Prémio INCM/Vasco Graça Moura distingue inéditos de Ensaio na área das Humanidades

Anuncio+Premio+Ensaio+2016_cabeca[1]A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) abriu as candidaturas para a segunda edição do Prémio INCM/Vasco Graça Moura que, em 2016, distingue inéditos de Ensaio na área das Humanidades. Os interessados podem submeter os seus textos até 30 de agosto.

O galardão é atribuído anualmente e pretende distinguir obras inéditas nas áreas de actuação onde Vasco Graça Moura se destacou, nomeadamente, na Poesia, no Ensaio e na Tradução.

Com a criação deste Prémio, a INCM dá continuidade à sua missão, enquanto editora pública, de promoção e preservação do património da língua e da cultura portuguesas ao mesmo tempo que presta homenagem à personalidade incontornável e exemplar de Vasco Graça Moura enquanto cidadão, intelectual e antigo administrador da empresa, responsável pelo pelouro editorial.

O júri, mantendo a mesma composição da edição anterior – José Tolentino Mendonça (presidente), Jorge Reis-Sá e Pedro Mexia — anunciará a sua decisão a 30 de setembro. A obra vencedora será publicada pela INCM e, o seu autor, receberá ainda um prémio pecuniário no valor de 5 mil euros.

Fonte: INCM

Universidade de Coimbra entre as melhores instituições de ensino superior do mundo

uc_top500A Universidade de Coimbra (UC) está, pela primeira vez, no top 500 do CWUR – World University Rankings, posicionando-se entre a elite das 2% melhores instituições de ensino superior do mundo.

Na edição de 2016, a UC melhorou a sua classificação nos indicadores “alumni employment”, “publications”, “influence” e “broad impact”, subindo assim 26 posições face aos resultados do ano anterior.

O CWUR é o único ranking mundial que considera o desempenho das instituições ao nível da qualidade do ensino, do prestígio dos docentes e investigadores e da qualidade da investigação.

O ranking é apurado com base na informação relativa a prémios atribuídos a docentes, investigadores e estudantes, dados sobre o número de antigos estudantes que ocupam posições de CEO em empresas de topo, e ainda dados sobre a produção científica, nomeadamente número de publicações e citações, número de patentes e indicadores que demonstram a qualidade e impacto da investigação.

Os resultados da edição de 2016 do CWUR demonstram o excelente desempenho da UC nos diferentes rankings universitários internacionais, demonstrando que se consegue posicionar sistematicamente entre a elite das melhores instituições de ensino superior do mundo.

Fonte e foto: UC

Um cinema no comboio

avancaemmovimentoSexta-feira dia 8 de julho, um comboio urbano entre o Porto e Aveiro vai ser uma sala de cinema. Celebrando a 20ª Edição do Festival de Cinema AVANCA 2016, dois comboios da noite vão-se transformar em cinema no seu percurso.

O comboio que partirá da estação de Aveiro pelas 21h23, com direção a Porto São Bento e que passará por Avanca às 21h40 será o primeiro cinema-comboio. Por sua vez às 22h55 terá lugar uma  nova viagem que partirá de Porto S. Bento, passará por Avanca às 23h55 e chegará a Aveiro à 00h13.

O AVANCA EM MOVIMENTO vai estar literalmente em “movimento”. Cinema no comboio é mais uma actividade do programa comemorativo da 20ª edição do Festival de AVANCA. Este programa levou recentemente o cinema a casa das pessoas da região, transformando as suas salas e pátios em micro cinemas. Foram 5 sessões especiais e intimistas, a que se juntaram outras realizadas no Hospital de Cuidados Continuados e no Lar de Terceira Idade de Avanca. O balanço destas sessões foi muito positivo, onde cerca de 180 pessoas participaram neste projecto que pretendeu criar momentos de partilha onde o cinema foi o aglutinador.

No dia 8 será a vez de o AVANCA EM MOVIMENTO chegar às linhas ferroviárias do País, presenteando os utentes do suburbano da CP com uma selecção de alguns dos melhores filmes do festival de AVANCA.

Entre eles, serão exibidos a animação “A Ria, a água e o homem” que teve a sua estreia no AVANCA 2010 e realização de Manuel Matos Barbosa, “Luz Clara” de Miguel Lima e Vasco Vieira que integrou a programação de 2014, assim como o filme “Bebé” de Mohammadreza Hajipour que foi exibido em 2011. O filme italiano “Nós amamos os nossos clientes” que esteve em competição no AVANCA 2011 realizado por Beppe Tufarulo. Do AVANCA 2007 foi selecionada a animação do Reino Unido, “Buzina ok por favor” de Joel Simon. De 2015 o filme espanhol “Acabo de ter um sonho” realizado por Javi Navarro que recebeu no ano passado o Prémio Melhor Curta-Metragem. O filme brasileiro que ganhou o prémio para melhor actriz em 2013 “Feijoada Completa” de Angelo Defanti é outro dos filmes a exibir, assim como o prémio de melhor curta-metragem de 2013 do alemão David M. Lorenz intitulado “Em cima da hora”.

A melhor curta de Ficção de 2012, “Kerozene” um filme belga de Joachim Weissmann e o “O Acidente” realizado por André Marques e Carlos Silva que recebeu o Prémio Competição Avanca 2008 também serão exibidos.

Entretanto, tudo se prepara para o AVANCA 2016. Decorrendo na última semana de julho, todas as competições iniciam-se na quarta-feira dia 27.

Sendo uma organização do Cine-Clube de Avanca e Câmara Municipal de Estarreja, tem tido o apoio do ICA/Ministério da Cultura, IPDJ, Turismo do Centro, Junta de Freguesia, Paróquia e Escola Egas Moniz de Avanca, para além da CP.

Fonte: Festival de Cinema AVANCA
Foto: DR

Açores: “Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas” distinguido com o Prémio FAD de Arquitectura

centro_artes1O Prémio FAD de Arquitectura 2016 galardoou o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas localizado na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel nos Açores, desenhado pelos Arquitectos: João Mendes Ribeiro e Menos é Mais Arquitectos – Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos.

Trata-se de um projecto ambicioso em termos arquitectónicos. A ampliação em dois volumes completa o edifício mantendo a coerência entre as novas construções e a pré-existência do século XIX, a antiga fábrica de álcool e de tabaco. A forma cuidada de utilizar e conjugar os materiais utilizados contribui para a subtil alquimia fazendo desta casa das artes um lugar acolhedor. A delicadeza que não põe em causa a complexa e forte identidade do lugar, e a recuperação da arte de construir são algumas questões que devem ser destacadas num projecto que devolve a presença do passado ao presente e ao futuro. Na cidade da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel – Açores, surge, assim, um pólo de criação e cultura, direccionado ao incentivo das residências artísticas nacionais e internacionais, articuladas com toda a comunidade – Arquitecto Moisés Gallego, presidente do júri

O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas pretende ser um espaço de referência para a reflexão e o conhecimento aos níveis das diferentes áreas artísticas e, deste modo, criar uma variedade de públicos que sintam e se interessem pela arte e cultura contemporâneas, de acordo com a mutabilidade permanente que caracteriza a actual sociedade.

Do ponto de vista de uma política cultural nacional e internacional centrada, primordialmente, na criação, difusão e produção artística, o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas pretende ser um “ponto de convergência” de diversas culturas assentes em quatro eixos geográficos: Ilhas Atlânticas, Américas, Europa e África, sem esquecer a importância da Diáspora.

centro_artesAvelino Meneses, Secretário Regional da Educação e Cultura, numa reacção à atribuição deste galardão de reconhecido prestígio internacional aos projectistas do Centro de Artes Contemporâneas, ocorrida no dia 8 de junho, em Barcelona, salientou que este prémio, à semelhança de um conjunto de outras distinções já alcançadas, coloca os Açores, ao nível das suas estruturas culturais, “num patamar de excelência”.

centro_artes3

O Prémio FAD de Arquitectura, fundado em 1958 pelo arquitecto Oriol Bohigas e concedido pela Foment de les Artes i el Disseny (FAD), de Barcelona, é considerado o prémio de arquitectura de referência para Portugal e Espanha, distinguindo obras localizadas na Península Ibérica e nas ilhas pertencentes aos dois países.

Na edição de 2016, o Prémio FAD contou com 416 candidaturas e, entre os 10 finalistas, estavam a concurso, para além do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, mais quatro projectos portugueses, nomeadamente o Museu Nacional dos Coches, dos arquitectos Paulo Mendes da Rocha e Ricardo Bak Gordon, o Mercado Municipal de Abrantes, da ARX – Portugal Arquitectos, a Casa de Oeiras, do arquitecto Pedro Domingos, e o Teatro-Auditório de Llinars del Valles, do arquitecto Álvaro Siza (com Aresta+GOP).

Fontes: GaCS/SREC ; Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas
Foto: José Campos

Embarcação tradicional ‘Bote Leão’ regressa a Alcochete

Contrucao_Bote_Leao_1_1280_720[1]O ‘Bote Leão’, uma das embarcações mais emblemáticas do Tejo e um exemplo dos botes rápidos utilizados em Alcochete nos séculos XVIII-XIX, realiza a sua viagem inaugural no dia 19 de junho, domingo, às 15h30, na ponte cais Alcochete.

Este barco tradicional, agora fabricado de acordo com as técnicas utilizadas na construção das antigas embarcações que navegavam no Tejo, permite realizar novos passeios turísticos no rio Tejo, com o objectivo de dar a conhecer o património natural e paisagístico que caracteriza a Região, designadamente a frente ribeirinha da vila de Alcochete, Reserva Natural do Estuário do Tejo, Sítio das Hortas, praia dos Moinhos e salinas do Samouco.

boteleao2Integrado no programa de regeneração urbana do Município, a aquisição do Bote Leão representa um investimento total de 369.000 €, cofinanciado pelo Fundo Europeu das Pescas, com um montante de subsídio não reembolsável de 120.000 €, na sequência da aprovação de uma candidatura à medida de desenvolvimento sustentável das zonas de pesca do programa PROMAR.

A par da promoção turística e da preservação das tradições marítimas locais, este projecto pretende também dar a conhecer as características das embarcações tradicionais e as antigas práticas de navegação.

O bote Leão faz a sua viagem inaugural desde o estaleiro onde foi construído até à ponte cais em Alcochete, num dia que se quer de festa e de reavivar de histórias que permanecem na memória dos que conheceram a embarcação original.

De forma a assinalar o regresso do “Rei dos Nordestes” ao Tejo, a Câmara Municipal de Alcochete promove um conjunto de iniciativas locais como ateliês infantis e actuações de ranchos folclóricos ao longo do dia da inauguração.

Fontes: C.M. Alcochete; Entidade Regional de Turismo de Região de Lisboa
Fotos: C.M. Alcochete

 

 

A guitarrista Marta Pereira da Costa lançou o seu álbum de estreia

mpc_1Marta Pereira da Costa é a única guitarrista profissional de fado em todo o mundo.  Licenciou-se em engenheira civil, fez investigação no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, mas a paixão pela guitarra venceu.

Gosto imenso de desafios e não tenho medo do desconhecido ou do não haver mulheres a tocar – Marta Pereira da Costa (Revista Executiva)

Marta Pereira da Costa cresceu com a música. Aos 4 anos iniciou-se no piano, aos 8 na guitarra clássica e aos 18 na guitarra portuguesa. O pai incentivou a aposta na tradicional guitarra portuguesa,  um “território” exclusivo dos homens, onde a filha teria oportunidade de se destacar.

O álbum de estreia da guitarrista Marta Pereira da Costa é um registo arriscado e fascinante na assunção da diferença. O álbum homónimo espelha a sua natureza e personalidade.

Marta propôs-se encontrar rumos por onde a Guitarra Portuguesa raramente tinha seguido, desde a sonoridade clássica ao Jazz e às várias abordagens da World Music, nunca descurando os ritmos e sons tradicionais portugueses e o próprio Fado – e até fundindo-se com estes – que estarão sempre subjacentes a todo o repertório, pois fazem parte do ADN do próprio instrumento.

mpc_2

A guitarra abre-se ao mundo, escancara portas que ninguém tinha ainda ousado experimentar. Por duas simples razões: discos tradicionais de guitarradas já existem em número suficiente para que o mundo não esteja desesperadamente à espera que chegue mais um; e porque a natureza de Marta está longe de poder ser confinada a esse respeitável mas limitado universo sonoro.

Assim, através da sua abordagem feminina e toque pessoal, recupera temas tradicionais e acrescenta temas novos não só de sua autoria, contando com a participação de intérpretes de nomeada no panorama musical nacional e internacional.

Além de Camané, Marta chamou para cantar a seu lado duas vozes fundamentais na sua vida: Rui Veloso e Dulce Pontes. Ambos contribuem com temas originais (no caso de Veloso, música para uma letra de Manuela de Freitas) que reforçam a profunda marca portuguesa presente na música da guitarrista. E essa marca não desaparece, curiosamente, nas suas colaborações de absoluta surpresa: com a cantora iraniana Tara Tiba, que o violista Diogo Clemente encontrou num festival da Austrália e gravou num quarto de hotel, intuindo uma ligação especial entre duas mulheres que rompem as tradições musicais dos seus países (no Irão as mulheres não podem cantar a solo); e com o lendário baixista de jazz camaronês Richard Bona, que Marta conheceu numa masterclass em Lisboa, em 2014.

A tudo isto junta-se ainda o belíssimo diálogo para duas guitarras, “Ícaro”, Marta na portuguesa, Pedro Joia na clássica com travo a flamenco, e “Folia”, uma encomenda da guitarrista ao músico de jazz Mário Laginha. Familiarizado com a escrita para guitarra que desenvolve para o reportório do seu Novo Trio, Laginha apresentou a Marta um tema “dificílimo de tocar” que representou maior desafio interpretativo de todo o disco. Foram muitas horas de estudo para domar a música e a primeira vez que, no domínio da guitarra, teve de aprender uma composição através de partitura.

O álbum tem produção e direcção musical suas e do pianista Filipe Raposo, numa edição da Warner Music Portugal.

Fotos: DR

Mimi at Sea – Aprender (N)o Mar

mimiatsea2A Emília (Mimi) tem 16 anos e quer viver 6 meses a bordo de um navio à vela.  A jovem residente na Horta, ilha do Faial, é apaixonada pelo mar e está a recolher apoios para literalmente embarcar no projecto School at Sea.

Preciso do vosso apoio para içar a vela e pôr este grande sonho a navegar!

O projecto School at Sea tem sede na Holanda e possibilita a jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos de fazerem uma parte do ano lectivo a bordo de um navio à vela, conciliando a escola com a vida a bordo.

Este projecto educativo revolucionário tem como lema “You Sail, You Learn”. Educação pela experiência, responsabilização e conhecimento do mundo são as três ideias fortes do projecto.

Esta iniciativa, organizada pela holandesa School at Sea Foundation, proporciona a 34  alunos, entre os 14 e os 17 anos, uma oportunidade de conciliar a vertente académica com a exploração de diversas culturas e países, a bordo do “Regina Maris“, um veleiro de 50 metros.

Toda esta vertente de interculturalidade está associada à vida num navio, dificuldades a ela inerentes e necessária relação e interacção com os restantes alunos, professores e tripulação a bordo do navio.

mimiatsea3O “Regina Maris” parte da Holanda, navega para sul ao longo das costas europeia e africana. Após uma paragem em Cabo Verde, atravessa o Atlântico e explora o fantástico mar das Caraíbas. Depois das Bermudas ruma aos Açores, última paragem de intercâmbio antes de Amesterdão.

A Mimi frequenta o 11º ano (ciências e tecnologias), gosta de ler e escrever e adora a natureza e o mar. Durante vários anos praticou vela e há alguns meses apaixonou-se pelo mergulho subaquático.

Quero desafiar-me, jogar em equipa, conhecer-me melhor, quero mar, aventura e multiculturalidade.

O maior obstáculo ao ingresso no School at Sea são as propinas mensais de 3.602 € (21.612 € no total). De forma a concretizar este enorme sonho, a Emília está a desenvolver um processo de angariação de fundos e parceiros. Além do apoio de algumas empresas e instituições, a jovem aspirante a navegadora recorreu ao crowdfunding para angariar o valor de uma das propinas.

A Mimi quer conhecer o mundo e ser do mundo.  Fique a saber mais no seu website (Mimi at Sea).
Fotos: DR

“A confissão do navegador” : Duarte Nuno Braga em entrevista

capa_confissao_NavagadorDuarte Nuno Braga nasceu em 1975 e é natural de Lisboa. O prémio literário que recebeu aos 14 anos incentivou-o a continuar a escrever. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, fez carreira na área das tecnologias. É autor do blogue duartenunobraga.com, onde se entrega à escrita, ao contacto com outros autores e sobretudo à partilha com os leitores. Dedica-se à formação em escrita criativa. A Confissão do Navegador é o seu primeiro romance histórico.

De que forma chegas a esta personagem histórica, Duarte Pacheco Pereira, e a incluis no teu livro?

Comecei por descobrir “A Confissão do Navegador” através da meditação. Alguns episódios narrados apareciam-me, muitas vezes, em sonhos, como se estivesse a ser chamado para desvendar segredos antigos. Comecei a investigar a vida de diversos navegadores quinhentistas até que conheci a história escondida de Duarte Pacheco Pereira. E, nesse preciso momento, não tive mais dúvidas de que era ele o capitão desta história incrível.

Duarte Pacheco Pereira poderá ser mais um herói ignorado na nossa história?

Não tenho quaisquer dúvidas disso. Duarte Pacheco Pereira terá estado duas vezes no Brasil, antes de 1500. A sua fé, aliada aos seus conhecimentos de cosmografia, foram determinantes. Portugal precisava de conseguir um caminho marítimo para a Índia, tão seguro quanto possível. As aguadas em África eram muito inseguras, devido à hostilidade dos nativos e D. João II necessitava de alternativas. É muito provável que a descoberta do Brasil tenha ocorrido em 1493. No ano seguinte, o próprio Duarte Pacheco Pereira assinava o Tratado de Tordesilhas, que estendia a linha divisória da bula papal em 270 léguas a oeste de Cabo Verde, incluindo assim aquele novo território. No mesmo tratado ficaria salvaguardado um período de carência que concederia a Castela quaisquer terras descobertas. Revelar o descobrimento do Brasil naquela altura seria algo impensável. No seu tempo, Duarte Pacheco Pereira foi um grande visionário e os seus feitos foram notáveis, mas a nossa história não lhe deu o lugar de destaque merecido.

Escrever um romance histórico implica um trabalho e um estudo extenso. O que fizeste para dar corpo ao teu romance?

Este romance demorou cerca de dois anos a completar. Foram muitas horas de biblioteca, a consultar compêndios antigos e o próprio regimento escrito por Duarte Pacheco Pereira. Tive o máximo de cuidado possível nos pormenores. Se num determinado episódio descrevi uma tempestade, é porque existem registos, nesse dia, dessa intempérie. Toda a parte ficcionada foi feita de uma forma não contraditória com os registos históricos existentes. Isto é, o rei pode não ter dado um anel a Duarte Pacheco Pereira, como é descrito no primeiro capítulo. Mas não existe um documento a dizer que não deu. Os factos históricos, por outro lado, são narrados com o maior rigor possível.

Também tive alguma sorte. No desenrolar do romance, o herói tem um amor proibido com Antónia, com quem viria a casar mais tarde. Faltava-me saber se, efectivamente, poderia ser um amor proibido. Fiquei incrédulo ao descobrir que existem indícios de que a família de Antónia terá estado exilada em Castela, por conspiração contra o rei. A nossa história é tão rica que a escrita de um romance acaba por se simplificar. (risos!)

Ganhaste um prémio quando eras mais novo. Ficar tantos anos desligado da escrita fez-te duvidar das tuas capacidades?

Não posso dizer que alguma vez tenha duvidado das minhas capacidades enquanto autor. Desde muito novo que gostava de escrever. Lembro-me de inventar notícias em pequenos bilhetes e lê-los para a família. Durante a adolescência, concorri com um conto a um prémio literário e fiquei em primeiro lugar. Recordo-me de que investi todo o prémio num rádio-transmissor. Gostei tanto daquilo que ganhei um entusiasmo pelas telecomunicações, até hoje.

A verdade é que o universo tem a incrível capacidade de nos devolver oportunidades atrás de oportunidades. E, desta vez, agarrei-a! Creio que o meu problema foi gostar sempre de fazer muitas coisas diferentes. (risos!)

De que forma a tua busca interior – fizeste cursos de meditação, aprendeste astrologia, música, palavras e poesia, viste artes ancestrais, fizeste massagem Thai – te ajudou na tua vida?

Sempre gostei da mudança e de me questionar. A minha busca interior não termina aqui. Creio que acabou de começar. Na minha perspectiva pessoal, este livro é muito mais do que uma obra sobre os descobrimentos. É um guia de auto conhecimento. Creio que muitos leitores encontrarão nele também algumas respostas. Costumo dizer que a coragem e impulsividade, quando coabitam, podem ser explosivas. A minha busca interior ajuda-me a apaziguar essa efervescência. Por outro lado, a vida é para ser vivida, certo? Só temos de encontrar um equilíbrio.

Estavas à espera de tantas solicitações após a publicação de «Duarte Pacheco Pereira – O Navegador que descobriu o Brasil»?

Confesso que não tinha consciencializado quaisquer perspectivas nesse sentido. Nem altas, nem baixas. Vivi com muito amor e dedicação todos os diferentes momentos deste livro. A pesquisa, a escrita, a revisão, a publicação e agora a divulgação. Costumo dizer que a felicidade não se encontra no horizonte, ela mora no caminho da vida. E só poderemos realmente vivenciá-la se colocarmos as expectativas de lado.

Contudo, e sem falsa modéstia, não escondo a minha satisfação por ver as atenções postas em torno desta obra, quer por parte da comunicação social, quer por parte dos leitores.

Queres falar-nos de influências? Que escritores e livros te marcam?

A maior influência é a minha própria vida e a forma como encaro as situações com que deparo. Não há escritor que não tenha um pouco de si nos seus livros. No plano da escrita espiritual, tenho de referir Paulo Coelho, que considero um mestre. No contexto do enredo e das descrições, O Equador de Miguel Sousa Tavares é um néctar. E, se isso fosse possível, gostava de tirar o curso da linguagem própria de Mia Couto.

O que queres dizer ao teu público-leitor e a quem ainda não te descobriu?

«A Confissão do Navegador» é um empolgante romance histórico que nos leva a vivenciar as emoções das viagens marítimas dos descobrimentos e da conquista das Índias. Numa época envolta em segredos, conspirações e amores proibidos, o capitão português, pejado de fé e perseverança, enfrentou a fúria dos oceanos, combateu exércitos poderosos e realizou descobertas de importância vital para o país. Porém, na rota das suas viagens, Duarte Pacheco Pereira descobriu muito mais do que poderia sequer imaginar.

Além de sugerir a leitura do meu livro, gostava de incentivar os leitores a darem uma oportunidade aos novos autores portugueses. Felizmente, existem cada vez mais pessoas a escrever – e bem!

Aproveitem as redes sociais para conhecer os autores, que estão ávidos de receber os vossos comentários e partilharem experiências. Procurem Afonso Reis Cabral, Manuel Monteiro, Célia Loureiro, Sara Rodi, Nuno Nepomuceno.

Leiam autores portugueses, ajudem a cultura portuguesa!

A Confissão do Navegador
A Confissão do Navegador
Duarte Nuno Braga

P.V.P.: 15.90
Clique aqui para comprar
Data de Edição: 2016
Nº de Páginas: 256
Editora: Editorial Presença

Corre o ano de 1493. D. João II convida o navegador Duarte Pacheco Pereira a conhecer Cristóvão Colombo. Joga-se o destino de Portugal e do próprio Duarte Pacheco Pereira, incumbido de uma missão secreta que o leva aos confins do Atlântico. Neste empolgante romance histórico desvenda-se a figura pouco conhecida do navegador descrito por Camões como o «Aquiles lusitano». Do perigo dos mares ao calor da Índia e da batalha, somos levados para uma época envolta em segredos, conspirações e relações proibidas. A ambição de um reino muda a vida de um homem dividido numa busca espiritual entre a lealdade e o amor.

Directora do Programa de Doutoramento para PALOP homenageada pelo Governo de Cabo Verde

PCGDJoana Gonçalves de Sá, Directora do Programa de Pós-Graduação Ciência para o Desenvolvimento (PGCD) e investigadora principal no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), foi homenageada, dia 19 de abril, na Cidade da Praia pelo então Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, numa cerimónia que visou distinguir algumas personalidades e organizações por altos contributos para o avanço e consolidação do Ensino Superior e da Ciência naquele país. Os homenageados foram condecorados com o Primeiro Grau da Medalha de Mérito Educativo.

Esta homenagem do Governo de Cabo Verde é completamente inesperada, mas deixa-me muito honrada. Este Programa começou como uma iniciativa do IGC e tem conseguido gerar uma dinâmica de generosidade e empenho tal, por parte da comunidade científica de língua portuguesa, que nos tem permitido oferecer educação de nível europeu a alguns dos jovens mais promissores dos PALOP. Para que o PGCD fosse uma realidade tivemos de ultrapassar muitos obstáculos e é uma grande satisfação vê-lo reconhecido pelo Governo de Cabo Verde. É de louvar o trabalho que aqui tem sido desenvolvido em prol do ensino superior e da ciência, nos últimos anos – Joana Gonçalves de Sá

O Governo cabo-verdiano reconheceu assim o carácter inovador do PGCD e o importante papel desempenhado por Joana Gonçalves de Sá na sua liderança. O PGCD é um programa de doutoramento em ciências da vida, destinado a estudantes dos PALOP e de Timor Leste, cujo ano lectivo decorre na Cidade da Praia, no campus da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV). Promovido pelo IGC e apoiado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência e Inovação de Cabo Verde, o PGCD irá ajudar a formar cerca de 80 estudantes dos PALOP e de Timor-Leste e leva anualmente cerca de 100 cientistas internacionais a Cabo Verde. Estes cientistas, para além de darem aulas no Programa, participam muitas vezes noutras iniciativas, como palestras públicas, debates alargados ou programas de divulgação científica. Para além disso, o PGCD tem favorecido o desenvolvimento de projectos de investigação conjuntos, entre a comunidade científica internacional e os investigadores em Cabo Verde e no resto dos PALOP.

Também Pedro Lourtie, Professor do Instituto Superior Técnico, Fernando Fragateiro,  Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e Stefan Oschmann, CEO da farmacêutica Merck, foram homenageados nesta cerimónia pelo contributo que têm dado à Educação e Ciência em Cabo Verde. Pedro Lourtie colabora com Cabo Verde há muitos anos, tendo assessorado a criação da Uni-CV. Já Fernando Fragateiro foi o impulsionador do recém-inaugurado curso de medicina que decorre na Uni-CV em colaboração com a Universidade de Coimbra. Stefan Oschmann liderou o processo de apoio ao PGCD que permitiu que as aulas do Programa tivessem lugar na cidade da Praia.

Fonte: IGC
Foto: Sandra Ribeiro

Fisgas de Ermelo atrairam 800 participantes em prova de Trail Running

fisgas1bAs Fisgas de Ermelo representam um acidente geológico (quedas de água do rio Olo) com cerca de 400 metros e são o melhor cartão de visita do Município de Mondim de Basto. Este cenário natural de enorme beleza serviu de mote à 1ª Edição do Trail Fisgas de Ermelo.

Com base no seu elevado valor científico, didáctico, patrimonial e turístico, o Município de Mondim de Basto  organizou a candidatura das Figas do Ermelo a Património Natural da Humanidade, tendo o processo já dado entrada na Comissão Nacional da Unesco.

A beleza singular e selvagem das Fisgas de Ermelo atrai dezenas de milhares de visitantes todos os anos, que daqui saem com todos os sentidos despertos e com o desejo e a promessa de voltarem muitas outras vezes.

Fruto da aposta neste grande activo turístico, a autarquia inaugurou, este mês, o PR3 Fisgas de Ermelo, um percurso com grandes desníveis, com um nível de dificuldade elevado mas, ao mesmo tempo, desafiante e emocionante pela envolvência natural, rural e única que o caracteriza. O ponto de partida é a aldeia de Ermelo e desenvolve-se à volta do rio Olo, passando pela queda de água.

fisgas1d
Com todos estes ingredientes, faltava uma prova de Trail que permitisse desfrutar deste cenário único. Assim surge a 1º Edição do Trail Fisgas de Ermelo com duas corridas de 16km e 25km, no qual os atletas percorreram os trilhos do Parque Natural do Alvão, tendo como vista privilegiada as Fisgas de Ermelo, uma das maiores quedas de água da Europa, com um desnível de cerca de 400 metros, assentes em rochas quartzíticas com aproximadamente 480 milhões de anos.
Esta prova foi organizada pela AMA- Associação Mondim Atletismo, com o apoio do Município de Mondim de Basto, Junta de Freguesia de Mondim de Basto e União das Freguesias de Ermelo e Pardelhas. Esta primeira edição teve lugar este domingo, com partida às 9h30m na aldeia histórica de Ermelo, e com chegada na Vila de Mondim de Basto. Os 800 participantes esgotaram as inscrições a 5 semanas da prova.
fisgas1a

O trail longo 25km, percorreu trilhos até ao mítico Alto da Sr. da Graça, O monte Farinha é uma montanha do distrito de Vila Real, com uma altitude de 947 metros. No seu topo, conhecido como Alto da Senhora da Graça, localiza-se o Santuário de Nossa Senhora da Graça, e a vila de Mondim de Basto situa-se no seu sopé.

A ascensão ao Alto da Senhora da Graça, por uma estrada com inclinações até 12%, é famosa pela habitual presença na Volta a Portugal em Bicicleta. Após subirem ao ponto mais alto, os participantes desceram até á meta situada na praça do município por trilhos usados pelos peregrinos na peregrinação ao Alto da Senhora da Graça.

Por fim, o trail curto 16km, seguiu os trilhos da Levada de Piscaredo até á Vila de Mondim de Basto. A Levada de Piscaredo remonta ao século XIII, ainda no reinado de D. Afonso II. Devido à escassez de água, indispensável para a irrigação dos seus campos, os proprietários das terras de Mondim decidiram partir de suas casas rumo às Mestras, confluência dos rios Cabrão com o Cabresto, e só regressaram muitos meses depois, trazendo consigo o preciso líquido. A Levada de Piscaredo é totalmente reconstruída em lajes de granito.

fisgas1editAs fortes chuvas que se registaram este fim de semana provocaram uma subida considerável do caudal do rio, o que impossibilitou a sua travessia em segurança.  Fruto desta contigência, foi efectuado um desvio com cerca de 2km, que resultou num incremento das distâncias a percorrer pelos atletas.

Esta prova foi abrilhantada pelas presenças de Manuela Machado, uma das nossas melhores atletas da Maratona e Ester Alves, vencedora da ultramaratona costa-riquenha The Coastal Challenge 2016. As duas atletas participaram na prova de 15km, tendo Ester Alves arrecadado o primeiro lugar na classificação geral feminina (1:58:10 ) e Manuela Machado o segundo (2:02:40). Maria Santos venceu a prova dos 25km (3:19:32).

No capítulo masculino, José Rodrigues venceu a prova de 15km (1:39:19) e Leonel Cunha foi o primeiro a terminar os 25km (2:29:28).

CLASSIFICAÇÕES

15KM

Escalões Masculinos:

Seniores (18 a 39 anos)
1     JOSÉ RODRIGUES                  EXPERIENCIAR/BARCELT.   1:39:19
2     FERNANDO NEVES                    CENTRO CICLISTA DE G         1:40:51
3     BRUNO SANTOS                          CTADTRILHOS DE CINFÃES  1:41:16

Veteranos M40 (40 a 49 anos)
1      BRUNO COUTADA                      INVICTUS OPORTO TEAM     1:50:22
2     ABILIO ALMEIDA                        Individual                                     1:50:25
3     FRANCISCO PEREIRA                AIRORUN                                    1:52:55

Veteranos M50 (50 anos ou mais)
1     FERNANDO GONCALVES          FAFE RUNNERS                       1:39:42
2     FERNANDO NEVES                    AMIGOS DO PEDAL TRAIL    1:48:58
3     AVELINO MARTINS                   PETRO BASTO                            1:55:05

Escalões Femininos:

Seniores (18 a 39 anos)
1     ESTER ALVES                            LABORIAL                                   1:58:10
2     SILVIA FERNANDES                  Individual                                     2:15:22
3     INES MOREIRA                           MOINHOS RUN                          2:15:27

Veteranas F40 (40 a 49 anos)
1     SANDRA MENDES                      PROFISIO TEAM                        2:15:43
2     DEOLINDA FARIA                     AIRORUN                                     2:19:04
3     ANA PINTO                                  ALIANÇA DE GANDRA             2:24:09

Veteranas F50 (50 anos ou mais)
1     MANUELA MACHADO              CYCLONES                                   2:02:40
2     ROSA MENDES                           GONDOMAR FUTSAL CLUB   2:57:42
3     ADELAIDE VIGARIO                 GONDOMAR FUTSAL CLUB   3:00:39

25KM

Escalões Masculinos:

Seniores (18 a 39 anos)
1     LEONEL CUNHA                     LA SPORTIVA/SA TECNO       2:29:28
2     CÉSAR BARROS                          SPORT CLUBE DE BEIRA        2:32:55
3     VÍTOR COSTA                             A.D.AMARANTE TRAIL R        2:35:09

Veteranos M40 (40 a 49 anos)
1     RUI LARANJEIRA                      EXPERIENCIAR/BARCELT.    2:36:09
2     JOSÉ SILVA                                 MINHO AVENTURA                  2:38:42
3     ROBERTO GRANA                     VERMUT LODEIROS ATLH    2:45:19

Veteranos M50 (50 anos ou mais)
1      LUIS SAMPAIO                          ARRASTA O PÉ                            2:36:54
2     FRANCISCO LEMOS                 ARRASTA O PÉ                            2:54:16
3     JOSE OLIVEIRA                         PETRO BASTO                             2:59:31

Escalões Femininos:

Seniores (18 a 39 anos)
1     ESTELA MARTINS                      Individual                                     3:20:56
2     ANA VIEIRA                                 AMIGOS DO PEDAL TRAIL     3:29:21
3     ALEXANDRA OLIVEIRA          MINHO AVENTURA                  3:33:43

Veteranas F40 (40 a 49 anos)
1     MARIA SANTOS                       CHEGAMOS AO FIM                3:19:32
2     ALEXANDRA FERNANDES     NASCIDOS PARA CORRER     3:24:16
3     MANUELA FARIA                       Individual                                     3:52:10

Veteranas F50 (50 anos ou mais)
1     CARMO MARINHO                    LIGEIRINHOS                            3:46:56
2     MARIA RICARDO                      LION RUNNERS G. D.              5:04:08

 

Fontes: Associação Mondim Atletismo; Município de Mondim de Basto; Cyclones Sports; Diário de Trás-os-Montes
Fotos: Nuno Faria
(excepto 2ª fotografia)

A Excelência Portugal participou nesta prova a convite da organização.