PECADO FATAL no CHICHESTER FILM FESTIVAL (entrevista a Sara Barros Leitão)

sara barros leitão

Sobe para 34 o número de eventos cinematográficos onde a longa metragem PECADO FATAL marca presença. Desta vez é Inglaterra. O filme de Luís Diogo, PECADO FATAL, que a Filmógrafo e o Cine-Clube de Avanca coproduziu, integra a selecção oficial do “24º Chichester International Film Festival”, que se realiza nesta cidade do Sudeste de Inglaterra na segunda metade de Agosto.

PECADO FATAL é um dos 10 filmes europeus seleccionados numa secção onde entre os outros 9 filmes estão TANGERINES (nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro este ano), MARSHLAND – LA ISLA MÍNIMA (o grande vencedor dos Goya deste ano, incluindo melhor filme, realizador e argumento), MY MOTHER, o último de Nani Moretti, (que há dois meses competiu em Cannes onde venceu o Prémio do Júri Ecuménico), SUMMER (que competiu, entre outros, no prestigiado festival norte americano de Chicago) ou THE GRUMP (nomeado para melhor filme e melhor realizador nos Jussi Awards, os Óscares Finlandeses).

Recorde-se que, no ano passado, o Festival de Cinema de Chichester premiou entre outros, filmes como PRIDE (nomeado para o Globo de Ouro de melhor comédia) ou IDA (Óscar para o melhor filme estrangeiro este ano).

Com 7 prémios em 2014, PECADO FATAL transformou-se na longa-metragem de ficção portuguesa mais premiada no ano passado. Em 2015 recebeu 2 novos prémios e foi nomeado para 3 prémios SOPHIA e para os Globos de Ouro de melhor atriz. Curiosamente, todos as distinções foram atribuídas em sucessivos e diferentes países (Brasil, Bulgária, Cabo Verde, Canadá, Croácia, Itália, São Tomé e Príncipe e Portugal).

Protagonizado por Sara Barros Leitão, Miguel Meira e João Guimarães, este filme conta uma história de equívocos e paixão que vive no limbo de um pecado irrevelável. Um rapaz e uma rapariga apaixonam-se. Miguel leva Lila para uma noite de sexo rápido na casa de um amigo. Dado que a rapariga ainda dorme, ele sai de casa, deixando-a ao cuidado de Nuno e os acontecimentos precipitam-se.

Luís Diogo, embora seja natural de Castelo Branco, nasceu na Guiné-Bissau e vive em Paços de Ferreira, onde rodou esta sua longa-metragem.
Formado em artes visuais pela ESE de Castelo Branco e tendo estudado cinema na ESAP do Porto, tem orientado e coordenado acções de formação em escrita cinematográfica, nomeadamente no Festival de Cinema AVANCA.

 

A PROTAGONISTA (em entrevista)

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Sara Barros Leitão, nasceu no Porto em 1990 e formou-se em Interpretação pela Academia Contemporânea do Espectáculo. Ao longo do seu percurso, teve como professores António Capelo, João Paulo Costa, Maria do Céu Ribeiro, Nuno Pino Custódio, Luís Madureira, Sandra Mladenovic ou Kuniaki Ida.

Trabalha regularmente em Televisão, e o seu trabalho na mini-série “Mulheres de Abril” valeu-lhe a nomeação para Melhor Actriz Secundária nos Prémios Áquila 2014 e nos prémios Fantastic Televisão 2014. Atualmente interpreta “Inês” na produção da SP/SIC “Poderosas”.

Em Cinema destacam-se as longas-metragens “Aristides Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus” e “Pecado Fatal”, com o qual foi nomeada para Melhor Actriz Cineuphoria 2015, Melhor Actriz de Cinema pelos Prémios Sophia 2015 e também pelos Globos de Ouro. Participou em dezenas de curtas metragens nos últimos anos, das quais se destaca o filme “SARA”, com o qual ganhou o Prémio de Melhor Actriz no Festival CLAP 2012.

É uma voz assídua nas locuções publicitárias para rádio e dobragens de filmes e desenhos animados, mas é em Teatro que se sente completamente feliz.

Estreou-se com o papel de “Julieta”, na tragédia “Romeu e Julieta”, dirigida por Eduardo Alonso e produzida pelo Teatro do Bolhão. Trabalhou com encenadores como Victor Hugo Pontes, Natália Luiza ou Joaquim Nicolau, e passou por companhias como Teatro do Bolhão, Teatro Meridional, Teatro Rápido, Palco 13, Plataforma 285, Teatro do Vestido, etc.

Apesar de acreditar que o Teatro não são só palavras, a literatura assume um papel fundamental na sua vida. Neste momento, desdobra-se entre o trabalho como actriz, formadora, a direcção artística da companhia Carruagem e a licenciatura em Estudos Clássicos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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- O que te fascinou na história e levou a aceitar o convite?A personagem Lila tem uma força incrível, era algo muito diferente do que alguma vez me foi proposto. Não encaixava nada no perfil de personagens que normalmente me apresentam, por causa da aparência. Esta era uma jovem mulher com força, com mágoa, com personalidade vincada, que sabia o que queria. Foi por isso que quis fazê-la.
- Que importância teve para ti a participação em “Pecado Fatal”?

Teve a importância de todos os projectos que abraço: a aprendizagem. O que me move na vida é aprender, e sem dúvida que fazer este filme foi uma enorme aprendizagem profissional e pessoal.

– Esperavas o sucesso internacional que o filme obteve e continua a obter?

Não, de todo. Houve até alturas em que pensei que o filme não iria ter força para sair da gaveta, sendo uma produção altamente independente. Por isso, fico sempre surpreendida com cada nova conquista.

- Consideras que não obstante os constrangimentos financeiros temos cinema de Excelência? Como vês o cinema no nosso país?
A excelência só se conquista se existir pluralidade, diversidade. Em Portugal só fazemos dois ou três géneros de filmes, com dois ou três realizadores e produtores. Enquanto não ultrapassarmos esta barreira de produção, será impossível atingir a excelência. Seria muito presunçoso dizer que dos quatro ou cinco filmes que se fazem em Portugal por ano, há pelo menos um deles que é sempre de excelência. Só o facto de se produzirem tão poucos filmes é sinónimo de que estamos longe disso.
- Porque achas que o público não acorre às salas para ver filmes nacionais de qualidade ? Teremos um défice de cultura cinematográfica?
Não há pessoas a verem filmes portugueses porque as pessoas não gostaram dos filmes portugueses que viram antes. Parece-me muito simples. E isto não é um problema das pessoas, nem do seu gosto. É assim e pronto. Eu vivo, em grande parte, da bilheteira dos meus espectáculos, se o público não gostar do género de espectáculos que a minha companhia faz, não vai voltar a sair de casa para ter uma má experiência, pois não? Se eu vou a um restaurante e não gosto, não volto lá tão cedo. Se da segunda vez que voltar, continuar a não gostar, não volto mais de certeza. Não vou pagar por uma coisa que não me agrada. Não quer dizer que o restaurante seja mau: simplesmente não é o que eu gosto. A parte curiosa é que há restaurantes cheios e há salas de cinema cheias. Mas também há restaurantes vazios e salas de cinema vazias. A diferença é que os donos do restaurante, como não têm subsídios para fazer comida que só eles gostam, ou fecham o restaurante, ou reinventam a sua forma de cozinhar. Em Portugal a comida continua a mesma, porque os cozinheiros têm a barriga cheia e porque a culpa é sempre só dos clientes que não vão lá jantar.
Fotos: DR