Rita Mascarenhas Cabral (CEO da Tradeizi) em entrevista

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De acordo com dados de 2013, as mulheres criam 35% dos negócios em Portugal. Os dados são do Global Entrepreneurship Monitor 2013 e colocam Portugal acima da média europeia (33,3%).

Rita Cabral, 24 anos, é uma dessas mulheres que ousaram sair da sua zona de conforto e criar a sua própria Empresa. Natural do Porto, estudante de gestão pela Universidade Católica de Lisboa, é a CEO e co-founder da Tradeizi, uma startup que pretende aproximar compradores e vendedores, em diferentes geografias, através de uma inovadora plataforma B2B.

A Excelência Portugal visitou a Tradeizi e falou com a sua CEO.

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O nosso objectivo é poder conciliar as vantagens dos serviços electrónicos com o atendimento personalizado

Como surgiu a ideia de negócio?

A ideia que depois dá origem à Tradeizi surge de um amigo meu, que quando volta de uma feira na China, percebe que não havia nenhum local onde em tempo real pudesse verificar que empresas compradoras existiam. No fundo seria uma espécie de “facebook para empresas”.

O modelo inicial de negócio sofreu alterações? Contaram com o apoio de algum  programa de  Aceleração da Startups?

O modelo inicial sofreu imensas alterações, aliás ainda agora sofre alterações. Cada vez que falamos com potenciais clientes surgem novas ideias. Talvez por acreditar que o cliente tem sempre razão, e que por essa razão só devemos ter “amor” ao nosso objetivo e visão, tudo o resto tem de se adaptar à realidade, e assim, o nosso modelo de negócios e até mesmo o serviço que oferecemos, vai sendo alterado.

Claro que estas alterações e mentalidade só surgiram com o tempo, mas posso dizer que foi graças ao programa da Beta-i o “Beta-start” que foi possível esta evolução mais rápida. Nestes programas, mais do que modelos de negócio, ensinam que não devemos ser obstinados, acreditar é uma coisa, teimosia é outra. Para mim o truque está em “ir”, ou seja, falar com o máximo de pessoas possível e fazer todas as perguntas que imaginemos. Sim, vamos ter respostas que não queríamos ouvir, mas são essas mesmo que nos ajudam a evoluir.

Como obtiveram financiamento e como está distribuído o capital da sociedade ? 


Através de um dos clássicos 3F’s – “family”. Os meus pais financiaram-me e eu entrei com o capital social. Também por essa razão tenho a maioria do capital. O resto do capital está distribuído pelo Miguel Barbosa Viana e pela etNos. A etNos (www.etnos.co) é a empresa que desenvolve e faz o design da plataforma.

Quem é o cliente-alvo da Tradeizi?


O cliente-alvo são as pequenas empresas da indústria do vinho, sejam eles produtores, distribuidores, importadores, etc. No fundo são todas as empresas que querem vender e comprar vinho.

Quais as geografias onde maioritariamente procuram parceiros comerciais?


Estamos a dividir em duas partes, os produtores e os compradores. Relativamente aos produtores, queremos ajudar sobretudo os portugueses e os do Novo Mundo (Chile, Argentina, África do Sul, etc.). E estamos a procurar compradores de países em expansão, por exemplo China, Angola, Rússia.

Como funciona a plataforma? Que opções existem para o cliente e que serviços oferecem?

A plataforma funciona através de um sistema de subscrição mensal. O utilizador escolhe, dependendo das funcionalidades e o valor que pretende pagar, o pacote que mais se adequa à sua empresa. Claro que disponibilizamos uma modalidade gratuita para as empresas poderem testar algumas funcionalidades.

Oferecemos três tipos de serviços: um sistema de matchmaking, que de acordo com as características do produtor, seja o seu catálogo, quantidades produzidas, qualidade do produto e para onde pretende exportar, recomenda potenciais empresas compradoras;

Disponibiliza um guia de exportação, onde é feita uma análise dos principais procedimentos relacionados com o país de destino, seja a realidade económica com as oportunidades e obstáculos que a economia apresenta, os certificados e taxas envolvidas para exportar, contactos relevantes e outras informações importantes;

E ainda, de forma a optimizar a comunicação das marcas, desenvolvemos um business network onde as empresas podem partilhar informação para o mercado desejado, em tempo real. Quando ganham um prémio no seu produto, vão estar presentes numa feira ou mesmo quando têm um novo produto no catálogo.

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o facto de nós sermos focados numa única indústria permite um acompanhamento e informação muito mais personalizada

O que distingue a Tradeizi de plataformas de terceiros, nomeadamente as ligadas ao sector bancário?

Confesso que não conheço bem as plataformas do sector bancário, mas o facto de nós sermos focados numa única indústria permite um acompanhamento e informação muito mais personalizada. Claro que nossas funcionalidades também são bastante diferentes das plataformas de e-commerce que existem no mercado. O nosso sistema de matching permite conhecer em tempo real quais os compradores mais indicados para cada produtor, e vice-versa.

A Tradeizi tem dado grande enfoque ao sector vinícola. A especialização nesta área é uma objectivo prioritário ou pretendem abordar o mercado de uma forma universal?

A especialização no sector vinícola neste momento é um objectivo prioritário. A nossa estratégia passa pelo profundo conhecimento do sector e onde os nossos serviços possam de facto fazer a diferença, e esta é uma indústria que demonstra poder beneficiar da Tradeizi.

A nossa visão a longo prazo é chegar a outras indústrias, queremos ajudar as pequenas empresas, e embora as realidades e dificuldades que cada indústria atravessa possam parecer muito diferentes, na verdade se olharmos num sentido mais macro é fácil identificar as semelhanças. Por esta razão, acreditamos poder crescer para mais sectores com alguma facilidade.

Quantas pessoas estão envolvidas no projecto e em que áreas?

Neste momento somos 5 pessoas, embora só 3 a tempo inteiro. Somos dois da área de gestão, responsáveis por todo o planeamento estratégico, de comunicação e área comercial; dois engenheiros informáticos, que desenvolvem tudo o que tenha a ver com a plataforma, website e outros desafios informáticos; e um designer, responsável por pôr as coisas apelativas.

Além dos serviços prestados de forma electrónica, a Tradeizi fornece ou pretende vir a disponibilizar algum serviço directo junto dos potenciais compradores ou fornecedores?

O nosso objectivo é poder conciliar as vantagens dos serviços electrónicos com o atendimento personalizado. Acreditamos ser crucial que as empresas vejam uma cara e que confiem em nós para os diversos desafios. Aliás, só através do contacto directo nos é possível melhorar e adaptar a plataforma à realidade.

Claro que o serviço informático tem muitas vantagens, não só permite ao cliente obter a informação com mais rapidez, como também nos permite escalar o serviço e poder alcançar mais empresas.

A Tradeizi tem planos de expansão/internacionalização?

Claro que sim.

Estamos a começar com produtores portugueses, mas já temos contactos de muitas outras empresas interessadas, em países como Chile, Argentina, EUA, Brasil, Austrália, entre outros. Estes contactos são tanto do lado do produtor como importadores/exportadores.