Entrevista – Do Barreiro para a maior favela do mundo

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Aos 26 anos, Marta Baeta é  uma miúda sonhadora que quer tornar o Mundo num lugar melhor. Vive entre o Barreiro e a Kibera, uma favela do Quénia. É viciada em sol e em praia, em viagens e em sair com os amigos. Adora comer e dançar. Agora até já gosta da sensação de ser emigrante. 
Esteve 3 anos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa a estudar Química mas no 3º ano desistiu, não era aquilo que queria fazer e mudou para a Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa para estudar Relações Públicas e Comunicação Empresarial, foi ai que se licenciou, depois de 3 anos como Vice-Presidente da Associação de Estudantes da ESCS, de vários estágios e de mil actividades extra-curriculares.

Já foram garantidos 160 anos escolares e 60 mil refeições.

P: Como chegaste até ao voluntariado?

Fiz sempre voluntariado. Em criança fui escuteira. A minha avó foi toda a vida voluntária na Cruz Vermelha Portuguesa e eu acompanhei-a sempre. Na escola participei sempre na confecção dos cabazes de Natal para as famílias mais necessitadas e ainda hoje quando estou em Portugal no Natal (o que é raro) tento sempre passar essa noite com crianças de instituições. Os meus pais sempre me educaram a ajudar o próximo e desde pequena que sempre participámos em várias campanhas de angariação de fundos e de bens materiais e sempre que via alguém na rua a passar dificuldades acabava por levar um cobertor, alguma comida e o que fosse necessário.Fiz voluntariado com animais abandonados, com sem abrigo, com crianças com deficiência, dei explicações em bairros problemáticos de Lisboa e fiz várias formações de voluntariado internacional.Sempre recolhi em minha casa animais de rua e no Brasil quando fiz intercâmbio universitário fui família de acolhimento temporária de 8 cães. Digamos que o voluntariado foi sempre uma constante na minha vida.

P: Através de que instituições praticaste voluntariado?

Através da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita, da Comunidade Vida e Paz, do Banco Voluntariado de Lisboa, da CASA – Centro de Apoio ao Sem abrigo, na Casa de Saúde Mental do Telhar, do GASNova.

P: Quantas experiências tiveste e e que países

Três. Em Portugal, Brasil e Quénia.

P: O que sentiste ao chegar ao primeiro local de missão?

Que não era real e que era impossível (sobre)viver-se ali, naquelas condições. O cheiro era nauseabundo, havia lixo e lama por todo o lado. Muitas pessoas a andar rápido e de um lado para o outro. Ruelas e mais ruelas, as casas pareciam todas iguais e o caminho para chegar à escola era enorme. Sentia muito medo ao início, as coisas em Kibera há uns anos atrás também eram mais perigosas. E eu era uma miúda quando fui a primeira vez para lá. Havia muitas crianças e animais também pelas ruas, no meio do lixo a vasculharem, à procura de comida e de brinquedos e de coisas com que se entreterem. Havia música por todo o lado e com o passar do tempo entendi que aquela gente apesar de não ter nada e de viver no pior lugar do mundo era feliz. Hoje em dia já nada me faz grande confusão, já acho tudo normal e acho que Kibera é um bom local para se viver.

P: O que mudou em ti depois do voluntariado?

Fiquei muito mais madura, ao longo destes anos sinto que cresci imenso. Fiquei muito mais tolerante e com uma maior capacidade para aceitar tudo. Também há coisas más…eu nunca fui muito pontual, agora ainda sou menos. Quando se marca algum encontro / reunião no Quénia tens sempre de referir que não é Quenian Time, porque se não a coisa pode atrasar-se várias horas. E eu herdei isso deles, fiquei ainda pior. Agora poucas coisas do nosso mundo me deixam mesmo preocupada e me afligem.

P: Como nasceu o From Kibera with love?

Depois da minha experiência enquanto voluntária, quando regressei a Portugal entendi que as pessoas que já tinham ajudado as crianças queriam continuar a ajudá-las e estavam realmente empenhadas e decididas a mudar as suas vidas. Entretanto foram aparecendo cada vez mais pessoas interessadas em ajudar e em contribuir para o que eu estava a criar e a começar. As pessoas perguntavam quando iria voltar ao Quénia, sendo que nessa altura isso era algo que ainda não passava pela minha cabeça. Achava que não iria voltar tão cedo. As pessoas questionavam sobre a educação dos miúdos no ano seguinte e como seria se eles ficassem doentes etc. Ao mesmo tempo a ajuda que foi chegando era cada vez maior e eu comecei a perceber que podia fazer algo mais e podia realmente continuar o que tinha começado sem me aperceber. A partir daí foi uma bola de neve, foi chegando cada vez mais ajuda, cada vez mais pessoas ficavam a conhecer o projecto e era cada vez mais fácil fazer mais coisas por estas crianças e de forma a tornar a vida delas melhor.

P: O que já foi feito e o que falta fazer?

Já foram garantidos 160 anos escolares e 60 mil refeições. Mas o mais importante é a mudança na vida destas crianças. Quando as conheci elas estudavam em escolas sem qualquer condição, sem material escolar, sem uma refeição por dia. Agora algumas delas estão numa das melhores escolas de Nairobi com resultados excelentes.Estas crianças neste momento estudam em escolas onde o ensino é oficial, onde os professores são muito exigentes, onde se aprende e se fala em inglês. Onde têm acesso a água potável e filtrada, onde fazem uma alimentação rica e variada. Têm actividades extra curriculares (ballet, natação, aulas de computador, grupo de dança e equipa de futebol). Já tiveram experiências e dias maravilhosos (piscina, parque infantil, insufláveis, pinturas faciais, cinema). Finalmente sabem o que é uma festa de anos, até agora nunca ninguém tinha celebrado o seu aniversário. Fiz obras e coloquei luz natural na escola onde comecei por ser voluntária, deixou de chover dentro da escola e as condições de esgoto foram melhoradas.

Estão 4 jovens no ensino secundário e pelo menos 2 deles irão para a universidade. Melhoramentos nas casas das famílias apoiadas pelo projecto através da aquisição de camas, mesas, fogão a carvão, caixas de lata onde guardam os pertences, colchões, redes mosquiteiras. Apoio médico gratuito , desde consulta a medicação a exames e a curativos.  Criados 5 postos de trabalho e melhoria de 3 outros negócios dos pais.

Falta sempre muito, falta melhorar as condições em que estas famílias vivem, falta proporcionar mais experiências únicas a estas crianças para que elas tenham noção do mundo que existe à parte de kibera para que queiram fazer parte dele um dia mais tarde. Falta trabalhar mais no planeamento familiar.

P: Que apoios tens?

Só apoios de pessoas em particular, de grupos de amigos que se juntam e de grupos de colegas de trabalho que decidem enquanto ‘empresa’ ajudar. Não há financiamentos nem patrocínios. Mas os portugueses realmente são extraordinários e extremamente solidários. Só assim foi possível chegar onde cheguei.

Há algumas escolas que se associaram ao projecto e que são parceiros fantásticos, o Colégio Minerva por exemplo realiza ao longo do ano diversas actividades de angariação de fundos e tenta que realmente toda a comunidade escolar se envolva com o projecto.

P: Como é que os interessados podem apoiar o projecto?

Podem visitar o nosso facebook e ficar a conhecer um pouco mais da história destas crianças e das suas famílias. Podem dar a conhecer o projecto a mais pessoas. Podem apadrinhar uma criança garantindo assim a continuação do acesso à educação da mesma. Podem realizar um actividade de angariação de fundos para o projecto (concerto, caminhada, festa, espectáculo, aula de zumba, de yoga). Podem efectuar um donativo pontual ou como resposta aos apelos que vou fazendo no facebook. Podem adquirir o artesanato que temos para venda no facebook e que vamos vendendo em feiras e mercados, todo feito pelos pais das crianças e por membros da comunidade de Kibera.

 
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P: Vieste a Portugal para promover o projecto. Que feedback e apoios obtiveste?

Sempre que venho a Portugal tento dar a conhecer o From Kibera With Love a mais pessoas e angariar mais fundos. Só assim é possível dar continuidade ao trabalho já feito. Desta vez está a correr realmente muito bem, estou a conseguir chegar a cada vez mais pessoas, temos já 2 núcleos de voluntários a funcionarem de forma independente, para além do que já existe no Barreiro / Lisboa, agora temos no Porto e nos Açores, no Pico. Durante estas 2 semanas que já passaram realizaram-se dezenas de actividades de angariação de fundos e de divulgação do projecto , todas elas com enorme sucesso e adesão. Os objectivos semanais a que me propus têm sido todos atingidos e estou a conseguir criar novas parcerias, com escolas, marcas já existentes e a angariar novos doadores e padrinhos.

P: Do que mais sentes falta no Quénia?

Da minha família, dos meus amigos e dos meus animais, como é óbvio.Da boa comida portuguesa, das nossas praias, da liberdade de andar sozinha na rua sem que ninguém me aborde e sem estar sempre alerta para os perigos. De vestir o que quero sem que me incomodem na rua, de sair à noite de casa sem pensar será que vai correr tudo bem.Do conforto do meu lar, de puder abrir uma torneira e beber água, de ter uma casa de banho normal, de tomar banho sem ser num alguidar com um jarro de água. Sinto falta da civilização, dos bons modos e bons hábitos que nós temos. Das ruas limpas, dos meios de transporte que funcionam, de me sentar numa esplanada ao sol.

P: Estão outros portugueses lá como a Diana Vasconcelos, como se relacionam?

Só recentemente comecei a relacionar-me com os portugueses que também vivem em Nairobi ou que visitam frequentemente Nairobi em trabalho, são para além de bons amigos, um escape para os problemas e para o stress que vivo em Kibera. Há um grande espírito de entre ajuda entre os portugueses e eles de alguma forma protegem-me e têm um carinho especial por mim, por ser a mais nova do grupo, pelo que faço, pelas condições em que vivo e pela vida que escolhi para mim no Quénia.  Recebi a Diana muito bem quando ela chegou a Nairobi, posso dizer que fui uma boa anfitriã, dei-lhe todas as dicas que pude e todos os conselhos. Entretanto cada uma tem a sua vida. Vejo-a muito pouco mas quando nos vemos é uma festa.

P: O que te faz voltar ao Quénia? As crianças?

São as crianças sem dúvida, desde o primeiro dia que tudo o que faço e tudo aquilo a que me sujeito é por elas. E se optei por dedicar todo o meu tempo e energia a estas crianças é porque elas são simplesmente maravilhosas e não têm culpa do lugar em que nasceram.Mesmo quando fui ameaçada de morte e regressei ao Quénia uns meses depois, apesar de ir cheia de medo e com o coração apertado, havia algo que me movia e que não me permitia desistir, eram elas, eram os sorrisos delas e a força delas para continuarem a sobreviver neste mundo.

P: Tens outros projectos em mente ?

Sim mas por enquanto são segredo!  Mas passam por continuar em Kibera e também prestar ajuda em outros países, nomeadamente em Portugal.

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Voluntariado – um testemunho na primeira pessoa

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Beatriz Santos e Sousa Jesus tem 19 anos,  nasceu em Leiria, onde viveu até aos 14 anos, residindo, desde então, em Lisboa. Frequenta o 2º ano de Economia na Católica Lisbon School of Business and Economics e ambiciona uma carreira na área da consultoria ou na Banca. Um mestrado em gestão ou finanças será o próximo passo.

As viagens e o voluntariado são duas das suas paixões e o exercício físico, a ajuda no estudo e a catequese fazem parte das suas actividades.

É uma experiência para a vida, que não deixa ninguém indiferente.

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P: Com que idade começaste a fazer voluntariado?
No primeiro verão em que fui, tinha 18 anos.

P: Qual foi a tua principal motivação?

Senti que teria 3 meses de férias e a ideia de me pôr ao serviço dos outros durante um mês interessou-me bastante.

P: Através de que Instituição praticaste voluntariado? 
Integrei um grupo de 15 jovens, que foi conduzido pelo movimento católico Schoenstatt.

P: Quantas experiências tiveste e em que países?
Desenvolvemos duas missões, em verões consecutivos, em Bafatá, na Guiné-Bissau.

P: O que sentiste ao chegar ao primeiro local de missão?
O primeiro impacto é sempre duro, visto ser uma realidade totalmente oposta aquela em que vivo diariamente. No entanto, com o passar dos dias, e à medida que conhecia os guineenses, fui-me sentindo cada vez mais em casa. Começamos gradualmente a deixar de lado as diferenças, e a agarrar-nos aquilo em que somos todos iguais. Passado uma semana (ou nem tanto), já me sentia mesmo “encaixada” naquela comunidade.

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P: O que mudou em ti depois do voluntariado?
Experiências como esta nunca nos deixam indiferentes. Pessoalmente, mudei a minha visão do mundo e do dia-a-dia. Cheguei ao meu quarto e senti-me mesmo desconfortável. Pensar que naqueles 10 ou 15 metros quadrados tenho mais comodidades e objetos do que a maioria dos guineenses tem na sua casa toda, é algo perturbador… E coisas como deixar a torneira aberta enquanto lavo os dentes agora, que experienciei o quão escassa a água potável, por exemplo na Guiné, é para mim, hoje, impensável.

P: Achas que mudaste a vida de alguém nas acções em que participaste?
Todos nós tivemos certamente um papel importante na vida das pessoas com quem nos cruzámos em Bafatá, tal como eles tiveram na nossa. Ensinamos-lhes imensas coisas, mas acho que quem aprendeu mais, no final de contas, fomos mesmo nós. Aprendemos o que é ser simples, humilde, grato e, sobretudo, feliz com aquilo que temos (que é tão mais do que julgamos, à primeira vista…).

P: O que mais te marcou nelas?
Sem dúvida o grupo de jovens com quem lidámos. A nossa Missão desenvolveu-se durante três verões consecutivos, entre 15 portugueses e 15 guineenses, com o intuito de lhes transmitir este “bichinho” da Missão, de modo a que, no futuro, fossem eles os protagonistas da Missão Guiné, visto que não tornaremos a voltar lá, pelo menos num futuro próximo. Eles valorizaram tanto a nossa ida até eles, e a nossa atenção, que frequentemente nos comovíamos.

Outra coisa que me marcou imenso foram as idas ao hospital, completamente desprovido de condições básicas, e com tantas situações tristes, como casos de crianças subnutridas, mães muito jovens, etc.

P: Vais repetir a experiência?
A Missão Guiné já foi concluída, depois de três anos em cheio. E eu tive a sorte de poder participar em dois desses três anos. No entanto, com o fim dos estudos a aproximar-se, a disponibilidade será certamente cada vez mais escassa. Espero sinceramente vir a desenvolver algo do género no futuro, pois é em experiências como esta que se dá valor ao que se tem, que se cresce interiormente e se percebe o que é ser genuinamente feliz, através de todos os testemunhos com que nos cruzamos.

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P: O que dirias a quem pensasse em fazer voluntariado? 
“Porque é que ainda não te inscreveste?”. Sinceramente, acho que é um grande passo. No meu primeiro ano estava muito reticente e com algum medo, não vou esconder. Mas quando se está lá e se vivem grandes momentos, como os que nós tivemos a sorte de viver, não se quer voltar a Portugal!

É uma experiência para a vida, que não deixa ninguém indiferente.

 

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Maria Modista – uma escola de costura contemporânea

MMx2Num andar, em Lisboa, reside a Maria Modista, uma costureira alegre, simpática e cheia de vivacidade. Com a linha pronta na agulha, reúne todos os conhecimentos para ensinar as técnicas mais actuais e ajudar a tornar as ideias das suas alunas em peças únicas e perfeitas para cada estilo pessoal.
Eu pensava que esta ideia não ia chegar a muitas pessoas, não tinha noção que tanta gente tinha o gosto, tal como eu, de aprender a costurar.

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A Excelência Portugal quis saber mais sobre este projecto e foi conhecer pessoalmente a Maria Modista, uma escola de costura original desenvolvida por Filipa Bibe.

Deparámos com um negócio de sucesso que veio despertar a arte do “Corte e Costura”, há demasiado tempo guardada na sabedoria das nossas avós, e deixar qualquer pessoa com a vontade de aprender.

 

Como é que nasceu a Maria Modista?
A Maria Modista nasceu depois de eu estar à procura de sítios onde pudesse aprender melhor a costurar. Eu já sabia trabalhar com a máquina e algumas técnicas básicas mas queria desenvolver mais para poder criar peças para mim e dentro do meu estilo.

Mas tudo o que encontrava era muito tradicional e antiquado! Existiam opções lá fora mas era tudo muito caro. Depois desta procura frustrada, surgiu a ideia de criar um espaço  onde se pudesse aprender a costurar peças mais contemporâneas e com técnicas mais actuais.
 
 
Então a Filipa não tinha formação particular na área?
Embora já tivesse o contacto com a costura, não é a minha área de formação! Antes da Maria Modista tinha um escritório de Contabilidade e trabalhava nesta área. No entanto,  já estava desmotivada e como a costura era para mim um prazer, pensei que talvez fosse uma boa ideia e que mais pessoas estivessem à procura de uma escola com estas características.
 
 
Como foi tornar esta ideia em realidade?
Na altura falei com a minha sócia da Contabilidade, a Patrícia Pinta, que decidiu abraçar também o projecto. Começámos por estar numa sala do nosso escritório e quando o projecto começou a crescer tivemos a necessidade de maior espaço e viemos para este andar. Agora, para além deste espaço em Lisboa, temos já três espaços em Oeiras, Torres Vedras e no Porto.
 
 
Quando começou a ganhar consciência que era um projecto de sucesso?
A partir do sexto mês comecei a perceber que o projecto ia mesmo crescer. Neste momento, a Maria Modista é o meu trabalho a tempo inteiro!
 
 
De que forma foi feito o financiamento?
Ao contrário da nossa empresa de Contabilidade, o financiamento foi todo conseguido através de um empréstimo bancário. Como o investimento não era grande, não sentimos grande obstáculos.

Começar um negócio não é fácil e inúmeras dificuldades aparecerem no caminho. No caso da Maria Modista, qual foi o maior desafio?
Professoras, arranjar professoras! Isto porque queríamos uma técnica mais moderna e fugir um bocado ao conceito da costureira muito antiga. Entretanto vimos que existiam outras formações e o perfeito é conseguir conciliar as duas. Isto porque a costureira mais antiga tem uma experiência de uma vida, o que é fantástico,  e as mais novas tem outras técnicas. Quando misturamos os dois conhecimentos conseguimos ir ao encontro das necessidades e conceito da Maria Modista.
 
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Neste momento o projecto conta já com três anos. Como tem sido a aceitação?
Eu pensava que esta ideia não ia chegar a muitas pessoas, não tinha noção que tanta gente tinha o gosto, tal como eu, de aprender a costurar. De fazer roupa para si, para os filhos ou mesmo para começar um próprio negócio. Tem tido um balanço muito positivo!
 
Sente que de alguma forma o clima de crise possa ajudar no sucesso dos negócios Do it yourself ?
Sem dúvida!
Se por um lado as pessoas percebem que aqui podem criar peças para o seu próprio guarda roupa,  por outro algumas alunas criam os seus próprios negócios através do que aprendem aqui. A Maria Modista acaba por incentivar o empreendedorismo neste sentido, dando asas a que se explore outras capacidades.
 
 
Qual o perfil da aluna da Maria Modista?
A maior parte das alunas tem idade entre os 18 e os 45. Temos também algumas avós, mais dinâmicas, que fazem muito roupa para os netos. Homens são poucos, mas vão aparecendo!
 
E quando começaram, vinham já com alguma experiência?
A maior parte vêm sem experiência nenhuma, começam do zero. Depois algumas alunas têm já alguma experiência e vêm aperfeiçoar as suas técnicas e criar peças para si.
 
Os cursos são o produto principal da Maria Modista. Como funcionam?
Os cursos funcionam em três horários: de manhã, tarde ou pós-laboral.  Pode-se escolher um dos horários entre uma a cinco vezes por semana e depois fica-se inserida numa turma. Aqui as professoras estão focadas nas necessidades das alunas, tendo uma atenção muito especializada. Algumas alunas chegam já com fotografias do que querem fazer ou uma peça que está estragada e querem fazer algo parecido. ´cada aluna pode estar a fazer uma peça diferente das outras.
Ao início começasse por fazer peças mais simples e depois vai-se desenvolvendo na autonomia e na complexidade. Apenas é necessário trazer os tecidos pois temos no espaço todo o material de costura necessário.
 
Os workshops são um produto diferente certo?
Sim, são mais direccionados para quem não pode ter as aulas durante a semana. Funcionam ao fim-de-semana e têm sempre um tema que pode ser iniciação, roupa de bebé ou biquínis. Existem muitos temas disponíveis e a calendarização pode ser vista no nosso site.
 
Cada vez aparecem no mercado opções no que toca a aprender conhecimentos tradicionais que de certa forma ganham agora outra vida. De que forma é que a Maria Modista se destaca na sua concorrência?
Como fomos as primeiras criamos logo maior impacto.
Para além disso, apostamos muito na imagem. Muito muito muito! Estamos muito presentes nas redes sociais e sinto que tem sido uma aposta ganha. Faz toda a diferença! A Maria Modista foi lançada numa altura que se tornou moda as negócios nas redes sociais o que acabou por nos ajudar na divulgação.
 
Sente que de alguma forma o clima de crise possa ajudar no sucesso dos negócios Do it yourself ?
Sem dúvida!
Se por um lado as pessoas percebem que aqui podem criar peças para o seu próprio guarda roupa, por outro algumas alunas criam os seus próprios negócios através do que aprendem aqui. A Maria Modista acaba por incentivar o empreendedorismo neste sentido, dando asas a que se explore outras capacidades. Existem algumas marcas que foram criadas por alunas desempregadas que, tal como eu, viram na costura uma forma de trabalhar numa área que gostam.
 
A Maria Modista já criou o seu próprio livro para que cada vez mais pessoas possam descobrir o mundo da costura. Como é que foi idealizado?
O livro tem os projectos que são mais pedidos nas aulas pelas nossas alunas.
Não é necessário grande experiência, apenas conhecer a dinâmica da máquina.
Lançámos o livro em Novembro e da última vez que contactei a editora foram vendidos 1500 unidades, embora sejam um número sem considerar o último mês.
Está acessível nas várias livrarias e grandes superfícies e custa 22 euros.
 
Os projectos para o futuro, quais são?
O nosso projecto futuro é conseguir alargar a marcar através de Franchising. Temos já uma escola recentemente aberta em Torres Vedras e estamos a trabalhar em novos pedidos. A ideia seria manter a marca Maria Modista mas expandir para outras locais.
 
Se pudesse, que conselhos daria a quem esteja a começar agora o seu próprio negócio?
Não ter medo de correr de correr riscos! Pensar bem naquilo que se gosta de paixão, porque já é meio caminho andado para as coisas correrem bem.
Esta ideia era uma coisa que queria mesmo e adorava concretizar, a contabilidade já não foi tanto assim. A Maria Modista foi feita de coração e realmente quando é assim resulta sempre!
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Entrevista – Marcelo Barbosa, investigador do grupo IFIMUP-IN da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

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Marcelo Barbosa, investigador do grupo IFIMUP-IN da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, ganhou no final do ano passado um prémio atribuído ao melhor poster com trabalho de investigação realizado e apresentado por um jovem investigador na conferência comemorativa dos 50 anos do laboratório de feixes de iões radioactivos ISOLDE-CERN  em Genebra, Suíça.

 

1) Podes contar-nos um pouco da tua história recente. Estás actualmente a realizar o doutoramento, qual é o teu tema?

O meu doutoramento é focado no estudo da estrutura electrónica, estabilidade e posição de átomos dopantes em nano-estruturas e filmes finos de semicondutores de grande largura de banda, como por exemplo Ga2O3, ZnO, GaN e AlN. Para este estudo utilizamos técnicas hiperfinas com núcleos sonda radioactivos.

Estes são materiais de grande interesse a nível tecnológico, nomeadamente para aplicações em nano- e microelectrónica, nano-fotónica e nano-sensores.

 

2) Em que materiais as técnicas hiperfinas são mais úteis e que informação é possível retirar sobre os materiais estudados por esta técnica?

Técnicas hiperfinas são todos os dias utilizadas nos hospitais quando se faz, por exemplo, um exame de ressonância magnética nuclear. A informação que se obtém é muito local, à escala do átomo sonda que vê o que se passa na sua vizinhança imediata. Nós utilizamos átomos radiaoctivos para ter acesso a sondas de muitos elementos diferentes, com propriedades diferentes e assim colectar uma informação mais completa do comportamento de certos elementos nos materiais.

Nas nossas medidas experimentais, é introduzida uma pequeníssima quantidade de átomos de um elemento radioactivo no material em estudo, os quais vão funcionar como sondas “hiperfinas”. A radiação que esses átomos libertam durante o seu decaimento permite-nos obter informação sobre o ambiente em seu redor à escala dos nanómetros, ou seja, permite-nos estudar propriedades do material onde se encontram a uma escala mais pequena do que qualquer microscópio permitiria. Desta forma, podemos por exemplo localizar impurezas e defeitos ao nível atómico, observar mudanças de fase nos materiais, controlar o crescimento de nano-estruturas, ou até mesmo fazer medidas in-vivo, como no estudo das propriedades bioquímicas de proteínas.

São técnicas com uma aplicabilidade bastante abrangente, tendo já sido utilizadas por exemplo no estudo de materiais semicondutores, magnéticos, multiferróicos, em grafeno, nanopartículas e em compostos biológicos como proteínas e DNA.

 

3) Em que medida o teu trabalho contribuiu para o desenvolvimento da técnica hiperfina?

A técnica hiperfina com a qual tenho estado a trabalhar baseia-se na medição da distribuição de carga eléctrica à volta das sondas (átomos) radioactivas que são inseridas nos materiais em estudo. É através da distribuição de carga que conseguimos por exemplo dizer qual a posição atómica das sondas, quem são os átomos vizinhos, quais as impurezas ou defeitos existentes, etc. Nestas circunstâncias, a distribuição de carga é constante ao longo da medida.

O meu trabalho tem sido o desenvolvimento de ferramentas que permitem o uso desta técnica em situações em que a distribuição de carga varia ao longo da medida, permitindo-nos, por exemplo, observar a recuperação electrónica depois de “arrancarmos” um electrão à nossa sonda. Essa recuperação é feita por electrões cedidos pelo material onde se encontra a sonda, ou seja, este tipo de medidas dá-nos informação sobre a facilidade com que os electrões se movem ou não no material, onde eles se vão fixar, mesmo que temporariamente,  e qual a sua concentração.   

 

4) Especificamente, podes desenvolver um pouco sobre o trabalho que apresentaste no CERN?

No trabalho que apresentei no CERN foi usada uma técnica hiperfina em amostras de Ga2O3 após implantação de iões radioactivos de cádmio e índio, com o objectivo de se determinar a localização de sondas de cádmio e as propriedades electrónicas à volta desses átomos de cádmio nesse material.

Ga2O3 pertence aos denominados óxidos condutores transparentes e é um material bastante promissor para aplicações em fotónica. No entanto, a dopagem do tipo-p (excesso de cargas positivas) necessária para a utilização deste material a nível tecnológico ainda não foi conseguida, sendo que o cádmio é um dos candidatos mais promissores para este tipo de dopagem.

 

5) Parte do teu trabalho experimental é realizado no ISOLDE, no CERN. O que achas que melhor distingue este centro de excelência? Em que medida julgas que contribuiu para a tua educação científica?

O ISOLDE-CERN é reconhecido como o laboratório líder a nível mundial na produção de isótopos radioactivos exóticos. Neste momento, o ISOLDE produz mais de 1000 isótopos e isómeros de 75 elementos químicos, os quais podem ser usados sob a forma de feixe de iões altamente puros. Tendo em conta que o uso de técnicas hiperfinas depende do acesso a isótopos radioactivos, é imediato perceber a enorme vantagem que é poder usufruir de uma infraestrutura como o ISOLDE. Para além disso, o ISOLDE faz parte do CERN, uma das melhores instituições de investigação científica a nível mundial, onde trabalham alguns dos melhores cientistas da actualidade. Poder trabalhar numa instituição desta dimensão e importância é uma oportunidade única pois tem-se acesso a condições laboratoriais únicas, associado ao facto de se trabalhar em colaboração com os maiores especialistas na minha área de investigação. O conhecimento e experiência que tenho vindo a adquirir no CERN em termos de física nuclear e física dos materiais dificilmente conseguiria em algum outro lugar.  

 

6) Grande parte do trabalho realizado no CERN pode ser considerado de Física fundamental, como a descoberta do bosão de Higgs há dois anos. Como classificas a importância deste tipo de estudo e como achas que se enquadra no contexto actual?

A descoberta do bosão de Higgs foi um dos momentos mais marcantes dos últimos anos para a comunidade científica, mas para as pessoas fora da ciência nem sempre é fácil compreenderem os elevados gastos que experiências deste calibre têm quando não parecem ter aplicações práticas no dia-a-dia, mas todo o desenvolvimento tecnológico necessário para as realizar tem grande impacto a um nível mais geral. A World Wide Web e o HTML, as duas bases daquilo que para nós é a internet hoje em dia, foram desenvolvidas no CERN para facilitar a partilha de resultados experimentais entre cientistas. Um dos primeiros touchscreens a ser construído (e provavelmente o primeiro a ser usado em termos práticos) também foi criado no CERN, para a sala de controlo de um dos aceleradores de partículas. Foram tudo invenções com objectivos científicos e que hoje são usados por quase toda a gente.

 

7) Neste contexto, como posicionas a importância da tua própria investigação.

A minha investigação é feita num ramo mais aplicado da Física aos materiais. Usamos técnicas únicas – que produzem informação – a um nível muito científico e fundamental, ou seja, apesar dos meus resultados poderem vir a ser importantes em aplicações tecnológicas futuras, o meu interesse é na explicação física dos fenómenos que observamos e não em como os podemos usar em termos práticos. Todavia – quase todos os materiais que estudamos se tornaram interessantes por terem potenciais aplicações e problemas por resolver e compreender – é essa a nossa tarefa!

 

8) Voltando ao contexto nacional, como caracterizas o estado da ciência nacional e em que medida achas que o CERN contribuiu para a ciência nacional.

Toda a gente está a sentir a crise que se vive neste momento no nosso país, e a comunidade científica não é excepção. Têm sido feitos cortes enormes no apoio às universidades e institutos de investigação, já para não falar na dificuldade cada vez maior em se conseguirem bolsas de doutoramento ou posições como investigador. Hoje em dia é quase ilusório pensar-se em fazer uma carreira científica em Portugal  tal é a dificuldade em se obterem bolsas de doutoramento e pós-doutoramento ou, pior ainda, conseguir-se um contrato como investigador. Além disso, quem consegue essas bolsas ou contratos tem os orçamentos muito apertados, o que complica a realização de experiências de qualquer tipo. Mesmo assim continua-se a fazer ciência de topo no nosso país, temos cientistas muito bons cá. No CERN existem imensos portugueses a trabalhar, mas existem ainda mais que como eu vão lá fazer experiências por curtos períodos de tempo e voltam, trabalhando em nome de institutos portugueses, por isso eu diria que o CERN tem sido um bom impulsionador da ciência nacional.

 

9) E no futuro, o que gostarias de fazer depois de terminado o doutoramento?

Eu gostaria de continuar a fazer carreira como investigador, por isso depois de terminado o doutoramento tudo aponta para que concorra a um pós-doutoramento, que é o caminho mais natural para quem quer continuar a fazer investigação.

 

foto: DR

Rita Vilaça em entrevista

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Rita Vilaça é uma das nossas jovens tenistas que mais se tem destacado. Aos 21 anos, a atleta bracarense conjuga a alta competição com a frequência do 4.º ano da licenciatura em Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto. e de um estágio curricular no Observatório de Economia e Gestão de Fraude sediado na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

A atleta tem participado em vários torneios internacionais com vista ao incremento do seu nível competitivo e progressão no ranking internacional. Em 2014, Rita Vilaça participou em três torneios no Brasil, dois na Croácia, dois em Espanha, um na Tunísia e três torneios em Portugal. Nestes últimos inclui-se o Portugal Open. Este ano, a tenista bracarense sagrou-se
campeã nacional de pares femininos e de pares mistos no campeonato nacional absoluto de séniores.

A EXCELÊNCIA PORTUGAL quis saber mais e entrevistou a atleta.

3ball_small- Com que idade ingressaste no ténis?

R: Com 8 anos. Os meus pais procuraram que eu praticasse uma modalidade desportiva – e entre a natação e o ténis, preferi o ténis.

- O facto de residires em Braga provocou algum constrangimento?

R: Sendo a minha cidade natal, sinto um carinho especial por todas as pessoas ao qual a associo e a todas as vivências que aí tive e tenho. No entanto, tenho consciência que o facto de residir numa cidade descentralizada limitou algum progresso na minha carreira desportiva. Nomeadamente o acesso a centros de treino, treinos com maior variedade de atletas, bem como a visibilidade para a aquisição de patrocínios.

- Como consegues conjugar uma atividade desportiva tão intensa com os estudos?

R: É um constante desafio conciliar o aumento das minhas qualificações académicas com a minha carreira desportiva. Estou ciente que ainda não atingi o nível que ambiciono em termos tenísticos pois não só optei por estudar como também já me encontro a realizar o estágio curricular no Observatório de Economia e Gestão de Fraude. Se falar parece fácil, na prática é muito mais difícil. Agilizo o horário académico com o horário desportivo e planeio antecipadamente as minhas ausências. Admito ser possível devido ao apoio familiar, bem como dos professores, treinadores, amigos e mesmo, apenas conhecidos, que obtenho a força e motivação necessárias. Atrevo-me a afirmar que apenas sou a estudante que sou pela atleta que existe em mim e vice-versa.

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- Já participaste no Portugal Open. Que importância tem este torneio para o ténis nacional?  Como sentiste a possibilidade da sua não realização?

R: Tive a oportunidade e gratificação de participar por diversas vezes no Portugal Open e como tal, não posso deixar de referir o prestígio e realização pessoal que o evento acarreta para os jogadores. Quer as atletas portuguesas que um dia participaram no evento, mas também, atletas que no futuro marcariam presença, com a não realização do Portugal Open, ver-se-ão na impossibilidade de participar num WTA e sem o torneio que mais motivação atribuí ao Ténis português.

- Como vês o ténis nacional atualmente e como vêm os atletas estrangeiros com quem te deparas?

R: O ténis nacional tem alcançado feitos importantes não só com o aparecimento de atletas Portugueses de referência internacional, como o caso do João Sousa, como também de profissionais deste desporto, por exemplo, de juiz árbitros e treinadores que são internacionalmente reconhecidos. Paralelamente a isto, nos últimos anos tem aumentado significativamente o número de torneios ITF realizados em Portugal. Este facto é percecionado não só pelos atletas portugueses, como pelos estrangeiros.

No entanto, realço que infelizmente isto verifica-se apenas na vertente masculina pois a vertente feminina tem tido uma tendência contrária. Isto prejudica praticantes da modalidade que não têm possibilidade de viajar para o estrangeiro e também não motiva as jogadoras que procuram começar ou introduzir-se neste meio. Não podendo competir em Portugal, temos que procurar essa oportunidade no estrangeiro o que, mais uma vez, acarreta custos e que na presença de um orçamento limitado, faz com que, o número de torneios que se possa jogar seja inferior e até mesmo reduzido.

- Qual o/a tenista nacional de todos os tempos que mais admiras?

R: Não posso deixar de referir o atleta nacional que mais tem evoluído nos últimos tempos, o João Sousa. Sem desprestigiar os diversos atletas nacionais que todos os anos têm levado o nome de Portugal além-fronteiras.

- Num país que quase só dá atenção ao futebol, tens conseguido patrocínios?

R: Não. Atualmente encontro-me numa fase onde a participação em torneios internacionais é imprescindível para que o meu nível competitivo consiga ser alavancado conjuntamente com o ranking internacional e que me proporcione alcançar resultados positivos. Para conseguir participar nestes torneios os encargos financeiros são avultados pelo que frequentemente realizo pedidos na expetativa que me possam de alguma forma patrocinar este tipo de iniciativa. O patrocínio pode ser através da aquisição de equipamento, vestuário, comparticipação nas deslocações e estadas, entre outros. Para ajudar à divulgação e visibilidade dos patrocinadores, em 2014, foi elaborada a minha página oficial: https://www.facebook.com/ritavilacaofficial

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- Singulares ou pares? ou ambos?

R: Singulares. No entanto, os jogos de pares, apesar de também serem uma forma de obter ritmo, são competições que trabalham outros aspetos do meu jogo, tais como os aspetos mentais, podendo posteriormente ser aplicados às competições de singulares. Assim, encaro estes jogos como um complemento, onde de alguma forma partilho o jogo com um parceiro dentro das quatro linhas o que é algo que não se encontra nos desportos individuais (vertente de singulares). A participação nos quadros de pares encontra-se associada à necessidade de colmatar algumas despesas, uma vez que, apesar de reduzido, o price money sempre ajuda.

- Este ano apostaste forte em torneios do circuito ITF. como avalias os resultados?

R: A aposta em torneios do circuito ITF tem sido realizada nos últimos anos. Em 2014, voltei a apostar neste circuito e foi positivo na medida que sinto que estou a ganhar mais confiança e a desempenhar cada vez melhor aquilo que tenho treinado. Não deixa de ser um processo evolutivo e que as próprias vitórias e derrotas são construtivas.

- Quais as tuas expectativas para 2015?

R: As minhas expetativas vão-se ajustando às minhas prestações nos torneios e também aos patrocínios que conseguir estabelecer no início deste ano, uma vez que o sucesso na obtenção de patrocínios permite a escolha dos torneios a participar.

 

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Fotos:
DR
Rita Vilaça

Agradecimentos:
Btennis.pt
Paulo Moroso
www.facebook.com/ritavilacaofficial

 

Teresa Almeida: “Somos realmente um país de excelência !”

Teresa Almeida

A atleta portuguesa conquistou, a 12 de Dezembro, a medalha de ouro no Campeonato do Mundo de Bodyboard da ISA realizado no Chile. Há 16 anos que o título feminino não vinha para Portugal.

A Excelência Portugal quis saber mais e entrevistou a atleta.

Teresa Almeida


Nome:
Teresa Almeida

Data de nascimento: 21.05.1992
Naturalidade: Alcobaça
Praias/ondas preferidas: Praia do Norte – Nazaré
Formação académica: Licenciada em Ciências do Desporto
Tempo de Bodyboard: 9 anos
Melhor classificaçação no circuito nacional: Campeã nacional Sub 18 (2010) e Vice-campeã nacional open (2013)
Melhor classificaçação europeia: Vice-campeã europeia júnior (2011) e Vice-campeã europeia open (2014)
Melhor classificaçação mundial: Campeã mundial ISA (2014)
Viagens realizadas: Açores, Madeira, Espanha, França, Marrocos, Indonésia e Chile

Patrocínios: Boogie Chicks, CC Board Center, Onda wetsuits

 

- Com que idade começaste a praticar Bodyboard? Foi o teu primeiro desporto?
Iniciei-me no bodyboard aos 13 anos, no entanto não foi o meu primeiro desporto. Já tinha praticado natação, ténis, ski e snowboard.

 
- O facto de residires na Nazaré teve influência? Como vês a Nazaré após o fenómeno McNamara?
O facto de surfar na Nazaré influenciou o meu percurso e a minha evolução no bodyboard. Temos das melhores ondas para treinar e um nível dentro de água que puxa muito por mim.
Vejo que é muito mais falada e conhecida por todo o Mundo, mesmo por aqueles que não praticam desportos de ondas. Hoje em dia, já são raros os dias bons na Praia Norte em que não há ninguém na água.
 
 
- Como conseguiste conjugar a alta-competição com a licenciatura e mestrado?
Até á licenciatura foi sempre fácil conciliar. Acho que quando fazemos aquilo que gostamos, arranjamos sempre tempo para tudo. Com esforço, organização e estabelecendo bem as prioridades, consegui sempre cumprir com todas as minhas obrigações. Este ano, ao estar a estagiar, no último ano de mestrado, as coisas ficaram mais difíceis e, de modo a fazer as duas coisas da melhor forma, optei por fazer uma pausa no estágio.
 
 
- Também praticas snowboard. Que papel tem esta modalidade nos teus planos futuros?
Esta modalidade é mais uma diversão. Claro que quero evoluir cada vez mais e fazer algumas competições, mas o bodyboard estará sempre em primeiro plano.
 
 
- Como vês o Bodyboard em Portugal? Achas que a modalidade já despertou o interesse dos ptarocinadores? O título já te abriu portas nesta área?
O bodyboard está com um nível altíssimo. Temos atletas a surfar cada vez melhor e a nível competitivo temos óptimos resultados. Penso que não, a modalidade necessita de mais apoio, pois somos um desporto com uma óptima imagem para as marcas. Agumas portas parecem estar a querer abrir, vamos ver…
 
 
- Na final derrotaste três atletas, entre as quais a Neymara Carvalho, brasileira, de 38 anos, que já foi seis vezes campeã mundial. como te sentiste?
Senti-me super feliz e concretizada por poder disputar um titulo com uma pessoa que sempre foi uma referência para mim desde que comecei a surfar … quanto mais conseguir ganhar-lhe !
 
 
- Qual a percepção dos atletas estrangeiros relativamente ao nosso país? Acreditas que somos um país de Excelência?
Cada vez mais, o nosso país e as nossas ondas são reconhecidas lá fora. Eles começam a dar-nos valor. Muitos deles já conhecem as nossas melhores ondas e começam a viajar para cá para as poder surfar.
Somos realmente um país de excelência ! Um país pequeno, que em poucos kms de costa, consegue ter uma diversidade de ondas muito grande e isso permite um grande leque de opções de surf.
 
 
- Quais as tuas expectativas para 2015?
Espero um ano de altas ondas e muita evolução do meu surf principalmente!
A nível competitivo, irei fazer o circuito nacional e europeu e, se possível, irei fazer o circuito mundial.