A devastação e flagelo que se faz sentir constantemente no Pacífico foi suficiente para as arquitectas portuguesas Carla Pereira e Rita Borges, naturais dos Arquipélagos da Madeira e Açores, escolherem as Filipinas como local para materializar as suas ideias. No âmbito do curso Designing Resilient Housing, desenvolveram o projecto de uma casa modular, low-cost e ecológica, capaz de resistir aos piores cenários de catástrofes naturais e que valeu-lhes o Award of Distiction pela Open Online Academy, de Nova Iorque.
São factores como o crescimento da população mundial, o disparo do consumo médio da humanidade, a exaustão dos recursos naturais, que colocam o planeta em completo estado de degradação e alerta. Se a Terra nos oferece tanto, por que razão o homem, mero inquilino do mundo, não cultiva o equilíbrio e insiste em esgotá-la? Será necessário ultrapassar os limites? Ou será o homem uma criatura tão egoísta e masoquista que sente prazer em caminhar para o suicídio e o ecocídio?
O alarmismo está instalado e desenvolvem-se atitudes para tentar recuperar (uma ínfima) parte da saúde da Terra. As intensas intervenções humanas no meio ambiente provocaram alterações climáticas que, consequentemente, originam desastres naturais que têm como resultado perdas humanas e materiais.
Se “os edifícios são como a nossa segunda pele, uma camada frágil que nos protege das adversidades do mundo exterior”, qual a razão para falharem na função para o qual estão destinados? A arquitectura encontrou uma resposta incrível e eficaz.

Antes de pensar em mudar o mundo lá fora, é fundamental e extremamente necessário, face à nossa realidade, mudar primeiro o mundo cá dentro
Como matéria-prima recorreu-se ao uso de materiais locais como bamboo, pedra e madeira, de forma a reduzir os custos finais de construção. Por se tratar de uma habitação simples e fácil de construir, que ronda os 5.5000 euros, poderá suscitar a motivação da própria mão-de-obra local bem como a das famílias a usufruir dessas novas instalações.
Com o projecto da habitação modelar, passível de crescer conforme as necessidades das famílias, as arquitectas pretendiam desenvolver uma urbanização e proporcionar o crescimento urbano, de modo a que se criassem dinâmicas sociais e até mesmo o próprio desenvolvimento da economia local.
As duas arquitectas insulares vêem o projecto como um ponto de partida para impulsionar, inovar ou ate mesmo resolver a arquitectura (ou falta dela) nos arquipélagos. Ainda são muitos os casos de pobreza extrema e degradação que passam despercebidos e que se encontram “camuflados” em cada esquina das cidades.
Afirmam ainda que o grau de desenvolvimento do tempo em que vivemos não é proporcional ao nível de pobreza que ainda se faz sentir. São muitos os que carecem do direito a uma habitação confortável e segura e, de certo modo, esta habitação vem dar resposta a essas mesmas dificuldades.
Segundo as arquitectas Carla Pereira e Rita Borges “Antes de pensar em mudar o mundo lá fora, é fundamental e extremamente necessário, face à nossa realidade, mudar primeiro o mundo cá dentro” e essa ideia está, visivelmente, a ser bem conseguida.
