pela investigação, quais são os seus outros interesses?

Existem vários. Gosto de dedicar o pouco tempo livre que tenho ao convívio com as pessoas que me são mais próximas. Gosto também de fotografia, música, de praticar desporto, de ler e de estar envolvida em campanhas de ajuda animal.

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fotos: DR