Hotelaria: Joana Arvelos representou Portugal no encontro internacional “Young Hoteliers Summit”

arvelos1Joana Arvelos, estudante do 2º ano curso de Gestão Hoteleira da Universidade Europeia, venceu a primeira edição do “Hospitality Challenge”, uma iniciativa da Terra Internacional, com um projecto de aplicação de gestão de reclamações para hotéis através de emojis a partir de um tablet ou smartphone.

A primeira edição do Portuguese Future Hoteliers Summit organizada pela Terra International com o apoio do Young Hoteliers Summit e da École Hôteliére de Lausanne, decorreu no Monte da Quinta Resort nos dias 27, 28 e 29 de novembro de 2015. Nesta iniciativa que pretende incentivar a colaboração entre estudantes e líderes da indústria hoteleira, como motor de geração e concretização de novas ideias, participaram nove universidades de norte a sul do país, e 27 estudantes criteriosamente seleccionados pelas universidades, onde licenciaturas de turismo, hotelaria e hospitalidade são leccionadas.

O projecto “The Experience App” foi o passaporte que abriu as portas a Joana Arvelos para representar Portugal, em Março de 2016, no “Young Hoteliers Summit”, uma competição internacional disputada por estudantes de várias nacionalidades oriundos das mais conceituadas escolas superiores de hotelaria do mundo, na prestigiada escola suíça École Hôteliére de Lausanne.

Por outro lado, Inês Fino, também estudante da Universidade Europeia, membro da equipa que ficou em segundo lugar, conquistou a oportunidade de estagiar no Monte da Quinta, no Algarve.

A Excelência Portugal falou com Joana Arvelos e ficou a conhecer uma das nossas maiores promessas na área da gestão hoteleira.

Ia ter a oportunidade de representar Portugal pela primeira vez no Young Hoteliers Summit, isso significou tudo para mim!

Que significado teve a tua participação na 1ª edição do Portugal’s Future Hoteliers Summit?

Tudo começou numa aula de Marketing Turístico e Hoteleiro, onde a minha professora nos apresentou o Young Hoteleirs Summit (YHS) em Lausanne e a iniciativa da primeira edição do Portugal´s Future Hoteliers Summit (PFHS). Sempre fui uma pessoa criativa e por isso a ideia de ter um challenge ligado à indústria que mais gosto pareceu-me uma ideia excelente. Além disso, era uma oportunidade para conhecer pessoas do mundo hoteleiro e aprender com eles.

Passei por um processo de selecção, enviei o meu CV e fiz uma carta de motivação onde expliquei por que motivo era tão importante para mim participar no PFHS. Nessa carta expliquei que as minhas origens são algarvias e que tive o privilégio de observar o mundo do turismo de uma maneira muito próxima. Desde muito nova soube que esta é a área indicada para mim.

Depois desta primeira fase de selecção fui chamada para uma entrevista com duas professoras da minha Universidade. Uns dias depois recebi o email a dizer que ia representar a Universidade Europeia no Portugal´s Future Hoteliers Summit. Fiquei tão contente e isso para mim já foi uma vitória!

No último fim de semana de novembro começou, aquilo que espero que seja, o início da minha carreira no mundo da hotelaria. Estive ao lado de pessoas bastante profissionais e que na verdade, espero um dia vir a ocupar um cargo tão importante como o deles.

Já no YHS fomos colocados em grupos de três elementos perfazendo nove grupos. Destes nove grupos apenas cinco teriam a oportunidade de apresentar a sua ideia. Tivemos apenas uma noite para colocar a nossa ideia numa página e preparar a possível apresentação. Às 15:40h de domingo o projecto tinha de ser enviado para a organização, para o júri decidir quais seriam os cinco grupos a apresentar.

Quando soube que o meu grupo ia apresentar já estava prestes a subir ao palco. A adrenalina e a felicidade que senti naquele momento fizeram com quem fossem os melhores dez minutos da minha vida. Quando chegou a altura de saber os resultados e ouvi o meu nome e o dos meus colegas para recebermos o primeiro prémio a emoção aumentou ainda mais. As lágrimas caíam, mas estavam carregadas de orgulho e de alegria.

IMG_4944-Vencedores[1]Em que consistiu a tua apresentação?

No PFHS tivemos um challenge que neste caso era encontrar um sistema eficiente de gestão de reclamações que fosse influenciado pelo mundo tecnológico que temos hoje.

A minha ideia começou com a palavra do ano de 2015 pelo Dicionário Oxford, que na verdade não foi uma palavra mas sim um emoji. Acho que isso consegue descrever o mundo tecnológico onde agora vivemos. Inspirei-me por essa “palavra” e juntamente com o meu colega de grupo,  Tiago Castro do ESEIG,  começámos a ter muitas ideias que se resumiram numa aplicação bastante diversificada.

Com esta aplicação os hóspedes têm um contacto muito próximo com todos os departamentos do hotel, o que facilita a gestão não só de reclamações, mas também de elogios que acreditamos ser um ponto muito importante para o bom funcionamento do hotel. E claro, que os emojis estão bem presentes nesta aplicação.

Em que consiste o teu projecto/app? Que feedback tiveste da mesma?

Acreditamos que o nosso projecto tem tudo para funcionar. A aplicação pode ser utilizada por todo o tipo de clientes em diversos hotéis. Não só é uma aplicação de gestão de reclamações e de elogios, como também visa poupar recursos onde os hotéis gastam muito. Todas as informações relativas ao hotel e à região onde estes se encontram passarão a estar presentes nesta aplicação, evitando a utilização de papel. Temos assim também uma vertente económica e ecológica.

Outro ponto fulcral da aplicação é a possibilidade de o hotel gerar receitas, pois há uma secção que permite ao hóspede comprar bilhetes para os locais turísticos, fazendo assim com que o hotel receba uma percentagem de todas as compras efectuadas na aplicação.

Tanto eu como o meu colega Tiago, neste momento queremos que alguém invista em nós e nas nossas ideias, pois o feedback tem sido fantástico! Já recebemos várias propostas para colocar a nossa aplicação no mundo real, por isso o que precisamos é de alguém que realmente queira investir neste projecto.

É óptimo quando o nosso projecto é reconhecido e se as pessoas desta indústria acham que é realmente aplicável, o meu desejo é um dia poder utilizar a minha própria aplicação numa estada num hotel em qualquer parte do país, ou além fronteiras e poder dizer ”EU concebi isto!”.

Esta distinção possibilitou-te a apresentação do teu projecto em outras instituições?

Tive o enorme prazer de juntamente com o Tiago fazer a nossa apresentação na Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão em Vila do Conde, onde o Tiago está a terminar a sua licenciatura. Brevemente também irei fazer na Universidade Europeia, e sinto um carinho muito especial, pois vou falar de todo o meu percurso na minha própria universidade.

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Que expectativas tinhas relativamente ao prémio conquistado – representar a Universidade Europeia no Young Hotelier’s Summit 2016?

Antes de ir para o YHS, na Escola de Hotelaria de Lausanne, sinceramente não sabia muito bem o que esperar. Sempre foi muito importante para mim ter os pés bem assentes na terra e não criar demasiadas expectativas para não acabar desiludida.

Agora que já regressei, posso dizer que foi uma experiência que nunca irei esquecer. Tive a possibilidade de fazer excelentes contactos e de estar ao lado de directores dos maiores grupos hoteleiros do mundo. Foi muito gratificante, aprendi muitas coisas sobre o mundo onde quero trabalhar e assisti a excelentes palestras e workshops dados pelos próprios directores.
Desta vez não voltei com o primeiro prémio, mas fui a primeira portuguesa a participar no YHS. Eu e o Tiago representámos Portugal pela primeira vez no YHS, e isso é o melhor prémio que poderia conquistar. Foi uma honra.

Acho importante que Portugal seja aproveitado no seu todo. As pessoas tendem a sobrelotar o litoral do país, mas o interior do nosso país também tem tudo para proporcionar as melhores experiências a quem nos visita.

Quais são as tuas ambições na indústria do turismo? Como vês este sector estratégico no nosso país? Somos um destino de Excelência?

Ao longo destes meses percebi não só que é esta a indústria que quero realmente trabalhar, como também as apresentações em público têm sido muito importantes para mim.

Há pessoas que receiam expor-se perante o público e têm pavor às apresentações. Eu sinto o contrário, gosto de expor, partilhar as minhas ideias e motivar quem me ouvir. Comunicar e partilhar as minhas ideias, fazer com que quem me ouça se sinta inspirado para vingar na sua área, seja ela qual for.

Desde que comecei a minha licenciatura que tenho o prazer enorme de promover a Universidade onde estudo nas escolas secundárias e é uma óptima sensação quando consigo motivar um estudante a ingressar a minha Universidade, principalmente no meu curso.

Imagino-me a trabalhar nos vários departamentos dos hotéis que me permitam um constante contacto com o público.

Portugal é sem dúvida um destino de Excelência e é o país onde gostaria de gerir o meu hotel de sonho, promovendo produtos nacionais de qualidade num restaurante próprio. É esse o meu maior objectivo e espero concretizá-lo.

Acredito que temos tudo para fazer do turismo, o sector com mais receitas de Portugal. Somos as portas da Europa, temos o clima, as paisagens, a gastronomia, a cultura e a arte de bem receber. Os ingredientes estão todos cá, só falta investir mais no que temos.

Fotos: DR

“Eat Love With Love” : Blog de receitas saudáveis já deu origem a 3 livros

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Com 30 anos, a luso-americana Samanta Mc Murray acaba de lançar o seu terceiro livro “Sopas com Segredos” e contém uma legião de fãs nas redes sociais, que seguem todos os dias as suas receitas maravilhosas e o seu estilo de vida. O seu blog demonstra não só como é possível cozinhar pratos que melhoram o nosso bem-estar como realça a importância do exercício físico aliado à alimentação.  

Samanta McMurray, fundadora do Blog “Eat Love With Love” e escritora da sua própria linha de livros compostos por receitas saudáveis, conta-nos a sua história de vida e o que a levou a desenvolver este projecto tão bem-sucedido nos últimos anos em Portugal.

A cozinha é, para Samanta, uma paixão que nasceu de forma espontânea e inicialmente como hobbie. Licenciada em arquitectura, entrou mais tarde em choque com o seu projecto desenvolvido. Com espírito alegre e sonhador, perseguiu aquilo que o coração ditava e acabou por criar o seu “Eat Love with Love”, que aos poucos foi ganhando estrutura e fama.

Quando era pequena, Samanta sentia uma particular tendência para engordar e praticava muito desporto, mas não considerava a sua alimentação regrada, afirmando que não se alimentava convenientemente. Por isso, o seu peso não estava de acordo com o que tinha idealizado. Através de informação online, começou a despertar o interesse pela área de nutrição, e percebeu que uma alimentação saudável é importante nos mais diversos níveis. Comer bem, tornou-se, não só uma fonte de bem-estar, mas também uma forma de cuidar da sua saúde.

A partir desse momento, Samanta percebeu que o nosso organismo só está em forma tendo como base uma alimentação cuidada, equilibrada e de acordo com as necessidades de cada um. Mais tarde, através do seu Blog, conseguiu expor a sua alimentação diária para mostrar aos seus seguidores que existem maneiras fáceis de criar refeições saudáveis. O seu lema para a cozinha diária é mesmo “descomplicar”.

No seu Blog, apresenta essencialmente cozinhados com os seus produtos preferidos – legumes, fruta, sementes e super alimentos, tal como a spirulina e a clorella. Para além de comida, também temos o outro lado da Samanta: a que se interessa pelo exercício físico. Isso faz parte da sua rotina diária.

Posteriormente, veio a criar uma conta no Instagram – @eatlovewithlove, onde podemos ver fotografias de comidas, expostas de uma forma especial, artística e deliciosa. O seu sucesso foi de tal forma que a começou a escrever, sendo que, neste momento, já podemos ter acesso ao seu terceiro livro “Sopas com Segredos”, que precedeu a “Sumos com Segredos” e a “Manhãs com Segredos”, sobre pequenos-almoços.

A dada altura, a sua paixão por alimentação fez com que Samanta procurasse maneiras de fotografar aquilo que cozinhava de forma profissional. Como tal, entrou em contacto com Vanessa Ress, autora de um dos blogs preferidos dela – “V. K. Rees”, vencedor do melhor blog de fotografia pela Saveur, em 2013.

Dado este passo, Samanta foi recebida cordialmente por Vanessa Ress na cidade de Nova Iorque para um estágio de fotografia com duração de três meses. Este curso ajudou-a a aperfeiçoar e a melhorar o seu projecto Eat Love.

Com o aumento do seu sucesso, principalmente nas redes sociais, foi convidada a elaborar ‘dicas de Samanta’, para a revista CARAS. Quatro volumes gratuitos, a serem distribuídos aos compradores durante quatro semanas seguidas, fazendo referência a receitas de pequeno-almoço, snacks, sopas e delícias para todas as horas.

Foi uma surpresa positiva para Samanta, dando força ao trabalho que tinha vindo a desenvolver até então, e como forma de chegar a mais pessoas, ajudando-as a criar hábitos de vida mais saudáveis, principalmente em relação à alimentação.

O segredo está em cinco palavrinhas mágicas: Vontade, Paciência, Persistência, Consistência, e Equilíbrio!

Numa entrevista, Samanta afirma: “Demorei muito tempo a perceber que estava enganada quanto ao conceito de vida saudável e ainda hoje estou a aprender dia após dia com experiências, pessoas e tudo aquilo que me rodeia. A única certeza que tenho é que não há dietas milagrosas, não há resultados rápidos e se há são meramente temporários. O segredo está em cinco palavrinhas mágicas: Vontade, Paciência, Persistência, Consistência, e Equilíbrio!

Vontade porque sem ela ninguém nos vai convencer de nada;
Paciência porque não é de um dia para o outro que os resultados se vêm.
Persistência porque de vez em quando a teimosia é uma virtude!
Consistência porque a repetição mais cedo ou mais tarde tornar-se-á num hábito!
Equilíbrio porque o exagero nunca foi saudável.”

Na sua rotina diária, Samanta costuma elaborar uma data de refeições para si e para o seu marido, mais especificamente confeccionadas no forno, com muitos legumes, e opta por peixe ou carne desde que ambos sejam de produção biológica. Os seus temperos preferidos são o azeite e o alho, ou molho de soja e limão. Quando cozinha para grupos, ou seja, quando recebe os seus amigos em casa e necessita fazer uma dose maior de comida, acaba por se direccionar mais para pratos como chili com carne ou caril.

Em ambos os casos, podemos afirmar que Samanta é uma fantástica anfitriã, mantendo sempre os seus convivas satisfeitos. O único pormenor (que afirma ser tema de conversa como crítica), é o facto de não usar sal na comida – opta por ervas aromáticas e pimenta como condimento alternativo.

livros_sam2Ao perguntarmos qual a refeição que considera essencial no nosso dia-a-dia, esta refere sem hesitar o pequeno-almoço. O seu pequeno-almoço é, invariavelmente, papas de aveia cozidas em leite de origem vegetal. Uma ideia que não agrada a todos devido ao seu sabor peculiar, mas existe sempre a opção de acrescentar iogurte grego natural ou sumo de laranja, para modificar o sabor ou a consistência deste prato.

Para além de se alimentar de forma saudável, Samanta também é a favor do treino e baseia-se na premissa de corpo são, mente sã.
Afirma que os praticantes de desporto não se podem descuidar no que comem antes e depois de cada treino, deixando-nos umas dicas sobre que ‘snacks’ são os mais indicados. Antes de treinar, aconselha papas de aveia ou iogurte natural com mel e fruta, não sendo produtos de origem animal (por ser de digestão menos fácil); outra opção poderá ser uma banana ou uma tosta de arroz com doce ou frutos secos.

Para o pós-treino (e se não coincidir com almoço ou jantar), fala no batido de proteína. Se coincidir, introduz a proteína mesmo na própria refeição – frango ou atum, acompanhado de quinoa ou batata-doce, e uma salada para quem gosta.

No seu último livro, dá um destaque especial a Sopas, que afirma comer praticamente em todas as refeições. Das sopas que elabora, fala principalmente das de curgete com hortelã, abóbora com couve-flor, e tudo o que confira à sopa uma textura suave. Se decidir fazer a sopa de refeição, aposta numa base de caldo de legumes com batata-doce, feijão, quinoa ou frango desfiado.

Dentro da alimentação saudável, Samanta não é extremista e não dispensa um docinho ou outro no seu padrão alimentar, desde que não seja composto por açúcar branco. Procura sempre substituir o açúcar branco por mel, xarope de agave ou açúcar de coco, pois considera que o sabor fica delicioso. Existem várias sobremesas saudáveis, o único senão é serem calóricas – portanto devemos ser sempre moderados. Como exemplos, fala-nos do cacau em pó 100%, dos gelados com fruta e iogurte. Estas são opções que não são desfavoráveis para o nosso organismo.

Em geral, Samanta fala da importância dos hábitos que cada indivíduo cria desde pequeno, sendo ideal criar rotinas, pois os gestos que são repetidos persistem com o passar do tempo. Habituar os mais novos a ter uma alimentação diversificada, com foco nos alimentos que beneficiam o seu crescimento e desenvolvimento equilibrados.

A prioridade de Samanta é aliar a alimentação saudável, criativa e diversificada à preocupação estética na forma como apresenta os seus pratos e ao seu amor por toda esta temática. Isso leva-a a querer partilhar connosco o seu estilo de vida saudável e contagiante.
O seu grande apoio, que a acompanha desde o início do projecto, é o marido Pedro Barata. Médico Oncologista, dá-lhe a motivação necessária para que esta se dedique inteiramente (e com tempo) à sua paixão.

Com a preocupação cada vez mais presente com os cuidados de saúde e com a imagem, denota que gradualmente as pessoas procuram informações sobre comida saudável e dietas diversas. A consciencialização dos indivíduos em relação à alimentação é a prioridade de Samanta, esperando que os hábitos alimentares se vão alterando para melhor… com o passar do tempo.

Fotos: DR

Entrevista – Patrícia Augusta apresentou a sua primeira colecção no Portugal Fashion

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A jovem arouquense Patrícia Augusta apresentou a sua primeira colecção na 37ª edição do Portugal Fashion, evento nacional de moda que teve lugar no Porto, no final do mês de outubro.

O Portugal Fashion inclui, desde 2010, o espaço Bloom – Jovens Criadores, com o propósito de dar palco às criações de jovens promessas do mundo da moda. Foi neste espaço que a jovem criadora deu a conhecer o seu trabalho.

A Excelência Portugal esteve à conversa com esta promissora designer que nos deu a conhecer a sua colecção, as suas fontes de inspiração e os seus projectos futuros.

Trend me too | Patricia Augusta | Portugal Fashion Bloom - Celebration SS16

- A tua primeira colecção foi apresentada no Portugal Fashion. Que importância teve esta estreia num certame de tão grande relevo?

Foi importante para mim porque foi a primeira oportunidade que tive para mostrar algo que produzi, para um público com uma dimensão maior. Foram muitas horas de trabalho ao longo do processo e no fim, acabou por ser recompensado todo o esforço e todo o trabalho. Isto é muito reconfortante depois de tanta entrega e dedicação. Quando falo em esforço refiro-me não ao sentido negativo da palavra. Nesta área é preciso seguirmos um fio condutor e temos sempre que nos tentar equilibrar, para que tudo faça sentido e no fim funcione tudo de maneira harmoniosa. Por isso é importante para nós fazermos esse esforço que nos mantém focados e a aprendermos constantemente, a ficarmos mais metódicos e práticos. É uma pressão positiva.

- Que feedback recolheste da apresentação?

No geral correu tudo como o planeado, ou seja, bem. Para mim é muito importante saber o que as pessoas pensam do meu trabalho. É uma aprendizagem e tento sempre evoluir com as minhas escolhas sendo elas incorretas ou corretas. Porque acho que temos sempre como evoluir e temos que nos esforçar para o fazer. Em suma, penso que as pessoas gostaram, mas mesmo assim e fazendo autocrítica ao meu trabalho, acho que podia ter ido mais longe.

- Esta colecção representa o teu trabalho final do curso de Design de Moda do Modatex Porto. O que te inspirou na concepção da mesma?

Abandonei, não na totalidade, as referências que fui formando ao longo do curso e foquei-me mais naquilo que eu quero fazer como designer. Foi um trabalho totalmente livre. Eu gosto de trabalhar com volumes e dar-lhes uma nova reinterpretação. Mesmo que use o mesmo molde, posso fazer o impossível com ele. Eu quero testar os meus limites e penso que chegou a altura de o fazer. Nesta coleção como queria explorar mais os volumes, as trilobites começaram por ser a minha inspiração central, sendo que depois no processo natural de pesquisa cheguei ao livro de ilustrações Kunstformen der natur, do biólogo alemão Ernst Haeckel, que acabou por dar o nome à coleção. Fazia todo o sentido que fosse assim. Fui fazendo a seleção das ilustrações que mais me identifiquei e a partir daí desenvolvi silhuetas e trabalhei sobre elas. Acabei também por trabalhar muito em busto, sendo que a coleção acabou por se desenvolver mais na vertente da experimentação. Claro que o livro de ilustrações é muito mais que as ilustrações, é tudo o que o envolve, os sentimentos que me transmite, aquilo que eu retiro dele, principalmente a ligação ao mar e às formas marinhas.

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- Que materiais escolheste para a confecção?

Os materiais assim como as cores remetem para o fundo do mar e tudo o que lá podemos encontrar. Acabei por contrabalançar entre os materiais mais rígidos, como a tela, um tule estruturado e uma organza changeant semitransparente, com plissado cristal. As cores andam entre o preto, branco com apontamentos de bordeaux e cinza.

- Depois do Portugal Fashion, onde vai ser agora apresentada a colecção?

Depois de esta ter sido apresentada no Portugal Fashion e na exposição Class of’15, nas Galerias Península, no Porto, vou apresentar a minha coleção numa exposição em Arouca. Trata-se da localidade de onde sou natural, fato que muito me orgulha pois vou ter a oportunidade de apresentar a minha coleção a todos os meus amigos, à minha família e a toda a gente do local onde passei grande parte da minha vida. Foi uma oportunidade que a Câmara Municipal me deu e que aproveito uma vez mais para agradecer. Vai ser inaugurada em dezembro e vai durar cerca de um mês. Convido todos a visitarem-na.

- Além da moda, tens outras fortes apetências pela arte. Queres revelar um pouco?

O meu curso é muito completo e dá-nos a oportunidade de explorarmos áreas ligadas a este mundo e que servem para sermos mais versáteis no mercado de trabalho. Foi no curso que comecei a gostar de explorar a vertente mais artística da fotografia, que é mais uma das áreas onde quase não há limites e que gostaria de explorar cada vez mais. Eu realmente acredito que não há limites neste mundo e quero, não provar, mas contribuir para a moda de alguma forma. Neste momento estou a estagiar na Azta Group, uma empresa de desenvolvimento de produto. Trata-se de uma realidade diferente, mas onde também posso e quero evoluir muito. Noutra vertente, quem sabe não posso utilizar a moda também para ajudar os outros, até porque o voluntariado é uma ideia que tenho sempre presente. Aliás nesse ponto acho fundamental para a nossa evolução, vermos uma realidade diferente e usarmos os nossos recursos para fazermos alguém feliz ou contribuir para a evolução da mesma. Porque o voluntariado é uma troca de experiências fantástica. Tenho neste momento um primo a fazer voluntariado e ele parece-me espontaneamente feliz, para mim é também motivo de orgulho e claro, também uma inspiração.

Por fim, claro que como consumidora de arte, sou muito sensível à literatura, em especial à poesia, à música e ao cinema

- Que outros projectos tens em curso? Já estás a trabalhar na próxima colecção?

Tenho em curso a execução de uma nova colecção, tenho pensado muito nela, mas ainda não tenho nada concreto. Sobre esse ponto não quero neste momento adiantar muito, apenas posso dizer que será uma surpresa, como sempre.

Fotos: 
Backstage: Trend Me Too
Desfile: Portugal Fashion

 

Já T’Explico – Projeto de voluntariado jovem promove apoio escolar

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O Já T’Explico é um projeto de voluntariado jovem desenvolvido por estudantes oriundos de várias universidades do Porto. Promovido pela Associação PartilhaCoragem, este projeto de cariz social pretende garantir apoio escolar a crianças carenciadas.

A Excelência Portugal esteve à conversa com Mariana Quesada Bernardo, presidente da PartilhaCoragem, que nos deu a conhecer o projeto e a sua experiência pessoal no mesmo.

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Queremos instigar o gosto pela escola; queremos que os nossos meninos reconheçam o valor da mesma e, mesmo com alguns constrangimentos, nada os impeça de chegarem onde querem - Mariana Quesada Bernardo

- Como surgiu a ideia deste projecto e com que objectivos?

Dizemos que a ideia surgiu no gerúndio: surgindo. Sempre nos custou pensar que havia crianças e jovens que não tiveram as oportunidades e facilidades escolares que tivemos e, com a vontade de contrariar isso, surgiu o Já T’Explico. Esse é o nosso principal objetivo – ajudar todas as crianças que, sem possibilidades financeiras, precisem de apoio extra escola.
Não queremos alunos de excelência, com 100% a tudo – se for essa a classificação, melhor. Queremos instigar o gosto pela escola; queremos que os nossos meninos reconheçam o valor da mesma e, mesmo com alguns constrangimentos, nada os impeça de chegarem onde querem. Acreditamos que uma pessoa académica e profissionalmente concretizada, é mais feliz.

- No teu caso concreto, este foi o primeiro apelo para o voluntariado?

Já tinha feito algumas atividades de voluntariado, como recolha de alimentos para o banco alimentar. Mas, voluntariado aliado ao mundo do associativismo, foi o meu primeiro contacto. Em Erasmus, todos os meus amigos tinham uma experiência vasta em ações de voluntariado, não só o promovidas pela faculdade ou por instituições mas, também, promovidas por si próprios. Talvez, tenham sido eles que me inspiraram. Acredito que todos os jovens com ideias que possam contribuir para quem mais precisa, devem pô-las em prática. Aliás, deve haver mais apoio e mais informação para que tal aconteça. Uma sociedade sustentável não passa só por cuidados ambientais, por exemplo; uma sociedade sustentável, também, passa pela interajuda.

- Este é o único projeto da Associação PartilhaCoragem? Quantos associados têm?

Sim. Dizemos que o projeto nasceu primeiro que a associação, porque o que nos acompanha desde o início é o Já T’Explico.
Para já, este é o nosso único projeto. Mas o futuro pode reservar muitos outros.

- Como financiam o projeto? Com que apoios contam?

Na maior parte das vezes, autofinanciamo-nos. Mas, já contamos com apoios como o da Junta de Freguesia de Campanhã.
Sem ser a nível financeiro, contamos com o apoio da junta de freguesia do Bonfim, da união de freguesias do centro histórico do Porto, da biblioteca municipal de São Lázaro e da fajdp.

- Quem são os vossos voluntários e beneficiários?

Para além de 32 associados que trabalham na organização da associação, temos uma fantástica equipa de 51 voluntários. São estudantes universitários de diversas universidades do Porto (UP, Católica, Portucalense,…) e prestam apoio aos nosso meninos.

- Onde são ministradas as explicações?

Nós temos dois polos onde atuamos – Casa das Associações da FAJDP e Biblioteca Municipal de São Lázaro.

- Além das explicações pretendem proporcionar a participação em clubes diversos. Já funcionam e quais as temáticas?

Uma das ideias principais, é providenciar atividades extra aulas. Essas mesmas atividades serão postas em prática no segundo período.-

O que mudou em ti com este projeto? Qual foi a melhor recompensa que recebeste?

Sem dúvida alguma, o Já T’Explico foi a melhor coisa que me aconteceu.
Tornei-me mais adulta, mais responsável, (ainda) mais ambiciosa. Mas, o melhor, é poder trabalhar com a equipa que trabalha diariamente para o projeto. Sem eles, este sonho, que é de todos, não seria possível. Para não falar de que não há nada melhor do que saber que os nossos meninos estão a gostar das explicações e que as mesmas os têm ajudado.

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Beatriz Dias, responsável pelas Relações Externas do projeto, também falou com a Excelência Portugal e deu-nos a conhecer o seu envolvimento e que foi, em conjunto com a Mariana, responsável pelo seu “nascimento”.

Esta responsável adiantou ainda que “Criamos a Associação, porque sempre nos envolvemos em projetos de voluntariado, mas surgiu a vontade de criarmos algo mais nosso, algo de raíz, que nos desse a possibilidade de deixar a nossa marca mas vidas dos jovens que queremos ajudar.” e que para ela, o voluntariado “é uma forma de ganhar tempo, de crescermos e de não esquecermos a importância de ser humilde.”.


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DR

Se conhece alguma criança que precise de explicações pode enviar o mail para o geral@jatexplico.pt ou contactar o Já T’Explico através do 937474150. Todas as segundas, quartas e sextas as explicações são dadas na Biblioteca de São Lázaro e às terças, quintas e sextas  na Casa das Associações.

Mafalda Arnauth – 20 anos de carreira em entrevista

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Mafalda Arnauth é um dos nomes incontornáveis do “Novo Fado” e comemora vinte anos de carreira. A Excelência Portugal quis associar-se a esta data marcante e entrevistou-a.

A fadista portuguesa revelou o lado profissional, tendo confessado que ainda sente algum nervosismo antes dos espectáculos. Na entrevista garante que o fado já conquistou os mais novos e recorda Amália Rodrigues com saudade. 

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Os próximos projectos estão relacionados com o fado?

Não consigo fugir ao fado porque continuo a ter alma de fadista, mas também é importante experimentar outras coisas. O fado vai estar sempre presente na minha vida

Que recordações guarda de Amália Rodrigues?

Amália foi uma referência como pessoa por causa do lado humano. Teve carisma e originalidade, além da voz que tinha. Era uma pessoa fascinante.

Qual é a essência do fado?

A essência do fado é inspirada na vida quotidiana, no dia-a-dia das pessoas mais simples. Por essa razão é transversal e não tem classes sociais, géneros ou idade.

Qual a mensagem que pretende transmitir nas letras?

O meu fado é criado nessa vida porque sou observadora do mundo, dos outros e de mim própria. Estou em constante análise. Procuro transmitir às pessoas o melhor de mim, mas também dizer às pessoas que podem construir a vida com muito esforço e trabalho. Nós somos os motores das nossas vidas.

Qual é o seu público?

A fidelidade dos públicos também não é total por causa da oferta que existe. No entanto, o que mais impressiona nos concertos é a presença de crianças.

Qual a sua opinião relativamente à nova geração?

A nova geração tem um talento que conquista o público mais novo. Neste momento há grandes vozes. Houve um tempo de ausência. Desde o início do século houve um despertar do interesse por parte da nova geração em relação ao fado. Temos fado para durar.

Como prepara os espectáculos?

Os espectáculos são preparados com alguns dias de antecedência. Tenho os meus próprios horários para entrar no espírito. Gosto de cuidar a minha imagem. Também é necessário saber gerir o descanso.

Ainda sente nervosismo?

Sim, mas isso representa responsabilidade quando estamos no palco porque sentimos a emoção das pessoas na nossa voz. Não podemos encarar isso de forma leviana.

 

Fotos: DR

Isabel Silva propõe um novo mecanismo para tratar a doença da próstata (entrevista)

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Isabel Silva, de 29 anos, é natural da Trofa e licenciada em Genética e Biotecnologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, com mestrado em Genética Molecular Comparativa e Tecnológica. Chegou ao Porto, ao instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em 2010, altura em que iniciou funções como investigadora no laboratório de Farmacologia e Neurobiologia do ICBAS. Em 2013 iniciou o Programa Doutoral em Ciências Biomédicas do ICBAS com o objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior. Os mais recentes resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” apresentada na Reunião Mundia da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). O trabalho apresentado por Isabel Silva intitulava-se “Blockage of UDP-sensitive P2Y6 receptors as a novel therapeutic strategy to control urine storage symptoms in men with bladder outlet obstruction” e este a concurso com mais de 300 comunicações provenientes de mais de 30 países. A Excelência Portugal foi falar com a investigadora para saber mais sobre o seu trabalho.

 

Sempre quis ser cientista ou houve algum motivo/ influência que a levasse a enveredar nessa área?

Não (risos).. A investigação foi por mero acaso. Eu fui para o laboratório onde estou e comecei num estágio de verão para aprender algo mais, porque eu sou da área da genética e não estou a fazer investigação em genética.”

Pois, está a trabalhar na área da Farmacologia…

Exatamente, na parte da farmacologia. Comecei a gostar desta área,  as coisas começaram a correr bem e eu fiquei entusiasmada e fiz o estágio de licenciatura, continuei e fiz o estágio para a tese de mestrado e depois as coisas foram continuando e agora estou a fazer o doutoramento.”

O seu doutoramento tem como objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior, nomeadamente a hiperatividade da bexiga. Pode falar um pouco desta problemática?

“A hiperatividade da bexiga é mais comum nas mulheres.  Nos homens acontece em idades mais avançadas e normalmente é consequente de uma hiperplasia benigna da próstata. Nas mulheres, a causa é idiopática. Só que há um problema, nós não temos acesso  a amostras de tecido das mulheres. Não nos podemos dirigir a uma mulher, que não tem necessidade de ser operada, e recolher um pedaço de tecido de bexiga para fazermos experiências. Isso não é eticamente correto, nem podemos fazê-lo. Então, o tecido que nós temos acessível é tecido de bexiga de homens que, devido à hiperplasia benigna da próstata, são operados para resolver o problema da obstrução da uretra e muitas vezes já têm problemas na bexiga. É com esse tecido que nós fazemos o nosso trabalho de investigação. Nas mulheres, o que nós conseguimos fazer são estudos de metabolitos na urina.”     

Um dos focos da sua investigação é estudo dos receptores P2Y6. Qual a função destes receptores e de que modo podem contribuir para melhorar a qualidade de vida dos homens afetados por esta condição?

“Este receptor é um recetor recentemente descrito, e ainda não estava descrito na bexiga. Ninguém sabia se ele estava lá e o que é que ele fazia. Os primeiros ensaios no nosso grupo, onde caracterizamos estes receptores, foi em rato. E o que observamos foi que, quando infundíamos uma substância que ativava estes receptores na bexiga de rato, a substância causava hiperatividade da bexiga. Como tínhamos amostras de homens com hiperatividade da bexiga fomos ver se, ativando estes receptores e bloqueando-os, o nível de neurotransmissores libertados era igual ou diferente ao de homens saudáveis (dadores de órgãos). Também fizemos estudos de localização dos receptores para ver se estavam localizados nas células da bexiga e se as células tinham o mesmo número de receptores. E conseguimos perceber que, nestes homens, quando ativamos estes receptores, eles libertam uma molécula que consideramos estar relacionada com a hiperatividade da bexiga que é o ATP e que o bloqueio destes receptores inibe a libertação de ATP. Assim, ao inibir a libertação de ATP conseguimos reverter uma situação de bexiga hiperativa.” 

Estas descobertas permitirão o desenvolvimento de um novo fármaco?

“Estas descobertas permitem o desenvolvimento de um novo fármaco, mas para isso agora precisamos do apoio da indústria farmacêutica e de apoio financeiro para o desenvolvimento do fármaco. Este trabalho propõe uma nova ferramenta terapêutica para a bexiga hiperativa sem efeitos secundários que existem nos tratamentos atuais. O problema do tratamento atual para a bexiga hiperativa é a utilização de fármacos anti-colinérgicos que, ao longo do tempo, vão ter efeitos secundários como, por exemplo, obstipação, uma vez que nós temos nos intestinos muitos receptores colinérgicos. O nosso trabalho permitiu  descobrir que o recetor P2Y6 está preferencialmente localizado na bexiga e conseguimos caracterizá-lo bem, o que pode ser uma ferramenta muito útil no desenvolvimento de um novo fármaco. Se o recetor não for expresso noutros órgãos com grande abundância, poderá ser um bom alvo terapêutico.”

Então, como potencial fármaco, propõe uma substância que vai inibir o recetor P2Y6, de uma forma dirigida, nas células da bexiga?

Exatamente. Nós propomos o desenvolvimento de um fármaco que irá atuar num recetor que está especificamente localizado na bexiga, à partida.

O próximo passo passará, seguramente, pela produção do fármaco. É fácil obter o apoio da industria farmacêutica?

A industria funciona a curto/médio prazo e tem de ganhar milhões rapidamente. E nós na investigação básica que fazemos nas universidades não conseguimos garantir isso. Para passarmos para a próxima fase queremos acreditar que a industria se vai interessar nisto, mas ainda temos de fazer mais ensaios. Agora, se é fácil, acredito que a nível prático seja um caminho ainda longo.”

Os resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” na Reunião mundial da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). Qual foi a sensação de ser uma portuguesa a receber tal prémio?

Foi muito gratificante. Sempre tive muito orgulho em ser portuguesa em qualquer sítio onde estivesse. E o facto de ser uma portuguesa no meio de tanta gente fez-me sentir que somos pequeninos mas afinal temos tanta importância como os outros. Não precisamos de pertencer a centros de investigação de topo, de renome, ou de ter um sobrenome de renome, para conseguirmos chegar à ciência de alto nível e internacional”.

Como ciêntista, considera que a ciência é devidamente valorizada em Portugal?

Não. Acho que há muita coisa em Portugal que devia ser revista e considerada na área da ciência, por vários motivos, sobretudo porque as formas de atribuição dos financiamentos muitas vezes não são corretas. Estes prémios, como o que recebi, nem sempre são considerados  e muitas vezes, não havendo financiamento, os estudos terminam quando já estavam próximos do fim. E fica muita coisa pendente, muita coisa que vamos lá para fora fazer porque deixamos cá a meio, ou então vêm outros de fora que trazem o dinheiro, terminam o trabalho e ficam com o mérito.”

Após os excelentes resultados e de obter o devido reconhecimento, o que perspectiva para o futuro?

Eu gostava muito de, até ao final do doutoramento, continuar com este trabalho e conseguir chegar a uma ferramenta farmacológica , com o apoio da indústria, e lançar o fármaco. Sabemos que até lançarmos o fármaco temos um longo caminho, mas o objetivo é não perder o fio à meada e continuar no desenvolvimento deste projeto.”

Foto: DR

Inês Patrocínio – A caminho das Nações Unidas

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Inês Patrocínio nasceu em Lisboa em Maio de 1992 e viveu sempre no Bairro do Restelo, ao pé dos avós, dos tios e dos primos. É a terceira de 6 irmãs; cresceu numa casa cheia, com 3 cães, onde a campainha nunca para de tocar e a porta de entrada está sempre aberta.

Estudou no colégio da sua avó – A Torre – até as 4º ano e depois passou para o St. Julian’s School, colégio Inglês onde concluiu o International Baccalaureate Diploma (equivalente ao 12º ano).

Sempre gostou de desporto, mas fartava-se com facilidade e queria sempre experimentar um novo. Em pequenina, conseguiu passar pelos desportos mais improváveis, desde esgrima a tiro com arco. Era bastante teimosa e a mãe lá acabava por ceder – mais por cansaço – segundo a própria.

Mais tarde, já na adolescência, as suas tardes começaram a ser ocupadas pelos livros – primeiro os de fantasia (a trilogia de Sevenwaters marcou-a muito), depois os romances, depois os romances históricos, e depois os livros de História propriamente ditos, que ainda hoje são os favoritos. Por vezes, acabava por isolar-se um pouco do resto da família, mas era o seu momento de tranquilidade numa casa em constante actividade. 

12179129_10153563696680266_496514599_nA história, com especial enfoque na 2ª Guerra Mundial, foi a tua grande paixão desde criança. Os conflitos, os refugiados e os direitos humanos já ocupavam a tua mente?

São tudo assuntos que estão interligados entre si, mas não, a minha paixão foi sempre a História – foi esse o fio condutor que depois deu origem a outros projectos e objectivos profissionais.  Se me perguntar quando surgiu o meu interesse pelos direitos humanos em específico… não lhe consigo dizer ao certo.

Acho que, de certa forma, foi crescendo à medida que eu ia verificando que alguns dos horrores que tinha estudado na História podiam voltar a repetir-se hoje em dia. E a partir daí, solidificou-se no momento em que decidi que ia tentar mudar o que me incomodava.

O tema do holocausto sempre te “fascinou”. É verdade que a tua avó chegou a dizer que devias ter sido judia noutra vida?

É. Disse-me isso numa altura em que comecei a ter pesadelos passados em campos de concentração Nazis. Acho que acima de tudo estava preocupada (risos).

O estudo num colégio internacional e o contexto multi-cultural inerente influenciou-te?

Sem dúvida. E eu fui muito privilegiada em ter podido estudar num colégio como o St. Julian’s, que desde cedo me expôs aos benefícios da diversidade de culturas e de ideias, do valor de ter uma segunda língua como quase-materna e da tolerância que promove entre os alunos e Professores. Acho que, acima de tudo, é um colégio que dá muita importância às relações humanas, ao desporto e à nossa formação enquanto cidadãos da sociedade global. À integridade do ser. Foi uma educação verdadeiramente insubstituível.

A tua escolha académica acabou por recair no direito. O que te motivou?

Foi uma fase algo polémica na minha vida. Eu queria era estudar História! Ler e aprender mais sobre as Grandes Guerras, decorar todos os discursos do Churchill e saber as operações secretas dos Aliados ao pormenor. Durante muito tempo, nunca pus em questão ir para outro curso. Mas, chegado o momento, comecei a perceber que o Direito, além de desafiante, podia ser um instrumento mais valioso para lutar contra as injustiças que me tiravam o sono, por assim dizer. E a história, como disse o meu Pai (e bem), podia sempre continuar a estudá-la por mim. O Direito, não.

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se estava decidida a construir um caminho ligado aos direitos humanos, era importante ter uma experiência real que me mostrasse como as missões humanitárias funcionam no campo

Quando sentiste o apelo do voluntariado?

Lembro-me de em pequenina obrigar o meu Avô a pôr por escrito uma associação que eu tinha criado chamada APCC (Associação de Pessoas Com Coração). Sempre fui muito dramática…(risos).

Mas mais tarde, foi quando comecei a sentir a necessidade de me por à prova. Ou seja, se estava decidida a construir um caminho ligado aos direitos humanos, era importante ter uma experiência real que me mostrasse como as missões humanitárias funcionam no campo, também para perceber se era mesmo a minha vocação seguir naquela direcção. Então, decidi entregar um bocadinho do meu tempo aos outros e por as ‘mãos na massa’.

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O que sentiste ao chegar ao primeiro local de missão?

Senti saudades de casa e algum nervosismo, também por não saber o que me esperava. Sempre fui muito ligada à minha família, e isso tem-se reflectido sempre nos momentos mais marcantes da minha vida, sem excepção.

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Se tivesse de escolher uma das melhores coisas que o voluntariado me deu, talvez fosse o sentido de propósito, tanto a nível pessoal como profissional.

O que mudou em ti depois do voluntariado?

Sou da opinião que estas experiências nos moldam, mas não nos mudam. Acho muito difícil alguém mudar por completo durante o espaço de tempo que eu tive em Missão. Mas certamente que se aprende muito, e se vive muito. Saí da missão de coração cheio, de espírito renovado, e tenho muitas saudades dos tempos que passei lá.

Se tivesse de escolher uma das melhores coisas que o voluntariado me deu, talvez fosse o sentido de propósito, tanto a nível pessoal como profissional.

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Subiste o Kilimanjaro para ajudar uma ONG. Como surgiu a ideia e o que conseguiste com esta iniciativa?

No ano de 2013, a situação política de Moçambique estava muito instável e tornou-se perigoso continuar a mandar voluntários para o campo. Para mim, na altura também não fazia sentido embarcar noutro programa de voluntariado com outra ONG, que teria objectivos e estratégias muito diferentes. Queria manter o meu compromisso com a SIM mas sabia que não poderia ser no mesmo molde do ano anterior. Foi assim que surgiu a escalada ao Kilimanjaro: decidi aliar um desfaio de superação pessoal a uma causa que me era querida. Com o apoio da Carmo, Presidente da ONG SIM, e dos meus pais, planeei uma viagem até à Tanzânia, inscrevi-me numa equipa ao lado de outras pessoas de várias partes do Mundo e juntos chegámos ao topo no dia 25 de Julho, depois de 7 dias de escalada. Éramos um grupo de 15 pessoas e fizemos amizades para a vida.

A SIM, como ONG Moçambicana, ganhou projeção, novos patrocinadores e viu a sua bandeira içada no ponto mais alto do Continente Africano – foi um momento muito especial.

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E a verdade é que, se tivesse ido com algum familiar ou amigo, não sei se teria conseguido. Estaria numa posição mais confortável para me queixar ou para desistir…

Que dificuldades tiveste? O que ocupava a tua mente durante a subida e descida?

Tive algumas dificuldades, mas graças a Deus tudo acabou bem.

Devido ao peso, eu só tinha levado um par de botas para a escalada – umas Timberland de 25 anos que tinham sido da minha mãe. Muito confortáveis e cheias de significado para mim.

Acontece que, no fim do terceiro dia, a sola descolou-se por completo, deixando-me sem nenhum par de sapatos extra para continuar o percurso e com os pés gelados pela neve. A sorte foi que um dos guias sabia coser sola de sapato e fê-lo rapidamente com um cordão improvisado! E o mais impressionante ainda é que as botas aguentaram-se assim até hoje.

Na altura, pareceu-me o pior pesadelo do mundo mas, quando conto esta história, faço-o com saudades e a rir, porque sei que é um momento que me vou lembrar para o resto da vida.

Tantas coisas me vieram à cabeça durante a subida e descida…ainda foram alguns dias de escalada, com muitas horas de conversa e de partilha, pois ninguém no grupo se conhecia antes da viagem. É muito interessante ver o elo especial que se cria entre as pessoas em condições de provação.

E a verdade é que, se tivesse ido com algum familiar ou amigo, não sei se teria conseguido. Estaria numa posição mais confortável para me queixar ou para desistir…

Já afirmaste que o voluntariado é realizado para ajudar o próximo mas também para nos ajudarmos a nós próprios. Achas que nem todos admitem o que realmente os motiva?

Não sei se todos admitem ou não, nem sei se todos o encaram assim. Eu afirmei-o porque é assim que o vivo.

És conhecida por levar as coisas demasiado a peito. Estás a realizar uma tese sobre o genocídio do Darfur, sentes revolta por este colossal massacre e violação dos direitos humanos? O que consideras que a comunidade internacional devia ou podia fazer?

Sinto. Revolta pelo que aconteceu e revolta pela inação de alguns países face ao problema. Para que serve a Convenção do Genocídio e o Estatuto de Roma se não para prevenir casos como este?

Já foi um grande passo o Conselho de Segurança ter referido, pela primeira vez na história, uma situação de genocídio ao International Criminal Court, o que tornou o Darfur num possível precedente valioso. Mas o follow up desta situação está longe de ser ideal: a África do Sul já confirmou que está a planear retirar-se do ICC, depois de ter acolhido um dos grandes responsáveis pelo genocídio no Darfur e um dos homens mais procurados pelo ICC, o Presidente Sudanês Omar Al-Bashir.

A Índia, por exemplo, também vai recebê-lo no fim deste mês para uma conferência.

O que se poderia fazer? Para já, o Conselho de Segurança poderia tomar medidas para acabar com a impunidade dos países que não respeitam o dever de cooperação, estabelecido na resolução nº 1593, ao abrigo do capítulo VII da Carta das NU. É essencial haver uma acção de follow up eficiente por parte do Conselho de Segurança ou o propósito da sua colaboração com ICC sai frustrado! É ainda necessária a colaboração de todos os outros países (membros do ICC e das NU) para que o ICC consiga atingir os seus objectivos.

São momentos destes que nos dão força para continuar a acreditar nos nossos sonhos e que provam  que tudo é possível

Quando planeámos esta entrevista tinhas um sonho: estagiar na ONU. Este sonho estás prestes a realizar-se e por fruto da tua saudável “ousadia” e iniciativa. Queres contar?

Foi a minha primeira grande conquista, e um dia carregado de emoções fortes!

Mandei a minha proposta de tese e uma carta à delegação do CICC (Coalition for the International Criminal Court) para o Conselho de Segurança das NU e acabei por conseguir uma entrevista no Skype, que depois acabou com oferta de estágio. Para ser sincera, nunca achei que me fossem responder, até porque já me tinha candidatado a outros sítios não tão conhecidos sem sucesso.

São momentos destes que nos dão força para continuar a acreditar nos nossos sonhos e que provam  que tudo é possível. Estou nervosa por ir viver para NY, mas com muita vontade de começar e sinto que estes meses de estágio vão ser momentos únicos na minha vida. Vou poder trabalhar naquilo que me apaixona desde criança.

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sei que vou sempre procurar um caminho que me preencha e que seja fiel aos meus sonhos

E por fim, quais são os teus outros sonhos e objectivos?

Um dos meus maiores sonhos já está concretizado: o de encontrar uma pessoa que não só respeite e valorize, mas que partilhe muitas destas ambições. Não têm que ser ambições iguais, mas têm que beber da mesma dose de ingenuidade, de um encantamento com a ideia de um mundo melhor.

E é preciso ter muita sorte para se encontrar alguém que também saiba aceitar as pedras que estes caminhos menos óbvios implicam.

No fundo, cumpri este sonho de ter alguém que nos consiga ver verdadeiramente, por tudo aquilo que somos e por aquilo que queremos ser.

Quanto aos objectivos profissionais, acho que estes podem mudar ao longo do tempo e à medida que vamos crescendo. Isto porque conhecemos pessoas novas, aceitamos novos desafios, abraçamos novas causas…

Mas a essência é sempre a mesma e acho que o que é importante é mantermo-nos fieis àquilo que somos. Por isso, não sei onde vou estar daqui a uns anos, nem se vou conseguir atingir muitos dos objectivos que estabeleci para mim aos 23, mas sei que vou sempre procurar um caminho que me preencha e que seja fiel aos meus sonhos, dentro das hipóteses que me são dadas num determinado momento.

 

Fotos: DR

De Portugal para o Mundo. Do Mundo para Marte.

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De Portugal para Marte. Esta é a frase que de uma forma bastante resumida pode descrever Nuno Silva. Aos 36 anos, o jovem engenheiro aeroespacial, que já trabalhou em países como França e Reino Unido, integra a equipa que prepara a expedição a Marte.

Já dura há sete anos o sonho de descobrir vida em Marte. O trabalho começou em 2008 e tem como objetivo enviar para Marte um robô europeu com o intuito de procurar sinais de vida neste planeta.

O jovem português, que se licenciou no Instituto Superior Técnico, começou por assumir a coordenação de uma equipa que desenvolveu a navegação autónoma do robô, tendo abandonado esse cargo e assumido funções de gestão dentro da Airbus.

Nuno Silva explica o que o fascina no mundo aeroespacial e todos os detalhes desta missão que pode mudar a forma como vemos o mundo.

Será que Marte está realmente morto? A resposta está para breve. Mas até lá, Nuno Silva esclarece alguns detalhes. Mais um projecto à escala mundial que conta com uma assinatura portuguesa.

 

Como é que começou esta paixão pelo universo aeroespacial?

A paixão sempre existiu e foi alimentada pelo cinema. Filmes e séries como Star Wars ou Star Trek alimentaram a paixão mas diria que já havia algo. No entanto penso que muitas pessoas terão motivações semelhantes. O que fez a diferença foi curiosamente a minha professora de Biologia no 12° ano. Perguntou o que queríamos seguir e eu já altura hesitava entre medicina, engenharia ou física (e provavelmente acabaria numa mistura de todos), mas sobretudo porque “sabia” que espaço era irrealista. Acabei por partilhar um bocado esse sentimento e foi ela quem me falou de engenharia aeroespacial no IST. E isso foi claramente o maior catalizador.
Durante o curso em Portugal e em França, a exposição à área apenas aumentou o meu interesse. O facto de acabar por estagiar na área foi o início de algo verdadeiramente real e concreto.

O que é que o fascinava (e fascina) nesta área?

O que me fascina é o desconhecido, a exploração, os desafios técnicos e o conhecimento que esta exploração traz.

Em Portugal esta é uma área pouco explorada? Como é ser português numa área em que as principais apostas e desenvolvimentos são internacionais?

Não é tanto que a área é pouco explorada mas mais que na realidade há pouco para explorar. É uma área política: não se investe em exploração espacial pelo lucro mas pelo conhecimento e tecnologia. A forma como funciona na prática é a consequência do “retorno justo” da agência espacial europeia: cada país membro recebe de volta um volume de trabalho proporcional ao investimento que o país faz na agência. Como o estado português contribui pouco, recebe pouco. Sendo uma área em que é preciso muito investimento para alcançar resultados de maior importância, os nossos resultados são pouco visíveis por natureza.

Nesta área como noutras temos de deixar de pensar em países, o estado de espírito é outro. Nesta área falamos de Europa, EUA, Rússia (sobretudo antiga URSS). Portanto é uma área europeia e só perdemos quando pensamos nas nossas fronteiras. O nível de investimento é tal que precisamos de todos. Sinto portanto bastando orgulho como Europeu que sou do que a Europa consegue alcançar com meios inferiores aos dos EUA por exemplo. Sinto-me portanto bastante integrado e ser Português é quase sempre um detalhe.
Há de facto algumas complicações porque esta área por vezes está ligada à defesa nacional de países mas essa é uma área em que a UE ainda não evolui suficientemente. Neste caso pode ser de facto complicado.

Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima. (..) A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação.

Quais as principais dificuldades e os principais desafios que encontrou para entrar nesta área?

Várias… Foi preciso sair do país para estar exposto a maiores projetos e mais perto da realidade.
A minha nacionalidade foi inicialmente (e não só) um obstáculo e fui negado várias oportunidades baseado nisso. A razão é a que expliquei acima.
A formação em Portugal é boa academicamente mas falta um especto prático e pragmático que é indispensável na indústria. Precisamos de uma base teórica forte mas também precisamos de estar envolvidos com a indústria durante a formação. Por exemplo, com cadeiras e projectos da indústria.
A realidade desta indústria… Muito politizada, durações muito longas, montagens industriais ridículas, etc

Marte é agora um objectivo. Como começou todo este projecto da criação de um robot?

A verdade é não estive envolvido no início. O projecto “final” é enviar seres humanos a Marte (como se foi à Lua). Para alcançar esse objectivo tem de se conhecer melhor o planeta, as condições na superfície, as zonas seguras e de interesse científico, desenvolver as tecnologias necessárias para ir a Marte em segurança, aterrar e regressar. Estamos na fase inicial desse objectivo.
Enquanto não for seguro para seres humanismo enviam-se máquinas inteligentes (satélites e robôs).
ExoMars corresponde portanto à primeira fase da ida do Homem a Marte. Começou em meados da década de 2000 criado pela agência espacial europeia (ESA).
Porquê ir a Marte? Para perceber melhor a origem do universo e da vida.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte.

Em que consiste esta expedição a Marte? (datas previstas, duração, meios envolvidos…)

O programa ExoMars é composto por duas missões: uma em 2016 e outra em 2018 (só se pode ir a Marte de 26 em 26 meses devido alinhamento relativo de Marte com a Terra). Inicialmente era apenas uma missão mas por várias razões que não vou detalhar foi preciso dividir em duas diferentes.

A missão de 2016 tem como objectivo demonstrar a capacidade da Europa em aterrar com sucesso em Marte. É também essencial porque também inclui o satélite que ficará à volta de Marte para garantir as comunicações do Roger em 2018 com a Terra (o Rover fala para o satélite e o satélite para a Terra, e vice-versa). Este satélite também inclui um instrumento para detectar metano na superfície: este gás é geralmente associado à vida porque uma das origens mais provável para o metano é como o resultado do metabolismo de seres vivos. Esta informação ajudará a decidir o local para aterrar e fazer a missão em 2018.

A missão de 2018 é a “joia da coroa”: um rover altamente autónomo e com instrumentos para detetar sinais de vida no passado ou no presente. Contém uma máquina de furar que conseguirá recolher amostras a 2m de profundidade e portanto ver o passado de Marte! O Rover é de facto um carro de 6 rodas mas bastante inteligente: na Terra os operadores apenas lhe dizem para onde querem que ela vá (coordenadas do destino) e o Rover encontra um caminho rápido e seguro até lá seguindo-o com grande precisão.

A missão na superfície é suposta furar pelo menos seis meses (por causa das estações em Marte no inverno não há energia que chegue e há demasiadas tempestades de areia para operar). No entanto é preciso lembrar que missões anteriores eram supostas durar 3meses e passados mais de 10 anos ainda operam na superfície (rover Opportunity da NASA). “Apenas” é preciso que o Rover “acorde” quando o inverno acabar mas isso é difícil de garantir.

A viagem para Marte para ambas as missões durará cerca de 9 meses. A de 2016 será lançada em Março se tudo correr bem e a de 2018 será lançada em Maio desse ano. O Rover deverá estar a explorar a superfície de Marte desde Janeiro de 2019.

Ambas as missões são lançadas por um foguetão Russo (Proton) dado que este é agora um programa conjunto entre as agências espaciais Europeias e Russas.
O centro de controlo para o Rover (ROCC: Rover Operations Control Centre) será em Turim em Itália e o centro de controlo para todos os outros elementos da missão será no ESOC (centro de controlo da ESA) perto de Frankfurt na Alemanha.

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes.

Como é coordenar uma equipa de mais de 20 pessoas para um projecto tão ambicioso?

Desde há mais de um ano que coordeno o departamento que é responsável pela autonomia das veículos espaciais que fazemos no Reino Unido: o ExoMars Rover é o maior mas temos várias missões, todas elas muito interessantes. O projecto ExoMars em si, só na Airbus DS no Reino Unido tem cerca de 150 elementos!
Tenho portanto de coordenar cerca de 25 pessoas em vários projectos. É preciso uma estrutura com delegação de responsabilidades mas com boa comunicação nos dois sentidos. Faço a ponte entre as várias equipas e projectos para que todos beneficiem das experiências dos outros. É importante dar prioridades e preparar o futuro, por isso é uma “batalha” constante entre fazer o que é necessário nos projectos actuais mas investir tempo e recursos em tecnologia que nos permita fazer as missões do futuro.

Quais as diferenças desta expedição, relativamente às realizadas pela NASA?

Há diferenças técnicas (engenharia pura) e científicas. Os rovers da NASA desempenham sobretudo missões de geologia enquanto o nosso europeu (ExoMars) é uma missão também biológica, ie, equipada para detectar vida actual ou sinais de vida do passado. Os instrumentos de ExoMars são portanto o ideal quando se procura vida enquanto as missões de geologia estão mais focalizadas em perceber a formação dos planetas e do universo (e indiretamente da origem da vida). Um instrumento chave é a sofisticada máquina de furar que permite recolher amostras até 2m de profundidade e “viajar ao passado”.
Falando de engenharia, o nosso Rover é muito mais autónomo que os precedentes. Desde coisas simples como poder virar as seis rodas (andar de lado tipo caranguejo) ou mudar de direção ao mesmo tempo que se anda para a frente (os da NASA têm que parar para virar as rodas), a capacidade para calcular uma trajetória segura e eficaz assim como ser capaz de a seguir com grande precisão é muito maior que os predecessores da NASA. Apesar de ser uma diferença em engenharia, isto permite ao rover ir à locais até agora fora do alcance dos cientistas.

Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.

Quais são as expectativas (em termos de resultados) para esta expedição a Marte?

As expectativas são de sucesso! Muito, mas mesmo muito, pode correr mal numa aventura destas até à superfície de outro planeta. Neste domínio a Europa ainda não está ao nível dos EUA e esta missão servirá a passar à frente.
Em termos de engenharia será um sucesso aterrar (responsabilidade da Rússia) e navegar autonomamente em Marte chegando a locais nunca antes explorados. Em termos de ciência sucesso será responder a perguntas ou até levantar novas questões quando se encontrar algo inesperado.
Há outro tipo de sucesso… A sensibilização das pessoas para esta indústria e um melhor apoio.

Estará Marte realmente morto?

Talvez… Mas ninguém tem a certeza! E sobretudo ainda menos se sabe acerca do passado passado. Talvez esteja morto agora mas não tenha estado no passado. Responder a esta pergunta avançará a compreensão da origem da vida. Não porque a vida tenha vindo de Marte para a Terra como dizem algumas teorias mais exóticas, mas porque permitiria compreender e/ou comprovar os processos que dão origem à vida.
Mas é para responder a essa e a outras questões importantes que se enviará o ExoMars rover!

 

Foto: DR

Madeira foi capital europeia de bodyboard feminino

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A última etapa do European Tour of Bodyboard (ETB 2015), decorreu pela primeira vez na ilha da Madeira e no âmbito do Madeira Bodyboard Girls Experience 2015 (MBBGE). Este evento realizou-se de 6 a 11 de Outubro e a prova europeia nos últimos dois dias.

A etapa do europeu feminino teve lugar na Praia da Fajã d’Areia em São Vicente e contou com as participações de campeãs nacionais e internacionais, com destaque para a espanhola Alexandra Rinder, Campeã Mundial 2014, a brasileira Isabela Sousa, Campeã Mundial 2013, e as portuguesas Joana Schenker e Teresa Almeida, respectivamente Campeã Europeia 2014 e Campeã Mundial dos ISA World Bodyboard Championship 2014.

premiadasA terceira e última etapa do European Tour of Bodyboard (ETB 2015)  foi ganha pela brasileira Jessica Becker seguida pelas atletas  Isabela Sousa do Brasil e Joana Schenker de Portugal.

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Foi uma sensação muito boa, de felicidade mas principalmente de objectivo cumprido, pois revalidar este título era a meta principal para este ano.

Joana Schenker, 28 anos,natural do Algarve, revalidou o título de Campeã Europeia de Bodyboard Feminino ao apurar-se para as meias-finais da terceira e última etapa do European Tour of Bodyboard (ETB 2015). A bodyboarder já havia vencido as duas primeiras etapas do circuito, respectivamente em Abril no La Salie Pro Bodyboarding Festival, em França, e sagrou-se Miss Sumol Cup 2015, no passado mês de Setembro em Ílhavo, conquistas que lhe garantiram a conquista directa do título com o apuramento para as meias-finais da última etapa. A bodyboarder da Nazaré, Teresa Almeida, sagrou-se Vice-Campeã Europeia de Bodyboard Feminino.

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Acho que faz todo o sentido a Madeira investir na promoção das ondas!

Joana Schenker confessou à Excelência Portugal que gostava de conseguir os apoios necessários para correr o circuito mundial no próximo ano, pois sente que seria o caminho mais lógico para a sua carreira. Quanto à Ilha da Madeira considerou que “para além de ser um lugar lindo e com clima fantástico também tem um grande potencial para a prática de bodyboard. A onda onde decorreu o campeonato principalmente, é muito boa.”.

O MBBGE é um evento anual dedicado à promoção do Bodyboard feminino e da Madeira como um destino de excelência para a prática desta modalidade. Destaca o papel da mulher no desporto, valorizando a iniciação desportiva das jovens e a sua capacitação competitiva em ambientes saudáveis, com paridade e fairplay. A organização é da ASRAM – Associação de Surf da Região Autónoma da Madeira, em parceria com o Ludens Clube Machico e com o apoio da Câmara Municipal de São Vicente e tem como mentoras as campeãs de Bodyboard Carina Carvalho e Catarina Sousa.

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Além das campeãs, todas as atletas que desejaram puderam aperfeiçoar a sua técnica ou experimentar as emoções do Bodyboard nas ondas da Madeira e participar no Bodyboard trip do Madeira Bodyboard Girls Experience – MBBGE, que é alargado a actividades de cariz lúdico e social, como passeios e visitas guiadas, experiências gastronómicas, acções de limpeza de praias e recolha de donativos para associações sem fins lucrativos.

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Fontes: MBBGE, DNotícias e bodyboard.pt
Fotos: © Joana Sousa

“Running – muito mais do que correr” – entrevista a José Soares

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O exercício físico nunca esteve tanto na moda e a corrida, por ser uma actividade simples e acessível a todos, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Uns mais habituados à prática desportiva, outros que nunca tinham praticado exercício antes.

Acabei recentemente a leitura de “Running – muito mais do que correr”, um livro de José Soares publicado este ano pela Porto Editora. Tenho aplicado vários dos seus princípios e conselhos na minha prática desportiva, pelo que sugiro vivamente a sua leitura. Lê-se facilmente, a linguagem é simples e clara.

Este livro é um manual completo para quem quer começar a correr, mas também para quem corre regularmente e quer melhorar o seu rendimento, alimentar-se como um atleta ou mesmo evitar lesões.

Ao abordar questões como motivação, alimentação, suplementos, planos de treino para diferentes distâncias e prevenção de lesões, revela-se um guia essencial porque running é muito mais do que correr.

running

- Quando a Porto Editora lhe lançou este desafio de escrever Running – muito mais do que correr, o que sentiu?

Um enorme desafio porque não sou um expert em running. Sou professor de fisiologia, que gosta de corrida, que percebe a relação entre o exercício e a saúde. Nada mais do que isso. Neste sentido, decidi usar a corruda como um meio e não como um fim. Por isso o livro é “Running: muito mais do que correr”… Ou seja, aborda outros aspectos que vão muito para além da corrida propriamente dita. Nutrição, prevenção de lesões, exames médicos indispensáveis, limitações, etc.

- Correr é gratuito e praticado ao ar livre. Sente que essas são vantagens para quem quer começar um desporto?

Penso que sim. Essa é a grande razão. Depois também o facto de ser de prática muito fácil e sem equipamento especial torna a corrida muito apetecível.

- Running será uma questão de moda passageira? Ou veio para ficar?

Penso que está na moda, mas presumo que vai ficar. As pessoas perceberam que mais risco do que correr é não correr. É não se mexer. Com as nossas vidas cada vez mais stressantes e sedentárias, a corrida passa a ser um excelente plano B de fácil execução…

- Foi uma surpresa agradável os destaques dos media? E o livro estar no top das principais livrarias?

Sim. Fiquei surpreendido pelo impacto que teve. Penso que existem algumas razões. O facto de estar escrito com uma linguagem muito simples, de usar muitos exemplos práticos e de usar o modelo da pergunta resposta, torna a sua leitura muito fácil. Por outro lado, reúne no mesmo livro diferentes tópicos que, normalmente, aparecem distribuídos por obras diferentes. Ou seja, reúne informação de fácil leitura e aplicação no dia-a-dia de quem corre.

- Há muitos aspectos que o livro explora além do acto simples de correr. É importante uma pessoa pesar todas as questões que o livro levanta, não é?

Claro que sim. Por exemplo, o primeiro capítulo aborda a questão dos exames médicos prévios. Mas sempre relevando o facto de que maior risco do que correr, é não correr. É estar parado! Dei uma importância muito particular também à questão da prevenção de lesões algo que preocupa muito quem corre, especialmente os que o fazem de uma forma mais intensa.

- Comecei a correr ainda antes do livro ser lançado e a sua leitura ajudou-me. Que conselho me daria, tendo em conta que passei alguns anos sem praticar nada, tive asma e estava com excesso de peso?

Um conselho baseado num ditado: “ A dose faz o veneno”. Pouco é muito pouco, muito é exagero…

 

Fotos: DR