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A “Oficina Solidária” é um projeto de cariz social que teve início em Março de 2013, apoiado pela Sociohabitafunchal, com o objetivo de ajudar famílias mais carenciadas dos bairros do Funchal.
Não é só dar casas, temos de dar conforto às famílias
Estive à conversa com Carolina Homem de Brederode, arquiteta na Empresa Local de Habitação Social da Câmara Municipal do Funchal desde 2003, pioneira deste projecto exemplar.
Carolina refere que “Não é só dar casas, temos de dar conforto às famílias”, uma realidade com que não somos muitas vezes confrontados dado o conforto diário dos nossos espaços.
“Tinha acabado de visitar uma casa e não queria acreditar nas condições em que a família vivia, sem móveis, sem mesas nem cadeiras, sem um sofá; a casa estava completamente vazia! Foi aí que comentei com o meu diretor e até brincámos que seria engraçado fazer como o programa “Querido, mudei a casa”, aqui nos bairros madeirenses”.
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O projeto surgiu com a finalidade de recuperar e reutilizar mobiliário e outros artigos, quer sejam recolhidos nos Serviços de Salubridade da Câmara Municipal do Funchal, quer sejam doados por particulares ou outras entidades.
Outro objetivo é ensinar os moradores dos próprios bairros a arte da marcenaria e do estofar, de modo a que possam fazer pequenas reparações nas suas próprias casas.
A “Oficina Solidária” começou, assim, a fazer grandes ações para estas famílias, no bairro de Santo Amaro, numa pequena garagem. Além da Carolina, coordenadora, uma assistente social, que avalia as famílias mais carenciadas de cada bairro, um marceneiro e dois estofadores oriundos do Centro de Emprego e voluntários, deram início ao referido Projecto.
Rapidamente, a “OFICINA SOLIDÁRIA” cresceu e, por sua vez, o espaço que lhe deu asas tornou-se minúsculo. Passaram, então, para o antigo Matadouro, onde a Sociohabitafunchal fez excelentes remodelações e, em parceria com a Câmara do Funchal, ofereceu condições para que o trabalho seguisse em frente.
Foi realizado um leilão em que todas as 30 peças foram vendidas, tendo sido possível angariar 1400 euros para a máquina de costura industrial que pretendiam adquirir.
No 2º leilão, desta vez online, conseguiram um aspirador industrial e assim pouco a pouco vão colectando as ferramentas necessárias para que o projeto continue a avançar e, assim, realizar sonhos.
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Mais de 30 famílias já beneficiaram de ajuda, em vários bairros: Santo Amaro, Quinta Falcão, Zona Velha, entre outros. “É extremamente gratificante ver a alegria das pessoas e a maneira como querem preservar as peças. Cheguei a visitar algumas casas semanas depois e diziam que iriam manter sempre o embrulho de plástico para não as estragar”.
Atualmente, está em falta muita mão de obra, visto que o contrato do centro de emprego chegou ao fim em fevereiro e os trabalhadores não puderam voltar a colaborar com a mesma entidade.
Não sem se deixar de notar uma grande admiração, Carolina elogia o trabalho do marceneiro e dos estofadores. Afirma que em poucas horas conseguiam desencantar verdadeiras peças de encantar, até aos olhos mais críticos.
Atualmente, segundo as suas palavras, “o projeto está a meio gás”, pois realmente precisam de muitos voluntários. “Tentamos com pouco, fazer muito”.
É triste ver uma iniciativa tão nobre, parada por falta de mão de obra, numa época em que tanto se fala de desemprego.
Fotos: C.M.Funchal/Sociohabitafunchal
