GraPE 2016: Graduados portugueses no estrangeiro vão “Pensar Portugal em Territórios do Futuro”

grape_GCOs graduados portugueses no estrangeiro reúnem-se anualmente em Portugal para pensar o nosso país. A época natalícia é a escolhida para a realização destes fóruns, dado que a maioria se encontra na sua terra natal . A Excelência Portugal marcou presença na edição de 2015 e faz aqui uma breve antevisão da edição deste ano.

O GraPE2016, 5º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro, tem como principal objectivo promover a interacção e discussão entre os graduados portugueses no estrangeiro e em Portugal. Este evento proporciona uma oportunidade única para o estabelecimento de novos contactos e fortalecimento dos existentes no seio desta comunidade, e surge como um fórum de discussão sobre i) a progressão das carreiras profissionais e académicas, dentro e fora de Portugal, ii) a comunidade portuguesa fora do país e iii) a sociedade portuguesa em geral.

A edição deste ano ‘GraPE2016 – Pensar Portugal em Territórios do Futuro’ surge na sequência dos colóquios anteriores, nomeadamente: ‘Percursos em Ciência: Diversidade contra a Adversidade’ (Lisboa, 2012), ‘Migrações Científicas: Ir e Voltar’ (Porto, 2013), “Portugueses sem Fronteiras: Criatividade e Inovacão” (Lisboa, 2014) e ‘RE: inventar portugal – Portugueses dentro e fora’(Guimarães, 2015).

As edições anteriores contaram com oradores ilustres em áreas como a ciência – António Coutinho, Carlos Fiolhais, Nuno Sousa e Miguel Seabra; a política – Nuno Crato, Maria da Graça Carvalho, Jorge Portugal e Manuel V. Heitor, artes e cultura – Joana Ricou e Gonçalo Cadilhe e o empreendedorismo – Rui Paiva, Luís Ferreira e Clara Gonçalves.

À semelhança dos anos anteriores, o GraPE pretende promover a reflexão e discussão sobre as perspectivas nacionais e internacionais disponíveis aos portugueses graduados, no panorama actual e antecipando o futuro do mercado de trabalho. Esta edição contará, entre outras, com intervenções especiais do Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Professor Doutor Manuel Heitor e do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Professor Doutor Augusto Santos Silva.

Este evento, de dinâmica internacional, é uma iniciativa única em Portugal, que reúne portugueses graduados distribuídos pelo mundo convidando-os a partilhar experiências profissionais e a trocar ideias que contribuam para que o nosso país cresça em novas oportunidades.

A organização está a cargo das seguintes associações: AGRAFr (Association des Diplômés Portugais en France) em França, a ASPPA (Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha) na Alemanha, a PAPS (Portuguese American Postgraduate Society) nos EUA e Canadá, e a PARSUK (Portuguese Association of Researchers and Students in the United Kingdom) no Reino Unido.

Fonte: GraPE
Foto: DR

Artigo relacionado:
GraPE2015 – RE:Inventar Portugal

Cientista da Universidade de Coimbra laureado com o prestigiado Prigogine Gold Medal

UC_CAREJoão Carlos Marques, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é o primeiro cientista português a ser laureado com o prestigiado prémio internacional Prigogine Gold Medal, atribuído pela Universidade de Siena e pelo Wessex Institute of Technology.

Criado em 2004 em honra da memória de Ilya Prigogine, químico russo naturalizado belga, Prémio Nobel da Química em 1977, devido ao seu trabalho em Termodinâmica que lançou as bases da moderna investigação em teoria dos sistemas ecológicos, o Prigogine Gold Medal é atribuído anualmente a cientistas internacionalmente reconhecidos como líderes na área da Ecologia de Sistemas que, na sua investigação, utilizem os princípios da Termodinâmica dos Processos Irreversíveis em desenvolvimentos teóricos.

Foi com surpresa que o Catedrático da FCTUC recebeu a notícia. João Carlos Marques confessa, «sem falsas modéstias, que não estava à espera. Julgo que o prémio me terá sido atribuído, sobretudo, pelo trabalho desenvolvido durante a segunda metade da década de 1990 e primeira metade da década de 2000, em que foquei muito a minha atenção sobre a compreensão do funcionamento dos sistemas ecológicos à luz dos conceitos da termodinâmica dos processos irreversíveis. Colaborei e desenvolvi então investigação em ecologia teórica com alguns dos anteriores laureados o que, devo dizer, exerceu profunda influência sobre o meu próprio pensamento científico».

O também investigador do MARE – Centro de Ciências do MAR e Ambiente da UC – espera que este reconhecimento internacional «possa dar mais visibilidade ao trabalho desenvolvido, por mim e, sobretudo, por todos os que nele se envolveram de forma profunda, nomeadamente muitos estudantes de doutoramento e de pós-doutoramento, jovens e muito inteligentes. Sem eles não teriam sido possíveis alguns dos avanços e resultados mais interessantes».

Por outro lado, sublinha, «espero também que possa dar impulso adicional e mais força anímica a novos projetos recentemente iniciados, como seja o do recentemente criado Laboratório MAREFOZ, a cujo planeamento e objetivos não são alheios muitos dos conceitos da teoria dos sistemas ecológicos».

Com formação de base em biologia marinha, João Carlos Marques foca a sua investigação em problemas relacionados com a avaliação e gestão da qualidade ambiental de ecossistemas aquáticos, «com ênfase em ecossistemas estuarinos e costeiros, envolvendo modelação ecológica e o desenvolvimento e aplicação de indicadores ecológicos. Em função do trabalho desenvolvido, fui convidado e aceitei recentemente assumir o cargo de Editor-in-Chief do Ecological Indicators Journal, uma revista internacional especializada sobre esta temática da Elsevier».

Fonte/Texto: UC
Foto: DR

Fundação Bill e Melinda Gates financia cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência

grupo_MiguelSoaresNos próximos dois anos, o grupo de investigação liderado por Miguel Soares, no Instituto Gulbenkian de Ciência, irá receber 400 mil dólares para investigar se uma determinada molécula de açúcar expressa pelo agente causador da malária, o Plasmodium,  deve ser incluída como parte de uma nova vacina para a malária. Esta é a segunda vez que Miguel Soares e a sua equipa são reconhecidos pela Fundação Gates.

Só em 2015, foram registados 200 milhões de casos de malária em todo o mundo. A Fundação Gates estabeleceu um objetivo claro: um mundo livre de malária até 2020. Para atingir esta ambiciosa meta, a Fundação desenvolve iniciativas altamente competitivas onde cientistas propõem caminhos arrojados e pioneiros para alcançar uma vacina contra a malária.

Há menos de dois anos, a equipa de Miguel Soares descobriu que o glicano α-gal, uma molécula de açúcar que é expressa por componentes bacterianos existentes na microbiota do intestino humano, pode desencadear um mecanismo natural de defesa conferindo uma elevada proteção contra a transmissão de malária. Agora, a Fundação Bill e Melinda Gates convidou Miguel Soares a usar estas descobertas para ajudar no desenvolvimento de uma vacina contra a malária.

O nosso objetivo é perceber se esta molécula de açúcar pode ser usada como alvo para a vacina da malária. Usando a plataforma de ensaios da Fundação Bill e Melinda Gates, vamos investigar se anticorpos específicos contra o  α-gal conseguem prevenir a transmissão de malária – Miguel Soares

Um importante resultado deste projeto é que “irá guiar a decisão da Fundação num futuro investimento sobre o uso de glicanos como candidatos a uma vacina de malária que bloqueie a transmissão do Plasmodium”, afirma Miguel Soares.

Este projeto vai ser desenvolvido em colaboração com o Prof. Henrique Silveira no Instituto de Higiene e Medicina Tropical e com a Malaria Vaccine Initiative.

Miguel Soares foi também o vencedor do Prémio Pfizer 2015 em Investigação Básica (59ª edição), com o trabalho «Microbiota Control of Malaria Transmission».

Fonte: IGC
Foto:
Grupo de investigação liderado por Miguel Soares, no Instituto Gulbenkian de Ciência. Créditos: Sandra Ribeiro, IGC.

CIIMAR recebe navio Creoula no Novo Terminal de Cruzeiros

creoulaEsta sexta-feira, dia 26 de agosto, o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) recebe trinta e um estudantes universitários e respectivos professores que se encontram a bordo do navio Creoula, no âmbito do projecto Universidade Itinerante do Mar (UIM).

Os estudantes iniciaram a sua viagem no dia 21 de agosto em Avilés, tendo realizado uma paragem nas Ilhas Ciés. No Porto, a tripulação e o seu comandante irão ser recebidos pela direcção do CIIMAR, CM do Porto e CM de Matosinhos numa sessão de boas vindas, seguindo-se uma visita guiada ao aos laboratórios do CIIMAR onde os estudantes terão a oportunidade de contactar com investigadores de diferentes áreas das ciências marinhas e ambientais.

Com 10 anos de existência, o projecto UIM na qual o CIIMAR é o responsável científico, foi criado a partir de uma iniciativa conjunta entre a Universidade do Porto (UP), a Escola Naval (EN) e a Universidade de Oviedo (UO). Estas três entidades procuram assim “proporcionar aos estudantes do ensino superior, de qualquer área do saber ou ciclo de estudos, uma experiência de formação rica e diversificada, envolvida num ambiente multidisciplinar e em cooperação, onde a componente principal é dar plena propriedade ao lema da UIM: “Conhecimento e Aventura”” refere o investigador do CIIMAR e actual director da UIM, Prof. Dr. Rodrigo Ozorio.

Tendo este ano como tema central “O Mar 22. Do Sinus Cantabrorum ao Sinus Aquitanus” a UIM desdobra-se em dois ciclos principais: o Ciclo de Preparação, onde decorre uma formação preparatória em terra organizada pelas três entidades, e o Ciclo de Realização onde os estudantes realizam um Curso de Mar a bordo do Navio Creoula e adquirem novos conhecimentos cientifico-pedagógicos a bordo e nos locais onde o navio atraca.

A edição de 2016 de UIM contou com a realização de três cursos: Curso 1 – UIM Júnior, que decorreu pelo segundo ano consecutivo e é dedicada aos estudantes do ensino secundário, o curso 2 da UIM (Universidade) na qual participaram 18 estudantes universitários e o Curso 3 UIM (Universidade) que termina em Lisboa já no próximo dia 29 de agosto.

A bordo do navio, os estudantes universitários receberam ainda uma formação para a observação e registo de ocorrências de baleias e golfinhos, no âmbito do projecto CETUS, um programa de monitorização de cetáceos na região da Macaronésia, liderado pelo (CIIMAR).

Fonte: CIIMAR
Foto: Marinha Portuguesa

Fura-Bardos “voam” até aos Açores

fura-bardosA equipa do LIFE Fura-bardos está presente no “Congresso Internacional de Evolução, Ecologia e Conservação em Ilhas” que se realiza esta semana, na ilha Terceira. Além da troca de experiências com especialistas em conservação de vertebrados, haverá a oportunidade de apresentar os trabalhos realizados na Madeira e o sucesso deste projecto.

Segundo um comunicado da SPEA, o Congresso Internacional de Biologia Insular visa discutir a importância das ilhas oceânicas no centro da pesquisa sobre biogeografia onde cerca de 60 por cento das espécies endémicas europeias estão concentradas.

A coordenadora da SPEA Madeira, Cátia Gouveia, apresentará os estudos desenvolvidos no âmbito do projecto “Conservação do Fura-bardos e habitat de Laurissilva, na ilha da Madeira” – LIFE Fura-bardos -, afirmando que a iniciativa já vai no seu terceiro ano e conta com dados “muito positivos”.

O fura-bardos é uma ave de rapina diurna própria de ambientes florestais, que preferencialmente apresentem um sub-bosque arbustivo (urzes, azevinhos ou faias). Pode ainda ser observada próximo de campos agrícolas, em áreas abertas ou áreas urbanas, que utiliza como áreas de caça.

Em Portugal, possui um estatuto de conservação Pouco Preocupante no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005), e na lista da IUCN (2001), sendo que em Canárias é classificada como Vulnerável (IUCN 2001).

A área de distribuição do fura-bardos concentra-se principalmente na Laurissilva. Esta floresta, húmida a hiper-húmida, é originária do Terciário (período que ocorreu à cerca de 20 milhões de anos), onde chegou a ocupar vastas extensões do Sul da Europa e da bacia do Mediterrâneo. Actualmente encontra-se restrita aos arquipélagos atlânticos dos Açores, da Madeira e de Canárias.

A ilha da Madeira apresenta a maior e mais bem conservada mancha de Laurissilva do mundo, que ocupa cerca de 20% do total da ilha, encontrando-se principalmente na costa norte, em altitudes entre os 300 e 1300 metros. Em 1999 foi classificada como Património Mundial Natural da UNESCO.

Esta floresta é um ecossistema de elevado valor científico que abriga numerosos endemismos de plantas, musgos, invertebrados e aves. Desempenha um importante papel no equilíbrio hidrológico da ilha, sendo a principal responsável pela captação, retenção e infiltração da água proveniente da precipitação e dos nevoeiros, assim como também é importante na retenção dos solos, garantindo a sua estabilidade e evitando os processos erosivos.

O principal objectivo deste projecto é a conservação de uma subespécie prioritária através da recuperação e protecção do seu habitat natural – a floresta Laurissilva da Madeira.

A recuperação deste habitat, juntamente com o aumento do conhecimento sobre a distribuição, ecologia e tendência populacional do fura-bardos na ilha da Madeira e em 5 ilhas das Canárias, permitirá definir medidas de conservação adequadas para esta subespécie incluída no Anexo I da Directiva Aves.

Fonte: in LIFE Fura-Bardos
Foto: DR

Monstros de Plástico invadiram cidade do Porto

monstros_plastico_ciimarA exposição “Um Oceano de Plástico”, organizada pela Campanha Ocean Action do CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental), espalhou três esculturas de grandes dimensões construídas com plásticos descartados por diferentes espaços públicos da cidade – Espelho de Água da Av. Aliados, Estação de S. Bento e Largo de S. Domingos -, com o intuito de alertar a população para o problema do lixo plástico no Oceano.

Esta iniciativa recorre ao uso da arte para cativar a atenção da sociedade para questões científicas e ambientais complexas de grande relevância, e incentivar dessa forma a reflexão crítica sobre este problema e a necessidade da adopção de comportamentos ambientalmente responsáveis por toda a sociedade – José Teixeira, coordenador da Campanha Ocean Action

Os”monstros” foram criados por alunos de Artes Plásticas da ESAP (Escola Superior Artística do Porto) para a Campanha Ocean Action, que também produziram uma peça de teatro através da recriação da história da pequena sereia, numa aventura repleta de perigos devido ao lixo que chega ao mar em quantidades cada vez maiores.

Esta campanha contempla a realização de actividades científicas e de sensibilização em escolas, acções de limpeza de praias, um concurso escolar, uma exposição itinerante e a produção de vídeos educativos.

Estudos recentes mostram que mais de 8 milhões de toneladas de plástico vão parar todos os anos ao Oceano levados pelos ventos, chuvas, esgotos, rios ou deitados directamente nas praias ou no mar. A maior parte deste plástico vai parar aos fundos marinhos, enquanto o restante fica a flutuar em grandes áreas de acumulação de lixo no centro dos oceanos ou é trazido de volta para as praias. Este plástico causa graves danos nas populações de animais marinhos, que podem ingerir ou ficarem presos nestes resíduos. Além disso, os plásticos apresentam alta durabilidade e vão-se apenas fraccionando em partículas cada vez mais pequenas devido à acção do sol. Estes microplásticos absorvem grande quantidade de contaminantes da água e podem ser facilmente ingeridos pelo zooplâncton e pequenos peixes, iniciando uma corrente de acumulação de contaminantes ao longo da cadeia alimentar, que pode acabar no nosso prato.

A exposição, financiado pela EEA Grants, estará patente nestes locais até 31 de julho de 2016.

Fonte e foto: CIIMAR

Bluepharma representa Portugal na final dos European Business Awards

bluepharma2A Bluepharma vai representar Portugal na Gala Final dos European Business Awards, a realizar-se no dia 17 de junho em Milão, Itália. A farmacêutica chegou à final depois de um processo de 16 meses, iniciado em 2015, com a inscrição de 32.000 empresas, das quais 678 foram nomeadas campeãs nacionais, em setembro de 2015.

Enquanto Campeã Nacional e após se submeter à votação do público, através da publicação de um vídeo institucional na página oficial da organização, a Bluepharma foi distinguida com o título de “Ruban d’Honneur” na categoria Importação/Exportação. A votação do público gerou, nesta edição, mais de 227.000 votos de todo o mundo.

Com mais de 70 medicamentos no mercado, a Bluepharma tem um laboratório próprio de Investigação e Desenvolvimento e é a primeira empresa do setor da indústria farmacêutica em Portugal com certificação da autoridade americana Food and Drug Administration (FDA). As exportações, para mais de 40 países, representam já mais de 85 por cento do volume de negócios da empresa.

A Gala, que irá decorrer no Hotel Marriott Milan, será antecedida pela conferência 100% Growth, na qual empresários terão a oportunidade de discutir e definir metodologias para duplicar a dimensão dos seus negócios. Está prevista a presença de personalidades do mundo académico, políticos, embaixadores e empresários das mais bem-sucedidas organizações da Europa, muitos dos quais integraram o painel de jurados dos European Business Awards.

Na edição de 2015/2016, todos os mercados membros da UE estiveram representados, além da Turquia, Noruega, Suíça, Sérvia e da Antiga República Jugoslava da Macedónia. O volume de negócios combinado ultrapassa € 1.2 triliões e empregam mais de 2.5 milhões de pessoas.

Os European Business Awards foram criados em 2007 com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de uma comunidade empresarial europeia mais forte e bem-sucedida.

Foto: Bluepharma

Investigadores da UC desenvolvem protótipo de dispositivo médico inovador para apoio à cirurgia da catarata

catarata1Uma equipa multidisciplinar de investigadores do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e Instituto de Telecomunicações da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um protótipo de um dispositivo médico para apoio à cirurgia da catarata, uma das cirurgias mais realizadas no mundo.

A catarata é uma doença ocular associada essencialmente ao envelhecimento e caracteriza-se pelo desenvolvimento de opacidade no cristalino (lente) do olho, podendo provocar a perda de visão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2020 esta condição afete 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

O dispositivo, que se encontra em fase de protótipo e já com registo provisório de patente, foi desenvolvido no âmbito de um projeto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Tem por objetivo apoiar o diagnóstico da catarata, através da sua deteção precoce e caracterização, indicando a sua localização e extensão no cristalino. Permite também classificar o seu grau de severidade e estimar a sua dureza de modo automático.

Esta nova tecnologia baseada em ultrassons de alta frequência, usando sondas oftalmológicas, é capaz de «avaliar a progressão da doença, cuja informação é essencial para a decisão clínica», explica o coordenador do projeto, Jaime dos Santos.

O dispositivo médico a desenvolver, com base neste protótipo, pretende ser uma ferramenta de diagnóstico simples, robusta e de baixo custo, que terá grande impacto nos serviços de saúde, nomeadamente «na gestão clínica dos doentes com catarata. Os clínicos passarão a ter acesso a dados objetivos que contribuirão para um diagnóstico e uma decisão da necessidade de cirurgia mais suportados», afirma Miguel Caixinha, investigador da equipa.

Outra vantagem do dispositivo criado pela equipa da FCTUC é o facto de recorrer a técnicas não invasivas para estimar a dureza da catarata. Assim, «em tempo real é possível identificar o tipo de catarata, caracterizar o seu grau de severidade, e estimar a sua dureza e dimensão», explicam os investigadores.

A tecnologia permite ainda minimizar o risco de complicações no pós-operatório porque, apesar de segura, a cirurgia da catarata tem de ser muito precisa. É necessário «substituir o cristalino por uma nova lente intraocular sem danificar a sua cápsula posterior e a córnea, nem causar lesões na retina. Fazendo uma analogia, é como ter de implodir um prédio sem danificar o museu de arte que está à sua volta», ilustra Miguel Caixinha. É nesta perspetiva que o conhecimento da dureza da catarata a ser extraída representará uma informação valiosa na seleção adequada da energia a usar na cirurgia de facoemulsificação.

Das experiências realizadas in vitro em cristalinos de suíno e in vivo em olhos de rato (modelos animais) com diferentes tipos de cataratas, verificou-se uma taxa de sucesso de 99.7% na caraterização automática da catarata e estimação da sua dureza.

A equipa está agora na fase da realização de ensaios clínicos e procura de parcerias para futura comercialização do dispositivo. Os investigadores estão bastante otimistas: «se no olho de um ratinho conseguimos contornar os vários obstáculos que surgiram relacionados com a dimensão extremamente pequena do olho, ao passar para os ensaios clínicos o processo será muito mais simples porque a dimensão do olho humano é muito maior».

Fonte: UC
Foto: DR

ICNAS testa novo método de avaliação do risco cardiovascular

icnas_grandeUm estudo piloto realizado no ICNAS – Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde da Universidade de Coimbra (UC) – mostrou que o radiofármaco fluoreto de sódio marcado com fluor-18, usado classicamente na deteção de metástases ósseas, parece ser eficaz na identificação precoce da doença cardiovascular.

Uma equipa multidisciplinar, liderada pela docente e investigadora Maria João Ferreira, da Faculdade de Medicina da UC (FMUC), aplicou este método de imagem não invasiva em indivíduos com risco cardiovascular, seguidos na consulta externa de Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (HUC-CHUC). Foi verificada a possibilidade de identificar placas ateroscleróticas em processo de microcalcificação ativa, mais vulneráveis e por isso mais sujeitas a rotura, o que parece relacionar-se com o risco de se associarem a quadros agudos como o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral. O seu reconhecimento pode condicionar tratamentos que visam a sua estabilização e, consequentemente, a diminuição do risco de eventos cardiovasculares.

Os resultados obtidos neste estudo piloto “são muito promissores e parecem apoiar esta nova aplicação deste “velho” marcador, mas há ainda muito trabalho a ser desenvolvido. Para tal será indispensável a continuação do esforço de uma equipa onde a investigação básica e clínica interagem de forma profícua”, repara Maria João Ferreira. A investigadora acrescenta que “a importância deste conhecimento poderá, num futuro que se antevê próximo, relacionar-se com o risco cardiovascular do indivíduo e por isso com a sua orientação terapêutica.”

Apostar em novos métodos de diagnóstico precoce das doenças do foro cardíaco é muito relevante porque, salienta docente da FMUC, “a doença cardiovascular, nas suas várias componentes, é uma das principais causas de morte que, de acordo com estatísticas Europeias, é responsável por cerca de 42% das mortes nos homens e 51% nas mulheres.”

A especialista afirma ainda que esta doença “Trata-se por isso de uma entidade clínica associada a enormes custos, de difícil contabilização, que urge tratar e sobretudo prevenir. O diagnóstico precoce, bem como a estratificação de risco são dois pilares importantes em qualquer estratégia que vise lidar com esta doença”.

Fonte: UC
Foto: DR

Directora do Programa de Doutoramento para PALOP homenageada pelo Governo de Cabo Verde

PCGDJoana Gonçalves de Sá, Directora do Programa de Pós-Graduação Ciência para o Desenvolvimento (PGCD) e investigadora principal no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), foi homenageada, dia 19 de abril, na Cidade da Praia pelo então Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, numa cerimónia que visou distinguir algumas personalidades e organizações por altos contributos para o avanço e consolidação do Ensino Superior e da Ciência naquele país. Os homenageados foram condecorados com o Primeiro Grau da Medalha de Mérito Educativo.

Esta homenagem do Governo de Cabo Verde é completamente inesperada, mas deixa-me muito honrada. Este Programa começou como uma iniciativa do IGC e tem conseguido gerar uma dinâmica de generosidade e empenho tal, por parte da comunidade científica de língua portuguesa, que nos tem permitido oferecer educação de nível europeu a alguns dos jovens mais promissores dos PALOP. Para que o PGCD fosse uma realidade tivemos de ultrapassar muitos obstáculos e é uma grande satisfação vê-lo reconhecido pelo Governo de Cabo Verde. É de louvar o trabalho que aqui tem sido desenvolvido em prol do ensino superior e da ciência, nos últimos anos – Joana Gonçalves de Sá

O Governo cabo-verdiano reconheceu assim o carácter inovador do PGCD e o importante papel desempenhado por Joana Gonçalves de Sá na sua liderança. O PGCD é um programa de doutoramento em ciências da vida, destinado a estudantes dos PALOP e de Timor Leste, cujo ano lectivo decorre na Cidade da Praia, no campus da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV). Promovido pelo IGC e apoiado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência e Inovação de Cabo Verde, o PGCD irá ajudar a formar cerca de 80 estudantes dos PALOP e de Timor-Leste e leva anualmente cerca de 100 cientistas internacionais a Cabo Verde. Estes cientistas, para além de darem aulas no Programa, participam muitas vezes noutras iniciativas, como palestras públicas, debates alargados ou programas de divulgação científica. Para além disso, o PGCD tem favorecido o desenvolvimento de projectos de investigação conjuntos, entre a comunidade científica internacional e os investigadores em Cabo Verde e no resto dos PALOP.

Também Pedro Lourtie, Professor do Instituto Superior Técnico, Fernando Fragateiro,  Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e Stefan Oschmann, CEO da farmacêutica Merck, foram homenageados nesta cerimónia pelo contributo que têm dado à Educação e Ciência em Cabo Verde. Pedro Lourtie colabora com Cabo Verde há muitos anos, tendo assessorado a criação da Uni-CV. Já Fernando Fragateiro foi o impulsionador do recém-inaugurado curso de medicina que decorre na Uni-CV em colaboração com a Universidade de Coimbra. Stefan Oschmann liderou o processo de apoio ao PGCD que permitiu que as aulas do Programa tivessem lugar na cidade da Praia.

Fonte: IGC
Foto: Sandra Ribeiro