Herdade da Negrita – Um sonho tornado realidade

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Inês Eugénio de Almeida, filha mais velha do casal Nuno e Luísa, vestiu a camisola da Excelência de Portugal para nos levar numa viagem aos antepassados da Herdade da Negrita e de como tudo se foi modificando e adaptando ao evoluir dos tempos. 

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Desde que esta começou a criar as suas primeiras memórias, a Herdade da Negrita sempre a transpôs para um ambiente pacífico com um toque de requinte especial, situado no nosso belo Alentejo, mais especificamente em Moura. Nesta herdade, o ambiente familiar sobrepõe-se a tudo o que a exploração Agro-Turística tem para nos oferecer.

Desde sempre pertencente a família Eugénio de Almeida, foi dotada de 3500 hectares dividida por dois irmãos. Nos seus primórdios sem água canalizada, sem electricidade, foi evoluindo de forma gradual e com o trabalho árduo por parte destes familiares, amigos e proprietários.

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O projecto longo de reaproveitamento deste monte Alentejano para utilização como Agro Turismo, posto em prática por Nuno e Luísa Eugénio de Almeida, teve como principal objectivo tornar as propriedades já existentes anteriormente em casas habitáveis, através de uma decoração acolhedora e de acordo com o ambiente em que estão inseridas.

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Neste Alentejo profundo, a aldeia mais próxima é a 10 km denominada de Santo Aleixo da Restauração. A herdade tem 8 km de fronteira com Espanha, sendo das poucas propriedades que beneficia desta situação e da proximidade de Aracena. Existe uma barragem com a possibilidade de haver pesca, dotada do peixe Achigã e ainda a possibilidade em participar nas actividades agrícolas e pecuárias que esta nos oferece. Dentro da Herdade existe um pequeno segredo, uma Anta classificada como Anta da Negrita, um monumento neolítico que é possível observar sem reservas.

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A manutenção das infraestruturas em pedra e cal, as mesas feitas através da remodelação de troncos de árvore secos, as mantas nas camas reaproveitadas de antigas lãs utilizadas para montar as mulas, fazem com que seja impossível o turista esquecer os antepassados deste Paraíso. Antigamente não havendo cal, era também muito utilizado o barro e posteriormente pintado, dizendo as antigas lendas que afugentavam os espíritos.

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Com um pátio Andaluz que salta a vista, esta propriedade tem capacidade no seu total para 40 pessoas, dividida sensivelmente em três casas com arquitectura tipicamente alentejana e com uma capelinha a uma pequena distância a pé das casas, onde o casal Nuno e Luísa se casaram.

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“O Celeiro”

A primeira casa, denominada ‘O Celeiro’, constitui a parte hoteleira principal com uma sala ampla antigamente utilizada como um celeiro para guardar cereais. Constituída por um terraço provido de uma mesa corrida com capacidade para 20 ou mais pessoas, proporciona no Verão noites ambientalmente amenas e longas para convívio.

A decoração é essencialmente rústica, constituída por abobadas de inspiração árabe proveniente de restos desta cultura que os próprios nos deixaram no passado, o que garante menor humidade que a presente nas restantes infraestruturas. Por fim, duas grandes lareiras alentejanas fazem com que o ambiente esteja sempre a temperatura mais favorável para os hóspedes nos meses mais duros de Inverno.

"Casa do Arco"

“Casa do Arco”

A segunda casa, ‘Casa do Arco’ é descrita de uma maneira sucinta como a casa que proporciona um maior ambiente familiar, sendo a mais pequena e acolhedora.

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“Casa da Barragem”

A terceira e última casa, a ‘Casa da Barragem’ tem um conceito diferente das restantes por se encontrar mais isolada e com vista privilegiada para o lago. Encontra se no meio do campo e no centro geográfico da herdade, onde é possível acordar e observar os animais no seu ambiente natural e pastoreio.

Na realidade, todas as casas têm uma vista densa em natureza e animais, e á noite a observação das estrelas de forma natural é mágica, dado que não existem luzes de aldeias ou cidades próximas.

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Piscina

As culturas predominantes nestes hectares são o Sobreiro, com o maior adensamento feito em Portugal num projecto de reflorestação. A cortiça e o olival. Existe ainda a exploração de vacas, bezerros e porcos pretos com alimentação rigorosa (a bolota) sendo vendidos posteriormente para fábricas situadas em Espanha. É a partir deste que também é produzido o famoso presunto pata negra.

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O casal e os seus filhos só tomaram a decisão de deixar a vida diária no Alentejo para voltar a viver em Cascais quando foi inevitável a proximidade geográfica a escolas e instituições de ensino para que os filhos pudessem ter um percurso académico digno. Assim a mudança do casal foi feita em 2009 para Cascais, onde Nuno Eugénio de Almeida tinha passado a sua infância e onde ainda tinha família.

Fotos: DR