Um norte-americano criou uma empresa composta por vários jovens portugueses, que se dedicam todos os dias à empresa de publicidade. A vontade de triunfar e arriscar são as principais características de um grupo que decidiu vestir a camisola, em prol do sucesso colectivo, mas também para ajudar na recuperação económica do país.

A agência de publicidade Nylon nasceu em 2010 pela mão do norte-americano Joah Santos para ajudar as marcas na promoção dos seus produtos em várias plataformas, nomeadamente na imprensa, nos outdoors, filmes, mas sobretudo nos canais digitais. O director criativo, João Gomes de Almeida, define a empresa como “uma agência 360º devido à especialização obrigatória por causa do aparecimento das plataformas digitais”.
A crise financeira atingiu uma boa parte da publicidade tradicional que teve consequências na forma como os órgãos de comunicação social tiveram de se adaptar aos novos tempos. João Gomes de Almeida explica que “a publicidade sofreu com a crise, mas também teve capacidade para sair dela”. As plataformas digitais saíram beneficiadas com a procura de novas formas de lucro. O director criativo garante que “a publicidade digital vai continuar a subir porque representa uma grande fatia do mercado”, tendo acrescentado que “as pessoas estão muito ligadas à tecnologia inserida nos telemóveis”. A comunicação digital permite às marcas selecionarem os clientes. O account director da Nylon em Portugal, Pedro Miguel Garcia, afirma que “as marcas conseguem ter uma comunicação mais focada”.

ARRISCAR
Os novos meios à disposição dos agentes publicitários e dos consumidores não é totalmente aproveitada pelos primeiros. Pedro Miguel Garcia considera que “ainda existe muito apego à publicidade tradicional, já que, no digital cobra-se pouco”. O account director garante que “a imprensa tradicional continua a ser visto como algo nobre pelos clientes”. As razões invocadas criam um sentimento de pouco risco nas empresas que escolhem a Nylon para trabalhar. Os dois fazem um apelo para os clientes deitarem as regras do passado para trás e arriscarem mais no sentido do “mercado português voltar a ser relevante no estrangeiro”.
A internacionalização é uma das apostas da empresa que já conta com vários prémios nacionais e internacionais. O último foi atribuído pela Meios & Publicidade que considerou a Nylon como melhor agência do ano. Neste momento, o mercado angolano, sul-africano e norte-americano são os mais procurados. João Gomes de Almeida acredita que a “língua portuguesa pode ser uma oportunidade para fazer negócios”.

EMPREENDEDORISMO
O início da aventura começou um ano antes da presença da troika em Portugal. No entanto, nos últimos meses só se fala em empreendedorismo jovem. Os dois membros da equipa da Nylon aplaudem o esforço que está a ser feito por pessoas, empresas e outros agentes, embora sejam unânimes na importância de alterar mentalidades no nosso país. João Gomes de Almeida entende que “as pessoas têm de assumir o risco, o que implica trabalhar mais para fazerem coisas novas em termos de empreendedorismo”. Por seu lado, Pedro Miguel Garcia critica a “incapacidade dos portugueses mudarem”.
Fotos: DR