Hotelaria: Joana Arvelos representou Portugal no encontro internacional “Young Hoteliers Summit”

arvelos1Joana Arvelos, estudante do 2º ano curso de Gestão Hoteleira da Universidade Europeia, venceu a primeira edição do “Hospitality Challenge”, uma iniciativa da Terra Internacional, com um projecto de aplicação de gestão de reclamações para hotéis através de emojis a partir de um tablet ou smartphone.

A primeira edição do Portuguese Future Hoteliers Summit organizada pela Terra International com o apoio do Young Hoteliers Summit e da École Hôteliére de Lausanne, decorreu no Monte da Quinta Resort nos dias 27, 28 e 29 de novembro de 2015. Nesta iniciativa que pretende incentivar a colaboração entre estudantes e líderes da indústria hoteleira, como motor de geração e concretização de novas ideias, participaram nove universidades de norte a sul do país, e 27 estudantes criteriosamente seleccionados pelas universidades, onde licenciaturas de turismo, hotelaria e hospitalidade são leccionadas.

O projecto “The Experience App” foi o passaporte que abriu as portas a Joana Arvelos para representar Portugal, em Março de 2016, no “Young Hoteliers Summit”, uma competição internacional disputada por estudantes de várias nacionalidades oriundos das mais conceituadas escolas superiores de hotelaria do mundo, na prestigiada escola suíça École Hôteliére de Lausanne.

Por outro lado, Inês Fino, também estudante da Universidade Europeia, membro da equipa que ficou em segundo lugar, conquistou a oportunidade de estagiar no Monte da Quinta, no Algarve.

A Excelência Portugal falou com Joana Arvelos e ficou a conhecer uma das nossas maiores promessas na área da gestão hoteleira.

Ia ter a oportunidade de representar Portugal pela primeira vez no Young Hoteliers Summit, isso significou tudo para mim!

Que significado teve a tua participação na 1ª edição do Portugal’s Future Hoteliers Summit?

Tudo começou numa aula de Marketing Turístico e Hoteleiro, onde a minha professora nos apresentou o Young Hoteleirs Summit (YHS) em Lausanne e a iniciativa da primeira edição do Portugal´s Future Hoteliers Summit (PFHS). Sempre fui uma pessoa criativa e por isso a ideia de ter um challenge ligado à indústria que mais gosto pareceu-me uma ideia excelente. Além disso, era uma oportunidade para conhecer pessoas do mundo hoteleiro e aprender com eles.

Passei por um processo de selecção, enviei o meu CV e fiz uma carta de motivação onde expliquei por que motivo era tão importante para mim participar no PFHS. Nessa carta expliquei que as minhas origens são algarvias e que tive o privilégio de observar o mundo do turismo de uma maneira muito próxima. Desde muito nova soube que esta é a área indicada para mim.

Depois desta primeira fase de selecção fui chamada para uma entrevista com duas professoras da minha Universidade. Uns dias depois recebi o email a dizer que ia representar a Universidade Europeia no Portugal´s Future Hoteliers Summit. Fiquei tão contente e isso para mim já foi uma vitória!

No último fim de semana de novembro começou, aquilo que espero que seja, o início da minha carreira no mundo da hotelaria. Estive ao lado de pessoas bastante profissionais e que na verdade, espero um dia vir a ocupar um cargo tão importante como o deles.

Já no YHS fomos colocados em grupos de três elementos perfazendo nove grupos. Destes nove grupos apenas cinco teriam a oportunidade de apresentar a sua ideia. Tivemos apenas uma noite para colocar a nossa ideia numa página e preparar a possível apresentação. Às 15:40h de domingo o projecto tinha de ser enviado para a organização, para o júri decidir quais seriam os cinco grupos a apresentar.

Quando soube que o meu grupo ia apresentar já estava prestes a subir ao palco. A adrenalina e a felicidade que senti naquele momento fizeram com quem fossem os melhores dez minutos da minha vida. Quando chegou a altura de saber os resultados e ouvi o meu nome e o dos meus colegas para recebermos o primeiro prémio a emoção aumentou ainda mais. As lágrimas caíam, mas estavam carregadas de orgulho e de alegria.

IMG_4944-Vencedores[1]Em que consistiu a tua apresentação?

No PFHS tivemos um challenge que neste caso era encontrar um sistema eficiente de gestão de reclamações que fosse influenciado pelo mundo tecnológico que temos hoje.

A minha ideia começou com a palavra do ano de 2015 pelo Dicionário Oxford, que na verdade não foi uma palavra mas sim um emoji. Acho que isso consegue descrever o mundo tecnológico onde agora vivemos. Inspirei-me por essa “palavra” e juntamente com o meu colega de grupo,  Tiago Castro do ESEIG,  começámos a ter muitas ideias que se resumiram numa aplicação bastante diversificada.

Com esta aplicação os hóspedes têm um contacto muito próximo com todos os departamentos do hotel, o que facilita a gestão não só de reclamações, mas também de elogios que acreditamos ser um ponto muito importante para o bom funcionamento do hotel. E claro, que os emojis estão bem presentes nesta aplicação.

Em que consiste o teu projecto/app? Que feedback tiveste da mesma?

Acreditamos que o nosso projecto tem tudo para funcionar. A aplicação pode ser utilizada por todo o tipo de clientes em diversos hotéis. Não só é uma aplicação de gestão de reclamações e de elogios, como também visa poupar recursos onde os hotéis gastam muito. Todas as informações relativas ao hotel e à região onde estes se encontram passarão a estar presentes nesta aplicação, evitando a utilização de papel. Temos assim também uma vertente económica e ecológica.

Outro ponto fulcral da aplicação é a possibilidade de o hotel gerar receitas, pois há uma secção que permite ao hóspede comprar bilhetes para os locais turísticos, fazendo assim com que o hotel receba uma percentagem de todas as compras efectuadas na aplicação.

Tanto eu como o meu colega Tiago, neste momento queremos que alguém invista em nós e nas nossas ideias, pois o feedback tem sido fantástico! Já recebemos várias propostas para colocar a nossa aplicação no mundo real, por isso o que precisamos é de alguém que realmente queira investir neste projecto.

É óptimo quando o nosso projecto é reconhecido e se as pessoas desta indústria acham que é realmente aplicável, o meu desejo é um dia poder utilizar a minha própria aplicação numa estada num hotel em qualquer parte do país, ou além fronteiras e poder dizer ”EU concebi isto!”.

Esta distinção possibilitou-te a apresentação do teu projecto em outras instituições?

Tive o enorme prazer de juntamente com o Tiago fazer a nossa apresentação na Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão em Vila do Conde, onde o Tiago está a terminar a sua licenciatura. Brevemente também irei fazer na Universidade Europeia, e sinto um carinho muito especial, pois vou falar de todo o meu percurso na minha própria universidade.

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Que expectativas tinhas relativamente ao prémio conquistado – representar a Universidade Europeia no Young Hotelier’s Summit 2016?

Antes de ir para o YHS, na Escola de Hotelaria de Lausanne, sinceramente não sabia muito bem o que esperar. Sempre foi muito importante para mim ter os pés bem assentes na terra e não criar demasiadas expectativas para não acabar desiludida.

Agora que já regressei, posso dizer que foi uma experiência que nunca irei esquecer. Tive a possibilidade de fazer excelentes contactos e de estar ao lado de directores dos maiores grupos hoteleiros do mundo. Foi muito gratificante, aprendi muitas coisas sobre o mundo onde quero trabalhar e assisti a excelentes palestras e workshops dados pelos próprios directores.
Desta vez não voltei com o primeiro prémio, mas fui a primeira portuguesa a participar no YHS. Eu e o Tiago representámos Portugal pela primeira vez no YHS, e isso é o melhor prémio que poderia conquistar. Foi uma honra.

Acho importante que Portugal seja aproveitado no seu todo. As pessoas tendem a sobrelotar o litoral do país, mas o interior do nosso país também tem tudo para proporcionar as melhores experiências a quem nos visita.

Quais são as tuas ambições na indústria do turismo? Como vês este sector estratégico no nosso país? Somos um destino de Excelência?

Ao longo destes meses percebi não só que é esta a indústria que quero realmente trabalhar, como também as apresentações em público têm sido muito importantes para mim.

Há pessoas que receiam expor-se perante o público e têm pavor às apresentações. Eu sinto o contrário, gosto de expor, partilhar as minhas ideias e motivar quem me ouvir. Comunicar e partilhar as minhas ideias, fazer com que quem me ouça se sinta inspirado para vingar na sua área, seja ela qual for.

Desde que comecei a minha licenciatura que tenho o prazer enorme de promover a Universidade onde estudo nas escolas secundárias e é uma óptima sensação quando consigo motivar um estudante a ingressar a minha Universidade, principalmente no meu curso.

Imagino-me a trabalhar nos vários departamentos dos hotéis que me permitam um constante contacto com o público.

Portugal é sem dúvida um destino de Excelência e é o país onde gostaria de gerir o meu hotel de sonho, promovendo produtos nacionais de qualidade num restaurante próprio. É esse o meu maior objectivo e espero concretizá-lo.

Acredito que temos tudo para fazer do turismo, o sector com mais receitas de Portugal. Somos as portas da Europa, temos o clima, as paisagens, a gastronomia, a cultura e a arte de bem receber. Os ingredientes estão todos cá, só falta investir mais no que temos.

Fotos: DR