Vai à praia? A Chiado Editora tem uma biblioteca à sua espera

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A Chiado Editora decidiu tornar a leitura mais fácil em algumas praias portuguesas e numa missão de democratizar o acesso ao livro e à cultura,  instalou  bibliotecas em quatro praias portuguesas – Carcavelos (Casa da Praia), Tamariz, praia urbana do Torel e Ribeira Grande (Açores) – disponibilizando, gratuitamente, 300 títulos dos mais variados géneros.

A leitura na praia é um hábito de muitos portugueses, mas obrigava à prévia escolha da obra e ao seu transporte. Agora pode limitar-se ao transporte da sua toalha de praia e escolher um livro numa destas inovadoras bibliotecas.

Da literatura infantil ao romance histórico, passando pela poesia e a ficção, estão disponíveis livros, de consulta gratuita, para todas as preferências e idades. A iniciativa teve início a 1 de Agosto e termina a 31 do mesmo mês.

irisA Excelência Portugal falou com Irís Pitacas, Editora-Executiva da Chiado Editora. De acordo com esta responsável, a iniciativa está a ser um sucesso e o seu conceito inovador  tem sido alvo de muitos elogios.

A editora pretende fazer chegar os seus autores a todo o lado, mostrar que um livro pode estar em qualquer lugar e promover simultâneamente o hábito da leitura.

No final do mês, a editora realizará um estudo quanto aos livros mais lidos, perfil dos leitores, etc … No entanto, já foi possível apurar que estes espaços são frequentados maioritariamente por adultos e jovens.

 

CHIADO EDITORA

Chancela do Break Media Group, a Chiado Editora é especializada na edição de autores portugueses e brasileiros contemporâneos. Em 2014 publicou 100 novos títulos por mês, 30 deles no Brasil, e a sua vocação lusófona tem-na levado ao cruzamento dos mercados de língua portuguesa e também à publicação de autores angolanos em Portugal e no Brasil.

 

Fotos: DR

 

Rendas de bilros de Vila do Conde entraram para o livro de recordes mundiais do Guiness

 

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Os feitos portugueses também podem ter história. Aliás, muitos deles têm. E ao dizer isto, poderá pensar-se na história que já foi feita há anos atrás, nesses outros tempos, nesses outros séculos. Mas mesmo nos dias de hoje, história continua a ser feita.

Foi no dia 2 de Agosto que tudo se passou. As tradicionais rendas de bilros, de Vila do Conde, entraram para o livro de recordes mundiais, depois de ser apresentada uma peça gigante produzida por mais de uma centena de rendilheiras. O anúncio foi feito por Fortuna Burke, júri oficial do Guiness World Records, que medir e confirmou a autenticidade das rendas. A maior renda de bilros do mundo foi então içada bem alto, simbolicamente entre os mastros da nau quinhentista, atracada na zona histórica de Vila do Conde

Aliás, o acontecimento que se deu nesse dia estava a ser preparado já há 3 meses. A obra em si é considerada como “uma peça que vai unir gerações”, e a cerimónia homenageou todas as mulheres que, ao longo dos séculos, fizeram da renda o ex-libris da cidade. Ao todo a peça mede 53,262 metros quadrados e foi feita com 8 quilos de linha. Exibe um total de 437 quadrados de 30×30 centímetros, todos com cores e formas diferentes, feitos por 150 rendilheiras de todas as idades.

No momento do anúncio da entrada para o livro de recordes mundiais, Elisa Ferraz, presidente da Câmara Municipal – que há um ano, durante as comemorações do Dia da Rendilheira na Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, desafiou as rendilheiras a produzir uma peça gigante – não escondeu a satisfação.

“Foi uma grande emoção que se viveu aqui. Além do recorde, temos de relevar esta história, este património extraordinário, e por isso prestamos aqui a maior homenagem às nossas rendilheiras”, sublinhou Elisa Ferraz. “ [Este reconhecimento] ultrapassará fronteiras e escreverá esta arte no mundo”.

Acrescenta ainda que é de relevar “o carinho enorme pelo trabalho destas mulheres, que foram buscar às rendas uma fonte de rendimento para fazer face às dificuldades económicas, e hoje preservam esta tradição”, e que “isto só é possível porque elas existem e continuam com muita vontade de fazer” renda. Ao mesmo tempo, Elisa Ferraz salientou a importância da certificação de origem, também conseguida este ano. “Agora com a certificação, estamos a dar passos importantes no sentido de uma modernização que também é necessária”.

Com este primeiro Guiness para o concelho, a presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde acredita que a cidade vai receber ainda mais turistas; “Os turistas têm todos os motivos para virem aqui, [ver] as nossas rendas mas também a tradição a nível da construção naval, a beleza da nossa terra, as nossas praias. Temos um património extraordinário” concluiu.

Os portugueses fizeram, de facto as suas marcas a nível global durante muito tempo, há muito tempo. Mas, ainda hoje temos a capacidade de o fazer. Aquilo que se passou em Vila do Conde é prova disso mesmo. Que todos aspiremos a fazer história, especialmente se estivermos a fazer aquilo que mais gostamos, como as rendilheiras dedicadas aos seus bilros.

Fontes: JN e Sol
Foto: ASF

 

PECADO FATAL no CHICHESTER FILM FESTIVAL (entrevista a Sara Barros Leitão)

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Sobe para 34 o número de eventos cinematográficos onde a longa metragem PECADO FATAL marca presença. Desta vez é Inglaterra. O filme de Luís Diogo, PECADO FATAL, que a Filmógrafo e o Cine-Clube de Avanca coproduziu, integra a selecção oficial do “24º Chichester International Film Festival”, que se realiza nesta cidade do Sudeste de Inglaterra na segunda metade de Agosto.

PECADO FATAL é um dos 10 filmes europeus seleccionados numa secção onde entre os outros 9 filmes estão TANGERINES (nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro este ano), MARSHLAND – LA ISLA MÍNIMA (o grande vencedor dos Goya deste ano, incluindo melhor filme, realizador e argumento), MY MOTHER, o último de Nani Moretti, (que há dois meses competiu em Cannes onde venceu o Prémio do Júri Ecuménico), SUMMER (que competiu, entre outros, no prestigiado festival norte americano de Chicago) ou THE GRUMP (nomeado para melhor filme e melhor realizador nos Jussi Awards, os Óscares Finlandeses).

Recorde-se que, no ano passado, o Festival de Cinema de Chichester premiou entre outros, filmes como PRIDE (nomeado para o Globo de Ouro de melhor comédia) ou IDA (Óscar para o melhor filme estrangeiro este ano).

Com 7 prémios em 2014, PECADO FATAL transformou-se na longa-metragem de ficção portuguesa mais premiada no ano passado. Em 2015 recebeu 2 novos prémios e foi nomeado para 3 prémios SOPHIA e para os Globos de Ouro de melhor atriz. Curiosamente, todos as distinções foram atribuídas em sucessivos e diferentes países (Brasil, Bulgária, Cabo Verde, Canadá, Croácia, Itália, São Tomé e Príncipe e Portugal).

Protagonizado por Sara Barros Leitão, Miguel Meira e João Guimarães, este filme conta uma história de equívocos e paixão que vive no limbo de um pecado irrevelável. Um rapaz e uma rapariga apaixonam-se. Miguel leva Lila para uma noite de sexo rápido na casa de um amigo. Dado que a rapariga ainda dorme, ele sai de casa, deixando-a ao cuidado de Nuno e os acontecimentos precipitam-se.

Luís Diogo, embora seja natural de Castelo Branco, nasceu na Guiné-Bissau e vive em Paços de Ferreira, onde rodou esta sua longa-metragem.
Formado em artes visuais pela ESE de Castelo Branco e tendo estudado cinema na ESAP do Porto, tem orientado e coordenado acções de formação em escrita cinematográfica, nomeadamente no Festival de Cinema AVANCA.

 

A PROTAGONISTA (em entrevista)

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Sara Barros Leitão, nasceu no Porto em 1990 e formou-se em Interpretação pela Academia Contemporânea do Espectáculo. Ao longo do seu percurso, teve como professores António Capelo, João Paulo Costa, Maria do Céu Ribeiro, Nuno Pino Custódio, Luís Madureira, Sandra Mladenovic ou Kuniaki Ida.

Trabalha regularmente em Televisão, e o seu trabalho na mini-série “Mulheres de Abril” valeu-lhe a nomeação para Melhor Actriz Secundária nos Prémios Áquila 2014 e nos prémios Fantastic Televisão 2014. Atualmente interpreta “Inês” na produção da SP/SIC “Poderosas”.

Em Cinema destacam-se as longas-metragens “Aristides Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus” e “Pecado Fatal”, com o qual foi nomeada para Melhor Actriz Cineuphoria 2015, Melhor Actriz de Cinema pelos Prémios Sophia 2015 e também pelos Globos de Ouro. Participou em dezenas de curtas metragens nos últimos anos, das quais se destaca o filme “SARA”, com o qual ganhou o Prémio de Melhor Actriz no Festival CLAP 2012.

É uma voz assídua nas locuções publicitárias para rádio e dobragens de filmes e desenhos animados, mas é em Teatro que se sente completamente feliz.

Estreou-se com o papel de “Julieta”, na tragédia “Romeu e Julieta”, dirigida por Eduardo Alonso e produzida pelo Teatro do Bolhão. Trabalhou com encenadores como Victor Hugo Pontes, Natália Luiza ou Joaquim Nicolau, e passou por companhias como Teatro do Bolhão, Teatro Meridional, Teatro Rápido, Palco 13, Plataforma 285, Teatro do Vestido, etc.

Apesar de acreditar que o Teatro não são só palavras, a literatura assume um papel fundamental na sua vida. Neste momento, desdobra-se entre o trabalho como actriz, formadora, a direcção artística da companhia Carruagem e a licenciatura em Estudos Clássicos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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- O que te fascinou na história e levou a aceitar o convite?A personagem Lila tem uma força incrível, era algo muito diferente do que alguma vez me foi proposto. Não encaixava nada no perfil de personagens que normalmente me apresentam, por causa da aparência. Esta era uma jovem mulher com força, com mágoa, com personalidade vincada, que sabia o que queria. Foi por isso que quis fazê-la.
- Que importância teve para ti a participação em “Pecado Fatal”?

Teve a importância de todos os projectos que abraço: a aprendizagem. O que me move na vida é aprender, e sem dúvida que fazer este filme foi uma enorme aprendizagem profissional e pessoal.

– Esperavas o sucesso internacional que o filme obteve e continua a obter?

Não, de todo. Houve até alturas em que pensei que o filme não iria ter força para sair da gaveta, sendo uma produção altamente independente. Por isso, fico sempre surpreendida com cada nova conquista.

- Consideras que não obstante os constrangimentos financeiros temos cinema de Excelência? Como vês o cinema no nosso país?
A excelência só se conquista se existir pluralidade, diversidade. Em Portugal só fazemos dois ou três géneros de filmes, com dois ou três realizadores e produtores. Enquanto não ultrapassarmos esta barreira de produção, será impossível atingir a excelência. Seria muito presunçoso dizer que dos quatro ou cinco filmes que se fazem em Portugal por ano, há pelo menos um deles que é sempre de excelência. Só o facto de se produzirem tão poucos filmes é sinónimo de que estamos longe disso.
- Porque achas que o público não acorre às salas para ver filmes nacionais de qualidade ? Teremos um défice de cultura cinematográfica?
Não há pessoas a verem filmes portugueses porque as pessoas não gostaram dos filmes portugueses que viram antes. Parece-me muito simples. E isto não é um problema das pessoas, nem do seu gosto. É assim e pronto. Eu vivo, em grande parte, da bilheteira dos meus espectáculos, se o público não gostar do género de espectáculos que a minha companhia faz, não vai voltar a sair de casa para ter uma má experiência, pois não? Se eu vou a um restaurante e não gosto, não volto lá tão cedo. Se da segunda vez que voltar, continuar a não gostar, não volto mais de certeza. Não vou pagar por uma coisa que não me agrada. Não quer dizer que o restaurante seja mau: simplesmente não é o que eu gosto. A parte curiosa é que há restaurantes cheios e há salas de cinema cheias. Mas também há restaurantes vazios e salas de cinema vazias. A diferença é que os donos do restaurante, como não têm subsídios para fazer comida que só eles gostam, ou fecham o restaurante, ou reinventam a sua forma de cozinhar. Em Portugal a comida continua a mesma, porque os cozinheiros têm a barriga cheia e porque a culpa é sempre só dos clientes que não vão lá jantar.
Fotos: DR

Universidade Itinerante do Mar comemora dez anos

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O projeto UIM foi criado em 2006 a partir da iniciativa conjunta da Universidade do Porto (Portugal) e da Universidade de Oviedo (Espanha), tendo sido posteriormente valorizado com a participação da Escola Naval. Estas três entidades trabalham em equipa num sentido único: o de proporcionar a jovens universitários uma experiência de formação rica e diversificada, envolvida num ambiente multidisciplinar e em cooperação, onde a componente principal é dar plena propriedade ao lema da UIM “Conhecimento e Aventura”.

O Curso da Universidade Itinerante desdobra-se em três ciclos principais: O Ciclo de Preparação, o Ciclo de Realização e o Ciclo de Conclusão. No Ciclo de Preparação efetuam-se não só encontros entre as três entidades organizadoras e os estudantes universitários, mas também ações de formação em ambiente académico; o Ciclo de Realização tem como principais componentes os momentos de Navegação e de Formação Académica quer a bordo do Navio, quer nos locais visitados quando atracados; o Ciclo da Conclusão caracteriza-se pelo desenvolvimento e apresentação de trabalhos/projetos realizados pelos alunos, de acordo com a temática anual de cada campanha da UIM. A avaliação positiva do projeto (analisada por um júri da UP) pode equivaler à creditação de 6 ECTS no currículo académico dos alunos das Universidades do Porto e Oviedo, ou nas demais instituições que validem o CURSO UIM.

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Em 2015, a campanha da UIM é organizada pela U.Porto e pela Escola Naval e contempla dois cursos/rotas . A primeira “expedição” arrancou a 2 de agosto e, até 15 de agosto, vai passar pelo Porto, Berlengas, Porta Santo,  Funchal e Lisboa. A segunda decorre entre 14 e 22 de agosto e fará o percurso Lisboa – Casablanca – Portimão.

Antes da partida do “Creoula“, os dez anos da Universidade Itinerante do Mar foram assinalados nesta sexta-feira, 31 de julho, no Novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões (APDL).

 

Fotos: UIM
Fontes: UIM e UP

Universidade do Porto em grande destaque nas bolsas Fulbright de Investigação

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Liliana Abreu, Mariana Pereira, Pedro CecílioRosana Alves e Sofia Leite, todos eles graduados pela Universidade do Porto, integram o lote de onze cientistas portugueses que, durante o ano letivo 2015/2016, vão ser financiados pelo Estado norte-americano para prosseguir os seus projetos de investigação nalgumas das mais prestigiadas universidades e centros de investigação dos Estados Unidos, ao abrigo do programa de bolsas atribuídas anualmente pela Comissão Fulbright.

As bolsas de estudo do Programa Fulbright, no valor máximo de 8 mil euros e com um duração que pode de quadro a nove meses, oferecem a estudantes e professores portugueses a oportunidade de estudar, leccionar ou fazer investigação nos Estados Unidos da América, bem como a estudantes e professores americanos a oportunidade de desenvolver o mesmo tipo de actividades em Portugal.

Bolsas para Portugueses

As bolsas Fulbright destinam-se a estudantes licenciados e a professores e investigadores com doutoramento que pretendam estudar, fazer investigação ou leccionar em universidades nos Estados Unidos da América.

Bolsas para Mestrado, Doutoramento e Investigação

  • Bolsa Fulbright para Mestrado e Doutoramento
  • Bolsa Fulbright / Fundação Carmona e Costa para Mestrado em Belas Artes – Desenho
  • Bolsa Fulbright para Investigação
  • Bolsa Fulbright para Investigação em Saúde Pública
  • Bolsas de Viagem Fulbright

Bolsas para Professores e Investigadores Doutorados

  • Bolsa Fulbright para Professores e Investigadores Doutorados
  • Bolsa Fulbright / Camões, Instituto da Cooperação e da Língua para Professores e Investigadores Doutorados

Programas especiais

  • Summer 2015 Study of the U.S. Institutes for European Student Leaders
  • Study of the United States Institutes
  • Fulbright-Schuman Program for EU Citizens

Fontes: UP e Fullbrigh

shair – uma plataforma que revolucionou o negócio da arte

Shair3Mariana Gomes, 24 anos, é a CEO da shair, que desenvolveu a sua ideia inovadora e depois apresentou-a ao grupo bracarense dst. Embora com formação na área da Gestão e da Comunicação, Mariana esteve sempre envolvida no meio artístico.
A shair é uma plataforma online que dá visibilidade aos trabalhos dos novos artistas. Mas a shair não fica por aqui, a startup bracarense expõe fisicamente obras e possui acordos com galerias internacionais.

A Excelência Portugal visitou a shair e falou com Mariana Gomes.

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notei que o setor artístico estava ainda muito desligado do mundo virtual, e com os meios que temos hoje em dia para nos apoiarem numa decisão de compra online isto não fazia sentido

Com uma formação fora das artes, como lhe surgiu esta ideia de negócio?

Faz algum sentido que muitas ideias de negócio, aplicadas a determinado setor, tenham nascido a partir de pessoas com formação em áreas que à partida não têm nada a ver com esse setor. Isto porque são muitos os processos que podem ser replicados/adaptados de uma área de negócio para outra que até ao momento não tinham sido detectados como tal. No meu caso foi precisamente isto que aconteceu – notei que o setor artístico estava ainda muito desligado do mundo virtual, e com os meios que temos hoje em dia para nos apoiarem numa decisão de compra online isto não fazia sentido. O facto de ter muitos conhecidos ligados ao mundo das artes, maioritariamente artistas, também ajudou, pois notei que havia de facto uma necessidade de divulgação e comercialização dos seus trabalhos para além do circuito tradicional das galerias de arte, ainda muito elitista na sua seleção.

A Mariana foi a única mulher entre sete homens que representaram o programa Aceleração da StartUp Braga em Londres. Que papel teve o programa no desenvolvimento do vosso modelo de negócio?

O papel da StartUp Braga foi fundamental na redefinição do nosso modelo de negócio. Quando fomos selecionados para fazer parte deste programa, estávamos numa fase em que já existíamos no mercado e já tínhamos vendas, mas ainda nos faltava uma visão global para o futuro do projeto. Assim, foi a partir desta visão crítica que nasceu a ideia de incluirmos o segmento das galerias de arte na plataforma, assim como outras fontes de receita associadas à utilização da plataforma, muito para além da simples comissão de vendas.

Como funciona a plataforma? Como é que um artista submete as suas obras?

A plataforma é muito simples e fácil de utilizar. Para o artista, basta registar-se, criar um perfil e submeter as suas obras para aprovação. Após este processo de pré-seleção, as obras ficam disponíveis para venda e podem ser selecionadas para um dos nossos leilões especiais, normalmente associados a uma das exposições físicas. As galerias parceiras têm um processo de submissão semelhante, sendo que nestes casos aprovamos o perfil previamente, e a partir daí todas as obras que submetem ficam automaticamente disponíveis. Estas entidades também podem criar leilões especiais isolados dos que são promovidos por nós, associados por exemplo às suas próprias exposições. Para o apreciador de arte, basta explorar o website (temos imensos filtros de pesquisa que ajudam neste processo!) encontrar a sua obra favorita e proceder ao seu pagamento diretamente na plataforma. O valor que é apresentado ao cliente inclui portes de envio, que são calculados já com o seguro de transporte e tendo em conta as dimensões da obra e a morada do destinatário. Temos também uma série de funcionalidades que ajudam na tomada de decisão, como o nosso serviço de curadoria, onde fazemos uma seleção de obras de acordo com as necessidades do cliente, ou a possibilidade de solicitar arte por encomenda, onde o cliente pode pedir a um artista específico uma obra com determinadas características.

Que papel tem a galeria física no negócio? Que obras são seleccionadas para exposição e de que forma?

A galeria emergentes dst desempenha um papel fundamental na integração com o mundo real, que no fundo é aquilo que a shair tem de mais inovador. Já existiam plataformas de divulgação e venda de arte online, mas nenhuma que permitisse, pelo menos de forma tão aberta, que o artista se candidatasse com essas mesmas obras a um lugar real de exposição. Fazemos exposições de 2 em 2 meses, e selecionamos as obras mais votadas do website conjuntamente com uma “repescagem” da autoria de um especialista convidado por nós. As exposições físicas são a combinação destas duas formas de seleção, e temos normalmente espaço para cerca de 70 obras na galeria emergentes dst. Também já fizemos exposições noutros locais, não só em Braga, e o processo de seleção é semelhante.

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Já existem acordos com galerias internacionais. Têm permitido a venda de obras de artistas nacionais?

A integração das galerias internacionais, para já, é mais uma forma de aumentarmos a nossa oferta, permitindo a apreciadores de arte de toda a Europa o acesso a obras às quais, de outra forma, não conseguiriam aceder. Obviamente que os próprios clientes dessas galerias poderão interessar-se em explorar a oferta da shair, incluindo as obras de artistas portugueses, que neste momento representam a maioria dos trabalhos que temos disponíveis.

Quantas pessoas estão envolvidas no projecto e em que áreas?

Neste momento, a equipa é constituída por 4 pessoas, com formação na área do design, marketing, comunicação e curadoria. A plataforma foi desenvolvida pela innovation point, uma das empresas na área de Ventures do grupo dst – que até foi onde iniciei o meu percurso neste grupo empresarial, na altura através de estágio.

Que outros serviços presta a shair e que eventos organiza?

Para além dos serviços que referi acima, que no fundo são formas de apoiarmos a decisão de compra online, temos também os cheques-prenda para ajudar os mais indecisos a oferecerem um presente original. Aos nossos artistas e galerias parceiras, damos também a possibilidade de subscreverem uma conta premium, que lhes permite destacarem as suas obras nas áreas da plataforma para este efeito, assim como acederem a estatísticas relativas aos seus visitantes, à popularidade das obras que constituem o seu portefólio, entre outros dados pertinentes para quem utiliza a plataforma como ferramenta de comercialização. É também pertinente referir que, no caso de venda, somos nós que tratamos de toda a logística associada ao processo de transporte, sendo que o artista ou a galeria só têm de se preocupar com a embalagem – e até fizemos um vídeo para ajudar neste processo! Quanto a eventos, tentamos promover outras formas de expressão artísticas nas inaugurações das nossas exposições, onde já tivemos concertos, performances, entre muitas outras iniciativas, sempre inseridas no âmbito artístico/ cultural.

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O negócio já é auto-sustentável? Quais são as fontes de receita da shair?

O negócio está perto de ser auto-sustentável, e as nossas fontes de receita passam pela comissão de 30% na venda de obras de artistas, sendo que no caso das galerias já temos uma percentagem de apenas 10%. As outras fontes de receita que nasceram sobretudo após o programa de aceleração da Startup Braga consistem na subscrição das contas premium por parte dos artistas e das galerias parceiras, e na adesão ao serviço de curadoria, ambas já referidas acima.

A shair pretende em termos físicos ficar por Braga, ou tem planos de expansão?

Temos planos de expansão para o Reino Unido, onde já abrimos atividade. Apesar de já termos algumas galerias internacionais inscritas na plataforma, o potencial de crescimento através de uma atuação presencial neste mercado é imenso, e vamos arrancar com este plano a partir de Setembro, através da presença em feiras de arte, por exemplo.

 

Fotos: DR

Bom Jesus de Braga candidato a Património da Humanidade

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A Câmara de Braga anunciou esta semana ter sido apresentada na segunda-feira, em Lisboa, a candidatura do Bom Jesus a Património Mundial da Humanidade na Comissão Nacional da Unesco.

Em comunicado, a autarquia acrescenta que o mesário da Confraria do Bom Jesus, Varilo Pereira, considerou que esta apresentação em Lisboa “foi um passo fundamental”, uma vez que permitiu demonstrar a real dimensão do Bom Jesus a quem analisa as candidaturas.

O Bom Jesus do Monte, recorde-se, é uma referência nacional, mas pode e deve, agora, ganhar uma dimensão internacional que poderá ser-lhe conferida por esta candidatura. Conhecido como ponto de turismo religioso, o Bom Jesus do Monte em Braga pretende ser também uma referência do turismo cultural, patrimonial e histórico.

O valor do santuário do Bom Jesus não é apenas arquitectónico ou religioso, havendo um potencial que deverá ser explorado e dinamizado.

Aponte-se o caso de locais de culto neste Bom jesus inspirados, e que são já património mundial, como o Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, no Brasil.

A candidatura conta também como o apoio do Eixo Atlântico que  já assumiu, em diferentes circunstâncias um papel muito activo no apoio de candidaturas de Guimarães e da Muralha de Lugo, que acabaram por ser classificadas como Património da Humanidade.

Fonte: C.M.Braga
Foto: Agência Ecclesia

 

Photo-à-Porter – “Uma imagem vale mais que mil palavras”

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“Uma imagem vale mais do que mil palavras”… um cliché [?], no entanto, Ana Isabel e Paula Barbosa conheceram-se através do interesse pela escrita. Mas curiosamente foi na fotografia que se encontraram, em sentido literal, numa mesma linguagem. A Excelência Portugal pediu às duas mentoras que o apresentassem.

O projeto Photo-à-Porter tem como objetivo a divulgação de uma paixão comum – a fotografia. A cidade de Lisboa serviu-nos de inspiração para o nosso primeiro projeto do Photo-à-Porter <<Lisboa às Cores>> inaugurado em março de 2014, na Galeria Maria Lucília Cruz, no Bairro Alto.

2. Painel MISTO

Painel Misto com as várias fotografias de azulejos e portas da cidade de Lisboa. Desde o Largo do Carmo, as ruas paralelas às Escadinhas do Duque, Bairro Alto, Cais do Sodré, Rua de S. Paulo, Praça da Figueira, Bica, Intendente, Alfama…

As fachadas e as portas de madeira esquecidas, assim como os azulejos, considerados um belíssimo património secular, foram os temas escolhidos para o nosso primeiro trabalho em conjunto. Foi utilizada uma técnica manual de impressão por transferência, dando assim uma nova dimensão às fotografias, transferindo-as para diferentes suportes, como a madeira e o azulejo, mas mantendo o mesmo secretismo que é “ser” Lisboa. A originalidade deste trabalho esteve no suporte de impressão, “abandonámos” o papel e escolhemos a madeira para imprimir as fotografias dos azulejos e as fotografias das portas de madeira foram impressas em azulejo, ambos os trabalhos em 14×14.

Fotografia impressa em azulejo 14x14 [Porta do largo do Carmo]

Fotografia impressa em azulejo 14×14 [Porta do largo do Carmo]

Em abril de 2015, juntámos o gosto da escrita à paixão pela fotografia inaugurando uma exposição que explora o universo feminino <<trapézio>>. O Trapézio começou por ser um conjunto de pequenos textos. Uma mão cheia de todas as Mulheres que habitam em nós.
derreto[-me][,] nas tuas mãos. sabes quando parar? guardo o tesouro que sou [eu]. quero [ter] os desejos errados. retornar à vida que é ser Mulher...

derreto[-me][,] nas tuas mãos. sabes quando parar? guardo o tesouro que sou [eu]. quero [ter] os desejos errados. retornar à vida que é ser Mulher…

De uma forma ou de outra, todas as Mulheres vivem num trapézio [diário]. Mais tarde juntámos as imagens e tentámos verbalizar essas personagens através da fotografia, reunindo duas paixões: a escrita e a fotografia. Surge assim a exposição «trapézio» uma exposição de fotografia composta também por 14 estórias, todas elas representadas numa imagem [ou personagem] feminina.A nossa intenção foi revelar os vários estados de alma a que “sobrevivemos”, nisto, na transparente solidão de ser Mulher.
padeço de uma tenebrosa soledade ao me ensaiar em auto-retratos, denunciando uma singular pagã. a intensidade visceral com que me descrevo... a ti não te servirá de [+] nada... hoje voltei-te as costas e ao virar-me para mim, compreendi [por fim] o que era [o teu] "não sentir" nada.

padeço de uma tenebrosa soledade ao me ensaiar em autorretratos, denunciando uma singular pagã. a intensidade visceral com que me descrevo… a ti não te servirá de [+] nada… hoje voltei-te as costas e ao virar-me para mim, compreendi [por fim] o que era [o teu] “não sentir” nada.

Trabalhamos pontualmente para o Teatro Villaret, onde fotografamos e elaboramos os cartazes para os espetáculos. E temos tido a sorte de fotografar Mulheres fantásticas como a Raquel Ochoa e a Marta Gautier.

O nosso próximo trabalho tem como protagonista, uma vez mais, a cidade mais bela do mundo… a nossa!

Mas ficamos por aqui!

Exposições de Fotografia:

<<Lisboa às Cores>>, março de 2014 na Galeria Maria Lucília Cruz em Bairro Alto, Lisboa.
<<Trapézio>>, abril de 2015 na Fabrica da Pólvora em Tercena, Barcarena. 

 

 As mentoras

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Paula Barbosa
nasceu em Lisboa em 1973, iniciou em 1990 na ETIC o seu percurso na área da Fotografia, mantendo ainda hoje a cidade de Lisboa com o seu “laboratório de quimeras”.

Procura integrar o seu trabalho de fotografia, designer e de instalações num determinado Tempo, Movimento, Ambiente e/ou Espaço.

Experienciar o Não-Lugar, em locais esquecidos ou abandonados… que nos oferecem as suas próprias qualidades, a sua própria identidade histórica/social, nas suas diferentes dimensões… numa poesia visível ou invisível.

Fundou em Maio de 2013 o 2MW Collective com a artística plástica Ângela Menezes, [Too Many Walls, Too Many Words, Too Many Worlds, Too Many Wonders], um projeto colaborativo de Arte Urbana “situado” entre a pintura, a literatura e a fotografia

Em 2014 cria um novo projeto de fotografia, o Photo-à-Porter,  com Ana Isabel.

Em 2015 surge o Trapézio, um projeto de Escrita [uma das suas paixões] e Fotografia, um retrato escrito de todas as Mulheres que habitam em nós…

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Ana Isabel
nasceu em 1975 nas belas planícies alentejanas. Tradutora de profissão, a sua paixão pela Fotografia como modo de não esquecer o que a memória teima em apagar nasceu muito antes, ao folhear os álbuns de família, mas foi com as viagens para outros países que a Fotografia se tornou essencial para ver o que está para além do olhar.

Viajante sempre com o próximo destino em mente (?), Ana Isabel já percorreu as distantes montanhas do Butão, Chile, Cuba, Tanzânia, Usbequistão e fotografou outros destinos como China, Japão, Nepal, Tailândia, Estados Unidos, Ucrânia, Escócia, Espanha.

Em 2013 expõe as primeiras fotografias no projeto conjunto de vários artistas “XS Art, Arte em Pequeno”, na Galeria Maria Lucília Cruz e em 2014 cria com Paula Barbosa o projeto Photo-à-Porter.

Em 2015 participa no projeto de Paula Barbosa, Trapézio, numa combinação da Fotografia com a Escrita.

 

Fotos: DR

Raquel Ochoa – uma escritora invulgar (entrevista)

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Raquel Ochoa nasceu em 1980, em Lisboa, Licenciou-se em Direito, mas dedicou-se à literatura.

Em 2008 publicou duas obras, “O Vento dos Outros” – uma crónica de viagens à América do Sul e “Bana – Uma vida a cantar Cabo Verde”, a biografia do cantor. Em 2009 Raquel Ochoa foi vencedora do Prémio Agustina Bessa-Luís com o romance “A Casa-Comboio”, trazendo ao grande público a saga de uma família indo-portuguesa originária de Damão e a epopeia da desconhecida ou ignorada Índia Portuguesa, traduzido e publicado em Itália.

Em 2011 lançou a sua quarta obra, “A Infanta Rebelde”, a biografia da Infanta D. Maria Adelaide de Bragança, condecorada com a Ordem de Mérito Civil aos cem anos de idade. O seu segundo romance, “Sem Fim à Vista – A Viagem” chegou a público em Setembro de 2012 e relata a aventura de um personagem com graves problemas cardíacos que decide viajar até onde a resistência o permita.

Em Maio de 2014 publica “Mar Humano”, um romance histórico ao longo do século XX reflectindo sobre temas como a liberdade de imprensa e o jornalismo que se praticou e pratica em Portugal, misturando de forma original temas tão díspares como a longevidade da vida humana e o impacto da ciência na evolução da consciência.

Este ano é a vez de “As Noivas do Sultão”, um romance fascinante que tem por base um incidente diplomático entre Portugal e Marrocos.

Raquel Ochoa é formadora de escrita criativa e ministra vários cursos em Portugal e no estrangeiro.

A Excelência Portugal quis conhecer melhor esta invulgar escritora que se tem afirmado como um dos grandes nomes da literatura nacional da actualidade e entrevistou-a.Ochoa1a

Como nasceu a paixão pela escrita e onde se encaixa a licenciatura em Direito?

Escrevi a partir dos treze anos, mas a vontade de escrever e publicar aconteceu aos vinte e cinco, depois de uma grande aventura pela América do Sul que, em jeito de tratado da memória, decidi descrever. Acabou por se transformar n` “O Vento dos Outros”. O Direito foi apenas o curso em que me licenciei, nunca o usei directamente para nada.

A História, nomeadamente a nacional, sempre a seduziu? Alguma vez imaginou que poderia vir a “brincar” com ela?

Sempre, a nossa história é cheia de mitos, altos e baixos, grandes conquistas, grandes derrotas. O maior mito que podemos encontrar é a própria História. Porque foi escrita por homens com um contexto e um objectivo. A própria leitura que vamos fazendo dela vai-se modificando com a mudança das mentalidades.

Desde muito nova que leio Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós. O meu pai repetia aquele chavão constantemente: “Se não leres os clássicos portugueses não sabes nada.”

Daí, a ter passado a escrever estórias onde romanceio a História, foi um passo muito reflectido. O meu primeiro romance histórico foi o meu terceiro livro. Só aí me sentia preparada para tão grande empreendimento.

Há uma Raquel cronista de viagens, uma biógrafa e uma romancista? Qual delas se impõe mais actualmente?

Sou as três e tento progredir e fazer o melhor possível em cada género literário. Mas claramente a romancista agora fala mais alto e manda as outras de férias sempre que consegue.

Em 2009 venceu o Prémio Literário Revelação Augustina-Bessa Luís. Que impacto teve esta distinção na sua carreira ?

Ser premiada aos vinte e nove anos é um privilégio imenso. Dá força e responsabilidade. “A Casa-Comboio” foi um livro que escrevi sobre enormes sacrifícios numa fase profissional e pessoal bastante pesada. O prémio foi o alívio, a libertação.

Os seus romances têm uma base histórica verídica. Sente-se parte historiadora e parte escritora?

Reinvento a história do modo mais credível possível, mas está tudo dito: é ficção. Os meus livros baseiam-se quase sempre em histórias verídicas mas não hesito em transformar a trama agradável para que o leitor encontre evasão ou sonho naquele romance. Sou rigorosa mas isso não me torna historiadora.

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O último livro revela uma história guardada durante 200 anos. Como se acende “o rastilho” do seu processo criativo?

222 anos mais precisamente! Tento ter sempre activo o meu faro para as boas histórias e quando as encontro esse rastilho já se acendeu inconscientemente, as personagens começam a delinear-se e a ter vontades, medos, vícios. Tento, acima de tudo, reconhecer o potencial das histórias. Normalmente avalio bem.

Voltando à nossa História, mas a um período mais recente, como interagiria com as últimas décadas e nomeadamente com os anos mais recentes? Não sente vontade de intervir através da escrita?

As últimas duas décadas foram as décadas em que me tornei mulher, uma vez que tenho 35 anos, ou seja, foi o período em que comecei a ter opinião, sentido crítico. Comecei a viajar incessantemente, a conhecer o mundo e a compará-lo com este nosso modo de estar português.

Gosto de Portugal. Gosto muito do meu país. Por mais que não tenhamos uma estratégia a longo prazo, por mais que a desresponsabilização da sociedade e dos agentes do poder seja evidente, eu trato de assumir as minhas. E intervenho com bastante afinco. Os meus livros são interventivos, e trazem uma certa interpretação da história que acho urgente. Entre outros, leia-se “Mar Humano”, há um profundo alerta para o que nos estamos a tornar. Acho urgente a geração pós-25 de Abril ter um papel activo em todas as áreas da sociedade.

Viajou por geografias carregadas de marcas da presença portuguesa. Como é Portugal visto nessas paragens?

De forma geral somos bem vistos em todo o lado. Claro que cada caso tem as suas particularidades, se falamos de ex-colónias já é mais complexo e delicado, mas somos sempre bem-vindos. Uma coisa é certa, neste mundo pós-11 de Setembro, enquanto viajante, é muito mais confortável ser português que americano ou inglês.

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Não obstante as dificuldades que atravessamos, somos um país de Excelência?

Falta muito para chegar à Excelência embora Portugal tenha tanta gente desse nível. Acho que somos um país de “boa-vontade”. Mas falta um projecto nacional, um debate nacional, um objectivo comum. Em que país queremos que os nossos filhos cresçam? Eu quero que seja neste, mas muito diferente deste (para melhor).

Fora da escrita quem é a Raquel Ochoa ? que outras actividades e hobbies tem (ouvi falar na prática de bodyboard)? que sonhos e projectos acalenta ?

Pratico bodyboard há 14 anos e yoga há 9. São grandes janelas para a cabeça, são uma forma de auto-superação que me ajuda muito na escrita, porque como explica Murakami naquela analogia entre o maratonista e o escritor, escrever necessita de um corpo e uma mente forte.

Escrever torna-se uma tarefa penosa quando nos habituamos a desistir, quando desistir passa a ser a regra. Estas actividades são extremas e fazem-nos lidar com a persistência como se fossemos irmãs, eu e ela, unha e carne.

Tenho tantos sonhos como dias de vida, e um deles é conhecer o mundo todo.

 

Fotos: Fernando Dinis

Matilde Campilho foi quem mais vendeu livros no evento literário FLIP

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“Jóquei”, o primeiro livro de poesia da portuguesa Matilde Campilho foi o livro mais vendido na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP).  De acordo com a “Folha de São Paulo”, a poesia de Matilde Campilho arrebatou a audiência que se encontrava na Tenda dos Autores na passada quinta-feira.

Esta foi a primeira participação de Matilde Campilho neste certame literário e foi considerada um sucesso. Matilde Campilho, a única presença portuguesa, conseguiu repetir o feito alcançado por Valter Hugo Mãe que em 2011 também foi o autor que registou mais vendas na FLIP.

O segundo e terceiro lugar couberam respectivamente a Mário Andrade (homenageado desta edição) com uma caixa de três livros e a Sidarta Ribeiro com “Límiar”.

Matilde Campilho nasceu em Lisboa em 1982. Em 2010 foi viver para o Brasil, e desde então mora entre o Rio de Janeiro e Lisboa. Publicou poemas nos jornais brasileiros A Folha de São Paulo e O Globo, assim como em algumas revistas online. “Jóquei” é o seu primeiro livro.

Matilde Campilho já fez 1001 coisas, todas ligadas à escrita. Em entrevista ao Jornal i, em Julho de 2014, afirmava que “”É bom poder dizer que adoro o meu trabalho. Ser poeta é do cacete”.

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Jóquei
Autora: Matilde Campilho
Editora: Tinta da China
N.º de páginas: 135.
ISBN: 978-989-671-213-6.
Ano de publicação: 2014

 

 


Assista ao Retrato de Matilde Campilho por Clara Cavour

 

Fotos: DR