Miguel Oliveira – “Estamos aqui para sonhar com o título”

MO3

Terceiro no campeonato do mundo de Moto3, Miguel Oliveira tem à sua frente uma segunda metade da temporada onde é um dos candidatos predominantes à vitória nas 9 corridas que faltam até ao fim da época.

A lesão sofrida nos treinos livros para o Grande Prémio da Alemanha não tirou optimismo ao piloto da Red Bull KTM Ajo. Na próxima semana, Miguel Oliveira vai correr em Indianápolis, três semanas apenas depois de ter fraturado o quarto metacarpo da sua mão esquerda. Enfrenta a segunda parte da temporada com confiança, motivado pela sua boa performance nas últimas etapas do campeonato. MO2

Em primeiro lugar, como é que te estás a sentir? Em que fase da recuperação estás neste momento?

“Estou a sentir-me melhor a cada dia. Neste momento, estou a seguir um plano de recuperação que me permite ganhar movimento na minha mãe esquerda e força nos dedos. Com a fratura que eu tive, é um bocadinho cedo achar que estou em perfeitas condições para Indy, mas estou a trabalhar arduamente todos os dias para que possa abordar a corrida tão em forma quanto possível.”

Apesar deste incidente, achas que ainda podes lutar pelo título?

“Sim, claro. Isto é motociclismo de competição, logo enquanto for matematicamente possível, vou continuar a trabalhar com a minha equipa sempre com o título em mente. È verdade que tivemos alguma falta de sorte nalgumas corridas, mas acho que estivemos a muito bom nível em muitos dos Grandes Prémios e ainda temos 9 corridas para lutar pela vitória.”

Qual é a análise que fazes desta primeira metade da temporada?

“Acho que foi uma primeira metade da temporada em que começámos muito fortes mas não conseguimos completar todas as corridas. Tivemos alguma falta de sorte, já que terminar as duas primeiras corridas ter- nos-ia deixado muito mais acima na classificação geral. De qualquer forma, a análise geral é muito positiva. Temos 2 vitórias nas últimas 3 corridas e acho que isso é o que mais conta. A primeira vitória em Mugello, depois em Assen, foram excelentes. E a mota tem estado sempre a rodar na sua performance máxima.”

Foi difícil lidar com este começo de temporada?

“Claro, depois de não conseguir terminar 2 corridas de seguida, fiquei um bocado triste, porque queria acabar uma corrida. Consegui chegar à pole position na Argentina, onde comecei bem mas acabei em quarto. Depois voltámos à Europa com um pódio em Jerez, depois o azar de Le Mans e depois a vitória em Mugello, o quinto lugar na Catalunha e outra vitória em Assen. Desde que voltámos à Europa que temos sido bastante competitivos, a acabar sempre no Top Five.”

O pódio em Jerez, foi um ponto de viragem na tua temporada? Ou a vitória em Mugello foi mais importante?

“Nós precisávamos do pódio em Jerez para nos dar confiança. A partir de Jerez, começámos a acreditar mais nas nossas capacidades. Nós sabíamos que éramos muito rápidos e que estávamos a ser muito consistentes, mas por alguma razão nas corridas não estávamos a conseguir fazer o nosso trabalho até ao fim. Em Mugello deu-se uma mudança muito grande, porque saímos para a pista para ganhar.”

O que é que melhorou na mota desde a primeira corrida até agora?

“Acima de tudo, o que melhorou foi a configuração da mota, porque não introduzimos nenhuma peça nova. Temos estado a testar partes novas, mas o que já temos mostrou sempre um melhor desempenho.”

Quando te referes à configuração da moto, sentes-te mais confortável?

“Sim, já nos adaptámos, mas depende tudo muito da pista. Os circuitos variam muito e as condições são muito diferentes e quando chega a hora da corrida temos sempre que improvisar um bocadinho. Há alguns circuitos onde, em circunstâncias normais, eu consigo ser muito forte”

Como é que avalias o nível de competição nesta época do campeonato do mundo de Moto3?

“Muito alto. Estamos todos a correr muito rápido, com tempos por volta mais velozes que os do ano passado. O Danny Kent, que é o líder da nossa série, tem tido vida fácil, e agora nós temos que lhe complicar um bocadinho as coisas.”

Achas que consegues fazer isso?

“Obviamente, depende de mim, mas também da sorte que ele possa ter. Neste desporto não estamos sozinhos em pista e tudo pode acontecer – tanto a ele como a mim, como ficou demonstrado na Alemanha. Mas o melhor é mesmo continuar a focar-me no meu próprio trabalho, para conseguir estar na frente e ganhar corridas.”

Olhando para o que resta da temporada, há circuitos que gostes mais ou menos do que aqueles onde já correste esta época?

“São todos muito diferentes. Há alguns circuitos onde, em circunstâncias normais, eu consigo ser naturalmente muito forte, e teremos que trabalhar ainda mais arduamente para ganhar vantagem. A mota está a corresponder bem e temos que entrar em cada circuito a acreditar que vai tudo correr bem, com um mindset totalmente positivo.”

Quais são os circuitos que melhor se adaptam a ti?

“Silverstone, Misano, Motegi, Phillip Island e Malásia: estes são alguns circuitos que eu gosto bastante e onde consegui sempre ser rápido.”

Como é que olhas para o Campeonato do Mundo?

“Não me preocupa. Estamos aqui para sonhar com título e lutar por ele. Vai ser difícil, mas acho mesmo que posso sonhar com o título. De qualquer forma, temos que pensar corrida a corrida.”

Ganhar   o   título   será   a   única   coisa   que   te   deixará   satisfeito   esta   época?

“Não, claro que não. Ficarei muito feliz com a temporada se conseguir lutar pelo título até ao fim e der tudo. Se não ganhar, então pelo menos será porque o vencedor teve uma época brilhante.”

E como é que olhas para o Campeonato Mundial de MotoGP?

“Acho que se consegue perceber uma diferença muito grande entre as Yamaha e as Honda. O Marquez também não teve as coisas a correrem-lhe tão bem quando ele provavelmente esperaria – mas é essa a beleza deste desporto. Todos os anos qualquer um pode evoluir, tanto pilotos como motas. E bom vermos o nosso ídolo na frente e só por isso a época tem valido a pena.”

 

Fotos: DR
Fonte: Assessoria Miguel Oliveira