Equipa da UC recebe financiamento internacional para identificar mecanismo responsável pelo surgimento da doença de Alzheimer

equipa_Ricardo_rodrigues

A perda da memória na doença de Alzheimer resulta da deterioração da comunicação entre neurónios mas, até recentemente, não se sabia como ocorria esta deterioração. Foi agora descoberto que a degeneração e perda de memória dependem do ATP, que funciona como molécula energética no interior das células, mas é um sinal de perigo quando libertado pelas células.

A descoberta é de uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), fruto de sucessivos estudos realizados ao longo da última década, tendo identificado um mecanismo celular ativado pelo ATP. Este mecanismo está presente durante o desenvolvimento neuronal e é anormalmente reativado em modelos animais de doença de Alzheimer, podendo estar na origem da perda de sinapses, que consistem na forma de comunicação entre neurónios e são essenciais para o correto funcionamento neuronal.

A equipa de investigação, coordenada por Ricardo Rodrigues, acaba de ser distinguida com 100 mil dólares pela Alzheimer Association, uma organização voluntária norte-americana para a saúde, sediada em Chicago. A Alzheimer Association é líder mundial no apoio, tratamento e investigação em Alzheimer, quer no financiamento para a investigação para o combate a esta e outras formas de demência, quer no apoio aos doentes de Alzheimer.

O financiamento atribuído à equipa de Ricardo Rodrigues vai permitir avaliar se este novo mecanismo contribui para a perda sináptica e de memória na fase inicial da doença de Alzheimer. “O ATP ativa um recetor na membrana dos neurónios, desencadeando uma cascata de eventos intracelulares que favorece a perda estrutural das sinapses. O recetor para o ATP que identificámos como estando envolvido neste processo degenerativo induz modificações na atividade de proteínas envolvidas na manutenção do esqueleto celular, comprometendo a estabilidade das sinapses”, explica Ricardo Rodrigues. O investigador refere ainda que, “com a demonstração de que o mecanismo agora identificado contribui para a perda das sinapses estaremos mais perto de identificar um alvo terapêutico que impeça o aparecimento da doença de Alzheimer.”

Os investigadores acreditam que este mecanismo característico da fase de desenvolvimento neuronal é reativado em situações patológicas como uma tentativa frustrada de recuperar a normal função cerebral, mas que devido ao contexto inadequado torna-se prejudicial.

Com o financiamento da Alzheimer Associationvamos testar em modelos animais (ratinhos) se o bloqueio deste recetor previne a degeneração sináptica e a perda de memória associada. Em linguagem simples, encontrar uma estratégia terapêutica que evite o surgimento da doença de Alzheimer”, realça o coordenador da pesquisa.

Os investigadores do CNC acreditam ainda que se for determinada uma estratégia eficaz para a doença de Alzheimer, “também será para outras doenças neurodegenerativas, que deverão partilhar este mesmo mecanismo de degeneração e morte celular. No futuro, poderemos ter um único medicamento para tratar diversas patologias que afetam o sistema nervoso central.

Fonte: UC
Foto: DR

O CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental) organiza dia aberto e gratuito com actividades para crianças, jovens e famílias

lab_Joana Saiote_CIIMAR (2)
O CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental) vai celebrar no próximo dia 28 de novembro de 2015, no âmbito da Semana da Ciência e Tecnologia, um dia aberto e gratuito com actividades para crianças, jovens e famílias.

O evento prevê a realização de actividades práticas, actividades experimentais, palestras e visita aos laboratórios do CIIMAR. Esta iniciativa visa assim contribuir para o aumento da educação e da literacia científica, despertar a curiosidade pelas Ciências Marinhas e Ambientais e proporcionar um contacto directo da população com a investigação desenvolvida num centro de investigação.

A entrada no CIIMAR é livre e não sujeita a inscrição obrigatória.

Programa_Dia aberto_CIIMAR 2015 2

Para mais informações contactar: ciimareventos@ciimar.up.pt

Fotos: DR

Seringa a laser: Startup da Universidade de Coimbra lança primeiro produto

2fe421bc-3780-43c8-964e-39cb85f2274c[1]No próximo sábado, dia 28 de novembro, a LaserLeap, uma das mais recentes Startups da Universidade de Coimbra (UC), vai lançar no mercado o seu primeiro produto. A cerimónia tem lugar na Quinta das Lágrimas, pelas 18h30m.

Fundada por um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a LaserLeap Technologies é uma Startup de base tecnológica incubada no Instituto Pedro Nunes (IPN), centrada no desenvolvimento de uma tecnologia, já patenteada, de administração transdérmica e de dispositivos médicos.

A solução LaserLeap (seringa a laser) que agora vai ser lançada no mercado permite a administração rápida e eficaz de fármacos através da pele sem utilização de seringas tradicionais.

Trata-se de uma tecnologia de baixo custo que «assegura a entrega eficiente de cosméticos e medicamentos através da pele, sem dor e sem irritação. Baseia-se na geração de ultrassons de alta frequência, utilizando um laser portátil e um pequeno dispositivo que converte eficientemente os pulsos de luz em ondas de pressão», explica Gonçalo Sá, um dos responsáveis da Startup.

Fonte: UC
Foto: DR

Portuguesa recebe €1,5M para estudar fundamentos de um novo paradigma de sistemas de redes

Alexandra-Silva-01[1]Alexandra Martins da Silva, investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e professora associada na University College London, recebeu um financiamento de €1,5M do Conselho Europeu de Investigação para programar sistemas de redes complexos, uma área de estudo ligada à engenharia de software.

O trabalho que Alexandra Silva vai desenvolver nos próximos cinco anos tem como objetivo projetar novas ideias provenientes de programação, lógica e verificação para a programação de redes. A bolsa do European Research Council (ERC) providencia os meios para formar um grupo de investigação composto por dois investigadores pós-doutorados e dois doutorandos.

“O mundo está cada vez mais conectado e com redes mais complexas, pelo que aquilo que pretendemos fazer no longo prazo é facilitar as tarefas diárias das pessoas e oferecer garantias de confiabilidade dos sistemas usados”, explica a investigadora do Laboratório de Software Confiável (HASLab), o centro de I&D do INESC TEC com sede na Universidade do Minho.

A Engenharia de Software é uma área da computação que lida com tecnologias e práticas que envolvem linguagem de programação, bancos de dados, bibliotecas, ferramentas, plataformas, padrões, processos e questões relacionadas com a qualidade de software.

Do ponto de vista científico, esta área engloba o uso de modelos precisos e abstratos. Alexandra Silva dedica-se ao estudo de modelos abstratos, mais precisamente na área dos métodos formais que tem como objetivo especificar, desenvolver e verificar sistemas software e hardwares confiáveis.

Todos os anos o Conselho Europeu de Investigação financia projetos de investigação que considere de excelência em qualquer disciplina científica, que tenha como objetivo alargar os conhecimentos científicos e tecnológicos, desde que os projetos venham a ser desenvolvidos numa instituição sediada na Europa, sejam inovadores e de vanguarda nas áreas científica e tecnológica e que apresentem excelência científica.

Alexandra Silva vai desenvolver o seu projeto na University College London.

Já em 2013, a investigadora do INESC TEC tinha sido a primeira mulher a vencer o Prémio Científico IBM com o trabalho “Coálgebra de Kleene”, onde generalizava, numa extensão nunca anteriormente pensada, um dos maiores resultados das Ciências da Computação – o teorema de Kleene. Com este trabalho, Alexandra Silva criou linguagens de especificação rigorosas para descrever/prescrever e verificar o comportamento de vários modelos de computação.

Alexandra Silva, de 31 anos, licenciou-se em 2006 em Matemática e Ciências da Computação na Universidade do Minho e doutorou-se com distinção “cum laude” – atribuída apenas em 5% dos casos – na Universidade de Nijmegen, Holanda. Atualmente Alexandra é investigadora do INESC TEC e professora associada na University College London.

Fonte: INESC TEC
Foto: DR

HeartGenetics selecionada como uma das dez melhores “startups” na Cimeira Mundial de Saúde

heartgenetics
A empresa HeartGenetics, instalada no parque tecnológico Biocant, em Cantanhede, foi selecionada como uma das dez melhores “startups” na Cimeira Mundial de Saúde, que decorreu em Berlim.

O consórcio português Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e Universidade de Coimbra emitiu um comunicado a informar que a empresa HeartGenetics, sediada em Cantanhede, distrito de Coimbra, foi selecionada como “uma das dez melhores ‘startups'”, entre cerca de 70 concorrentes de 17 países diferentes, na Cimeira Mundial de Saúde, decorreu em Outubro em Berlim.

A HeartGenetics “desenvolve dispositivos médicos para diagnóstico in vitro focados na área da genética cardiovascular“, informou o consórcio, que agora integra a Aliança M8 – o G8 da Saúde. A empresa portuguesa recorre a testes genéticos associados a ferramentas computacionais, permitindo uma adequação “precisa da terapêutica ao perfil genético de cada indivíduo, com a elaboração automática de relatórios detalhados“. Os produtos desenvolvidos por esta “startup”, resultado de uma ligação entre genética e informática, estão “100% testados e certificados” e “têm capacidade de produzir grandes economias de escala, permitindo obter significativas reduções de custos para diferentes parceiros e em diferentes faixas do mercado“.

Segundo o consórcio, o trabalho desenvolvido pela HeartGenetics permite “acelerar o investimento numa medicina personalizada e de precisão“, ao mesmo tempo que reduz “o valor do número de mortes devido a doenças cardiovasculares“. Na nota de imprensa também é referido que os “testes genéticos são acessíveis, precisos e permitem suportar de forma efetiva o diagnóstico médico“. A “startup” desenvolveu um “teste genético para a determinação do risco de desenvolvimento precoce de hipertensão arterial“, que, sendo utilizado no Serviço Nacional de Saúde, “permite estimar uma redução de custos associados à hipertensão arterial de 300 milhões de euros por ano“.

A Cimeira Mundial de Saúde é a conferência anual da Aliança M8 de Centros Médicos Saúde Académico, Universidades e Academias Nacionais. Esta conferência é organizada em colaboração com autoridades nacionais, academias de ciências em mais de 67 países e está sob o patrocínio do governo alemão.

Foto: DR

Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve integra projecto europeu para estimular aquacultura

ccmar
O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) integra o Aquaexcel 2020, um novo projecto europeu que acaba de ser lançado em Montpellier (França) e tem como objectivo facilitar e suportar o crescimento sustentável do sector aquícola.

O Aquaexcel 2020 é um projecto financiado pelo programa Horizonte 2020, que integra um largo grupo de instituições de investigação ligadas à aquacultura, tendo como objectivo promover avanços e inovação na investigação em aquacultura na europa. Dentro deste projecto, que tem uma duração de cinco anos, um dos aspectos mais importantes é facilitar o acesso subsidiado a infraestruturas de topo, assim como a serviços especializados, quer para investigadores como académicos e empresas.

O Aquaexcel 2020 prevê a integração de 39 estações de topo de aquacultura que vão estudar vários aspectos científicos relevantes, desde as espécies aos sistemas de cultivo. No caso do CCMAR, o Centro coordenará uma importante linha de trabalho, relacionada com a padronização e ferramentas para a aquacultura.

O projeto prevê também o acesso a um único portal de alta qualidade, com serviços e fontes especialmente concebidas de acordo com as necessidades da comunidade europeia de aquacultores.

Cerca de metade do orçamento do projecto, aproximadamente 9 milhões de Euros serão gastos no acesso a esta plataforma transnacional de infraestruturas de investigação e na harmonização de serviços, quer para académicos, quer para o sector privado, nomeadamente indústria e pequenas e médias empresas.

Deste modo, fomenta-se a mobilidade e o acesso gratuito de investigadores e empresários a infraestruturas de topo que não estão disponíveis nos respectivos países de origem.

No âmbito do projecto está ainda prevista a realização de formação, cursos presenciais e à distância nas áreas das tecnologias aquícolas e biologia.

O novo projecto surge na continuação de uma mesma linha de investigação (Aquaexcel), mas ambiciona ir mais longe, construindo novas ferramentas de modelos e fenótipos, experiências padronizadas, linhas experimentais de novas espécies de peixes e acesso remoto a novas soluções. No fundo, esperam os investigadores, este projecto elevará a aquacultura a um novo nível em 2020.

Cerca de metade do peixe consumido em todo o mundo vem da aquacultura. A procura de peixe está a aumentar, mas não é expectável que a pesca acompanhe este aumento devido à sobre-exploração de alguns stocks pesqueiros.

ccmar2

O aumento de uma produção sustentável, baseada na eficiência e na produção ambientalmente responsável é, por isso, um dos objectivos do projecto que acredita que o sector aquícola europeu só pode aumentar a produção se houver investigação de excelência e se os resultados forem acompanhados de inovação e crescimento industrial.

O projecto iniciou oficialmente a 1 de outubro de 2015 e termina em outubro de 2020. As 22 organizações parceiras de doze países europeu reuniram, no início de novembro, em Montpellier (França) para o lançamento oficial do Aquaexcel 2020.

 

Fonte: CCMAR

Foto 1: Edifício do CCMAR – Campus de Gambelas UAlg

Foto 2: Estação experimental do Ramalhete (Ria Formosa – Faro)

Pegada ambiental do biodiesel: Investigadora da UC distinguida com o Prémio Mário Quartin Graça

erica_final

A Tese de Doutoramento de Érica Castanheira, investigadora do Centro para a Ecologia Industrial da Universidade de Coimbra (UC), desenvolvida no âmbito de diversos projetos internacionais sobre os impactos ambientais associados ao biodiesel produzido a partir de soja e palma cultivadas na América Latina, acaba de ser distinguida com o Prémio Científico Mário Quartin Graça, na categoria de “Tecnologias e Ciências Naturais”.

Promovido em parceria pelo Banco Santander Totta e Casa da América Latina, o galardão, no valor de cinco mil euros, visa “distinguir teses de doutoramento realizadas por investigadores portugueses ou latino-americanos em universidades de Portugal ou da América Latina”.

A investigação foi orientada pelo professor Fausto Freire, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, e envolveu mais de duas dezenas de investigadores de universidades nacionais e internacionais, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, a Universidade de São Paulo, no Brasil, e a Universidade Nacional da Colômbia, bem como empresas produtoras de biocombustíveis em Portugal e na América Latina. De uma forma muito genérica, a equipa de investigadores estudou e avaliou o impacto ambiental de ciclo de vida do biodiesel de soja e palma, ou seja, “avaliámos as emissões poluentes, como por exemplo os gases com efeito de estufa, em todas as etapas do processo, desde o solo usado para o cultivo no Brasil, Argentina e Colômbia, até à extração de óleo, transporte, produção de biodiesel e distribuição”, explica Érica Castanheira.

Cerca de metade do biodiesel utilizado em Portugal é produzido a partir de semente e óleo de soja e palma importados da América Latina. Por isso, observa a investigadora, este estudo assume particular relevância para ajudar os produtores nacionais a “optarem pelas melhores soluções, por forma a cumprir as metas impostas pela União Europeia: até 2020, é obrigatória a introdução de 10% de biocombustíveis nos transportes, assegurando que são cumpridos os critérios de sustentabilidade, entre os quais a redução mínima de 35% de emissão de gases com efeito de estufa em relação ao combustível fóssil.

O estudo concluiu que a expansão das áreas cultivadas com soja ou palma (p. ex., por via de desflorestação, como é o caso da floresta tropical na Amazónia) pode acarretar uma carga ambiental elevada devido à perda de carbono no solo e na vegetação, mostrando “a importância das alterações do uso do solo na pegada de carbono do biodiesel e que o local e modo de produção das plantas oleaginosas são aspetos determinantes na sustentabilidade ambiental do biodiesel”, sublinha Érica Castanheira.

Intitulada “Environmental Sustainability Assessment of Soybean and Palm Biodiesel Systems: a Life-Cycle Approach”, a tese foi realizada no âmbito do Doutoramento em Sistemas Sustentáveis de Energia (Programa MIT-Portugal) / Iniciativa Energia para a Sustentabilidade e financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O prémio foi entregue na sexta-feira, dia 20 de novembro, na sede do Banco Santander (Rua do Ouro nº 88, Lisboa). Para Érica Castanheira “é o reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de cinco anos por uma vasta equipa no Centro para a Ecologia Industrial da UC”.

Fonte: UC
Foto: DR

Universidade do Porto aposta no Mar

B09wY1BIAAAJAYD[1]

O Polo do Mar do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC MAR) tem como missão estrutural a incubação de projectos empresariais ligados às Ciências e Tecnologias do Mar, beneficiando da proximidade das estruturas e equipamentos do Porto de Leixões e da investigação avançada desenvolvida na Universidade do Porto.

Localizado no antigo edifício da Sanidade Marítima do Porto de Leixões, em Leça da Palmeira, o complexo  ficou concluído nos finais de 2012 e disponibiliza cerca de 2000 m2 e tem capacidade para albergar 32 empresas.

O projecto UPTEC MAR propõe-se valorizar os resultados de investigação decorrentes da actividade dos vários centros de I&D que a Universidade do Porto irá albergar no interior do Porto de Leixões. O exemplo mais claro disso será, porventura, a transferência das instalações do CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental) para para o novo terminal de Cruzeiros de Leixões, o que potenciará a atracção de negócios e empresas para este Polo.

As empresas actualmente associadas ao UPTEC MAR agregam várias áreas de actividade no domínio da economia do Mar como a biotecnologia marinha, aquacultura, energia das ondas, robótica marinha, software, ambiente, turismo e náutica de recreio.

Fonte: UPTEC
Foto: DR

IBM atribuiu Prémio Científico a Ricardo Silveira Cabral

Cerimónia_25anos_PrémioCientífico_IBM

A IBM Portugal distinguiu o jovem Ricardo Silveira Cabral com o 25º Prémio Científico. O açoriano de 29 anos construiu uma base de dados que permite aproximar os computadores e as pessoas.

O investigador do Instituto Superior Técnico foi o autor do trabalho vencedor cujo título “Unificação de modelos low-rank para problemas de aprendizagem virtual”, visa dar mais um passo na área da visão computacional no sentido de melhorar os resultados em aplicações relacionadas com a robótica, arquitectura, realidade virtual, navegação e mapeamento de território. Neste momento, os sistemas estão a ser utilizados para detectar automaticamente melanomas e efectuar gestão de filas no aeroporto de Lisboa.

A cerimónia contou com a presença do Presidente da República e decorreu na Fundação Champalimaud. “Será desejável e expectável que a actividade e a produção de conhecimento da comunidade científica venham a ter uma presença cada vez maior no nosso tecido empresarial, com benefícios para a criação de riqueza e de emprego”, afirmou Sua Excelência o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

O responsável máximo da IBM Portugal, António Raposo de Lima, afirmou que “tem sido um privilégio premiar as áreas de investigação em Portugal ao longo de 25 anos”. Raposo de Lima considerou que a distinção ao trabalho do jovem açoriano “enquadra-se na estratégia da empresa porque estabelece uma relação entre os computadores e as empresas”, tendo acrescentado que “já se encontra a funcionar em alguns hospitais”. Por outro lado, o presidente do júri, Carlos Salema, lamentou que “em Portugal não é muito vulgar premiar a excelência na ciência”.


Sobre o
Prémio Científico IBM

A IBM Portugal instituiu o Prémio Científico em 1990, com a finalidade de distinguir trabalhos nos mais diversos domínios do conhecimento da Ciência e Tecnologia. Pretende-se estimular jovens investigadores portugueses ou a residir em Portugal desde há três anos a divulgarem os seus projetos, fomentando o relacionamento entre as comunidades industriais, académica e de investigação científica.

Foto: DR

Isabel Silva propõe um novo mecanismo para tratar a doença da próstata (entrevista)

Isabel_Silva

Isabel Silva, de 29 anos, é natural da Trofa e licenciada em Genética e Biotecnologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, com mestrado em Genética Molecular Comparativa e Tecnológica. Chegou ao Porto, ao instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em 2010, altura em que iniciou funções como investigadora no laboratório de Farmacologia e Neurobiologia do ICBAS. Em 2013 iniciou o Programa Doutoral em Ciências Biomédicas do ICBAS com o objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior. Os mais recentes resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” apresentada na Reunião Mundia da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). O trabalho apresentado por Isabel Silva intitulava-se “Blockage of UDP-sensitive P2Y6 receptors as a novel therapeutic strategy to control urine storage symptoms in men with bladder outlet obstruction” e este a concurso com mais de 300 comunicações provenientes de mais de 30 países. A Excelência Portugal foi falar com a investigadora para saber mais sobre o seu trabalho.

 

Sempre quis ser cientista ou houve algum motivo/ influência que a levasse a enveredar nessa área?

Não (risos).. A investigação foi por mero acaso. Eu fui para o laboratório onde estou e comecei num estágio de verão para aprender algo mais, porque eu sou da área da genética e não estou a fazer investigação em genética.”

Pois, está a trabalhar na área da Farmacologia…

Exatamente, na parte da farmacologia. Comecei a gostar desta área,  as coisas começaram a correr bem e eu fiquei entusiasmada e fiz o estágio de licenciatura, continuei e fiz o estágio para a tese de mestrado e depois as coisas foram continuando e agora estou a fazer o doutoramento.”

O seu doutoramento tem como objetivo de estudar novos mecanismos para o tratamento das doenças do trato urinário inferior, nomeadamente a hiperatividade da bexiga. Pode falar um pouco desta problemática?

“A hiperatividade da bexiga é mais comum nas mulheres.  Nos homens acontece em idades mais avançadas e normalmente é consequente de uma hiperplasia benigna da próstata. Nas mulheres, a causa é idiopática. Só que há um problema, nós não temos acesso  a amostras de tecido das mulheres. Não nos podemos dirigir a uma mulher, que não tem necessidade de ser operada, e recolher um pedaço de tecido de bexiga para fazermos experiências. Isso não é eticamente correto, nem podemos fazê-lo. Então, o tecido que nós temos acessível é tecido de bexiga de homens que, devido à hiperplasia benigna da próstata, são operados para resolver o problema da obstrução da uretra e muitas vezes já têm problemas na bexiga. É com esse tecido que nós fazemos o nosso trabalho de investigação. Nas mulheres, o que nós conseguimos fazer são estudos de metabolitos na urina.”     

Um dos focos da sua investigação é estudo dos receptores P2Y6. Qual a função destes receptores e de que modo podem contribuir para melhorar a qualidade de vida dos homens afetados por esta condição?

“Este receptor é um recetor recentemente descrito, e ainda não estava descrito na bexiga. Ninguém sabia se ele estava lá e o que é que ele fazia. Os primeiros ensaios no nosso grupo, onde caracterizamos estes receptores, foi em rato. E o que observamos foi que, quando infundíamos uma substância que ativava estes receptores na bexiga de rato, a substância causava hiperatividade da bexiga. Como tínhamos amostras de homens com hiperatividade da bexiga fomos ver se, ativando estes receptores e bloqueando-os, o nível de neurotransmissores libertados era igual ou diferente ao de homens saudáveis (dadores de órgãos). Também fizemos estudos de localização dos receptores para ver se estavam localizados nas células da bexiga e se as células tinham o mesmo número de receptores. E conseguimos perceber que, nestes homens, quando ativamos estes receptores, eles libertam uma molécula que consideramos estar relacionada com a hiperatividade da bexiga que é o ATP e que o bloqueio destes receptores inibe a libertação de ATP. Assim, ao inibir a libertação de ATP conseguimos reverter uma situação de bexiga hiperativa.” 

Estas descobertas permitirão o desenvolvimento de um novo fármaco?

“Estas descobertas permitem o desenvolvimento de um novo fármaco, mas para isso agora precisamos do apoio da indústria farmacêutica e de apoio financeiro para o desenvolvimento do fármaco. Este trabalho propõe uma nova ferramenta terapêutica para a bexiga hiperativa sem efeitos secundários que existem nos tratamentos atuais. O problema do tratamento atual para a bexiga hiperativa é a utilização de fármacos anti-colinérgicos que, ao longo do tempo, vão ter efeitos secundários como, por exemplo, obstipação, uma vez que nós temos nos intestinos muitos receptores colinérgicos. O nosso trabalho permitiu  descobrir que o recetor P2Y6 está preferencialmente localizado na bexiga e conseguimos caracterizá-lo bem, o que pode ser uma ferramenta muito útil no desenvolvimento de um novo fármaco. Se o recetor não for expresso noutros órgãos com grande abundância, poderá ser um bom alvo terapêutico.”

Então, como potencial fármaco, propõe uma substância que vai inibir o recetor P2Y6, de uma forma dirigida, nas células da bexiga?

Exatamente. Nós propomos o desenvolvimento de um fármaco que irá atuar num recetor que está especificamente localizado na bexiga, à partida.

O próximo passo passará, seguramente, pela produção do fármaco. É fácil obter o apoio da industria farmacêutica?

A industria funciona a curto/médio prazo e tem de ganhar milhões rapidamente. E nós na investigação básica que fazemos nas universidades não conseguimos garantir isso. Para passarmos para a próxima fase queremos acreditar que a industria se vai interessar nisto, mas ainda temos de fazer mais ensaios. Agora, se é fácil, acredito que a nível prático seja um caminho ainda longo.”

Os resultados do seu trabalho valeram-lhe o prémio “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” na Reunião mundial da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN). Qual foi a sensação de ser uma portuguesa a receber tal prémio?

Foi muito gratificante. Sempre tive muito orgulho em ser portuguesa em qualquer sítio onde estivesse. E o facto de ser uma portuguesa no meio de tanta gente fez-me sentir que somos pequeninos mas afinal temos tanta importância como os outros. Não precisamos de pertencer a centros de investigação de topo, de renome, ou de ter um sobrenome de renome, para conseguirmos chegar à ciência de alto nível e internacional”.

Como ciêntista, considera que a ciência é devidamente valorizada em Portugal?

Não. Acho que há muita coisa em Portugal que devia ser revista e considerada na área da ciência, por vários motivos, sobretudo porque as formas de atribuição dos financiamentos muitas vezes não são corretas. Estes prémios, como o que recebi, nem sempre são considerados  e muitas vezes, não havendo financiamento, os estudos terminam quando já estavam próximos do fim. E fica muita coisa pendente, muita coisa que vamos lá para fora fazer porque deixamos cá a meio, ou então vêm outros de fora que trazem o dinheiro, terminam o trabalho e ficam com o mérito.”

Após os excelentes resultados e de obter o devido reconhecimento, o que perspectiva para o futuro?

Eu gostava muito de, até ao final do doutoramento, continuar com este trabalho e conseguir chegar a uma ferramenta farmacológica , com o apoio da indústria, e lançar o fármaco. Sabemos que até lançarmos o fármaco temos um longo caminho, mas o objetivo é não perder o fio à meada e continuar no desenvolvimento deste projeto.”

Foto: DR